.

.
.
.
.
.

ZORBA A DANÇAR AS CZARDAS

O governo grego, já para os próximos dias tem a entregar ao FMI o primeiro pagamento, de 448 milhões de euros, referente ao primeiro resgate financeiro de 2010 até 9 de Abril, um outro de 200 milhões para os mercados  a 1 de Maio; a 14 tem a pagar 1700 milhões em salários e pensões...

O pagamento ao FMI estará garantido e o respeitante aos mercados estará pela metade (segundo analistas em Bruxelas). Depois virá o grosso do pacote em Junho e nos dois meses seguintes... Esses estão actualmente a descoberto, assim como o funcionalismo do Estado grego.


No passado domingo, após um encontro informal em Washington, com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, Yanis Varoufakis garantiu que a Grécia “tenciona cumprir todas as suas obrigações para com todos os seus credores. O governo grego sempre cumpriu as suas obrigações e continuará a fazê-lo.” 

(Ouvem-se vozes de "apoiado, muito bem, tens uma g'anda lata" )


No dia seguinte, segunda-feira passada, dia em que as negociações técnicas foram retomadas em Bruxelas, Lagarde e Varoufakis encontraram-se com responsáveis do Tesouro norte-americano, entre eles o sub-secretário Nathan Sheets, encarregado dos assuntos internacionais e a conselheira do Presidente Barack Obama para a economia internacional, Caroline Atkinson. 


Mas na política, entre o que se ganha e o que se perde, baralha-se, volta-se a dar à espera de que tudo se transforme...



Alexis Tsipras, foi direitinho a Moscovo onde se reuniu com Vladimir Putin, não sem antes ter o cuidado de defender o fim das sanções da UE à Rússia, cuja economia está em recessão. Na agenda do encontro Tsipras-Putin estão restrições russas a produtos alimentares gregos e as relações bilaterais. Uma fonte do Kremlin admitiu que a Rússia poderá fazer descontos no gás que vende à Grécia. Segundo o gabinete de Tsipras, a reunião com Putin servirá para discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia, turismo, energia, investimento e comércio. 


"Discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia" ??? O homem ensandeceu ou tem um mandato secreto?

Foi declarado para a imprensa que não estão previstas ajudas económicas de Moscovo a Atenas...
Considerando a actual recessão russa e a política internacional que Putin insiste em manter não vale a pena "o roto e pedir ao nu que lhe empreste umas roupitas".

Pergunto eu, então o que foi Tsipras fazer a Moscovo?

Digo eu, asneiras, mais asneiras. Foi por-se a jeito, mostrar o rabo e chegar à previsível conclusão que dali não vem 1 litro... a menos que levasse 5, ou 10.

Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.

Horas antes do encontro Tsipras/ Putin, Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, foi avisando:
"A Grécia pede e obtém muito solidariedade da União Europeia. Podemos assim também pedir solidariedade à Grécia para que não saia unilateralmente das medidas conjuntas. As suas acções em Moscovo devem ser baseadas nisso". "A União Europeia espera isso dele como chefe de Governo de um Estado-membro"."
"Criámos as fundações para um novo relacionamento entre os dois países", assegurou esta tarde o primeiro-ministro grego. Alexis Tsipras falava após o encontro com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscovo, onde defendeu o fim das sanções impostas pela União Europeia no rescaldo da intervenção russa no leste da Ucrânia."
 (in Blooberg TV)
(Então mas afinal a Rússia sempre interveio no leste da Ucrânia? O Kremlin sempre o tem vindo a negar...)

As agências internacionais escrevem que Moscovo e Atenas se preparam para assinar acordos comerciais em diversas áreas, com o objectivo de estreitar relações ao longo dos próximos três anos.
"Segundo avança o jornal russo Kommersant, citando uma fonte do governo de Putin, na calha poderá estar a oferta de gás russo mais barato e eventualmente empréstimos a Atenas, em troca de acesso privilegiado às privatizações gregas. A Grécia compra 57% do gás que consome à Rússia, e já em 2013 a Gazprom tentara, sem êxito, comprar a grega DEPA. Moscovo estará ainda disposta a levantar o embargo, com que retaliou os países da União Europeia, para apenas permitir a entrada de produtos agrícolas gregos." (in Blooberg TV)
Vladimir Putin, mostrou grande interesse em dinamizar as relações comerciais entre os dois países e em participar em negócios na área da energia - designadamente para estender o gasoduto que promete ligar a Rússia à Turquia (através do mar Negro) a território grego, transformando a Grécia (em vez da Bulgária, originalmente envolvida no falhado "south stream") no "hub" de distribuição de gás para os Balcãs e para Europa central. O governo grego, assim como o governo  húngaro de  Viktor Órban, querem financiamento europeu para um troço deste projecto, conhecido por "turkish stream", por intermédio do "plano Juncker", destinado a relançar o investimento na União Europeia."(in Jornal de Negócios on line) 
O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heroico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. 

 Mas há coisas que o governo grego ainda não percebeu... 

 Assim como não existem empréstimos incondicionais, nem perdões de dívida a um Estado (muito menos quando outros Estados, como por exemplo Portugal, se esfarrapam para conseguir cumprir os seus compromissos de pagamento), assim como não se vence as acordadas exigências da "troika", com arrogantes tomadas de posição de "No meu governo mando eu"; também não se dobra a tomada de posição da União Europeia ao decidir impor embargos económicos a um país invasor de um Estado independente e soberano. A aldeia global existe e não é apenas virtual, o individualismo estatal está morto. 

 E mais..

Pergunto-me o que pensará o povo grego, ocidental por cultura e tradição, ao ver o seu país furar o conjunto de castigos económicos  e isolamento de um Estado agressor e invasor de um outro Estado soberano. Talvez seja tempo de Tsipras fazer umas revisões e lembrar o que opôs Atenas e Esparta. Embora os guerreiros tenham vencido a guerra do Peloponeso foram engolidos pela história e pela degradação do mundo helénico.

.

OS LUCROS DOS TRABALHADORES

.
Tenho um amigo que publicou hoje, a propósito de uma notícia que saiu no passado dia 24/03, a seguinte exclamação da sua alma em revolta:
"Privatizaram a Lisnave para agora aparecerem estes resultados desastrosos? ... Paralisação, Já!"
Solidarizei-me de imediato partilhando a sua indignação; há que lutar pelos direitos dos trabalhadores e pela distribuição de riqueza.
Para quando um Nicolás Maduro em Portugal que nos defenda? 
Razão têm os Syrizas ao guardarem as suas nacionalizações populares, o sector privado é uma miséria para o povo. Quem precisa dos milhões que uma privatização dá aos cofres do Estado se depois os resultados são estes?
E não há-de o povo estar chateado...

(Pois é, tenho dias em que acordo para o lado esquerdo... Hoje deve ter sido o caso, está mesmo a apetecer-me uma manifestação de protesto domingueira seguida de uma greve geral à segunda-feira. 
Então ninguém trata disso?



"A Lisnave vai distribuir 1,2 milhões de euros pelos trabalhadores efectivos como "gratificação de balanço" pelos resultados alcançados em 2014. "
"Ou seja, um lucro líquido de 6,47 milhões de euros, anunciou esta quinta-feira a empresa de reparação naval de Setúbal.
A decisão foi revelada em comunicado divulgado após a Assembleia Geral de Accionistas da Lisnave, realizada esta quinta-feira, em que foi aprovado o Relatório de Gestão e Contas de 2014.
De acordo com o comunicado, a Lisnave reparou no ano passado um total de 92 navios de 21 países, "apesar do volátil e adverso contexto que vive o mercado do shipping internacional", tendo registado um volume de vendas de 85,67 milhões de euros.
O comunicado salienta ainda que a Lisnave exporta 98 por cento da produção, com uma incorporação nacional superior a 90 por cento. "Agência Lusa" - "Jornal I"
E não digo mais nada

MAIS VALE ESTAR CALADA

Tenho estado muito calada... Pois tenho, o estado do mundo dá-me conta da cabeça.

O suposto "Estado Islâmico", o filho da senhora Putin, as imagens da Ucrânia, o Boko Haram e as crianças a quem vestem coletes-bomba na Nigéria, Al Assad e o sacrilégio da Síria, o nó górdio no Irão, o Yemen a explodir. E todas as outras loucuras incompreensíveis... Obras de arte milenares destruídas, atentados terroristas, milhões de refugiados em tendas de armazéns apátridas, assassinatos impunes, perseguições religiosas, confrontos pseudo-racistas manipulados por motivos bem claros e bem obscuros
Não consigo alhear-me; não sei se o lamente se me congratule.
Não consigo sentar-me frente a um computador e do alto do meu conforto dissertar acerca da desgraça alheia que também é do meu mundo, não tenho fuga.
Prefiro não perder boas ocasiões para estar calada, o pudor de me sentir triste olhando o mundo sobrepõe-se a qualquer verbalização dessa tristeza ao ter consciência do privilégio de viver em paz.
...De nada me queixo, até teria vergonha.


.

A REALIDADE DOS FACTOS


Há verdades que chateiam de tão verdade que são e, quando essas verdades são brasas que aquecem a sardinha do outro ainda chateiam mais, ainda que aqueçam também a nossa sardinha.

Como dizia "o outro", criam-se factos políticos, berra-se bem alto sobre o que está mal (claro que muito está mal, não temos santo milagreiro em funções nem a árvore das patacas no jardim), fazem-se greves que não colam, omite-se sob o tapete que se vai puxando o que não convém que  seja divulgado. Não gasto mais palavras a expor o que toda a gente sabe, quer se coloque por um lado ou por outro.

De resto mais não preciso dizer, pego nas palavras cruas que Sandra Clemente publicou ontem no Económico e tenho dito.
Quem ficar chateado por a sardinha estar assada pode recorrer aos insultos habituais, ou olhar para os horizontes nacionais e constatar que se encontram bem mais alargados do que há quatro anos, sem Parthenon em ruínas.

-------------------<0>---------------------

O Governo de Passos
Passos Coelho pegou num país falido, sem acesso a financiamento e comprometido com um programa de ajustamento violentíssimo e conduziu-o, durante três anos, para fora do resgate, voltando a financiar-se nos mercados a taxas de juro mais baixas de sempre, pôs a economia a crescer, o desemprego a baixar e o emprego a aumentar.
"A primeira etapa, tirar o país da assistência financeira, foi ultrapassada e a segunda, fazer de Portugal um país com futuro, semeada durante a primeira, está a ser vencida. O País tem confiado. Nestes quatro anos o Governo reformou de tal maneira a economia que alterou o seu perfil estrutural com consequências a todos os níveis: o sector exportador está a ser o motor de saída da crise. Aumentou o investimento (o público está em queda). A prioridade é agora a industrialização. Na banca mudaram todos os protagonistas. Na classe política virou a geração, na empresarial está a virar. Saíram 60 mil pessoas do Estado que funciona. 
Na educação saíram cerca de 30 mil professores e ninguém ficou sem aulas; na saúde a factura com medicamentos e as rendas aos laboratórios caíram centenas de milhões de euros; na justiça foi feita uma reforma sem precedentes; na defesa a reforma 2020; na energia e obras públicas (PPP) foram cortadas rendas com poupanças, presentes e futuras, de milhões de euros ao contribuinte; o Estado manteve e reforçou a rede de segurança para os mais vulneráveis à crise. Pelo caminho, o Governo enfrentou a oposição do Constitucional que boicotou a reforma do aparelho do Estado e a não comparência do PS para um acordo inadiável de reforma da segurança social. 
Não são queixas, são factos, e os factos criaram impossibilidades. O alerta do FMI para que as reformas estruturais não parem terá muito de pressão para o Governo mas chama sobretudo a atenção para o retrocesso que significam Costa e ‘entourage', membros dos governos de Sócrates que faliram o país, que continuam a prometer o que nos faliu e tudo o que o Governo Grego foi obrigado a congelar há duas semanas para obter financiamento: aumento de salários públicos, pensões e investimento público (tudo sem planeamento, sem gerar valor acrescentado, apenas dívida), travar privatizações. Já ultrapassamos esta fase, o Governo precisa de mais quatro anos para a modernidade do país se solidificar." In: http://economico.sapo.pt/noticias/o-governo-de-passos_214480.html


.

NÃO HÁ DIREITO...

"Pulgas atacam cela e perna de Sócrates"

"A cela de Sócrates terá sido invadida por pulgas e o ex-primeiro-ministro terá sido atacado pelas pulgas numa perna, segundo relatou o camarada de reclusão, o inspector da PJ João Sousa, no seu blogue. "

"João, o que acha disto? É bicho? Estou cheio de comichão! 
"São pulgas, José. O meu caro tem pulgas!", escreve o inspector, que aconselhou o ex-governante a "lavar a cela". "
In Correio da Manhã - 2Fev.2015





JUROS DA DIVIDA PORTUGUESA

Está uma rapaziada do PS com más digestões por o Matraquilho ter dito que Portugal de encontra em melhor do que há quatro anos.

Tse, tse, tse... Já deviam saber que o Toino-Matraquilho diz sem pensar no que diz (e às vezes até sem pensar o que diz)

Desta vez reconheço que o homem tem razão. Ele há coisas...
Cá para mim deve ter sido algum bruxedo que lhe fizeram.


Recado:

Exmos Senhores
Alexis Tsipras
Yanis Varoufakis 

Se não sabem como é que isto se faz, como se consegue, e dá-me a sensação de que não terão grandes pistas sobre o assunto, perguntem ao Pedro que ele explica-vos de boa vontade.

Boa sorte
Alex.
.

PARA PENSAR TRÊS VEZES

Li duas biografias de Stephen Hawking (a de Kitty Ferguson e a de Michael White + John Gribbin)não sei qual delas a mais impressionante.
Stephen Hawking é uma pessoa fascinante, um cientista incomum, uma mente brilhante, um ser humano único.

Não tivera ele a fatalidade de lhe ter sido anunciada, aos 21 anos, uma degradação física irreparável e galopante que, teoricamente,  o conduziria à morte no espaço de dois anos, ainda assim seria não seria menos admirável, porém as suas características pessoais a montante do seu brilhantismo científico fazem dele um personagem único na história da humanidade.

Hoje, com 73 anos e mais de 125 trabalhos  e conferencias publicados entre 1966 e 2014, entre os quais 13 livros http://www.hawking.org.uk/publications.htmle ainda uma serie e dois filmes para o canal Discovery e dois filmes para o Channel 4 em trabalhos notáveis de divulgação cientifica e pedagógica.

Agora a história de Stephen Hawking inspirou um filme. E que filme, minhas senhoras e meus senhores! Im-per-dí-vel.

Para além do insuperável trabalho de Eddie Redmayne no papel de Hawking (é impossível que não esteja ali o "Oscar" de este ano) e da conseguida tentativa de permanecer fiel aos factos. inclusivamente recriando cenas conhecidas como o casamento ou filmes domésticos com as crianças,  a história, as cenas, a força, a dignidade do que se desenrola perante os nossos olhos é absolutamente imperdível.
Compreensivelmente Hawking disse após ter visto o filme: "Senti uma mistura incrível" (entre a representação e si próprio)

Quando me sinto uma desafortunada por ter de me levantar cedo, com frio, quando acho que tenho de fazer um grande esforço para cumprir com o que devo por estar demasiado cansada, etc., lembro-me frequentemente de Stephen Hawking e, envergonhada, ando para a frente. Mas saber é uma coisa e "ver" é outra; creio que muitos de nós pensarão três vezes antes de emitir o mais leve queixume após ver este filme, com os olhos, o coração e o cérebro.

















CONSOLAÇÃO


A esperança na humanidade é feita destes bocadinhos
Não é apenas um salvamento, são os cuidados e os carinhos que se seguiram.

 


.

OS LIMITES DO BOM-SENSO

No dia 7 deste mês, dia do primeiro ataque terrorista em Paris, deixei aqui um registo do que se tinha passado, sem comentários ou considerações relativas à revista "Charlie Hebdo".
O que me chocou, revoltou, enojou, foi, uma vez mais, o terrorismo em si, o ataque a cívis desarmados, a violência pela disseminação do medo. Palavras minhas, usei-as à laia de Post scriptum para referir o seguinte:

Aflige o terrorismo, desenfreado, enlouquecido.

Aflige a reacção a este tsunami assassino sem fronteiras nem limites, crescente, em vias de descontrolo.

Há pouco mais de meio século o mundo viveu as consequências de um anti-semitismo irracional e poderoso

O radicalismo islâmico está empurrando o mundo para uma reacção de revolta e auto-defesa cujos limites se vão esfumando de dia para dia

Só os Estados muçulmanos, numa condenação inequívoca, activa e absolutamente demarcada, podem erguer alguma força contra esta tempestade de "Mal" que assola o mundo
... antes que seja demasiado tarde.  
Inshallah
Sobre a "Charlie Hebdo" não disse nada, nada tinha a dizer, pelo menos dentro daquele contexto: foram vítimas do que abomino, praticam um tipo de imprensa que não me agrada, de todo, mas que, e ainda bem, têm toda a liberdade para a fazer.

Dias passados fizeram a primeira publicação após aquela chacina.
Não me passa pela cabeça o que será trabalhar naquele ambiente tendo presente, de um ponto de vista pessoal, íntimo, aquele horror, aquela injustiça; o sangue, a ausência, a saudade, a revolta e eu sei lá mais o quê. A absoluta desconsolação.
Não posso dizer que compreendo, não me atrevo.
Para além de tudo o que há de imperdoável, revoltante e que chocou o mundo, independentemente de nacionalidades e religiões, há um lado pessoal que se me aparenta inimaginável.
Porém...

Somália - 17/01/15
Quando se tem em mãos uma publicação que vai ter uma tiragem de 1 milhão,
depois 3 milhões, depois 5 milhões, para além da que ultrapassou qualquer contagem e foi difundida via internet, é absolutamente indispensável que se pense, opte e se meçam os efeitos muito para lá das questões pessoais.
A nossa liberdade de expressão é importante, é fundamental mas não é a única coisa importante e fundamental no mundo e, se não houver consciência disto de nada vale, não há consciência de coisa alguma.

Eu vi, e a equipa que produz a "Charlie Hebdo" por certo também viu, os milhares, direi mesmo milhões, de muçulmanos que se manifestaram contra o sucedido, que choraram e gritaram "O Islão não é isto"; em Paris, fora dela e fora da Europa. Muitos não gritaram por saberem, melhor do que nós, que não o podem fazer.

Nigéria - 6 igrejas incendiadas
Não havia qualquer necessidade e muito menos qualquer vantagem em publicar uma nova caricatura de Maomé da dizer "Je suis Charlie".
Foi estúpido, foi arrogante, foi inconsequente.

Resultado: igrejas queimadas, consulados sitiados, cidadãos franceses ameaçados e fechados em casa. Os Jihadistas riem-se, somam e seguem. (Ver links no final do post)

Impressionou-me ver um imã egípcio a pedir, emotivamente, aos muçulmanos que ignorassem esta caricatura, dizendo que faz parte da liberdade de imprensa ocidental e que deve ser ignorada.
Não pude deixar de dar razão a vários muçulmanos turcos que disseram ser contra o que se tinha passado em Paris, que o terrorismo não segue os ensinamentos do Corão mas que se tinham sentido revoltados e desrespeitados pela nova publicação.
E outros, vários outros, muitos outros

Consulado Françês - Paquistão
E só mais uma palavra sobre a capa de revista:
Para além da caricatura pode ler-se "Tout est pardonné"...
Não sei por quem falam, por mim não é por certo.
O terrorismo não é perdoável, o jihadismo é inaceitável, a falta de respeito pela liberdade alheia é desumana, seja pela liberdade de expressão seja pela liberdade religiosa.

Fui "Charlie" no dia em que milhões foram "Charlie", muçulmanos inclusivé.


links:
http://www.bbc.com/news/world-africa-30863159
http://www.bbc.com/news/world-asia-30848689


.

O LUXO DE "BLOGAR"

Ás vezes é bom ter consciência de que escrever num blog o que nos dá na real gana é bom, é um direito, é um gosto.
Ás vezes tomar consciência de que escrever num blog  é um luxo, de que não é um dado adquirido, é devastador.

                                                                                                                 Foto: Amnistia Internacional
Castigo adiado! Esta sexta-feira Raif Badawi não foi chicoteado.
Podia ser uma boa notícia, não fosse o facto do motivo do adiamento ter sido médico. O blogger foi levado pela manhã à clínica na prisão. A conclusão: as feridas não sararam o suficiente para permitir que Raif resista a mais 50 chicotadas.

UMA PACÍFICA DECLARAÇÃO DE GUERRA


São poucos os "Dias Históricos" que ocorrem ao longo de uma vida humana média. Por "Dias Históricos" quero significar aqueles que têm impacto na história da humanidade, que marcam uma mudança real na história do mundo, na forma como vivemos, na consciência colectiva.
Ao longo do meu meio século pessoal - consciente de estar a ignorar milhares de descobertas e actos que quotidianamente contribuem para a evolução positiva e negativa da humanidade - ocorrem-me tantos quantos poderei contar pelos dedos das mãos como:

  1. a construção do Muro de Berlim (1961), 
  2. a chegada à Lua (1969 - como dia simbólico da conquista do espaço),  
  3. a revolução iraniana (1979), 
  4. a queda do Muro de Berlim (1989), 
  5. o lançamento da World Wide Web (1991) como o marco do início da utilização global da Internet, 
  6. o fim do Apartheid (1994), 
  7. o ataque ao World Trade Center (2001)
  8. o Crash dos mercados (2008)
  9. a ocupação da Crimeia (2014) reacendendo a "guerra fria"
  10. ...
O que se passou hoje em Paris parece ter o "carimbo" de Dia Histórico; é ainda cedo para o afirmar categoricamente, talvez... Tratou-se de uma mise en scène. Sim, claro, mas creio que se tratou também de uma fortíssima declaração de intenções.


Switzerland's President Simonetta Sommaruga (L), 
Turkey's Prime Minister Ahmet Davutoglu (2ndL),
 Ukraine's President Petro Poroshenko (3rdL),
 Organization for Economic Co-operation and Development

Obviamente que não me passa pela cabeça, creio que pela de ninguém, que o cerrar de fileiras, ombro a ombro, ocorrido hoje em Paris seja o embrião do mútuo entendimento dos diversos Estados e Instituições representados, a questão não é essa nem passa por aí.


Não pode deixar de ser significativo ver os reis da Jordânia, o presidente da autoridade palestiniana Mahmoud Abbas, o primeiro-ministro de Israel Netanyahu, na mesma fileira com os principais líders da Europa. Lamentável a ausência dos EUA, lamentável, embaixadora não chega. Punham-se problemas de segurança? Sim, muitos, graves, mas não em especial para Obama, muito pelo contrário.
Foi apenas uma questão de solidariedade política e condenação do terrorismo?
Não, não creio, essas estavam feitas, declaradas, expressas.

Estou em crer, quero crer, que se trata de uma tácita declaração de guerra à Jihad. 

Creio que este dia marcará o final de determinado tipo de tolerância, o final de uma política algo mole e descuidada, o entendimento prático de que as informações relativas à detecção e combate ao terrorismo não podem ser retidas por um só "serviço de inteligência" sendo imprescindível que pertençam a uma base de dados anti-terrorista global e de que a vigilância das populações não é um atentado aos direitos humanos, é a sua defesa.

Tenho consciência de que é praticamente impossível erradicar o terrorismo, em particular o jihadismo, há demasiados tarados neste mundo, mas é provável que hoje tenha sido o dia em que a forma do mundo lidar com esta aberração mudou.


A AVANTESMA TEOLÓGICA



Estou farta de saber que há coisas que não posso ouvir após a hora em que me proponho ir dormir, é como se injectasse cafeína directa à veia.

Esta madrugada, já após o bater das quatro, saiu-me ao caminho uma avantesma numa entrevista directa da CNN e, lamento dizê-lo, o pivot de serviço não teve capacidade para lhe pôr as perguntas que devia, para o confrontar com tanta idiotice e falsidade que proferiu - com ar doutoral como se fosse o supra-sumo da autoridade em terrorismo. Gostava de o ver nas garras experientes de uma Christiane Amanpour, uma Hala Gorani ou de um Anderson Cooper, mas creio que estes não gastam o seu anglo-saxónico com tipos que se põem em bicos de pés para vender livros e afagarem o ego.

O que tem graça (ou talvez os editores da CNN se tenham sentido tão assombrados quanto eu) é que quando, ainda agora, busquei a tal entrevista no site da CNN me apareceu apenas o final, tendo o revoltante chorrilho de asneiras desaparecido por artes virtuais. Por um lado é positivo: "coloque-se o lixo no lixo" mas por outro perde-se tamanha ilustração.

http://edition.cnn.com/videos/tv/2015/01/09/cnn-tonight-reza-aslan-don-lemon-islam-danger.cnn

A avantesma a quem me refiro é um teólogo que dá pelo nome de Reza Aslan e sobre quem apurei o seguinte:
  • O teólogo Reza Aslan nasceu em 1972 no Irão, numa família muçulmana e foi viver para S. Francisco. 
  • Em jovem experimenta uma conversão ao cristianismo mas não se convence. 
  • Volta a converter-se ao islamismo ( Shia Islam) em 1990 antes de ingressar em Harvard
  • Licencia-se em Sociologia das Religiões (University of California Santa Barbara) mas dá aulas de escrita criativa. 
  • A sua dissertação em História da religião: "Global Jihadism as a Transnational Social Movement: A Theoretical Framework".
  • Escreve uma "biografia" sobre Jesus mas sobre este só reconhece dois factos históricos: que era judeu e que liderou um popular movimento judeu na "Palestina" no princípio do séc I . - "Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth", published by Random House in July of 2013, and it is one in a long line of books challenging the portrait of Jesus given in the gospels. Powered by the Random House marketing machine behind it, "In the end, there are only two hard historical facts about Jesus of Nazareth upon which we can confidently rely: the first is that Jesus was a Jew who led a popular Jewish movement in Palestine at the beginning of the first century C.E.; the second is that Rome crucified him for doing so."the book quickly shot to the top of Amazon’s bestseller list. - 
_____________________

Apresentado o animal há pelo menos uma conclusão imediata que sou levada a retirar: Não há nada como ter títulos académicos para legitimar as barbaridades que possam passar por uma mente ávida de público.

Mas o que disse esta autoridade teológica (que dá aulas de Escrita Criativa e vive em Hollywood) que tanto me irritou?

Sumariamente, e lamentado não conseguir aceder à entrevista na integra, opinou assim:

- A Europa sofre de uma crise de identidade, os europeus já não sabem quem são, não estão preparados para viver em sociedades multi-culturais onde se cruzam com caras pretas, mestiças, orientais, muçulmanas, etc. 
- Esta crise de identidade europeia gera uma enorme instabilidade, polarização e pressão sobre as comunidades estrangeiras, e nas muçulmanas em particular, criando uma sensação de não-pertença nestas populações que leva a actos de violência. 
- Esta instabilidade leva falta de aculturação, quer relativamente à cultura de onde provêem como àquela nova onde não se conseguem integrar 
- Para isto muito tem contribuído a legislação de exclusão de direitos praticada na Europa. A França nunca tolerou o multi-culturalismo, na Alemanha desde há meses que milhares e milhares se manifestam todas as semanas contra os muçulmanos - como por exemplo a tremendamente racista Suécia - há uma guerra civil a decorrer na Europa!!!
(Gostava de perguntar a este gajo de quantas igrejas cristãs, sinagogas ou templos budistas tem ele conhecimento em territórios islamitas, se permitem que as mulheres europeias se vistam de acordo com a sua cultura e costumes, etc,etc,etc) 
"-There is a civil war taking place in Europe, the Europeans don't know who they are anymore. They're fighting to figure out who they are. " 

"-We have seen a lot of anti-Muslim violence in Europe as well as Muslim violence against Europeans." 

- Daqui resulta que estes muçulmanos desenraízados se tornam presas fáceis para organizações como a Al-Quaeda que têm vindo a oferecer, a conferir, um preenchimento dessa lacuna de identidade e um propósito de luta pessoal, não só aos muçulmanos estrangeiros como aos próprios europeus que sofrem de perda de identidade. 
- Por último, menos grave e, a meu ver, servindo um propósito ao qual me referirei mais abaixo, considera os Estados Unidos um óptimo modelo (a great model) do que há a fazer para minimizar a situação acima descrita; sendo os EUA uma sociedade de muitas culturas, religiões e etnias, que vivem conjuntamente em harmonia, é a sociedade do séc.XXI. 
Esta leitura apresenta-se-me, no mínimo, como irónica e metida a ferros: Presentemente, nos EUA tem-se vindo a assistir a prolongados e violentos confrontos raciais como os originados em Fergusson, provocando uma radicalização entre comunidades negras para com a polícia "branca", quando Obama faz, várias vezes, de moderador na televisão nacional apelando à unidade dos americanos como um só povo, quando o "Mayor" de Nova Iorque se vê contestado pelo NYPD por ter aconselhado um miúdo mestiço seu familiar a ter cuidado na sua interacção com a polícia... Que falta de sentido de oportunidade, mais valia estares calado.
______________________

Então mas o animal é estúpido? Não, não é estúpido, é um péssimo jogador de poker. Expõe os seus propósitos na tentativa de ocultar o que lhe vai na mente e no peito. Enaltece a América, vitimiza o Islão, caracteriza a Europa como uma velha perdida. Tem "tiques" de expressão a interpretar numa visão pessoal que não comento...

A meu ver...

Este péssimo jogador de poker tenta dissimular os seus "telhados de vidro" (mais "mentalmente seus" do que "socialmente seus") num americanismo militante e exacerbado enquanto vai culpando a Europa que acusa de ter perdido a sua identidade e de se radicalizar, originando o extremismo terrorista devido à manifestação de intolerância, racismo e mesmo de ataques violentos às comunidades muçulmanas, vitimas desta radicalidade europeia.

Aah, condenando, claro, os ataques terroristas, absolutely.

Uma coisa vaticino convictamente: este tipo vai dar que falar, vai aparecer a opinar até dizer chega. Lata não lhe falta e um piquinho a escândalo que é coisa que tem sempre audiência. Raios o partam.

Que par de estalos tão bem pregado!!! Só me apetece dar-lhe bengaladas!

------------------------------

Post Sciptum:

Mesmo antes de carregar na tecla "Publish" fiz uma nova busca do vídeo com a entrevista integral, incomoda-me publicar palavras de terceiros, para mais algo inverosímeis como as que acima relato, sem um suporte factual

Por vezes a teimosia compensa... A entrevista integral continua a não estar disponível na CNN (nem no canal CNN do YouTube) mas acabei por a encontrar.

Queiram Vs. Exas. deleitar-se.




.

CON-SEQUENCIA

Carlos Latuff @LatuffCartoons
Humor... Muito a sério
5 estrelas.


.

JE SUIS CHARLIE


Utilizadores de redes sociais por todo o mundo responderam ao ataque contra os escritórios da revista satírica Charlie Hebdo com a hashtag #jesuischarlie numa onda de solidariedade para com as vítimas e em defesa da liberdade de expressão.

Três homens armados e mascarados invadiram os escritórios da revista satírica Charlie Hebdo, que já tinha sido anteriormente atacada após ter publicado uma representação do profeta Maomé. Os atacantes estavam armados com Kalashnikov e crê-se que também teriam uma granada-foguete durante o ataque esta manhã de quarta-feira.
Pelo menos 12 pessoas foram mortas a tiro, entre as quais dois polícias, e outras cinco gravemente feridas. 

(O assassinato frio e desnecessário de um dos polícias no vídeo abaixo)


 Footage captures gunmen shooting a man to the ground, then firing again at his head in what appears to be a cold-blooded murder on the streets of Paris

A video posted online captured two gunmen, clad all in black and carrying Kalashnikovs, taking fire at a lone policeman in the aftermath of the massacre.The graphic video shows the victim falling to the ground and holding his hands up to surrender before apparently being executed with a point blank shot to the head.The gunmen, who appear to be professionally trained, then jog back to a black Citroen car waiting in the middle of the road before driving off.Other videos from today's horrific attack show the gunmen shouting 'Allahou Akbar' outside the office of Charlie Hebdo in Paris and bystanders fleeing the carnage. (http://www.mirror.co.uk/)










Post scriptum:
Tristemente lamentável... Gravemente consequente...

Este primeiro post do novo ano de 2015... Este primeiro post do novo ano, lamentavelmente cola-se ao último que escrevi em 2014.

Aflige o terrorismo, desenfreado, enlouquecido.
Aflige a reacção a este tsunami assassino sem fronteiras nem limites, crescente, em vias de descontrolo.
Há pouco mais de meio século o mundo viveu as consequências de um anti-semitismo irracional e poderoso
O radicalismo islâmico está empurrando o mundo para uma reacção de revolta e auto-defesa cujos limites se vão esfumando de dia para dia
Só os Estados muçulmanos, numa condenação inequívoca, activa e absolutamente demarcada, podem erguer alguma força contra esta tempestade de "Mal" que assola o mundo
... antes que seja demasiado tarde.  
Inshallah


.

COITADINHOS DOS TERRORISTAS

Cresci a ouvir falar de guerras, eu e quase toda a gente no mundo; a guerra colonial, a guerra do Vietname, o Cambodja, Beirute, o Biafra, a guerra dos 6 dias, o Yom Kipur e sei lá mais quantas. Cresci a ouvir falar de guerras, a vê-las na televisão, tive sorte, houve quem as vivesse e quem não tivesse tido tempo para crescer.

Desde que existe humanidade que andamos em confrontos... Não é por acaso que as primeiras imagens do inimitável e sempre novo "2001 Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, se inicia, na alvorada da humanidade, com luta e a descoberta da primeira "arma": um fémur. Um fémur utilizado para agredir e decidir o clã vencedor.

Mas as guerras eram guerras... Guerras, a Primeira e a Segunda, a ameaça nuclear da Terceira, as guerras quentes e frias, o Muro, os gulags, a fome... Em nome de tudo e mais alguma coisa, em nome de Deus - seja lá qual Deus for - em nome da justiça, da liberdade, da vingança, da honra... No fundo só existem duas grandes causas: sobrevivência por um lado,  território, poder e riqueza por outro, o resto é retórica, dialéctica, argumentação.

Actualmente as guerras decresceram, são guerrilhas, mas estou em crer que a violência é crescente. Actualmente os confrontos são geograficamente limitados - como o sudeste da Ucrânia, a Faixa de Gaza ou algumas zonas específicas em África - mas os ataques letais e violentos podem bater a qualquer porta em inúmeros lugares do mundo. Vivemos sob a ameaça do Terror, o terrorismo é o modus vivendi e o modus operandi na actual Ordem Mundial.

Não preciso forçar a memória, as últimas 24 horas chegam para ilustrar o que estou a dizer:

Ontem um tarado islamita qualquer, que se estivesse mais vigiado estaria certamente preso, tomou conta de um inócuo café na baixa de Sydney, fez dezenas de reféns e acabou morto, ele e mais duas pessoas - um jovem gerente de loja e uma jovem que tinha ido tomar o pequeno-almoço.


Hoje, ainda mal tinha amanhecido por cá já se noticiava que o Movimento dos Talibãs do Paquistão ocupara uma escola em Peshawar com cerca de 500 pessoas, alunos e professores, e mataram mais de 140, na sua maioria crianças.
"Muitos foram executados no principal auditório da escola, mas os sobreviventes dizem que os atacantes foram de sala em sala e abriram fogo contra alunos e professores.O porta-voz do grupo, Muhammad Umar Khorasani, numa declaração às agências noticiosas internacionais,  disse que os seis combatentes taliban tinham “ordens específicas para não fazerem mal a menores”."
Pois... por não quererem fazer mal a menores é que atacaram uma escola...

Sobre terrorismo nem vale a pena ir além destas últimas 24 horas, a lista é interminável, a escolha entre os ataques muitíssimo difícil e não acrescentaria nada de novo, todos sabemos, independentemente dos nossos ideais, credos e éticas.

Uma coisa porém valerá a pena lembrar: sem a actual hiper-vigilância contra-terrorista a lista seria inimaginavelmente mais extensa; felizmente vivemos na ignorância de quantos ataques terroristas são travados pelo mundo.
Aqueles que se sentem incomodados pelas câmaras de vigilância, pelas escutas telefónicas, pela grelha sobreposta a e-mails, pelo escrutínio de visionalisação de sites na Net e pelo Projecto Echelon da NSA, deveriam ganhar uma consciência mágica que lhes permitisse tomar conhecimento de quanta violência e sofrimento já foram evitados, de quantas vidas já foram poupadas devido à vigilância e acção contra-terrorista. Como saber se algum, ou alguns, daqueles que amamos, para já não falar de quantos nos são anónimos, poderiam neste momento já não estar connosco devido a uma viagem de avião em férias, a um pequeno-almoço na pastelaria errada, à visita a um museu imperdível ou a qualquer outro momento inocente e quotidiano?

Pela parte que me toca não me sinto nada incomodada, muito pelo contrário, quanto mais eficaz e global for a vigilância contra-terrorista mais segura me sinto. Venha a CIA, o MI6, a Mossad e outros que tais, é um preço que aceito de bom grado e se for preciso aplicar práticas "chocantes", como o afogamento simulado e outras formas violentas para obter informação, pois que se apliquem. Eu só tenho a agradecer que exista quem suje as mãos por mim - para eu poder bradar aos céus contra a tortura na segurança do meu cantinho.

E...

Não me venham, de ânimo leve dizer que "nós" não somos terroristas, que temos de ser diferentes, temos de velar pelas boas práticas sem ceder à violência.

Sim, "nós" somos diferentes, "nós" não obrigamos ninguém a professar a nossa religião sob ameaça de morte, "nós" não armadilhamos crianças que explodem em nome do que nem sabem, "nós" não cortamos cabeças para exibir em vídeos, "nós" não violamos e escravizamos mulheres e meninas, "nós" não encostamos a um qualquer muro de via pública aqueles que nos incomodam para os fuzilar sem julgamento, apelo ou agravo, "nós" não vaticinamos a ocupação do mundo por uma machista, sub-medieval e violentíssima "Lei de Sharia" em teocracias de leis voláteis.

"Dar a outra face" não significa, nunca significou, pormo-nos a jeito para levar outra bofetada, significa não nos deixarmos vencer ao levar a primeira, significa não nos acobardarmos perante a violência alheia.

Há pessoas indignadas pelos relatórios da CIA? Está bem, felizmente têm a liberdade - sobretudo emocional - de se sentirem indignadas.
(Tivessem sofrido na pele e no coração as consequências do terrorismo e pergunto-me se teriam a mesma reacção...
Independentemente de ter presente de que os princípios éticos não devem ser abalados pela vivência pessoal a verdade é que uma coisa é a teoria e outra é matarem-nos um filho.)
A mim indigna-me a progressão do terrorismo em todas as suas facetas, sobretudo quando se torna uma prática quotidiana.
"Nós" temos o direito e o dever de prevenir, antecipar e punir os ataques terroristas de que sejamos alvo, doa a quem doer

E não me importo mesmo nada que lhes doa.

.

PONTOS NOS I's - HOJE NÃO ME APETECE BRINCAR

"A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado" (JMF)
________________________ 

Ao longo destes últimos dias, desde a detenção de Sócrates, não ouvi uma única voz - de jornalista, político ou comum mortal entrevistado na rua - cair em descrédito e dizer: "Não pode ser, Sócrates é um homem sério".
Retiremos conclusões...

Ouvi sim uma espécie de zarolhos - daqueles que só vêm para um lado - insurgirem-se com a forma "mediática" como Sócrates foi detido, como se fosse possível detê-lo de forma não mediática; seria sempre uma questão de minutos, mais dez menos dez. 

Adiante... Sócrates é um garboso rapaz, banhou-se na multidão, assumiu o poder (e de que maneira...), vestiu-se de Armani, pavoneou-se e, quando deixou para trás o país na bancarrota, foi filosofar para Paris, pagar almoços como um árabe e deleitar-se no bem-bom. Ou seja esteve-se completamente "dans les encres" (que é como quem diz "nas tintas") para o povinho e fê-lo com altivez e ar de gozo. Gastou, comprou, pôs e dispôs como se fosse um herdeiro rico, como se não tivesse contas a dar. E, espantosamente, ninguém lhas pediu, ou conseguiu pedir. 

Pois, mas tem contas a dar: ele foi primeiro-ministro, um cargo público ao serviço dos portugueses e pago por estes para o exercer no seu melhor interesse, seu, dos portugueses, como deverá ser óbvio.
E na hora de o deter, vamos ter todos muito respeitinho pelo cidadão, pela privacidade, pela presunção de inocência? Para o descaramento com que nos gozou muita sorte teve o cidadão.

Deixemo-nos de tretas, aqueles, poucos mas barulhentos, que vieram à boca de cena preocupados com a forma da detenção de Sócrates, por "questões de princípio", ética de justiça, protecção da sociedade civil, só lhes deu para se preocuparem com ética e justiça agora, nestes últimos dias? Presunção de inocência? Mas somos todos parvos? Onde tinha essa gente metido os seus princípios e as sua noções de ética quando se silenciou perante a arrogante e bem gozada impunidade de um tipo que tinha, e tem, uma indiscutível e enorme responsabilidade perante todos os portugueses?
Não me venham pregar moral com a conivência no bolso, o único pecado na detenção de Sócrates é ter tardado tanto.


E tendo eu pensado isto encontrei o artigo de hoje do JMF.
Não digo mais nada.

É talvez altura de nos curarmos 
de vez do socratismo
José Manuel Fernandes - in "Observador" - 25 Nov. 2014

Uma parte do país – e um contingente notável de comentadores – parecem continuar em estado de negação. Durante anos não quiseram ver, não quiseram ouvir, não quiseram admitir que havia no comportamento de José Sócrates ministro e de José Sócrates primeiro-ministro demasiados “casos”. Em vez disso só viram cabalas, só falaram em perseguições, só trataram eles mesmo de ostracizar ou mesmo perseguir os que se obstinavam em querer respostas, os que insistiam em não ignorar o óbvio, isto é, que Sócrates não tinha forma de justificar os gastos associados ao seu estilo de vida.

Agora, que finalmente a Justiça se moveu, eles continuam firmes na sua devoção – e nas suas cadeiras nos estúdios de televisão. Não lhes interessa conhecer o que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro, apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça. Antes, anos a fio, quando não havia segredo de justiça para invocar, desvalorizaram sempre todas as investigações jornalísticas que tinham por centro José Sócrates.

Isto é doentio e revela até que ponto o país ainda não se libertou da carapaça que caiu sobre ele nos anos em que o ex-primeiro-ministro punha e dispunha. Nessa altura também muitos, quase todos, se recusavam a ver, ouvir ou ler, até a tomar conhecimento. Não me esqueço, não me posso esquecer que quando o Público, de que eu era director, revelou pela primeira vez a história da licenciatura, seguiu-se uma semana de pesado silêncio que só foi quebrada quando o Expresso, então dirigido por Henrique Monteiro, resistiu às pressões do próprio Sócrates e repegou na história e denunciou as pressões. Não me esqueço que tivemos uma Entidade Reguladora da Comunicação Social que fez um inquérito e concluiu que o silêncio de toda a comunicação num caso de evidente interesse público não resultara de qualquer pressão – a mesma ERC que depois condenaria a TVI por estar a investigar o caso Freeport. Como não me esqueço de como uma comissão parlamentar chegou mais tarde à mesma conclusão, tal como não me esqueço de como vi gestores de grandes empresas deporem com medo do que diziam.

Muitos dos que agora rasgam as vestes porque o antigo primeiro-ministro foi detido no aeroporto foram os mesmos que nunca quiseram admitir que havia um problema com Sócrates, com os seus casos, com o seu comportamento, com o seu autoritarismo. E também com o seu estilo de vida.

Há momentos que chegam a ser patéticos. Como é possível, por exemplo, que um homem supostamente inteligente, como Pinto Monteiro, queira que nós acreditemos que foi convidado por José Sócrates para um almoço, de um dia para o outro, numa altura em que o cerco se apertava, e que, naquele que terá sido o seu primeiro almoço a sós, só falaram de livros e viagens, como se fossem dois velhos amigos? Como é possível que continue a defender a decisão absurda sobre a destruição das escutas? Ou a achar que nada mais podia ter sido feito na investigação do caso Freeport?

Mas há também um lado doentio e provinciano na forma como se tem comentado este caso. Uma das raras pessoas que detectou essa anormalidade foi Nuno Garoupa, professor catedrático de Direito nos Estados Unidos e que, por ter respirado ares mais arejados, não teve dúvidas, notando que “nós é que vivemos num mundo mediático”, não é a Justiça que cria o circo, como se repetiu ad nauseam nas televisões. Mais: “A opinião pública pode e deve fazer um julgamento político, independentemente do julgamento legal e judicial. A política e a justiça não são a mesma coisa.” Ou seja, deixem-se da hipocrisia do “inocente até prova em contrário”, pois isso é verdade nos tribunais mas não é verdade quando temos de julgar politicamente alguém como José Sócrates. O julgamento político, como ele sublinha, não está sujeito aos mesmos critérios do julgamento penal.

A clareza do debate político exige pois que saibamos fazer distinções. A distinção que António Costa fez logo na madrugada de sábado, quando disse que “os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a acção política do PS”, é justa e mantém toda a sua pertinência. Se o PS tem conseguido manter a frieza – quase todo o PS, pois são raras e muito pontuais as excepções –, é importante para esse mesmo PS ir mais longe. E tocar um ponto nevrálgico: aquilo que nós, cá fora, sabíamos sobre as excentricidades e as práticas de José Sócrates dão-nos apenas uma pequena amostra do que se sabia em muitos círculos do PS. Sabia, mas não se comentava, mal se sussurrava.

Vou mais longe: nos partidos estas coisas são conhecidas. Pelo menos no PSD e no CDS, para além do PS. Ninguém ficou surpreendido quando a Justiça caiu sobre Duarte Lima – todos os seus companheiros de bancada conheciam as suas excentricidades. Pior: muitos ainda hoje comentam como a Justiça ainda não apanhou alguns antigos secretários-gerais, aqueles que tratavam das contas e apareceram ricos de um dia para o outro. Pior ainda: nos bastidores dos partidos as histórias de autarcas, em particular de alguns dinossauros, são infindáveis. E há longínquas férias na neve de dirigentes partidários que incomodam os seus correligionários sem que nada aconteça para além de um comentário fugaz.

Vamos ser claros, deixando a hipocrisia do respeitinho de lado. A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado. A percepção que corroía a confiança nas instituições não era sobre se os seus direitos humanos poderiam vir a ser negados (a sugestiva preocupação de Alberto João Jardim), mas sim sobre se algum dia um aparelho judicial que, anos a fio, pareceu amestrado seria capaz de apanhar alguns dos fios das muitas meadas tecidas pelo antigo primeiro-ministro.

Escrevi-o muitas vezes e vou repeti-lo: José Sócrates foi a pior coisa que aconteceu na democracia portuguesa nos últimos 40 anos, e não o digo por causa da bancarrota. Digo-o por causa da forma como exerceu o poder, esperando fazê-lo de forma absoluta, sem contestação, sem obstáculos, sem críticos. Não os tolerava no PS, no Governo, nos jornais, nos bancos, nas grandes empresas do regime.
Não sou a primeira pessoa a descrever assim José Sócrates. Nem essa descrição é recente. Recordo apenas um texto de António Barreto, de Janeiro de 2008 (há quase sete anos, bem antes da bancarrota), onde se escrevia que “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”. Lembram-se? Eu não o esqueci.

O que distingue o socratismo não é uma visão da forma de ser socialista, é uma visão schmittiana de exercício do poder. Compreendo que o seu estilo de líder forte possa ter fascinado quem cavalgou a onda, mas é bom que hoje olhem para o elixir que provaram e que os inebriou, e percebam que era um veneno. Ou seja: acordem para a realidade. Depois do que se passou nos últimos dias, do que já sabemos sobre os contornos do processo e das acusações, do que imaginamos mas ainda não sabemos, a pergunta que muitos têm de intimamente fazer é “como foi possível?”, “como é que acreditei?”. Porque se não forem por esse caminho o seu único refúgio acabará por ser uma qualquer teoria da conspiração como a imaginada pelo insubstituível MRPP.

Ao contrário do que se repetiu à exaustão, o carácter não é um detalhe em política. E se ninguém deve apagar rostos em fotografias, à la Stalin, também é preciso de olhar de frente para o que, no passado, recomenda que se exorcizem fantasmas, demónios, maus hábitos e práticas não recomendáveis.

.

O JUIZ

O Exmo. Senhor Juiz Carlos Alexandre
num momento de pausa


NÃO AGUENTO ISTO SÓBRIA

Eu bem digo que não posso ouvir os noticiários nacionais...
Nem dez minutos passados das 20h estava a olhar, estupefacta, para a bastonária da Ordem do Advogados, Elina Fraga -  amigalhaça daquele finíssimo rapaz Marinho e Pinto -  cheia de dúvidas sobre a legalidade da detenção do outro durante três dias.

"Temos visto nos últimos tempos com preocupação a permanente detenção de pessoas para interrogatório. A detenção só pode ser feita de acordo com aquilo que está estipulado no Código de Processo Penal (CPP) e, portanto, havendo perigo de fuga, flagrante delito, perigo de continuação da actividade criminosa ou havendo o perigo de alguma intranquilidade na comunidade"
Queria que lhe tivessem mandado uma cartinha a pedir "S.F.F. passe por cá"... C'um caraças! A mulher estava a ombrear com a Edite Estrela na inflamação que pôs na defesa do homem! Do homem-macho!
A senhora que se seguiu
Escusando-se sempre a comentar o caso concreto da detenção do ex-primeiro ministro José Sócrates, Elina Fraga advertiu ainda que esta é uma das duas dimensões que a estão "a atormentar enquanto bastonária da Ordem dos Advogados" e que "merecem preocupação de toda a sociedade".

A outra é, segundo Elina Fraga, "estar-se a estimular a justiça na praça pública, com pessoas a serem detidas sem que haja o gozo da presunção de inocência, à frente de câmaras de televisão, com fugas de informação que constituem violações do segredo de justiça, o que é crime em Portugal". (in Jornal de Negócios/Agência Lusa)
O gozo da presunção de inocência???  Ela achará que o "gozo" foi pouco?
Terá a senhora bastonária, mulher de leis, visto com igual preocupação a prolongadíssima impunidade de José?

Às 20h11 aparece o Pinto Monteiro... O Pinto Monteiro! Dêem-me um whisky por favor que eu não aguento isto sóbria! 


"Fiquei surpreendido quando José Sócrates me convidou para almoçar na terça-feira passada (no Ritz), eu nunca tinha almoçado com ele, nem nunca tinha falado com ele a sós... Falamos das viagens dele, disse que tinha um livro para me oferecer... Almoço absolutamente inocente".
"O Processo Freeport foi uma fraude, volto a afirma-lo, é um processo inventado, fez-se tudo o que era possível, análises a contas bancárias, e não foi encontrado nada: Eu nunca na vida tive o processo no meu gabinete" diz o Procurador que mandou queimar as gravações telefónicas. Porreiro pá!

Só a expressão "absolutamente inocente" empregue num contexto que envolve estes dois, ou qualquer um deles per si, me eleva os cantos da boca, não sei se sorria se rosne.

Como é possível eu conseguir jantar depois disto? Bahhh, que enjôo!

Mudo de canal, aparece-me a Constança Cunha e Sá a opinar a bem da justiça. Esta quer que a escrivã venha explicar, junto dos jornalistas,  por que é que a comunicação das medidas de coação aplicadas aos arguidos está tão demorada; os noticiários da noite estão quase a terminar...
Ai tia, não aguento mais, são muitas medidas de coação sobre a minha cabeça; acho que vou levar o copo para a cama e ver o Fox Crime.

.

SOMOS (do ex- ) PRIMEIRO ?

Nem de propósito, se fosse combinado não me saía tão bem.

Não é para "voltar à carga", até porque o contexto é outro, mas dizia eu há 3 dias, aí mais abaixo:

.../... A RTP, televisão pública, em particular: desde que puseram lá "aquele comentador" domingueiro, que em vez de ir botar faladura perante um tribunal tem antena nacional para opinar ao desbarato .../...
Hoje um cidadão, numa emissão de TV privada de audiência baixa queixava-se assim: (aguardar uns segundos pelo vídeo)



Falavam de traumas de infância... pois, pode ser.

Também há dois dias (21 Nov.) José Manuel Fernandes dedicou umas linhas à RTP num artigo com o título "Esse despautério sem fim que é a RTP"
 e a dada altura diz assim:
"Infelizmente este episódio também mostra o erro deste Governo, e engano de Miguel Poiares Maduro em particular, quando achou que os problemas da RTP se resolviam afastando-a das interferências do governo por via de um Conselho Geral Independente. Está à vista de todos como, na terra de ninguém que assim se criou, a RTP faz gato-sapato de todos e segue em frente. A empresa tornou-se numa espécie de república autónoma, em completa autogestão, ao serviço exclusivo da oligarquia que a domina. Não responde a nada nem a ninguém, apesar de ser alimentada pelas nossas taxas. Pagamos e, supostamente, calamos: é essa a sua noção de relação com aqueles que são, em última análise, os seus accionistas. Com a perversidade de dar cirurgicamente palco a muitos figurões do regime (o principal dos quais com direito a tempo de antena semanal ao domingo; "
Soma e segue


.

Esclarecimento...

Após uns quantos anos a dedicar neste blog tanta junção de letrinhas a "meu José", perguntaram-me vários curiosos se perante a sua detenção não tenho nada a dizer...

Não, não tenho. Aguardo a evolução do inquérito.
Sobre "meu José" tenho a opinião formada há muitos anos, da qual, neste blog, dei largo testemunho, nada me ocorre a acrescentar.
Tenho alguma fé na justiça ao ver o Senhor Juiz Carlos Alexandre encabeçar este processo; de resto só me ocorre um dito antigo expresso na sabedoria popular:

"Quem cabritos vende e cabras não tem, tem de dizer donde vem."


.

OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES

... MAS AS OCASIÕES NEM SEMPRE SÃO PARA OS AMIGOS


“Os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a acção política do PS, que é essencial preservar, envolvendo o partido na apreciação de um processo que, como é próprio de um Estado de direito, só à Justiça cabe conduzir com plena independência, que respeitamos”
"O PS deve “concentrar-se na sua acção de mobilizar Portugal na afirmação da alternativa ao Governo e à sua política”.
.

CHAMADAS PRIVADAS, PÚBLICAS BARRACAS

Francamente não é por nenhuma forma de snobismo mas há muito tempo que desisti de ver a RTP; a RTP e os canais portugueses de um modo geral: não vejo novelas, não me passa pela cabeça ver reality shows suburbanos nem aquelas coisas que nos impingem às carradas, os noticiários dão-me coceira.  A RTP, televisão pública, em particular: desde que puseram lá "aquele comentador" domingueiro, que em vez de ir botar faladura perante um tribunal tem antena nacional para opinar ao desbarato, só uso a RTP para ver um ou outro jogo de futebol, um filme de longe em longe e já sobra.

Não vejo a RTP mas talvez faça mal... ele há coisas na RTP que não serão fáceis de encontrar por aí nas BBC's ou nas CNN's, talvez no AXN-Black em noite de Halloween, ou na Sky-Movies em programação de homenagem aos Monty Pyton.

Ontem jogou a Selecção, ontem vi a RTP... Ah, mas não vi o suficiente! Estivesse eu estado atenta às notícias sobre a Selecção e teria presenciado em directo (na RTP é em direto) um momento de televisão raro, de criatividade inigualável, de grande rigor e brio profissional de um enviado especial.

Se eu fosse mulher dele ligava-lhe durante os directos, dizia-lhe para pôr em "alta-voz",  pedia-lhe um pacote de arroz carolino e um Ájax limpa-vidros, com tanta gente a ver alguém havia de o lembrar...


.