NÃO VOU LEVAR ISTO A SÉRIO - 6
Publicado por Alex. à(s) terça-feira, fevereiro 02, 2016 0 comentários
A PARTE QUE TEMOS DE LEVAR A SÉRIO
Não quero tecer comentários nem alongar-me sobre o assunto, de há uns anos a esta parte tornei-me tendencialmente hipertensa.
(É do mau feitio, dizem as más línguas).
Deixemos então as palavras, que tendem a azedar, e tomemos os números fornecidos pelo IGCP
Há que ter calma, o governo, ou lá o que é esta coisa, tomou posse apenas há uns dias mais do que mês e meio (26Nov.2015), ainda a procissão vai na praça...
O Estado aumenta em 12,1 mil milhões de euros as necessidades de financiamento até 2019 e atira 6,6 mil milhões de dívida do FMI para pagar depois da legislatura
Publicado por Alex. à(s) quinta-feira, janeiro 14, 2016 0 comentários
NÃO VOU LEVAR ISTO A SÉRIO - 5
Citando o Exmo. Senhor ministro da educação:
"Sabemos que o SUCESSO escolar é o grande entrave ao progresso das qualificações, à mobilidade social e também ao paliar das desigualdades."Poderia agora dedicar algum do meu latim a comentar sobre a evidência de que o Exmo. Senhor ministro da educação é uma cavalgadura. Poderia... mas não seria a mesma coisa. Assim chega perfeitamente e até gosto da parte do "paliar das desigualdades.". Não consta deste vídeo mas também gostei da seguinte argumentação apresentada no decorrer desta palhaçada:
"E é preciso, acima de tudo, voltar para trás, ter a consciência de que a escola não tem de treinar para exame."
"Ó Srª deputada quem governa somos nós e é assim que nós queremos e pronto"I rest my case...
Publicado por Alex. à(s) quinta-feira, janeiro 14, 2016 0 comentários
OS VANGUARDISTAS CADUCOS
Não digo nada, sobre o dia de hoje nada há a dizer. Do Costa não falo, dá-me nauseas.
Mas vale a pena ouvir a intervenção do deputado Carlos Abreu Amorim
na apresentação do programa do XX Governo constitucional
Verdades como punhos, até doi.
E vai doer mais, a todos os portugueses, aos que sabem que vai doer e aos outros, os que aguardam o momento da montada da pileca do poder.
Como referiu Carlos Amorim, hoje, 9 de Novembro, completam-se 26 anos sobre a queda do muro de Berlim. Torna-se obvio que muita gente ainda não entendeu, nem vai entender, o que motivou a queda desse Muro da Vergonha, não tem a menor noção do que foi festejado, do riso às lágrimas, por aqueles que se viram "desemparedados".
Os marxistas, leninistas ou não, os socia/listas, europeístas ou não, cristalizararam num "Estado-social" que não resulta, não evolui, desvirtuado de valores humanos individuais que não progride nem deixa progredir, economicamente caduco e embutido de descrédito pessoal. Só conta o que o Estado decide, que decide por todos, porque "é assim que deve ser pela salvaguarda do bem comum". O adjectivo mais meigo que tenho para os descrever é Retrógrados; ilusionistas da vanguarda sócio-política.
Não me venham falar de Liberdade, só conhecem uma: a sua liberdade de Poder, tudo o resto, todos os outros, que se lixem.
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Publicado por Alex. à(s) segunda-feira, novembro 09, 2015 0 comentários
PEQUENOS DETALHES
Como saberão os mais assíduos, ou os mais atentos, não sou grande fan de Paulo Portas, já por aqui escrevi coisinhas pouco amáveis acerca das suas birras e motivações. Pouco amáveis, não propriamente insultuosas.
Creio que Paulo Portas reconheceu que não precisa ser irrevogavelmente superior a Pedro Passos Coelho; terá reconhecido no Primeiro-Ministro o Homem-de-Estado com uma calma e perseverança que ele, Paulo, emotivo e reactivo, não teria (não teve).
Mas P.P. tem algumas qualidades, ou características, que não posso deixar de apreciar, algumas pessoais, outras políticas (se é que é possível separar assim tão singelamente umas de outras)
Ontem, dia 20/10, à saída de Belém a jornalista da RTP1 perguntou-lhe:
«... atendendo ao que disse António Costa aqui esta tarde que esse governo pode cair no momento em que apresentar o programa de governo... dizendo que o país não devia perder tempo porque há um acordo para um governo com apoio maioritário no parlamento, que foi o pedido que Cavaco Silva fez»E P.P. respondeu em pouco mais de uma dúzia de palavras:
«É absolutamente extraordinário ver um líder político, à procura da sua sobrevivência, considerar o voto do povo um detalhe e considerar o parlamento de Portugal uma formalidade.
Boa tarde.»

Pela minha parte nada tenho a acrescentar.
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Publicado por Alex. à(s) quarta-feira, outubro 21, 2015 2 comentários
PAUSA NO SILÊNCIO, DECLARAÇÃO DE VOTO
Muitos amigos, ou meros frequentadores do RealGana, têm estranhado o meu silêncio durante a época de campanha eleitoral que estamos vivendo.
Compreendo...
Abri o RealGana em Julho de 2007 e, desde então, de forma mais activa ou mais discreta, não houve período eleitoral que passasse ao lado, tive sempre uma "farpa", um comentário, um elogio, resumindo, uma opinião ou constatação de facto a acompanhar as campanhas, as declarações públicas, os momentos que o nosso país atravessava.
Então o que é que me deu?
Ou como me escreveu ontem um antigo colega de liceu, "T'as donné la langue au chat?"
Bem... Tenho uma seria rejeição pela conversa mole, pela dissecação do óbvio, pelas tiradas geniais de Monsieur de La Palice.
Gastar palavras sobre a actual situação pré-eleitoral de Portugal só se me apresenta de três formas:
- Ou se está a falar de uma situação decorrente do que toda a gente sabe, viveu, observou e é mais ou menos como dizer a alguém que acaba de chegar encharcado que lá fora está a chover
- Ou se é um chamado "líder de opinião", uma figura de projecção nacional, e que não se aplica por aqui
- Ou se está a fazer campanha eleitoral. E eu não estou.
Não estou porque há quem esteja, e ainda bem.
Já estive, há muitos anos e durante muitos anos; colei cartazes, fui a comícios e manifestações, trabalhei com enorme gosto e dedicação na rua e em sedes de campanha, gastei (o que é diferente de "perdi") inúmeras horas de sono, de lazer, de estudo e de trabalho, nunca ganhei - ou quis ganhar - um tostão com isso; chorei e ri, festejei e aceitei, senti-me parte de um todo que me era querido e também me senti, por duas vezes, "do outro lado", concordei e discordei. Vivi empenhada e alegremente as campanhas como a maioria dos eleitores não terão vivido e com genuína paixão pelo meu país.
Então e agora, passou-me a paixão?
Não vale a pena?
Não apoio ninguém?
Não é por aí. Apoio sim, como há muito tempo não apoiava.
Por vezes a minha opção de voto foi por um mal menor, por vezes foi porque "do mal o menos", por vezes foi em plena entrega, por vezes mudou.
Há quatro anos dei o meu voto a Passos Coelho, nunca o daria a Sócrates, nunca, nunca, nunca, e, na conjuntura, também não o daria a mais nenhum dos partidos concorrentes, nem à direita nem à esquerda. Não o dei contrariada mas também não o fiz com grande convicção.
Não é o caso presentemente.
Após quatro anos de governo do Pedro Passos Coelho, e não digo do PSD nem da coligação, digo Pedro Passos Coelho, apoio este primeiro-ministro como como há muito tempo não apoiava qualquer indivíduo ou partido.
Pedro Passos Coelho teve, desde o início e ao longo do seu mandato, uma enorme coragem, determinação, perseverança, cabeça-fria e seriedade como poucas vezes, muito poucas vezes, vi em governantes e opositores da nossa supostamente madura democracia. Surpeendeu-me, enormemente.
Foi criticado, abalroado e traído dentro das suas muralhas; nunca vacilou, nunca desistiu, nunca se vitimizou. Seguiu em frente, cometeu erros, esteve perante adversidades evitáveis e inevitáveis verdadeiramente hercúleas, pegou num país considerado "lixo" pelas agências de rating, prestou contas a autoridades externas, pagou a tempo e horas quando os arautos da desgraça clamavam por um segundo resgate, torneou os maquiavélicos malabarismos políticos do Tribunal Constitucional que se comportou como o mais activo "partido da oposição".
Suportou as birras irrevogáveis e financeiramente onerosas do seu vice, aturou os remoques invejosos de um presidente da república ex-primeiro-ministro e ex-ministro das finanças que se sentiu ultrapassado pelo "puto Pedro", não obedeceu aos projectos pessoais daqueles que o quiseram no governo para o manobrar a bel-prazer; pelo contrário, muitos foram indiciados e processados na justiça.
Foi duro? Foi, é, ainda está a ser.
E tinha de ser, estávamos "de tanga", a rasgar-se e literalmente sem tanga lavada para o dia seguinte. Nunca o omitiu nem disfarçou, nunca "dourou a pílula", anunciou-a amarga e difícil de engolir sem qualquer tentação eleitoralista. Não tenho memória de alguma vez ter ouvido numa apresentação de programa de governo uma expressão parecida com: «Teremos um brutal aumento de impostos».
Há cerca de dois anos achei que a próxima legislatura iria ser do PS, o umbiguismo nacional é imediatista, o dia de amanhã logo se vê, Deus dará.
Há cerca de um ano comecei a pôr a hipótese de as pessoas repararem que as perspectivas tinham mudado, que já não habitávamos um país de "lixo financeiro", que conquistamos a confiança dos mercados e do investimento, que o empreendedorismo português está de boa saúde e recomenda-se. Ouvi muitos "Nem penses nisso".Hoje acredito, contra todas as probabilidades iniciais, que é possível continuar a sarar as feridas do nosso país e a reconquistar um lugar ao Sol após este longo Inverno do nosso descontentamento.
Eu voto no Pedro Passos Coelho, sem partidarismos nem enfeudamento; com esperança, com convicção, com a aposta nas provas dadas.
Não vou fazer campanha por aqui, as provas estão lá fora, para quem as quer ver e para quem, doa a quem doer, não as vê porque não quer.
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Publicado por Alex. à(s) terça-feira, setembro 29, 2015 4 comentários
A REALIDADE DOS FACTOS
Há verdades que chateiam de tão verdade que são e, quando essas verdades são brasas que aquecem a sardinha do outro ainda chateiam mais, ainda que aqueçam também a nossa sardinha.
Como dizia "o outro", criam-se factos políticos, berra-se bem alto sobre o que está mal (claro que muito está mal, não temos santo milagreiro em funções nem a árvore das patacas no jardim), fazem-se greves que não colam, omite-se sob o tapete que se vai puxando o que não convém que seja divulgado. Não gasto mais palavras a expor o que toda a gente sabe, quer se coloque por um lado ou por outro.
De resto mais não preciso dizer, pego nas palavras cruas que Sandra Clemente publicou ontem no Económico e tenho dito.
Quem ficar chateado por a sardinha estar assada pode recorrer aos insultos habituais, ou olhar para os horizontes nacionais e constatar que se encontram bem mais alargados do que há quatro anos, sem Parthenon em ruínas.
Passos Coelho pegou num país falido, sem acesso a financiamento e comprometido com um programa de ajustamento violentíssimo e conduziu-o, durante três anos, para fora do resgate, voltando a financiar-se nos mercados a taxas de juro mais baixas de sempre, pôs a economia a crescer, o desemprego a baixar e o emprego a aumentar.
"A primeira etapa, tirar o país da assistência financeira, foi ultrapassada e a segunda, fazer de Portugal um país com futuro, semeada durante a primeira, está a ser vencida. O País tem confiado. Nestes quatro anos o Governo reformou de tal maneira a economia que alterou o seu perfil estrutural com consequências a todos os níveis: o sector exportador está a ser o motor de saída da crise. Aumentou o investimento (o público está em queda). A prioridade é agora a industrialização. Na banca mudaram todos os protagonistas. Na classe política virou a geração, na empresarial está a virar. Saíram 60 mil pessoas do Estado que funciona.
Na educação saíram cerca de 30 mil professores e ninguém ficou sem aulas; na saúde a factura com medicamentos e as rendas aos laboratórios caíram centenas de milhões de euros; na justiça foi feita uma reforma sem precedentes; na defesa a reforma 2020; na energia e obras públicas (PPP) foram cortadas rendas com poupanças, presentes e futuras, de milhões de euros ao contribuinte; o Estado manteve e reforçou a rede de segurança para os mais vulneráveis à crise. Pelo caminho, o Governo enfrentou a oposição do Constitucional que boicotou a reforma do aparelho do Estado e a não comparência do PS para um acordo inadiável de reforma da segurança social.
Não são queixas, são factos, e os factos criaram impossibilidades. O alerta do FMI para que as reformas estruturais não parem terá muito de pressão para o Governo mas chama sobretudo a atenção para o retrocesso que significam Costa e ‘entourage', membros dos governos de Sócrates que faliram o país, que continuam a prometer o que nos faliu e tudo o que o Governo Grego foi obrigado a congelar há duas semanas para obter financiamento: aumento de salários públicos, pensões e investimento público (tudo sem planeamento, sem gerar valor acrescentado, apenas dívida), travar privatizações. Já ultrapassamos esta fase, o Governo precisa de mais quatro anos para a modernidade do país se solidificar." In: http://economico.sapo.pt/noticias/o-governo-de-passos_214480.html
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Publicado por Alex. à(s) terça-feira, março 24, 2015 0 comentários
O GENE POLITICAMENTE INCORRECTO
Ainda a propósito do artigo da Maria João Avillez...
Li muitíssimos elogios ao que Maria João Avillez escreveu ontem no "Observador", muitos deles no rodapé de comentários on-line; ficam AQUI para quem tiver curiosidade
Também li críticas de quem não gostou, coisa legitima. Porém... Na sua maior parte (mas MAIOR mesmo) as críticas não se ficam pela discordância, não chega.. .Buscam o insulto, amaldiçoam. Era de esperar, isto de se ser politicamente incorrecto tem o seu preço.
Quem contraria a (suposta) esquerda é fascista, egoísta, desumano; quem contraria a (suposta) direita é fixe, socialmente integrado, humanamente superior.
Apoiar o governo é um delito! Quem o faz sujeita-se... Aahhh os democratas!
Isto excita o meu gene revolucionário (sim, pasmem, também tenho) e reforça a minha capacidade de ser politicamente incorrecta, torna-se mesmo uma necessidade.
Não é, para mim, uma questão de esquerda ou direita, há muito tempo que perdi a noção do significado dessa classificação, não lhe encontro o sentido no mundo de hoje, chega a ser infantil pretender dividir o mundo político assim.
No mundo de hoje a maior parte das ditaduras são "de esquerda"; os países com maior estabilidade e superior qualidade de vida são monarquias; a direita não grassa, à parte uns grupelhos de skin-heads desajustados ou de uns KKK reencarnados.
Divida-se entre ser realista ou idealista - e o idealismo é bonito, inteligente mas também jovem e utópico. Divida-se entre ser socialmente eficaz ou a degradação a curto prazo. Divida-se entre a aceitação da opinião alheia, o respeito, e a imposição da opinião própria "porque é a melhor para todos". Divida-se até, no limite, entre democratas e autocratas mas esquerda e direita é ridículo: Putin é de esquerda? E Chavez (o próprio ou o reencarnado)? E a dinastia Castro? E Bashar al-Assad, é de direita? Sejamos lógicos e coerentes...
Assim, com o meu gene revolucionário em curso, trago mais um artigo muitíssimo incorrecto, para congratular ou insultar, publicado no "Público" em Dezembro de 2013.
Apesar de, desde há dezenas de anos, ser inabalavelmente amiga do autor deste artigo, temos grandes divergências ideológicas e políticas que, no entanto, nunca criaram qualquer mal-estar ou incapacidade de diálogo; temos também muitas convergências no que toca à apreciação dos factos, das conjunturas, das jogatanas politiqueiras.
Tem, este artigo, alguns meses mas vem hoje tão ou mais a propósito do que então: hoje, depois da oposição sistemática do Tribunal Constitucional - que se preocupa muito com o povo mas inviabiliza sempre que pode todos os cortes na Despesa orçamental. Hoje, depois de a Troika ter saído e de (afinal...) não ter havido segundo resgate e termos conseguido a tal saída limpa que ninguém acreditava ser possível.
Aqui vai.
Publicado por Alex. à(s) quinta-feira, julho 03, 2014 0 comentários
PEDRO NO SAPATO DOS DERROTISTAS
Nem sempre vou por ela
Não vou contra ela
Acho-a inteligente, observadora, assertiva e honesta
O artigo de hoje é daqueles em que encontramos (pelo menos algumas) verdades reflectidas ou que não perdoamos - pode mesmo despertar odiozinhos de estimação.
Parece-me um excelente sumário da história recente de Portugal na sua vertente governativa
Vale a pena ler, para gostar ou odiar, para aclamar a coragem que vai sendo preciso ter para apoiar a governação de Pedro Passos Coelho - atitude tida como a mais "politicamente incorrecta" dos dias que vão correndo, pior ainda do que todas as impossíveis reivindicações supostamente laborais que tão bem servem interesses partidários, para destabilizar politicamente e exacerbar até à raiva as dificuldades sentidas.
Uns vêem o seu umbigo, outros mais além. O todo ou a parte, no fundo é a questão.
«Já se pode dizer bem de Passos Coelho?»
Maria João Avillez - 2/7/2014«Faz hoje um ano o Governo foi enterrado. Tal como a Torre de Pisa, todos os mundos – o político e os outros – se inclinavam só para um lado: naquele belo dia de verão, o Executivo tinha acabado, a maioria tinha-se desfeito.
Gaspar saíra na véspera, deixando carta e menos de 24 horas depois, Portas, sem aviso prévio e irrevogavelmente, imitou-lhe o gesto. Deixando comunicado.
Havia meses que – relembremo-lo – Gaspar acordara com Passos Coelho o nome da sua sucessora e organizadamente foi isso que ocorreu: o Governo aprovara, o PM propôs o nome de Maria Luís, o Presidente da República aceitou-o, Vitor Gaspar saíra a 1 de Julho, a posse seria a 2.
O Presidente, apanhado no princípio da tarde desse 2 de Julho em cerimónias oficiais que o impediam de atender o telemóvel, voltou nesse dia a ser apanhado – mas pela surpresa. Não gostou, nem esqueceu: os estados de alma de Paulo Portas mergulharam Cavaco Silva num cenário de (quase) irracionalidade política, deixando-o a vogar numa “impossível” situação de incerteza, o que em política é dizer o pior.
Não fora Passos Coelho e teria desabado a tempestade perfeita. Não desabou, apesar da desconfiança e dos presságios, das apostas e dos vaticínios de fim de ciclo. O primeiro-ministro não deixou. Sem perder a cabeça ou a bússola, sem lhe ocorrer aquele tique nosso conhecido do “abalar”, sem cair na aflição ou no desnorte, tomou em mãos a ocorrência e ao fazê-lo impediu – entre outras coisas – um segundo resgate. Com as fatais – inimagináveis? – consequências que daí adviriam.
Passos mostrou estofo e sentido da política. E sentido de Estado, claro está. Não é qualquer um que, naquele incêndio, domestica os acontecimentos e os “ocupa” politicamente, elegendo um desfecho a seu favor. De caminho – e eis o que também não é de somenos – mostrou quem mandava na coligação e quem era o chefe da maioria. Já fizera o mesmo aquando da 7ª avaliação da troika, mas fizera-o longe de nós, nos bastidores do país. O dia 2 de Julho ditou-lhe o palco e colocou-o sob os holofotes das instituições. Ao final do dia, as oposições à esquerda e os opositores dentro do PSD ainda esperavam em surdina que ele fosse a Belém com uma corda ao pescoço invocar “falta de condições”, mas o primeiro-ministro nunca – que me lembre – se afogou no mar das oposições nem se impressionou por aí além com barões fora de jogo.
Depois, claro, choveram “ah” e “oh” de espanto face ao “patriotismo” de Passos Coelho. Como se ele tivesse nascido para a política nesse 2 de Julho ou a sua liderança na acção e actuação do Governo (pesem embora erros e excessos que tantas vezes critiquei) não relevassem justamente dessa mesma endurance e resiliência.
(Agora, há dias, em tom menor, é certo, também houve umas golfadazinhas de admiração por Pedro Passos Coelho ter vetado a entrega de mais ajudas financeiras ao BES. Voltei a espantar-me: piores cegos são os que nunca querem ver? Mesmo a um palmo de distância?)
Cai mal dizer “bem” de Passos Coelho: os bem pensantes enervam-se e o ar do tempo desaconselha a bondade. A má fé vigente tomará estas minhas pobres palavras como um despropósito que destoa do coro dos dias e da pretensão intelectual com que o primeiro-ministro é habitualmente radiografado. Paciência. Já se eu gesticulasse a favor de António Costa – pessoa que me é muito simpática, de resto – seria bem vinda e o mundo seria perfeito.
Mas se há algo que tenha aprendido é que esta coisa dos “dois pesos e duas medidas” é uma regra sem excepção: à esquerda tudo é permitido, desde o ter licença de existir, direito de cidadania, poder de ditar das regras, distribuir voz. A direita tem sempre de (lhe?) pedir licença.
E pensar que já passaram 40 anos disto.
PS: Sobre o segundo resgate a que aludi acima, ocorreu-me agora de repente relembrar alguns passos de uma saga que nunca existiu mas que durante meses e meses nos foi sempre vendida como uma certeza irrefutável: o “segundo resgate” foi anunciado em todas as televisões sem excepção; previsto por todos os jornais – num deles com data, fonte e primeira página; brandido nas rádios; assustadoramente desejado por jornalistas e comentadores; usado pelas oposições como um trunfo contra o Governo; falado nas elites e nos meios bem informados (?) como um mero fait divers.
Até hoje, não houve segundo resgate (e ao primeiro dispensou-se a última fatia). Mas também não houve mais nada: ninguém se importou com o que disse, avisou, ameaçou, prometeu, garantiu, jurou. Ninguém veio dizer “enganei-me”. Ao menos, “precipitei-me”. Não sei se o ressentimento, a fragmentação, a imbecilidade toldam os espíritos ou induzem a cegueira. Talvez induzam. E, por outro lado, ninguém tirou consequência alguma – consequência política seria talvez pedir muito… – sobre o facto de não ter havido a tão anunciada segunda provação. O que lá vai, lá vai. Gente pouco séria.»
Publicado por Alex. à(s) quarta-feira, julho 02, 2014 0 comentários
O PORTAS PIM, O PORTAS PUM!
Mas a vida não é assim, a vida é madrasta e não nos dá sempre o que a gente quer... Paulinho não está habituado, não tem madrasta, é muito filho da sua mãe... Aah, pois que é!
Diz-se assim na "Negócios on line":
É óbvio que Vítor Gaspar indicou a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque:«A gota de água foi a escolha de Maria Luís Albuquerque para substituir Vítor Gaspar, que apresentou ontem a sua demissão. Paulo Portas queria um novo responsável nessa pasta capaz de operar uma verdadeira mudança de política e não uma solução de continuidade, como considera ser a que corresponde à promoção da ainda secretária de Estado do Tesouro que tem tomada de posse marcada em Belém para as 17h00.»
«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, havia já acertado a data de
saída do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, há semanas, bem como
decidido o nome da secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís
Albuquerque, para herdar a pasta» in Diário de Notícias - 2 JulhoÉ óbvio que Paulinho se passou dos carretos.
É óbvio que Passos Coelho não cedeu e, a meu ver, muitíssimo bem.
É óbvio que Paulinho, a bem da nação, está pronto a negociar com o PS a sua participação numa maioria parlamentar.
O resto, como sempre, que se lixe.
Podemos lixar-nos todos, menos ele.
Mas cuidado Paulinho, a vida é madrasta, mesmo para aqueles que são muito filhos da sua mãezinha...
Tenho de parar de escrever imediatamente ou acabaria dizendo os quês e os comos ditados na linguagem que me está assoberbando a cabeça e não me ficaria bem; não quero envergonhar os meus pais que, com tanto esforço, me incutiram princípios de boa educação.
Paro aqui, de resto a Imprensa - estrangeira - já diz tudo.
ACTUALIZAÇÃO - 19H 50 .
OU SERÁ QUE A COISA AINDA É MAIS PORCA???
«O gabinete de Pedro Passos Coelho afirmou à TSF que o comunicado divulgado por Paulo Portas esta tarde não reflecte o envolvimento que o ministro dos Negócios Estrangeiros teve no processo de escolha da equipa do ministério das Finanças.» A notícia no "Negócios on line"Repescando palavras aqui escritas a 19 de Junho último:
Ontem (18 Junho) o camarada Paulo Portas fez uma impecavelmente bem discursada prática deste tipo de actuação. De dar vómitos, naúseas, tremuras e tonturas.I rest my case
Como é que um tipo que tem os pés no governo e que, ciclicamente, vem dar o seu pézinho de dança no baile do «Eu não concordo mas tenho de deixar passar a bem da estabilidade governativa», não tem a menor sombra de vergonha ao proclamar uma série de medidas que, sabe ele muitíssimo bem, não foram, nem serão tão depressa implementadas, pela simples razão de que não há meios para o fazer?
Como?
O Paulinho é malandreco, ansioso, mas não é parvo. Traquinas mas nada parvo mesmo.
Mas, até hoje, aquela cabecinha tão capaz, não conseguiu ser número um em parte alguma à excepção do seu CDS/PP...
O tal CDS que era do borra-botas do Freitas quando o Paulinho militava na JSD, onde, claro, também nunca foi número um.
.../...
Não tem tido quem lhe faça sombra no CDS, é um facto, mas não chega. Não chegou para ter sido mais do que o número dois, ou três, com o PS, não chegou para deixar de ser apenas o número dois (mais outra vez) com o PSD, e menos ainda chega para ser o número um sózinho.
O Paulinho não se conforma... Faz mil tropelias, puxa tapetes devagarinho só para fazer tremer sem cair, apresenta-se como o homem que compreende e está do lado do povo, muito mais do que quem lhe faz sombra.
VIVA EU! HÁ MAIS ALGUMA COISA? - Maio 29, 2011
PAULO, O VORAZ - Junho 03, 2011
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Publicado por Alex. à(s) terça-feira, julho 02, 2013 2 comentários
A ESQUERDA FESTEJA A VITÓRIA DA DIREITA !!!
A ala direita do governo está em festa
Paulo Portas, persistente e tenaz, passados os santos populares, festeja toda a corte celestial; as suas preces foram ouvidas.
Gaspar fartou-se (como eu o compreendo...)
A esquerda festeja esta vitória da direita...
Ele há coisas...
Compreende-se. Quanto mais falhas houver a apontar ao cumprimento exigido a Portugal maior é a festança. Pois, mais quando o mar bate na rocha que se amola é o mexilhão
Não faz mal, até faz bem - quem viveu 1975 sabe muito bem o que é a "política de terra queimada - estamos em pleno PREC
Deitai os foguetes, mas não se esqueçam de quem vai apanhar as canas
Publicado por Alex. à(s) terça-feira, julho 02, 2013 0 comentários
CERTÍSSIMO.
Dentro de poucos dias, quando o governo anunciar os cortes na despesa e, muito, muito provavelmente o despedimento em massa na Função Pública, o termómetro de indignação irá ao rubro e a oposição explodirá desgarrando-se em críticas e acusações
Desde o chumbo da Taxa Social Única que esse pesadelo se vem configurando no horizonte português como uma imensa bola de neve; desde então que o governo tudo tem feito para recusar essa realidade
O governo substituiu os cortes pela baixa da TSU como medida para reduzir o défice de 2013, com o prejuízo de 3/4 da receita que conseguiria com os subsídios - uma diferença de 500 milhões de receita contra 2.000 milhões.
Convém lembrar que esta diferença acarreta uma maior austeridade para cumprir o défice de 2013.
Eu acho preferível não ter subsídio a encarar mais austeridade mas cada um sabe de si.
A famigerada alteração da TSU é essencial?
Não, não me parece, desde que uma alternativa seja encontrada e acordada.
E a alternativa existe?
Existe, claro. A palavra de ordem é REDUZIR A DESPESA, já sabemos. Pois.
Não tenhamos a ingenuidade de acreditar que a redução de Despesa se resolve com a redução dos salários dos ministros, dos deputados e outros bichos afins. Não vai lá com a substituição dos BMW's por Fiat's 600 nem mesmo por bilhetes do Metro.
A redução da Despesa significa a diminuição substancial do aparelho do Estado, ou seja, com a dispensa dos funcionários que o Estado tem a mais e a eliminação de instituições que custam milhões sem produção equivalente. Traduzido em português corrente, despedimentos em barda e aumento drástico do desemprego.
Convém lembrar que se o governo optar por esta medida (e, pessoalmente, não vejo como a poderá continuar a evitar) vai haver outra manif. contra a miséria e os despedimentos. A Intersindical já tem os estandartes prontos para sair à rua.
Dentro de poucos dias cairá o céu sobre Portugal e ouvir-se-ão as trombetas da desgraça.
Parece-me óbvio, oxalá não seja, que a mexida no monstruoso aparelho estrutural do Estado não é mais adiável.
O T.C. e a oposição lavarão daí as suas mãos como se não tivessem, insistentemente, precipitado a situação; a indignação sairá à rua e as considerações éticas (éticas... pois) sobre as medidas do governo farão com que Madre Teresa se sinta uma pecadora.
Poderão lavar as mãos quantas vezes quiserem, lavarão até a culpa das suas consciências amnésicas e elásticas e, dentro de poucos dias, gritarão de novo o refrão esquecido de justiça e impregnado de raiva: 25 de Abril sempre.
Hipócritas! As politiquices e as vitóriazinhas sectoriais valem-lhes tudo, o povo não vale nada.
Segunda-feira, 8 de Abril de 2013@ 31 da Armada«É impressionante (e deprimente) a quantidade de pessoas que têm comentado a decisão do TC (nas redes sociais e na comunicação social) sem terem lido o Acórdão.Muitas dessas pessoas, se o tivessem lido, não andariam para aí a dizer, por exemplo, que o TC fez bem em não ter tido em conta a situação de excepção, contrariamente ao que o Governo defendia - Governo esse que, acusam, queria com isso a "suspensão" da Constituição. É que o Acórdão faz, de facto, a ponderação da situação de excepção financeira do país. Apesar de a meu ver o fazer de modo insuficiente e daí não retirar as consequências (jurídicas) correctas, a decisão tem essa situação como pano de fundo. Aliás, até defende que os portugueses, à luz das dificuldades presentes, têm de "relativizar as expectativas" quanto à segurança da sua remuneração. O que o TC decidiu, porém, é que as medidas julgadas inconstitucionais implicam uma desigualdade de tratamento dos trabalhadores do Estado e dos pensionistas que é excessiva (pelo menos nas questões que envolviam o princípio da igualdade). O que significa que, com outro catálogo de medidas (potencialmente de grau "austeritário" equivalente ou superior), a desigualdade da austeridade poderia ter sido julgada constitucional, precisamente (também) por causa da situação de urgência financeira do Estado.Por outro lado, se muitos dos comentadores que não leram o Acórdão o tivessem feito, talvez não tratassem o direito constitucional como uma ciência exacta, a decisão como o fruto de divindades infalíveis e unânimes, e o Governo como um bando de criminosos. Basta ler as declarações de voto vencido para perceber que assim não é.De resto, de algumas destas declarações retiro três conclusões que julgo bastante graves - e que fundamentam em bases institucionais (e não numa mera birra) o agastamento do Governo e da maioria que o suporta. É que os erros de julgamento que no Acórdão se identificam não são erros quaisquer. São erros que significam que o TC: 1) violou o princípio da separação de poderes, invadindo de forma inconstitucional a esfera do poder legislativo; 2) impede, na prática, qualquer ajustamento por via de diminuições relevantes da despesa do Estado (ou seja, impede qualquer ajustamento); 3) faz numa situação semelhante uma aplicação dos mesmos princípios em contradição com a que fez há bem pouco tempo, quando o governo era outro, o que fere a presunção de imparcialidade em que assenta a sua legitimidade.»Francisco Mendes da Silva
Publicado por Alex à(s) segunda-feira, abril 08, 2013 0 comentários
UMA NOTÍCIA demasiado DISCRETA
«O Sistema Nacional de Compras Públicas, que abrange as aquisições para o
funcionamento de todos os ministérios, alcançou poupanças superiores a
25 milhões de euros em 2012, refere o relatório da Entidade de Serviços
Partilhados da Administração Pública, citado pela Lusa.Segundo o documento, a que a agência Lusa teve acesso, a secretaria-geral do Ministério da Defesa foi a entidade com a maior poupança global no ano passado, ultrapassando os 10 milhões de euros (10.430.649ME).
A segunda entidade com uma maior redução de gastos foi a secretaria-geral do Ministério das Finanças, com 4.448 milhões de euros.
No total, a Defesa e as Finanças representam 65% das poupanças conseguidas.
As treze entidades que o relatório aponta (de outros ministérios como a Saúde, Administração Interna, Justiça, Solidariedade, Economia ou Agricultura) realizaram uma poupança global de 25.775 milhões de euros.
Os gastos com papel, consumíveis de impressão e serviços de voz e dados em local fixo (comunicações) representaram a maior poupança entre todos os ministérios, alcançado uma redução de cerca de 9 milhões de euros.
Já os gastos com o serviço móvel terrestre (telemóveis) revelaram em 2012 uma poupança global de 3.803 milhões de euros.
A poupança com serviços como vigilância, segurança e refeições confeccionadas foi também superior a 3 milhões de euros, de acordo com o documento da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP).
Os serviços com menores poupanças são as viagens e alojamento (135 mil euros) e as plataformas electrónicas de contratação pública (28 mil euros).
A ESPAP foi criada em 2012 e tem por missão «assegurar o desenvolvimento e a prestação de serviços partilhados no âmbito da Administração Pública, bem como conceber, gerir e avaliar o sistema nacional de compras», apoiando «a definição de políticas estratégicas nas áreas das tecnologias de informação e comunicação do Ministério das Finanças».
«Uma das principais orientações estratégicas da ESPAP traduz-se no contributo para o reequilíbrio das contas públicas, consubstanciado no curto prazo na geração de poupanças e, no médio prazo, num melhor controlo e optimização da despesa de compras de bens e serviços transversais e da gestão de veículos do Estado», pode ler-se no relatório.
O relatório abrange todas as adjudicações efectuadas no período 01 de Janeiro de 2012 até 31 de Dezembro de 2012.»
«O Estado nunca gastou, em 36 anos, menos do que recebeu. E o que faltava (défice) foi coberto com emissão de moeda ou de dívida. Como deixámos de poder emitir moeda, ficou a emissão de dívida. Da qual abusámos. Ora como já não temos quem nos financie, ou cortamos despesa corrente do Estado (v.g. salários) ou vamos à falência. Ninguém sustenta um Estado que mantém "direitos" à custa de dívida … porque não tem economia para os pagar.» Camilo Lourenço, 2 de Abril
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Publicado por Alex à(s) quinta-feira, abril 04, 2013 0 comentários
AINDA AS CENAS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
Chega a ser ridícula a confusão que a comunicação social, propositadamente, lançou no final da semana passada acerca das declarações de Passos Coelho sobre a redução do salário mínimo. A comunicação social com a preciosa ajuda das declarações políticas de quem ou ouve mal ou percebe pouco... Os "factos políticos", como diz o tal Marcelo que nunca se distancia muito do seu título académico de Professor a todas as horas, não surgem sozinhos nem do nada, há sempre uma alminha penada a dar o seu sopro intriguista.
Teoria, e prática, económica: A redução de salários é um meio para baixar o desempregoNão é preciso uma licenciatura em economia para perceber isto.
O que o primeiro-ministro disse foi que, face à necessidade de criar emprego, o mais sensato seria a descida do salário mínimo nacional , dando como exemplo o que foi feito na Irlanda.
E SEGUIU DIZENDO...
O governo afastou essa hipótese porque o valor do salário mínimo em Portugal é tão baixo, que dificilmente consegue garantir o mínimo imposto pela dignidade da pessoa humana.
Citando:
«Mas a Irlanda tinha um nível de salário mínimo substancialmente superior ao nosso. .../...Foi por isso que o anterior Governo não incluiu essa cláusula (no memorando de entendimento), e foi também por isso que o actual Governo não o fez.»Estamos entendidos, parece-me.
Neste mesmo dia, pelas 4 horas da tarde (ainda não tinham saído jornais nem chegado a hora dos "telejornais") entrei no bar da escola onde está o meu filho e diz-me a impagável funcionária:
«Isto está bonito, agora o Passos Coelho vai baixar os ordenados mínimos!»
Kééé???
«Não foi isso que ele disse», retorqui eu perante o pânico da senhora
«Foi sim, disse na Assembleia, fui eu que ouvi há bocado na rádio»
E pronto, estava o baile armado. Não no bar da escola, aí foi pacífico, estava o baile armado no país inteiro e a orquestra filarmónica entrou à hora do "telejornal" acompanhada por vários tenores de afinação dúbia e esganiçada de comoção
Dá muito gozo fazer isto? Dá algum, dá o gozo do desgaste e da intrigalhada. A semente que fica na cabecinha do Zé Povo e da Maria Povinho é: " O Passos Coelho queria baixar os ordenados mínimos mas a oposição fez um sarapatel e ele andou para trás". Dois pontos para o Casa-Pia!
A este propósito diz, e bem, o cada vez mais odiado Camilo Lourenço:
«O que se passou na semana passada em torno desta questão mostra um país de mão no coldre, que dispara para tudo o que mexe ao menor ruído. As perguntas, essas, vêm depois… Não é bom sinal. Até porque nós, comunicação social, em vez de servirmos de catalisador para uma discussão civilizada e serena deste e de outros problemas, parecemos mais interessados em fazer manchetes artificiais. Para surfar ondas populistas? Não sei. Mas que o país não ganha nada com isto, não restam grandes dúvidas.»É precisa muita pachorra...
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Publicado por Alex à(s) quarta-feira, março 13, 2013 0 comentários
POLÍTICA DE SOMBRA
O meu amigo José Magalhães, cidadão do norte e bloguer de já longa data, proprietário do blog Atributos e colaborador cíclico do Aventar, já tem passado aqui pelo Real Gana diversas vezes, quando lhe peço licença para aqui publicar textos da sua autoria.
Hoje publico dois, sobre o mesmo tema
As frases a negrito são enfases meus, onde encontro a minha opinião reflectida palavra a palavra.
Por mim, sobre o tema só tenho uma pergunta a deixar aos militantes “que se
lixe a troika”, pergunta honesta porque eu não fui lá nem vi: Por acaso estava por lá o Zé Sócrates ou alguém do seu séquito?
«Um milhão onde não cabem 300 mil»
2 de Março de 2013
«Não fui, nem nunca iria a uma
manifestação como esta que se verificou ontem, apesar de saber que
poucas coisas, nos dias de hoje, andam razoavelmente bem no nosso País.
Não encontro nos organizadores e apoiantes, no slogan simplista “que se
lixe a troika”, e no entoar da “Grândola” em tudo quanto é canto e
esquina ou acontecimento político em que intervenham ministros, qualquer
vislumbre de pensamento positivo ou de propostas alternativas que sejam
viáveis.Passos Coelho tem de tirar ilações disto que se passou e actuar em conformidade. Foi para isso que o voto lhe foi dado pela maioria do Portugueses. Se o não fizer, corre sérios riscos de não se aguentar muito mais tempo na governação.
20 de Fevereiro de 2013, in Atributos
«Há para aí grupelhos de gentinha que se intitulam donos da verdade.
Mas também é verdade que não as pode ignorar sob o risco de soçobrar.»
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Publicado por Alex à(s) domingo, março 03, 2013 0 comentários
FAZE O FAVOR DE NÃO BAIXAR OS BRAÇOS
AJUDEMO-NOS A NÓS MESMOS E, ESPECIALMENTE, AS NOSSAS CRIANÇAS
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https://docs.google.com/ spreadsheet/ viewform?formkey=dG13TnlWRk 10UXd0cDJvZTViS0picWc6MQ#g id=0
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O QUE IRÁ SER PRECISO PREENCHER
Listagem de Subscritores da Carta Aberta ao Ministro da Educação
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Publicado por Alex. à(s) quinta-feira, janeiro 24, 2013 0 comentários
DESCUBRA AS DIFERENÇAS
Económico com Lusa - In "Diário Económico"
Oito estudantes universitários exibiram hoje uma tarja pedindo a demissão do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enquanto este discursava na abertura de um seminário internacional organizado pelo Sistema de Informações da República (SIRP), na reitoria da Universidade Nova.
Poucos minutos depois do início do discurso de Passos Coelho, os oito jovens, sentados nas últimas filas do auditório da reitoria, levantaram-se e, em silêncio, abriram uma tarja com a palavra "demite-te".
A equipa de seguranças de Passos começou por tentar interromper o protesto e retirar a faixa, mas foi o próprio primeiro-ministro a parar o seu discurso e a pedir que não o fizessem.
"Pedia ao Serra [um dos elementos da sua segurança] que deixasse os senhores ostentarem o cartaz sem nenhum problema, porque vivemos, felizmente, numa situação de boa saúde da nossa democracia, e não vemos nenhuma razão para que os senhores não possam ostentar as faixas que entenderem", afirmou Pedro Passos Coelho, continuando depois a sua intervenção.
Os estudantes universitários mantiveram a tarja durante o resto do discurso de Passos e abandonaram o auditório quando já falava o orador seguinte, Adriano Moreira.
Ao abandonar o edifício da reitoria da Universidade Nova de Lisboa, questionado pelos jornalistas sobre se tinha sido difícil concentrar-se com o protesto, o primeiro-ministro respondeu apenas: "Não, não foi nada difícil".
À chegada às instalações da Universidade Nova, em Campolide, o chefe do Governo tinha sido recebido por uma pequena manifestação de estudantes, que protestavam com várias frases e cartazes contra Passos Coelho, os cortes na educação e contra a 'troika'.
PRIMEIRO ESTE:
Estudantes interrompem Passos Coelho com faixa: "Demite-te" - País - Notícias - RTP
AGORA ESTE:
Publicado por Alex à(s) quinta-feira, dezembro 06, 2012 1 comentários
O PAI DA PÁTRIA E OS SEUS COMPANHEIROS DE LUMINÁRIAS NA TESTA
Ontem foi publicada uma missiva que 70 iluminados, encabeçados pelo sábio ancião que tanto sabe acerca de salvar a pátria, que me levantou uma singela dúvida: será que algum deles acredita realmente naquele rol de frugalidades distorcidas que constituem o conteúdo da dita? Talvez o sábio ancião acredite, sempre foi um tipo que acreditou no que lhe deu jeito consoante a época. Talvez um ou outro acredite, de entre os signatários há uns quantos que apresentam um tão aguçado espírito crítico e uma tal capacidade analítica que lhes permite acreditar... Em quê? Acreditar, de um modo geral, alheio ao específico e ao circunstancial, tendo por base aquilo que lhes foi impingido como "politicamente correcto" . Os outros... Os outros sabem muito bem das suas conveniências, das suas militâncias, dos seus grupelhos, das suas posições políticas de oposição sistemática não permeável a qualquer tipo de racionalidade que seja contrária aos seus interesses, por mais óbvio que seja que do poço seco não se tira água.
Esta carta contém frases indubitavelmente lapidares, verdadeiras pérolas da dialéctica político-social. Um mimo! Ou como diz o meu amigo do blog Atributos, uns pândegos.
Como já cá ando há anos suficientes para não me irritar com verborreias de malta pândega, não levo a sério o que de sério nada tem. Confesso que dei umas boas gargalhadas ao ler a tal cartinha que não me é dirigida - na forma - mas que outro destinatário não tem senão o encurralado povo português, a ver se pega o apelo à raiva, ao descontrolo, ao golpe de Estado que nos levaria directos ao buraco negro onde estivemos a cair.
Encurralado sim, mas por quem? Pela Troika? Pelo Passos Coelho? Pelo Gaspar? Não brinquem comigo sem declararem que estão a brincar; brincar a fingir que é a sério é de mau gosto, além de imaturo. Para não dizer mais.
A primeira declaração que me caiu no goto e libertou a primeira gargalhada diz assim:
«À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.
O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente.»
A comunicação do governo de Sócrates sobre as (concluídas) negociações com a Troika, em Bruxelas foi a em Abril de 2011. Haviam começado em Fevereiro e Sócrates só discursou sobre o "bom Acordo" conseguido em Maio.Todos nós sabemos, os que se querem lembrar e os que se querem esquecer, que até José aparecer na TV ladeado pelo Teixeira (com umas trombas memoráveis), não havia crise nem derrapagem económica - foi um raio de uma coisa que aconteceu de um dia para o outro - uma certa manhã acordámos assim, falidos, sem pilim para os salários do mês seguinte (Maio 2011)
As eleições legislativas foram a 5 de Junho de 2011...
Conclua-se...
«Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente.» ??????????????
Pergunto eu, algum português corriqueiro - leia-se, não próximo do governo - podia evocar conhecimento do real estado das finanças de Portugal?
Todos sabíamos, os que sabíamos e os que diziam que não existia, que estávamos num enorme e profundo buraco, já não era possível esconder com discursos, mas alguém tinha conhecimento da real dimensão do buraco? Aahhh, memóriazinhas traiçoeiras!
Menos de um mês antes do início das negociações com o FMI Sócrates dava murros na mesa dizendo que não iria pedir ajuda externa que a derrapagem estava controlada. Não me gozem...
«Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.»Perdoem-me mas estou baralhada, esta frase da missiva refere-se a quem? Quem é que intencionalmente defraudou os portugueses? De que embuste?
Nem gasto mais tempo ou palavras a explicar a pergunta, se alguém não percebeu não irá perceber agora.
«O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.»Lá estamos outra vez... Os 70 iluminados referem-se a quem? A que governo? Deve ser ao de José...
Quem é que se viu obrigado a ir pedir ajuda externa, apesar da sua afirmação de que nunca o faria porque seria «uma indignidade para Portugal» (!!!) e o fez a ferros, porque Portugal já não tinha forma alguma de subsistir?
Foi Passos Coelho que num ano e meio nos colocou nessa situação?
Em menos de um ano e meio Portugal voltou aos mercados reconquistando a confiança dos mercados estrangeiros, relançou as exportações, pela primeira vez começou a equilibrar a balança de importações, viu aprovadas a sequêntes tranches de empréstimo sem as ver perigar.
Custa? Custa, muito. E nem estamos a meio caminho mas, por mais que nos custe, a recuperação da economia tem de passar pela reestruturação do aparelho do Estado, ou estaremos sempre sujeitos ao ciclo vicioso em que nos encontramos há décadas.
Mexer no aparelho de Estado não é, de forma alguma uma política eleitoralista, não agrada a ninguém, nem a quem mexe nem a quem vê mexer mas é absolutamente imprescindível - apesar de ser cultivada pela oposição a impermeabilidade a esta evidência.
«O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência»? Ó sorte... Não é por demais evidente que temos de nos cingir a uma austeridade sem tréguas se quisermos voltar a ter um país capaz de sobreviver na Europa?
Sim camaradas, no Estado não se mexe, não dá votos nem "jobs" . Nunca se mexeu, custe o que custar, pague-se o que se pagar, o Estado é uma vaca sagrada. Esquelética e moribunda mas sagrada. Não me lixem!
«.../... sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.»Pelo interesse nacional? Não tenho conhecimento de que tivesse vindo a público qualquer carta destes iluminados, ou de outros, a exigir a mudança de política do Zé Sócrates ou a sua demissão... Verdade se diga, as consequências da sua política de esbanjamento, favoritismo e ocultação da realidade, essa sim, um embuste de um admirável embusteiro (justifico para os mais desmemoreádos no fim do post *1), não eram de todo imprevisíveis. Só não viu chegar a actual situação quem tapou os olhos ou era ceguinho.
Que legitimidade têm os subscritores desta carta, nas provas dadas, na sua sapiência para "exigirem" - como é dito na nossa opinativa comunicação social - a demissão de um governo eleito maioritariamente, com um orçamento aprovado na Assembleia da República, doa a quem doer. Este governo é legitimo e eleito democraticamente, como eleito e legítimo foi o governo do Zé Sócrates
Aguentem-se, como eu me aguentei; É o preço da democracia e, ao que parece, estes pândegos não querem, não querem, não querem. Já o Otelo sofre da mesma doença alérgica.
A pândega está a acabar, a massa para as Fundações, mesmo para a do pai da pátria, foi-se. É uma chatice mas talvez tenham de andar de "Renault Clio"
Este governo, por muito duro que seja, está a fazer o que há muito deveria ter sido feito. Há quem entenda isto, há quem não entenda e há quem, entendendo ou não, se esteja nas tintas, quer é que o governo caia, que reine a esquerda festiva mesmo que o povo não vote nela, que volte um estilo de vida que não é comportável mas é muito mais confortável. Eu não estou aí, tenho um filho e quero que ele tenha um país.
«Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,Queridos Signatários,
Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.»
Chegam muito atrasados...
Quanto à esperança, a que vocês dizem não ter é a que a mim me resta.
O embuste: *1
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Publicado por Alex. à(s) sexta-feira, novembro 30, 2012 14 comentários




















