Estou triste...
Ao pensar no Luís Andrade só me ocorrem palavras bonitas e agradáveis
Queria escrever aqui alguma coisa especial para ele mas não consigo, só me saiem adjectivos que mais me parecem uma lista das qualidades que se podem buscar num homem...
Não pode ser, tenho de parar...
Sinto-me como se estivesse a render-me a um facilitismo preguiçoso. O que pode uma listagem de características dizer de um homem intensamente apaixonado pela vida, pelo seu trabalho, pelas pessoas?
O Luis Andrade merece mais, muito mais. Merece que o recordemos, que o pensemos, tentando atingir a dimensão da sua vida, da sua generosidade, do Ser Humano que ele foi.
Não consigo. Vou calar-me.
Resta-me sentir o Sol no peito que me deixou o privilégio de o ter conhecido, um bocadinho.
Bons voos, querido Luis, gosto tanto de ti.
Que fique claro:
Não venho aqui defender o ex-ministro Miguel Relvas, nem venho para o atacar, já enjoa.
Sobre Miguel Relvas a única coisa que me ocorre dizer é que é o único tipo destas lides que consegue fazer concorrência, à altura, à cara de parvo de Tó-Zé Seguro.
Sobre a posição do primeiro-ministro, percebo que não tenha querido demiti-lo durante os passados meses: estava a ser pressionado para o fazer e, se o fizesse, abriria um precedente não sem consequências. Não sei se fez bem... talvez não.
Já Miguel Relvas, logo que se levantou a questão da sua licenciatura, deveria ter posto o seu caso à análise da lei e deveria ter apresentado a sua demissão. Não o fez, não sei os porquês nem o que se passou entre ele e chefe do governo. Não sei, não atiro "barro à parede a ver se cola".
Agora vamos ao que interessa, não por mais ministro ou menos ministro mas pela chafurdice e fórróbódó que tem vindo a ser feito em torno da questão.
1- Recentemente centenas de processos foram entregues pela Inspecção Geral do Ensino Superior à Secretária de Estado do Ensino Superior onde estão sendo analisados.
2- A Universidade Lusófona recebeu um despacho do
secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró, relativo à "acção
de controlo conduzida pela Inspecção Geral de Educação e Ciência (IGEC)
ao procedimento de avaliação do ex-aluno n.º 20064768".
3- A U. L. confirma também ter
recebido outro despacho, do ministro da Educação e Ciência,
Nuno Crato, sobre a análise ao relatório final da auditoria interna que
lhe havia sido entregue pela própria U.L.
4- Em causa está uma cadeira
em que Miguel Relvas passou sem realizar exame escrito, quando o
regulamento da universidade o exige e especifica que este tem de ser
escrito.
5- Nuno Crato teve
conhecimento dos primeiros resultados da auditoria em Março e "há alguns
dias", depois de ter acesso ao relatório final, comunicou a decisão de
passar o processo para o Ministério Público ao primeiro-ministro. O ministro da Educação disse que o primeiro-ministro apenas lhe pediu para cumprir a lei e
remete explicações para os tribunais. . 6- A atribuição de graus académicos é da responsabilidade da
universidade e não do ministério. Ao ministério cabe fazer a fiscalização e, se detectadas anomalias, passar o processo para o
Ministério Público". A decisão cabe ao
Tribunal Administrativo de Lisboa.
Pela parte que me toca, I rest my case ,o que havia a fazer está feito e o caso está entregue a quem de direito.
MAS... Sim, MAS... Um grande "Mas"
Entre as enormidades descontextualizadas, e muito bem aproveitadinhas, que ouvi durante esta feira que se realizou em torno da demissão de Miguel Relvas, onde as barracas foram armadas por deputados, jornalistas e outras eminências da politiqueira nacional, pelo nosso Zê Povo que, benza-o Deus, é entendido em tudo e algo mais, não ouvi ninguém,ab-so-lu-ta-men-te-nin-guém, perguntar:
Entre essas centenas de processos encontra-se por acaso o processo referente à licenciatura do Engº José Sócrates Pinto de Sousa?
Ou: O ministro da Educação, do tempo em que se levantou o caso da licenciatura do Engº José Sócrates Pinto de Sousa quando este era primeiro-ministro, alguma vez pediu este processo e o enviou a tribunal para fosse analisado no respeitante aos créditos atribuídos, o exame escrito enviado por fax e sabe-se lá mais o quê?
Ou: Porque é que o Engº José Sócrates Pinto de Sousa nunca apresentou a sua demissão ao presidente da república aguardando que o processo da atribuição do seu grau académico fosse esclarecido?
Durante uma cirurgia que ocorreu na Austrália este macaquinho expressa toda a sua preocupação e ternura para com a sua mãe. Curiosamente não parece minímamente aflito com a possibilidade de alguém estar a pretenter fazer-lhe mal.
Meu Deus... e ainda há chauvinismo para afirmar a pés juntos que estes seres
não têm o entendimento profundo do que os rodeia, e de quem os rodeia.
A comunicação social tem de facto uma capacidade demolidora que raia os limites da perversidade
Acima de tudo dão-se as más notícias - aquelas que chateiam e assustam a populaça. Se não forem muito más enfatizam-se
As boas notícias... são discretas, tímidas e não se repetem a todo o serviço noticioso
Se possível atribui-se às boas notícias um título chamativo e perverso - resulta sempre: a populaça só lê as gordas e desata logo a dizer mal mesmo sem saber o que se passa.
É o caso de uma notícia divulgada hoje que, apesar de me parecer indiscutivelmente boa, está a ser comentada da forma mais idiota e descabida que se possa conceber, graças a um título manhoso que a encabeça.
Já lá vamos...
Como quase todas as mães, e alguns pais, quando tive de me separar do meu filho para voltar a trabalhar, tão pequenino e tão indefeso, foi uma dor de alma, foi mesmo muito mau, muito difícil. Saía de casa de lágrima no olho e não via a hora de voltar.
Apesar de tudo fui uma privilegiada: aproveitei os quatro meses da lei na integra, porque consegui trabalhar até à véspera do parto, e juntei um mês de férias; ou seja, só voltei a trabalhar quando o bebé já tinha cinco meses. Outro dos privilégios que tive foi poder contar com uma empregada da maior confiança, inteligente e mãe, que cuidava do meu bebé em minha casa - sem cresches, sem transportes, sem exposições desnecessárias, sem estranhos. Dentro da dor de alma que, quase sempre, implica essa abrupta separação fui uma afortunada.
Por essa altura, por coincidência ou por eu tomar mais atenção ao tema, falava-se muito nos países que estendem a licença de parto aos primeiros anos da vida dos bebés permitindo a um dos pais, ou aos dois alternadamente, cuidar dos seus filhos até à idade em que entram nos jardins de infância. Nunca tive tanta pena de não viver num país humanamente civilizado como nessa época.
Voltado atrás...
O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, disse:
«"Hoje uma mulher que pretenda ser mãe, mais do que a
disponibilidade financeira, reclama por disponibilidade para uma maior
dedicação. Se tempo tivesse para os acompanhar teria mais filhos”. »
«“Queremos usar verbas europeias para suportar a empregabilidade
parcial”. Uma mãe ou um pai pode vir mais cedo para casa, pode eventualmente vir a
trabalhar apenas meio-dia que o Estado suporta o restante”.»
Alguém, que não seja militantemente "do contra" discorda disto?
Claro que não é a mesma coisa que estender a três anos a licença de parto mas, dadas as circunstâncias económicas que atravessamos, parece-me uma excelente medida.
E qual foi o título escolhido para dar esta notícia? Pasmai:
«Governo quer criar part-times para que haja tempo de 'fazer filhos'»
e em sub-título:
«Governo quer criar part-times para que haja tempo de 'fazer filhos'
O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, fez
saber que o Executivo liderado por Pedro Passos Coelho está a estudar a
hipótese de usar verbas comunitárias para suportar postos de trabalho a
tempo parcial e, com isto, incentivar a natalidade no País.»
Pode ser que seja eu que tenha uma mente perversa mas o que eu retiro daqui é:
" Podem trabalhar menos tempo desde que vão para casa fazer meninos"
Nem mais nem menos.
Obviamente que o que Mota Soares disse foi que o governo quer criar part-times, cuja diferença de remuneração será suportada pelo Estado, para que uma mãe ou um pai possam ter mais disponibilidade para cuidar dos filhos.
«O Sistema Nacional de Compras Públicas, que abrange as aquisições para o
funcionamento de todos os ministérios, alcançou poupanças superiores a
25 milhões de euros em 2012, refere o relatório da Entidade de Serviços
Partilhados da Administração Pública, citado pela Lusa.
Segundo o
documento, a que a agência Lusa teve acesso, a secretaria-geral do
Ministério da Defesa foi a entidade com a maior poupança global no ano
passado, ultrapassando os 10 milhões de euros (10.430.649ME).
A
segunda entidade com uma maior redução de gastos foi a secretaria-geral
do Ministério das Finanças, com 4.448 milhões de euros.
No total, a Defesa e as Finanças representam 65% das poupanças conseguidas.
As
treze entidades que o relatório aponta (de outros ministérios como a
Saúde, Administração Interna, Justiça, Solidariedade, Economia ou
Agricultura) realizaram uma poupança global de 25.775 milhões de euros.
Os
gastos com papel, consumíveis de impressão e serviços de voz e dados em
local fixo (comunicações) representaram a maior poupança entre todos os
ministérios, alcançado uma redução de cerca de 9 milhões de euros.
Já os gastos com o serviço móvel terrestre (telemóveis) revelaram em 2012 uma poupança global de 3.803 milhões de euros.
A
poupança com serviços como vigilância, segurança e refeições
confeccionadas foi também superior a 3 milhões de euros, de acordo com o
documento da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública
(ESPAP).
Os serviços com menores poupanças são as viagens e
alojamento (135 mil euros) e as plataformas electrónicas de contratação
pública (28 mil euros).
A ESPAP foi criada em 2012 e tem por
missão «assegurar o desenvolvimento e a prestação de serviços
partilhados no âmbito da Administração Pública, bem como conceber, gerir
e avaliar o sistema nacional de compras», apoiando «a definição de
políticas estratégicas nas áreas das tecnologias de informação e
comunicação do Ministério das Finanças».
«Uma das principais
orientações estratégicas da ESPAP traduz-se no contributo para o
reequilíbrio das contas públicas, consubstanciado no curto prazo na
geração de poupanças e, no médio prazo, num melhor controlo e optimização
da despesa de compras de bens e serviços transversais e da gestão de
veículos do Estado», pode ler-se no relatório.
O relatório abrange todas as adjudicações efectuadas no período 01 de Janeiro de 2012 até 31 de Dezembro de 2012.»
«O Estado nunca gastou, em 36 anos,
menos do que recebeu. E o que faltava (défice) foi coberto com emissão
de moeda ou de dívida. Como deixámos de poder emitir moeda, ficou a
emissão de dívida. Da qual abusámos. Ora como já não temos quem nos
financie, ou cortamos despesa corrente do Estado (v.g. salários) ou
vamos à falência. Ninguém sustenta um Estado que mantém "direitos" à
custa de dívida … porque não tem economia para os pagar.» Camilo Lourenço, 2 de Abril
Anónio José Seguro, sim, Anónio, é assim que é referido o Tó-Zé-prós'amigos no artigo original, declamou hoje na A.R.
Com aquela carinha que Deus lhe deu (está provado que Deus tem sentido de humor) o Anónio saiu-se com esta:
Pateta mas alegre
«há uma Primavera a despontar, há um Abril a nascer em Portugal»
Por acaso tenho andado a pensar há uns dias que realmente a Primavera já não é o que era...
E mais esta, que me parece um iogurte fora de prazo, era boa há uns tempos mas agora já ninguém a come:
«Exigir pesados sacrifícios aos portugueses nunca foi problema para
este Governo, mas na hora de mostrar resultados refugiou-se em desculpas
e escondeu-se atrás da crise internacional que antes tinha renegado e
agora lhe dá jeito referir»
Ele está a falar de que governo, exactamente?
Desconfio que o Anónio tem um problema de identificação espaço-temporal
«Pela primeira vez desde 1975, Portugal desce no índice de desenvolvimento humano, [é]um país pobre e endividado»
Pela primeira vez desde 75? O gajo marou... Então e quando em Abril de 2010 deixou de haver com que pagar à função pública? Então por que é que o camarada Zé Sócrates foi pedir o resgate que disse que nunca pediria e que estamos agora a pagar acumulando déficit a cada dia que passa? Isto para já não falar das estreitas relações entre o primeiro-ministro Mário Soares e o FMI em 1978 e de novo em 1983.
Agora estou na dúvida... Não sei se gosto mais daquela da Primavera a despontar se desta do porto de abrigo:
«Esta é uma moção de esperança, um porto de abrigo para os portugueses. Essa alternativa é apresentada pelo PS.»
Mas haverá alguém, no seu perfeito juízo, que olhe para o Anónio (só estou a falar do Anónio...) e veja nele o capitão de um porto de abrigo? Só se forem os boys que estão à espera dos jobs . Quando penso naquele gajo como "capitão de um porto de abrigo" só me ocorrem expressões idiomáticas absolutamente impróprias para serem aqui expressamente referidas.
A dada altura o Tó-Zé saiu-se com uma digna de Zé Sócrates. A sério, deve estar em estágio para segunda-feira quando lhe caírem as atoardas que o novo "comentador político" da RTP1 largar em serviço no domingo á noite... Tanto sentido de humor saídinho daquela boquinha de prata plaqué tem de ser fruto de muito estudo e dedicação, muitas horas a virar folhas dos discursos do outro José. Desculpem... Do José, porque "José" não há "outro".
O Anónio disse assim:
Mais uma vez fiquei confusa... Sempre apostaram na via do crescimento económico e no investimento??? Hum...
Talvez a resposta resida na segunda parte da frase: «mesmo quando parecia ser crime falar em investimento». Ou seja, a aposta de membros do governo, e outros servidores do Estado, no investimento em si mesmos à conta dos cargos ocupados e dos dinheiros públicos parece de facto crime à luz da lei... Mas talvez não seja... Eles andam aí na maior como se crime não fosse. Seria disso que o Tó-Zé esteve a falar? Não sei, acho esquisito, não percebo que mais possa ser... Mas que tem graça, ah lá isso tem.
E heis-me chegada à parte hilariante, aquela em que comecei a sentir dores na barriga de tanto gargalhar - aquele tipo tem mesmo muita piada - ora vejam lá:
«Parava com o corte de quatro mil milhões" na segurança social, educação
e na saúde dos portugueses. Aumentaria o salário mínimo e
as pensões mais baixas, cortaria o IVA da restauração para 13%, faria
um plano de reabilitação urbana e criaria um banco de fomento, "a par da
estabilização do quadro fiscal.»
E rematou:
«O PS defende disciplina orçamental»
Com esta não fui só eu que me ri, na bancada do governo tudo gargalhou, Victor Gaspar desmanchou-se completamente.
Ó céus, não há quem aguente!
Depois disto calo-me, que mais poderia dizer? Gand'a nóia?
Por curiosidade fui ver o que tinha escrito do dia a seguir a José ter ganho as eleições pela segunda vez, em Setembro de 2009, não tanto para fazer revisões sobre a situação do país, essas tenho-as bem presentes mas antes para relembrar o que dizia da inefável figura nesse dia.
José é esperto, espertíssimo. José tem uma imensa ginástica mental, é
exímio em flick-flaks mentais, tem o treino e a presença de um bom
mentiroso que não se deixa apanhar em pequenas traições espelhadas na
mudança de expressão facial ou de pequenas hesitações na voz. José
começa uma frase com um "veja bem..." e dá a volta ao tema.
José é bom a
antecipar cenários, joga com as ideias dos adversários, manipula-as
como um ilusionista brinca com duas ou três bolinhas entre os dedos
fazendo-as girar diante dos nossos olhos. E nós apercebemo-nos do que se
passa mas ele já girou as ditas, bolinhas ou ideias, a seu bel prazer.
Com uma enorme "lata", sem perder a pose, José deixa sair boca fora a
maior enormidade, qualquer "está-se-mesmo-ver" com o ar mais cândido ou
indignado, dependendo da fase que atravessa. É claro que também depende
do adversário e isto deve ser tido em conta, por todos, sobretudo por
José. E é...
Soares, e até Manuel Alegre, foram ao beija-mão. A vida
está difícil, por um lado e daqui às presidenciais vai um saltinho, por
outro. Se José está a subir nas sondagens não convém nada irrita-lo, a
Moura Guedes que o diga...
José é uma eficiente e bem oleada
máquina de auto-promoção e de auto-defesa, subreptício no ataque. É, mas
falha. Falha porque, para além de ser uma eficiente máquina José é,
muito obviamente, humano e, como humano, José peca, muito.
José pecou
no seu passado, continua a pecar e não vai parar. José é um pecador
nato.
José é soberbo, orgulhoso e birrento. José é um autoritário que
tenta disfarçar-se de consensual - não consegue. José foi eleito o mais
sexy dos não-sei-o-quê (ele há gente para tudo) e fingiu não ligar
importância; mas é o líder que fala da sua barriguinha. José vive para a
sua auto-imagem, que acarinha e constroi; isto fragiliza-o, não suporta
críticas e quando não consegue fugir-lhes ou refutá-las faz como um
miúdo pequeno: põe um ar pesaroso e apela ao coração: "eu dei o meu
melhor, eu dou sempre o meu melhor". E quem dá o que pode...
Parece-me, sem sequer pretender "puxar a brasa a qualquer sardinha", que desde então José perdeu qualidades; acrescentou-se-lhe um olhar tresloucado, desconcentrado, a raiva de quem quer vencer a todo o custo deu lugar a uma vitimização de adolescente revoltado. José sempre soube vitimizar-se mas vitimizava-se pela "injustiça", não como agora, naquela ânsia desesperada.
José apresentava-se como sento muit'a bom, agora José queixa-se de que era tão bonzinho e os maus fizeram-lhe maldades. José está mais cheio de ódio do que alguma vez esteve, tem sede, quer vingança, sente-se acossado e quer rasgar, esfacelar os seus inimigos.
José é hoje um animal mais feroz do que alguma vez foi mas, para sua desgraça, não é feroz como os amimais ferozes, é feroz como um animal ferido e enlouquecido: o sangue frio e a brilhante capacidade de tourear que tinha deram lugar a uma irreprimível vontade de atacar por o terem ferido.
José está mais fixo no ataque e muito menos atento ao terreno que pisa, está tão mais preocupado em defender-se e acusar que descuida os trémulos alicerces do que traz para dizer - do que tem, compulsivamente, a dizer - mesmo que no momento acabe por expor uma fraca argumentação da sua verdade na precipitação de um discurso preparado. O pseudo-filósofo, homem do mundo e da grande Cultura precisa falar de Narrativas, precisa de citar O Inferno de Dante e o seu personagem principal (?).
José está inseguro, quer esconder "o Sapatilhas" que foi e que ainda lá está acochado num canto da sua história.
Dizia eu, em 2009, que José «tem o treino e a presença de um bom
mentiroso que não se deixa apanhar em pequenas traições espelhadas na
mudança de expressão facial ou de pequenas hesitações na voz». Talvez por falta de microfones, presenças na A.R. e uma pesarosa falta de atenção pública e mediática, José perdeu esse treino; manteve as corridinhas matinais em volta do quarteirão mas, talvez à custa de tanto ruminar pensamentos em solilóquio, deixa agora transparecer espanto e fúria, emoções e pensamentos que tão bem costumava mascarar.
Também dizia eu em 2009 que «José falha porque, para além de ser uma eficiente máquina José é,
muito obviamente, humano e, como humano, peca. José é soberbo, orgulhoso e birrento. José é um autoritário que
tenta disfarçar-se de consensual e não consegue. José vive para a
sua auto-imagem, que acarinha e constroi; isto fragiliza-o, não suporta
críticas.»
José veio para se vingar, para fazer sangue... mas está fragilizado por não ter conseguido, nem após dois anos, suportar a sua derrota.
Cuidado José, há leões na pista... Vai aos treinos, rapaz, vai aos treinos e toma as gotas
«O antigo ministro da Saúde de Cavaco Silva, Arlindo de Carvalho, está
acusado de ter ficado ilegitimamente com mais de 80 milhões de euros do
Banco Português de Negócios (BPN), noticia esta sexta-feira o jornal i.
O despacho de acusação do Departamento Central de
Investigação e Acção Penal (DCIAP), a que o i teve acesso, revela que
Arlindo de Carvalho, ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva, e José Neto,
seu sócio e antigo também governante, seriam dois dos ‘testas-de-ferro’
do esquema comandado pelo presidente do BPN, José Oliveira Costa, para
esconder os investimentos e a aquisição de património pelo grupo
BPN/SLN. Na edição de hoje, o jornal adianta que o antigo ministro de Cavaco e
o seu sócio são acusados pelo Ministério Público de terem recebido
ilegitimamente mais de 80 milhões de euros. Os dois arguidos no processo BPN terão ganho 46 milhões de euros de
financiamento do BPN e 32,4 milhões de financiamento do Banco Insular,
que nunca foram pagos, explica o i, acrescentando que, além disso, os
dois terão recebido ainda cerca de 2 milhões pela aquisição de imóveis a
Ricardo Oliveira, outro dos alegados ‘testa-de-ferro’ igualmente
acusado no processo, mais 889 mil euros de juros creditados
“indevidamente” numa conta pessoal que tinham no BPN. Os dois são acusados de um crime de burla qualificada, abuso de confiança e fraude fiscal qualificada, em co-autoria. »
Só não percebo por que é que em tão pouco parágrafo precisam dizer três vezes que é "um antigo ministro de Cavaco", para já não falar no título em letras gordas mas esse deixei-o lá ficar no pasquim. Não que me incomode mas parece-me despropositado, um gotejar de odiozinho pessoal. Cada um sabe como ter brio profissional.
Talvez seja por saberem que o nosso povo é um cadexinho esquecido...
Já agora, perguntem-lhe também pelo património da malograda Universidade Moderna, pode ser que ele saiba...
«Nicolás Maduro sugere que Chávez influenciou escolha do Papa»
«O presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, sugeriu
hoje em tom jocoso uma subtil influência do falecido Presidente Hugo
Chávez na eleição do primeiro papa latino-americano.
"Sabemos que o nosso comandante está de pé e face a face com
Cristo", disse Maduro, despoletando uma coro de gargalhadas durante uma
iniciativa política, e apenas oito dias após a morte de Chávez, que se
manteve 14 anos no poder.
"Algo deve ter tido influência para que um papa sul-americano fosse
nomeado. Alguma nova mão aproximou-se de Cristo, e disse: Chegou o tempo
da América do Sul. Isso é o que penso", declarou o sucessor de Chávez,
que concorre pelo partido no poder às presidenciais de Abril.»
Pois é, está (é) Maduro mas ainda não caiu da árvore...
Obviamente não "o" estou a ouvir, era só o que me faltava mas já me chegou por mais de uma pessoa ( mais do que duas, mais do que três...) a opinão de que o tipo ensandeceu.
Não vale a pena ficar nervoso;
Para aqueles 25 minutos semanais...
Já me farto de pagar à conta deste gajo,
era só o que me faltava era também lhe pagar para outros o ouvirem.
Querem ouvi-lo?
Entrevistem-no
Convidem-no para jantar
Telefonem-lhe
E não me venham com o pseudo-argumento da "liberdade de expressão"
Ele que se expresse à vontade
mas não me gozem.
Lá vai José andar cheio de preocupações...
«No dia em que se soube que o antigo primeiro-ministro, José Sócrates,
vai ‘regressar’ como comentador num programa semanal na RTP, o director
de informação da televisão pública, Paulo Ferreira, esclarece, em
declarações à Rádio Renascença, que a “decisão editorial” foi tomada
pela “direcção de informação da RTP”.
“O trabalho foi nosso, mas quando chega a um momento de decisão final
comunica-se superiormente que isso vai acontecer, até porque depois há
contingências contratuais que podem ou não vincular a empresa e que,
obviamente, têm de ser avaliadas”, explica Paulo Ferreira.
Face a este esclarecimento, o responsável da RTP foi questionado
sobre se a colaboração de Sócrates vai ser paga. “O que posso dizer é
que, obviamente, a direcção de informação sabe quais são os seus limites
orçamentais e gere o seu orçamento dentro das regras e do momento
actual de dificuldade da RTP”, salienta Paulo Ferreira, que perante a
insistência na pergunta, diz apenas não poder “confirmar nem desmentir
(…) esse tipo de detalhes”.» In "Notícias ao Minuto"
Não estou a perceber nada desta gaita! O director
de informação da televisão pública não pode confirmar nem desmentir esse tipo de detalhes? Por quê? Detalhes? Para mim não é um "detalhe" se estou ou não a pagar ao Zé Sócrates. Pagar por pagar prefiro pagar-lhe a pensão após um julgamento, assim como assim é o que todos nós temos feito, temos-lhe pago a pensão mas em Paris.
Há dias li que o governo norueguês proibiu a Arábia Saudita, assim como empresários muçulmanos, de financiar mesquitas e a sua construção, enquanto subsistir a proibição de construção de igrejas e outros templos religiosos no seu país. «Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes de financiamento de um país onde não existe liberdade religiosa», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês, e acrescentou: «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa onde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita».(Janeiro 2013)
Esta decisão deixou-me a pensar...
Percebo a posição da Noruega e a sua noção de «reciprocidade» mas... Mas é aí mesmo que bate a questão, na «reciprocidade».
Se na Arábia Saudita, e não só, não existe liberdade religiosa, nos países ocidentais existe e, pela parte que me toca, orgulho-me disso. O alinhamento na ausência de liberdade religiosa não faz de nós melhores, muito pelo contrário. Já oiço o argumento rebativo: "há liberdade religiosa mas não deve haver para aqueles que não a respeitam", uma espécie de "toma lá do teu xarope a ver se gostas"... Percebo. Percebo mas mantenho as minhas dúvidas acerca da ética, e eficácia, desta resolução: Nós não somos assim, eles é que são. Alterarmos a nossa posição por causa da deles parece-me um alinhamento por baixo e isso nunca é bom.
Compreenderia se isto viesse a condicionar a emigração - leia-se, ocupação - que os muçulmanos radicais estão a fazer para os territórios "infiéis". A Europa está repleta de muçulmanos que impõem de forma absurda os seus costumes e tradições, que estabelecem fronteiras bairristas onde a lei que vigora é a deles. Isto não é tolerável, a Tolerância nada tem de coincidente com esta prática crescente. Porém não é por não construírem mesquitas que os fundamentalistas muçulmanos deixarão de pretender ocupar o ocidente, continuarão as suas práticas onde bem lhes aprouver, a impor os seus códigos e a fazer muitos bebés nascidos na Europa mas educados a bem da causa do Islão.
LONDRES
Assim não vamos lá, não estamos a lidar com gente normal. Lamento dizê-lo, lamento pensa-lo mas a mera observação demonstra a radicalidade e intransigência quotidianamente.
Falando de fundamentalistas, faço um "intercalado" e já cá volto, desta vez não a Arábia Saudita mas o Irão...
Há dias o presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, foi ao funeral de Chavez e, segundo se vê em vídeo, tocou o ombro da mãe de Chavez - uma mulher não pertencente à sua família e, ainda para mais, infiel. Caiu o Carmo e a Trindade nas ostes fundamentalistas iranianas, os "ayatolas" lá do sítio entraram em alvoroço, Ahmadinejad pecou!
Logo Ahmadinejad apareceu numa foto consolando a mãe de Chavez durante o funeral, já não apenas um toque no ombro mas um abraço, que não aparece em qualquer vío nem se percebe onde possa ter ocurrido... (Prestando atenção ao vídeo vê-se um homem, talvez guarda-costas, tocando no presidente iraniano como que a avisa-lo "estás a esticar-te...")
Não é preciso ser uma águia para ver que a foto está retocadíssima: o fundo foi apagado, algumas pessoas "esborratadas" e nota-se perfeitamente o recorte.
Logo apareceu outra foto e a história complicou-se...
Diz a malta de Ahmadinejad que a foto com a senhora é uma montagem
usando a foto abaixo ao centro; Dizem os religiosos fundamentalistas no
Irão (Conselho dos Guardiães) que a montagem foi feita pelos amigos do presidente usando a foto
que está abaixo à esquerda...
A foto da esquerda não tem "mãozinha", que é obviamente a mesma em ambas as fotos ; O comparsa dos óculos envelheceu imenso da esquerda para o centro; A camisa que aparece entre os dois é a mesma, com as rugas no mesmíssimo sítio, tal como a pequena ruguita no colarinho do presidente; Também as rugas de expressão Ahmadinejad são exactamente as mesmas, até os cabelitos fora da linha capilar.
Por mim é para o lado que durmo melhor, quanto mais eles se lixarem entre si melhor eu durmo, a questão não é essa. A questão é: O Irão é talvez o país fundamentalista islâmico mais perigoso actualmente, a sua escalada nuclear não é algo que possa ser visto com desdém. Sendo Mahmoud Ahmadinejad a boa prenda que tem demonstrado ser até à exaustão, o que pode o ocidente esperar dos comparsas mais "papistas do que o papa" que se escondem na sombra fundamentalista religiosa iraniana? Obviamente Ahmadinejad não lhes chega por muito que nos possa sobrar...
Findo o "intercalado" e voltando atrás...
Como pensarão os Senhores do Mundo Ocidental resolver problemas com gente que vive num outro mundo e que pensa e age de forma tão fechada, determinada, radical e que se move entre a ocupação e a aniquilação?
Não os deixando construir mesquitas? Estamos a brincar, só pode ser.
Por mais que o lamente, sou uma humanista inveterada, parece-me que é mais do que tempo de pegar o boi pelos cornos. Há que estabelecer regras muito restritas e bem pensadas no que concerne à imigração muçulmana e aos direitos e deveres destes na Europa e, até já, nos Estados Unidos; Mesmo a Austrália já tem problemas graves.
Particularmente os países francófonos têm já entre mãos uma ocupação que não tende a acabar bem. Não são problemas culturais nem religiosos, são problemas originados por extremistas, fanáticos, que não reconhecem outra lei que não a sua, que consideram que o mundo lhes pertence - só a eles - e, que em mais casos do que transparece, servem de berço e abrigo a células terroristas.
Intervir no Mali não chega, é o solo que pisamos que está ameaçado.
Não se vai lá com "reprocidade", isso é um ralhete com meiguice. É necessário fazermos valer a nossa cultura, a nossa forma de viver social e individualmente e de não aceitar imposições que nos são aberrantes. Quem não estiver bem que se mude mas AQUI NÃO.
Até quando vamos tolerar isto em condescendência civilizada? Até fazermos perigar a nossa civilização? É tempo de agir.
CANIL DE ÓBIDOS ENCERRA E ABATE TODOS OS ANIMAIS!!!
Apelo a todos
aqueles que gostam de animais que partilhem esta petição, por favor!
Por
estes patudos nada mais se pode fazer, mas podemos indignar-nos,
revoltar-nos e tentar impedir que outros tenham o mesmo fim. Os cães foram abatidos sem aparente razão válida, sem terem hipóteses
de serem salvos já que as associações/particulares que iam ao canil
cuidar destes animais e os divulgavam para FAT's ou adopções não foram
avisados do eminente abate colectivo. Só souberam depois quando nada
havia a fazer.
PETIÇÃO:
Exigimos a responsabilização e esclarecimento sobre o abate de todos os
animais do canil municipal de Óbidos
Eu não sou católica, não posso em consciência sê-lo.
Tenho um desmedido respeito pela religião, pela existência espiritual.
A travessia humana da vida não deve, quanto a mim humilde grão de poeira, ser feita sem considerar a possibilidade de existência da alma; a humana e não só mas nós, humanos, temos uma responsabilidade acrescida pois acrescidas são as nossas faculdades. Creio que temos o dever, para com nós próprios, de pensar sobre quem somos, de onde viemos, o que fazemos aqui e para onde vamos. Não creio que o princípio da causalidade se aplique apenas ao mundo físico. Creio também que a "Sincronicidade: um princípio de conexões acausais", no sentido mais junguiano da expressão, existe e que contém subjacente uma conexão inteligente e não casual - a vida assim mo tem ensinado.
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E não sou católica, não posso em consciência sê-lo porque não encontro eco em mim dos princípios básicos do catolicismo. Choca-me que tantas pessoas sejam "politicamente católicas", a religião, ou a crença espiritual abstracta e não inserida em qualquer religião, são aspectos da vida humana que me merecem mais respeito e seriedade do que a mera opção política.
Posto isto...
O meu filho perguntou-me ontem à noite, quando passavam na TV algumas imagens do Papa, por que é que eu, não sendo católica, tinha dado tanta importância à sua eleição e tinha feito tanta questão de ouvir o seu primeiro discurso. Respondi-lhe mais ou menos isto:
Quer as pessoas queiram quer não o Papa é uma pessoa da maior importância social , com um enorme poder temporal e espiritual; é uma referência para cerca de 1,2 bilião de pessoas no mundo. A pessoa que o Papa é, inegavelmente, reflete-se no mundo, na acção e presença da Igreja, na relação inter-religiões, na própria evolução de grande parte da humanidade.
Só por fundamentalismo obtuso é possível negar a importância do Papa no mundo e ignora-lo é cortar um capítulo fundamental da História.
Sobre o actual Papa, poucos minutos haviam passado sobre a sua eleição, já circulavam as informações mais contraditórias sobre a sua pessoa; em minutos surgiu, de geração espontânea, um verdadeiro exército de especialistas sobre a vida do cardeal Bergoglio. Achei espantoso!
Sobre o actual Papa não tenho opinião formada; o tempo, as suas acções, as suas decisões, o seu pontificado dirá. Aguardo.
Mas em verdade, em verdade vos digo, as minhas perspectivas são elevadas e do, tão pouco, que até agora pude observar nada me faz temer, muito pelo contrário, parece-me uma presença benéficamente diferente, inteligente e promissora. Seria já tempo...
«Na
noite em que foi eleito, o novo Papa ligou ao núncio apostólico em
Buenos Aires para lhe pedir que comunicasse aos bispos, e estes depois
aos fiéis argentinos, que não se deslocassem a Roma para a inauguração
do Pontificado no próximo dia 19. Sugeriu antes que o dinheiro das
viagens fosse canalizado para os pobres, em gestos de solidariedade e caridade.
Quem conhece o Papa diz que esta não é uma atitude extraordinária nele,
é antes natural no seu comportamento, faz parte do seu estilo. O Papa
obviamente não quer impedir os argentinos de vir a Roma, mas prefere
aconselhá-los a mostrar o seu carinho de uma outra forma. Já em
Fevereiro de 2001, quando foi feito cardeal por João Paulo II, Jorge
Mario Bergoglio tinha pedido exactamente o mesmo aos católicos que
gostariam de o acompanhar. Resultado: o então cardeal argentino tinha
uma das mais pequenas delegações presentes nesse consistório. 2. Posso sentar-me?
Ainda alojado na Casa de Santa Marta, enquanto o apartamento Papal é
preparado, toma as refeições com os outros cardeais. Quando chega mais
tarde, simplesmente procura um lugar livre numa mesa para se sentar, tal
como todos os outros.
3. Eu vou de autocarro Depois de ter
saudado o povo na varanda da basílica de São Pedro, já como Papa
Francisco, recusa o carro oficial. O cardeal Timothy Dolan descreve
assim esse momento à cadeia de televisão americana CBS: "Há cinco ou
seis autocarros para levar os cardeais de volta à Casa Santa Marta. Via
ali o carro do Santo Padre e a escolta, a segurança, as motas. Pensei
que tudo tinha voltado à normalidade, que o carro do Papa teria voltado
ao serviço. Nós fomos de autocarro. Outros cardeais esperaram para
saudar o Papa. E quando chega o último autocarro, adivinhem quem desce? O
Papa Francisco. E imagino-o a dizer ao motorista: 'Sem problemas, eu
vou com os rapazes de autocarro'". Esta sexta-feira de manhã, depois
da audiência, voltou a seguir de autocarro, com todos os outros
cardeais, como provam as fotografias tirada no interior do veículo.
Também quando saiu pela primeira vez do Vaticano, esta quinta-feira,
para se deslocar à Basílica de Santa Maria Maior, dispensou a segurança
apertada e o aparato de viaturas habitual. Não quis uma comitiva e
seguiu num carro simples, preterindo o que é disponibilizado pela
gendarmeria, a polícia do Vaticano.
4. Queria pagar a conta, por favor
No regresso ao Vaticano depois da sua primeira iniciativa como Papa -
rezar a Nossa Senhora - quis fazer uma paragem no caminho. Foi à Casa do
Clero, onde esteve hospedado, para ir buscar as suas malas e pagar a
conta. Segundo o porta-voz do Vaticano, queria dar o exemplo daquilo que
todos os padres e cardeais devem fazer.
5. Como está a sua família?
Uma vez na Casa do Clero fez questão de cumprimentar todos os
funcionários. Este é o sítio onde costuma estar hospedado sempre que vem
a Roma, por isso ali conhece as pessoas há vários anos. Quem assistiu
ao momento descreve-o como muito comovente. O Papa Francisco lembrava-se
dos nomes de cada um e a todos foi perguntando pelas suas famílias e
situações pessoais.
Lá se foi o protocolo!
6. Um abraço e dois beijos No encontro com
todos os cardeais, esta sexta-feira de manhã, foi muito caloroso,
afectuoso e, sobretudo, descontraído. Os cardeais alinhavam-se em
fila para o cumprimentar, mas, no caso dos cardeais da China e do
Vietname, foi o Papa que beijou o seus anéis, em sinal de respeito pelo
sofrimento dos católicos naqueles países. Abraçava também alguns
cardeais e cumprimentava a maioria com dois beijos. Quando o cardeal
sul-africano Napier lhe ofereceu uma pulseira de borracha amarela e
verde, de uma campanha da Igreja daquele país, colocou-a de imediato no
pulso direito.
7. Que Deus vos perdoe por me terem escolhido Também junto dos cardeais, a quem chama "irmãos" e aos quais se refere
como "uma comunidade baseada na amizade", brinda nestes termos depois da
eleição, ao jantar: "Que Deus vos perdoe pelo que fizeram".
8. Dispenso o ouro e os sapatos vermelhos
Continua a usar os sapatos pretos que trouxe de casa, não adoptou o
calçado vermelho habitual e disponível no seu tamanho no momento em que
se preparou para aparecer vestido de branco depois da eleição. Continua a
utilizar a cruz simples de metal que usava ainda antes de ser bispo,
recusou a cruz de ouro e pedras preciosas.
9. Improviso Em todos
os momentos públicos em que falou, improvisou sempre. Improvisou na
primeira homilia, na Capela Sistina. Uma homilia muito simples,
acessível e em italiano, ao contrário de Bento XVI, que fez a sua em
latim. E de pé, no ambão, não na cadeira Papal. Voltou a improvisar na
homilia da missa desta manhã, na Capela de Santa Marta, e no encontro
com os cardeais.
10. Curvo-me perante a vossa oração Logo quando
é anunciado como Papa e aparece perante os fiéis na Praça de São Pedro,
começa por dar alguns sinais de que o seu comportamento não será igual
ao de outros chefes da Igreja Católica. Não usou a capa vermelha dos
pontífices e estava simplesmente de branco, tal como São Pio V, o Papa
dominicano que não quis trocar o hábito branco da sua ordem e assim deu
início à tradição das vestes brancas papais. Quis ter ao seu lado o
cardeal vigário de Roma na varanda, algo inédito, não falou formalmente
em latim. Também de forma original, pediu que rezassem por ele enquanto
se inclinava perante a multidão. Pôs toda a gente a rezar as orações
primárias da Igreja: um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória.»
A única Deusa que conheci
Faz hoje 20 anos que voltou para casa
Era um ser extraordinário
Na pouca convivência que tive o privilégio de ter com ela ensinou-me várias coisas importantes que nunca esqueci e que, de alguma forma, moldaram algumas caracteristicas que se incorporaram na minha maneira de ser, de estar, de ver a vida.
Quando a Natália se deparava com algum assunto que a interessava (e quase tudo a interessava) mas do qual não sabia grande coisa não se ficava pelo "não sei"; Abria enciclopédias, comprava livros, fazia perguntas... Às vezes vezes penso como seria a Natália com um "Google" nas pontas dos dedos... Feliz, sem dúvida.
Certo dia, no meio de um comício, eu estava a fazer "cordão de segurança" não porque se apresentasse qualquer perigo mas apenas para delimitar um espaço. A Natália levantou-se e veio direita a mim com um ar zangado, de testa franzida, agarrou-me por um braço e disse-me:
«Venha comigo porque quero explicar-lhe duas ou três coisas que a menina já tem mais do que idade para saber. Primeiro: as mulheres não são homens e não fazem as coisas que compete aos homens fazer se souberem ser mulheres. Faz favor de não andar de cavalo para burro. E esta não é uma questão de época, é uma questão de sabedoria, percebeu? Segundo...»
Eu percebi. Esta e outras coisas inesquecíveis que me disse.
Tenho saudades dela, sei que nunca mais encontrarei uma pessoa assim, era única.
Um enorme e caloroso abraço Natália, lá onde estiver... aprendendo e sentindo, sempre
O sol nas noites e o
luar nos dias
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Natália Correia
Poesia Completa
Publicações Dom Quixote
1999