RENTABILIZAR O IRÃO EM NOME DA NOVA GAZA

 

No 4° dia após o ataque ao Irão, já lá vão uns quantos, escrevi aqui:

A Rússia vê-se em dificuldades face ao fornecimento de armas vindas do Irão mas..., altamente dependente das exportações de petróleo, não verá com maus olhos tão retumbante crise petrolífera; o conflito pode acabar enriquecendo o Kremlin.

Um leitor assíduo deste blog, que não conheço pessoalmente mas que, com frequência, envia comentários aos posts publicados, escreveu-me assim:

"... com as tarifas comerciais que o Trump aplicou não estou a ver quem é que desejará agravar mais os encargos violando as sanções de importação do petróleo russo"

 Esta "credibilidade" seria um factor a considerar num contexto normal, com um presidente dos EUA minimamente normal. Não é o caso.

Respondi-lhe:

A ingenuidade do seu óbice será provavelmente testemunho de uma mente de boa-fé, não se aplica a Trump nem a Putin. Verá quantos poucos dias decorrerão até que Trump levante "temporariamente" as sanções petrolíferas à Rússia 

Não me acreditou...

A 14 de Março, dia a seguir a ter levantado as incómodas sanções,  Trump decididiu o começar o bombardeamento da ilha de Kharg, porto marítimo de exportação de petróleo a cerca de 25km da costa do Irão facilitando, com bons proveitos comerciais, a ancoragem de petroleiros de grande porte.  A ilha abriga as mais importantes infra-estruturas petrolíferas do Irão: é o terminal de uma rede de pipelines dos vários campos de petróleo do Irão e tornou-se o "armazém" de crude e de produtos refinados.

Após o primeiro bombardeamento, dirigido ao heliporto e às defesas aéreas – não danificando infra-estruturas petrolíferas, por certo mais na esperança de uma herança do que por respeito aos inúmeros avisos sobre o efeito que tal demonstração de mau-génio teria nos mercados energéticos mundiais – o Irão explicou-lhe  muito bem explicado que o bombardeamento da ilha de Kharg levará à destruição das estruturas petrolíferas dos países do Golfo Pérsico. Putin sorri.

Depois do êxito militar na Venezuela seguido de uma negociação com a espertíssima e experiente Delcy Rodríguez, a presidente interina que por lá ficou à espera que a crise passe, Trump, o super-trump, convenceu-se de que,  uma vez derrubado o Ayatollah, uma Delcy iraniana brotaria das ervas queimadas de Teerão ou, melhor ainda, o povo aclamaria o regresso de um Palahvi com a bandeira dos States no bolso da carteira, um Palahvi que só agora se lembrou de elevar a voz contra os horrores a que tem vindo a ser submetido o seu povo ao longo de décadas

O que Trump conseguiu não é uma Delcy, é um Kim Jong-un em embrião. Ouvem-se na bancada republicana vozes de "apoiado" e "muito bem", quando em público. Os militares não batem palmas.

Os militares avisaram Trump, os líders europeus avisaram Trump, os briefings de Inteligência (que o presidente não lê) avisaram que o Irão iria fechar o estreito de Hormuz, que seria necessário ponderar as consequências do ataque, estabelecer estratégias para lidar com a situação, prevenir um caos energético e económico... Trump não quis saber, não acreditou no óbvio, prosseguiu com a sua a sua habitual estratégia do "logo se vê", "I'll think of something"

A 8 de Março, Trump escrevia um ressabiado "bilhetinho"  ao primeiro-ministro do Reino Unido que destacou dois porta-aviões para defender Chipre mas não para o Golfo Pérsico : "Não precisamos de gente que se junte a guerras que já ganhámos".

No dia 10 fez uma re-edição da ameaça dedicada a Kim Jong-un durante o primeiro mandato, quando lhe prometeu "Fire and Fury como nunca se viu"; desta feita dedicou o fogo e fúria ao Irão SE fecharem o estreito de Ormuz.  - Se??? -   A 10 de Março? Em que planeta é que este animal tem estado desde 28 de Fevereiro?

Na sexta-feira, 27 de Fevereiro, quando terminaram as conversações com vista a um acordo entre americanos e iranianos - que, supostamente, continuariam na segunda-feira seguinte, dia 2 de Março - os iranianos estavam mais do que a postos no Estreito, não é preciso ser bruxo, o semblante de Kushner não engana um tonto; ao primeiro BUM, na manhã de 28, acabou-se o trânsito. SE fecharem o Estreito o estreito fica fechado, fim de papo.

Depois... Depois vieram falinhas mais mansas, ah e tal,  "Não precisamos de gente que se junte a guerras que já ganhámos" mas é bom que os europeus, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália., mandem as suas frotas para escoltar os petroleiros na passagem de Ormuz porque nós não damos conta do imbróglio.

Em 2019, Ilan Goldenberg, assessor para a política do Médio Oriente de Obama e líder da equipa do Departamento de Defesa sobre o Irão, alertou para que se ocorresse uma guerra contra o Irão, "serão certos os ataques a aliados dos EUA na região, o encerramento do Estreito de Ormuz, combates no Líbano entre Israel e o Hezbollah. Os ataques iranianos poderão fazer os preços globais do petróleo disparar durante semanas ou meses, talvez para 150 dólares ou mais por barril"

Pois... Querido Trump, o imbróglio é teu, tu o criaste, nem um aviso aos teu aliados, não ouviste qualquer opinião alheia para além da do teu companheiro de negócios israelita. Existiam argumentos de peso para não se fazer o que fizeste, estão à vista, não eram, como disseste, uma questão de cobardia... Tu não és corajoso, és um egocêntrico ignorante e amoral. Para além dos mais imediatos efeitos, económicos e energéticos, partiste o ovo da serpente: um regime no Irão ainda mais radicalizado, a ascensão, descontrolada internamente, do poder militar - tropas formatados desde meninos para a feroz e irracional defesa do regime teocrático -  e uma maior convicção de que é necessário armamento nuclear para sobreviver. Os que queriam negociar estão mortos, por muito maus que fossem eram mais racionais e pragmáticos do que estes. Quem lhes poderá dizer que não têm razão? Por que iriam acreditar? Kim Jong-un não acreditou, riu-se das ameaças, das "cartas de amor" de Trump e continuou para bingo. Do seu ponto de vista, está coberto de razão

Perante o "desembrulha-te sozinho" como resposta generalizada por parte dos aliados Trump, em óbvia fúria, joga uma carta que não tem: ameaça abandonar a NATO

«Os Estados Unidos foram informados pela maioria dos nossos “Aliados” na NATO que não querem envolver-se na nossa Operação Militar contra o Regime Terrorista do Irão, no Médio Oriente, isto, apesar do facto de quase todos os países concordarem fortemente com o que estamos a fazer, e de que não se pode, de forma alguma, permitir que o Irão possua uma Arma Nuclear. No entanto, não estou surpreendido com a acção deles, porque sempre considerei a NATO, onde gastamos centenas de biliões de dólares por ano a proteger esses mesmos países, como uma via de sentido único — Nós protegemo-los, mas eles não farão nada por nós, particularmente, em tempo de necessidade. Felizmente, dizimámos o Exército do Irão — A sua Marinha desapareceu, a sua Força Aérea desapareceu, a sua Defesa Anti-Aérea e Radar desapareceram e, talvez, o mais importante, os seus Líderes, praticamente em todos os níveis, desapareceram, nunca mais nos ameaçando -, aos nossos aliados do Médio Oriente, ou ao Mundo! Pelo facto de termos tido tanto Sucesso Militar, já não “precisamos”, nem desejamos, a assistência dos países da NATO — NUNCA PRECISÁMOS! Igualmente, do Japão, Austrália ou Coreia do Sul. De facto, falando como Presidente dos Estados Unidos da América, de longe o País Mais Poderoso em Qualquer Lugar do Mundo, NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM! Obrigado pela atenção a este assunto. Presidente DONALD J. TRUMP»

Desde o seu primeiro mandato que Trump tem ameaçado retirar-se da NATO, ordens são ordens... No final de Janeiro último, em Davos, durante a presença dos media às declarações conjuntas com o secretário-geral da NATO, fez questão de afirmar que duvidava da ajuda da NATO aos EUA caso fossem atacados. Mark Rutte, o conciliador, não lhe achou graça, lembrou a única vez que o artº5º foi evocado... E, tenhamos presente, os EUA não foram atacados. Os EUA atacaram um Estado soberano, o 2º desde o início de 2026, quando decorriam conversações com vista a um acordo - porque o acordo que existia foi siderado por Trump. Que esses Estados fossem (sejam) liderados por facínoras é outra questão, estão por aí facínoras de alto calibre que Trump defende e ajuda, está entre pares.

Mas... Retirar-se da Nato significaria, só assim em duas linhas,  perder bases militares estratégicas fundamentais, significaria o agravamento da já complicada clivagem dentro do partido republicano. Um novo impeachment paira sobre a sua cabeça e isso horroriza-o.

Trump tenta acabar a guerra, declarar vitória, objectivos cumpridos. Netanyahu telefona-lhe, nem te passe pela cabeça! O seu sinistro genro, o silencioso Kushner, que apresentou em Davos o plano "Nova Gaza", um projecto de reconstrução pós-guerra de US$ 25 bilhões que visa transformar a Faixa de Gaza numa faixa turística e comercial, um "centro de dados "e, em algumas propostas, a realocação de moradores para áreas sofisticadas denominadas "Nova Rafah", concebida para promover uma economia de livre mercado, baseada numa determinada cripto-moeda, um "país" privado gerido por Inteligência Artificial. Um projecto demoníaco, na base da fundação do "Board of Peace", que faz George Orwell parecer um escritor de contos infantis. O seu sinistro genro, o silencioso Kushner, o mesmo que com Witkoff, o amigalhaço de Putin esteve na última reunião para o acordo, horas antes do Irão ser atacado e que de novo serão destacados para novas negociações para por fim à guerra... Os iranianos não estarão interessados, vão espremer a situação até ao desespero, eles tinham o queijo e Trump entregou-lhes a faca.

Acabar com os ataques ao Irão? Mesmo que eles libertem Ormuz? Está um país privado em jogo, quem é que irá para a "Nova Gaza" com um Irão descontrolado ali tão perto? Kushner telefona ao seu grande amigo e financiador (US$6.2biliões) com uma Camelot da IA sobre a mesa dourada não há judeus e sauditas, há dinheiro, poder e interesses). Salman telefona a Trump: os teus aliados não te ajudam mas podes sempre contar com a minha amizade, apoio e tropas. Trump, amigo, a Arábia Saudita está contigo.
E Trump destaca tropas para seguirem para o Médio Oriente. Invasão ou não, heis a questão... Uma invasão é altamente provável... Encurralado entre uma América que se afunda e os amigos que arranjou poderá suspender a guerra por dias, reorganizar tropas e rezar aos seus demónios para que o safem desta, de mais esta.

É absolutamente claro que a guerra Israelo-americana não "está ganha" nem o regime está derrubado, nem foram eliminadas as capacidades convencionais do Irão, a prova é que o Estreito continua controlado por Teerão e instalações vitais para o comércio global de energia continuam ameaçadas em todo o Golfo Pérsico. 
Os Estados Unidos podem optar por intensificar o conflito, potencialmente usando forças terrestres para tomar instalações e território iranianos ou apoiando forças separatistas em todo o país. Os riscos dessas formas de escalada superam em muito seus possíveis ganhos, se falarmos de ganhos confessos e nos interesses dos EUA, enquanto Estado, e da economia global. Mas há outros ganhos, outros interesses...  Presentemente, com a economia global instável e o Médio Oriente em convulsão, a melhor opção para Trump é não se comprometer ainda mais com uma guerra que despoletou em plena ignorância e em "logo se vê", até ele percebe que precisa, rapidamente, de encontrar uma saída.”

Depois de ter dado ao Irão um prazo de 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz, Trump cedeu, alegando que seus representantes de confiança, Witkoff e Kushner, claro, haviam iniciado uma comunicação encorajadora com os líders iranianos, falou em  cinco dias de conversações que poderiam pôr fim à guerra. Os iranianos negam que tenham existido quaisquer conversações. Táctica para acalmar os mercados? É possível... mas curto
Tudo depende dos interesses que deseja fazer prevalecer dentro da teia em que ele mesmo se emaranhou

Do que vem a público nos media americanos em pouco, muito pouco, se pode confiar. Ainda que restem media que queiram informar com verdade, as informações que recebem da administração Trump, mais concretamente do Pentágono são de um baralho com cartas escolhidas e marcadas.

O Pentágono dita discretamente às empresas de satélites espiões o que dizer sobre a guerra com o Irão, censurando cirurgicamente o que o público deve "saber".
A título de exemplo: as 13 bases americanas existentes no Médio Oriente foram abandonadas; por quê? Porque foram bombardeadas pelo Irão e se houver baixas não se pode esconder. Os militares dessas bases estão alojados em... hotéis
Os navios que aparecem na FoxNews a passar o Estreito "demonstrando a vitória dos EUA? São imagens editadas de navios iranianos
Fontes militares  e de Inteligência, há dias numa reunião privada em Washington, disseram que o nível de sigilo em torno dos detalhes da guerra com o Irão é imprecedente; quase não há dados divulgados sobre o nível de bombardeamento, os alvos atacados ou efeitos avaliados. O governo Trump está a tentar controlar, ainda mais, o que as os meios de comunicação privados dizem num esforço de bastidores que não havia ocorrido anteriormente.

Assim que os bombardeamentos americanos e israelitas contra o Irão começaram, logo a 28 de Fevereiro, o Pentágono emitiu "orientações" para os operadores de satélites sobre qual “linguagem e termos evitar” ao descrever os danos causados ​​pelo Irão nas bases americanas no Oriente Médio, de acordo com uma cópia das orientações que foi "desviada".

"Evite-se linguagem que implique avaliação de danos de batalha (ADB) ou conclusões operacionais", diz um slide (fotos abaixo) produzido pela Força Espacial dos EUA. O documento continua alertando contra o uso de frases como “Alvo destruído”, “Alvo eliminado” e “Estrutura inoperante”.

As orientações incluem os seguintes exemplos do que dizer e do que não dizer.
Exemplo incorrecto: “O ataque destruiu com sucesso as instalações.”
Exemplo correcto: “As imagens mostram a estrutura em grande parte desabada, com escombros cobrindo a área onde o prédio estava localizado.”

Cerca de 100 empresas americanas possuem licença do governo para operar seus próprios satélites de reconhecimento, uma indústria que movimenta entre US$ 6 e 7 bilhões por ano e atende clientes militares e comerciais com serviços que vão desde a detecção de metano até a avaliação de danos causados por bombas. A maior parte da receita dessas empresas provém das forças armadas e do governo federal. As "quatro grandes" — Maxar Intelligence, Planet Labs, BlackSky Technology e Spire Global — operam cerca de 350 satélites de imagem e interceptação.

Embora a "orientação" do Pentágono para as empresas comerciais seja apresentada como uma recomendação, as empresas cumprem-na porque seus contratos com o governo as levam a não morder a mão que as alimenta.  As empresas privadas tornam-se mais um "colaborador/propagandista" controlado e auxiliar da máquina de inteligência dos EUA, uma tendência que tem vindo em crescendo desde o ano passado
A Força Espacial emitiu esta orientação, posteriormente "desviada" dos canais restritos, para praticamente todas as empresas de satélites comerciais na forma de solicitações por escrito, segundo as mesmas fontes. Isso inclui não apenas empresas que actuam na área de informações confidenciais mas também aquelas que trabalham na colecta e distribuição de materiais públicos ou de "código aberto" que informam os media, os centros de pesquisa e outros grupos.

Desde Fevereiro, quando a Anthropic se recusou a permitir que seu modelo de IA "Claude" seja usado em certas missões que envolvem vigilância doméstica em massa e armas autónomas, o Pentágono ameaçou invocar a Lei de Produção de Defesa para forçar a cooperação da empresa. Segundo as mesmas fontes militares, "Depois da Operação Anthropic, ninguém está interessado em entrar em lutas com o governo, é também mais uma tentativa de fazer com que as coisas sobre a guerra pareçam menos más do que realmente são."
A Planet Labs, uma das maiores empresas comerciais de imagens de satélite do mundo, bloqueou o acesso público a imagens de alta resolução de toda a zona de guerra do Irão e, a 28 de Fevereiro quando do início do ataque, impôs um atraso de 96 horas; posteriormente, a  10 de Março, estendeu o bloqueio a 14 dias  A empresa alega que a decisão foi tomada após consultar especialistas militares e de inteligência. Consultar...

No resto do mundo as informações estão também contaminadas porque a maioria provém de fontes americanas. O que se sabe sobre a guerra no Irão é, na sua maior parte, apenas "o que se julga que se sabe", temperado com factos, imagens e análises de "outros satélites"; tenhamos a noção de que, neste caso particular e ainda mais do que em todos os outros, a desinformação trumpisticamente fabricada é o que preenche os noticiários, as "Breaking News" e as mais fiáveis agências de informação.

As "notícias" pouco interessam, atentemos nos desenvolvimentos construindo um puzzle, peça a peça, juntando as peças mais diversas, as americanas privadas, as israelitas, as russas, as sauditas, o Irão é apenas o eixo


A INTERNET É TRAMADA...

 A Internet guarda tudo, por temas, por anos, por nomes, pelas mais diversas classificações; é só escrever o que se procura e fazer "enter". Fui buscar umas memórias, só 3, por hoje.

Donald-Dor-de-Corno falando de Obama 
Donald candidato presidencial em 2016 
Bibi-o-Monótono desde 1979


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OS TERRORISTAS E OS TENEBROSOS

O Irão é um Estado terrorista; É uma teocracia radical(íssima) islâmica, uma das duas maiores autocracias do mundo - a par com a Coreia do Norte - de onde, um aiatolá bom é um aiatolá morto.

Esta não é uma visão cristã, ou budista, ou hinduísta; esta não é uma visão democrática, ou de esquerda ou de direita; esta é uma visão humana de acordo com os Direitos Humanos fundamentais, de acordo com o Direito Internacional. Em caso de dúvida pergunte-se ao povo iraniano.

Partir daqui para: "Se o regime dos aiatolás é mau, então Trump deve ser bom porque o quer derrubar", não só é um grande passo como é um passo em falso; tanto quanto "Hitler era mau, logo Estaline devia ser bom" (a ordem dos personagens é arbitrária). Porém... Ó céus! Porém há uma quantidade crítica de gente que "pensa" assim, a preto e branco sem conseguir ir além da mais básica dicotomia. Para esses talvez seja bom deixá-los a pensar sobre uma outra dicotomia básica, se conseguirem: "O inimigo do meu inimigo nem sempre é meu amigo."

O ataque dos EUA ao Irão partiu de dois pressupostos:
- Trump atacou o Irão porque este está muito perto de possuir armamento nuclear
- Trump atacou o Irão para levar à deposição do regime oferecendo uma oportunidade de democracia ao povo iraniano

Serão pressupostos reais?

Que fique muito claro desde já que nada do que aqui trago envolve qualquer defesa do Irão - O regime do Irão é indefensável. Ponto.

Posto que  "O inimigo do meu inimigo nem sempre é meu amigo": conceitualmente o presidente dos EUA  deve ser responsável e fiável no que concerne às suas alianças e política internacional que envolve a estabilidade do mundo. É a total negação deste conceito que envolve o que aqui trago, nada mais.

Vamos por partes, comecemos pelo princípio 

20 Julho 2015 - Assinatura do Acordo JCPOA

1-   O Joint Comprehensive Plan of Action - JCPOA - vulgarmente designado por Acordo Nuclear com o Irão – é um acordo multilateral entre o Irão e o grupo P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha juntamente com a União Europeia). O seu  objectivo fundamental foi impedir que o Irão adquirisse armas nucleares, aumentando  exponencialmente a capacidade da comunidade global na monitorização do programa nuclear iraniano em troca de alívio nas sanções económicas.

O Irão aceitou a monitorização exaustiva pela Agência Internacional de Energia Atómica da redução das suas capacidades nucleares e, dos dez relatórios publicados pela Agência até Maio de 2018, nenhum dá conta de que o Irão estivesse a quebrar o acordo.
Conseguido após 21 meses de duras negociações, o acordo foi assinado, por parte dos Estados Unidos pelo presidente Barack Obama.
A análise multi-nacional do acordo estabeleceu concordância em diversos pontos fundamentais, entre os quais:
  • O acordo impede o Irão de produzir materiais físseis necessários à criação de  armas nucleares
  • Contém o regime de inspecções mais intrusivo e rigoroso alguma vez negociado.
  • Um acordo falhado irá encorajar, e "dar razão", aos líders mais radicais do Irão.
  • Tem amplo apoio da maioria dos americanos e iranianos, dos aliados dos EUA, de cientistas de topo, líders militares, líders religiosos e especialistas em segurança nacional (incluindo israelitas).
  • Baseia-se em princípios multilaterais negociados, fundamentados na supervisão e controlo, não em confiança depositada.
  • Torna os EUA e Israel mais seguros ao reduzir o risco de um Irão com armas nucleares.
  • O acordo mostrou-se superior a todas as alternativas e a sua implementação impedirá outra guerra devastadora no Médio Oriente.
8 de Maio, 2018
"O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira que decidiu abandonar o acordo nuclear firmado com o Irão, retomando as sanções contra o país."

Uma das principais promessas eleitorais de Trump foi reverter quase tudo o que caracterizou a presidência de Obama. A intransigência em relação a um acordo nuclear, que efectivamente fez aquilo que propunha - incapacitar o Irão de produzir armas nucleares - foi motivada por esse desejo, largamente expresso e concretizado, de afastar por completo tudo que Obama fez, ainda que 63% dos norte-americanos se mostrassem favoráveis ao acordo JCPOA
Mas Trump prometeu “desmantelar o acordo”, que classificou “o pior de sempre” para os Estados Unidos e o “melhor de sempre” para o Irão; quis desmantela-lo porque não foi ele que o fez E porque Netanyhu assim o ditou. As consequências foram desastrosas, são desastrosas. Mas a 3 de Março, com a guerra explodindo,  gabava-se do que fez há 8 anos, culpando Obama... e Biden
O general James Mattis, Comandante do Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos sob George W. Bush e Comandante Central dos Estados Unidos sob Obama, primeiro Secretário da Defesa de Trump, enfatizou que considerava ser uma "ameaça à ordem mundial liderada pelos Estados Unidos"; Mattis manifestou a sua discordância com a retirada do acordo nuclear com o Irão, como a retirada de tropas da Síria e do Afeganistão. Apresentou a sua demissão a Trump a 20 de Dezembro de 2019 numa sucinta carta, prontificando-se a permanecer até Fevereiro, final do seu mandato, a fim de ser feita uma transição que não prejudicasse as Forças Armas e a reunião ministerial da NATO  que se aproximava. A 1 de Janeiro Trump disse que o havia despedido; a carta do general Mattis veio a público
No seu livro publicado no final de 2019 Mattis escrevia:
“O papel de polémico não é suficiente para um líder. Um líder deve demonstrar perspicácia estratégica que incorpore o respeito pelas nações que estiveram ao nosso lado quando as dificuldades se aproximavam. Ao regressarmos a uma postura estratégica que inclua os interesses do maior número possível de nações com as quais possamos formar uma causa comum, poderemos lidar melhor com este mundo imperfeito que partilhamos. Sem isso, ocuparemos uma posição cada vez mais solitária, que nos coloca em risco crescente no mundo.”

22 de Junho de 2025

A Força Aérea e a Marinha dos Estados Unidos atacaram três instalações nucleares no Irão, sob o nome de código Operation Midnight Hammer, a Guerra dos Doze Dias
A 26 de Junho 2025 o secretário da Defesa, Hegseth, declarava em conferência de imprensa no Pentágono:

"O presidente Donald J. Trump comandou a operação militar mais complexa e secreta da história e foi um sucesso estrondoso, resultando num acordo de cessar-fogo e no fim da guerra de 12 dias [entre o Irão e Israel]. Graças à acção militar decisiva, o presidente Trump criou as condições para o fim da guerra: dizimou — escolham a palavra — obliterou, destruiu, as capacidades nucleares do Irão."

24 de Fevereiro 2026

Durante o seu discurso no State of the Union, há uma semana, Trump afirmou que o Irão representa uma ameaça directa aos EUA, que está «a trabalhar para construir mísseis que em breve chegarão aos Estados Unidos da América».

Enquanto decorriam as conversações com vista a um acordo com o Irão, o enviado para o Médio Oriente, Steve Witkoff,  promotor imobiliário e amigo de longa data de Trump,  declarou - durante uma entrevista (com a nora de Trump, Lara Trump)  -  que "o Irão está provavelmente a uma semana de ter material para o fabrico de bombas de nível industrial"
(O que são "bombas de nível industrial"? Será por oposição a "nível caseiro"?)  

Estas afirmações não estão alicerçadas por documento algum, nem da Casa Branca nem do Pentágono; Os relatórios dos serviços de informação norte-americanos de há menos de ano, posteriores à Operação Midnight Hammer, referem que o Irão demorará 10 anos a desenvolver um míssil balístico intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos. Uma avaliação pública da agência de inteligência de defesa dos EUA refere que o Irão poderia utilizar os seus veículos de lançamento espacial para "desenvolver um míssil balístico intercontinental militarmente viável até 2035, caso Teerão venha a decidir desenvolver essa capacidade". 

Ou seja, a ameaça directa ao território americano, como descrita no documento, é inverosímil e descartável se comparada com as ameaças presentemente apresentadas pela Rússia, pela China ou por outros Estados hostis como a Coreia do Norte. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse a Trump que uma nova guerra com o Irão poderia esgotar, ainda mais, os stocks de mísseis interceptores dos EUA, que poderiam ser necessários para neutralizar outras ameaças futuras, incluindo as da China.

As autoridades israelitas estimaram recentemente que o Irão possui 1.500 mísseis balísticos e 200 lançadores após a guerra com Israel, mas este número provavelmente aumentou uma vez que o Irão tem vindo a reabastecer os seus stocks.
Sim, e estão a postos contra o Médio Oriente, não contra os EUA.  Sejamos claros, não evitemos a realidade subjacente às possíveis consequências deste ataque

Por várias razões  Trump não se quis estender sobre o assunto durante o State of the Union, muito menos submete-lo à autorização, legalmente exigida, do Congresso, ou sequer dar conhecimento à Comissão de Segurança

GENEBRA, 26 de Fevereiro, quinta-feira passada

"Os Estados Unidos e o Irão avançaram, durante horas de negociações, sobre o programa nuclear de Teerão esta quinta-feira numa reunião promovida pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA); saíram sem acordo mas com "progressos significativos na negociação" segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi que não adiantou pormenores. Uma nova ronda de conversações ficou agendada para segunda-feira, 2 de Março, em Viena, na sede da Agência  Internacional de Energia Atómica e será esta agência a organizar os encontros “para chegar a um quadro e a um modelo",  como a mais habilitada autoridade em energia atómica para avaliar e explicar questões técnicas fundamentais. 

"Fizemos progressos muito positivos e abordámos com grande seriedade os elementos de um acordo, tanto no domínio nuclear como no das sanções“, declarou Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, à televisão estatal no final da ronda de negociações.

Link video: https://www.youtube.com/live/jTPwhQ3gqpc?si=hzy8wDnONxoDrfMS
Convirá referir que, nessa mesma segunda-feira, dia 3, a guerra já explodira e, em conferência de imprensa, Rafael Grossi, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, conhecido pela sua impecável postura marcadamente técnica e apolítica, referiu que durante a sua última visita ao Irão, no final do Verão de 2025,  com os inspectores que avaliaram as condições de segurança após o bombardeamento americano em Junho, não viram nada que indicasse a eminência de uma arma nuclear ou mesmo desenvolvimentos nesse sentido.

Sem comentários

2- Levar à deposição do regime oferecendo uma oportunidade de democracia ao povo iraniano

Haverá alguém, com dois dedos de testa e que não viva isolado numa caverna dos Himalaias, que acredite que Trump está preocupado com o facto de o povo iraniano viver sob um regime radicalmente autocrático sob o qual os Direitos Humanos são uma abstração escrita na Carta das Nações Unidas?

Não cola, não dá, não é minimamente credível. Trump tem absoluto desdém pela liberdade e direitos civis do povo, de qualquer povo; do seu, do iraniano, do ucraniano, de todos.

Por que não a Coreia do Norte, terra de uma opressão desmedida e que representa uma ameaça aos EUA bem mais tangível?
E porque não a Rússia, onde as eleições são uma miragem, as liberdades meros desejos, que ataca e ameaça o Ocidente democrático, volta não volta evocando o seu arsenal nuclear?
Porque não são uma autocracia islâmica? O facto não parece incomodar Trump quando estão em causa os seus grandes amigos, e parceiros de negócios, da Arábia Saudita; nem tão pouco as suas excelentes e pessoalmente proveitosas relações com os Emirados Árabes Unidos

Vamos a factos

Facto - Existe um acordo de cessar-fogo, assinado trilateramente após o ataque ao Irão em Junho passado, com vista à elaboração de um acordo nuclear; As conversações com o Irão estavam a decorrer com problemas mas com propostas sobre a mesa, a analisar, a discutir, aberto a propostas. Na sexta-feira 27/02, horas antes do início dos ataques, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, mediador das negociações, afirmou que estavam a ser feitos "progressos substanciais" e que um acordo estava "ao nosso alcance, que o Irão concordou em nunca, nunca ter... material nuclear capaz de produzir uma bomba". 

Um acordo que Trump não quer e Netanyahu muito menos, nunca quis.  A 30 de Março de 2018, Netanyahu apresentou "provas conclusivas" - nunca publicadas, nunca demonstradas ou partilhadas com outros governos - de que o Irão nunca respeitara o acordo e estava a dois passos de contruir uma arma nuclear; 7 dias depois Trump abandonava o JCPOA

Facto - Trump acha que, quando as coisas correm mal, atacar o Irão é sempre uma boa ideia - Alguns exemplos em selecção não exaustiva

Uma versão editada do Relatório Mueller - "Relatório da Investigação da Interferência Russa nas Eleições Presidenciais de 2016" -  foi publicada pelo Departamento de Justiça a 18 de Abril de 2019. Os EUA entraram em vasto burburinho social, Trump foi fustigado com questões relativas à sua ligação à Rússia.

1 mês depois... 19 Maio, 2019
«Eu simplesmente não quero que eles tenham armas nucleares e eles não nos podem ameaçar. Com tudo o que está a acontecer, e eu não sou alguém que acredita – sabe, eu não sou alguém que quer entrar em guerra, porque a guerra prejudica as economias, a guerra mata pessoas, e o mais importante – de longe o mais importante, não quero lutar. Mas há situações como a do Irão, não se deixar que eles tenham armas nucleares – simplesmente não se pode deixar que isso aconteça»

Ele lá sabe..

Junho 2019 - Primeiras grandes sondagens de apoio nas primárias aos candidatos presidenciais 

Sexta-feira, 21 Junho 2019 - «O presidente Donald Trump aprovou ataques militares contra vários alvos iranianos por Irão por ter abatido um drone espião norte-americano, segundo três responsáveis ​​norte-americanos, que falaram sob anonimato, decisões sensíveis de segurança nacional que esperavam ainda que a operação fosse realizada até às 19h00 ET mas Trump recuou abruptamente na noite de quinta-feira. O Departamento de Defesa não respondeu a pedidos de comentários Um alto funcionário do governo disse: "Não comentamos o planeamento militar pré-operacional". Não ficou claro por que razão os ataques foram cancelados.»

25 de Junho 

«O presidente Donald Trump ameaçou o Irão com "aniquilação" na terça-feira, afirmando que "Um ataque contra qualquer coisa americana será respondido com uma força esmagadora. Em algumas áreas, esmagadora significará aniquilação. Chega de John Kerry e Obama!", tweetou o presidente. Mais tarde, falando na Sala Oval,  Trump disse acreditar que o Irão ainda leva as suas ameaças a sério, depois de dias antes ter cancelado um ataque militar planeado e declarar aos jornalistas que não precisa de uma "estratégia de saída" para a situação cada vez mais tensa.»

Setembro 2019

3 Setembro 2019 - Biden lidera as sondagens e discursa: «Há três anos, com este presidente, não enfrentávamos nada do que enfrentamos hoje. O próximo presidente terá de ser capaz de reunificar o mundo. Não é uma brincadeira. Literalmente, não figurativamente, reunificar o mundo, reunir os nossos aliados... Mais quatro anos deste presidente e não haverá NATO.»

Terça-feira, 17 Setembro 2019 - «O presidente Trump insinuou publicamente preocupações nos últimos dias, dizendo na tarde de segunda-feira: "Quero a guerra? Não quero a guerra com ninguém. Sou alguém que prefere evitar a guerra mas estamos mais preparados do que qualquer outro país". Nos últimos 10 dias, cerca de uma dezena de consultores externos manifestaram-se junto dele sobre o Irão, incluindo o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que tentou mediar o conflito entre os EUA e Teerão; Ric Grenell, embaixador dos EUA na Alemanha; o senador Rand Paul e o congressista Mark Meadows, ambos republicanos, entre outras figuras de peso. Muitas destas vozes — mas não todas —  exortaram Trump a demonstrar moderação.

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3 de Março 2026 - A justificação para esta guerra, em dia de audição perante o Congresso, mudou (outra vez)

Marco Rubio  - «Sabíamos que iria haver um ataque israelita, sabíamos que isso iria precipitar um ataque às forças americanas e sabíamos que se não tomássemos uma atitude preventiva contra eles sofreríamos baixas mais elevadas»

Em 6 dias de guerra há mais de 6 explicações diferentes para justificar o ataque dos EUA ao Irão; esta é, talvez, a mais notável 

Trump iniciou uma multi-guerra porque teve um feeling?!?!

Outras, nas suas várias versões:

Armas Nucleares - há mais de uma década que se tem trabalhado no sentido de acordar com o Irão o não enriquecimento de urânio que permita o fabrico de armas nucleares; foi assinado um acordo, nunca existiram indicações de que não fosse respeitado. Trump, alinhado com Netanyahu, em 2018 abandonou o acordo dizendo que conceberia um "bem melhor e seguro". Em Março de 2026 Trump ataca o Irão a meio das negociações de um novo acordo recusando-se a aguardar a sua conclusão

Ameaça directa à América - não existem no Irão mísseis balísticos capazes de atingir os EUA, nem sequer a maior parte da Europa. O director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica escreveu no seu relatório no final do Verão de 2025, após a inspecção  na sequencia dos bombardeamentos às infraestruturas nucleares iranianas « Os técnicos inspectores não viram nada que indicasse a eminência de uma arma nuclear ou mesmo desenvolvimentos nesse sentido». Os relatórios dos serviços de informação norte-americanos de há menos de ano referem que o Irão demorará 10 anos a desenvolver um míssil balístico

Mudança de regime - É totalmente descabido conceber uma mudança do regime iraniano sem uma guerra de invasão terrestre. O aiatolá tinha 89 anos, a sua sucessão está cuidadosamente preparada há anos, o exército e armamento do Irão não são derrotáveis com bombardeiros convencionais. (não se trata de uma mera opinião pessoal).  Esta não é guerra que se vença em "4 ou 5 semanas" se se pretender uma mudança de regime, Teerão não é Berlim, não basta "derrubar o muro". Está infelizmente, dolorosamente, demonstrado que o povo iraniano não consegue derrubar a monstruosa guarda revolucionária.  Mais... Os Estados do Médio Oriente têm armamento suficiente para resistir a ataques prolongados do Irão? Não, não têm. Os EUA ver-se-ão obrigados a fornecer armamento. Essa equação ainda não foi apresentada; estará equacionada? Trump diz que os EUA têm munições suficientes para uma "guerra que dure para sempre"; curiosamente não foi o que o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse a Trump;  Nem o que Trump disse a Zelensky.  Armas para o Médio- Oriente parece que há, para vender para a Ucrânia... Misseis Patriot, mesmo a conta-gotas, não é coisa que se produza à fartazana.

2/07/26 - Um stock de armas "ilimitado" e o idiota do Biden que deu armas a Zelensky, de borla

Naturalmente também não explicaram por que é  Netanyahu quem decide a política americana de ataque ao Irão. Para além de não ser novidade o imprescindível apoio do lobby judeu aos candidatos políticos americanos, há por aí gente mal intencionada - só pode - que se refere a este descalabro apelidando-o de "Guerra Epstein" (o que sabe a Mossad? Que provas tem na sua posse?)...  E dava imenso jeito mandar os ranhosos dos palestinianos de Gaza e do West Bank para o Irão, o "americaníssimo" Palahvi recebe-los-ia de braços abertos, caso consiga  sentar-se na cadeira ocupada por um Líder-Supremo. O pormenor de muitos iranianos não lhe perdoarem que só tenha usado a voz a favor do seu povo desde que Trump o reactivou, não passa disso,  de um pormenor, insignificante perante a soberana vontade popular sob a mira de um exército de 1 milhão de homens. 

E depois há a Rússia...

A situação no Estreito de Ormuz parece ser a mais complexa. O tráfego de petroleiros parou. As companhias comerciais de navegação cancelaram os serviços no Golfo Pérsico, as companhias de seguros fizeram o mesmo. Ninguém se atreve a cruzar o domínio dos Houthis armados pelo Irão. Enquanto Israel e os Estados Unidos não garantirem a segurança de navegação no estreito o mundo enfrenta um grave choque petrolífero, no abastecimento e no mercado de acções,  sem considerar a possibilidade de novos ataques às infraestruturas petrolíferas de países do Golfo.

A guerra no Golfo aumentará os preços globais do petróleo. A verdade silenciosa é que Israel fornece armas, tecnologia e cobertura moral a Moscovo 

A Rússia perde o fornecimento de armas vindas do Irão mas..., altamente dependente das exportações de petróleo, não verá com maus olhos tão retumbante crise petrolífera; o conflito pode acabar enriquecendo o Kremlin.
O primeiro indicador da probabilidade desta oportunidade dourada para a Rússia:
O Irão solicitou à Rússia a activação dos sistemas S-400 e dos sistemas de guerra eletrônica Krasukha/Leer-3 em bases russas na Síria (Khmeimim e Tartus) para "cegar" os aviões israelitas.  A Rússia não só recusou o pedido como chegou a desligar transponders e sistemas de radar activos nas suas bases durante o voo de mísseis israelitas "a fim de evitar envolvimento acidental e qualquer pretexto acusatório de ter entrado no conflito"

Uma questão "sem importância":

Após o aviso aos estrangeiros - americanos e não só - que se encontram em 16 países do Médio Oriente para abandonarem rapidamente esses territórios, esqueceram-se de explicar como devem fazê-lo... com os espaços aéreos fechados e uma lista crescente de companhias aéreas a cancelar o trânsito na região: Quatar Airways, British Airways, Emirates, Turkish Airways, Air France, Lufthansa, Air India, Virgin Atlantic, Cathay Pacific... Isto poderá não parecer muito dramático, desde que nenhum de nós, ou dos nossos, esteja paralisado num aeroporto com mísseis a silvar acima das cabeças. Pois é, existem razões, múltiplas, para que as guerras sejam declaradas com autorização da exclusiva competência do Congresso, uma delas chama-se Plano de Evacuação. Nesta guerra combatida no meio de barris de petróleo, sem dúvida, houve um bem delineado plano de entrada, quanto a saídas... civis, militares, geo-políticas, regionais e mundiais, economia petrolífera... Logo se vê, entre mortos e feridos alguém há de escapar e, quanto ao Congresso, já foi ultrapassado, outra vez. 

O mercado da bolsa está em turbulência e os preços do petróleo sobem, dentro do governo americano os conselheiros lutam para explicar porque é que o país entrou em guerra, alternando as razões consoante os dias — e exactamente o que virá  a seguir. E a seguir a quê? 4 ou 5 semanas de guerra? Uma guerra prolongada? Até dizimarem as tropas iranianas? Até uma mudança de regime? Até Trump perceber que o sarilho é maior do que consegue digerir?

E a pergunta sacramental: No meio de uma crise económica interna, com a investigação Epstein a latejar, a situação em Gaza sem ver resolução para o misero estado em que se encontra, os aliados da NATO a fazerem um esforço supra-nacional para manterem o apoio à Ucrânia, por que é que Trump decidiu AGORA lançar uma guerra imprevisível contra o Irão?

E já que falei de NATO - assunto que, estranhamente, não é da predilecção do presidente dos Estados Unidos - uma última pergunta e depois calo-me: O que levou Trump durante o seu discurso no forum de Davos, mundialmente transmitido, a enfatizar as suas dúvidas de que a NATO defendesse os EUA se sofressem um ataque? Foi de tal forma enfático que, no meio de uma premeditadíssima troca de galhardetes, o secretário-geral da NATO lhe deu o justo troco (2º video)