SEM LIMITES

 

Cito  algumas linhas de um discurso de Trump no domingo, mais não cito porque mais não merece

«Leo deveria estar grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista de candidatos a Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e eles acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leo não estaria no Vaticano.»

«Leo should be thankful because, as everyone knows, he was a shocking surprise. He wasn’t on any list to be Pope, and was only put there by the Church because he was an American, and they thought that would be the best way to deal with President Donald J. Trump. If I wasn’t in the White House, Leo wouldn’t be in the Vatican,»




Após o discurso contra o Papa Leão XIV na noite de domingo, Trump publicou no Truth Social  uma imagem, gerada por inteligência artificial, na qual aparece como Jesus Cristo  impondo a mão sobre um doente (quiçá terminal) impondo-lhe a Luz da vida sob estranhas figuras que parecem representar um "exército celestial".
A imagem fala por si

Quando os loucos não têm  limites há que lhos impor, em todas as situações absurdas que cria. A impunidade gera o caos


HUNGRIA, A SEGUNDA LIBERTAÇÃO

 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reconheceu a derrota nas eleições parlamentares, pondo fim a seus 16 anos no poder, e congratulou Péter Magyar, líder do partido de oposição de centro-direita Tisza.

Com quase 90% dos votos apurados, a autoridade eleitoral afirma que o partido Tisza, da Hungria, deverá garantir dois terços dos lugares no parlamento.

É difícil saber como a Hungria conseguirá evoluir, sair da teia de corrupção em que foi mergulhada; muitos e importantíssimos lugares-chave estão ocupados por amigalhaços de Orbán, "funcionários" de Putin, propagandistas de Trump - os três grandes derrotados desta noite. 

Pior não será por certo, na Ucrânia respira-se de alívio, na Europa tem-se menos uma das muitas preocupações.

Os húngaros disseram "sim à Europa" com este voto, afirma Magyar.

O novo governo tem uma grande tarefa pela frente, diz ele à enorme multidão, pedindo que celebrem pacificamente esta noite, antes de começarem a "curar" o país amanhã. Também pede a  Orbán que não tome nenhuma medida, entre agora e a sua saída formal do cargo, que possa obstruir o trabalho do novo governo quando este for formado.

Ciente da "máquina" montada por Orbán que terá de enfrentar diz que os "fantoches" do governo cessante têm de sair e que as Instituições do Estado precisam mudar. Promete restaurar os mecanismos de controle e equilíbrio, e a democracia húngara.

Enquanto Magyar fala, a multidão grita "Europa". 

Que brilhe a luz.






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"UMA CIVILIZAÇÃO MORRERÁ ESTA NOITE"

 Ainda não há 10 anos - cumprem-se a 9 de Novembro próximo - Trump foi eleito, pela primeira vez, presidente dos EUA; para muitos, nos EUA e no resto do mundo, foi o anúncio de uma época de obscurantismo, inimaginável.

Há 10 anos a maioria das não admitiria ver os EUA  apoiarem, de forma mais evidente ou mais sub-reptícia, a invasão criminosa e injustificável da Ucrânia pela Rússia

Há 10 anos pareceria absurdo admitir que a Rússia estava a apoiar e a subsidiar os partidos de extrema-direita europeus.

Há 10 anos era impensável presenciar uma violenta tentativa de golpe de Estado palaciano, como o de 6 de Janeiro de 2021,  preparado pelo presidente dos EUA e os seus acólitos, tentando permanecer no poder após perder as eleições de 2020

Há 10 anos ninguém acreditaria que um homem, ignorante, mentiroso, corrupto e doentiamente egocêntrico - sujeito a dois "impeachments" no Congresso e salvo ambas a vezes por um senado invertebrado - pudesse ser reeleito, por mais 1,05% - 4 anos depois.

Há 10 anos... O absurdo, perde-se no número de ocorrências impensáveis, de factos "impossíveis".

Há 10 anos ser-me-ia inacreditável se me mostrassem uma projecção do futuro em que me visse a dar razão ao Irão sob um injustificado ataque americano

Hoje, dia 7 de Abril de 2026, não sei o que se irá passar dentro de horas sob os céus do Irão; duvido que o próprio Trump tenha, horas antes, muitas certezas 

Dentro de horas... Mas antes destas horas passarem há algo que já não se pode apagar: a declaração de intensões de Trump

"Uma civilização inteira morrerá esta noite,
para nunca mais ressurgir"

Não consigo classificar, adjectivar, esta declaração, aconteça o que acontecer. No que concerne à intenção declarada, a única coisa que distingue Trump de Hitler é a pratica do poder que detém, esperemos.

Há dois dias, na sua mensagem pascal, horas depois de o Presidente dos EUA ter publicado que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, o Papa Leão XIV classificou  as ameaças contra o povo do Irão como  «verdadeiramente inaceitáveis». Ao sair de Castel Gandolfo declarou: 

«Certamente há questões de direito internacional aqui mas há muito mais. É uma questão moral, pelo bem do povo inteiramente. Procurar sempre a paz e não a violência, rejeitar a guerra, especialmente uma guerra que muitas pessoas disseram ser uma guerra injusta que continua a escalar e que não está a resolver nada.”
“É também um sinal do ódio, da divisão, da destruição de que o ser humano é capaz, e todos queremos trabalhar pela paz»
Anteriormente havia dito à CNN que esperava que Trump estivesse à procura de uma saída para acabar com a guerra com o Irão e apelou aos líderes do mundo para regressarem à mesa para o diálogo.

Colou-se-me uma pergunta no pensamento que não consigo rejeitar: Quem julga Trump que é para se outorgar o direito de aniquilar uma civilização inteira? Não está em causa se o faz ou não, está em causa o que declarou que fará

No Irão vivem mais de 89 milhões de pessoas, filhos de uma civilização milenar; os povos seguem os seus cursos e não há regimes eternos, sejam quais forem. O que está dentro da cabeça de Trump? Na cabeça, porque na alma está um buraco negro de onde não há Luz que escape

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Sobre a mesa da Sala Oval está uma proposta iraniana que  consiste em 10 cláusulas, incluindo o fim dos conflitos na região, um protocolo para passagem segura pelo Estreito de Ormuz, a suspensão das sanções e a reconstrução. 
Detalhes sobre as 10 cláusulas não foram publicados.
Falando aos jornalistas sobre o plano do Irão, Trump disse: "Eles fizeram uma ... proposta significativa. Não é suficiente, mas deram um passo muito significativo. Veremos o que acontece.". 
Claro, nada é suficiente, como o Acordo Nuclear com o Irão não foi. Suficiente só será o que lhe garanta a promessa de Netanyahu de lhe entregar a "Gaza Dourada" e a segurança desse resort privado.

Já depois destas declarações publicou na sua rede social Truth Social, Trump ameaças, expressas em profanidades, de atacar a infra-estrutura civil do Irão, incluindo pontes e centrais eléctricas se o Estreito de Ormuz não for totalmente reaberto. Crimes de guerra sobre os quais Trump já disse não lhe oferecerem preocupações; também não preocupam Putin nem Netanyahu.


«Terça-feira será o Dia da Central Eléctrica e o Dia da Ponte, tudo num só, no Irão. Não haverá nada igual!! Abram a F*** do Estreito, seus bastardos tarados, ou viverão no Inferno – VÃO VER! Louvado seja Allah»

O que passaria na cabeça dos nacionalistas cristãos, base de sustentação de Vance e Trump, se Obama alguma vez tivesse dito "Louvado seja Allah" ? Pois... mas no domingo de Páscoa, Obama, e a sua família não estavam em congregação com os nacionalistas auto-denominados cristãos, estavam na Igreja de St. John em Washington D.C.  a um quarteirão da Casa Branca,  paróquia histórica frequentemente visitada  por Obama e por vários presidentes anteriores.
Obviamente não estou a inferir que Trump seja adorador de Allah, Trump é uma besta com fé em si mesmo que, segundo as suas palavras, segue a sua própria moral e só. Não menos óbvio é que, se tiver tempo, rezará a todos os deuses à hora da sua morte, aterrorizado pela ideia do que o possa esperar do lado de lá, onde dinheiro, poder e influência não lhe podem valer.

Olhando a "bola de cristal"... Trump vai atacar o Irão? Vai, mas não como diz que atacará, há-de provocar explosões "cinematográficas" que mostrem como ele é poderoso e irrascível, nada mais 
Um semi-acordo aparecerá mesmo a tempo... Não sei, digo eu... 
Dentro de poucas hora saberemos.