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A VINGANÇA É COMO O GAZPACHO

A vingança é como o gazpacho, requer paciência na preparação e toma-se frio.

No passado fim de semana houve murros na mesa de reuniões  do Conselho de Segurança no Kremlin: a FSB - o Serviço de Segurança Federal Russo, sucessor do KGB - foi violado por hackers  e 7,5 terabytes de informação foram descarregados pelo o grupo de hackers "0v1ru$". É muito byte...

O equivalente a uma "evasão de intima privacidade" do FBI ou do MI5, com uma diferença substancial: a FSB, que reporta directamente a Putin, não se ocupa apenas de assuntos internos, domésticos, mas opera também no domínio internacional, como a CIA ou o MI6.

Posteriormente o "0v1ru$" passou toda a informação para a poderosa "Digital Revolution" e esta divulgou-a, na sua totalidade (???) ,  a algns órgãos de comunicação social - como a BBC -  e publicou no Twitter alguns fac simile comprovativos da operação

De acordo com a informação até agora divulgada os ficheiros visados encontravam-se nos "cofres virtuais" da "SyTech" - um vasto conjunto de operadores afectos à FSB que trabalham uma série de projectos de Internet, operativos on line e de investigação, como a identificação (quebra do anonimato) de utilizadores da Tor browsing.

Desde 2012 que, através do Instituto de Investigação Kvant sob a alçada do FSB, a Russia tem procurado comprometer as ligações dentro da estrutura do Tor - que é um software gratuito de código aberto que proporciona a comunicação anónima, segura para navegação na Internet e em actividades online, protegendo a privacidade e contornando a censura - a fim de prevenir comunicações fora da rede e interceptar essas comunicações, tendo tornado esta acção um objectivo prioritário; Outras acções compreendem a análise e criação de conteúdos das plataformas de "social media", apoio ao Estado russo no projecto da opção de separação da sua Internet da rede  internacional (censura, divulgação e controlo de publicação), identificação de alvos utilizadores de navegação anónima e identificação de empresas alvo.

A maior parte dos projectos da "SyTech" foram contratados pela Unidade Militar 71330, parte da 16a divisão da FSB, que lida com a inteligência e espionagem de sinais virtuais; este mesmo grupo, entre outras façanhas, foi acusado de enviar spyware e malware via e-mail para oficiais de inteligência ucranianos em 2015. Ou seja, nem só do domínio nacional vive a "SyTech" o que não será propriamente novidade para ninguém...

Esta apropriação e divulgação de ficheiros é provavelmente a maior brecha de dados na história dos serviços de inteligência russos.
De momento não são conhecidos segredos de Estado... publicados.

Como diria a minha avó, toma lá do teu xarope para ver se gostas.

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O OLHAR DA IMPOTÊNCIA

Hoje não há Brexit. Hoje não há Trump-palhadas. Hoje não há revolução no Sudão. Hoje não há caos na Venezuela. Hoje não há atentados no Paquistão nem guerrilhas no Mali. Hoje não há rescaldo eleitoral em Israel.

O 15 de Abril de 2019 ficará marcado pelo incêndio que derrubou um ícone da arquitectura gótica, da arquitectura medieval europeia. Nem as pedras ficarão indiferentes a este golpe profundo na cultura ocidental







O AMOR TEM RAZÕES QUE A RAZÃO DESCONHECE

Trump não tem qualquer dúvida sobre o assalto informático, mediático, de troca de informações e compromissos que continuamente foi e está sendo operado pela Rússia na América e na Europa. Um dos seus dramas é esse, não ter qualquer dúvida: cria-lhe inseguranças de várias espécies. Não só o leva a, repetidamente, afirmar que ganhou as eleições como o impede de ultrapassar a questão e assumir-se como Presidente de pleno direito, que é.

E depois há a outra insegurança permanente, a de saber, melhor do que quase toda a gente, que algures fechado a sete chaves existem provas, documentos, gravações de ocorrências e negócios no mínimo comprometedores; saber, melhor do que quase toda a gente, quem possui as sete chaves para todo esse material congelado mas pronto a ser cozinhado.

AINDA ALGUÉM TEM DÚVIDAS SOBRE A TRELA CURTA QUE PRENDE TRUMP E SOBRE A MÃO QUE A SEGURA?


Quem tiver é porque as quer ter, sejam quais forem as evidencias permanecerá militantemente incrédulo defendendo que o pobre é vítima de uma cabala negra.
Seja, é uma opção.

Não há justificação alguma para o comportamento do presidente dos EUA.
E não me venham dizer (creio que essa ainda ninguém se atreveu a dizer) que é por convicção ideológica. Trump não tem ideologia, tem ego, e sobra.

Ao longo de uma semana de preparação digna de constar nos anais da história, para júbilo das hostes anti-democráticas e anti-europeístas, Trump declarou a UE como um Inimigo dos EUA - “I think the European Union is a foe,” . Atacou Merkel como estando subjugada à Rússia (logo ela...) com uma argumentação fraca e falseada nos números evocados, de tão fraca que era. Merkel não se perturbou, apenas a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã repôs os factos e disse placidamente não haver risco nem motivo de preocupação. Fez o possível para destabilizar a cimeira da NATO  - que, a seu ver, é importante fundamentalmente para os europeus - sob a capa das contribuições económicas, assunto já batido e debatido com calendário estabelecido.  Mas as tropas lá do sítio não se deixam enervar por tão pouco, fizeram-lhe a vontade e o bicho acalmou-se.
De notar que as declarações de Trump sobre as contribuições percentuais foram prestadas imediatamente após o início da reunião com as delegações da Georgia e da Ucrânia. (Ele há coisas...) Estas duas delegações tiveram de abandonar a sala de conferencias onde se realizou uma reunião de emergência dos países membros. Poder-se-ia pensar que lhe meteram uma "cunha" quanto ao timing escolhido.

Depois meteu-se no avião dirigindo-se a terras de Sua Majestade. Antes de aterrar  já tinha dado uma lamentável entrevista onde pretendeu abalroar a já encalacrada Theresa May e declarou um acordo comercial com a G.B. como morto. Depois deu o dito por não dito (once more) mas deixou no ar que quem seria um bom primeiro-ministro era o loiro europeu, nem mais nem menos de que Boris Johnson... Pois.

Por fim, ahh at last, o momento mais ansiado, desde há anos, o Vlad só para ele!
Ou talvez melhor dizendo, ele só para o Vlad...
Que se lixe a América, que se lixem as Agências de Informação e de Segurança, que se lixe a democracia e as eleições, que se lixem os assassinatos, os espiões, os refugiados sírios (e todos os outros), que se lixe a Crimeia e quem morreu num avião comido por um míssil. Que se lixem os aliados. E que se lixem as investigações, sobretudo isso; há verdades que não podem, em circunstância alguma, ser expostas; venham elas de onde vierem.

Querido Vlad, passa-me a bola que eu defendo.

"I have great confidence in my intelligence people, but I will tell you that President Putin was extremely strong and powerful in his denial today," 

O MÁGICO


Eu, olhando para a televisão estupefacta:
- "Este miúdo tem um anjo por cima dele"

O meu filho, estupefacto olhando para a televisão:
- "Não mãe, ele é um anjo"

THE DEAL ARTIST


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"You know, instead of doing that, you could have the best hotels in the world right there." Trump, 12/06/2018
(Instead of launching intercontinental ballistic missiles, you could have a five-star luxury Trump hotel right there!)
"As an example, they have great beaches. You see that whenever they're exploding their cannons into the ocean, right? I said, 'Boy, look at the view. Wouldn't that make a great condo behind?" Trump, 12/06/2018
(North Korea: Come for the beaches. Stay for the exploding cannons in the ocean.)
In CNN Politics

CIMEIRAS E OUSADIAS

Primeiro foi um e-mail a perguntar se não me sentia motivada a escrever sobre a cimeira entre entre os chefes de Estado das duas Coreias; depois mais outro perguntando o que pensava sobre o assunto. Ontem alguém manifestava a sua curiosidade sobre o meu silêncio sobre este momento importantíssimo. Por amabilidade respondi mais ou menos isto: "Ainda não vi nada, acho que a montanha pariu um rato, e quando um rato vem ao mundo traz sempre irmãos consigo". Ponto.

Mais do que isto?

Ok, reconheço que ficaram bem na fotografia.
Os parabéns à organização, impecável e sábia - o diabo esconde-se nos detalhes.
Acredito que o presidente Moon Jae-in, filho de refugiados da Coreia do Norte, homem com uma carreira dedicada aos Direitos Humanos,  esteja de boa-fé. É digno mas insuficiente.
O que eu queria mesmo saber? Aaaahhhh... O que disse o presidente Xi ao Kim-zinho nos dois encontros que tiveram. Isso é que eu gostava...


Passando à fase seguinte, dia 12 de Junho em Singapura... Será?
Para dizer a verdade estou-me completamente nas tintas, não acredito que alguma coisa positiva para o mundo daí resulte, se acontecer será o encontro de dois cabeçudos egocêntricos com objectivos pessoais muito concretos a marrarem um com o outro; a pergunta que se põe é quem levará a melhor, não é a estabilidade mundial ou o bem-estar dos povos que os move.


Sumariamente, a questão é sobre quem conseguirá enganar quem ou levantar-se primeiro para sair atirando culpas ao outro. Pela minha saúdinha que gostaria de não ter razão nesta parte mas é bem possível que a tenha colada a mim. Claro que muito depende do que Xi disse a Kim... e essa é a parte que eu gostava de saber agora para conjecturar com mais convicção.

Se eu fosse Trump... tinha dito que sim, com certeza, já lá vou mas deixemos os criados falarem entre si primeiro, estabelecerem uma lista de prioridades, de toma-lá-dá-cá, colocarem sobre a mesa o que haverá a digerir. Aquela pressa em apresentar-se ao mundo como O Único tipo capaz de resolver os imbróglios insolúveis para os mortais é um calcanhar de Aquiles permanentemente exposto.
A asneira está feita resta tentar dar-lhe a volta.
Se eu fosse Trump chegava e dizia: Kim, filho, vim cá para nos conhecermos, para iniciar uma relação amigável que, tenho esperança, seja proveitosa para todos mas a diplomacia é para os diplomatas, os detalhes técnicos para os especialistas e nós, líders, temos mais o que fazer. Espero que voltemos a encontrar-nos para assinar um amazing agreement como o mundo nunca viu e se quiseres telefona-me. 'Bora lá tirar umas fotos e beber uns copos a bem da paz e da amizade entre os povos.

Se eu fosse Kim... Ah, se eu fosse Kim vingava-me que nem um Little Rocket Men (se o presidente Xi deixasse, claro). Neste momento (amanhã já o filme pode ser outro)  Kim tem Trump onde quer, a sonhar com o Nobel da Paz (só falta essa...) e a querer demonstrar que é o Mestre na Arte de Negociar.
Trump disse  que sim avidamente, Kim pode jogar com isso a seu bel-prazer. A seu favor está também a geografia: Singapura é longe de Washington mas muito perto de Pyongyang, são tempos de vôo muito diferentes.
Pois se eu fosse Kim deixava Trump meter-se no Air Force One e depois não punha lá os pés. Até dava tempo para dar um saltinho a Singapura, deixar uma caixa de Mon Chérie na almofada do loiro e pirava-me, disfarçado de americana obesa, ainda a tempo de o ver chegar na reportagem da Fox News. Depois... bem, depois fazia o que melhor me servisse, como está demonstrado à saciedade, com estes dois nunca é tarde para dar o dito por não dito.

Mas isso era eu, que sou mázinha, Kim é um honorable men, diz o entendido.


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PODERIA CHAMAR-SE "SARILHOS"

Como não tenho nada que fazer aceitei esta prenda, este sarilho, esta carga de trabalhos que ainda nem tem 5 semanas mas já descobriu que se consegue mexer, muito...
Nome de código Wayne, Bruce Wayne...



VALE POR UNS QUANTOS IMPROPÉRIOS

Com alguma frequência recebo comentários, provocações comedidas e perguntas - normalmente retóricas - via e-mail sobre o que escrevo aqui no blog e também sobre o que não escrevo, isto é, por que é que não escrevo. 

Esta semana recebi três e-mails de diferentes pessoas que estranhavam o meu silêncio, ou dele discordavam, sobre aquela chafurdeira que vai na Catalunha. 
Vamos lá a ver se me faço entender: Não tenho nada contra a auto-determinação dos povos (é assim que é politicamente correcto dizer) mas não convém nada misturar alhos com bugalhos e muito menos metê-los no mesmo saco. Não convém por duas razões: primeiro porque é uma incontornável prova de estupidez - o que não se confunde com a divergência de opinião - e segundo porque provoca em mentes menos avisadas, influenciáveis ou com visão unilateral, uma confusão difícil de aturar.
Não há qualquer semelhança entre o referendo independentista kurdo, ainda que tendo em conta a sua rebelião contra o governo iraquiano  e o pseudo-referendo catalão. Não há qualquer semelhança na legitimidade, no universo eleitoral votante, na verdade expressa nos resultados. Não há qualquer semelhança entre um Homem como Barzani e um Peruca como Puigdemont.
Não há sequer qualquer semelhança com o que se vem passando na Escócia onde, concordemos ou não, as consultas têm sido feitas dentro da lei e seguindo o manual das boas práticas. E por aí fora...

O que se passou na Catalunha foi a usurpação de um acto eleitoral que deveria ser democrático, foi um abuso de poder - desde a incrível fita no parlamento regional a horas estrategicamente tardias até à ridícula declaração de independência passando pelo número de votantes face ao número de eleitores - que se revela não mais do que a egocêntrica vivência de uma peruca no seu sonho meio tresloucado de ficar na história como o heroi dos independentistas catalães. Puigdemont sabe perfeitamente que as coisas não podem ser assim mas está-se nas tintas, agarra-se com unhas e dentes à sua oportunidadezinha de ter um momento reluzente montando o cavalo branco. 
Querido Puigdemont, isso não é um cavalo, repara bem, isso é uma mula parda e mal amanhada da qual vais dar um trambolhão seguido de coice à retaguarda

Após estas poucas linhas de linguagem contida torna-se-me difícil manter a compostura; se começo a pensar nos confrontos civis que poderiam ter havido com consequências fatais - e que ainda não estarão fora de causa - nas razões ocultas sob uma capa libertária com objectivos inconfessáveis visando a trajectória da Europa... Nã-nã-nã, não digo mais nada senão começo a sair da linha.

Depois da trampa que fez na Catalunha o Peruca foi com o rabinho entre as pernas fazer uma tentativa de heroi vitimizado para Bruxelas mas o jogo saiu-lhe torto: não há cá estatuto de asilo político para farsantes como tu.
Entregue a si próprio restou-lhe fazer de conta que não queria asilo político, apelar às garantias de Bruxelas sobre a sua cidadania europeia - quanta ironia! - e tentar manter a face fazendo um esforço público para não fazer xi-xi pelas pernas abaixo. Que hijo!!!
Deixa vir eleições a sério a 21 de Dezembro e depois a gente fala.
Feliz Natal.

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«A obsessão de que falhou alguma coisa não faz sentido» - Costa dixit.

Evito falar do Costa; evito falar do governo de um modo geral, normalmente acabo com uma dose excessiva de um cocktail de Alka-Seltzer e Guronsan, mas estes tipos - refiro-me à malta que ficou em segundo lugar nas Legislativas - conseguem tirar-me do sério, o que não é nada fácil porque habitualmente não os oiço. Basta um momento incauto, um rádio ligado no carro, um café numa pastelaria com TV... e pronto, lá vem a naúsea.
Hoje é pior do que naúsea, hoje deu-me vontade de chorar: chorar de pena, chorar de injustiça, chorar de raiva, chorar de impotência, chorar de vergonha.

Vejam este vídeo, um de muitos, e agarrem as lágrimas no peito

Não há lágrimas que lavem a tragédia encerrada em gabinetes confortáveis e seguros, em reuniões que de pouco mais servem  do que para tranquilizar algum sentimento de culpa que ocupa o espaço da consciência.


Confirmados 38 mortos (incluindo bebé de 1 mês),  
7 desaparecidos 
63 feridos (15 graves)
Números podem subir.

Costa diz que é preciso “tempo” para que o Governo analise o relatório da comissão independente sobre a tragédia de Pedrógão e tome medidas.
“Temos de transformar as recomendações em medidas práticas, temos de passar aos actos. Isso implica tempo, mobilização política, de meios e recursos”
TEMPO? Precisa de tempo? E  o raio que o parta, não?
O incêndio de Pedrógão deflagrou no dia 17 de Junho último. 
Depois desse dia malfadado as desgraças multiplicaram-se. Não quero ignorar que este Verão foi muito quente, que existe uma seca grave, mas mesmo considerando esses factores que escapam ao controlo humano é preciso ter uma enorme lata para reclamar TEMPO para analisar sacudindo a água do capote... Que raiva me dá!
Já foram de férias, já fizeram campanha, já brincaram ao pau com os ursos. Tempo?

Havia, e continua a haver, uma obrigação moral e uma responsabilidade institucional por parte dos poderes executivo e legislativo de assumirem as suas funções  "de caras" e de tomarem as rédeas da situação. A Assembleia estava fechada para férias? Pois que abrisse. O Costa estava cansadito e queria ir para Palma de Maiorca? Pois que adiasse as férias, ele e os outros muxaxos que se sentiam olheirentos. Ser governo não é ter um emprego. Nem ser deputado. Ser poder é assumir um compromisso de servir um país. Perceberam?
De meio de Junho a meio de Outubro vão quatro meses, mais de 120 dias. 

Queres mais tempo Costa? Ok, pode ser que o fogo chegue a S. Bento.

Diz o Costa:
«Essa obsessão de que falhou alguma coisa não faz sentido. A culpa é do desordenamento da floresta, que está mal estruturada e é pouco resiliente, um problema que se acumula ao longo de décadas.»

Falhou alguma coisa? 
Nãããõoooo. o povo anda obcecado com os fogos, culpa das TV's que só filmam para o lado que arde. 
este fim-de-semana arderam matas nacionais impecavelmente ordenadas e tratadas – provavelmente as únicas matas nacionais bem tratadas, as do Pinhal de Leiria. A culpa é do desordenamento da floresta...  E talvez também do rato Mickey que tem a mania de ir para lá fumar charros.

Quando questionado sobre se seria prudente dar por terminada a "Fase Charlie" o secretário de Estado da Administração Interna, essa avantesma, respondeu que o corte de 40 % dos meios de combate, provocado pelo fim da Fase Charlie, estava devidamente calculado. Na resposta, o Governo referiu ainda que não fosse estendida a fase Charlie, tinha sido reforçado o dispositivo de combate aos fogos. O-QUE-É-MENTIRA.
Todos os postos de vigia da rede nacional - todos os 236 postos - foram encerrados a 30 de Setembro.
Isto é compreensível? É perdoável?
Vem o Costa dizer que o governo irá assumir as suas responsabilidades... Pois sim. Que o diga na cara de quem perdeu os seus, as suas casas, a sua terra, a sua empresa, os seu sustento. Na cara dos portugueses já disse e ainda ninguém veio para a rua responder-lhe...

Números...

Durante a Fase Charlie os meios humanos de prontidão chegavam aos 9740 operacionais; sofreu uma redução de quase 45% - 5518 operacionais disponíveis.
Veículos de prontidão disponíveis: a 1 de Outubro passou dos 2053 para 1318, um corte de mais de 35%..
Meios aéreos -  a redução registada a 15 de Outubro era mais significativa: 65% -  de 47 para 18/16. (Meios aéreos disponíveis de 1 de Julho a 30 de Setembro 47; passaram a ser 24 a 1 de Outubro; 18 a 5 de Outubro; 16 a 15 de Outubro.)

O relatório? 
O relatório põe o dedo na ferida, em muitas feridas, e aborda incompetência, falta de prontidão na actuação, falta de profissionalização, falta e utilização de meios disponíveis...  
«...como agora nos disse, preto no branco, a Comissão Independente que investigou o fogo de Pedrógão Grande, o sistema de Protecção Civil montado por Costa quando era ministro não é o adequado. Não serve. Nem está servido pelos mais competentes, antes por demasiada gente com o cartão do partido. Depois, porque a opção feita há dez anos foi feita.»
Obviamente não o li, não creio que esteja disponível para o português comum e eleitor (virá a estar?) e são 250 páginas de leitura de uma tragédia mortal. O Expresso e o Observador - talvez outros - oferecem uma boa janela para o interior deste revoltante relatório:

E o Secretário de Estado da Administração Interna, o que dizer das declarações deste mimo governativo?

Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna, disse no domingo à SIC Notícias:

 «Temos que nos auto-proteger, as comunidades têm de ser pro-activas ao invés de ficarem à espera do socorro dos “nossos bombeiros e aviões». 
Costa nada comentou sobre estes mimos do Gomes; tem razão mais vale estar calado


Eu também não digo mais nada.


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«Quando o “pacote florestal” foi aprovado não foram poucas as vozes de técnicos, especialistas e cientistas a criticá-lo. A considerá-lo ou insuficiente, ou mesmo errado. Ninguém lhes deu ouvidos, as atenções estiveram todas numa discussão espúria sobre eucaliptos com o Bloco de Esquerda. Agora basta ler o relatório da Comissão Independente para concluir que essa reforma, de quem o ministro disse que era “a maior desde D. Dinis” (por ironia trágica do destino é com este mesmo ministro que ardeu o emblemático pinhal que ainda hoje associamos a D. Dinis…), é no mínimo muito insuficiente, nalguns casos contra-produtiva. Muitas das sugestões dos especialistas contrariam o que foi legislado, a maioria propõe acções que não estão contempladas nas leis aprovadas.»
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«Numa altura de seca severa e extrema em quase todo o país e previsões de tempo quente, o país não tem activo nenhum dos 236 postos da Rede Nacional de Postos de Vigia.
A informação foi confirmada à TSF pela GNR, que gere estes postos de vigia, sublinhando que cumpriu aquilo que está previsto na Directiva Operacional Nacional onde se planeiam os meios anuais de combate aos fogos, feita pelo Ministério da Administração Interna e Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC, que remeteu qualquer esclarecimento sobre o assunto para a GNR).
Fonte - TSF 10 Out. 2017
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O governo não tem nenhuma varinha mágica.” - Costa
Pois... nem eu. 

HOJE É O PRIMEIRO DIA...

Por acaso  o dia não correu nada mal...

Ainda estava tudo muito no princípio quando recolhi as fotos para o vídeo mas já dá para animar


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Outra parte que também não correu nada mal foi a primeira petição pública a dar entrada no site da Casa Branca , já com mais assinaturas do que as necessárias.

Reza assim:

WE THE PEOPLE ASK THE FEDERAL GOVERNMENT TO TELL US WHAT THE FEDERAL GOVERNMENT IS DOING ABOUT AN ISSUE:
Immediately release Donald Trump's full tax returns, with all information needed to verify emoluments clause compliance.

Created by A.D. on January 20, 2017

 “The unprecedented economic conflicts of this administration need to be visible to the American people, including any pertinent documentation which can reveal the foreign influences and financial interests which may put Donald Trump in conflict with the emoluments clause of the Constitution.”

GEORGE MICHAEL, PARA LÁ DA MÚSICA

Ontem ao fim da tarde a BBC foi a primeira estação a notíciar a morte de George Michael. No final da notícia publicou um pedido:

What are your memories of George Michael? Did you meet him? You can share your experience by emailing haveyoursay@bbc.co.uk. 
Please include a contact number if you are willing to speak to a BBC journalist. You can also contact us in the following ways:
  • WhatsApp: +44 7525 900971
  • Text an SMS or MMS to 61124 (UK) or +44 7624 800 100 (international)
Tanto quanto sei os resultados ainda não se encontram publicados mas outros meios de comunicação social seguiram o exemplo.
Muitos testemunhos ligados ao mundo do espetáculo referiram a generosidade e solidarierade como características marcantes de George Michael.
Abaixo deixo alguns poucos exemplos que vieram a público.

No programa 'Deal or no deal' uma mulher desabafou dizendo que precisava de £15.000 para um tratamento de fertilização in vitro, valor que considerava absurdo e que nunca conseguiria pagar. George Michael  fez essa doação no dia seguinte e pediu que se mantivesse anónima. 
Certa vez encontrava-se num café onde uma senhora conversava com a empregada de balcão; a senhora chorava por se encontrar numa situação desesperada com uma dívida de £25 000.   George Michael passou um cheque que entregou à empregada e pediu-lhe que esperasse que ele saísse para dar o cheque à senhora. 
Uma colaboradora voluntária num centro de ajuda a pessoas sem abrigo contou que George Michael trabalhava com voluntário nesse centro anonimamente e pediu que não revelassem a sua identidade. 
Esther Rantzen, fundadora do ChildLine, organização de beneficência para as crianças mais vulneráveis do Reino Unido, disse à "Associated Press" que Michael doou milhões de dólares para a fundação durante anos.
E as histórias sucedem-se, não só revelando doações mas muitas delas expondo actos de grandeza de coração, de ternura, de empatia.
Que encontre Paz.



RÚSSIA, PALADINA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Não sei se alguém que passe por aqui já se deu à pachorra de ouvir as emissões da Russia Today - RT - , canal de informação do Estado russo em língua inglesa. É muito instrutivo...

Tenho uma amiga russa, mulher inteligente de quarenta e tal anos, que vive em Lisboa há quase uma década e com quem estou com alguma frequência. Tem sido uma espécie de "case studie" ouvir, observar a evolução das suas opiniões políticas, a sua ideia do mundo, a sua opinião sobre a Rússia, os EUA, a Europa, ao longo deste tempo. Sente-se extremamente revoltada com a versão da "verdade" que lhe foi dada por lá às colheradas durante a maior parte da sua vida. Este Verão esteve na Rússia durante cerca de um mês... Quando voltou fui busca-la ao aeroporto e pouco depois estávamos sentadas à mesa a palrar; e diz-me ela - "Ao fim de três dias já estava farta de lá estar, é muito difícil aguentar tanta propaganda distorsíva, é muito revoltante, e as pessoas não têm a menor noção, os ocidentais são uns assassinos opressores".

Quando se ouve a Russia Today, presente na maioria dos pacotes oferecidos pelos operadores de TV por cabo,  percebe-se o que ela quer dizer, e há a acrescentar que o emitido pela RT é a versão soft para capitalista ocidental ver.

Claro que nada disto é novidade mas uma coisa é saber, outra é deleitarmo-nos com as mensagens supostamente subliminares que aquela rapaziada pretende impingir e o ar cândido ou injustiçado com que pretendem vender-nos aquilo em que fingem acreditar. Uns miminhos a qualquer hora do dia ou da noite!
Por mera coincidência a RT tem, entre outras guloseimas, um "chat-show" apresentado, via net, claro, pelo heroi da WikiLeaks, o angelical Julian Assange.

clicar p/ aumentar
Hoje a RT está em pé de guerra, literalmente.
O banco NatWest, onde se encontra sediada uma das mais importantes contas bancárias da RT e que faz parte do grupo Royal Bank of Scotland, resolveu fechar as contas com este seu cliente. Assim, pura e simplesmente:
“We have recently undertaken a review of your banking arrangements with us (NatWest) and reached the conclusion that we will no longer provide these facilities,” it said. The decision was final, the letter added. In "The Guardian"- 17/10/16
O Tesouro britânico diz que não ter a menor relação com o assunto.
Membros do parlamento russo, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo e oficiais dos Direitos Humanos condenaram veemente esta ocorrência.
Ao abrigo dos Direitos Humanos e da Liberdade de Expressão aguardam-se as represálias sobre a BBC em Moscovo.

E a parte mais gira: A editora-chefe da RT diz que está a ser desrespeitada a Liberdade de Expressão. Ó pá... que injustiça!
Editora-chefe esta que publica alarve e repetidamente:
"Russia’s military intervention in Syria as a campaign against terrorists, and reflects Moscow’s official position that no civilians have been killed by Russian jets."
Isto sim, é a liberdade de expressão, e de informação, levada ao extremo; e é verdade que dizem isto, eu já ouvi.

Como também ouvi, ainda hoje, a RT dizer que o exército de resistência a Assad são os guerrilheiros terroristas al-Nusra (filial síria da Al Qaeda), que estes tinham morto mais não sei quantos cívis quando estavam em fuga e, vai daí, a força aérea russa os tinha bombardeado.
Nesta altura não existe presença da al-Nusra em Alepo, quem os eliminou foram as tropas rebeldes e, como é óbvio, estas não estão em fuga. http://edition.cnn.com/videos/world/2016/10/17/intv-amanpour-molham-ekaidi-syria.cnn

Nos últimos anos o NatWest tem vindo a encerrar várias contas de clientes russos. Atiça-me a curiosidade, gostaria de saber quais...

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UM VERÃO DE OURO

Só após o início do Verão de 2016, Portugal também ganhou o Europeu de Futebol; também mas não só... Assim de repente algumas vitórias lusas, e o Verão ainda é jovem.

Europeus de Atletismo
Patrícia Mamona - campeã da Europa do triplo salto
Sara Moreira - medalha de ouro na prova da meia-maratona e
Jéssica Augusto - medalha de bronze
Tsanko Arnaudov ( português) medalha de bronze no lançamento do peso
Ana Dulce Félix - Taça da Europa da distância, meia-maratona, para a qual contam os registos das três melhores de cada país, tendo fechado a equipa lusa no 12.º posto, dando o triunfo colectivo a Portugal.


Europeus de Canoagem
Fernando Pimenta - duas medalhas de ouro, em K1 1000 e 5000
Campeonato Mundial Universitário de Canoagem.
A dupla Maria Cabrita e Francisca Laia em 500 metros e a segunda nos 200 metros a solo da portuguesa olímpica (F.L.)

Campeonato do Mundo de Maratonas BTT
Tiago Ferreira - ouro

Concurso Mundial para Jovens Bailarinos em Nova Iorque
1300 jovens - 32 países
António Casalinho (12 anos) - Ouro

Europeu de Basquetebol Feminino sub-20
Equipa portuguesa - Medalha de Ouro

Campeonato Europeu Natação Juniores
Tamila Holub - 1500m livres - Ouro

Campeonato do Mundo de Ginástica Acrobática
Joana Moreira e Rita Ferreira - Pares femininos, grupo 12-18 - Ouro
Henrique Branco e Tomás Filipe - Pares masculinos, grupo 12-18 - Bronze

Ciclismo - Europeu de Lisboa
Portugal . sete medalhas na competição de Age Groups, distância olímpica.
Campeões da Europa dos respectivos Age Groups:
Diogo Nóbrega (AG 18-19), 
Katarina Larsson (AG 30-34)  
Márcio Neves (AG 30-34) .
Bronze:
Rodrigo Baltazar (AG 35-39)
Miguel Fragoso (AG 50-54) 
Carlos Cabrita (AG 60-64) 
Maria Medeiro (AG 18-19)

Até a vitória no Campeonato Intenacional de Colombofilia, no qual paticiparam dezenas de países com um total de 900 pombinhos os portugueses arrecadaram

É preciso ter asas!

A GRÃ-BRETANHA DE SCHRODINGER

«O artigo 50.º do Tratado da União Europeia prevê um mecanismo de saída voluntária e unilateral de um país da União Europeia.Um país da UE que pretenda retirar-se deve notificar da sua intenção o Conselho Europeu, a quem caberá apresentar orientações para a celebração de um acordo que fixe as modalidades da saída do país em causa.

Este acordo é celebrado por maioria qualificada pelo Conselho, em nome da UE, após aprovação do Parlamento Europeu.

Os Tratados deixam de se aplicar ao país que efectua o pedido desde a entrada em vigor do acordo ou, o mais tardar, dois anos após a notificação de saída. O Conselho pode decidir prolongar este período.

Qualquer país que saia da UE poderá solicitar a respetiva reintegração, devendo voltar a submeter-se ao procedimento de adesão»


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What now?

A libra, obviamente, caiu - às 03:00 da manhã já tinha caído quase 5%

A Escócia, claramente a favor da permanência na U.E. , volta a jogar a carta separatista; só que desta vez com razões acrescidas...

A Irlanda fez saber que deseja manter abertos os canais comerciais com a Europa. Politicamente o que quer isto significar?

Face ao separatismo na Catalunha a bolsa espanhola lidera hoje as quedas europeias com uma taxa de -15,90%; "estabilizada" depois na casa dos 11,--%

Angela Merkel
está preocupada, e com toda a razão. Além de tudo o que preocupa a Europa, a chanceler alemã foi o único lider europeu que teve a coragem de fazer o que devia humanamente ser feito face à desgraça, à dramática desgraça, dos refugiados em fuga de uma existência insustentável. E está a sair-lhe caro, muito caro, porque muita gente não percebe, não quer perceber, que os terroristas entram na Europa com ou sem refugiados. Aliás, já cá estão, com nacionalidades e passaportes europeus. O medo irracional gera a pior das cobardias: a ausência de solidariedade humana, e, já agora para quem lhe sirva a carapuça, a ausência de solidariedade cristã.

Matteo Renzi também tentou, ali mesmo à beira do Mediterrâneo com pessoas a morrerem-lhe nas praias, mas faltam-lhe os euros, sobra-lhe corrupção e também está a ser castigado: das recentes autárquicas à queda da bolsa em Itália, a segunda maior queda de hoje, tudo o demonstra.

E a Grã-Bretanha, é um gato vivo ou um gato morto?

Quero eu dizer, entre o "Remain" e o "Leave", Europa à parte, o que se vai revelar de facto melhor para a Grande Ilha, ser uma ilha ou pertencer a uma comunidade continental? Depois de birras, individualismos e nacionalismos como será viver "orgulhosamente I, Me and Myself"?
Pois, não se sabe, o "gato" ainda não foi observado, é o Reino do Princípio da Incerteza. 


What's next?
As esquerdas arreigadas e as direitas nacionalistas vão içar a bandeira do "Brexit" na defesa das suas guerrilhas de estimação para fustigar a complicada estabilidade europeia.

(A CGTP já hoje vomitou que os resultados do referendo britânico são:
« ...uma profunda derrota para interesses do grande capital, e acrescenta, confirma a rejeição das políticas federalistas e neoliberais impostas na União Europeia».
Impostas? Mas já alguém por cá legitimou nas urnas a "rejeição das políticas federalistas e neoliberais" da União Europeia?Nas últimas eleições a percentagem dos anti-europeus, feitas as somas, situava-se nos 18%. Não se habituam à democracia estes gajos... )

A estabilidade dos mercados financeiros, já de si abalada por situações económicas mas também sociais e políticas - da invasão de refugiados à radicalização dos extremos ideológicos passando pela(s) crise(s) no Médio-Oriente, a regressão de mercado na China, as flutuações do petróleo (legal e contrabandeado), os arrufos sociais e militares de uma Turquia imprevisível, as eleições nos E.U.A , os finca-pés de Putin face à NATO e ao Acordo de Minsk - pois... a coisa não anda fácil e a forçosa adaptação dos mercados europeus a uma Grã-Bretanha... diferente, não vai ajudar, nada; nem agora nem quando o "divórcio" se efectuar na prática.
E Cameron vai-se embora... Não que faça grande falta, em última análise foi ele que começou este sarilho e deu um tiro no pé. A questão é outra... "Atrás de mim virá quem bom me fará", diz o povo. Aquele pessoal do "Brexit" é um bocado alucinado, inconsequente. Esses ingleses têm no ADN aquela vontade, que se tem vindo a tornar cada vez mais desfasada da evolução do mundo, que os leva a ter o volante à direita e a circular pela esquerda, entre outras coisas. A bem de quê? Francamente não facilita...Não me passa pela cabeça que, depois deste disparate, o prime-minister venha a ser um tipo como aquela espécie de Trump-feito-à-pressa, refiro-me ao alucinado Boris Johnson.
God save the Brits!

Enfim, nem tudo é mau, ir a Inglaterra vai sair mais barato e até pode ser que baixe por cá o preço do whisky. E pode ser que aquela bruxa má, o lider do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, também se demita após lamentável campanha que fez, com um pé dentro e outro fora.
Como disse hoje o presidente do Conselho Europeu, o polaco Donald Tusk,"O que não nos mata, torna-nos mais fortes". Assim seja.

MAIS ATENTADOS DE MORTE DO QUE DIAS PARA MATAR

Quando, a 7 de Janeiro deste alucinado 2015,  o ataque terrorista à "Charlie Hebdo" fez 12 mortos, incluindo os dois assassinos, e cinco feridos graves, o mundo susteve a respiração. Chefes de Estado desfilaram sob o peso de uma consciência acrescida de que a violência letal no mundo tinha subido mais um patamar, um novo paradigma de terrorismo tinha despertado.

Creio que quase todos perdemos a conta aos atentados suicidas, muitos dos quais levados a cabo por meninas-bomba, e às incursões selvagens do Boko Haram em numerosos territórios africanos; perdemos a conta aos atentados e ao insano número de vítimas.

Thousands died in Baga Town after recent Boko Haram attack.
São incontáveis os "ataques aterrorizadores de rua" que ocorrem diariamente em Israel, dos atropelamentos em massa às facadas aleatórias, a "roleta russa" instalou-se





Os atentados de Paris do passado dia 13 de Novembro fizeram-nos entender à saciedade que estamos perante um fenómeno de horror que não é ocasional, que não é esporádico, que não é algo com que possamos viver e ir torneando.

Fecharam-se fronteiras, declaram-se estados de emergência, levantaram caças-bombardeiro, reuniram-se consensos, articularam-se respostas operativas. Compreendeu-se que os sonhos idealistas do Espaço Schengen foram sonhados numa época que já não é, de forma alguma, aquela que estamos vivendo. Fomos brutalmente confrontados com uma realidade que ultrapassou há muito o nível do "incómodo".

Mas na quarta-feira, durante a noite de quarta para quinta-feira, quando presenciava o desenrolar de cenas de guerrilha urbana após mais um massacre colectivo, desta vez em San Bernardino, nos arredores de Los Angeles, vi-me face a um gráfico que nem nas minhas congeminações mais negras - mais assimiláveis por uma ficção cientifica de serie B do que por qualquer análise quantitativa factual - poria a hipótese de a verdade ser tão negra, de se traduzir em números tão absurdos.


 
Este calendário, referente apenas aos E.U.A. , não apresenta o número de vítimas em tiroteios colectivos mas sim o número de ocorrências de tiroteios colectivos por dia que vitimaram mais de 4 pessoas; ou seja, se o número de vítimas for "apenas" de 3 ou menos, essa ocorrência nem se encontra aqui registada.

Em 336 dias ocorreram 355 tiroteios colectivos que originaram mais de 4 vítimas. 
Há mais tiroteios colectivos do que dias no ano.

Dia 2 de Dezembro ocorreram dois: um em Savannah, que fez 4 vítimas, outro em San Bernardino que resultou em 14 mortos e 17 feridos graves.
Quando a realidade é assim tão negra, quotidianamente, já não se vivem dias negros, vive-se nas trevas.
Vive-se nas trevas quando a ocorrência de atentados, tiroteios e mortes violentas se tornam uma rotina, quando começamos a ouvir e ver esses horrores e reagimos como se fizessem já parte da normalidade.

... Não me venham falar de extremismos religiosos: o mundo está cheio de psicopatas assassinos, raivosos, frustrados, que usam as suas pseudo-convicções religiosas como justificação para soltarem todo o ódio que abrigam, toda a incapacidade de lidarem com o mundo, com as suas pequeninas vidinhas, toda a incapacidade de se adaptarem às lutas reais e difíceis a que a vida nos obriga.
Não é uma questão de religião, é uma questão de fraqueza e ódio com a religião por álibi. A loucura e o Mal agem justificando-se em nome de Deus.

YOU CAN RUN BUT YOU CAN'T HIDE

Eram três horas da manhã em Lisboa quando subitamente a emissão da CNN "saltou" para a repórter residente no Pentágono anunciada pela conhecida parangona "Breaking News"


Um drone norte-americano havia bombardeado um veículo pertencente ao ISIS no qual, entre outros, seguiria Mohammed Emwazi , cidadão britânico conhecido por "Jihadi John", o selvagem assassino que procedeu a numerosas decapitações filmadas e difundidas em vídeos do ISIS. Todos os ocupantes do veículo foram mortos.

Embora a sua identidade não pudesse, ainda, ser 100% confirmada, por não se encontrarem forças militares no terreno, os serviços secretos especializados norte-americanos vinham seguindo e localizando "Jihadi John" há meses e, mais especificamente, nas últimas 48 horas em Raqqa, na Syria, aguardando a oportunidade de colocar o alvo sobre ele sem a presença de indivíduos civis que pudessem ser atingidos colateralmente. Assim a probabilidade de ter sido de facto morta esta aberração humana situa-se na ordem de 99% de certeza.

«The Pentagon press secretary, Peter Cook, said: “US forces conducted an airstrike in Raqqa, Syria, on 12 November 2015 targeting Mohamed Emwazi, also known as Jihadi John. 
“Emwazi, a British citizen, participated in the videos showing the murders of US journalists Steven Sotloff and James Foley, American aid worker Abdul-Rahman [Peter] Kassig, British aid workers David Haines and Alan Henning, Japanese journalist Kenji Goto, and a number of other hostages. 
“We are assessing the results of tonight’s operation and will provide additional information as and where appropriate.”»
«David Cameron made a statement from Downing Street on Friday morning confirming the attack amid reports that US officials were “99% certain” that Emwazi had been killed in a drone strike.»   In The Guardian - 13 Nov. 2015

Paz à sua alma, costuma-se dizer... Pois, mas desta vez não.
Que a maldade lhe pese na alma se é que a tem: esta madrugada enquanto ouvia a notícia, fixei os meus olhos nos olhos dele, ali, no écran à minha frente, tentando entender, tentando espreitar por aquelas "janelas para a alma"; Nada, vazio, imperscrutável, desalmado.
Pois que se sinta morrer tantas vezes quantos os homens que matou e se multiplique por mil todo o terror que inspirou, às suas vítimas, às suas famílias, aos seus amigos.

Não se ficou mais perto de vencer esta guerra humana mas fez-se uma luz de Justiça.

Link: http://edition.cnn.com/2015/11/13/middleeast/jihadi-john-airstrike-target/index.html


ACTUALIZAÇÃO:

A retaliação não se fez esperar: 
Paris já está a arder
13Nov, 22h00

At least 18 killed in multiple shootings in ParisSeveral explosions outside football stadiumAttack at Germany-France soccer game, siege at theater, many killed

hostage situation ongoing



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