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OS LIMITES DO BOM-SENSO

No dia 7 deste mês, dia do primeiro ataque terrorista em Paris, deixei aqui um registo do que se tinha passado, sem comentários ou considerações relativas à revista "Charlie Hebdo".
O que me chocou, revoltou, enojou, foi, uma vez mais, o terrorismo em si, o ataque a cívis desarmados, a violência pela disseminação do medo. Palavras minhas, usei-as à laia de Post scriptum para referir o seguinte:

Aflige o terrorismo, desenfreado, enlouquecido.

Aflige a reacção a este tsunami assassino sem fronteiras nem limites, crescente, em vias de descontrolo.

Há pouco mais de meio século o mundo viveu as consequências de um anti-semitismo irracional e poderoso

O radicalismo islâmico está empurrando o mundo para uma reacção de revolta e auto-defesa cujos limites se vão esfumando de dia para dia

Só os Estados muçulmanos, numa condenação inequívoca, activa e absolutamente demarcada, podem erguer alguma força contra esta tempestade de "Mal" que assola o mundo
... antes que seja demasiado tarde.  
Inshallah
Sobre a "Charlie Hebdo" não disse nada, nada tinha a dizer, pelo menos dentro daquele contexto: foram vítimas do que abomino, praticam um tipo de imprensa que não me agrada, de todo, mas que, e ainda bem, têm toda a liberdade para a fazer.

Dias passados fizeram a primeira publicação após aquela chacina.
Não me passa pela cabeça o que será trabalhar naquele ambiente tendo presente, de um ponto de vista pessoal, íntimo, aquele horror, aquela injustiça; o sangue, a ausência, a saudade, a revolta e eu sei lá mais o quê. A absoluta desconsolação.
Não posso dizer que compreendo, não me atrevo.
Para além de tudo o que há de imperdoável, revoltante e que chocou o mundo, independentemente de nacionalidades e religiões, há um lado pessoal que se me aparenta inimaginável.
Porém...

Somália - 17/01/15
Quando se tem em mãos uma publicação que vai ter uma tiragem de 1 milhão,
depois 3 milhões, depois 5 milhões, para além da que ultrapassou qualquer contagem e foi difundida via internet, é absolutamente indispensável que se pense, opte e se meçam os efeitos muito para lá das questões pessoais.
A nossa liberdade de expressão é importante, é fundamental mas não é a única coisa importante e fundamental no mundo e, se não houver consciência disto de nada vale, não há consciência de coisa alguma.

Eu vi, e a equipa que produz a "Charlie Hebdo" por certo também viu, os milhares, direi mesmo milhões, de muçulmanos que se manifestaram contra o sucedido, que choraram e gritaram "O Islão não é isto"; em Paris, fora dela e fora da Europa. Muitos não gritaram por saberem, melhor do que nós, que não o podem fazer.

Nigéria - 6 igrejas incendiadas
Não havia qualquer necessidade e muito menos qualquer vantagem em publicar uma nova caricatura de Maomé da dizer "Je suis Charlie".
Foi estúpido, foi arrogante, foi inconsequente.

Resultado: igrejas queimadas, consulados sitiados, cidadãos franceses ameaçados e fechados em casa. Os Jihadistas riem-se, somam e seguem. (Ver links no final do post)

Impressionou-me ver um imã egípcio a pedir, emotivamente, aos muçulmanos que ignorassem esta caricatura, dizendo que faz parte da liberdade de imprensa ocidental e que deve ser ignorada.
Não pude deixar de dar razão a vários muçulmanos turcos que disseram ser contra o que se tinha passado em Paris, que o terrorismo não segue os ensinamentos do Corão mas que se tinham sentido revoltados e desrespeitados pela nova publicação.
E outros, vários outros, muitos outros

Consulado Françês - Paquistão
E só mais uma palavra sobre a capa de revista:
Para além da caricatura pode ler-se "Tout est pardonné"...
Não sei por quem falam, por mim não é por certo.
O terrorismo não é perdoável, o jihadismo é inaceitável, a falta de respeito pela liberdade alheia é desumana, seja pela liberdade de expressão seja pela liberdade religiosa.

Fui "Charlie" no dia em que milhões foram "Charlie", muçulmanos inclusivé.


links:
http://www.bbc.com/news/world-africa-30863159
http://www.bbc.com/news/world-asia-30848689


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O LUXO DE "BLOGAR"

Ás vezes é bom ter consciência de que escrever num blog o que nos dá na real gana é bom, é um direito, é um gosto.
Ás vezes tomar consciência de que escrever num blog  é um luxo, de que não é um dado adquirido, é devastador.

                                                                                                                 Foto: Amnistia Internacional
Castigo adiado! Esta sexta-feira Raif Badawi não foi chicoteado.
Podia ser uma boa notícia, não fosse o facto do motivo do adiamento ter sido médico. O blogger foi levado pela manhã à clínica na prisão. A conclusão: as feridas não sararam o suficiente para permitir que Raif resista a mais 50 chicotadas.

UMA PACÍFICA DECLARAÇÃO DE GUERRA


São poucos os "Dias Históricos" que ocorrem ao longo de uma vida humana média. Por "Dias Históricos" quero significar aqueles que têm impacto na história da humanidade, que marcam uma mudança real na história do mundo, na forma como vivemos, na consciência colectiva.
Ao longo do meu meio século pessoal - consciente de estar a ignorar milhares de descobertas e actos que quotidianamente contribuem para a evolução positiva e negativa da humanidade - ocorrem-me tantos quantos poderei contar pelos dedos das mãos como:

  1. a construção do Muro de Berlim (1961), 
  2. a chegada à Lua (1969 - como dia simbólico da conquista do espaço),  
  3. a revolução iraniana (1979), 
  4. a queda do Muro de Berlim (1989), 
  5. o lançamento da World Wide Web (1991) como o marco do início da utilização global da Internet, 
  6. o fim do Apartheid (1994), 
  7. o ataque ao World Trade Center (2001)
  8. o Crash dos mercados (2008)
  9. a ocupação da Crimeia (2014) reacendendo a "guerra fria"
  10. ...
O que se passou hoje em Paris parece ter o "carimbo" de Dia Histórico; é ainda cedo para o afirmar categoricamente, talvez... Tratou-se de uma mise en scène. Sim, claro, mas creio que se tratou também de uma fortíssima declaração de intenções.


Switzerland's President Simonetta Sommaruga (L), 
Turkey's Prime Minister Ahmet Davutoglu (2ndL),
 Ukraine's President Petro Poroshenko (3rdL),
 Organization for Economic Co-operation and Development

Obviamente que não me passa pela cabeça, creio que pela de ninguém, que o cerrar de fileiras, ombro a ombro, ocorrido hoje em Paris seja o embrião do mútuo entendimento dos diversos Estados e Instituições representados, a questão não é essa nem passa por aí.


Não pode deixar de ser significativo ver os reis da Jordânia, o presidente da autoridade palestiniana Mahmoud Abbas, o primeiro-ministro de Israel Netanyahu, na mesma fileira com os principais líders da Europa. Lamentável a ausência dos EUA, lamentável, embaixadora não chega. Punham-se problemas de segurança? Sim, muitos, graves, mas não em especial para Obama, muito pelo contrário.
Foi apenas uma questão de solidariedade política e condenação do terrorismo?
Não, não creio, essas estavam feitas, declaradas, expressas.

Estou em crer, quero crer, que se trata de uma tácita declaração de guerra à Jihad. 

Creio que este dia marcará o final de determinado tipo de tolerância, o final de uma política algo mole e descuidada, o entendimento prático de que as informações relativas à detecção e combate ao terrorismo não podem ser retidas por um só "serviço de inteligência" sendo imprescindível que pertençam a uma base de dados anti-terrorista global e de que a vigilância das populações não é um atentado aos direitos humanos, é a sua defesa.

Tenho consciência de que é praticamente impossível erradicar o terrorismo, em particular o jihadismo, há demasiados tarados neste mundo, mas é provável que hoje tenha sido o dia em que a forma do mundo lidar com esta aberração mudou.


A AVANTESMA TEOLÓGICA



Estou farta de saber que há coisas que não posso ouvir após a hora em que me proponho ir dormir, é como se injectasse cafeína directa à veia.

Esta madrugada, já após o bater das quatro, saiu-me ao caminho uma avantesma numa entrevista directa da CNN e, lamento dizê-lo, o pivot de serviço não teve capacidade para lhe pôr as perguntas que devia, para o confrontar com tanta idiotice e falsidade que proferiu - com ar doutoral como se fosse o supra-sumo da autoridade em terrorismo. Gostava de o ver nas garras experientes de uma Christiane Amanpour, uma Hala Gorani ou de um Anderson Cooper, mas creio que estes não gastam o seu anglo-saxónico com tipos que se põem em bicos de pés para vender livros e afagarem o ego.

O que tem graça (ou talvez os editores da CNN se tenham sentido tão assombrados quanto eu) é que quando, ainda agora, busquei a tal entrevista no site da CNN me apareceu apenas o final, tendo o revoltante chorrilho de asneiras desaparecido por artes virtuais. Por um lado é positivo: "coloque-se o lixo no lixo" mas por outro perde-se tamanha ilustração.

http://edition.cnn.com/videos/tv/2015/01/09/cnn-tonight-reza-aslan-don-lemon-islam-danger.cnn

A avantesma a quem me refiro é um teólogo que dá pelo nome de Reza Aslan e sobre quem apurei o seguinte:
  • O teólogo Reza Aslan nasceu em 1972 no Irão, numa família muçulmana e foi viver para S. Francisco. 
  • Em jovem experimenta uma conversão ao cristianismo mas não se convence. 
  • Volta a converter-se ao islamismo ( Shia Islam) em 1990 antes de ingressar em Harvard
  • Licencia-se em Sociologia das Religiões (University of California Santa Barbara) mas dá aulas de escrita criativa. 
  • A sua dissertação em História da religião: "Global Jihadism as a Transnational Social Movement: A Theoretical Framework".
  • Escreve uma "biografia" sobre Jesus mas sobre este só reconhece dois factos históricos: que era judeu e que liderou um popular movimento judeu na "Palestina" no princípio do séc I . - "Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth", published by Random House in July of 2013, and it is one in a long line of books challenging the portrait of Jesus given in the gospels. Powered by the Random House marketing machine behind it, "In the end, there are only two hard historical facts about Jesus of Nazareth upon which we can confidently rely: the first is that Jesus was a Jew who led a popular Jewish movement in Palestine at the beginning of the first century C.E.; the second is that Rome crucified him for doing so."the book quickly shot to the top of Amazon’s bestseller list. - 
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Apresentado o animal há pelo menos uma conclusão imediata que sou levada a retirar: Não há nada como ter títulos académicos para legitimar as barbaridades que possam passar por uma mente ávida de público.

Mas o que disse esta autoridade teológica (que dá aulas de Escrita Criativa e vive em Hollywood) que tanto me irritou?

Sumariamente, e lamentado não conseguir aceder à entrevista na integra, opinou assim:

- A Europa sofre de uma crise de identidade, os europeus já não sabem quem são, não estão preparados para viver em sociedades multi-culturais onde se cruzam com caras pretas, mestiças, orientais, muçulmanas, etc. 
- Esta crise de identidade europeia gera uma enorme instabilidade, polarização e pressão sobre as comunidades estrangeiras, e nas muçulmanas em particular, criando uma sensação de não-pertença nestas populações que leva a actos de violência. 
- Esta instabilidade leva falta de aculturação, quer relativamente à cultura de onde provêem como àquela nova onde não se conseguem integrar 
- Para isto muito tem contribuído a legislação de exclusão de direitos praticada na Europa. A França nunca tolerou o multi-culturalismo, na Alemanha desde há meses que milhares e milhares se manifestam todas as semanas contra os muçulmanos - como por exemplo a tremendamente racista Suécia - há uma guerra civil a decorrer na Europa!!!
(Gostava de perguntar a este gajo de quantas igrejas cristãs, sinagogas ou templos budistas tem ele conhecimento em territórios islamitas, se permitem que as mulheres europeias se vistam de acordo com a sua cultura e costumes, etc,etc,etc) 
"-There is a civil war taking place in Europe, the Europeans don't know who they are anymore. They're fighting to figure out who they are. " 

"-We have seen a lot of anti-Muslim violence in Europe as well as Muslim violence against Europeans." 

- Daqui resulta que estes muçulmanos desenraízados se tornam presas fáceis para organizações como a Al-Quaeda que têm vindo a oferecer, a conferir, um preenchimento dessa lacuna de identidade e um propósito de luta pessoal, não só aos muçulmanos estrangeiros como aos próprios europeus que sofrem de perda de identidade. 
- Por último, menos grave e, a meu ver, servindo um propósito ao qual me referirei mais abaixo, considera os Estados Unidos um óptimo modelo (a great model) do que há a fazer para minimizar a situação acima descrita; sendo os EUA uma sociedade de muitas culturas, religiões e etnias, que vivem conjuntamente em harmonia, é a sociedade do séc.XXI. 
Esta leitura apresenta-se-me, no mínimo, como irónica e metida a ferros: Presentemente, nos EUA tem-se vindo a assistir a prolongados e violentos confrontos raciais como os originados em Fergusson, provocando uma radicalização entre comunidades negras para com a polícia "branca", quando Obama faz, várias vezes, de moderador na televisão nacional apelando à unidade dos americanos como um só povo, quando o "Mayor" de Nova Iorque se vê contestado pelo NYPD por ter aconselhado um miúdo mestiço seu familiar a ter cuidado na sua interacção com a polícia... Que falta de sentido de oportunidade, mais valia estares calado.
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Então mas o animal é estúpido? Não, não é estúpido, é um péssimo jogador de poker. Expõe os seus propósitos na tentativa de ocultar o que lhe vai na mente e no peito. Enaltece a América, vitimiza o Islão, caracteriza a Europa como uma velha perdida. Tem "tiques" de expressão a interpretar numa visão pessoal que não comento...

A meu ver...

Este péssimo jogador de poker tenta dissimular os seus "telhados de vidro" (mais "mentalmente seus" do que "socialmente seus") num americanismo militante e exacerbado enquanto vai culpando a Europa que acusa de ter perdido a sua identidade e de se radicalizar, originando o extremismo terrorista devido à manifestação de intolerância, racismo e mesmo de ataques violentos às comunidades muçulmanas, vitimas desta radicalidade europeia.

Aah, condenando, claro, os ataques terroristas, absolutely.

Uma coisa vaticino convictamente: este tipo vai dar que falar, vai aparecer a opinar até dizer chega. Lata não lhe falta e um piquinho a escândalo que é coisa que tem sempre audiência. Raios o partam.

Que par de estalos tão bem pregado!!! Só me apetece dar-lhe bengaladas!

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Post Sciptum:

Mesmo antes de carregar na tecla "Publish" fiz uma nova busca do vídeo com a entrevista integral, incomoda-me publicar palavras de terceiros, para mais algo inverosímeis como as que acima relato, sem um suporte factual

Por vezes a teimosia compensa... A entrevista integral continua a não estar disponível na CNN (nem no canal CNN do YouTube) mas acabei por a encontrar.

Queiram Vs. Exas. deleitar-se.




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CON-SEQUENCIA

Carlos Latuff @LatuffCartoons
Humor... Muito a sério
5 estrelas.


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JE SUIS CHARLIE


Utilizadores de redes sociais por todo o mundo responderam ao ataque contra os escritórios da revista satírica Charlie Hebdo com a hashtag #jesuischarlie numa onda de solidariedade para com as vítimas e em defesa da liberdade de expressão.

Três homens armados e mascarados invadiram os escritórios da revista satírica Charlie Hebdo, que já tinha sido anteriormente atacada após ter publicado uma representação do profeta Maomé. Os atacantes estavam armados com Kalashnikov e crê-se que também teriam uma granada-foguete durante o ataque esta manhã de quarta-feira.
Pelo menos 12 pessoas foram mortas a tiro, entre as quais dois polícias, e outras cinco gravemente feridas. 

(O assassinato frio e desnecessário de um dos polícias no vídeo abaixo)


 Footage captures gunmen shooting a man to the ground, then firing again at his head in what appears to be a cold-blooded murder on the streets of Paris

A video posted online captured two gunmen, clad all in black and carrying Kalashnikovs, taking fire at a lone policeman in the aftermath of the massacre.The graphic video shows the victim falling to the ground and holding his hands up to surrender before apparently being executed with a point blank shot to the head.The gunmen, who appear to be professionally trained, then jog back to a black Citroen car waiting in the middle of the road before driving off.Other videos from today's horrific attack show the gunmen shouting 'Allahou Akbar' outside the office of Charlie Hebdo in Paris and bystanders fleeing the carnage. (http://www.mirror.co.uk/)










Post scriptum:
Tristemente lamentável... Gravemente consequente...

Este primeiro post do novo ano de 2015... Este primeiro post do novo ano, lamentavelmente cola-se ao último que escrevi em 2014.

Aflige o terrorismo, desenfreado, enlouquecido.
Aflige a reacção a este tsunami assassino sem fronteiras nem limites, crescente, em vias de descontrolo.
Há pouco mais de meio século o mundo viveu as consequências de um anti-semitismo irracional e poderoso
O radicalismo islâmico está empurrando o mundo para uma reacção de revolta e auto-defesa cujos limites se vão esfumando de dia para dia
Só os Estados muçulmanos, numa condenação inequívoca, activa e absolutamente demarcada, podem erguer alguma força contra esta tempestade de "Mal" que assola o mundo
... antes que seja demasiado tarde.  
Inshallah


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COITADINHOS DOS TERRORISTAS

Cresci a ouvir falar de guerras, eu e quase toda a gente no mundo; a guerra colonial, a guerra do Vietname, o Cambodja, Beirute, o Biafra, a guerra dos 6 dias, o Yom Kipur e sei lá mais quantas. Cresci a ouvir falar de guerras, a vê-las na televisão, tive sorte, houve quem as vivesse e quem não tivesse tido tempo para crescer.

Desde que existe humanidade que andamos em confrontos... Não é por acaso que as primeiras imagens do inimitável e sempre novo "2001 Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, se inicia, na alvorada da humanidade, com luta e a descoberta da primeira "arma": um fémur. Um fémur utilizado para agredir e decidir o clã vencedor.

Mas as guerras eram guerras... Guerras, a Primeira e a Segunda, a ameaça nuclear da Terceira, as guerras quentes e frias, o Muro, os gulags, a fome... Em nome de tudo e mais alguma coisa, em nome de Deus - seja lá qual Deus for - em nome da justiça, da liberdade, da vingança, da honra... No fundo só existem duas grandes causas: sobrevivência por um lado,  território, poder e riqueza por outro, o resto é retórica, dialéctica, argumentação.

Actualmente as guerras decresceram, são guerrilhas, mas estou em crer que a violência é crescente. Actualmente os confrontos são geograficamente limitados - como o sudeste da Ucrânia, a Faixa de Gaza ou algumas zonas específicas em África - mas os ataques letais e violentos podem bater a qualquer porta em inúmeros lugares do mundo. Vivemos sob a ameaça do Terror, o terrorismo é o modus vivendi e o modus operandi na actual Ordem Mundial.

Não preciso forçar a memória, as últimas 24 horas chegam para ilustrar o que estou a dizer:

Ontem um tarado islamita qualquer, que se estivesse mais vigiado estaria certamente preso, tomou conta de um inócuo café na baixa de Sydney, fez dezenas de reféns e acabou morto, ele e mais duas pessoas - um jovem gerente de loja e uma jovem que tinha ido tomar o pequeno-almoço.


Hoje, ainda mal tinha amanhecido por cá já se noticiava que o Movimento dos Talibãs do Paquistão ocupara uma escola em Peshawar com cerca de 500 pessoas, alunos e professores, e mataram mais de 140, na sua maioria crianças.
"Muitos foram executados no principal auditório da escola, mas os sobreviventes dizem que os atacantes foram de sala em sala e abriram fogo contra alunos e professores.O porta-voz do grupo, Muhammad Umar Khorasani, numa declaração às agências noticiosas internacionais,  disse que os seis combatentes taliban tinham “ordens específicas para não fazerem mal a menores”."
Pois... por não quererem fazer mal a menores é que atacaram uma escola...

Sobre terrorismo nem vale a pena ir além destas últimas 24 horas, a lista é interminável, a escolha entre os ataques muitíssimo difícil e não acrescentaria nada de novo, todos sabemos, independentemente dos nossos ideais, credos e éticas.

Uma coisa porém valerá a pena lembrar: sem a actual hiper-vigilância contra-terrorista a lista seria inimaginavelmente mais extensa; felizmente vivemos na ignorância de quantos ataques terroristas são travados pelo mundo.
Aqueles que se sentem incomodados pelas câmaras de vigilância, pelas escutas telefónicas, pela grelha sobreposta a e-mails, pelo escrutínio de visionalisação de sites na Net e pelo Projecto Echelon da NSA, deveriam ganhar uma consciência mágica que lhes permitisse tomar conhecimento de quanta violência e sofrimento já foram evitados, de quantas vidas já foram poupadas devido à vigilância e acção contra-terrorista. Como saber se algum, ou alguns, daqueles que amamos, para já não falar de quantos nos são anónimos, poderiam neste momento já não estar connosco devido a uma viagem de avião em férias, a um pequeno-almoço na pastelaria errada, à visita a um museu imperdível ou a qualquer outro momento inocente e quotidiano?

Pela parte que me toca não me sinto nada incomodada, muito pelo contrário, quanto mais eficaz e global for a vigilância contra-terrorista mais segura me sinto. Venha a CIA, o MI6, a Mossad e outros que tais, é um preço que aceito de bom grado e se for preciso aplicar práticas "chocantes", como o afogamento simulado e outras formas violentas para obter informação, pois que se apliquem. Eu só tenho a agradecer que exista quem suje as mãos por mim - para eu poder bradar aos céus contra a tortura na segurança do meu cantinho.

E...

Não me venham, de ânimo leve dizer que "nós" não somos terroristas, que temos de ser diferentes, temos de velar pelas boas práticas sem ceder à violência.

Sim, "nós" somos diferentes, "nós" não obrigamos ninguém a professar a nossa religião sob ameaça de morte, "nós" não armadilhamos crianças que explodem em nome do que nem sabem, "nós" não cortamos cabeças para exibir em vídeos, "nós" não violamos e escravizamos mulheres e meninas, "nós" não encostamos a um qualquer muro de via pública aqueles que nos incomodam para os fuzilar sem julgamento, apelo ou agravo, "nós" não vaticinamos a ocupação do mundo por uma machista, sub-medieval e violentíssima "Lei de Sharia" em teocracias de leis voláteis.

"Dar a outra face" não significa, nunca significou, pormo-nos a jeito para levar outra bofetada, significa não nos deixarmos vencer ao levar a primeira, significa não nos acobardarmos perante a violência alheia.

Há pessoas indignadas pelos relatórios da CIA? Está bem, felizmente têm a liberdade - sobretudo emocional - de se sentirem indignadas.
(Tivessem sofrido na pele e no coração as consequências do terrorismo e pergunto-me se teriam a mesma reacção...
Independentemente de ter presente de que os princípios éticos não devem ser abalados pela vivência pessoal a verdade é que uma coisa é a teoria e outra é matarem-nos um filho.)
A mim indigna-me a progressão do terrorismo em todas as suas facetas, sobretudo quando se torna uma prática quotidiana.
"Nós" temos o direito e o dever de prevenir, antecipar e punir os ataques terroristas de que sejamos alvo, doa a quem doer

E não me importo mesmo nada que lhes doa.

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PONTOS NOS I's - HOJE NÃO ME APETECE BRINCAR

"A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado" (JMF)
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Ao longo destes últimos dias, desde a detenção de Sócrates, não ouvi uma única voz - de jornalista, político ou comum mortal entrevistado na rua - cair em descrédito e dizer: "Não pode ser, Sócrates é um homem sério".
Retiremos conclusões...

Ouvi sim uma espécie de zarolhos - daqueles que só vêm para um lado - insurgirem-se com a forma "mediática" como Sócrates foi detido, como se fosse possível detê-lo de forma não mediática; seria sempre uma questão de minutos, mais dez menos dez. 

Adiante... Sócrates é um garboso rapaz, banhou-se na multidão, assumiu o poder (e de que maneira...), vestiu-se de Armani, pavoneou-se e, quando deixou para trás o país na bancarrota, foi filosofar para Paris, pagar almoços como um árabe e deleitar-se no bem-bom. Ou seja esteve-se completamente "dans les encres" (que é como quem diz "nas tintas") para o povinho e fê-lo com altivez e ar de gozo. Gastou, comprou, pôs e dispôs como se fosse um herdeiro rico, como se não tivesse contas a dar. E, espantosamente, ninguém lhas pediu, ou conseguiu pedir. 

Pois, mas tem contas a dar: ele foi primeiro-ministro, um cargo público ao serviço dos portugueses e pago por estes para o exercer no seu melhor interesse, seu, dos portugueses, como deverá ser óbvio.
E na hora de o deter, vamos ter todos muito respeitinho pelo cidadão, pela privacidade, pela presunção de inocência? Para o descaramento com que nos gozou muita sorte teve o cidadão.

Deixemo-nos de tretas, aqueles, poucos mas barulhentos, que vieram à boca de cena preocupados com a forma da detenção de Sócrates, por "questões de princípio", ética de justiça, protecção da sociedade civil, só lhes deu para se preocuparem com ética e justiça agora, nestes últimos dias? Presunção de inocência? Mas somos todos parvos? Onde tinha essa gente metido os seus princípios e as sua noções de ética quando se silenciou perante a arrogante e bem gozada impunidade de um tipo que tinha, e tem, uma indiscutível e enorme responsabilidade perante todos os portugueses?
Não me venham pregar moral com a conivência no bolso, o único pecado na detenção de Sócrates é ter tardado tanto.


E tendo eu pensado isto encontrei o artigo de hoje do JMF.
Não digo mais nada.

É talvez altura de nos curarmos 
de vez do socratismo
José Manuel Fernandes - in "Observador" - 25 Nov. 2014

Uma parte do país – e um contingente notável de comentadores – parecem continuar em estado de negação. Durante anos não quiseram ver, não quiseram ouvir, não quiseram admitir que havia no comportamento de José Sócrates ministro e de José Sócrates primeiro-ministro demasiados “casos”. Em vez disso só viram cabalas, só falaram em perseguições, só trataram eles mesmo de ostracizar ou mesmo perseguir os que se obstinavam em querer respostas, os que insistiam em não ignorar o óbvio, isto é, que Sócrates não tinha forma de justificar os gastos associados ao seu estilo de vida.

Agora, que finalmente a Justiça se moveu, eles continuam firmes na sua devoção – e nas suas cadeiras nos estúdios de televisão. Não lhes interessa conhecer o que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro, apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça. Antes, anos a fio, quando não havia segredo de justiça para invocar, desvalorizaram sempre todas as investigações jornalísticas que tinham por centro José Sócrates.

Isto é doentio e revela até que ponto o país ainda não se libertou da carapaça que caiu sobre ele nos anos em que o ex-primeiro-ministro punha e dispunha. Nessa altura também muitos, quase todos, se recusavam a ver, ouvir ou ler, até a tomar conhecimento. Não me esqueço, não me posso esquecer que quando o Público, de que eu era director, revelou pela primeira vez a história da licenciatura, seguiu-se uma semana de pesado silêncio que só foi quebrada quando o Expresso, então dirigido por Henrique Monteiro, resistiu às pressões do próprio Sócrates e repegou na história e denunciou as pressões. Não me esqueço que tivemos uma Entidade Reguladora da Comunicação Social que fez um inquérito e concluiu que o silêncio de toda a comunicação num caso de evidente interesse público não resultara de qualquer pressão – a mesma ERC que depois condenaria a TVI por estar a investigar o caso Freeport. Como não me esqueço de como uma comissão parlamentar chegou mais tarde à mesma conclusão, tal como não me esqueço de como vi gestores de grandes empresas deporem com medo do que diziam.

Muitos dos que agora rasgam as vestes porque o antigo primeiro-ministro foi detido no aeroporto foram os mesmos que nunca quiseram admitir que havia um problema com Sócrates, com os seus casos, com o seu comportamento, com o seu autoritarismo. E também com o seu estilo de vida.

Há momentos que chegam a ser patéticos. Como é possível, por exemplo, que um homem supostamente inteligente, como Pinto Monteiro, queira que nós acreditemos que foi convidado por José Sócrates para um almoço, de um dia para o outro, numa altura em que o cerco se apertava, e que, naquele que terá sido o seu primeiro almoço a sós, só falaram de livros e viagens, como se fossem dois velhos amigos? Como é possível que continue a defender a decisão absurda sobre a destruição das escutas? Ou a achar que nada mais podia ter sido feito na investigação do caso Freeport?

Mas há também um lado doentio e provinciano na forma como se tem comentado este caso. Uma das raras pessoas que detectou essa anormalidade foi Nuno Garoupa, professor catedrático de Direito nos Estados Unidos e que, por ter respirado ares mais arejados, não teve dúvidas, notando que “nós é que vivemos num mundo mediático”, não é a Justiça que cria o circo, como se repetiu ad nauseam nas televisões. Mais: “A opinião pública pode e deve fazer um julgamento político, independentemente do julgamento legal e judicial. A política e a justiça não são a mesma coisa.” Ou seja, deixem-se da hipocrisia do “inocente até prova em contrário”, pois isso é verdade nos tribunais mas não é verdade quando temos de julgar politicamente alguém como José Sócrates. O julgamento político, como ele sublinha, não está sujeito aos mesmos critérios do julgamento penal.

A clareza do debate político exige pois que saibamos fazer distinções. A distinção que António Costa fez logo na madrugada de sábado, quando disse que “os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a acção política do PS”, é justa e mantém toda a sua pertinência. Se o PS tem conseguido manter a frieza – quase todo o PS, pois são raras e muito pontuais as excepções –, é importante para esse mesmo PS ir mais longe. E tocar um ponto nevrálgico: aquilo que nós, cá fora, sabíamos sobre as excentricidades e as práticas de José Sócrates dão-nos apenas uma pequena amostra do que se sabia em muitos círculos do PS. Sabia, mas não se comentava, mal se sussurrava.

Vou mais longe: nos partidos estas coisas são conhecidas. Pelo menos no PSD e no CDS, para além do PS. Ninguém ficou surpreendido quando a Justiça caiu sobre Duarte Lima – todos os seus companheiros de bancada conheciam as suas excentricidades. Pior: muitos ainda hoje comentam como a Justiça ainda não apanhou alguns antigos secretários-gerais, aqueles que tratavam das contas e apareceram ricos de um dia para o outro. Pior ainda: nos bastidores dos partidos as histórias de autarcas, em particular de alguns dinossauros, são infindáveis. E há longínquas férias na neve de dirigentes partidários que incomodam os seus correligionários sem que nada aconteça para além de um comentário fugaz.

Vamos ser claros, deixando a hipocrisia do respeitinho de lado. A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado. A percepção que corroía a confiança nas instituições não era sobre se os seus direitos humanos poderiam vir a ser negados (a sugestiva preocupação de Alberto João Jardim), mas sim sobre se algum dia um aparelho judicial que, anos a fio, pareceu amestrado seria capaz de apanhar alguns dos fios das muitas meadas tecidas pelo antigo primeiro-ministro.

Escrevi-o muitas vezes e vou repeti-lo: José Sócrates foi a pior coisa que aconteceu na democracia portuguesa nos últimos 40 anos, e não o digo por causa da bancarrota. Digo-o por causa da forma como exerceu o poder, esperando fazê-lo de forma absoluta, sem contestação, sem obstáculos, sem críticos. Não os tolerava no PS, no Governo, nos jornais, nos bancos, nas grandes empresas do regime.
Não sou a primeira pessoa a descrever assim José Sócrates. Nem essa descrição é recente. Recordo apenas um texto de António Barreto, de Janeiro de 2008 (há quase sete anos, bem antes da bancarrota), onde se escrevia que “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”. Lembram-se? Eu não o esqueci.

O que distingue o socratismo não é uma visão da forma de ser socialista, é uma visão schmittiana de exercício do poder. Compreendo que o seu estilo de líder forte possa ter fascinado quem cavalgou a onda, mas é bom que hoje olhem para o elixir que provaram e que os inebriou, e percebam que era um veneno. Ou seja: acordem para a realidade. Depois do que se passou nos últimos dias, do que já sabemos sobre os contornos do processo e das acusações, do que imaginamos mas ainda não sabemos, a pergunta que muitos têm de intimamente fazer é “como foi possível?”, “como é que acreditei?”. Porque se não forem por esse caminho o seu único refúgio acabará por ser uma qualquer teoria da conspiração como a imaginada pelo insubstituível MRPP.

Ao contrário do que se repetiu à exaustão, o carácter não é um detalhe em política. E se ninguém deve apagar rostos em fotografias, à la Stalin, também é preciso de olhar de frente para o que, no passado, recomenda que se exorcizem fantasmas, demónios, maus hábitos e práticas não recomendáveis.

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O JUIZ

O Exmo. Senhor Juiz Carlos Alexandre
num momento de pausa


NÃO AGUENTO ISTO SÓBRIA

Eu bem digo que não posso ouvir os noticiários nacionais...
Nem dez minutos passados das 20h estava a olhar, estupefacta, para a bastonária da Ordem do Advogados, Elina Fraga -  amigalhaça daquele finíssimo rapaz Marinho e Pinto -  cheia de dúvidas sobre a legalidade da detenção do outro durante três dias.

"Temos visto nos últimos tempos com preocupação a permanente detenção de pessoas para interrogatório. A detenção só pode ser feita de acordo com aquilo que está estipulado no Código de Processo Penal (CPP) e, portanto, havendo perigo de fuga, flagrante delito, perigo de continuação da actividade criminosa ou havendo o perigo de alguma intranquilidade na comunidade"
Queria que lhe tivessem mandado uma cartinha a pedir "S.F.F. passe por cá"... C'um caraças! A mulher estava a ombrear com a Edite Estrela na inflamação que pôs na defesa do homem! Do homem-macho!
A senhora que se seguiu
Escusando-se sempre a comentar o caso concreto da detenção do ex-primeiro ministro José Sócrates, Elina Fraga advertiu ainda que esta é uma das duas dimensões que a estão "a atormentar enquanto bastonária da Ordem dos Advogados" e que "merecem preocupação de toda a sociedade".

A outra é, segundo Elina Fraga, "estar-se a estimular a justiça na praça pública, com pessoas a serem detidas sem que haja o gozo da presunção de inocência, à frente de câmaras de televisão, com fugas de informação que constituem violações do segredo de justiça, o que é crime em Portugal". (in Jornal de Negócios/Agência Lusa)
O gozo da presunção de inocência???  Ela achará que o "gozo" foi pouco?
Terá a senhora bastonária, mulher de leis, visto com igual preocupação a prolongadíssima impunidade de José?

Às 20h11 aparece o Pinto Monteiro... O Pinto Monteiro! Dêem-me um whisky por favor que eu não aguento isto sóbria! 


"Fiquei surpreendido quando José Sócrates me convidou para almoçar na terça-feira passada (no Ritz), eu nunca tinha almoçado com ele, nem nunca tinha falado com ele a sós... Falamos das viagens dele, disse que tinha um livro para me oferecer... Almoço absolutamente inocente".
"O Processo Freeport foi uma fraude, volto a afirma-lo, é um processo inventado, fez-se tudo o que era possível, análises a contas bancárias, e não foi encontrado nada: Eu nunca na vida tive o processo no meu gabinete" diz o Procurador que mandou queimar as gravações telefónicas. Porreiro pá!

Só a expressão "absolutamente inocente" empregue num contexto que envolve estes dois, ou qualquer um deles per si, me eleva os cantos da boca, não sei se sorria se rosne.

Como é possível eu conseguir jantar depois disto? Bahhh, que enjôo!

Mudo de canal, aparece-me a Constança Cunha e Sá a opinar a bem da justiça. Esta quer que a escrivã venha explicar, junto dos jornalistas,  por que é que a comunicação das medidas de coação aplicadas aos arguidos está tão demorada; os noticiários da noite estão quase a terminar...
Ai tia, não aguento mais, são muitas medidas de coação sobre a minha cabeça; acho que vou levar o copo para a cama e ver o Fox Crime.

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SOMOS (do ex- ) PRIMEIRO ?

Nem de propósito, se fosse combinado não me saía tão bem.

Não é para "voltar à carga", até porque o contexto é outro, mas dizia eu há 3 dias, aí mais abaixo:

.../... A RTP, televisão pública, em particular: desde que puseram lá "aquele comentador" domingueiro, que em vez de ir botar faladura perante um tribunal tem antena nacional para opinar ao desbarato .../...
Hoje um cidadão, numa emissão de TV privada de audiência baixa queixava-se assim: (aguardar uns segundos pelo vídeo)



Falavam de traumas de infância... pois, pode ser.

Também há dois dias (21 Nov.) José Manuel Fernandes dedicou umas linhas à RTP num artigo com o título "Esse despautério sem fim que é a RTP"
 e a dada altura diz assim:
"Infelizmente este episódio também mostra o erro deste Governo, e engano de Miguel Poiares Maduro em particular, quando achou que os problemas da RTP se resolviam afastando-a das interferências do governo por via de um Conselho Geral Independente. Está à vista de todos como, na terra de ninguém que assim se criou, a RTP faz gato-sapato de todos e segue em frente. A empresa tornou-se numa espécie de república autónoma, em completa autogestão, ao serviço exclusivo da oligarquia que a domina. Não responde a nada nem a ninguém, apesar de ser alimentada pelas nossas taxas. Pagamos e, supostamente, calamos: é essa a sua noção de relação com aqueles que são, em última análise, os seus accionistas. Com a perversidade de dar cirurgicamente palco a muitos figurões do regime (o principal dos quais com direito a tempo de antena semanal ao domingo; "
Soma e segue


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Esclarecimento...

Após uns quantos anos a dedicar neste blog tanta junção de letrinhas a "meu José", perguntaram-me vários curiosos se perante a sua detenção não tenho nada a dizer...

Não, não tenho. Aguardo a evolução do inquérito.
Sobre "meu José" tenho a opinião formada há muitos anos, da qual, neste blog, dei largo testemunho, nada me ocorre a acrescentar.
Tenho alguma fé na justiça ao ver o Senhor Juiz Carlos Alexandre encabeçar este processo; de resto só me ocorre um dito antigo expresso na sabedoria popular:

"Quem cabritos vende e cabras não tem, tem de dizer donde vem."


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OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES

... MAS AS OCASIÕES NEM SEMPRE SÃO PARA OS AMIGOS


“Os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a acção política do PS, que é essencial preservar, envolvendo o partido na apreciação de um processo que, como é próprio de um Estado de direito, só à Justiça cabe conduzir com plena independência, que respeitamos”
"O PS deve “concentrar-se na sua acção de mobilizar Portugal na afirmação da alternativa ao Governo e à sua política”.
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CHAMADAS PRIVADAS, PÚBLICAS BARRACAS

Francamente não é por nenhuma forma de snobismo mas há muito tempo que desisti de ver a RTP; a RTP e os canais portugueses de um modo geral: não vejo novelas, não me passa pela cabeça ver reality shows suburbanos nem aquelas coisas que nos impingem às carradas, os noticiários dão-me coceira.  A RTP, televisão pública, em particular: desde que puseram lá "aquele comentador" domingueiro, que em vez de ir botar faladura perante um tribunal tem antena nacional para opinar ao desbarato, só uso a RTP para ver um ou outro jogo de futebol, um filme de longe em longe e já sobra.

Não vejo a RTP mas talvez faça mal... ele há coisas na RTP que não serão fáceis de encontrar por aí nas BBC's ou nas CNN's, talvez no AXN-Black em noite de Halloween, ou na Sky-Movies em programação de homenagem aos Monty Pyton.

Ontem jogou a Selecção, ontem vi a RTP... Ah, mas não vi o suficiente! Estivesse eu estado atenta às notícias sobre a Selecção e teria presenciado em directo (na RTP é em direto) um momento de televisão raro, de criatividade inigualável, de grande rigor e brio profissional de um enviado especial.

Se eu fosse mulher dele ligava-lhe durante os directos, dizia-lhe para pôr em "alta-voz",  pedia-lhe um pacote de arroz carolino e um Ájax limpa-vidros, com tanta gente a ver alguém havia de o lembrar...


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PONHAM-LHE O NEURÓNIO NA ENGORDA

Veio parar-me sob o nariz um escrito da famosíssima Margarída Rebelo Pinto e a coisa fede...


Veio parar-me sob o nariz, sob os olhos e subiu-me ao cérebro; deu-me naúseas.
A madame escritora redigiu para o semanário Sol, que publicou em 2010 (há contextos em que compreendo a censura) uma espécie de colectânea das suas opiniões que titulou: “As Gordinhas e as Outras”.  Este textozinho, curto mas mauzinho - e não me refiro à qualidade literária mas ao veneno viscoso que encerra - parece que reapareceu pelas redes sociais em 2012 onde terá sido largamente comentado. Eu não o vi... Mas não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, hoje lá me tocou a vez.

Nunca fui "gordinha", com mais ou menos peso fui sempre mais para o lado do osso, pessoalmente era suposto não me sentir tão arrepiada com a leitura. Pois, mas sinto. Sinto e sinto as raivinhas de dentes que a madame Margarida rosna cerrada nas entrelinhas do seu texto, a que ela chama "crónica", deixando inadvertidamente escapar algumas fustrações e inseguranças. O problema dela não são "as gordinhas" propriamente ditas, são os "direitos" que madame Margarida acha que elas têm e que "as outras" não têm. (Não estou a inventar, deixo o texto aí abaixo). Começa a famosíssima autora por dizer:
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas
A descrição acima, mais à esquerda ou mais à direita poderia assentar-me bem, nas épocas idas em que eu tinha bicho-formigueiro e não parava em casa. Nunca fui uma perfeita maria-rapaz mas estive sempre longe do que se chama uma menina e, essa parte da amigalhaça companheirona, serve-me desde que aplicada à saudável convivência com pessoas que conheço bem, de há anos e que são para mim amigalhaços companheirões, eles e elas. Será que o sindicato das "gordinhas" me processa se souber disto? Será que me multa por uso indevido de características?

Não entendo o drama desta mulher... 

Ou talvez entenda...
Diz ela:
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras (.../...)Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. (.../...)Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. (.../...) Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Coitada de madame Margarida, o que ela sofre... Sofre para ser gira (?), sofre porque é gira (?), e sofre porque queria ter os direitos que por ser gira (?) não tem.

Coitada de madame Margarida, não percebe nada sobre o que é uma mulher gira.
Uma mulher gira pode ser gorda ou magra, feia ou bonita, nova ou nem por isso, uma das poucas coisas que se lhe exige, para ser de facto gira, é que seja exactamente como é; que não seja uma construção que  dá trabalho e requer diplomacia, que não seja uma "mise en cène" programada e ajustada. Há momentos, companhias e circunstâncias que devem ser levadas em consideração, está bem, mas isto não é sinónimo de uma "adaptação da personalidade" a um fim, neste caso a importantíssima e omnipresente finalidade de "ser gira!!!"

E só mais uma coisinha: Ser gira não é uma coisa que se programe para "que gozem de um estatuto especial entre os homens"... como a sensatez da maturidade vem, quase sempre, demonstrar. Há pessoas que conquistam um estatuto especial entre as outras pessoas, pela sua maneira de ser, pelas suas qualidades, pelo seu carácter; o resto são fogos factuos, ilusões e parvoíces.


Margarida, que idiota!

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"As gordinhas e as outras"


“Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena.
Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.
Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»
Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas.” 
Crónica de Margarida Rebelo Pinto

QUANDO A INCONSCIÊNCIA NÃO TEM LIMITES

Não comento, 
limito-me a traduzir e transcrever um artigo publicado dia 11 Nov. na CNN on line.

E pergunto-me... se, em vez de Obama, a Sala Oval fosse, neste momento, ocupada por Bush (qualquer um deles, sénior ou júnior), o que estaríamos vivendo no nosso mundo, em particular na Europa?

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Russian provocations on the rise: Is it a new Cold War?

updated 13:42 PM GMT, Tues Nov 11, 2014
By Richard Allen Greene and Inez Torre, CNN
  • A maior caça a um submarino em águas suecas desde o fim da Guerra Fria. 
  • Uma quase colisão entre um avião militar russo e uma aeronave de passageiros sueca transportando 132 pessoas. 
  • O sequestro de um funcionário da Estónia a partir do território deste membro da OTAN, apenas alguns dias após o presidente dos EUA, Barack Obama ter visitado a nação báltica. 

Qualquer um destes três incidentes poderia ter originado um confronto militar entre a Rússia e o Ocidente,  sugere um novo relatório - e todos eles ocorreram nos últimos nove meses. 
Os incidentes são descritos em "Dangerous brinkmanship ", uma análise que lista mais de 40 "estreitos encontros militares  entre a Rússia e o Ocidente", que ocorreram nos oito meses entre Março e Outubro deste ano. 
O relatório, da Rede de Liderança Europeia, classifica a pesquisa submarina,  a companhia aérea em grave risco de colisão e o rapto na Estónia, como "incidentes de alto risco." Categoriza ainda 11 outros eventos como "graves" e sugere que poderiam ter dado origem a uma grave escalada. 
A maioria envolve aviões russos ameaçando a NATO ou seus aliados. Incluem o que parece ter sido um ataque simulado na ilha dinamarquesa de Bornholm, assim como aeronaves russas que rasaram um navio de guerra da Marinha dos EUA, uma fragata canadiana, e vários outros incidentes entre aviões russos e suecos.

(clicar para aumentar)

"Os acontecimentos dramáticos são uma expressão da "política de Putin para reivindicar um lugar apropriado (da Rússia) no sistema internacional";
o presidente russo, quer forçar o Ocidente "a aceitar uma alteração fundamental da ordem internacional", disse o especialista russo Igor Sutyagin. 

"Putin está tentando intimidar o Ocidente por forma a conseguir um regresso a um relacionamento amigável com a Rússia", disse Sutyagin, um pesquisador sénior do Royal United Services Institute, o  "think tank" com sede em Londres que se foca em defesa e segurança.

 "Putin disse abertamente que a Rússia é um urso e um urso nunca pede permissão a ninguém para agir como quiser", disse Sutyagin. 

O Ministério da Defesa russo, a Força Aérea russa, e o porta-voz de Putin recusaram todos as várias solicitações da CNN para responderem ao relatório da Rede de Liderança Europeia. 

Autoridades russas minimizaram ou omitiram muitos dos incidentes individuais no momento em que estes foram relatados publicamente. 

Mas a própria OTAN disse, no final de Outubro, já tinha realizado três vezes mais interceptações de aviões russos no espaço aéreo europeu, em 2014, que em todo o ano de 2013. 

Segundo a OTAN, houve quatro interceptações de grupos de aeronaves russas apenas nos últimos dias de Outubro.

A Rede de Liderança Europeia relaciona o aumento da actividade da Rússia desde o conflito com a Ucrânia e da anexação da Criméia. 

Isto levou a NATO a "aumentar a sua presença militar ao longo de seu flanco oriental", incluindo mais policiamento aéreo, mais voos de reconhecimento, mais navios no Mar Báltico e no Mar Negro, mais exercícios militares na região, segundo o relatório - o que tem vindo a colocar os dois lados num maior contacto do que anteriormente."
Fonte:"Dangerous Brinkmanship," a European Leadership Network policy brief .

"O relatório especula que a Rússia está a testar e observar a OTAN e os seus sistemas de defesa nacional, e buscando propaganda de vitórias pelo uso da força, ou a ameaça do seu uso, contra os seus vizinhos. 
A resposta do Ocidente terá repercussões muito além da Rússia, advertiu Sutyagin. 

"Não é uma questão de 26 aviões de combate voando em algum lugar", disse ele. "Há muitas outras pessoas no mundo que gostariam imenso de seguir o exemplo de Putin. "Isso é uma chamada de alerta muito importante para a sociedade norte-americana, para as sociedades europeias: é necessário defender os nossos ideais, a nossa prosperidade, a nossa riqueza", disse. 

A análise "Dangerous Brinkmanship," (Provocação perigosa) é baseada em relatos da imprensa e declarações do Pentágono e da NATO. 
A CNN cobriu muitos dos incidentes citados no relatório, e é citada como fonte de pelo menos um deles."

SEREI UMA SOCIOPATA ONÍRICA?

Estou um bocadinho preocupada...

Quando os russos invadiram a Crimeia comecei a ter uns sonhos estranhos. Depois tanques russos entraram na Ucrânia (ou passou a ser do domínio público que entravam)  por um lado enquanto eram enviados camiões de "ajuda humanitária" por outro, a frequência e estranheza destes sonhos começou a aumentar e não há meio de me passar.
Desde que a NATO interceptou, no espaço de uma semana, mais de cem bombardeiros russos em territórios da sua responsabilidade militar a coisa agravou-se exponencialmente, comecei mesmo a considerar a séria hipótese de deixar de ver, antes de ir dormir, a meia-horita de noticiário internacional.
Mas hoje tornou-se assustador, as imagens dos meus sonhos perseguem-me mesmo estando acordada, ao mais singelo fechar de olhos lá está ele, tão mudo e quedo quanto lívido, já não sei o que fazer...



E como se não bastasse  hoje deram-me um "bolinho da sorte" juntamente com o café a seguir ao almoço e dizia assim: