.

.
.
.
.
.
Mostrar mensagens com a etiqueta In memoriam. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta In memoriam. Mostrar todas as mensagens

O HOMEM DO IMPOSSÍVEL

Não quero deixar passar em silêncio a morte de Nelson Mandela mas pouco ou nada resta a dizer: o estrondo que a morte deste invulgaríssimo homem provocou no mundo inteiro deixa chega para silenciar repetitivas palavras.

Na memória, na admiração, o que me fica é a admirável capacidade de, nas situações mais dramáticas e revoltantes, nunca ter saído da boca de Mandela um apelo à violência, à revolta da raiva e do ódio, que teria, indubitavelmente, libertado o inferno na África do Sul.
E fica-me também a constatação de um milagre: só por milagre um homem com a grandeza de alma de Mandela encontra, no mesmo espaço, no mesmo tempo e em posição de poder adequada, um interlocutor à altura como foi o presidente De Klerk.

Quando pessoas assim se juntam numa causa o impossível desiste.

MEIO SÉCULO SEM RESPOSTAS


«.../... For the simple reason that a number of the men who killed the President were former employees of the CIA involved in its anti-Castro underground activities in and around New Orleans. The CIA knows their identity. So do I... and our investigation has established this without the shadow of a doubt. Let me stress one thing, however: We have no evidence that any official of the CIA was involved with the conspiracy that led to the President's death.» 
Jim Garrison, 10 Out.1967

Link: A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Entrevista de Jim Garrison à "Playboy, 10 Out.1967

Link: http://news.yahoo.com/jfk-assassination-anniversary-50-years-later/?cache=clear
10 Artigos publicados hoje, 22 Nov 13, na "Yahoo News"


.

Goodnight Lou, it's time to say goodbye



 Não era um anjo, nem de perto nem de longe; 
enquanto artista, tinha o seu muito quê irresistível




PODEM SER 10 MILHÕES DE EUROS

«Campanha pede um euro para os bombeiros portugueses»

Foi lançada uma campanha solidária no Facebook, que apela aos portugueses para que amanhã, sábado, dia 31, se dirijam à corporação de bombeiros da sua área de residência e deixem um euro 


«A ideia do criador do evento na rede social, Pedro Fonseca, é que o dinheiro conseguido seja usado para que os corpos de combeiros "comprem carros-tanque, mangueiras, material de protecção e de comunicação, ou o que quer que faça falta."

"Vamos ajudar nós aqueles que têm como um dos lemas a seguinte frase: "Não sabemos se voltamos, mas vamos sempre"

O promotor da iniciativa relevou, no Facebook, já ter enviado um email às associações de bombeiros a pedir que a informação sobre a campanha fosse enviada às corporações para que
tenham uma caixa ou alguém disponível para receber os donativos.»


.

LUIS ANDRADE

24 de Outubro de 1935 - 6 de Abril de 2013


Estou triste...
Ao pensar no Luís Andrade só me ocorrem palavras bonitas e agradáveis
Queria escrever aqui alguma coisa especial para ele mas não consigo, só me saiem adjectivos que mais me parecem uma lista das qualidades que se podem buscar num homem...

Inteligência
Dignidade
Carácter
Humanidade
Sensibilidade
Lealdade
Ternura
Bondade
Sentido prático
Humildade
Criatividade
Persistência
.../...
Não pode ser, tenho de parar...
Sinto-me como se estivesse a render-me a um facilitismo preguiçoso. O que pode uma listagem de características dizer de um homem intensamente apaixonado pela vida, pelo seu trabalho, pelas pessoas?
O Luis Andrade merece mais, muito mais. Merece  que o recordemos, que o pensemos, tentando atingir a dimensão  da sua vida, da sua generosidade, do Ser Humano que ele foi.
Não consigo. Vou calar-me.
Resta-me sentir o Sol no peito que me deixou o privilégio de o ter conhecido, um bocadinho.
Bons voos, querido Luis, gosto tanto de ti.







.

NATÁLIA


A única Deusa que conheci
Faz hoje 20 anos que voltou para casa

Era um ser extraordinário
Na pouca convivência que tive o privilégio de ter com ela ensinou-me várias coisas importantes que nunca esqueci e que, de alguma forma, moldaram algumas caracteristicas que se incorporaram na minha maneira de ser, de estar, de ver a vida.

Quando a Natália se deparava com algum assunto que a interessava (e quase tudo a interessava) mas do qual não sabia grande coisa não se ficava pelo "não sei"; Abria enciclopédias, comprava livros, fazia perguntas... Às vezes vezes penso como seria a Natália com um "Google" nas pontas dos dedos... Feliz, sem dúvida.

Certo dia, no meio de um comício, eu estava a fazer "cordão de segurança" não porque se apresentasse qualquer perigo mas apenas para delimitar um espaço. A Natália levantou-se e veio direita a mim com um ar zangado, de testa franzida, agarrou-me por um braço e disse-me:
«Venha comigo porque quero explicar-lhe duas ou três coisas que a menina já tem mais do que idade para saber. Primeiro: as mulheres não são homens e não fazem as coisas que compete aos homens fazer se souberem ser mulheres. Faz favor de não andar de cavalo para burro. E esta não é uma questão de época, é uma questão de sabedoria, percebeu? Segundo...»
Eu percebi. Esta e outras coisas inesquecíveis que me disse.
Tenho saudades dela, sei que nunca mais encontrarei uma pessoa assim, era única.

Um enorme e caloroso abraço Natália, lá onde estiver... aprendendo e sentindo, sempre


O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia
Poesia Completa
Publicações Dom Quixote
1999


.

AUDACES FORTUNA JUVAT




  24 de Março de 1936 - 27 de Janeiro de 2012


O CORONEL JAIME NEVES
Jaime Nogueira Pinto
In "MAME SUMÉ" - nº60 - Junho1995

O Coronel Jaime Neves serviu no Ultramar onde adquiriu justa fama de ser um oficial corajoso, criativo e com grandes capacidades de chefia, qualidades atestadas em missões operacionais. Militar, mas também e sobretudo, homem de guerra.
O Coronel Jaime Neves iniciou a sua carreira militar servindo na Índia Portuguesa. Em Angola, como capitão, comandou a Companhia 365 de Caçadores Especiais. Fez depois o curso de Comandos, também em Angola, e pertenceu à Segunda Companhia da qual farão parte como Alferes, José Gonçalves, Victor Ribeiro, futuros fundadores  e Presidentes da Direcção da Associação de Comandos e homens com um papel muito importante em 1975, no 25 de Novembro.
Em Moçambique, Jaime Neves comandou a 28ª Companhia de Comandos e, mais tarde, quando este se constituiu, o Batalhão de Comandos de Moçambique. É precedido por este currículo que vai, a partir do Verão de 1974, comandar o Regimento de Comandos da Amadora, uma unidade chave e que se tornará mais importante, à medida que as sequelas militares do PREC - indisciplina, saneamentos políticos, promoções de aviário, manipulação ideológica dos soldados e graduados - vão tornando as unidades militares cada vez mais apaisanadas e por isso mesmo de pouca ou nenhuma confiança, em termos de cumprimento da sua missão principal - a defesa da pátria, da sua independência e da sua liberdade.
Oficial patriota, Jaime Neves colaborou por algum tempo com o MFA, mas foi-se afastando à medida que se acentuaram no movimento, como dominantes, as linhas de radicalização esquerdistas e anti-nacional, através da aliança progressiva com o PCP e de uma descolonização irresponsável e vergonhosa, quer para os interesses portugueses quer para os interesses das populações dos territórios então descolonizados. Já no 28 de Setembro, Jaime Neves tinha o seu pessoal pronto e preparado, para fazer cumprir a lei. E teria sem dúvida removido as barricadas comunistas, caso para tal tivesse recebido ordens ou instruções de quem de direito. Que nunca chegaram.
Durante 1975, procurou fazer do Regimento de Comandos, uma boa unidade militar, enquadrada por oficiais e quadros com experiência militar de combate em África e com espírito de patriotismo, lealdade e camaradagem. O que não era fácil nesta época, em que, bem pelo contrário, algumas unidades militares se transformaram em bandos ou clientelas partidárias armadas.
Mas conseguiu-o. Deste modo, quando a resistência popular, iniciada no Norte do País, se foi estendendo para o Sul, intimidando o Partido Comunista e os radicais do MFA e fazendo-os pensar duas vezes nas hipóteses de êxito do assalto comunista ao poder, o Regimento de Comandos funcionou como uma ponta de lança, firme e forte, de resistência nacional, na área de Lisboa.
Jaime Neves desempenhou um papel fundamental ao longo do Verão de 1975, não só mantendo os Comandos como uma força disciplinada e não tocada pelo radicalismo subversivo, como estabelecendo, com os elementos da então criada Associação de Comandos, uma boa articulação que vai permitir através das duas companhias de antigos militares, "convocados", constituir uma força experimentada que actuará, decisivamente, no 25 de Novembro.

_______________________________


"Não me arrependo de nada"

Jaime Neves foi um dos militares mais polémicos pós-25 de Abril. Conotado com a direita, a esquerda militar nunca lhe perdoou o 25 Novembro e a sua intervenção, essencial para pôr fim processo revolucionário. Trinta e quatro anos depois volta à baila com a sua promoção a general. Numa entrevista vida, recorda os momentos mais difíceis deste conturbado período histórico.

11

11 anos depois do dia 11,
o dia que mudou o mundo.

O dia que nunca vou esquecer



MANEL ZÉ

Talvez não seja a melhor forma de o fazer mas não quero pegar no telefone e dizer aos nossos amigos; sei que viriam conversas que não quero ter.
Espero que me entendam, que aceitem.


MANEL ZÉ
1959 - 2012

Uma vez o Manel Zé disse-me:
«Sou feliz porque estou como quero e tenho tudo o que quero; o que não sou ou não tenho não me é essêncial mas, pela primeira vez, acredito que sou capaz de chegar onde quiser»

Foi de facto assim, por algum tempo. Depois caiu uma noite sombria e os sonhos dele liquefizeram-se como se tivesse bebido a vida inteira de um só trago.

Lamento profundamente que não tenha usufruído da sua vida com todo o esplendor que merecia, que conheceu.

Lamento que tenha partido sem voltar a ser feliz




 .

NEIL ARMSTRONG

Neil Armstrong 
 5 de Agosto de 1930
25 de Agosto de 2012 

Aviador naval, piloto de testes, astronauta norte-americano, Professor de engenharia aeroespacial

 Em 1955 foi para a National Advisory Committee for Aeronautics (NACA), antecessora da NASA, como pilito de testes no  Lewis Laboratory em Cleveland.

Foi seleccionado para astronauta da NASA em 1962 e integrou o segundo grupo de astronautas da agência espacial.
Foi escolhido para o "Grupo dos Nove",  como eram conhecidos os primeiros astronautas norte-americanos selecionados em 1960 para o Projecto Mercury,e integrou o "Grupo dos Sete", tornando-se o primeiro astronauta norte-americano civil.

Foi ao espaço pela primeira vez em 1966, como comandante da missão Gemini VIII

Comandante da missão Apollo 11, foi oprimeiro homem a pisar a Lua, a 20 de Julho de 1969.

  

"That is one small step for man, one giant leap for mankind"


Neil Armstrong retirou-se da NASA no final de1970 e tornou-se Professor de engenharia aeroespacial na Universidade de Cincinnati onde permaneceu até 1979

No passado dia 7 de Agosto, Armstrong foi submetido a uma cirurgia cardíaca de emergência.
Esteve em recuperação no hospital em Cincinnati, cidade onde morava com a sua mulher. Faleceu, ontem, 25 de Agosto, em Columbus, Ohio, com 82 anos.


Link NASA, Neil Armstrong, 25/08/12

FRIA INJUSTIÇA

Há exactamente 31 anos, mais ou menos por esta hora (21h), caiu-me a alma aos pés.
Não é saudosismo, é um sentimento de injustiça;
Quem morre no auge da paixão, pelo seu país e por um amor que não quer esconder, morre injustiçado.




.

TIMOR, 20 ANOS. Para a L. X.

A 12 de Novembro,
faz hoje 20 anos,
270 mortos, outros tantos feridos
e cerca de 270 desaparecidos.

São acontecimentos destes que fazem a vergonha da humanidade.

Foi um dia de vergonha, de dor, de luto, de injustiça cruel e, posteriormente, quando as imagens de um massacre chegaram às televisões do mundo, foram momentos de incredulidade e espanto.
Momentos...

Poucos anos depois a vida fez-me encontrar e relacionar-me diariamente, durante anos, com uma jovem timorense, familiar próxima de D. Ximenes Belo, a L. Ximenes. Tinha uma boa vida em Timor, em família, em conforto bem acima da média, na paz possível. Perdeu tudo isto porque a sua família se recusou a colaborar com os indonésios; os pormenores não são, agora, importantes, foi assim.
Eu tive oportunidade de a conhecer, e de com ela privar, porque a vida dela por lá, em Timor se tornou "complicada". Perigosa? Não sei, nunca mo disse. Veio viver para Portugal e por alguma razão assim foi. Era ainda uma menina, crescida no corpo, inocente na alma, sofrida já na vida.

Nos profundos e escuros olhos desta rapariga, só aparentemente frágil, nunca vi raiva, muito menos ódio. Vi tristeza e saudade, vi muita coisa calada e que talvez mais valera fosse esquecida. Vi quase sempre aqueles olhos a sorrir para as pessoas, educadíssima e prestável, solidária. Vi sempre doçura; nunca lhe ouvi uma palavra amarga embora me fosse evidente a amargura que lhe amassara o coração; Vi a herança de um povo que não alimenta em si a violência e a agressão. Vi a aceitação mansa da vida e um conhecimento íntimo de até onde a injustiça pode chegar. E vi esperança e uma imensa capacidade de amar.

Nunca se desaculturou: estudou por cá, licenciou-se, trabalhou, anos depois foi viver para Inglaterra, foi mãe ... ainda hoje na sua página do "facebook" encontramos o seu coração timorense - frequentemente escreve e comunica-se na sua língua natal.
Pode tirar-se a menina de Timor mas não Timor da menina.


Um abraço longo e apertado para ti, L.X., especialmente hoje.








.

9/11

Sexta-feira passada vi um documentário; ontem, sábado, depois de me deitar vi um outro. Hoje, entre acordar e sair de casa fui vendo, sobretudo ouvindo, em directo na Euronews a reportagem das cerimónias do "11/9" que tinham lugar no "Ground Zero".
A dada altura tive de me questionar sobre o que me levava a ligar-me tão fortemente a estes acontecimentos; seria uma espécie de masoquismo dramático? Estas imagens, declarações, depoimentos, continuam a afectar-me muito profundamente, continuam a provocar em mim um jorrar de emoções nada agradáveis. Então por quê?

Obviamente o que se passou em Nova Iorque há dez anos não se passou apenas em Nova Iorque. Todos nós, pelo menos no mundo ocidental, sabemos intimamente que o que se passou ali nos atingiu e mais, sabemos que temos a sorte de não nos ter atingido "fisicamente".
Ingleses e espanhóis foram tocados mais de perto, não com a mesma dimensão mas sentiram o sabor e o cheiro do medo, da perda, da fragilidade da vida.
Qual de nós, que tenha meio-dedo de testa, não foi tocado pela sensação de impotência e temor?
Qual de nós não se lembra perfeitamente de onde estava e em que circunstâncias quando tomou conhecimento do que estava a ocorrer na América? A isto chama-se "Choque".

O que se passou nos E.U.A. a 11 de Setembro de 2011 foi uma sementeira de terror, perda, tristeza, instabilidade, vulnerabilidade e revolta que atingiu o mundo como um todo.

Nenhum de nós pode dar-se ao luxo de esquecer ou ignorar, todos fomos atacados porque todos passamos a estar conscientes do que nos pode acontecer de um momento para o outro, num qualquer dia que começa ameno e ensolarado e, de repente, se desfaz em trevas.

Num só dia o mundo foi mudado; cabe-nos a nós, todos nós que nos sentimos frágeis, incrédulos e estarrecidos nesse dia, cuidarmos em mudar o mundo todos os dias trazendo-lhe um pouco mais de Luz que, apenas por existir, derrote as trevas que aguardam.

Se considerarmos as mentes que idealizaram, programaram e levaram a cabo estes atentados terroristas dificilmente não nos sentiremos ameaçados a cada dia, a "sementeira" por elas plantada deu os seus frutos... Não podemos porém ser nós a (a)colhê-los, não podemos viver com medo, nem com ódio; deixemo-los estar sem esquecer de que existem; reguemo-los com esperança até que apodreçam mas não sejamos humanamente ingénuos: teremos de viver vigilantes e a cada nova ameaça ou tentativa teremos de cortar as raízes e queimar a terra.


Click to play this Smilebox slideshowCreate your own slideshow - Powered by Smilebox


.

THIS SHOW KEPT GOING ON

Diariamente me cruzo com várias espécies de "zombies" que estão menos vivos do que alguns que deixaram a Terra

Freddie Mercury continua entre nós tão vivo quanto possível, dadas as circunstâncias...

Hoje, 5 de Setembro, o Google colocou este "selo de homenagem" a Freddie Mercury ao lado do seu Logo; experimentem a clicar sobre ele (aqui e de novo na pág. Google)



_________________________________

Doodle has the honour: the 65th birthday of Freddie Mercury, best known as the lead vocalist of the rock band Queen.

This is maybe the best Doodle from Google so far.

A working copy of the doodle can be seen here: http://wbsc.nl/mXcwoy - Uploaded by websonicnl on Sep 4, 2011




__________________________________


A specially created video for Freddie 65th Birthday on September 5th 2011.

Happy Birthday Freddie. Uploaded by "queenofficial" on Sep 3, 2011




.

AMY

TOO HIGH, TOO FAR, TOO SOON




R.I.P. (finally...)



.

PETER FALK

«I can't see you but I know you're here, I can feel it»
Peter Falk in "Wings of desire"



Peter Michael Falk (16 de Setembro de 1927 – 23 de Junho de 2011)

Que os anjos o acompanhem.


.

17 de JUNHO... PARABÉNS PROF., ONDE ESTIVER

Não tenho vontade de falar aqui do meu pai mas sim de lembrar hoje o homem que ele foi; como pessoa, independentemente de ser meu pai.
Completaria hoje 88 anos mas há catorze anos, que se completarão em Julho próximo, que deixou de envelhecer.

Foi um professor, de corpo e alma, apaixonadamente, pelo Conhecimento, pelo que ensinava e como ensinava, pelos seus alunos.

Fui aluna dele, durante mais anos do que seria suposto: quis o destino que no início de um ano lectivo tivesse falecido a minha professora de história e o meu pai disponibilizou-se para a substituir. Mais tarde vim a ser aluna dele também em Filosofia e em Organização Política.
Nunca tinha tido alunos tão novinhos (uma turma de gaiatada com 12/13 anos). Acabou por não querer largar a gaiatada e seguimos com ele até ao 7º ano (actual 11º). Para mim foi complicado... duro, quase injusto.

Por um golpe de sorte quase forçada consegui não o apanhar pouco tempo depois na faculdade.

Não vou falar dele mas deixo aqui alguns dos comentários e algumas das mensagens que encontrei no "site" do Lycée Français Charles Lepierre, dos quais por discrição, não identificarei totalmente os autores.

Escolhi retirar os comentários deste site por uma questão prática; ao longo dos anos tenho encontrado muitos ex-alunos seus de liceus, colégios e universidade, de quem ouvi comentários e recordações extraordinários. Não os estou a ignorar, evidentemente, só não quero deixar aqui histórias alheias contadas nas minhas palavras, histórias não esquecidas por eles, nem por mim.

  • «E o professor que me marcou mais do que todos, no 10o e 11os anos, em Historia, Filosofia e Direito: Luís de A-------A-------. Uma Pessoa extraordinaria. Lembro-me que começava certas aulas no meio de uma ansiedade inaudível da nossa parte, receando chamadas escritas. Assim que o víamos acender o seu cigarro e começar a dissertar, respirávamos todos de alivio. Ate que interrompia a frase e anunciava: CHAMADA ESCRITA! E para não copiarmos, cada um tinha perguntas diferentes dos colegas do lado!» Maria Carmen A. S.
  • Ensinou-me muitíssimo, e apesar de parecer distante, tinha um sentido de humor brilhante. Tenho muitíssimas saudades dele e tenho muita pena de não o ter visto mais depois de acabar o liceu em 81. Paz a sua alma.»
  • «Foi lá que apanhei o "A-------" e nos tornamos mesmo Amigos!Foi ele que me moldou a mente,na Filosofia! Para mim,um grande Homem. Tenho fotos,do Final de Curso Liceal,com ele sempre ao meu lado..................../... grande professor,amigo formador de mentes,do meu 7º Ano » Rui Francisco A.C.O.
  • «Eu gostava muito do teu Pai, que foi meu professor e, acredito que também muito meu amigo.» Maria João R. F.
  • «Vi o nome do teu pai no memorial , que me comoveu imenso. Foi ele q me fez ir definitivamente para História...Grande professor!» Maria João C.J.
  • «o seu pai teve um papel importante na minha formação e na de muita gente. » Luis A.G.
  • «Já sei do falecimento do teu pai , pelo qual te dou os meus sentimentos . Quero-te dizer , que foi o teu pai que me fez gostar de psicologia e filosofia, matérias que sempre me acompanharam e por isso presto a minha homenagem.» Luis B.O.
  • «Fui aluna dele, foi um dos professores de que mais gostei e mais importantes da minha existência.» Rosário M.
  • «Fiquei sensibilizado pela morte do teu Pai. Foi um Homem que me marcou, creio que a todos nós.» Luis M.S.
  • « Aula de filosofia - 8h AM - S'tôr, porque é que eu só a única a quem faz chamadas orais às 8h da manhã?
  • Porque eu sou o único que a deixou sair ontem à noite.» - Alex





.

MENOS UM mas continua o baile



Não festejo a morte de ninguém
mas este, entre outros, não faz cá falta nenhuma.
Por mim podem continuar na mesma linha,
tem várias vantagens:
por um lado melhora a qualidade do ar no mundo.
por outro posso manter a minha inocência na irresponsabilidade destas mortes.
E ainda querem que me queixe do policiamento que os E.U.A. fazem?
Não meus amigos, os americanos dão muito jeito bem pesadas as coisas.





.

LONG LIVE THE QUEEN





ELIZABETH, A OUTRA RAINHA...


"I feel very adventurous. There are so many doors to be opened, and I'm not afraid to look behind them"









.

O 4 DE DEZEMBRO

É estranho pensar que passaram 30 anos

Sinto e lembro como se Dezembro de 1980 tivesse sido há pouco

Lembro-me do que fiz no dia 4 de Dezembro; onde estive, do frio gélido, do meu blusão branco da campanha eleitoral. 
Lembro-me de chegar a casa para jantar e de me aguardar uma surpresa... uma boa e terna surpresa. Lembro-me do telefone tocar... De lá não quiseram falar comigo, "chama o teu pai... já te disse, chama o teu pai". Estranhei. A voz incrédula do meu pai... Morreu? Quem? - perguntava eu - sem resposta. E logo a imagem do Freitas na TV...
Lembro-me de ter saído porta fora sem explicações ou despedidas, esbaforida à procura dos meus amigos, os que tinham crescido comigo nas arreigadas alas da JSD.

A noite muito escura, gélida, e tudo muito longe, todos muito longe. A estupefacção, a incredulidade. As gargalhadas de um grupo ao passar à porda de uma cervejaria... já aparecera a primeira anedota.


A incerteza... Não das presidenciais, mas o governo... O país... Todas as ambições à solta, sem freio, sem líder. 45 anos... era cedo, demasiado cedo, injustamente cedo.


A noite estava muito escura, gélida, "preciso dormir, preciso dormir..."


Há dois dias, ao ver, de novo, um documentário realizado em 2005, pensei muito de mim para mim, sem exageros, pieguices frívolas ou histéricas: Há 30 anos... como é possível?
Há dores que se alojam em nós e quase não damos por elas... Há dores que permanecem como sendo parte da nossa vida, morrerão connosco.


__________________________________




.