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O SÉCULO REPUBLICANO

Contam-se pelos dedos de uma mão, e sobram dedos, as vezes que re-publiquei aqui um post. Este "veio hoje ter comigo" no "see your memories of this day" (ou coisa parecida) do Facebook. Porque hoje é hoje1 de Fevereiro, reli-o. Foi escrito em 2010 quando decorriam as comemorações do centenário da república; Hoje, uma semana após umas eleições presidenciais nas quais, pela primeira vez votei em branco, redobro as minhas palavras por sentir as razões redobradas.

CEM ANOS SEM REI

O que me lixa não é que se comemorem os 100 anos da república, cada um é para o que nasce e "chacun s'amuse à ça façon".
O que me lixa é que se comemore o centenário da república como se a instauração da dita correspondesse à realização da vontade democrática do povo português; como se estivessem a celebrar 100 anos de democracia, ou lá que raio de sucedâneo de democracia é esta coisa em que vivemos actualmente.
A nossa suposta democracia é uma jovem prestes a completar 36 anos que, talvez por acumular erros de juventude e devido à sua descuidada cultura e educação, para já não falar de uma capacidade financeira que a tem vindo a comprometer na sua ética e na sua independência, apresenta um aspecto desgastado, e pouco atraente.
Será por isso que agora tendem a confundi-la com uma centenária?

A república tem 100 anos e Portugal cumprirá este ano 867.
Quase tudo o que foi importante se passou nos primeiros 767

O que se fez destes últimos 100 anos em Portugal que faça deste país uma presença respeitável no mundo? Uma referência? Uma opinião ou um exemplo a ter em conta?

(aquele vergonhoso programa de televisão sobre "Os 100 maiores portugueses" foi uma boa amostra...)

E não me venham falar das conquistas do povo na sua Liberdade, que é curta nos anos e encurtada no respeito, nos seus Direitos, que expressos ou não na Constituição, são de menos em menos observados, cumpridos e, uma vez mais, respeitados.
Não me falem de igualdade e, menos ainda, de fraternidade; não me falem porque atiro-me para o chão a rir e a chorar ao mesmo tempo e terão de chamar uma ambulância e vestir-me um casaquinho branco daqueles com muitas persilhas e fivelas.

Já sei, já sei, "a monarquia peca à partida porque o rei não é eleito, o rei é filho do rei".

Tenha um republicano uma empresa e vá lá eleger um director-geral que reúna o consenso do seu eleitorado, que seja supra-partidarices, e que tenha a educação e a formação apropriadas às suas funções... Uma gaita!
A ingenuidade tem limites e, quando não tem, é o descalabro empresarial.
Quem tem uma empresa quer ver à sua frente alguém que saiba da poda, que conheça os bons e maus caminhos, que saiba ler relatórios e contas, que saiba aferir das várias necessidades, o resto é conversa. Depois que se elejam representantes, comissões, etc, etc. mas não pode ser o Senhor porteiro, que conhece toda a gente, é um gajo porreiríssimo e que conhece os cantos à casa que o bom senso fará eleger responsável pela empresa.
"Mas nada garante que o rei será um bom governante..."
O rei não é um governante numa monarquia moderna; O rei é a personificação do seu país, para isso é educado, é a estabilidade que permanece com tudo o que constitui uma Nação, não personifica nem se altera nas mutações normais e decorrentes da vida do Estado.

Obviamente que não falo contra o sistema democrático e eleitoral, longe de mim, defendo-o com unhas e dentes. Não é o sistema democrático que está em causa.

Não é possível um presidente da república ser consensual, ser apartidário, ser, de facto, o representante de toda uma nação. E não é presidente da república quem está, de facto, preparado para o ser, quem tem a educação e a formação para o ser; É quem é eleito, num acto político e, também, afectivo.

Vivemos de "Pai da nação em Pai da nação" como um povo orfão que vai mudando de pai adoptivo; um padrasto que serve vários interesses e, com muita sorte, até poderá defender os do povo que o elegeu durante o tempo que durar. E se o deixarem, caso não se trate de um regime presidencial.

Então e um rei, é sempre bom e consensual? Não, não é, mas também não é essa a sua função. Para governar e legislar existem governos e parlamentos. Os poderes Executivo, Legislativo e Judicial não se prendem de forma alguma com um regime republicano ou monárquico, são questões totalmente independentes, como questões independentes são as da Democracia ou da Autocracia.

O rei é educado fora do ambiente partidário; o rei não vota, o rei não se candidata, o rei não precisa de ser eleito nem de se subjugar a essas necessidades e interesses.
O rei é educado tendo como ideologia o seu país e o seu povo, a união da sua nação.

O rei não vai ser presidente de uma qualquer empresa pública, ou privada, não vai pedir nem aceitar um "job dos boys". O rei não vai ser primeiro-ministro, ou segundo ou terceiro, nem deputado, nem presidente da câmara ou da junta, ou do Sporting ou do Benfica.

O rei é a bandeira de um país mas com uma consciência e uma voz. O rei permanece como símbolo da nação e do povo quando as eleições modificam as legislaturas entre as esquerda e a direita, entre a boa ou má gestão do senhor A ou do senhor B.

Ah pois, então e os privilegiados? A nobreza... os marqueses, os condes, etc?

Privilegiados? Os marqueses, os condes, etc? Não me gozem!

Há alguém que seja privilegiado por ser conde ou duque, que se encontre acima da lei, acima dos direitos e deveres de cidadão, em qualquer uma das monarquias democráticas europeias?

(Aliás, deixemo-nos de redundâncias porque não existe qualquer monarquia europeia que não seja consolidadamente democrática; já das repúblicas não se poderá dizer o mesmo).

Privilegiados, sim existem, em todo lado, uns por conquista ou herança - legitimantente adquiridas - outros...
Outros de quem nem vale a pena falar, nós por cá vemo-los às dúzias, impunes e divertidos proclamando a sua inocência e inimputabilidade aos quatro ventos, democraticamente descarados, eleitos, nomeados.

Comemorem lá o centenário da república, é verdade faz 100 anos, mas não a venham identificar com as conquistas democráticas, não atirem areia aos olhinhos do Zé Povo que já anda cegueta há que tempos.
E já agora, não se esqueçam de que a república não nasceu de uma revolução de cravos ou rosas; nem rosas e cravos se lhe seguiram.


PROGNÓSTICO APÓS O ACTO

Perguntaram-me por que não escrevi nem uma palavra sobre as "presidenciais, sus muchachos e muchachas"; remeti a resposta para depois do acto.

Fico contente por a coisa se ter despachado à primeira volta, não fosse eu ver-me na contingência de ter de ir votar num personagem de carácter mais do que dúbio e andar 5 anos a rosnar de mim para comigo.

Caso se me tivesse posto alguma dúvida sobre as minhas deslavadas opções  - coisa que não se pôs -  as declarações do "Rasputine" na passada sexta-feira ter-me-iam confirmado que não haveria lugar para remoques na minha obsessivamente analítica consciência:

 "o Governo está a fazer o que deve, que é continuar um caminho do Estado português de redução do défice, para fazer terminar o processo de défices excessivos".
Verdade se diga, não acredito por um minuto que o "Fazedor-de-Factos-Políticos" pense o que disse... Então por que disse? Bem podia ter ficado calado. Podia, mas ele é assim, diz o que pensa... ser melhor dizer a dado momento... para alcançar os propósitos que persegue. E diverte-se com o assunto, está-lhe na alma de intriguista.
É um bom jogador de xadrez este rapaz, tem uma soberba capacidade para olhar e interiorizar o tabuleiro como um todo  -  apenas superada pela sua vontade compulsiva de brincar ao xeque-mate. Como agora o rei é ele pode ser que se acalme mas é duvidoso, não lhe dá gozo.

Nem pastelinhos de camarão,
nem croquetes de vitela,
nem sequer uns pasteis de Belém...
Nada na ementa que me compusesse o estômago, nada que comesse por bom
Lá teve se ser, vagamente amargo, absolutamente seco,optei pelo branco, de um trago, e não penso mais nisso.

OS VANGUARDISTAS CADUCOS

Não digo nada, sobre o dia de hoje nada há a dizer. Do Costa não falo, dá-me nauseas.
Mas vale a pena ouvir a intervenção do deputado  Carlos Abreu Amorim
na apresentação do programa do XX Governo constitucional
Verdades como punhos, até doi. E vai doer mais, a todos os portugueses, aos que sabem que vai doer e aos outros, os que aguardam o momento da montada da pileca do poder.





Como referiu Carlos Amorim, hoje, 9 de Novembro, completam-se 26 anos sobre a queda do muro de Berlim. Torna-se obvio que muita gente ainda não entendeu, nem vai entender, o que motivou a queda desse Muro da Vergonha, não tem a menor noção do que foi festejado, do riso às lágrimas, por aqueles que se viram "desemparedados".

Os marxistas, leninistas ou não, os socia/listas, europeístas ou não, cristalizararam num "Estado-social" que não resulta, não evolui, desvirtuado de valores humanos individuais que não progride nem deixa progredir, economicamente caduco e embutido de descrédito pessoal. Só conta o que o Estado decide, que decide por todos, porque "é assim que deve ser pela salvaguarda do bem comum". O adjectivo mais meigo que tenho para os descrever é Retrógrados; ilusionistas da vanguarda sócio-política.

Não me venham falar de Liberdade, só conhecem uma: a sua liberdade de Poder, tudo o resto, todos os outros, que se lixem.


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PEQUENOS DETALHES

Como saberão os mais assíduos, ou os mais atentos, não sou grande fan de Paulo Portas, já por aqui escrevi coisinhas pouco amáveis acerca das suas birras e motivações. Pouco amáveis, não propriamente insultuosas.

Creio que Paulo Portas reconheceu que não precisa ser irrevogavelmente superior a Pedro Passos Coelho; terá reconhecido no Primeiro-Ministro o Homem-de-Estado com uma calma e perseverança que ele, Paulo, emotivo e reactivo,  não teria (não teve).

Mas P.P. tem algumas qualidades, ou características, que não posso deixar de apreciar, algumas pessoais, outras políticas (se é que é possível separar assim tão singelamente umas de outras)

Ontem, dia 20/10, à saída de Belém a jornalista da RTP1 perguntou-lhe:

«... atendendo ao que disse António Costa aqui esta tarde que esse governo pode cair no momento em que apresentar o programa de governo... dizendo que o país não devia perder tempo porque há um acordo para um governo com apoio maioritário no parlamento, que foi o pedido que Cavaco Silva fez»
E P.P. respondeu em pouco mais de uma dúzia de palavras:
«É absolutamente extraordinário ver um líder político, à procura da sua sobrevivência, considerar o voto do povo um detalhe e considerar o parlamento de Portugal uma formalidade.
Boa tarde.»



Pela minha parte nada tenho a acrescentar.

 


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PAUSA NO SILÊNCIO, DECLARAÇÃO DE VOTO

Muitos amigos, ou meros frequentadores do RealGana, têm estranhado o meu silêncio durante a época de campanha eleitoral que estamos vivendo.
Compreendo...

Abri o RealGana em Julho de 2007 e, desde então, de forma mais activa ou mais discreta, não houve período eleitoral que passasse ao lado, tive sempre uma "farpa", um comentário, um elogio, resumindo, uma opinião ou constatação de facto a acompanhar as campanhas, as declarações públicas, os momentos que o nosso país atravessava.

Então o que é que me deu?
Ou como me escreveu ontem um antigo colega de liceu, "T'as donné la langue au chat?"

Bem... Tenho uma seria rejeição pela conversa mole, pela dissecação do óbvio, pelas tiradas geniais de Monsieur de La Palice.
Gastar palavras sobre a actual situação pré-eleitoral de Portugal só se me apresenta de três formas:

  • Ou se está a falar de uma situação decorrente do que toda a gente sabe, viveu, observou e é mais ou menos como dizer a alguém que acaba de chegar encharcado que lá fora está a chover
  • Ou se é um chamado "líder de opinião", uma figura de projecção nacional, e que não se aplica por aqui 
  • Ou se está a fazer campanha eleitoral. E eu não estou.
Mas calma...
Não estou porque há quem esteja, e ainda bem.
Já estive, há muitos anos e durante muitos anos; colei cartazes, fui a comícios e manifestações, trabalhei com enorme gosto e dedicação na rua e em sedes de campanha, gastei (o que é diferente de "perdi") inúmeras horas de sono, de lazer, de estudo e de trabalho, nunca ganhei - ou quis ganhar - um tostão com isso; chorei e ri, festejei e aceitei, senti-me parte de um todo que me era querido e também me senti, por duas vezes, "do outro lado", concordei e discordei. Vivi empenhada e alegremente as campanhas como a maioria dos eleitores não terão vivido e com genuína paixão pelo meu país.

Então e agora, passou-me a paixão?
Não vale a pena?
Não apoio ninguém?

Não é por aí. Apoio sim, como há muito tempo não apoiava.
Por vezes a minha opção de voto foi por um mal menor, por vezes foi porque "do mal o menos", por vezes foi em plena entrega, por vezes mudou.

Há quatro anos dei o meu voto a Passos Coelho, nunca o daria a Sócrates, nunca, nunca, nunca, e, na conjuntura, também não o daria a mais nenhum dos partidos concorrentes, nem à direita nem à esquerda. Não o dei contrariada mas também não o fiz com grande convicção.
Não é o caso presentemente.
Após quatro anos de governo do Pedro Passos Coelho, e não digo do PSD nem da coligação, digo Pedro Passos Coelho, apoio este primeiro-ministro como como há muito tempo não apoiava qualquer indivíduo ou partido.

Pedro Passos Coelho teve, desde o início e ao longo do seu mandato, uma enorme coragem, determinação, perseverança, cabeça-fria e seriedade como poucas vezes, muito poucas vezes, vi em governantes e opositores  da nossa supostamente madura democracia. Surpeendeu-me, enormemente.
Foi criticado, abalroado e traído dentro das suas muralhas; nunca vacilou, nunca desistiu, nunca se vitimizou. Seguiu em frente, cometeu erros, esteve perante adversidades evitáveis e inevitáveis verdadeiramente hercúleas, pegou num país considerado "lixo" pelas agências de rating, prestou contas a autoridades externas, pagou a tempo e horas quando os arautos da desgraça clamavam por um segundo resgate, torneou os maquiavélicos malabarismos políticos do Tribunal Constitucional que se comportou como o mais activo "partido da oposição".
Suportou as birras irrevogáveis e financeiramente onerosas do seu vice, aturou os remoques invejosos de um presidente da república ex-primeiro-ministro e ex-ministro das finanças que se sentiu ultrapassado pelo "puto Pedro", não obedeceu aos projectos pessoais daqueles que o quiseram no governo para o manobrar a bel-prazer;  pelo contrário, muitos foram indiciados e processados na justiça.

Foi duro? Foi, é, ainda está a ser.
E tinha de ser, estávamos "de tanga", a rasgar-se e literalmente sem tanga lavada para o dia seguinte. Nunca o omitiu nem disfarçou, nunca "dourou a pílula", anunciou-a amarga e difícil de engolir sem qualquer tentação eleitoralista. Não tenho memória de alguma vez ter ouvido numa apresentação de programa de governo uma expressão parecida com: «Teremos um brutal aumento de impostos».

Há cerca de dois anos achei que a próxima legislatura iria ser do PS, o umbiguismo nacional é imediatista, o dia de amanhã logo se vê, Deus dará.

Há cerca de um ano comecei a pôr a hipótese de as pessoas repararem que as perspectivas tinham mudado, que já não habitávamos um país de "lixo financeiro", que conquistamos a confiança dos mercados e do investimento, que o empreendedorismo português está de boa saúde e recomenda-se. Ouvi muitos "Nem penses nisso".

Hoje acredito, contra todas as probabilidades iniciais, que é possível continuar a sarar as feridas do nosso país e a reconquistar um lugar ao Sol após este longo Inverno do nosso descontentamento.

Eu voto no Pedro Passos Coelho, sem partidarismos nem enfeudamento;  com esperança, com convicção, com a aposta nas provas dadas.

Não vou fazer campanha por aqui, as provas estão lá fora, para quem as quer ver e para quem, doa a quem doer, não as vê porque não quer.

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O NUCLEO E O IRÃO

Não que seja possível passar-me ao lado mas optei por não me referir aqui à saga que tem envolvido as negociações e sequente acordo que envolve a União Europeia, os E.U.A. , a China, a Rússia, a Alemanha, o Reino Unido, a França e a União Europeia  (5+1) , por um lado e o Irão pelo outro. Bem vistas as coisas envolve a todos nós.
A questão é muitíssimo complicada, o comum dos mortais, nos quais me incluo, não sabe da missa a metade e perante tão consciente ignorância optei por estar calada.

Porém...

Se deve de haver um limite às opiniões que podemos, ou devemos, emitir acerca daquilo de que pouco sabemos, deveremos também limitar o nosso silêncio - pelo menos o mental - sobre aquilo que nos é dado a observar, no presente e na evolução histórica e socio-política que se reflecte hoje no comum habitat da humanidade.

O Irão é o que é, uma teocracia islâmica fechada, poderosa e influente sob um diáfano controlo ocidental mantido à custa de sanções económicas que a têm vindo a atrasar mas não a travar. O Irão é um espinho doloroso que pode provocar uma infecção capaz de alastrar e criar chagas generalizadas.

Então pode o ocidente, mais a Rússia e a China (aqueles que eu denomino 4+2 ) negociar e estabelecer acordos com o Irão?
Pode, está demonstrado que pode.
Como disse Barack Obama e muito bem: "É com os nossos inimigos que precisamos negociar".
As negociações prolongaram-se durante anos, estas últimas durante vinte meses mas foram possíveis. O acordo foi alcançado apesar do natural descrédito que o acompanhou, apesar - e este é um enorme apesar - da oposição sistemática dos líders religiosos iranianos.

O acordo está em cima da mesa.
Quem o leu?
Não me refiro a nós, comuns mortais, que podemos emitir opiniões sem que isso acarrete consequencias ao mundo. Refiro-me a todos aqueles que trazem um voto no bolso, que têm um microfone na frente, que decidem e influenciam. Quem o leu?

Encontram-no AQUI, todas as 159 páginas e, francamente, não é tanto quanto parece. Num final de manhã ou de tarde numa esplanada amena é companhia bem interessante.

Li inúmeros artigos sobre esta questão, ouvi opiniões de todos os quadrantes. Alguns que apenas repetem as grandes tiradas de Monsieur de La Palice e dos seus primos da direita, da esquerda e do principado do Eu-É-Que-Tou-A-Ver-Tudo; outros especialistas sensatos, outros vassalos fieis.

Tantos canteiros saltados o que colhi é resumidamente o seguinte:

O incumprimento do acordo por parte do Irão acarreta o regresso imediato e automático à imposição das sanções económicas - leia-se proíbição de exportação do petróleo - e denúncia do acordo

Em aspecto algum este acordo condiciona qualquer acção ou impõe qualquer compromisso de não inerferência na política externa do Irão, concretamente no Médio-Oriente.

O controlo sobre os meios atómicos bélicos iranianos pode ser feito de duas formas: 
- Pelos especialistas inspectores designados no acordo a qualquer momento e em qualquer lugar do território iraniano.
- Por uma acção bélica que destrua as instalações nucleares vísiveis no território iraniano

Por quê optar por uma solução bélica desde já? Não estará esta sempre disponível? Que interesses se dissimulam sob a capa da desconfiança e da propaganda do medo?


Conciso, generalista e informativo li, por exemplo o artigo da BBC dos seus especialistas em Médio Oriente

O que mais me impressionou, pela clareza dos argumentos, pelo tom humano, pela verdadeira preocupação que nos deverá tocar a todos, polítiquices, por uma vez, postas à parte, foi o de Farred Zakaria, residente da CNN e "opinion writer" do Washington Post. Não será o mais impressionante dos comentadores, é um homem que se aproxima das pessoas comuns, das que têm filhos e netos que só têm este nosso mundo para e onde viver. Politiquices à parte.

Deixo-vos este artigo/carta em vídeo CNN e no link para o texto do Washington Post.


ALEXIS PILATOS

Ai coitados dos gregos... Sim, é verdade, coitados dos gregos mas a verdade é que quem semeia ventos colhe tempestades.

Quando o Syriza ganhou as eleições houve uma histeria  além-fronteiras das esquerdas festivas: Agora é que era, o Syriza ia mostrar à Europa que o povo venceu, que ninguém manda em quem não se deixa comandar. Ó céus... Não, o Povo não venceu, o povo, em desespero, fez uma aposta num caminho ainda não percorrido, agarrou-se a uma esperança atormentada de "tudo ou nada" já que o nada estava garantido e perto. A aposta era onírica, o nada chegou.

Olhando aquela rapaziada não era preciso ter luminárias na testa para adivinhar o desfecho de tão bonitas e ilusórias decisões de mudança radical; já foi demonstrado à saciedade que o mundo não é dos espertos, mesmo os sábios aliam-se ao tempo e à espera para provarem a sua razão...
Haverá quem se lembre de me ter ouvido dizer em Janeiro "Dou-lhes seis meses"; em Abril, quando Alexis Tsipras foi pedir batatinhas ao embargado Putin, escrevi aqui:

«Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.
(.../...) O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heróico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. »

 De facto Tsipras não é estúpido... Por mais parvo que tenha sido ao partir para uma negociação que sabia não poder manobrar sem trair todas as ilusões que criara, sem perder o apoio do Syriza  e da esquerda eleitoral, deverá ter tido presente que não se pode  negociar sem ceder, sem assumir compromissos que refutou em absoluto;   Tsipras não é estúpido... Como Pilatos não era... "Eu tentei, eles não deixaram, agora decidam vocês". Game Over! Até nem fica mal na fotografia, até que esta vá parar aos livros de história.

O povo grego tem pela frente um dos momentos mais críticos da sua existência, é óbvio, mas não é apenas (como se não bastasse) a saída da comunidade europeia e o regresso ao dracma... Outra espada, da qual ninguém parece querer falar, levita sobre a cabeça dos gregos: Quem estenderá a mão a uma Grécia falida e isolada? Não foi a eventual saída da Grécia da União Europeia que levou Obama a telefonar a Merkel, esse será o lado para o qual ele dorme melhor, o que lhe tira o sono e, se pensarmos bem nos dará pesadelos, é o facto de Putin estar à espreita, esfregando as mãos e acendendo velas a S: Nicolau de Mira, padroeiro da Rússia... e da Grécia.
E, ao longe, ouvem-se os chineses sussurrando:"Segundos, estamos aqui..."

. ACTUALIZAÇÃO  ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO
ALEXIS NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Felizmente não tinha ainda ouvido as  declarações de Tsipras quando escrevi o que se lê acima; digo felizmente porque duvido que tivesse mantido a desejável calma e compostura a que Bloguece Oblige.

Acabei de ouvir o primeiro-ministro grego e não queria acreditar na representação descaradamente manipuladora que personificou perante as câmaras da televisão pública grega.
Não posso, não devo, aqui adjectivar a intenção de consequência das suas declarações (transmitidas na SICNOTÍCIAS no Jornal da meia-noite e que entretanto desapareceram dos vídeos on line onde aparece apenas o inicio da "coisa-a-fingir-que-é-uma-entrevista",  mas posso cita-lo:
"Apelamos ao povo para que o (acordo) rejeite em maioria. Quanto maior for a percentagem de "não" maiores serão as armas do governo grego para relançar as negociações.
(.../...) Se o povo grego quer continuar com medidas de austeridade, com planos de austeridade que nos escravizarão, se o povo quer assistir a uma "fuga de cérebros", se o povo quer uma elevada taxa de desemprego e novos empréstimos, se essa for a escolha dos gregos, vamos respeitar essa escolha mas não seremos nós a concretizá-las.
Por outro lado, se queremos um novo futuro, com dignidade, devemos fazer isso juntos porque os povos têm poder." 
Absolutamente espantoso este Tsipras!!!
"They will not kick us out of the eurozone because the cost is immense."

Mais espantoso só conseguiria ser se conseguisse explicar onde vai buscar esse "novo futuro com dignidade" sem medidas de austeridade, sem elevada taxa de desemprego, sem novos empréstimos. E também fico curiosa relativamente ao "acréscimo de armas" que representará para o seu governo uma maioria de "Não".
Terá um "acréscimo de armas" argumentativas sim, para argumentar várias atitudes e decisões, mas não nas negociações com a União Europeia, muito pelo contrário.

Não tenho palavras para tanto, ou até terei, mas, por respeito por vós e por mim, não as usarei.

ZORBA A DANÇAR AS CZARDAS

O governo grego, já para os próximos dias tem a entregar ao FMI o primeiro pagamento, de 448 milhões de euros, referente ao primeiro resgate financeiro de 2010 até 9 de Abril, um outro de 200 milhões para os mercados  a 1 de Maio; a 14 tem a pagar 1700 milhões em salários e pensões...

O pagamento ao FMI estará garantido e o respeitante aos mercados estará pela metade (segundo analistas em Bruxelas). Depois virá o grosso do pacote em Junho e nos dois meses seguintes... Esses estão actualmente a descoberto, assim como o funcionalismo do Estado grego.


No passado domingo, após um encontro informal em Washington, com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, Yanis Varoufakis garantiu que a Grécia “tenciona cumprir todas as suas obrigações para com todos os seus credores. O governo grego sempre cumpriu as suas obrigações e continuará a fazê-lo.” 

(Ouvem-se vozes de "apoiado, muito bem, tens uma g'anda lata" )


No dia seguinte, segunda-feira passada, dia em que as negociações técnicas foram retomadas em Bruxelas, Lagarde e Varoufakis encontraram-se com responsáveis do Tesouro norte-americano, entre eles o sub-secretário Nathan Sheets, encarregado dos assuntos internacionais e a conselheira do Presidente Barack Obama para a economia internacional, Caroline Atkinson. 


Mas na política, entre o que se ganha e o que se perde, baralha-se, volta-se a dar à espera de que tudo se transforme...



Alexis Tsipras, foi direitinho a Moscovo onde se reuniu com Vladimir Putin, não sem antes ter o cuidado de defender o fim das sanções da UE à Rússia, cuja economia está em recessão. Na agenda do encontro Tsipras-Putin estão restrições russas a produtos alimentares gregos e as relações bilaterais. Uma fonte do Kremlin admitiu que a Rússia poderá fazer descontos no gás que vende à Grécia. Segundo o gabinete de Tsipras, a reunião com Putin servirá para discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia, turismo, energia, investimento e comércio. 


"Discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia" ??? O homem ensandeceu ou tem um mandato secreto?

Foi declarado para a imprensa que não estão previstas ajudas económicas de Moscovo a Atenas...
Considerando a actual recessão russa e a política internacional que Putin insiste em manter não vale a pena "o roto e pedir ao nu que lhe empreste umas roupitas".

Pergunto eu, então o que foi Tsipras fazer a Moscovo?

Digo eu, asneiras, mais asneiras. Foi por-se a jeito, mostrar o rabo e chegar à previsível conclusão que dali não vem 1 litro... a menos que levasse 5, ou 10.

Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.

Horas antes do encontro Tsipras/ Putin, Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, foi avisando:
"A Grécia pede e obtém muito solidariedade da União Europeia. Podemos assim também pedir solidariedade à Grécia para que não saia unilateralmente das medidas conjuntas. As suas acções em Moscovo devem ser baseadas nisso". "A União Europeia espera isso dele como chefe de Governo de um Estado-membro"."
"Criámos as fundações para um novo relacionamento entre os dois países", assegurou esta tarde o primeiro-ministro grego. Alexis Tsipras falava após o encontro com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscovo, onde defendeu o fim das sanções impostas pela União Europeia no rescaldo da intervenção russa no leste da Ucrânia."
 (in Blooberg TV)
(Então mas afinal a Rússia sempre interveio no leste da Ucrânia? O Kremlin sempre o tem vindo a negar...)

As agências internacionais escrevem que Moscovo e Atenas se preparam para assinar acordos comerciais em diversas áreas, com o objectivo de estreitar relações ao longo dos próximos três anos.
"Segundo avança o jornal russo Kommersant, citando uma fonte do governo de Putin, na calha poderá estar a oferta de gás russo mais barato e eventualmente empréstimos a Atenas, em troca de acesso privilegiado às privatizações gregas. A Grécia compra 57% do gás que consome à Rússia, e já em 2013 a Gazprom tentara, sem êxito, comprar a grega DEPA. Moscovo estará ainda disposta a levantar o embargo, com que retaliou os países da União Europeia, para apenas permitir a entrada de produtos agrícolas gregos." (in Blooberg TV)
Vladimir Putin, mostrou grande interesse em dinamizar as relações comerciais entre os dois países e em participar em negócios na área da energia - designadamente para estender o gasoduto que promete ligar a Rússia à Turquia (através do mar Negro) a território grego, transformando a Grécia (em vez da Bulgária, originalmente envolvida no falhado "south stream") no "hub" de distribuição de gás para os Balcãs e para Europa central. O governo grego, assim como o governo  húngaro de  Viktor Órban, querem financiamento europeu para um troço deste projecto, conhecido por "turkish stream", por intermédio do "plano Juncker", destinado a relançar o investimento na União Europeia."(in Jornal de Negócios on line) 
O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heroico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. 

 Mas há coisas que o governo grego ainda não percebeu... 

 Assim como não existem empréstimos incondicionais, nem perdões de dívida a um Estado (muito menos quando outros Estados, como por exemplo Portugal, se esfarrapam para conseguir cumprir os seus compromissos de pagamento), assim como não se vence as acordadas exigências da "troika", com arrogantes tomadas de posição de "No meu governo mando eu"; também não se dobra a tomada de posição da União Europeia ao decidir impor embargos económicos a um país invasor de um Estado independente e soberano. A aldeia global existe e não é apenas virtual, o individualismo estatal está morto. 

 E mais..

Pergunto-me o que pensará o povo grego, ocidental por cultura e tradição, ao ver o seu país furar o conjunto de castigos económicos  e isolamento de um Estado agressor e invasor de um outro Estado soberano. Talvez seja tempo de Tsipras fazer umas revisões e lembrar o que opôs Atenas e Esparta. Embora os guerreiros tenham vencido a guerra do Peloponeso foram engolidos pela história e pela degradação do mundo helénico.

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COITADINHOS DOS TERRORISTAS

Cresci a ouvir falar de guerras, eu e quase toda a gente no mundo; a guerra colonial, a guerra do Vietname, o Cambodja, Beirute, o Biafra, a guerra dos 6 dias, o Yom Kipur e sei lá mais quantas. Cresci a ouvir falar de guerras, a vê-las na televisão, tive sorte, houve quem as vivesse e quem não tivesse tido tempo para crescer.

Desde que existe humanidade que andamos em confrontos... Não é por acaso que as primeiras imagens do inimitável e sempre novo "2001 Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, se inicia, na alvorada da humanidade, com luta e a descoberta da primeira "arma": um fémur. Um fémur utilizado para agredir e decidir o clã vencedor.

Mas as guerras eram guerras... Guerras, a Primeira e a Segunda, a ameaça nuclear da Terceira, as guerras quentes e frias, o Muro, os gulags, a fome... Em nome de tudo e mais alguma coisa, em nome de Deus - seja lá qual Deus for - em nome da justiça, da liberdade, da vingança, da honra... No fundo só existem duas grandes causas: sobrevivência por um lado,  território, poder e riqueza por outro, o resto é retórica, dialéctica, argumentação.

Actualmente as guerras decresceram, são guerrilhas, mas estou em crer que a violência é crescente. Actualmente os confrontos são geograficamente limitados - como o sudeste da Ucrânia, a Faixa de Gaza ou algumas zonas específicas em África - mas os ataques letais e violentos podem bater a qualquer porta em inúmeros lugares do mundo. Vivemos sob a ameaça do Terror, o terrorismo é o modus vivendi e o modus operandi na actual Ordem Mundial.

Não preciso forçar a memória, as últimas 24 horas chegam para ilustrar o que estou a dizer:

Ontem um tarado islamita qualquer, que se estivesse mais vigiado estaria certamente preso, tomou conta de um inócuo café na baixa de Sydney, fez dezenas de reféns e acabou morto, ele e mais duas pessoas - um jovem gerente de loja e uma jovem que tinha ido tomar o pequeno-almoço.


Hoje, ainda mal tinha amanhecido por cá já se noticiava que o Movimento dos Talibãs do Paquistão ocupara uma escola em Peshawar com cerca de 500 pessoas, alunos e professores, e mataram mais de 140, na sua maioria crianças.
"Muitos foram executados no principal auditório da escola, mas os sobreviventes dizem que os atacantes foram de sala em sala e abriram fogo contra alunos e professores.O porta-voz do grupo, Muhammad Umar Khorasani, numa declaração às agências noticiosas internacionais,  disse que os seis combatentes taliban tinham “ordens específicas para não fazerem mal a menores”."
Pois... por não quererem fazer mal a menores é que atacaram uma escola...

Sobre terrorismo nem vale a pena ir além destas últimas 24 horas, a lista é interminável, a escolha entre os ataques muitíssimo difícil e não acrescentaria nada de novo, todos sabemos, independentemente dos nossos ideais, credos e éticas.

Uma coisa porém valerá a pena lembrar: sem a actual hiper-vigilância contra-terrorista a lista seria inimaginavelmente mais extensa; felizmente vivemos na ignorância de quantos ataques terroristas são travados pelo mundo.
Aqueles que se sentem incomodados pelas câmaras de vigilância, pelas escutas telefónicas, pela grelha sobreposta a e-mails, pelo escrutínio de visionalisação de sites na Net e pelo Projecto Echelon da NSA, deveriam ganhar uma consciência mágica que lhes permitisse tomar conhecimento de quanta violência e sofrimento já foram evitados, de quantas vidas já foram poupadas devido à vigilância e acção contra-terrorista. Como saber se algum, ou alguns, daqueles que amamos, para já não falar de quantos nos são anónimos, poderiam neste momento já não estar connosco devido a uma viagem de avião em férias, a um pequeno-almoço na pastelaria errada, à visita a um museu imperdível ou a qualquer outro momento inocente e quotidiano?

Pela parte que me toca não me sinto nada incomodada, muito pelo contrário, quanto mais eficaz e global for a vigilância contra-terrorista mais segura me sinto. Venha a CIA, o MI6, a Mossad e outros que tais, é um preço que aceito de bom grado e se for preciso aplicar práticas "chocantes", como o afogamento simulado e outras formas violentas para obter informação, pois que se apliquem. Eu só tenho a agradecer que exista quem suje as mãos por mim - para eu poder bradar aos céus contra a tortura na segurança do meu cantinho.

E...

Não me venham, de ânimo leve dizer que "nós" não somos terroristas, que temos de ser diferentes, temos de velar pelas boas práticas sem ceder à violência.

Sim, "nós" somos diferentes, "nós" não obrigamos ninguém a professar a nossa religião sob ameaça de morte, "nós" não armadilhamos crianças que explodem em nome do que nem sabem, "nós" não cortamos cabeças para exibir em vídeos, "nós" não violamos e escravizamos mulheres e meninas, "nós" não encostamos a um qualquer muro de via pública aqueles que nos incomodam para os fuzilar sem julgamento, apelo ou agravo, "nós" não vaticinamos a ocupação do mundo por uma machista, sub-medieval e violentíssima "Lei de Sharia" em teocracias de leis voláteis.

"Dar a outra face" não significa, nunca significou, pormo-nos a jeito para levar outra bofetada, significa não nos deixarmos vencer ao levar a primeira, significa não nos acobardarmos perante a violência alheia.

Há pessoas indignadas pelos relatórios da CIA? Está bem, felizmente têm a liberdade - sobretudo emocional - de se sentirem indignadas.
(Tivessem sofrido na pele e no coração as consequências do terrorismo e pergunto-me se teriam a mesma reacção...
Independentemente de ter presente de que os princípios éticos não devem ser abalados pela vivência pessoal a verdade é que uma coisa é a teoria e outra é matarem-nos um filho.)
A mim indigna-me a progressão do terrorismo em todas as suas facetas, sobretudo quando se torna uma prática quotidiana.
"Nós" temos o direito e o dever de prevenir, antecipar e punir os ataques terroristas de que sejamos alvo, doa a quem doer

E não me importo mesmo nada que lhes doa.

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PONTOS NOS I's - HOJE NÃO ME APETECE BRINCAR

"A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado" (JMF)
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Ao longo destes últimos dias, desde a detenção de Sócrates, não ouvi uma única voz - de jornalista, político ou comum mortal entrevistado na rua - cair em descrédito e dizer: "Não pode ser, Sócrates é um homem sério".
Retiremos conclusões...

Ouvi sim uma espécie de zarolhos - daqueles que só vêm para um lado - insurgirem-se com a forma "mediática" como Sócrates foi detido, como se fosse possível detê-lo de forma não mediática; seria sempre uma questão de minutos, mais dez menos dez. 

Adiante... Sócrates é um garboso rapaz, banhou-se na multidão, assumiu o poder (e de que maneira...), vestiu-se de Armani, pavoneou-se e, quando deixou para trás o país na bancarrota, foi filosofar para Paris, pagar almoços como um árabe e deleitar-se no bem-bom. Ou seja esteve-se completamente "dans les encres" (que é como quem diz "nas tintas") para o povinho e fê-lo com altivez e ar de gozo. Gastou, comprou, pôs e dispôs como se fosse um herdeiro rico, como se não tivesse contas a dar. E, espantosamente, ninguém lhas pediu, ou conseguiu pedir. 

Pois, mas tem contas a dar: ele foi primeiro-ministro, um cargo público ao serviço dos portugueses e pago por estes para o exercer no seu melhor interesse, seu, dos portugueses, como deverá ser óbvio.
E na hora de o deter, vamos ter todos muito respeitinho pelo cidadão, pela privacidade, pela presunção de inocência? Para o descaramento com que nos gozou muita sorte teve o cidadão.

Deixemo-nos de tretas, aqueles, poucos mas barulhentos, que vieram à boca de cena preocupados com a forma da detenção de Sócrates, por "questões de princípio", ética de justiça, protecção da sociedade civil, só lhes deu para se preocuparem com ética e justiça agora, nestes últimos dias? Presunção de inocência? Mas somos todos parvos? Onde tinha essa gente metido os seus princípios e as sua noções de ética quando se silenciou perante a arrogante e bem gozada impunidade de um tipo que tinha, e tem, uma indiscutível e enorme responsabilidade perante todos os portugueses?
Não me venham pregar moral com a conivência no bolso, o único pecado na detenção de Sócrates é ter tardado tanto.


E tendo eu pensado isto encontrei o artigo de hoje do JMF.
Não digo mais nada.

É talvez altura de nos curarmos 
de vez do socratismo
José Manuel Fernandes - in "Observador" - 25 Nov. 2014

Uma parte do país – e um contingente notável de comentadores – parecem continuar em estado de negação. Durante anos não quiseram ver, não quiseram ouvir, não quiseram admitir que havia no comportamento de José Sócrates ministro e de José Sócrates primeiro-ministro demasiados “casos”. Em vez disso só viram cabalas, só falaram em perseguições, só trataram eles mesmo de ostracizar ou mesmo perseguir os que se obstinavam em querer respostas, os que insistiam em não ignorar o óbvio, isto é, que Sócrates não tinha forma de justificar os gastos associados ao seu estilo de vida.

Agora, que finalmente a Justiça se moveu, eles continuam firmes na sua devoção – e nas suas cadeiras nos estúdios de televisão. Não lhes interessa conhecer o que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro, apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça. Antes, anos a fio, quando não havia segredo de justiça para invocar, desvalorizaram sempre todas as investigações jornalísticas que tinham por centro José Sócrates.

Isto é doentio e revela até que ponto o país ainda não se libertou da carapaça que caiu sobre ele nos anos em que o ex-primeiro-ministro punha e dispunha. Nessa altura também muitos, quase todos, se recusavam a ver, ouvir ou ler, até a tomar conhecimento. Não me esqueço, não me posso esquecer que quando o Público, de que eu era director, revelou pela primeira vez a história da licenciatura, seguiu-se uma semana de pesado silêncio que só foi quebrada quando o Expresso, então dirigido por Henrique Monteiro, resistiu às pressões do próprio Sócrates e repegou na história e denunciou as pressões. Não me esqueço que tivemos uma Entidade Reguladora da Comunicação Social que fez um inquérito e concluiu que o silêncio de toda a comunicação num caso de evidente interesse público não resultara de qualquer pressão – a mesma ERC que depois condenaria a TVI por estar a investigar o caso Freeport. Como não me esqueço de como uma comissão parlamentar chegou mais tarde à mesma conclusão, tal como não me esqueço de como vi gestores de grandes empresas deporem com medo do que diziam.

Muitos dos que agora rasgam as vestes porque o antigo primeiro-ministro foi detido no aeroporto foram os mesmos que nunca quiseram admitir que havia um problema com Sócrates, com os seus casos, com o seu comportamento, com o seu autoritarismo. E também com o seu estilo de vida.

Há momentos que chegam a ser patéticos. Como é possível, por exemplo, que um homem supostamente inteligente, como Pinto Monteiro, queira que nós acreditemos que foi convidado por José Sócrates para um almoço, de um dia para o outro, numa altura em que o cerco se apertava, e que, naquele que terá sido o seu primeiro almoço a sós, só falaram de livros e viagens, como se fossem dois velhos amigos? Como é possível que continue a defender a decisão absurda sobre a destruição das escutas? Ou a achar que nada mais podia ter sido feito na investigação do caso Freeport?

Mas há também um lado doentio e provinciano na forma como se tem comentado este caso. Uma das raras pessoas que detectou essa anormalidade foi Nuno Garoupa, professor catedrático de Direito nos Estados Unidos e que, por ter respirado ares mais arejados, não teve dúvidas, notando que “nós é que vivemos num mundo mediático”, não é a Justiça que cria o circo, como se repetiu ad nauseam nas televisões. Mais: “A opinião pública pode e deve fazer um julgamento político, independentemente do julgamento legal e judicial. A política e a justiça não são a mesma coisa.” Ou seja, deixem-se da hipocrisia do “inocente até prova em contrário”, pois isso é verdade nos tribunais mas não é verdade quando temos de julgar politicamente alguém como José Sócrates. O julgamento político, como ele sublinha, não está sujeito aos mesmos critérios do julgamento penal.

A clareza do debate político exige pois que saibamos fazer distinções. A distinção que António Costa fez logo na madrugada de sábado, quando disse que “os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a acção política do PS”, é justa e mantém toda a sua pertinência. Se o PS tem conseguido manter a frieza – quase todo o PS, pois são raras e muito pontuais as excepções –, é importante para esse mesmo PS ir mais longe. E tocar um ponto nevrálgico: aquilo que nós, cá fora, sabíamos sobre as excentricidades e as práticas de José Sócrates dão-nos apenas uma pequena amostra do que se sabia em muitos círculos do PS. Sabia, mas não se comentava, mal se sussurrava.

Vou mais longe: nos partidos estas coisas são conhecidas. Pelo menos no PSD e no CDS, para além do PS. Ninguém ficou surpreendido quando a Justiça caiu sobre Duarte Lima – todos os seus companheiros de bancada conheciam as suas excentricidades. Pior: muitos ainda hoje comentam como a Justiça ainda não apanhou alguns antigos secretários-gerais, aqueles que tratavam das contas e apareceram ricos de um dia para o outro. Pior ainda: nos bastidores dos partidos as histórias de autarcas, em particular de alguns dinossauros, são infindáveis. E há longínquas férias na neve de dirigentes partidários que incomodam os seus correligionários sem que nada aconteça para além de um comentário fugaz.

Vamos ser claros, deixando a hipocrisia do respeitinho de lado. A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado. A percepção que corroía a confiança nas instituições não era sobre se os seus direitos humanos poderiam vir a ser negados (a sugestiva preocupação de Alberto João Jardim), mas sim sobre se algum dia um aparelho judicial que, anos a fio, pareceu amestrado seria capaz de apanhar alguns dos fios das muitas meadas tecidas pelo antigo primeiro-ministro.

Escrevi-o muitas vezes e vou repeti-lo: José Sócrates foi a pior coisa que aconteceu na democracia portuguesa nos últimos 40 anos, e não o digo por causa da bancarrota. Digo-o por causa da forma como exerceu o poder, esperando fazê-lo de forma absoluta, sem contestação, sem obstáculos, sem críticos. Não os tolerava no PS, no Governo, nos jornais, nos bancos, nas grandes empresas do regime.
Não sou a primeira pessoa a descrever assim José Sócrates. Nem essa descrição é recente. Recordo apenas um texto de António Barreto, de Janeiro de 2008 (há quase sete anos, bem antes da bancarrota), onde se escrevia que “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”. Lembram-se? Eu não o esqueci.

O que distingue o socratismo não é uma visão da forma de ser socialista, é uma visão schmittiana de exercício do poder. Compreendo que o seu estilo de líder forte possa ter fascinado quem cavalgou a onda, mas é bom que hoje olhem para o elixir que provaram e que os inebriou, e percebam que era um veneno. Ou seja: acordem para a realidade. Depois do que se passou nos últimos dias, do que já sabemos sobre os contornos do processo e das acusações, do que imaginamos mas ainda não sabemos, a pergunta que muitos têm de intimamente fazer é “como foi possível?”, “como é que acreditei?”. Porque se não forem por esse caminho o seu único refúgio acabará por ser uma qualquer teoria da conspiração como a imaginada pelo insubstituível MRPP.

Ao contrário do que se repetiu à exaustão, o carácter não é um detalhe em política. E se ninguém deve apagar rostos em fotografias, à la Stalin, também é preciso de olhar de frente para o que, no passado, recomenda que se exorcizem fantasmas, demónios, maus hábitos e práticas não recomendáveis.

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PONHAM-LHE O NEURÓNIO NA ENGORDA

Veio parar-me sob o nariz um escrito da famosíssima Margarída Rebelo Pinto e a coisa fede...


Veio parar-me sob o nariz, sob os olhos e subiu-me ao cérebro; deu-me naúseas.
A madame escritora redigiu para o semanário Sol, que publicou em 2010 (há contextos em que compreendo a censura) uma espécie de colectânea das suas opiniões que titulou: “As Gordinhas e as Outras”.  Este textozinho, curto mas mauzinho - e não me refiro à qualidade literária mas ao veneno viscoso que encerra - parece que reapareceu pelas redes sociais em 2012 onde terá sido largamente comentado. Eu não o vi... Mas não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, hoje lá me tocou a vez.

Nunca fui "gordinha", com mais ou menos peso fui sempre mais para o lado do osso, pessoalmente era suposto não me sentir tão arrepiada com a leitura. Pois, mas sinto. Sinto e sinto as raivinhas de dentes que a madame Margarida rosna cerrada nas entrelinhas do seu texto, a que ela chama "crónica", deixando inadvertidamente escapar algumas fustrações e inseguranças. O problema dela não são "as gordinhas" propriamente ditas, são os "direitos" que madame Margarida acha que elas têm e que "as outras" não têm. (Não estou a inventar, deixo o texto aí abaixo). Começa a famosíssima autora por dizer:
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas
A descrição acima, mais à esquerda ou mais à direita poderia assentar-me bem, nas épocas idas em que eu tinha bicho-formigueiro e não parava em casa. Nunca fui uma perfeita maria-rapaz mas estive sempre longe do que se chama uma menina e, essa parte da amigalhaça companheirona, serve-me desde que aplicada à saudável convivência com pessoas que conheço bem, de há anos e que são para mim amigalhaços companheirões, eles e elas. Será que o sindicato das "gordinhas" me processa se souber disto? Será que me multa por uso indevido de características?

Não entendo o drama desta mulher... 

Ou talvez entenda...
Diz ela:
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras (.../...)Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. (.../...)Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. (.../...) Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Coitada de madame Margarida, o que ela sofre... Sofre para ser gira (?), sofre porque é gira (?), e sofre porque queria ter os direitos que por ser gira (?) não tem.

Coitada de madame Margarida, não percebe nada sobre o que é uma mulher gira.
Uma mulher gira pode ser gorda ou magra, feia ou bonita, nova ou nem por isso, uma das poucas coisas que se lhe exige, para ser de facto gira, é que seja exactamente como é; que não seja uma construção que  dá trabalho e requer diplomacia, que não seja uma "mise en cène" programada e ajustada. Há momentos, companhias e circunstâncias que devem ser levadas em consideração, está bem, mas isto não é sinónimo de uma "adaptação da personalidade" a um fim, neste caso a importantíssima e omnipresente finalidade de "ser gira!!!"

E só mais uma coisinha: Ser gira não é uma coisa que se programe para "que gozem de um estatuto especial entre os homens"... como a sensatez da maturidade vem, quase sempre, demonstrar. Há pessoas que conquistam um estatuto especial entre as outras pessoas, pela sua maneira de ser, pelas suas qualidades, pelo seu carácter; o resto são fogos factuos, ilusões e parvoíces.


Margarida, que idiota!

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"As gordinhas e as outras"


“Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena.
Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.
Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»
Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas.” 
Crónica de Margarida Rebelo Pinto

TOMA A RITALINA E FICA QUIETO

O número de crianças em idade escolar medicadas com Ritalina é assustador e não pára de aumentar; quando digo assustador não quero apenas significar que é elevado, é assustador mesmo, chovem receitas de Ritalina nas farmácias e daí para as goelas das crianças e é impossível deixar de pensar que isto terá consequências preocupantes a breve trecho.
Mesmo considerando apenas metade das prescrições, serão de facto necessárias?
Assumindo a minha incapacidade técnica para apreciar a questão atrevo-me a dizer que não, um rotundo não.

Quando o meu filho tinha uns 8 anos uma coordenadora do ensino primário veio-me com a conversa do Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperactividade ... Sim, o meu filho é "cabeça no ar", tem uma imaginação super-produtiva, tem uma aptidão criativa acima da media; tem outras aptidões normalíssimas e até uma ou outra que deixam a desejar (como a aptidão numérica, para mal dos seus ínfimos pecados). Hiperactivo nunca foi e quanto ao deficit de atenção... depende em absoluto daquilo para que esta é requerida: se o "chateia" ele divaga. Isto pode dificultar-lhe a vida em alguns aspectos importantes mas não estou de todo convencida de que, globalmente, seja negativo, antes pelo contrário.

A minha resposta a esta conversa do "Será que..." foi imediata e, até, um tanto abrupta:
"Se ele não tem Deficit de Atenção, o caso está arrumado e se tem arruma-se da mesma maneira porque não vou droga-lo com Ritalina aos 8 anos, nem aos 10 nem aos 14 lá porque ele não se concentra na conversa da professora e faz perguntas que alguém considera descabidas; Além do mais há outras formas inócuas e saudáveis de treinar a concentração". Fim de papo.



Dois ou três anos mais tarde uma das psicólogas de serviço na escola, mulher sensata e interessada, que conversava informalmente com o meu filho com frequência, fez-lhe os testes rotineiros e chegou à mesma conclusão que eu: o Luís só não concentra a sua atenção naquilo que não lhe interessa ou que não o motiva, se há algum deficit é de paciência.

MAS...

O que teria acontecido se eu me tivesse assustado com a converseta da tão diligente coordenadora? Se me tivesse passado pela cabeça que a minha obrigação de boa mãe era ajudar a criança a conseguir embrenhar-se no que lhe punham na frente?  E se o tivesse levado a um doutor que achasse que o Luís só tinha a ganhar se se deixasse de devaneios inúteis e até prejudiciais à sua carreira lectiva?

Quantos pais, assustados, cansados, pouco informados ou simplesmente impacientes estão "medicando" os seus rebentos na pura convicção de que é absolutamente necessário?
"Quando ele pára de tomar fica logo mais nervoso, irritadiço, não consegue estudar..."
Pois é, quando se retira uma droga que criou dependência acontece isso...

Como lidar com esta questão?  INFORMAÇÃO, magotes de informação proveniente de diversas fontes, fundamentadas, identificadas e independêntes.
E assumir a responsabilidade de ter uma criança, não um bichinho bem amestrado.

MAIS...

Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro

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Com efeito comparável ao da cocaína, droga é receitada a crianças questionadoras e livres. Professora afirma: “podemos abortar projectos de mundo diferentes”
Por Roberto Amado, no DCM
É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.
O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.
A situação é tão grave que inspirou a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a fazer uma declaração bombástica: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao  Portal Unicamp. “Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil  anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”, diz ela.
O fato, no entanto, é que o uso da ritalina reflecte muito mais um problema cultural e social do que médico. A vida contemporânea, que envolve pais e mães num turbilhão de exigências profissionais, sociais e financeiras, não deixa espaço para a livre manifestação das crianças. Elas viram um problema até que cresçam. É preciso colocá-las na escola logo no primeiro ano de vida, preencher seus horários com “actividades”, diminuir ao máximo o tempo ocioso, e compensar de alguma forma a lacuna provocada pela ausência de espaços sociais e públicos. Já não há mais a rua para a criança conviver e exercer sua “criancice.
E se nada disso funcionar, a solução é enfiar ritalina goela abaixo. “Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la a lidar com essa criança. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma percentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada”, diz a médica.
Mas os problemas não param por aí. A ritalina foi retirada do mercado recentemente, num movimento de especulação comum, normalmente atribuído ao interesse por aumentar o preço da medicação. E como é uma droga química que provoca dependência, as consequências foram dramáticas. “As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento”, diz a médica. “Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insónia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA)”.
ALÉM DISTO...

Leon Eisenberg, o psiquiatra que "descobriu" o transtorno do défice de atenção com hiperatividade (TDAH) sete meses antes de sua morte, quando já tinha 87, disse que "o TDAH é um exemplo de doença fictícia.
"O objetivo de Leon Eisenberg e dos seus colaboradores foi conseguir enraizar a crença de que o TDAH tem causas genéticas, que é uma doença com que se nasce. Ele próprio mencionou, junto com as palavras em que disse que era uma doença inventada, que a ideia de que uma criança tem TDAH (ou seja, a ideia de que uma criança é muito agitada e problemática) desde o nascimento foi sobrevalorizada. No entanto, ao chegar a aclarar esta  situação na população e nos pais, o sentimento de culpa desaparece, os pais sentem-se aliviados porque a criança nasce dessa maneira e o tratamento é menos questionável. Em 1993, foram vendidos nas farmácias alemãs 34 kg de metilfenidato. Em 2011, vendeu 1,760 kg.
O conhecido psiquiatra, que veio a assumir a gestão de serviços psiquiátricos no prestigiado Massachusetts General Hospital, em Boston, onde foi reconhecido como um dos mais famosos praticantes de neurologia e psiquiatria do mundo, decidiu confessar a verdade meses antes de sua morte, por motivos de cancro da próstata, acrescentando que um psiquiatra infantil deve tentar determinar as razões psico-sociais que podem originar os problemas de comportamento. Ver se há problemas com os pais, se há discussões familiares, se os pais estão juntos ou separados, se há problemas com a escola, se a criança tem dificuldade para se adaptar, porque lhe custa a adaptar, etc. Para tudo isso, ele acrescentou que, logicamente, isso leva tempo, trabalho e, acompanhado de um suspiro, concluiu: "receitar uma pílula para o TDAH é muito mais rápido"