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CAMARATE - A BOMBA

Recebi um e-mail com um link a uma carta que me deixou petrificada
Sem querer precipitar-me sobre a veracidade ou não do seu conteúdo iniciei uma pequena busca.
Cheguei à conclusão de que foi divulgada, pelo menos, pela RTP no passado dia 26 de Abril
(não compreendo como me passou ao lado)
Assim sendo nada me inibe de aqui a divulgar



AQUI fica o link ao site onde se encontra a carta

Publico-a na integra porque a quero ver divulgada - é a melhor forma de a VERDADE vir à tona - e porque, caso venha a provar-se conter a verdade de uma história não contada, não a quero esquecer, nunca.


Camarate 1980

Carta de Farinha Simões

  1. Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judícial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sígilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.

  2. Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por

  3. Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria Geral da Republica. Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre camarate tão graves.e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.

  4. Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. Estavamos ainda relativamente proximos dos aconntecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido  de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. Naquela altura contudo, camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.

  5. Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita atravez do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA. A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em l976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.

  6. Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg. Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80. de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche.

  7. Relativamente ao relatodos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura.

  8. Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido). Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental.

  9. Atrav´s de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então durante algum tempo com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres,  a uma agência de viagens na Av. de Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA. Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan. Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security ( Sul Africana ).

  10. Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro. Entre 1976 e 1977, durante cerca de uma ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA. Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel. Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana. O meu trabalho incluia recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Sectret Service, depois DONS e actualmete SASS.

  11. Era pago em Portugal, reccebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas. Actuei utilizando vários nomes diferente, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa. Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo.

  12. A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal. Era a vivenda "Alpendrada".

  13. A partir de  1975,  como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA. Contudo a partir de 1978, passei a trabalhar como agente encoberto, No chamado "Office of Special Operations", a que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA. Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial"  que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação. Nessa circunstância tínhamos o discurso preparado para explicar o que estavamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.

  14. Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA.

  15. Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas oontas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade. Estes cartões eram emitidos no

  16. Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America. Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos paises, nomeadamente pagando a informadores, politicos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency), Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco  azul, “em cash”, valores esses postos à disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas. Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc.

  17. Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750000 e 1 milhão de USD. Só o Sr, José António dos Santos Esteves recebeu 200000 USD. Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluiram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever.

  18. Entre 1975 e 1988, partoicipei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc, etc.

  19. Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas.

  20. A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage.

  21. Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, Richard Armitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci. O Grupo Carlyle dedica-se à construcção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo,  junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney. O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano. Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.

  22. A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency. O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.

  23. Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador. Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de  William Casey. Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank Carlucci.

  24. Da DEA conheci Celerino Castilho, Mike Levine. Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989. Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado. Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum. Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas. Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua. Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaina, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas. Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.

  25. A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era proprietário Carlos Lheder Rivas. Carlos Rivas era um dos chefes do Carte de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio. Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA. Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o colombus trust. Carlos rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19. Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.

  26. O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus". Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.

  27. Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá. Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas. Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA. Noriega fazia também parte da operação Black Eagle, dedicada ao tráfico de armas e de droga, que

  28. em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA. Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega. Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados. Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso. Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.

  29. No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.

  30. Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses. Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias. Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.

  31. Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Maiami, pois eles queriam ficar com 10 milões de dólars e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga. Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami. Este chefe mandou-lhes então levantar um inquerito, tendo sido presos pela própria DEA. A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em  1989, a conselho de Frank Carlucci. O principal culpado da minha saida da CIA foi e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes. John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas. Ápos a minha saida da CIA, Frank carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994.

  32. Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, atravez de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola. Mantive contactos directos frequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre l975 e 1982, de quem recebi instruções para vários trabalhos e operações. Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone. A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.

  33. Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre portugueses e americanos. Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais
  34.  públicos. William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas. Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee. Neste ambito, trabalhei em operações de
  35.  tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran, Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou
  36. Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.

  37. Das reuniões que tive com a embaixada  americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA. O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado. Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo. Da parte militar da CIA conheci o cor Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o coronel Peter Bleckley. O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador. Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North , tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas. Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá. Neste último país  contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que práticamente todos os embaixadores  do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.

  38. Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir.

  39. Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.

  40. Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez. Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua. Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.

  41. Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Cariucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa. Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA. Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o General Diogo Neto, o Coronel Vinhas, o Coronel Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas. Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.

  42. Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos. Depois há um outro jatar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Coronel OliverNorth, onde este diz claramente que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar aguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas. Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.

  43. Há também Portugueses que estavam a benificiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o General Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio. Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados. Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições. Restava portanto a via de um atentado.

  44. Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis. Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo. referem que contam comigo para esta operação. O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.
  45. Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses. Perguntam-me se já recrutou a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo. Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário. Quem paga a operação e a preparação do atentado é a Cia e o Major Canto e Castro. Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época. O sogro era de Nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980. Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.

  46. Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves
  47.    e mais tarde com Lee Rodrigues ( que na altura ainda não conhecia). O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistância moçambicana, a renamo. Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.

  48. Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na Mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar  o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North. Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".

  49. Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Surgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa. O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres. Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.

  50. Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele. Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta. Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station. Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação. Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama. O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material. Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.

  51. O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada. Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro. Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa. Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro. Lee Rofrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo. Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado. Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola. Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo tenção de me levantar. Refiro que, através de Frank Carlueci, já estava a par de tudo. Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.

  52. Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina). Vou e levo comigo José Esteves. Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos. Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção. É  referido também os cuidados que devem  ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal. A língua utilizada na reunião é o Inglés. José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho. Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA. Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 Doláres.

  53. Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.

  54. Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe. Lee rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão. A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues. Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.

  55. Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.

  56. José Esteves prepara então em sua casa no Cacém,  um engenho para o atentado. Conta com a colaboração de outro operacional  chamado Carlos Miranda, expecialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal. José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.

  57. Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris. No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.

  58. Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado. É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton. Necesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião. Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro. Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião. Penaguião afirma, de forma fria e directa que sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada! " Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava
  59. incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do trático de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas. Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado. Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutadda. No final do jantar, juntam-se a nós três o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas.

  60. Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi. Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo. Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA. Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS. Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo. Isto é a usual "realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.

  61. Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José esteves e Carlos Miranda. Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José esteves. Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado. Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o  atentado será a 3 ou 4 de Dezembro. Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa. No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante "O Polícia".

  62. No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim. Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto. Conduzo José esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.
  63. Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido. Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim. Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto. Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.

  64. Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução. Ouvi-mos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.

  65. Afirma que fomos enganados. Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro. José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele. Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua Gomes Freire, na PJ, para falar com ele. José Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia. Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em camarate. José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa. Vem contudo dormir para minha casa.

  66. Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci. A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião. Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.

  67. Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa. Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuidos às Brigadas  Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José  Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba ( esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter sencionalismo á época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25. Não falei então com Victor Pereira de camarate. Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo eng. Adelino Amaro da Costa. Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas  e de pessoas envolvidas com o Fundo de defesa do Ultramar. Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ. Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás  deste atentado, nunca mais voltou a aparecer. Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986. Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.

  68. Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire. Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por causa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queríamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate. Eu não participo na reunião, fico à porta. Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer. Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate. Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.

  69. A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do edifício da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro. No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria pinto Balsemão. E importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.

  70. Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em 1980. Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa, quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.

  71. Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas com tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal. Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos. Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal. Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas. Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografa-lo ou copia-lo.

  72. Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos. Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente  RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses. Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrículas e para a construção civil. Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, no El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.

  73. Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de países de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc. Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita atraves da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").

  74. Nos referidos documentos ví também que as vendas de armas eram legais através de empresas portuguesas, mas também havia vendas de armas ilegais feitas por empresas de fachada, com a lavagem de dinheiro em bancos suíços e "off-shores" em nome dos detentores das contas, tanto pessoas civis como militares.
  75. As vendas ilegais de armas ocuriam por várias razões, nomeadamente: Em primeiro lugar muitos dos paises de destino, tinham oficialmente sanções e embargos de armas. Em segundo lugar os EUA não queriam oficialmente apoiar ou vender armas a certos países, nomeadamente aos contra da Nicarágua, ou ao Irão e ao Iraque, a quem vendiam armas ao mesmo tempo, e sem conhecimento de ambos. Em terceiro lugar a venda de armas ilegal é mais rentável e foge aos impostos. Em quanto lugar a venda de armas ilegal permite o branqueamento de capitais, que depois podiam ser
    aproveitados para outros fins.

  76. Entre os nomes que vi referidos nestes documentos figuravam:
  77. - José Avelino Avelar
  78. - Coronel Vinhas
  79. - General Diogo Neto
  80. - Major Canto e Castro
  81. - Empresário Zoio
  82. - General Pezarat Correia
  83. - General Franco Charais
  84. - General Costa Gomes
  85. - Major Lencastre Bernardo
  86. - Coronel Robocho Vaz
  87. - Francisco Pinto Balsemão
  88. Francisco Balsemão e Lencastre Bernardo eram referidos como elementos de ligação ao grupo Bildeberg e a Henry Kissinger, Francisco Balsemão pertence também à loja maçónica "Pilgrim", que é anglo-saxónica, e dependente do grupo Bildeberg. Lencastre Bernardo tinha também assinalada a sua ligação a alguns serviços de inteligência, visto ele ser, nos anos 80, o coordenador na PJ e na Polícia Judiciária Militar.

  89. Entre as empresas Portuguesas que realizavam as vendas de armas atrás referidas, entre os anos 1974 e 1980, estavam referidas neste Dossier:
  90. - Fundição de Oeiras (morteiros, obuses e granadas)
  91. - Cometna (engenhos explosivos e bombas)
  92. - OGMA (Oficinas Gerais Militares de Fardamento e OGFE (Oficinas de Fardamento do Exercito)
  93. - Browning Viana S.A.
  94. - A. Paukner Lda, que existe desde 1966
  95. - Explosivos da trafaria
  96. - SPEL (Explosivos)
  97. - INDEP (armamento ligeiro e monições)
  98. - Montagrex Lda, que actuava desde 1977, com Canto e Castro e António José Avelar. Só foi contudo oficialmene constituida em 1984, deixando, nessa altura, Canto e Castro de fora, para não o comprometer com a operação de Camarate. A Montagrex Lda operava no Campo Poqueno, e era liderada por António Avelar que era o braço direito de Canto e Castro e também sócio dessa empresa. O escritório dessa empresa no Campo Pequeno é um autentico “bunker", com portas blindadas, sensores, alarmes, códigos nas portas, etc.

  99. Canto e Castro e António Avelar são também sócios da empresa inglesa BAE - Systems, sediada no Reino Unido. Esta empresa vede sistemas de defesa, artilharia, mísseis, munições, armas submarinas, minas e sobretudo sistemas de defesa anti-mísseis para barcos.

  100. Todos estes negócios eram feitos, na sua maior parte, por ajuste directo, através de brokers - intermediarios, que recebiam as suas comissões, pagas por oficiais do Exército, Marinha, Aeronáutica, etc.

  101. Nestes documentos era referido que, como consequência desta vendas de armas, gerava-se um fluxo considerável de dinheiro, a partir destas exportações, legais e ilegais. Estes documentos referiam também a quem eram vendidas estas armas, sobretudo a países em guerra, ou ligados ao terrorismo internacional. Era também referido que todas estas vendas de armas eram feitas com a conivência da autoridade da época, nomeadamente  militares como o General Costa Gomes, o General Rosa Coutinho (venda de armas a Angola) e o próprio Major Otelo Saraiva de Carvalho ( venda de armas a Moçambique). Vi várias vezes o nome de Rosa Coutinho nestes documentos, que nas vendas de armas para Angola utilizava como intermediário o general reformado angolano, José Pedro Castro, bastante ligado ao MPLA, que hoje dispõe de uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões de USD, e que dividia o seu tempo entre Angola, Portugal e Paris. O seu filho, Bruno Castro é director adjunto do Banco BIC em Angola.
  102. No referido dossier estavam também referidos outros militares envolvidos neste negócio de armas, nomeadamente o Capitão Dinis de Almeida, o Coronel Corvacho, o Vera Gomes e Carlos Fabião.
  103. Todas estas pessoas obtinham lucros fabulosos com estes negócios, muitas vezes mesmo antes do 25 de Abril de 1974 e até 1980. Era referido que estas pessoas, nomeadamente militares, que ajudavam nesta venda de armas, beneficiavam através de comissões que recebiam. Estavam referidos neste Dossier os nomes de "off-shores", que eram usadas para pagar comissões às pessoas atrás referidas e a outros estrangeiros, por Oliver North ou por outros enviados da CIA. Estas "off-shores" detinham contas bancárias, sempre numeradas.

  104. Esta referência batia certo com o que Oliver north sempre me contou, de que o negócio das armas se proporciona através de "off-shores" e bancos controlados para a lavagem de dinheiro.

  105. Vale a pena a este respeito referir que no negócio das armas, empresas do sector das obras públicas aparecem frequentemente associadas, como a Haliburton, a Carlyle, ou a Blackwater, (empresa de armas, construção e mercenários), entre outras. Esta relação está referida, há anos, em vários relatórios, nomeadamente nos relatórios do Bribe Payer Index (indice internacional dos pagadores de subornos), que é uma agencia americana. A indicação deste tipo de práticas foi desenvolvida mais tarde, pela Transparency International e pelo Comité Norte Americanos de Coordenação e Promoção do Comercio do Senado Americano, que referem que há muitos anos , mais de 50% do negócio e comercio de armas em Portugal, é feito através de subornos. Os americanos sempre usaram Portugal para o tráfico de armas, fazendo também funcionar a Base das Lajes, nos Açores, para este efeito, nomeadamente depois de 1973, aquando da guerra do Yom Kippur, entre Israel e os países árabes. Este tráfico de armas deu origem a várias contrapartidas financeiras, nomeadamente através da FLAD, que foi usada pela CIA para este efeito. A FLAD recebeu diversos fundos específicos para a requalificação de recursos humanos.

  106. Não ví contudo neste Dossier observações referindo referindo que estas vendas de armas eram condenáveis ou que tinham efeitos negativos. Havia contudo uma pequena nota, em que algumas folhas de que se devia tomar cuidade com tudo o que aí estava escrito, e que portanto se devia actuar. Havia também na primeira página um carimbo que dizia "confidentical and restricted".

  107. Estas vendas de armas continuaram contudo depois de 1980. Tanto quanto eu sei, estas vendas de armas continuaram a ser realizadas até 2004, embora com um abrandamento importante a partir de 1984, a partir do escandalo das fardas vendidas à Polónia.

  108. No referido Dossier estavam também referidas personalidades americanas envolvidas no negócio de armas, nomeadamente Bush (Pai), dick Cheney, Frank Carlucci, Donald Gregg, vários militares, bem como a empresas como a Blackwater. são ainda referidas empresas ligadas aos EUA, como a Carlyle, Haliburton, Black Eagle Enterprise, etc, que estavam a usar Portugal para os seus fins, tanto pela passagem de armas através de portos portugueses, como pelo fornecimento de armas a partir de empresas portuguesas. Tirei apontamentos desses documentos, que ainda hoje tenho em meu poder.

  109. A empresa atrás referida, denominada supermarket, foi criada em Portugal em 1978, e operava através da empresa mão, de nome Black-Eagle, dirigida por William Casey, (membro do CFR(counceil for Foreign Affairs and Relations), ex-embaixador dos EUA nas Honduras e também com ligações à CIA). A empresa supermarker organizava a compra de armas de fabrico soviético, através de Portugal, bem como a compra de armas e munições portuguesas, referidas anteriormente, com toda a cumplicidade de Oliver North. Estas armas iam para entrepostos nas Honduras, antes de serem enviadas para os seus destinos finais. Oliver North pagou muitas facturas destas compras em Portugal, através de uma empresa chamada Gretsh World, que servia de fachada à Supermarket. Mais tarde, cerca de 1985, quando se começou muito a falar de camarate, Oliver North cancelou a operação "Supermarket, e fechou todas as contas bancárias.

  110. Devo ainda referir que William Hasselberg e outros americanos da embaixada dos EUA, em Lisboa, comentaram comigo, várias vezes o que estava escrito neste Dossier.

  111. Relativamente a Hasselberg isso era lógico, pois foi ele que me deu o Dossier a ler.

  112. Posteriormente comentei também o que estava escrito neste Dossier com Frank Carlucci, que obviamente já tinha conhecimento da informação nele contida.

  113. Tanto William Hasselberg, como membro da CIA, como outros elementos da CIA atrás referidos e outros, comentaram várias vezes comigo o envolvimento da CIA na operação de Camarate e neste negócio de armas. Lembro-me nomeadamente que quando alguém da CIA, me apresentava a outro elemento da Cia, dizia frequentemente "this is the portuguese guy, the one from Camarate, the case in Portugal with the plane!".

  114. As vendas de armas, a partir e através de portugal, foram realizadas ao longo desses anos, pois era do interesse politico dos EUA. A CIA organizou e implementou estas vendas de armas em Portugal, à semelhança do que sucedeu noutros países, pois era crucial para os EUA que certs armas chegassem aos países referidos, de forma não oficial, tendo para isso utilizados militares e empresários Portugueses, que acabaram também por beneficiar dessas endas.

  115. Como anteriormente referi, William Casei e Oliver North estavam, nas décadas  de 70 e 80 conluiados com o presidente Manuel Noriega, no escândalo Irão - contras (Irangate). Foi sempre Oliver North que se ocupou da questão dos refénsamericanos  no Irão, bem como da situação da América Central. Recebeu pessoalmente por isso uma carta de agradecimentos de George Bush Pai, Vice Presidente à época de Ronald Reagan.

  116. Devo dizer a este respeito que John Bush, filho de Bush Pai, então com 35 anos, a fiver na Flórida, pertencia em 1979 e 1980 ao “Condado de Dade", que era e é uma organização republicana, situada em South Florida, destinada a angariar fundos para as campanhas eleitorais republicanas. John Bush era um dos organizadores de apoios financeiros para os "contra" da Nicarágua.
  117. Conheci também Monzer Al Kasser um grande traficante de armas que tinha uma casa em Puerto Banus em Marbella, e que me foi apresentado, em Paris, por Oliver North, em 1979.
  118. Era um dos grandes vendedores de armas para os “Contra” na Nicarágua, trabalhando simultaneamente para os serviços secretos sírios, búlgaros e polacos. Na sua casa em Marbella, referiu-me também que, por vezes, o tráfico de armas era feito através de África, para que no Iraque não se apercebessem da sua proveniência, pois também vendiam ao mesmo tempo ao Irão e mesmoa Portugal. Este tráfico de armas, que estava em curso, desde há vários anos, em 1980, e o começo do caso Camarate.

  119. Através de Al Kasser conheci, em Marbella, no final de 1981, outro famoso traficante de armas, numa festa em casa de Monzer, que se chamava Adrian Kashogi. Kashogi, como pude testemunhar em sua casa, tinha relações com políticos e empresários europeus, árabes e africanos, por regra ligados ao tráfico de armas e drogas.

  120. Sou preso em 1986, acusado de tráfico de drogas. Esta prisão foi uma armadilha montada pela DEA, por elementos que nessa organização não gostavam de mim, por eu ter levado à detenção de alguns deles, como referi anteriormente. Fui então levado para a prisão de Sintra. Estou na prisão com o Victor Pereira,, que aí também estava preso. Sei, em 1986, que estavam a preparar para me eliminar na prisão, pelo que peço à minha mulher Elza, para ir falar, logo que possível com Frank Carlucci. Em consequência disso recebo na prisão a visita de um agente da CIA, chamado Carlston, juntamente com outro americano. estes, depois de terem corrompido a direcção da prisão, incluindo o director, sub-director e chefe da guarda, bem como um elemento que se reformou muito recentemente, da Direcção Geral dos serviços Prisionais, chamada Maria José de Matos, conseguem a minha fuga da prisão. Contribu ainda para esta minha fuga, mediante o recebimento de uma verba elevada, paga pelos referidos agentes americanos esta directora-adjunta da Direcção Geral dos serviços Prisionais. Estes agentes americanos  obtêm depois um helicóptero, que me transporta para a Lousã, onde fico cerca de 20 dias. Vou depois para Madrid, com a ajuda dos americanos, e depois daí ara o Brasil. as despesas com a minha fuga da prisão custaram 25000 euros, o que na época era uma quantia elevada.

  121. Só mais tarde no Brasil, depois de 1986, é que referi a José Esteves que sabia que Sá Carneiro ia no avião, contando-lhe a história toda. José Esteves, responde então, que nesse caso, tinha-mos corrido um grande risco. Eu tranquilizei-o, referindo que sempre o apoiei e protegi neste atentado. Dei-lhe apoio no Brasil no que pude. Assegurei-lhe também o transporte para o Brasil, obtendo-lhe um passaporte no Governo Civil de lisboa, entreguei-lhe 750 contos que me foram dados para esse efeito pela embaixada  dos EUA, em Lisboa, e arranjei-lhe o bilhete de avião de Madrid para o Rio de Janeiro . Na viagem de Lisboa para Madrid, José Esteves foi levado por Victor Moura, um amigo comum. No Rio de Janeiro ajudei-o a montar uma loja, numa roulote. Como trabalhava ainda para a embaixada  dos EUA, em Lisboa, estas despesas foram suportadas pela Embaixada. Ficou no Brasil cerca de  dois anos. Eu, contudo andava constantemente em viagem.

  122. José Esteves recebe depois um telefonema de Francisco Pessoa de Portugal, onde Francisco Pessoa o aconselha a voltar a Portugal, e a pedir protecção, a troco de ir depor na Comissão de Inquerito Parlamentar sobre Camarate. Esse telefonema foi gravado, mas José Esteves nunca chegou a obter uma protecção formal.

  123. Telefono a Frank Carlucci, em 1987, pedindo-lhe para falar com ele pessoalmente. Ele aceita, pelo que viajo do Brasil, via Miami, para Washington. Pergunto-lhe então, em face do que se tinha falado de Camarate, qual seria a minha situação, se corria perigo por causa de Camarate, e se continuarei, ou não a trabalhar para a CIA. Frank Carlucci responde-me que sim, que continuarei a trabalhar para a CIA, tendo efectivamente continuado a ser pago pela CIA até 1989. Frank Carlucci confirma nessa reunião que puderam contar com a colaboração de Penaguião na operação de Camarate, e que ele, Frank Carlucci, esteve a par dessa participação.

  124. Em 1994, foi-me novamente montada uma armadilha em portugal, por agentes da DEA que não gostavam de mim, por causa da referida prisão de agentes seus, denunciados por mim. Nesta armadilha participam também três agentes da DCITE - Portuguesa, os hoje inspectores Tomé, Sintra e Teófilo Santiago. Depois desta detenção, recebo a visita na prisão de Caxias de dois procuradores do Ministério Público, um deles, se não estou em erro, chamado Femando Ventura, enviados por Cunha Rodrigues, então Procurador Geral da República. Estes procuradores referem-me que me podem ajudar no processo de droga de que sou acusado, desde que eu me mantenha calado sobre o caso Camarate.

  125. Por ser verdade. e por entender que chegou o momento de contar todo o meu envolvimento na operação de Camarate, em 4 de Dezembro de 1980, decidi realizar a presente Declaração, por livre vontade. Não podendo já alterar a minha participação nesta operação,
  126. que na altura estava longe de poder imaginar as trágicas consequências que teria para os familiares das vítimas e para o país, pude agora, ao menos, contar toda a verdade, para que fique para a História, e para que nomeadamente os portugueses possam dela ter pleno conhecimento.

  127. Não quero, por ultimo, deixar de agradecer à minha mãe, à minha mulher Elza Simões, que ao longo destes mais de 35 anos, tanto nos bons como nos maus monmentos, sempre esteve a meu lado, suportando de forma extraordinária, todas as dificuldades, ausências, e faltas de didicaçâo à familia que a minha profissão impliava. Só uma grande mulher e um grande amor a mim tornaram possível este comportamento. Quero também agradecer à minha filha Eliana, que sempre soube aceitar as consequêncais que para si representavam a minha vida profissional, nunca tendo deixado de ser carinhosa comigo. Finalmente quero agradecer à minha mão que, ao longo de toda a minha vida me acarinhou e encorajou, apesar de nem sempre concordar com as minhas opções de vida. A natureza da sua ajuda e apoio, tiveram para mim uma importância excepcional, sem, as quais não teria conseguido prosseguir, em muitos momentos da minha vida. Posso assim afirmar que tive sempre o apoio de uma família excepcional, que foi para mim decisiva nos bons e maus momentos da minha vida.
  128. Lisboa, 26 de Março de 2012
  129. Fernando Farinha Simões
  130. B.I. n.º 7540306

PINGOS DE FEL

Já não posso ouvir falar no Pingo Doce; que ridículo! Não pelo Pingo Doce em si, que é para o lado que durmo melhor, mas pelas fitas feitas em torno de um tema que não dá para o filme que se tem vindo a impingir como uma grande fita de "filme noir" político.

Citando de AQUI:

«Foi uma acção política para virar consumidores contra trabalhadores»
Consumidores contra trabalhadores? Mas afinal quem é que aproveitou os descontos do Pingo Doce? A mini-minoria de consumidores que vive consumindo sem trabalhar? Ai que os meninos não se enxergam... Aliás não enxergam nada.Basta ver as imagens dos consumidores que acorreram ao super-mercado para tirar conclusões. Se fosse uma acção política, ó gente,  teria sido divulgada com antecedência, ou julgarão que a Jerónimo Martins brinca em serviço? 
«É uma campanha de manipulação ideológica e de intervenção política»
Pingo Doce ao parlamento! Vota Jerónimo Martins!

Como é que isto se resolve? Já há uma proposta de proibição de abertura dos hiper-mercados no 1º de Maio. Ou seja, passa-se um atestado de menoridade ao Zé-Povo e acabou a conversa, não tem nada que poder decidir o quer fazer no 1º de Maio. Mesmo que queira ir fazer as compras que lhe aprouver está proibido. Pois claro, é ofensivo, diria mesmo imoral. Viva a liberdade!

Se há coisa que me chateia é quando uns pseudo-democratas arvorados em donos da democracia querem - exigem - impor ao mundo a sua forma de ver as coisas, a sua ideologia, aquilo que lhes é importante por razões claras ou sub-reptícias.  Em democracia o desacordo é tão válido quanto o acordo e a tal liberdade de escolha é para tocar a todos, não apenas aos "donos da democracia" - «se não pensas como eu não és democrata nem respeitas a liberdade alheia» - caríssimos, NÃO É VÁLIDO. Santa paciência! Esta atitude nem chega a ser revoltante de tão ridícula, infantil, birrenta e, sobretudo, ressabiada que é.

Numa altura em que, mais do que o costume, anda tudo sem xeta há quem, voluntariamente, queira trabalhar num feriado - pago a 300%, com recompensa de folga e prémio de vendas - pois, mas há quem se chateie imenso com isto, que se sinta afrontado, que se indigne com o desrespeito pelo 1º de Maio e pela classe trabalhadora. Desculpem a minha franqueza mas vão-se encher de moscas, sim?
O 1º de Maio não é uma vaca sagrada; não é crime, nem sequer ofensa, trabalhar no 1º de Maio, sempre houve quem o fizesse sem que o facto constituísse assunto de notíciarios ou, mais idiota, tema escarlate de discussão parlamentar. Não há pachorra.

A esquerda afogou o 1º de Maio nas suas contestações à "Jerónimo Martins": ninguém fala das manifs, das comemorações, dos discursos, só se fala do Pingo Doce. Bem... pelo que eu vi das comemorações do 1º de Maio... provavelmente a campanha do Pingo doce até deu jeito, muito jeito.
As redes sociais, e não só, encheram-se de críticas e piádas dúbias, meio mundo falou de "dumping" como se soubesse muitíssimo bem do que estava a falar e de que seria evidente tratar-se do caso.O assunto está investigado, julgado e a sentença dada. Vivemos num país de especialistas em marketing e economia. G´anda noia!

E a ASAE? Esta então só mesmo para rir. A contestadíssima ASAE, pelos seus métodos e modus operandi, pelos rumores de corrupção, pela prepotência e regras absurdas, tem sido alvo de rejeição e antipatia pública; aah mas agora não... Apela-se à ASAE e à sua malfadada fiscalização porque agora há que arrear onde se quer morder.

Ah mas é a defesa do consumidor que está em causa... Vá lá, não me façam cócegas que eu fico com soluços. O consumidor que fez compras no valor de 100 euros só pagou 50 e isto, nos dias de vão correndo, sejam quais forem as campanhas por detrás e doa a quem doer, é defesa do consumidor.  Ponto final.
Ah mas é a defesa dos direitos da concorrência... Vá , já pedi para não me fazerem cócegas. Ou vamos todos fingir que se transformou este 1º de Maio numa jornada de luta contra as injustiças concorrênciais, esqueçamos a ignorância de os outros dias todos do ano. E é só o Pingo Doce? Onde estão os outros? (Presentemente o Continente/Sonae tem a decorrer uma campanha de desconto de 75% em cartão - 50% num mês e 25% no mês seguinte e parece que ainda ninguém levou o assunto à Assembleia da República; a IKEA tem 300 produtos a 50% durante este mês e parece que ainda não apareceu a ASAE para inspecionar os contraplacados)

De lamentar não é que uma cadeia de super-mercados faça uma grande promoção no 1º de Maio, de lamentar é o comportamento do "Tuga" no meio desta história.
Por um lado o "Tuga-classe política" que tanto ateou fervores ridículos e mesquinhos;
Por outro o "Tuga- consumidor", que é capaz de espraiar insulto, senão estalada, por força de mais uns enlatados ou de umas embalagens duplas de champô...
Mas esses são os Tugas que temos e com quem vivemos o ano inteiro, por todo o lado, particularmente nos centros urbanos onde escasseia a urbanidade.


Por último, em relação à campanha Pingo Doce só tenho a dizer o que digo em minha casa: "Cá em casa vigoram as minhas regras, quem não gostar não venha cá".

DIGNIDADE

«AMBOS PROCURÁVAMOS NO OUTRO A PARTE DE VERDADE QUE O OUTRO HAVIA DE TER»

«E AMBOS TÍNHAMOS, ACHO, O HUMOR SUFICIENTE PARA NÃO DAR VALOR ABSOLUTO AO QUE TEM SEMPRE UM LADO RELATIVO»

«O QUE EXPLICA A NOSSA IRREDUTÍVEL AMIZADE É UMA PALAVRA CHAMADA RESPEITO; RESPEITO NÃO COMO VENERAÇÃO FORMAL MAS COMO CAPACIDADE DE RENUNCIARMOS A ALGUMA COISA DE NÓS PRÓPRIOS PARA CONSERVAR O ESSENCIAL DO OUTRO E DO QUE O OUTRO SIGNIFICA PARA NÓS»

Paulo Portas sobre Miguel Portas, Cerimónia evocativa, 29/04/2012

video AQUI


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O SONHO DO DEPENDENTE DO COMPUTADOR

Há coisas que guardamos no computador de casa
Há coisas que guardamos no computador de trabalho
Há aqueles que, como eu, se passeiam com uma "pen drive" para o que der e vier

Também há aqueles que pensam: "Tenho de fazer um backup dos documentos..."; e no dia em que acontece, no dia em que se espraia o malvado virus empestando os acessos ao que queremos, não temos outro remédio senão formatar o bicho. Lá se vai tudo e ficamos chorando sobre leite derramado.

Claro que já todos sabemos que existem vários "armazens de dados" on line mas a verdade é que , por uma razão ou por outra, não são massivamente utilizados. Uns são caros, outros de confiança duvidosa, outros ainda são chatos de utilizar - pouco intuitívos, restritivos, lentos no upload.


Se é verdade que a Microsoft mudou o mundo, não se pode dizer menos da Google.
E...
A Google lançou hoje  mais um serviço que está prestes a ser disponibizado que, estou convencida, irá ter um forte impacto na forma como pensamos, organizamos e acedemos aos nossos documentos,  como os partilhamos e disponibilizamos a terceiros.
Já não precisaremos de viajar com o portátil para ter acesso, e fazer downloads que pretendemos guardar, já não precisaremos de enviar por e-mail ficheiros pesados, bastar-nos ter acesso a um qualquer ponto de internet.

Chama-se Google Drive, foi lançado hoje e está tudo aqui:

UM HOMEM DO 25 DE ABRIL



 SALGUEIRO MAIA
    1944 - 1992





A grandiosidade da nobreza de carácter não se põe em bicos dos pés, não reivindica atenções dúbias, não faz birras de frustração
Um homem nobre faz o que tem a fazer de acordo com as suas convicções, faz aquilo  que acredita ser o correcto e necessário; depois não grita aos quatro ventos o quanto é grande, a história encarrega-se de o fazer, com uma elegância inimitável.







  «Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui.»
Salgueiro Maia, madrugada de 25 de Abril, 1974, Escola Prática de Cavalaria, Santarém. 






«A revolução em Portugal», 1974 
(Centro de Documentação 25 de Abril - Universidade de Coimbra)

Para ler a entrevista na integra clicar no link:   Entrevista de Salgueiro Maia


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25 DE ABRIL, SEMPRE? NÁÁÁÁ, NÃO ME APETECE

A Associação 25 de Abril (A25A), na pessoa de D. Lourençote de Melena e Pá, demarcou-se das comemorações oficiais do aniversário do 25 de Abril por considerar que "as medidas e sacrifícios impostos" aos portugueses "ultrapassaram os limites do suportável".
Não estou a ver o que tem uma coisa com a outra mas isso sou eu, que não tenho o "golpe de vista" de D. Vasco.
E mais acrescenta:
«O povo português e a todas as suas expressões organizadas que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia».

Isto lembra-me aquela história das bananas, sim, aquela coisa com que se compram as bananas...
Quando, em Abril do ano passado, estávamos à beiríssima da banca rota, de no mês de Maio não haver carcanhol para pagar aos bué funcionários do Estado, D. Lourençote de Melena e Pá não se mostrou tão preocupado com "os Direitos, Liberdades e Garantias" do nosso povo nem desistiu de beber mais um copo em honra dos festejos do 25 de Abril. Será que não se apercebeu da situação do país ou acreditava piamente no camarada Zé Sócrates, y en su perrito de estimacion - El Pacientíssimo Teixeira - quando aquele dizia que não havia derrapagem orçamental e que estava fora de causa pedir um resgate financeiro?
Há outra hipótese... D. Lourençote, quando for grande, quer ser como D. Otelo, El Guerrero del Blanco Caballo del Poder, e já anda a praticar... Pode ser...

D. Lourençote justifica:
«A linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição».

D. Lourençote... Por mais que te chateie "a linha política seguida pelo actual poder político" é legítima. É exercida por um poder político ELEITO pela maioria do povo português, o que é mais do que se pode dizer de ti e da rapaziada que te acompanha nestas declarações.
Desculpa lá o mau jeito mas é verdade.

Sim, e mais ainda. Dizes tu inflamadíssimo:
«O poder político que actualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores».

D. Lourençote... Os ideais e valores do 25 de Abril consagram a democracia e a liberdade de escolha, entre outras. Tem paciência mas se os resultados das eleições não te agradam, se o governo legitimamente eleito vai contra a tua vontade, "os ideais e valores do 25 de Abril" ditam que tu respeites a soberana vontade expressa do povo.
E se é «outro ciclo político» ainda bem, quer dizer que evoluímos, que já não vivemos em fervores pós-revolucionários, que amadurecemos, fizemos escolhas. Ir além não é ir contra, mesmo se as escolhas da maioria não forem conformes às tuas. Quando fores crescido pode ser que venhas a entender isso. Até lá senta-te e espera, pode ser que tenhas sorte para as próximas eleições.

E não, D. Lourençote, não me venhas dizer que o teu problema não é a cor do poder político eleito, que o teu drama são os sacrifícios impostos ao povo. Uma ova!
Enquanto o primeiro-ministro socialista, aquele que era tão bom que ainda estava para nascer um melhor do que ele, escavou os buracos sem fundo onde foram plantados os actuais sacrifícios, tu passate o 25 calado que nem um ratinho e ficaste roendo o teu queijinho.
Lourençote, não me chateies, eu também aguentei o outro, eleito e, espantosamente, reeleito, e tive de o aguentar, a bem da Democracia, em que eu acredito e que defendo, mesmo quando "a linha política seguida pelo poder político" me desagrada e considero que me está a lixar, que está a lixar o país.

"Este 25 de Abril já não está a dar pró nosso lado, vamos fazer outro que nos agrade" não é defesa de Liberdade, nem de Democracia, nem de Direitos; é a defesa de ideais (?) próprios e interesses pessoais.

De ti não aceito lições de Democracia

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Não constituísse esta decisão comunicada por D. Lourençote já preocupação bastante, horas depois lá vem mais uma para me branquear a melena (a minha, não a de D. Lourençote de Melena e Pá) : O Mário também não vai comparecer, recusa-se! E agora? Como se hão-de fazer comemorações sem o Mário? Logo o Mário... Que chatice!
E depois veio o Manel... A seguir ao Mário ter dado um desgosto ao país veio o Manel e em cima de pedra, coice, solidarizou-se - não com o Mário, com os militares. O Manel sempre curtiu militares.
Disse o Manel : «Uma celebração do 25 de Abril sem aqueles que o fizeram não tem o mesmo significado» . Sem alguns dos que o fizeram, diria eu, que sou uma chata.
E fizeram para quê? Ora, lá estou eu a ser chata outra vez , a repetir-me, a bater na mesma tecla.
É caso para dizer: " Poderíamos viver sem o D. Lourençote? Poder, poderíamos, mas não era a mesma coisa». Aaah, pois não.


Nota de encomenda - E vós, de esquerda, à esquerda da esquerda, pensai duas vezes e avivai uma podendo para tal exercício debruçar-vos sobre as declarações de um "gonçalvista" convicto, AQUI.


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CAMPANHA FIXE!

UM CLIC PARA AUMENTAR

UM MOMENTO FELIZ

Um piloto de um helicóptero conseguiu salvar um pequeno veado, empurrando-o para fora de um lago gelado onde estava paralisado e de onde não conseguiria mais sair porque escorregava na superfície vidrada do gelo.

O piloto teve uma ideia genial, engenhosa e aparentemente tão simples como a do Ovo de Colombo.

Se a fina camada de gelo debaixo do corpo do animal tivesse quebrado ele morreria gelado e afogado.

Para empurrar o animal, o piloto utilizou o efeito de sopro produzido pelas pás do seu helicóptero e fez o veado deslizar sobre o gelo até terra firme.

Um momento feliz, e inteligente.

Bem haja!




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DAR A VOLTA


«Governo é a instituição em que portugueses menos confiam» - 20-04-2012

«O Governo continua a ser a instituição em que os portugueses menos confiam, mas, face ao ano anterior, o índice de confiança subiu de 9 para 29%, revela uma sondagem internacional do “Edelman Trust Barometer” que se realiza há 12 anos e é um dos principais estudos de credibilidade a nível mundial. A análise é apresentada todos os anos na abertura do Forum Económico Mundial, em Davos, na Suíça. »

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«Clima económico melhorou pela primeira vez em 18 meses» - 19-04-2012

«De acordo com o INE, este indicador inverteu a trajectória de queda que se verificava desde Outubro de 2010.»

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«Economia dá sinais de recuperação» - 20-04-2012

«Quebra da actividade económica abrandou.
Também o indicador do consumo privado melhorou no mês passado três décimas, interrompendo pela primeira vez a queda de consumo desde 2000. »

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«Portugal tem cumprido "sem nenhuma escorregadela"» - 20/04/12

«O presidente do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) defendeu hoje que Portugal está a ganhar "competitividade".»

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«Portugal vende mais do que compra» - 09-04-2012

«Segundo o INE, as exportações aumentaram 10,2% entre Dezembro de 2011 e Fevereiro deste ano. Já as importações caíram 6%.»

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EU ACREDITO QUE PORTUGAL VAI "DAR A VOLTA"
mesmo que, estranhamente, haja quem fique muito chateado
com essa perspectiva


QUANDO UMA NAVE ESPACIAL VIRA "DINOSSAURO"


O Space Shuttle Discovery subiu pela primeira vez em direcção aos céus a 30 de Agosto de 1984. Acumulou o maior número de dias de voo no espaço, 352, percorreu um total de 241 milhões de quilómetros, transportou o maior número de astronautas para o espaço, 246, colocou em órbita o primeiro telescópio espacial Hubble, em 1990.

O Discovery foi o terceiro dos cinco "Shuttles" filhos da NASA (Columbia - o primeiro da frota, foi lançado a 12 de Abril de 1981 - o Challenger,o Discovery, o Atlantis - o penultimo a ser lançado mas o último a voar, tendo fechado as missões a 21 de Julho de 2011 - e o Endeavour).

Estas naves "vai-vem" transportaram astronautas para/em órbita repetidamente, lançaram, recolheram e repararam satélites, foram pioneiras em pesquisas de vanguarda no espaço e foram as bases de construção da maior estrutura existente no espaço - a Estação Espacial Internacional.

Hoje o Discovery virou peça de museu como um "dinossauro" mais; foi transportado do Kennedy Space Center no dorso de um Boeing 747 transformado, o NASA 905 (o mesmo que havia feito a entrega do Discovery Kennedy Space Center em Novembro de 1983) para o Smithsonian's National Air and Space Museum Steven F. Udvar-Hazy Center em Chantilly, Va.

A despedir-se do Discovery estiveram muitos amigos seus: astronautas, equipes de especialistas e inúmeros colaboradores da NASA que ao longo dos anos deram o seu melhor para manter esta super-resistente e especialíssima nave apta para o impecável cumprimento das suas fantásticas missões.


Muitos viram-na partir de lágrimas nos olhos
Eu, aqui no meu cantinho, emociono-me também.
E pergunto-me: quando uma peça de engenharia tão especial como esta vira bicho de museu o que nos trará o futuro da exploração e construção espacial? Ora aí está algo que pago à vida para ver.





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A GRANDE FESTA DO PARQUE

O outro, o gajo que se foi pavonear para Paris, dizia que não havia descontrolo do déficit, que era tudo por vontade do executivo.

Esta, a gaja que o olhava com leais ardores seguidistas, nega, repetidamente, ter havido derrapagem no investimento das escolas .
Mais: "A Parque Escolar foi uma grande festa para o País", diz ela.
E foi, uma festa de arromba, no mais directo sentido do termo. Pena é que os convites para a festa fossem tão restritos mas as festas íntimas e exclusivas são assim.

Se bem me lembro, a 21 de Junho de 2011, o Tribunal de contas dizia assim:

«O Tribunal de Contas detectou em 2010 mais de 2.845 milhões de euros em despesa irregular, revela o relatório de actividade e contas da instituição, divulgado na segunda-feira.
O valor representa um aumento de 184% face a 2009.

Os gastos irregulares detectados devem-se a:

«situações muito diversas, das quais se salientam pelo seu valor mais elevado: violação dos princípios e regras orçamentais da anualidade, da unidade e universalidade, da não compensação, da especificação, da unidade de tesouraria do Estado; e registo de receitas extraordinárias sem terem sido reflectidas nas demonstrações financeiras as correspondentes responsabilidades perante terceiros»

Mas não foi só depois do leite derramado que o TC deu conta do problema.
Também nas fiscalizações prévias foram detectadas irregularidades, a tempo de impedir os deslizes. O Tribunal de Contas recusou o visto a 53 actos e contratos, impedindo despesa no valor de 131,1 milhões de euros. Despesa que estava «em desconformidade com as leis em vigor, sem cabimento orçamental ou ultrapassando os limites legais de endividamento».

Obviamente que estes valores detectados não dizem apenas respeito ao ministério da Educação, são gerais, como generalizada foi a festa; o ministério da Educação apenas esteve em conformidade com os festejos das outras "freguesias", que é como quem diz diz dos outros fregueses.
Mas voltando à vaca-fria (expressão idiomática aqui aplicada com toda a propriedade), em Agosto de 2010 o ministério da educação fez saber da sua decisão de fechar 701 escolas do ensino básico e jardins de infância; Conseguiu então algo difícil, a voz uníssona da oposição parlamentar:
«A oposição condenou hoje no Parlamento a decisão do Governo de encerrar escolas do ensino básico com menos de 20 alunos, enquanto o Executivo afirmou que o ensino em Portugal viveu nos últimos anos uma «revolução» - 7/06/ 2010

Presentemente, algures em Lisboa:

«Tribunal de contas concluiu que a administração da Parque Escolar pagou ilegalmente 545 milhões de euros nas obras de modernização em 205 escolas.»
«O juiz conselheiro Mira Crespo concluiu que a empresa pública pagou ilegalmente 545 milhões de euros nas várias obras do programa de modernização das escolas secundárias do país.
No relatório divulgado hoje (23/03/2012), o TC arrasa a gestão da Parque Escolar, e diz que houve derrapagem injustificável dos custos, endividamente excessivo e falta de transparência na contratação de arquitetos. Quando foi apresentado, em 2007, o programa propunha-se investir 940 milhões de euros em 332escolas. Em 2011, tinham sido gastos três mil milhões em apenas 205 escolas.

O próprio TC admite que a execução do programa "está comprometido". Há mais cinco auditorias a obras em cinco escolas que ainda não estão concluidas.» In "Expresso" 24/03/ 2012

.../...
«Despesas e pagamentos ilegais em virtude da adopção sistemática de procedimentos de concurso urgente para aquisição de bens de uso não corrente, em violação dos princípios da concorrência e transparência e incumprimento dos pressupostos de urgência». Esta é a ilegalidade mais grave que o Tribunal de Contas encontrou na auditoria feita à Parque Escolar.

O TC detectou cerca de 500 milhões euros de despesas e pagamentos ilegais, «em virtude da não submissão a visto do Tribunal de Contas» por parte da Parque Escolar em relação a 34 contratos de empreitada e de aquisição de bens e serviços entre 2007 e 2009.

Há ainda quase 900 mil euros de pagamentos e despesas ilegais relacionadas com a adjudicação do aluguer de monoblocos pré-fabricados para a instalação provisória de salas de aulas «por um valor consideravelmente superior ao preço base, na sequência da conversão de procedimento de concurso público internacional em procedimento de negociação».

E quase 28 milhões euros de pagamentos e despesas ilegais «resultantes da adopção de concursos públicos urgentes para o apetrechamento das escolas das fases 1 e 2, em incumprimento dos pressupostos de urgência». A este valor somam-se ainda «despesas e pagamentos ilegais no montante de 12.181.143 euros e de 11.924.438 euros, respectivamente, pela prática de fraccionamento de despesa.

O Tribunal de Contas explica que «o valor global das empreitadas, relativas às fases 0 a 2, aumentou em 53,7 milhões de euros em virtude de contratos adicionais, que resultaram da relaização de trabalhos a mais e de trabalhos de suprimento de erros e omissões, no valor global de 65 milhões de euros e de 23,9 milhões, respectivamente».

«Foram realizados trabalhos a mais em todas as 105 escolas e trabalhos a menos em 89 escolas», lê-se no relatório do TC.».In "Sol" 24 Março 2012
Então e a Lurdicas? A Lurdicas é amigalhaça.
Enquanto se decidia, entre outras maravilhas, o fecho de 7 centenas de escolas primárias, a Lurdicas resolveu fazer uns contratos... Um deles foi a João Pedroso, irmão do ex-dirigente do PS, Paulo Pedroso (rapaz mediático por razões adversas), para consultor jurídico do Ministério da Educação, entre 2005 e 2007.
Esta contratação envolveu um valor global de mais de 300 mil euros através de contratos feitos pelo gabinete da ex-ministra, por ajuste directo, com o objectivo de João Pedroso elaborar trabalhos de investigação para o Ministério da Educação. Investigação, pois, não duvido...

Lurdicas não está só ao ser pronunciada pelo Tribunal de Instrução Criminal pelo crime de prevaricação, acompanham-na também como arguidos o tal João Pedroso, João da Silva Baptista, então secretário-geral do Ministério da Educação e Maria José Matos Morgado, chefe de gabinete da ex-ministra, acusados, em co-autoria, do crime de prevaricação praticado por titular de cargo político, segundo o despacho de acusação da 9ª Secção do DIAP de Lisboa.

Os contratos foram feitos com violação das regras do regime da contratação pública para aquisição de bens e serviços.

Parece que estavam todos convidados para a festa...


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A PORTUGUESES COM FILHOS NA ESCOLA


A Drª Madalena Homem Cardoso, médica, no exercício do poder paternal para com a sua filha, e educanda, uma menina de 7 anos de idade, aluna do 2º ano do ensino primário, escreveu uma carta ao ministro da Educação, no dia 24 de Março do corrente ano, a qual veio a ser noticiada pelo jornal "Público" a 5 de Abril; Inicia-se nos seguintes termos:

«No exercício do poder paternal, cumpre-me dirigir-me a Vossa Excelência para, com a maior deferência, comunicar ao Ministério da Educação e Ciência, na pessoa do seu máximo responsável, que não posso de forma alguma autorizar que a minha filha e educanda Inês --------, com sete anos de idade, aluna nº-- do 2º ano (Turma -) na EB1-------- , seja ensinada de modo não conforme à ortografia actualmente em vigor (aquela que foi promulgada pelo Decreto-Lei nº35 228/1945 de 8 de Dezembro,e depois ratificada com alterações mínimas pelo Decreto-Lei nº32/1973 de 6 de Fevereiro, sendo que, até à data, nada na ordem jurídica portuguesa veio revogar estes Decretos-Lei

Em particular,no papel de encarregada de educação,não do posso anuir a que a aprendizagem da minha filha seja perturbada pelo auto-denominado "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa(1990)(que passarei a referir por "AO90", o qual
nâo é "acordo", pois conta com a oposição quase unânime dos especialistas em língua portuguesa e da esmagadora maioria dos falantes-escreventes de Português de Portugal,tendo resultado de uma anti-democrática e anti-patriótica sucessão de atropelos ao bom senso e à Lei, e o qual não é "ortográfico",pois contradiz em si
mesmo a própria noção normativa de "ortografia" ao consagrar facultatividades e excepções como regras .../...

Mais solicito que a observância pela ortografia em vigor se verifique no presente ano lectivo e seguintes .../...»
Segue esta carta, plena de fundamentos específicos e bem sustentados, encontrando-se disponível no seguinte link: http://static.publico.pt/docs/educacao/carta.pdf

O ministério da educação afirma que só recebeu dez cartas a protestar pela aplicação do acordês.
Acredito piamente. Os portugueses protestam, protestam mas não actuam, esperam sempre que alguém faça alguma coisa, que apareça feito.

Pois bem...

Aqui fica a sugestão (o repto...) lançado no "Causes" "Pela Língua Portuguesa contra o "Acordo":
E que tal escrever ao Ministro a dizer que apoia a Dra. Madalena Homem Cardoso?
Basta dizer que "Sou pai/mãe/encarregado de educação e apoio a posição da Dra. Madalena Homem Cardoso!
O mail é: gabinete.ministro@mec.gov.pt
Ou use o portal do governo ( http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-da-educacao-e-ciencia/contactos.aspx?rc=3729 ).

Pela parte que me toca já não contarão 10 cartas mas 11
E mais? Vá, mais! Vamos mexer-nos, sim?
É SÓ ENVIAR UM E-MAIL!

PS - E quem não tem filhos na escola bem pode alertar quem tem, não é?

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UM INOCENTE À ESPERA DE LIBERDADE




















ENCONTRA-SE NO HOSPITAL VETERINÁRIO DO RESTELO, EM LISBOA, UM SHARPEI MUITO PARECIDO COM O DA FOTO, COM UMA COR DE PELAGEM INVULGAR, PARA ADOPÇÃO.

VI-O ONTEM, NA SUA JAULA ONDE ESTEVE A RECUPERAR DE UMA CIRURGIA ÀS ORELHAS.
O DR. DIOGO MAGNO, QUE O OPEROU, PERGUNTOU-ME SE SABIA DE ALGUÉM QUE O QUEIRA ADOPTAR

É UM CÃO JOVEM, TEM ENTRE 1 E 2 ANOS, E DÁ DOR NA ALMA VÊ-LO PRESO ALI. ALGUÉM O QUER PARA CASA?

HOSPITAL VETERINÁRIO DO RESTELO

Lisboa - São Francisco Xavier
Rua Gregório Lopes Lote 1513 - Loja E
1400-195 Lisboa

Telefone: 213 032 119
Telemovel: 933 032 120

1º DE ABRIL





EU LICENCIEI-ME A
UM DOMINGO... DE PÁSCOA!

(toma e embrulha que sou melhor cá ti)



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GENTE GIRA

A primeira vez que ouvi o nome da tal menina Lyonce Viiktórya julguei que estavam no gozo. Parece impossível, coitadinha da criança, vem ao mundo e já estão a gozar a inocente. Afinal a coisa era pior do que parecia, afinal não era gozo...

Esta semana, já não sei quando, deparei com umas mensagens no Facebook que divulgavam o nascimeto da segunda filha de Luciana Abreu e Yannick Djalo e lá diziam que a nova bebé tinha um nome qualquer... que, desta vez, tive a certezinha que era gozo... Nem nunca mais me lembrei de semelhante assunto.

Fui agora ver o meu e-mail e lá estava... o link a um vídeo que esclarece, muitíssimo bem esclarecido, que a criança nasceu, tem o tal nome e não é gozo. Como se escreve? Bem isso já não sei... Talvez até ninguém saiba... Espero que o registo seja publicado em todos os noticiários e esclareça esta dúvida do povo lusitano.




A canção da mana mais velha...

COMO FAZER UMA SONDAGEM

COMO FAZER UMA SONDAGEM MUITO HONESTA
E SABER OS RESULTADOS À PARTIDA


Ao princípio da tarde, rondando as 15h, entrei num café e dirigi-me ao balcão; enquanto aguardava pela bica, a Água das Pedras e o pastel de nata, deitei uma olhadela à TV: a Sic Notícias - apresentava a peça abaixo exposta e chamou-me particularmente a atenção os rodapés inseridos sobre a imagem. «Está bem, pensei cá para comigo, cada um serve o que lhe apetece». Mas depois...
Mas depois, logo depois, seguia-se a introdução a uma "sondagem de opinião" nos seguintes termos:

28.03.2012 15:16 - Opinião Pública
«ALTERAÇÕES À LEI LABORAL»

«Trabalhar mais 7 dias por ano, receber menos pelo trabalho extraordinário, ter despedimentos facilitados e com indemnizações reduzidas, é isto que espera os portugueses nos próximos tempos. As alterações às leis laborais estão esta tarde em discussão na Assembleia da República, e serão votadas na sexta-feira.
No Opinião Pública desta tarde analisamos as alterações às leis laborais.

Como vê as mudanças proposta pelo Governo?
Qual o impacto que estas medidas terão na economia nacional?
Faz sentido a ideia de facilitar os despedimentos numa altura em que o desemprego atinge valores recorde?
E é a flexibilização do mercado de trabalho o melhor caminho para aumentar a competitividade das empresas nacionais?

Pode participar por telefone, a partir das 17h através dos números 21 416 11 47 ou 21 416 11 48. Pode também enviar um email para opiniaopublica@sic.pt ou deixar um comentário nesta página*. (* - versão on line)»

«Ora aí está uma coisinha limpinha, feita a meio da tarde num dia de trabalho... quem é que, de um modo geral estará a ver TV a esta hora?», continuei eu pensando para comigo, «Ora aí estão umas perguntinhas honestas nas quais nada poderá levar a pensar que possa haver a menor tentativa de influenciar as respostas...»

Obviamente não me passou sequer pela cabeça ver o tal programa "Opinião Pública" - já me vejo exposta a muita porcaria mesmo sem a procurar, quanto mais dar-lhe ouvidos.
Porém...
Porém, agora que estou face a um computador, deu-me para ir à procura da tal sondagem; às 17h42, on line, a coisa só mereceu um comentário. Ahh mas que comentário! Transcrevo-o na integra e tal e qual está escrito na página:

«boa tarde em primeiro lugar quero dar os parabens aos nossos governantes, porque neste país e tudo um paraízo , estam a por os portuguêses a pensar se amanha vão comer os se a noite vai ser longa, em 2ºlugar quero dizer aos governantes que andão a durmir nunca se viu em parte alguma governar os contribuintes so pensando no bolço deles e dos seus familiares e conhecidos isto vai dar para o torto e so não deu ainda porque o povo e sereno .. vivi muitos anos em bruxelas sou qualificado la e não a trabalho para mim tambem como sou anarquista não me ralo muito sei e quero viver sem ajudas do chamado estado de direito que e uma grande mentira isto esta pior que uma ditadura! querem que o povo trabalhe por trócos ja fazemos isso agora não vai dar mais ja metem policias com astroides a bater no povo estam com sorte porque esses policias deverião pençar se tivecem capacidades mentais para isso que se dão porrada num ser humano que ainda por sima e quem les paga o órdenado devem começar a pença - por luis ferreira a 28/03/2012 15:48»
Sem comentários...

Espero que os jornalistas (?) responsáveis tenham conseguido os seus nobres objectivos. Conseguiram pelo menos dar uma ideia do Público Alvo que se dispuseram a atingir. Claro que não vi, nem ouvi, a versão em directo na Sic N... Ahh pois não, ni hablar, olha só do que me livrei.

Não se trata de pessoalmente defender com unhas e dentes, ou não, a nova lei laboral, essa é outra questão; ainda que, pessoalmente, possa entender a necessidade de no momento presente introduzir alterações, das quais a existência de menos 4 feriados ou de mais 7 dias de trabalho não me chocar minimamente, muito pelo contrário. A questão que aqui e agora levanto é outra:
acho intolerável que um orgão de Comunicação Social, seja ele qual for e para mais um com a dimensão, implantação e responsabilidade que a SIC-N tem, se socorra de esquemas viciados e carecas para obter os resultados que pretende dentro de uma esquemática dirigista.


Parabéns Sic N, a isenção é a alma de um serviço noticioso de excelência.

A Sic-N? Então e os outros? Ah, sim, os outros também... mas hoje falei da Sic-N, porque veio a talho de foice, porque foi demasiado evidente. "Opinião Pública"? Opinião Pública "my ass"...



PS - Só a título de curiosidade, e já que falei da notícia que antecedeu a introdução à "sondagem" deixo também o link àquela que se seguiu de imediato:http://sicnoticias.sapo.pt/1445942
(Os trabalhadores da Peugeot-Citroen da fábrica de Mangualde cumpriram pela última vez o turno da noite)

Assim sim, o algodão não engana...

Nota final - As partes inseridas transcritas da página da Sic-N encontram-se escritas em "acordês"; nem me passa pela cabeça escreve-las aqui em português - peço desculpa - mas na hipótese, ainda que pouco plausível, de darem por isso, lá na Sic, não venha aquela rapaziada dizer que lhes ando a modificar os conteúdos... Livra!


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MAIS UMzinho

A população cá do principado não pára de aumentar
No mês passado o número de habitantes da Ala da Gaiola passou de dois para cinco - sem ovos pelo meio - foi assim uma espécie de milagre da multiplicação do periquitos

Ontem a nossa diversificada família aumentou de novo com a chegada de um novo membro
Vejam lá:

ALL THAT JAZZ
(JAZZ, per gli amici)


Sou um Beagle, tenho 3 meses e sou a rica prenda do 10º aniversário do LR


A nossa primeira noite foi... memorável


Quanto ao Grande Steiner, não se preocupem, já percebeu quem manda no circo
Bem... mais ou menos...


PS - Ontem à noite a população canina desta casa ascendeu aos 4, simultaneamente. Só dois são residentes mas uma coisa vos garanto: não foram esses 4 a fonte da maior confusão...


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