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PRÉMIO "VIRAR O BICO AO PREGO" 2015

A grande tirada do Toni:

«Grécia é a ilustração do que seria Portugal "se não houvesse o PS"»

António Costa afirmou que os socialistas oferecem uma alternativa que rompe com a austeridade, mas que "não se mete em aventuras"

TVI 24 ON LINE 4 JUL.2015

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Nem comento, se me começo a rir até me pode dar uma coisinha má



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ALEXIS PILATOS

Ai coitados dos gregos... Sim, é verdade, coitados dos gregos mas a verdade é que quem semeia ventos colhe tempestades.

Quando o Syriza ganhou as eleições houve uma histeria  além-fronteiras das esquerdas festivas: Agora é que era, o Syriza ia mostrar à Europa que o povo venceu, que ninguém manda em quem não se deixa comandar. Ó céus... Não, o Povo não venceu, o povo, em desespero, fez uma aposta num caminho ainda não percorrido, agarrou-se a uma esperança atormentada de "tudo ou nada" já que o nada estava garantido e perto. A aposta era onírica, o nada chegou.

Olhando aquela rapaziada não era preciso ter luminárias na testa para adivinhar o desfecho de tão bonitas e ilusórias decisões de mudança radical; já foi demonstrado à saciedade que o mundo não é dos espertos, mesmo os sábios aliam-se ao tempo e à espera para provarem a sua razão...
Haverá quem se lembre de me ter ouvido dizer em Janeiro "Dou-lhes seis meses"; em Abril, quando Alexis Tsipras foi pedir batatinhas ao embargado Putin, escrevi aqui:

«Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.
(.../...) O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heróico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. »

 De facto Tsipras não é estúpido... Por mais parvo que tenha sido ao partir para uma negociação que sabia não poder manobrar sem trair todas as ilusões que criara, sem perder o apoio do Syriza  e da esquerda eleitoral, deverá ter tido presente que não se pode  negociar sem ceder, sem assumir compromissos que refutou em absoluto;   Tsipras não é estúpido... Como Pilatos não era... "Eu tentei, eles não deixaram, agora decidam vocês". Game Over! Até nem fica mal na fotografia, até que esta vá parar aos livros de história.

O povo grego tem pela frente um dos momentos mais críticos da sua existência, é óbvio, mas não é apenas (como se não bastasse) a saída da comunidade europeia e o regresso ao dracma... Outra espada, da qual ninguém parece querer falar, levita sobre a cabeça dos gregos: Quem estenderá a mão a uma Grécia falida e isolada? Não foi a eventual saída da Grécia da União Europeia que levou Obama a telefonar a Merkel, esse será o lado para o qual ele dorme melhor, o que lhe tira o sono e, se pensarmos bem nos dará pesadelos, é o facto de Putin estar à espreita, esfregando as mãos e acendendo velas a S: Nicolau de Mira, padroeiro da Rússia... e da Grécia.
E, ao longe, ouvem-se os chineses sussurrando:"Segundos, estamos aqui..."

. ACTUALIZAÇÃO  ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO
ALEXIS NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Felizmente não tinha ainda ouvido as  declarações de Tsipras quando escrevi o que se lê acima; digo felizmente porque duvido que tivesse mantido a desejável calma e compostura a que Bloguece Oblige.

Acabei de ouvir o primeiro-ministro grego e não queria acreditar na representação descaradamente manipuladora que personificou perante as câmaras da televisão pública grega.
Não posso, não devo, aqui adjectivar a intenção de consequência das suas declarações (transmitidas na SICNOTÍCIAS no Jornal da meia-noite e que entretanto desapareceram dos vídeos on line onde aparece apenas o inicio da "coisa-a-fingir-que-é-uma-entrevista",  mas posso cita-lo:
"Apelamos ao povo para que o (acordo) rejeite em maioria. Quanto maior for a percentagem de "não" maiores serão as armas do governo grego para relançar as negociações.
(.../...) Se o povo grego quer continuar com medidas de austeridade, com planos de austeridade que nos escravizarão, se o povo quer assistir a uma "fuga de cérebros", se o povo quer uma elevada taxa de desemprego e novos empréstimos, se essa for a escolha dos gregos, vamos respeitar essa escolha mas não seremos nós a concretizá-las.
Por outro lado, se queremos um novo futuro, com dignidade, devemos fazer isso juntos porque os povos têm poder." 
Absolutamente espantoso este Tsipras!!!
"They will not kick us out of the eurozone because the cost is immense."

Mais espantoso só conseguiria ser se conseguisse explicar onde vai buscar esse "novo futuro com dignidade" sem medidas de austeridade, sem elevada taxa de desemprego, sem novos empréstimos. E também fico curiosa relativamente ao "acréscimo de armas" que representará para o seu governo uma maioria de "Não".
Terá um "acréscimo de armas" argumentativas sim, para argumentar várias atitudes e decisões, mas não nas negociações com a União Europeia, muito pelo contrário.

Não tenho palavras para tanto, ou até terei, mas, por respeito por vós e por mim, não as usarei.

LISBOA - UMA CIDADE, DUAS NAÇÕES CLUBISTICAS

Não sou "doentinha" pelo pelo meu clube, nem por sombras, Dá-me algum calor nas veias quando há jogos especiais, durante o decorrer do campeonato "corro na pista 9" com uma vaga ideia de da classificação relativa.
Porém...
Costumo dizer, mais a brincar do que a sério, que só se é do Sporting por amor, porque interesse tem pouco. Não me preocupa de todo se o meu clube ganha, claro que gosto que ganhe mas não é por isso que sou mais ou menos sportinguista. As pessoas podem mudar de partido político, de cônjuge, de gostos, de religião até, mas raramente mudam de clube desportivo. Vá-se lá entender isto.

Creio que nesta coisa dos clubes também "há razões que a razão desconhece" e, por vezes, essas razões, pelo menos em parte, afloram ao mundo dos factos.

Facto:
Ontem, em Alvalade e arredores, não havia polícia, ninguém arremessou garrafas, ninguém andou ao estalo, ninguém partiu, destruiu nem roubou, ninguém incendiou contentores do lixo e eu pude dormir descansada, de janela aberta, sem ouvir urros nem chinfrineira.


DESCUBRA AS DIFERENÇAS...


Conclusão? Quem conseguir que a tire.

ESTOU VERDE!

A maior parte do jogo a perder
A jogar com 10
O (grande) Rui Patrício lesionado
numa final a penalties...

É PRECISO TER GARRA!
PARABÉNS SPORTING


10 de JUNHO - A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA

O QUE VAIS FAZER PELO TEU PAÍS 
NO DIA 10 DE JUNHO?


ou por aqui:
https://www.facebook.com/events/375537305989546/

CHEGA DE TANTA PREPOTÊNCIA, 
OS PORTUGUESES NÃO QUEREM ESTA IDIOTICE

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REAL GANA, O FORA-DA-LEI

Amanhã quarta-feira, dia 13 de Maio, cumprem-se os seis anos do período de transição do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa sendo que este entra em vigor em Portugal.

A partir desta quarta-feira os portugueses estarão legalmente obrigados ao uso da grafia estabelecida pelo acordo

Isto é de alguma forma estranho pois, se por um lado, o governo, que herdou esta medida,  tem utilizado o "Acordo" nos seus organismos, por outro, o primeiro-ministro, ou antes, Pedro Passos Coelho, quando escreve pessoalmente, por exemplo no Facebook, fá-lo em português livre, correcto e desacordado.

Quem segura as rédeas desta infâmia?

O acordo foi assinado em Lisboa em 1990, por representantes de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. 
O Acordo Ortográfico é uma convenção internacional, que em Portugal foi aprovada por resolução da Assembleia da República em 2008.
A nova grafia é usada desde 01 de Janeiro de 2012 nos documentos do Estado, nos serviços, organismos e entidades na tutela do Governo, bem como no Diário da República 
O Acordo Ortográfico foi ratificado por Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe mas poucos o puseram em prática. Não foi ratificado por Angola nem por Moçambique. Em Angola não foi ratificado por qualquer órgão político, em Moçambique foi aprovado em Conselho de Ministros, mas não ratificado pelo parlamento não se encontrando assim em vigor.   
No Brasil o Acordo Ortográfico viu a sua prática adiada para 2016.
Mais informação sobre esta "obrigatoriedade":

Jurista defende “dever de desobediência” à utilização do novo Acordo Ortográfico

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 A partir de amanhã o Real Gana será um fora-da-lei sem redenção.
Quem não estiver de acordo que não venha por cá, a gerência agradece.
Não sei qual é a pena aplicável pelo desrespeito da nova grafia, se existe ou se será apenas ser-se apelidado de ignorante (o que teria uma certa graça)


Não sei que caminho os portugueses irão tomar relativamente a esta questão, provavelmente haverá uma minoria anexa a funcionários públicos e a escrevinhadores de comunicação social que aderirão a esta vergonha ridícula e uma maioria que continuará escrevendo em português etimologicamente correcto.

O que me lixa é ter consciência de que, por este caminho, a bandalheira linguística vencerá, é uma questão de tempo... E os bandalhos que arquitectaram este assassinato sabem que assim é, esperam pacientemente que morram todos os que não aderem a esta porcaria e sabem também que os filhos destes já não terão escolha: são ensinados de acordo com a vontade dos bandalhos e prestarão provas em que serão desclassificados se puserem letras, acentos e hifens em su sítio.

É verdade, não posso levar o meu filho a escrever correctamente sob pena de o prejudicar na sua vida académica. Somos reféns.

COMO RAPTAR UMA CRIANÇA

Não se trata de um mero video de chamada de atenção, é uma experiência real e, se no caso, se trata de crianças bastante pequenas, outros "truques" há que se mostram eficazes com crianças mais crescidas ou até com adultos. Basta que seja usada uma qualquer "formula" que perturbe o alvo e o leve a não raciocinar correctamente, como: "Eu vim buscar-te porque a tua mãe teve um acidente" ou esquema semelhante.

Prevenir, alertar, ensinar, demonstrar.



E o que faria se presenciasse uma cena suspeita com uma criança?
Sim... De certeza?

SEM TÍTULO, SEM NADA

Há pouco escrevi no Facebook:

O Dia da Mãe é dos melhores dias quando somos filhas e ainda melhor quando somos filhas e mães; um enorme privilégio, só falta as luzinhas para ser melhor do que o natal.
É de facto um enorme privilégio... É bom ter isto presente.
Para mais assim, como eu que estive com a minha Mãe, o meu filho, comodamente à boa mesa, na boa gargalhada e aninhada na insubstituível intimidade e à-vontade de estar em família.

Pouco depois entrou-me  olhos dentro uma fotografia que se alojou no meu peito até transbordar... Não digo nada, nada há a dizer que não seja sabido, supérfluo, ridículo.

Quando se é mãe, digo, Mãe, não se é mãe apenas dos nossos filhos, é-se Mãe de todas as crianças do mundo; sei que soa a frase feita, poética, romântica, mas as Mães, provavelmente só elas, sabem que isto é verdade como punhos.

Se conseguisse rezava.
Se pudesse metia-me num avião e ia abraça-los; se fizesse sentido trazia-os daquele inferno e oferecia-lhes a família que a vida lhes roubou.
Deus Pai... onde estás?

Two and a half year old sister protected by four year old brother in Nepal.
Perhaps one of the most divine picture of the century!

QUAL CATWOMAN QUAL CARAPUÇA

A nova super-heroína da América chama-se Toya Graham, tem 42 anos e é mãe solteira

A polícia de Baltimore agradeceu-lhe e referiu que se existisse uma maioria de mães como ela metade dos problemas dos jovens estariam a bom caminho de se resolver

O adolescente Baltimore que foi esbofeteado pela sua mãe com raiva durante os distúrbios de segunda-feira - um momento visto em um vídeo que rapidamente se tornou viral - diz que aprendeu uma lição com a sua humilhação pública.  
Baltimore Police Commissioner Anthony Batts seemed to agree.
"I wish I had more parents who took charge of their kids tonight," 
.Pastor Jamal Bryant told Inside Edition:
“I wish all of the parents of Baltimore would take on her spirit and go pull your children out of the streets,”  
Toya Graham even got a nod from White House press secretary Josh Earnest, who called the confrontation a "powerful expression about the role that parents can play."
Toya Graham told "CBS This Morning" that she doesn't feel like a "hero.""I don't," Graham told "CBS This Morning" on Wednesday. "My intention was just to get my son and have him be safe." 
For his part, the teen said he understands why his mom smacked him. 
"I understand how much my mother really cares about me," Singleton told ABC News. "So I'm just going to try and do better."
Ora vistis...

Um bom par de tabefes no momento certo nunca matou ninguém nem é trauma para o resto da vida, pelo contrário, pode ser uma excelente "vacina" para infecções graves, por vezes letais. Abençoada mãe que não fica a olhar nem deixa de fazer o que deve por estar em público.

Ser Mãe é pôr o filho em primeiro lugar, o resto... que se lixe.

RACISMO? " I am an American"

Ontem, antes de apagar a luz para dormir, fiz a habitual voltinha dos canais de informação; a CNN transmitia a loucura que se passava em Baltimore. Uma manifestação pacífica e bastante ordeira tinha sido, em minutos, transformada numa batalha campal de agressões à polícia, destruição de automóveis da polícia e civis, ataques e pilhagem a estabelecimentos comerciais, à pedrada e com fogo posto, por parte de jovens negros. Jovens? Muitos pouco mais eram do que crianças espigadas nos seus casacos de capuz de adolescentes "ousiders".

Mas esta parte já tinha passado, agora os bombeiros tentavam vencer um enorme fogo que atingia edifícios comunitários novos, recém inaugurados. Segundo os vários repórteres, a situação estava longe de ser geral, restringia-se a alguns pequenos bairros da periferia.
A dada altura, onde se encontrava um dos repórteres da CNN, duas dezenas de FEDELHOS, miúdos de liceu, berravam no meio da rua, incitavam o cordão da polícia que a fechava, lançavam uma ou outra pedra que estivesse à mão. Desenhavam mais uma cena triste e complicada a materializar-se a qualquer momento.

Então um homem idoso, negro, magro e seco, caminhou até ao centro da via e ficou parado a olhar para os fedelhos;
"Get your butts home", disse-lhes, "go home kids".
A cena repetiu-se, não foi rápida, foi uma atitude, uma resolução e ele não saía dali, parado, mãos nos bolsos das calças, queixo levantado.
O repórter da CNN acabou por ir ter com ele...

Abaixo está um excerto ( e vídeo) da conversa que tiveram, precocemente interrompida para transmitirem em directo a comunicação do Governador.

A Vietnam veteran took to the streets of Baltimore amid utter chaos on Monday night and urged rioters to go home. He also delivered an amazing, impromptu message on live TV after a CNN reporter approached him.
The man, who identified himself as Robert Valentine, said the violent rioters do not “respect” the death of Freddie Gray or the family’s feelings. Gray died of a serious spine injury while in police custody, sparking unrest in Baltimore.

“Here’s number one: I did 30 years, OK? I came out a master sergeant. I’ve seen more than all of this. I’ve been through the riots already,” Valentine told CNN. “This right here is not relevant. They need to have their butts at home. They need to be in their home units with their families studying and doing something with their life — not out here protesting about something that’s not really about nothing.”He continued: “They do not respect this young man’s death, you know? Now, momma and daddy done lost a child — that could be them. So, I’m very pissed.”

When asked if he was concerned about his own safety, Valentine replied, “I love my country, I love my charmed city.”
“And I’m an American,” he added. “I’m not black, white, red or yellow — nothing. I am an American.” 
CNN host Anderson Cooper dubbed the man a “hero” for his bravery in Baltimore. (texto na ABC TV on line)

Também abaixo se encontra um video mostrando uma mãe que viu o seu filho na TV e foi busca-lo... de forma eficaz e absolutamente apropriada. Mais houvera.

E declarações... de dois americanos, ambos negros, um habitante de Baltimore, outro habitante da White House.

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Existe um problema de brutalidade policial? Obviamente que existe

Existe uma taxa de criminalidade concentrada nos bairros predominantemente negros? Obviamente que existe.

Existe um problema a resolver na forma como a polícia aborda estas populações? Não, existem vários, diversos e de ambos os lados.

A polícia não pode ter medo de combater criminosos, sejam eles de que etnia forem.

A polícia não pode ser prepotente por ser "a polícia"

Um negro (ou qualquer outra pessoa) não pode ser tratado com luvas de veludo para não se cair em "discriminação racial"

Não existe qualquer confusão entre Exercício de Direitos e Abuso de Poder; seja por parte da polícia seja por parte de qualquer individuo ou grupo étnico.

Os Estados Unidos são uma comunidade racista na qual não existe igualdade de oportunidades?
Look at the guy at the top, please...

Existem racistas nos EUA? Os EUA situam-se no planeta Terra...

O racismo, violento ou encapotado, é uma exclusividade dos caucasianos?
Vide Oprah Winfrey - Nunca violenta, sempre generosa, produtora de verdadeiros incitamentos à rebelião negra, dissimulada na história e cultura americanas, onde ela se tornou numa das mulheres mais ricas e influentes dos EUA.


 #BaltimoreRiots:  A mom reacts after seeing her son on TV throwing rocks at police. What do you think?
 Tuesday, April 28, 2015


I've got a message for the rioters in Baltimore. #BaltimoreRiots
Posted by Ray Lewis on Tuesday, April 28, 2015




"That is not a protest, that is not a statement, that's a hand full of people taking advantage of a situation for their own purposes and they need to be treated as criminals". B. Obama - 28/04/2015

ZORBA A DANÇAR AS CZARDAS

O governo grego, já para os próximos dias tem a entregar ao FMI o primeiro pagamento, de 448 milhões de euros, referente ao primeiro resgate financeiro de 2010 até 9 de Abril, um outro de 200 milhões para os mercados  a 1 de Maio; a 14 tem a pagar 1700 milhões em salários e pensões...

O pagamento ao FMI estará garantido e o respeitante aos mercados estará pela metade (segundo analistas em Bruxelas). Depois virá o grosso do pacote em Junho e nos dois meses seguintes... Esses estão actualmente a descoberto, assim como o funcionalismo do Estado grego.


No passado domingo, após um encontro informal em Washington, com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, Yanis Varoufakis garantiu que a Grécia “tenciona cumprir todas as suas obrigações para com todos os seus credores. O governo grego sempre cumpriu as suas obrigações e continuará a fazê-lo.” 

(Ouvem-se vozes de "apoiado, muito bem, tens uma g'anda lata" )


No dia seguinte, segunda-feira passada, dia em que as negociações técnicas foram retomadas em Bruxelas, Lagarde e Varoufakis encontraram-se com responsáveis do Tesouro norte-americano, entre eles o sub-secretário Nathan Sheets, encarregado dos assuntos internacionais e a conselheira do Presidente Barack Obama para a economia internacional, Caroline Atkinson. 


Mas na política, entre o que se ganha e o que se perde, baralha-se, volta-se a dar à espera de que tudo se transforme...



Alexis Tsipras, foi direitinho a Moscovo onde se reuniu com Vladimir Putin, não sem antes ter o cuidado de defender o fim das sanções da UE à Rússia, cuja economia está em recessão. Na agenda do encontro Tsipras-Putin estão restrições russas a produtos alimentares gregos e as relações bilaterais. Uma fonte do Kremlin admitiu que a Rússia poderá fazer descontos no gás que vende à Grécia. Segundo o gabinete de Tsipras, a reunião com Putin servirá para discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia, turismo, energia, investimento e comércio. 


"Discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia" ??? O homem ensandeceu ou tem um mandato secreto?

Foi declarado para a imprensa que não estão previstas ajudas económicas de Moscovo a Atenas...
Considerando a actual recessão russa e a política internacional que Putin insiste em manter não vale a pena "o roto e pedir ao nu que lhe empreste umas roupitas".

Pergunto eu, então o que foi Tsipras fazer a Moscovo?

Digo eu, asneiras, mais asneiras. Foi por-se a jeito, mostrar o rabo e chegar à previsível conclusão que dali não vem 1 litro... a menos que levasse 5, ou 10.

Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.

Horas antes do encontro Tsipras/ Putin, Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, foi avisando:
"A Grécia pede e obtém muito solidariedade da União Europeia. Podemos assim também pedir solidariedade à Grécia para que não saia unilateralmente das medidas conjuntas. As suas acções em Moscovo devem ser baseadas nisso". "A União Europeia espera isso dele como chefe de Governo de um Estado-membro"."
"Criámos as fundações para um novo relacionamento entre os dois países", assegurou esta tarde o primeiro-ministro grego. Alexis Tsipras falava após o encontro com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscovo, onde defendeu o fim das sanções impostas pela União Europeia no rescaldo da intervenção russa no leste da Ucrânia."
 (in Blooberg TV)
(Então mas afinal a Rússia sempre interveio no leste da Ucrânia? O Kremlin sempre o tem vindo a negar...)

As agências internacionais escrevem que Moscovo e Atenas se preparam para assinar acordos comerciais em diversas áreas, com o objectivo de estreitar relações ao longo dos próximos três anos.
"Segundo avança o jornal russo Kommersant, citando uma fonte do governo de Putin, na calha poderá estar a oferta de gás russo mais barato e eventualmente empréstimos a Atenas, em troca de acesso privilegiado às privatizações gregas. A Grécia compra 57% do gás que consome à Rússia, e já em 2013 a Gazprom tentara, sem êxito, comprar a grega DEPA. Moscovo estará ainda disposta a levantar o embargo, com que retaliou os países da União Europeia, para apenas permitir a entrada de produtos agrícolas gregos." (in Blooberg TV)
Vladimir Putin, mostrou grande interesse em dinamizar as relações comerciais entre os dois países e em participar em negócios na área da energia - designadamente para estender o gasoduto que promete ligar a Rússia à Turquia (através do mar Negro) a território grego, transformando a Grécia (em vez da Bulgária, originalmente envolvida no falhado "south stream") no "hub" de distribuição de gás para os Balcãs e para Europa central. O governo grego, assim como o governo  húngaro de  Viktor Órban, querem financiamento europeu para um troço deste projecto, conhecido por "turkish stream", por intermédio do "plano Juncker", destinado a relançar o investimento na União Europeia."(in Jornal de Negócios on line) 
O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heroico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. 

 Mas há coisas que o governo grego ainda não percebeu... 

 Assim como não existem empréstimos incondicionais, nem perdões de dívida a um Estado (muito menos quando outros Estados, como por exemplo Portugal, se esfarrapam para conseguir cumprir os seus compromissos de pagamento), assim como não se vence as acordadas exigências da "troika", com arrogantes tomadas de posição de "No meu governo mando eu"; também não se dobra a tomada de posição da União Europeia ao decidir impor embargos económicos a um país invasor de um Estado independente e soberano. A aldeia global existe e não é apenas virtual, o individualismo estatal está morto. 

 E mais..

Pergunto-me o que pensará o povo grego, ocidental por cultura e tradição, ao ver o seu país furar o conjunto de castigos económicos  e isolamento de um Estado agressor e invasor de um outro Estado soberano. Talvez seja tempo de Tsipras fazer umas revisões e lembrar o que opôs Atenas e Esparta. Embora os guerreiros tenham vencido a guerra do Peloponeso foram engolidos pela história e pela degradação do mundo helénico.

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OS LUCROS DOS TRABALHADORES

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Tenho um amigo que publicou hoje, a propósito de uma notícia que saiu no passado dia 24/03, a seguinte exclamação da sua alma em revolta:
"Privatizaram a Lisnave para agora aparecerem estes resultados desastrosos? ... Paralisação, Já!"
Solidarizei-me de imediato partilhando a sua indignação; há que lutar pelos direitos dos trabalhadores e pela distribuição de riqueza.
Para quando um Nicolás Maduro em Portugal que nos defenda? 
Razão têm os Syrizas ao guardarem as suas nacionalizações populares, o sector privado é uma miséria para o povo. Quem precisa dos milhões que uma privatização dá aos cofres do Estado se depois os resultados são estes?
E não há-de o povo estar chateado...

(Pois é, tenho dias em que acordo para o lado esquerdo... Hoje deve ter sido o caso, está mesmo a apetecer-me uma manifestação de protesto domingueira seguida de uma greve geral à segunda-feira. 
Então ninguém trata disso?



"A Lisnave vai distribuir 1,2 milhões de euros pelos trabalhadores efectivos como "gratificação de balanço" pelos resultados alcançados em 2014. "
"Ou seja, um lucro líquido de 6,47 milhões de euros, anunciou esta quinta-feira a empresa de reparação naval de Setúbal.
A decisão foi revelada em comunicado divulgado após a Assembleia Geral de Accionistas da Lisnave, realizada esta quinta-feira, em que foi aprovado o Relatório de Gestão e Contas de 2014.
De acordo com o comunicado, a Lisnave reparou no ano passado um total de 92 navios de 21 países, "apesar do volátil e adverso contexto que vive o mercado do shipping internacional", tendo registado um volume de vendas de 85,67 milhões de euros.
O comunicado salienta ainda que a Lisnave exporta 98 por cento da produção, com uma incorporação nacional superior a 90 por cento. "Agência Lusa" - "Jornal I"
E não digo mais nada

MAIS VALE ESTAR CALADA

Tenho estado muito calada... Pois tenho, o estado do mundo dá-me conta da cabeça.

O suposto "Estado Islâmico", o filho da senhora Putin, as imagens da Ucrânia, o Boko Haram e as crianças a quem vestem coletes-bomba na Nigéria, Al Assad e o sacrilégio da Síria, o nó górdio no Irão, o Yemen a explodir. E todas as outras loucuras incompreensíveis... Obras de arte milenares destruídas, atentados terroristas, milhões de refugiados em tendas de armazéns apátridas, assassinatos impunes, perseguições religiosas, confrontos pseudo-racistas manipulados por motivos bem claros e bem obscuros
Não consigo alhear-me; não sei se o lamente se me congratule.
Não consigo sentar-me frente a um computador e do alto do meu conforto dissertar acerca da desgraça alheia que também é do meu mundo, não tenho fuga.
Prefiro não perder boas ocasiões para estar calada, o pudor de me sentir triste olhando o mundo sobrepõe-se a qualquer verbalização dessa tristeza ao ter consciência do privilégio de viver em paz.
...De nada me queixo, até teria vergonha.


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A REALIDADE DOS FACTOS


Há verdades que chateiam de tão verdade que são e, quando essas verdades são brasas que aquecem a sardinha do outro ainda chateiam mais, ainda que aqueçam também a nossa sardinha.

Como dizia "o outro", criam-se factos políticos, berra-se bem alto sobre o que está mal (claro que muito está mal, não temos santo milagreiro em funções nem a árvore das patacas no jardim), fazem-se greves que não colam, omite-se sob o tapete que se vai puxando o que não convém que  seja divulgado. Não gasto mais palavras a expor o que toda a gente sabe, quer se coloque por um lado ou por outro.

De resto mais não preciso dizer, pego nas palavras cruas que Sandra Clemente publicou ontem no Económico e tenho dito.
Quem ficar chateado por a sardinha estar assada pode recorrer aos insultos habituais, ou olhar para os horizontes nacionais e constatar que se encontram bem mais alargados do que há quatro anos, sem Parthenon em ruínas.

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O Governo de Passos
Passos Coelho pegou num país falido, sem acesso a financiamento e comprometido com um programa de ajustamento violentíssimo e conduziu-o, durante três anos, para fora do resgate, voltando a financiar-se nos mercados a taxas de juro mais baixas de sempre, pôs a economia a crescer, o desemprego a baixar e o emprego a aumentar.
"A primeira etapa, tirar o país da assistência financeira, foi ultrapassada e a segunda, fazer de Portugal um país com futuro, semeada durante a primeira, está a ser vencida. O País tem confiado. Nestes quatro anos o Governo reformou de tal maneira a economia que alterou o seu perfil estrutural com consequências a todos os níveis: o sector exportador está a ser o motor de saída da crise. Aumentou o investimento (o público está em queda). A prioridade é agora a industrialização. Na banca mudaram todos os protagonistas. Na classe política virou a geração, na empresarial está a virar. Saíram 60 mil pessoas do Estado que funciona. 
Na educação saíram cerca de 30 mil professores e ninguém ficou sem aulas; na saúde a factura com medicamentos e as rendas aos laboratórios caíram centenas de milhões de euros; na justiça foi feita uma reforma sem precedentes; na defesa a reforma 2020; na energia e obras públicas (PPP) foram cortadas rendas com poupanças, presentes e futuras, de milhões de euros ao contribuinte; o Estado manteve e reforçou a rede de segurança para os mais vulneráveis à crise. Pelo caminho, o Governo enfrentou a oposição do Constitucional que boicotou a reforma do aparelho do Estado e a não comparência do PS para um acordo inadiável de reforma da segurança social. 
Não são queixas, são factos, e os factos criaram impossibilidades. O alerta do FMI para que as reformas estruturais não parem terá muito de pressão para o Governo mas chama sobretudo a atenção para o retrocesso que significam Costa e ‘entourage', membros dos governos de Sócrates que faliram o país, que continuam a prometer o que nos faliu e tudo o que o Governo Grego foi obrigado a congelar há duas semanas para obter financiamento: aumento de salários públicos, pensões e investimento público (tudo sem planeamento, sem gerar valor acrescentado, apenas dívida), travar privatizações. Já ultrapassamos esta fase, o Governo precisa de mais quatro anos para a modernidade do país se solidificar." In: http://economico.sapo.pt/noticias/o-governo-de-passos_214480.html


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NÃO HÁ DIREITO...

"Pulgas atacam cela e perna de Sócrates"

"A cela de Sócrates terá sido invadida por pulgas e o ex-primeiro-ministro terá sido atacado pelas pulgas numa perna, segundo relatou o camarada de reclusão, o inspector da PJ João Sousa, no seu blogue. "

"João, o que acha disto? É bicho? Estou cheio de comichão! 
"São pulgas, José. O meu caro tem pulgas!", escreve o inspector, que aconselhou o ex-governante a "lavar a cela". "
In Correio da Manhã - 2Fev.2015





JUROS DA DIVIDA PORTUGUESA

Está uma rapaziada do PS com más digestões por o Matraquilho ter dito que Portugal de encontra em melhor do que há quatro anos.

Tse, tse, tse... Já deviam saber que o Toino-Matraquilho diz sem pensar no que diz (e às vezes até sem pensar o que diz)

Desta vez reconheço que o homem tem razão. Ele há coisas...
Cá para mim deve ter sido algum bruxedo que lhe fizeram.


Recado:

Exmos Senhores
Alexis Tsipras
Yanis Varoufakis 

Se não sabem como é que isto se faz, como se consegue, e dá-me a sensação de que não terão grandes pistas sobre o assunto, perguntem ao Pedro que ele explica-vos de boa vontade.

Boa sorte
Alex.
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PARA PENSAR TRÊS VEZES

Li duas biografias de Stephen Hawking (a de Kitty Ferguson e a de Michael White + John Gribbin)não sei qual delas a mais impressionante.
Stephen Hawking é uma pessoa fascinante, um cientista incomum, uma mente brilhante, um ser humano único.

Não tivera ele a fatalidade de lhe ter sido anunciada, aos 21 anos, uma degradação física irreparável e galopante que, teoricamente,  o conduziria à morte no espaço de dois anos, ainda assim seria não seria menos admirável, porém as suas características pessoais a montante do seu brilhantismo científico fazem dele um personagem único na história da humanidade.

Hoje, com 73 anos e mais de 125 trabalhos  e conferencias publicados entre 1966 e 2014, entre os quais 13 livros http://www.hawking.org.uk/publications.htmle ainda uma serie e dois filmes para o canal Discovery e dois filmes para o Channel 4 em trabalhos notáveis de divulgação cientifica e pedagógica.

Agora a história de Stephen Hawking inspirou um filme. E que filme, minhas senhoras e meus senhores! Im-per-dí-vel.

Para além do insuperável trabalho de Eddie Redmayne no papel de Hawking (é impossível que não esteja ali o "Oscar" de este ano) e da conseguida tentativa de permanecer fiel aos factos. inclusivamente recriando cenas conhecidas como o casamento ou filmes domésticos com as crianças,  a história, as cenas, a força, a dignidade do que se desenrola perante os nossos olhos é absolutamente imperdível.
Compreensivelmente Hawking disse após ter visto o filme: "Senti uma mistura incrível" (entre a representação e si próprio)

Quando me sinto uma desafortunada por ter de me levantar cedo, com frio, quando acho que tenho de fazer um grande esforço para cumprir com o que devo por estar demasiado cansada, etc., lembro-me frequentemente de Stephen Hawking e, envergonhada, ando para a frente. Mas saber é uma coisa e "ver" é outra; creio que muitos de nós pensarão três vezes antes de emitir o mais leve queixume após ver este filme, com os olhos, o coração e o cérebro.

















CONSOLAÇÃO


A esperança na humanidade é feita destes bocadinhos
Não é apenas um salvamento, são os cuidados e os carinhos que se seguiram.

 


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OS LIMITES DO BOM-SENSO

No dia 7 deste mês, dia do primeiro ataque terrorista em Paris, deixei aqui um registo do que se tinha passado, sem comentários ou considerações relativas à revista "Charlie Hebdo".
O que me chocou, revoltou, enojou, foi, uma vez mais, o terrorismo em si, o ataque a cívis desarmados, a violência pela disseminação do medo. Palavras minhas, usei-as à laia de Post scriptum para referir o seguinte:

Aflige o terrorismo, desenfreado, enlouquecido.

Aflige a reacção a este tsunami assassino sem fronteiras nem limites, crescente, em vias de descontrolo.

Há pouco mais de meio século o mundo viveu as consequências de um anti-semitismo irracional e poderoso

O radicalismo islâmico está empurrando o mundo para uma reacção de revolta e auto-defesa cujos limites se vão esfumando de dia para dia

Só os Estados muçulmanos, numa condenação inequívoca, activa e absolutamente demarcada, podem erguer alguma força contra esta tempestade de "Mal" que assola o mundo
... antes que seja demasiado tarde.  
Inshallah
Sobre a "Charlie Hebdo" não disse nada, nada tinha a dizer, pelo menos dentro daquele contexto: foram vítimas do que abomino, praticam um tipo de imprensa que não me agrada, de todo, mas que, e ainda bem, têm toda a liberdade para a fazer.

Dias passados fizeram a primeira publicação após aquela chacina.
Não me passa pela cabeça o que será trabalhar naquele ambiente tendo presente, de um ponto de vista pessoal, íntimo, aquele horror, aquela injustiça; o sangue, a ausência, a saudade, a revolta e eu sei lá mais o quê. A absoluta desconsolação.
Não posso dizer que compreendo, não me atrevo.
Para além de tudo o que há de imperdoável, revoltante e que chocou o mundo, independentemente de nacionalidades e religiões, há um lado pessoal que se me aparenta inimaginável.
Porém...

Somália - 17/01/15
Quando se tem em mãos uma publicação que vai ter uma tiragem de 1 milhão,
depois 3 milhões, depois 5 milhões, para além da que ultrapassou qualquer contagem e foi difundida via internet, é absolutamente indispensável que se pense, opte e se meçam os efeitos muito para lá das questões pessoais.
A nossa liberdade de expressão é importante, é fundamental mas não é a única coisa importante e fundamental no mundo e, se não houver consciência disto de nada vale, não há consciência de coisa alguma.

Eu vi, e a equipa que produz a "Charlie Hebdo" por certo também viu, os milhares, direi mesmo milhões, de muçulmanos que se manifestaram contra o sucedido, que choraram e gritaram "O Islão não é isto"; em Paris, fora dela e fora da Europa. Muitos não gritaram por saberem, melhor do que nós, que não o podem fazer.

Nigéria - 6 igrejas incendiadas
Não havia qualquer necessidade e muito menos qualquer vantagem em publicar uma nova caricatura de Maomé da dizer "Je suis Charlie".
Foi estúpido, foi arrogante, foi inconsequente.

Resultado: igrejas queimadas, consulados sitiados, cidadãos franceses ameaçados e fechados em casa. Os Jihadistas riem-se, somam e seguem. (Ver links no final do post)

Impressionou-me ver um imã egípcio a pedir, emotivamente, aos muçulmanos que ignorassem esta caricatura, dizendo que faz parte da liberdade de imprensa ocidental e que deve ser ignorada.
Não pude deixar de dar razão a vários muçulmanos turcos que disseram ser contra o que se tinha passado em Paris, que o terrorismo não segue os ensinamentos do Corão mas que se tinham sentido revoltados e desrespeitados pela nova publicação.
E outros, vários outros, muitos outros

Consulado Françês - Paquistão
E só mais uma palavra sobre a capa de revista:
Para além da caricatura pode ler-se "Tout est pardonné"...
Não sei por quem falam, por mim não é por certo.
O terrorismo não é perdoável, o jihadismo é inaceitável, a falta de respeito pela liberdade alheia é desumana, seja pela liberdade de expressão seja pela liberdade religiosa.

Fui "Charlie" no dia em que milhões foram "Charlie", muçulmanos inclusivé.


links:
http://www.bbc.com/news/world-africa-30863159
http://www.bbc.com/news/world-asia-30848689


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O LUXO DE "BLOGAR"

Ás vezes é bom ter consciência de que escrever num blog o que nos dá na real gana é bom, é um direito, é um gosto.
Ás vezes tomar consciência de que escrever num blog  é um luxo, de que não é um dado adquirido, é devastador.

                                                                                                                 Foto: Amnistia Internacional
Castigo adiado! Esta sexta-feira Raif Badawi não foi chicoteado.
Podia ser uma boa notícia, não fosse o facto do motivo do adiamento ter sido médico. O blogger foi levado pela manhã à clínica na prisão. A conclusão: as feridas não sararam o suficiente para permitir que Raif resista a mais 50 chicotadas.

UMA PACÍFICA DECLARAÇÃO DE GUERRA


São poucos os "Dias Históricos" que ocorrem ao longo de uma vida humana média. Por "Dias Históricos" quero significar aqueles que têm impacto na história da humanidade, que marcam uma mudança real na história do mundo, na forma como vivemos, na consciência colectiva.
Ao longo do meu meio século pessoal - consciente de estar a ignorar milhares de descobertas e actos que quotidianamente contribuem para a evolução positiva e negativa da humanidade - ocorrem-me tantos quantos poderei contar pelos dedos das mãos como:

  1. a construção do Muro de Berlim (1961), 
  2. a chegada à Lua (1969 - como dia simbólico da conquista do espaço),  
  3. a revolução iraniana (1979), 
  4. a queda do Muro de Berlim (1989), 
  5. o lançamento da World Wide Web (1991) como o marco do início da utilização global da Internet, 
  6. o fim do Apartheid (1994), 
  7. o ataque ao World Trade Center (2001)
  8. o Crash dos mercados (2008)
  9. a ocupação da Crimeia (2014) reacendendo a "guerra fria"
  10. ...
O que se passou hoje em Paris parece ter o "carimbo" de Dia Histórico; é ainda cedo para o afirmar categoricamente, talvez... Tratou-se de uma mise en scène. Sim, claro, mas creio que se tratou também de uma fortíssima declaração de intenções.


Switzerland's President Simonetta Sommaruga (L), 
Turkey's Prime Minister Ahmet Davutoglu (2ndL),
 Ukraine's President Petro Poroshenko (3rdL),
 Organization for Economic Co-operation and Development

Obviamente que não me passa pela cabeça, creio que pela de ninguém, que o cerrar de fileiras, ombro a ombro, ocorrido hoje em Paris seja o embrião do mútuo entendimento dos diversos Estados e Instituições representados, a questão não é essa nem passa por aí.


Não pode deixar de ser significativo ver os reis da Jordânia, o presidente da autoridade palestiniana Mahmoud Abbas, o primeiro-ministro de Israel Netanyahu, na mesma fileira com os principais líders da Europa. Lamentável a ausência dos EUA, lamentável, embaixadora não chega. Punham-se problemas de segurança? Sim, muitos, graves, mas não em especial para Obama, muito pelo contrário.
Foi apenas uma questão de solidariedade política e condenação do terrorismo?
Não, não creio, essas estavam feitas, declaradas, expressas.

Estou em crer, quero crer, que se trata de uma tácita declaração de guerra à Jihad. 

Creio que este dia marcará o final de determinado tipo de tolerância, o final de uma política algo mole e descuidada, o entendimento prático de que as informações relativas à detecção e combate ao terrorismo não podem ser retidas por um só "serviço de inteligência" sendo imprescindível que pertençam a uma base de dados anti-terrorista global e de que a vigilância das populações não é um atentado aos direitos humanos, é a sua defesa.

Tenho consciência de que é praticamente impossível erradicar o terrorismo, em particular o jihadismo, há demasiados tarados neste mundo, mas é provável que hoje tenha sido o dia em que a forma do mundo lidar com esta aberração mudou.


A AVANTESMA TEOLÓGICA



Estou farta de saber que há coisas que não posso ouvir após a hora em que me proponho ir dormir, é como se injectasse cafeína directa à veia.

Esta madrugada, já após o bater das quatro, saiu-me ao caminho uma avantesma numa entrevista directa da CNN e, lamento dizê-lo, o pivot de serviço não teve capacidade para lhe pôr as perguntas que devia, para o confrontar com tanta idiotice e falsidade que proferiu - com ar doutoral como se fosse o supra-sumo da autoridade em terrorismo. Gostava de o ver nas garras experientes de uma Christiane Amanpour, uma Hala Gorani ou de um Anderson Cooper, mas creio que estes não gastam o seu anglo-saxónico com tipos que se põem em bicos de pés para vender livros e afagarem o ego.

O que tem graça (ou talvez os editores da CNN se tenham sentido tão assombrados quanto eu) é que quando, ainda agora, busquei a tal entrevista no site da CNN me apareceu apenas o final, tendo o revoltante chorrilho de asneiras desaparecido por artes virtuais. Por um lado é positivo: "coloque-se o lixo no lixo" mas por outro perde-se tamanha ilustração.

http://edition.cnn.com/videos/tv/2015/01/09/cnn-tonight-reza-aslan-don-lemon-islam-danger.cnn

A avantesma a quem me refiro é um teólogo que dá pelo nome de Reza Aslan e sobre quem apurei o seguinte:
  • O teólogo Reza Aslan nasceu em 1972 no Irão, numa família muçulmana e foi viver para S. Francisco. 
  • Em jovem experimenta uma conversão ao cristianismo mas não se convence. 
  • Volta a converter-se ao islamismo ( Shia Islam) em 1990 antes de ingressar em Harvard
  • Licencia-se em Sociologia das Religiões (University of California Santa Barbara) mas dá aulas de escrita criativa. 
  • A sua dissertação em História da religião: "Global Jihadism as a Transnational Social Movement: A Theoretical Framework".
  • Escreve uma "biografia" sobre Jesus mas sobre este só reconhece dois factos históricos: que era judeu e que liderou um popular movimento judeu na "Palestina" no princípio do séc I . - "Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth", published by Random House in July of 2013, and it is one in a long line of books challenging the portrait of Jesus given in the gospels. Powered by the Random House marketing machine behind it, "In the end, there are only two hard historical facts about Jesus of Nazareth upon which we can confidently rely: the first is that Jesus was a Jew who led a popular Jewish movement in Palestine at the beginning of the first century C.E.; the second is that Rome crucified him for doing so."the book quickly shot to the top of Amazon’s bestseller list. - 
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Apresentado o animal há pelo menos uma conclusão imediata que sou levada a retirar: Não há nada como ter títulos académicos para legitimar as barbaridades que possam passar por uma mente ávida de público.

Mas o que disse esta autoridade teológica (que dá aulas de Escrita Criativa e vive em Hollywood) que tanto me irritou?

Sumariamente, e lamentado não conseguir aceder à entrevista na integra, opinou assim:

- A Europa sofre de uma crise de identidade, os europeus já não sabem quem são, não estão preparados para viver em sociedades multi-culturais onde se cruzam com caras pretas, mestiças, orientais, muçulmanas, etc. 
- Esta crise de identidade europeia gera uma enorme instabilidade, polarização e pressão sobre as comunidades estrangeiras, e nas muçulmanas em particular, criando uma sensação de não-pertença nestas populações que leva a actos de violência. 
- Esta instabilidade leva falta de aculturação, quer relativamente à cultura de onde provêem como àquela nova onde não se conseguem integrar 
- Para isto muito tem contribuído a legislação de exclusão de direitos praticada na Europa. A França nunca tolerou o multi-culturalismo, na Alemanha desde há meses que milhares e milhares se manifestam todas as semanas contra os muçulmanos - como por exemplo a tremendamente racista Suécia - há uma guerra civil a decorrer na Europa!!!
(Gostava de perguntar a este gajo de quantas igrejas cristãs, sinagogas ou templos budistas tem ele conhecimento em territórios islamitas, se permitem que as mulheres europeias se vistam de acordo com a sua cultura e costumes, etc,etc,etc) 
"-There is a civil war taking place in Europe, the Europeans don't know who they are anymore. They're fighting to figure out who they are. " 

"-We have seen a lot of anti-Muslim violence in Europe as well as Muslim violence against Europeans." 

- Daqui resulta que estes muçulmanos desenraízados se tornam presas fáceis para organizações como a Al-Quaeda que têm vindo a oferecer, a conferir, um preenchimento dessa lacuna de identidade e um propósito de luta pessoal, não só aos muçulmanos estrangeiros como aos próprios europeus que sofrem de perda de identidade. 
- Por último, menos grave e, a meu ver, servindo um propósito ao qual me referirei mais abaixo, considera os Estados Unidos um óptimo modelo (a great model) do que há a fazer para minimizar a situação acima descrita; sendo os EUA uma sociedade de muitas culturas, religiões e etnias, que vivem conjuntamente em harmonia, é a sociedade do séc.XXI. 
Esta leitura apresenta-se-me, no mínimo, como irónica e metida a ferros: Presentemente, nos EUA tem-se vindo a assistir a prolongados e violentos confrontos raciais como os originados em Fergusson, provocando uma radicalização entre comunidades negras para com a polícia "branca", quando Obama faz, várias vezes, de moderador na televisão nacional apelando à unidade dos americanos como um só povo, quando o "Mayor" de Nova Iorque se vê contestado pelo NYPD por ter aconselhado um miúdo mestiço seu familiar a ter cuidado na sua interacção com a polícia... Que falta de sentido de oportunidade, mais valia estares calado.
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Então mas o animal é estúpido? Não, não é estúpido, é um péssimo jogador de poker. Expõe os seus propósitos na tentativa de ocultar o que lhe vai na mente e no peito. Enaltece a América, vitimiza o Islão, caracteriza a Europa como uma velha perdida. Tem "tiques" de expressão a interpretar numa visão pessoal que não comento...

A meu ver...

Este péssimo jogador de poker tenta dissimular os seus "telhados de vidro" (mais "mentalmente seus" do que "socialmente seus") num americanismo militante e exacerbado enquanto vai culpando a Europa que acusa de ter perdido a sua identidade e de se radicalizar, originando o extremismo terrorista devido à manifestação de intolerância, racismo e mesmo de ataques violentos às comunidades muçulmanas, vitimas desta radicalidade europeia.

Aah, condenando, claro, os ataques terroristas, absolutely.

Uma coisa vaticino convictamente: este tipo vai dar que falar, vai aparecer a opinar até dizer chega. Lata não lhe falta e um piquinho a escândalo que é coisa que tem sempre audiência. Raios o partam.

Que par de estalos tão bem pregado!!! Só me apetece dar-lhe bengaladas!

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Post Sciptum:

Mesmo antes de carregar na tecla "Publish" fiz uma nova busca do vídeo com a entrevista integral, incomoda-me publicar palavras de terceiros, para mais algo inverosímeis como as que acima relato, sem um suporte factual

Por vezes a teimosia compensa... A entrevista integral continua a não estar disponível na CNN (nem no canal CNN do YouTube) mas acabei por a encontrar.

Queiram Vs. Exas. deleitar-se.




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CON-SEQUENCIA

Carlos Latuff @LatuffCartoons
Humor... Muito a sério
5 estrelas.


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JE SUIS CHARLIE


Utilizadores de redes sociais por todo o mundo responderam ao ataque contra os escritórios da revista satírica Charlie Hebdo com a hashtag #jesuischarlie numa onda de solidariedade para com as vítimas e em defesa da liberdade de expressão.

Três homens armados e mascarados invadiram os escritórios da revista satírica Charlie Hebdo, que já tinha sido anteriormente atacada após ter publicado uma representação do profeta Maomé. Os atacantes estavam armados com Kalashnikov e crê-se que também teriam uma granada-foguete durante o ataque esta manhã de quarta-feira.
Pelo menos 12 pessoas foram mortas a tiro, entre as quais dois polícias, e outras cinco gravemente feridas. 

(O assassinato frio e desnecessário de um dos polícias no vídeo abaixo)


 Footage captures gunmen shooting a man to the ground, then firing again at his head in what appears to be a cold-blooded murder on the streets of Paris

A video posted online captured two gunmen, clad all in black and carrying Kalashnikovs, taking fire at a lone policeman in the aftermath of the massacre.The graphic video shows the victim falling to the ground and holding his hands up to surrender before apparently being executed with a point blank shot to the head.The gunmen, who appear to be professionally trained, then jog back to a black Citroen car waiting in the middle of the road before driving off.Other videos from today's horrific attack show the gunmen shouting 'Allahou Akbar' outside the office of Charlie Hebdo in Paris and bystanders fleeing the carnage. (http://www.mirror.co.uk/)










Post scriptum:
Tristemente lamentável... Gravemente consequente...

Este primeiro post do novo ano de 2015... Este primeiro post do novo ano, lamentavelmente cola-se ao último que escrevi em 2014.

Aflige o terrorismo, desenfreado, enlouquecido.
Aflige a reacção a este tsunami assassino sem fronteiras nem limites, crescente, em vias de descontrolo.
Há pouco mais de meio século o mundo viveu as consequências de um anti-semitismo irracional e poderoso
O radicalismo islâmico está empurrando o mundo para uma reacção de revolta e auto-defesa cujos limites se vão esfumando de dia para dia
Só os Estados muçulmanos, numa condenação inequívoca, activa e absolutamente demarcada, podem erguer alguma força contra esta tempestade de "Mal" que assola o mundo
... antes que seja demasiado tarde.  
Inshallah


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