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A MAGIA DOS NÚMEROS


Contava-me o meu o meu pai que, durante o mandato da primeira Assembleia Nacional Constituinte republicana, "eleita*" em 1911, houve um senhor deputado que resolvia os problemas económicos do país facilmente com o dinheiro que advinha do "jogo" (casinos e afins). Já não me lembro do nome do homem e muito menos das percentagens que atribuiria a cada sector mas a ideia vale por si. O tal deputado resolvia, e invento totalmente números e sectores, atribuir 25% à Defesa, 20% à saúde, mais 20% à educação, 30% para obras públicas, 40% para despesas directas do Estado, mais... A dada altura o presidente da Assembleia terá interrompido o sábio deputado e referido que, pelas suas contas, já haviam sido ultrapassados os 100%... Resposta pronta do animal: « Aah Senhor Presidente, mas é que isto do jogo dá muito...»

De vez em quando lembro-me desta história... Quando as manifs. no Terreiro do Paço com 1/4 de lotação são supostas têm mais manifestantes do que a lotação da praça cheia, ou quando as adesões às greves apresentam um número superior à soma dos trabalhadores em funções com aqueles ausentes

 Hoje, essa espantosa greve dos professores em dia de exames teve, segundo a Federação Nacional da Educação (FNE) terá havido uma adesão  «acima dos 80 por cento» e «Vai ao encontro dos números da Fenprof».

Por outro lado,  o secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário afirmou que setenta e seis por cento dos alunos realizaram o exame de Português;
Todos os alunos de latim fizeram exame, tal como os portadores de deficiência auditiva profunda ou severa;
Em 74% das escolas, os exames realizaram-se a 100%.

Ou é da minha vista ou há  qualquer coisa na discordância  destes números que não bate certo.
Não estou sequer a insinuar que os números apresentados pelo governo são mais fiáveis, ou menos, do que os apresentados pelos sindicatos mas, desta vez, tratando-se de exames nacionais, não pode haver discussão:  as provas estão à vista em cada folha de teste entregue.

Ah mas o Ministério da Educação convocou professores substitutos, dizem os sindicatos.
Está bem, mesmo que assim seja, substitutos ou não, são professores, com tanto direito à greve quanto qualquer outro, né? É.

Para rematar a «Piada Louca da Semana»:

A FNE lembrou que a greve não foi feita de propósito para ser nesta data.
«A greve é neste momento, porque foi nesta altura que o Governo apresentou propostas que são muito más e que têm a ver com um desprestígio da profissão e dos profissionais.»

Pois claro, "eles" é que foram muito maus mesmo à beira dos exames... Mas alguém neste nosso rectângulozinho lhe passaria pela cabeça que poderia ser "de propósito"? Jamais! Os educadores dos filhos da nação são para se levar a sério... Alguma vez fariam uma coisa dessas? Por o governo sob chantagem utilizando os seus educandos? Nunca!
Felizmente somos todos parvos.

* A Assembleia Nacional Constituinte foi eleita num sufrágio em que só houve eleições em cerca de metade dos círculos eleitorais. Não havendo mais candidatos do que lugares a preencher em determinada circunscrição eleitoral, aqueles eram proclamados "eleitos" sem votação.

O sufrágio universal foi afastado, tendo votado apenas os cidadãos alfabetizados e os chefes de família , maiores de 21 anos.


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IRÁ A EDP ENTRAR EM ESTADO DE CHOQUE?

Pode ser que eu não tenha razão, definitivamente o meu "negócio" não são os números, mas uma das muitas coisas que me faz brotoeja no mercado nacional são as exorbitantes tarifas, e taxas, da EDP face aos seus lucros, tendo em conta que a electricidade é um bem essencial, em casa e nas empresas, particularmente as fabris. Confesso que me traria um sorrisinho ao canto da boca ver a EDP ter de repensar as suas tarifas devido a uma liberalização do mercado.

Sei que ainda é cedo, até 2015 ainda muita corrente eléctrica passará pelos fios de alta tensão mas a informação disponibilizada pela eventual concorrência é ainda muito escassa e pouco divulgada, a própria concorrência parece-me escassa relativamente ao enorme mercado em termos nacionais.

Passou-me sob o nariz um artigo que não responde ao essencial - creio que nesta altura ainda ninguém responde satisfatoriamente - mas dá resposta a muitas dúvidas, direitos e obrigações; Preços? Mais euro menos euro, não vejo nada no horizonte que me possa mudar a cara quando olho para a factura, venha ela de onde vier.


 «Tudo sobre o mercado livre de electricidade»
In "Sol"  - 2 de Maio, 2013

«Com a extinção das tarifas reguladas da electricidade a 31 de Dezembro de 2012, substituídas pelas tarifas transitórias, os consumidores terão três anos para poderem escolher um operador do mercado livre.

O calendário definido pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) fixa duas fases para a extinção das tarifas reguladas, sendo que desde 1 de Janeiro de 2013 acabaram as tarifas para todos os consumidores de electricidade e gás natural, isto é, com potência contratada até 10,35 kVA no caso da electricidade e um consumo anual até 500 m3 no caso do gás natural.

Tire as suas dúvidas:

O que significa o fim das tarifas reguladas?
O fim das tarifas reguladas significa que os preços de venda de electricidade e de gás natural aos consumidores deixam de ser fixados pela ERSE, passando a ser definidos pelas empresas presentes no mercado. Até agora, para fornecimento de eletricidade, há ofertas da EDP Comercial, da Galp, da Endesa, da Iberdrola e da Gas Natural Fenosa.

O que é o mercado liberalizado?
O mercado considera-se liberalizado quando vários comercializadores podem concorrer livremente em preços e condições comerciais, observando as regras da concorrência, a lei geral e os regulamentos aplicáveis. Outras actividades, como o transporte e a distribuição de electricidade e gás natural, vão continuar a ser reguladas e os seus operadores serão obrigados a fornecer os serviços aos operadores finais em condições de transparência e não discriminação.

Quando se conclui o processo de liberalização?
A conclusão do processo de liberalização dos sectores energéticos da electricidade e do gás natural significa que todos os consumidores deverão escolher um novo comercializador de electricidade e gás disponível no mercado no máximo até 31 de Dezembro de 2015. Os consumidores já hoje podem fazer a sua migração do mercado regulado de electricidade (no qual estão a maioria dos consumidores portugueses, cerca de cinco milhões de clientes) para o mercado liberalizado (que tem actualmente 1,5 milhões de clientes).
Desde 01 de Janeiro de 2013 que, caso o consumidor opte pela tarifa liberalizada, não poderá voltar à tarifa regulada. No entanto, dentro do mercado livre, pode optar pelas várias ofertas e mudar de comercializador quantas vezes pretender. Quando assina um contrato de fornecimento de electricidade e de gás nenhum deles tem um compromisso de fidelização.

O consumidor vai pagar para mudar da tarifa regulada para a tarifa liberalizada ou, quando estando na liberalizada, terá encargos para mudar de operador?
Não. Todos os processos de mudança são gratuitos, sendo accionados assim que o consumidor contactar e contratar um novo fornecedor de energia. A ERSE alerta que os portugueses devem estar atentos às ofertas comerciais das várias empresas fornecedoras de electricidade e gás natural que estão a operar no mercado, em princípio, mais competitivas que o regulado.

Quais os passos para mudar de comercializador?
Um consumidor que pretenda mudar de comercializador de energia eléctrica ou de gás natural, quer seja no âmbito da extinção de tarifas reguladas, quer seja pela procura de melhores condições de fornecimento, deverá seguir três passos fundamentais: consultar os comercializadores, comparar e escolher preços, condições de pagamento, prazos, promoções, etc. A ERSE tem um simulador na sua página de internet.

Quanto custa a mudança de comercializador?
A mudança de comercializador não tem custos para o consumidor e deverá ocorrer no prazo máximo de três semanas.

Qual a duração do processo de mudança de comercializador?
Após a celebração do contrato de fornecimento com o comercializador escolhido, este inicia todos os procedimentos necessários, sendo que será feita em cerca de cinco dias úteis. Após a concretização da mudança, o antigo comercializador está em condições de emitir a última factura de energia (factura de fecho) e o novo comercializador começa a fornecer com as condições negociadas com o consumidor.

Para concretizar a mudança de comercializador o consumidor precisa de alterar algum equipamento ou alguma característica das instalações?
Não. A mudança de comercializador é uma mera transferência de relacionamento comercial, pelo que no processo de mudança não são alterados equipamentos ou características da instalação de consumo, tais como, a potência contratada ou o escalão de consumo.

A quem posso recorrer em caso de reclamação ou dúvida?
A comercialização de energia eléctrica e de gás natural está sujeita a regulação da ERSE, no que respeita às condições e práticas comerciais junto dos clientes. Em caso de reclamação ou dúvida na aplicação dos seus direitos, poderá recorrer à ERSE ou a organismos de defesa do consumidor.

O fornecimento de electricidade ou gás natural pode ser interrompido na mudança de comercializador?
Não. A mudança de comercializador pressupõe a existência de novo contrato de fornecimento de electricidade ou de gás natural. Após a assinatura do novo contrato, o novo comercializador trata de todos os aspectos técnicos relacionados com a transferência da relação contratual. Até à data de concretização da mudança de comercializador, o fornecimento de electricidade e gás natural mantém-se com o anterior comercializador.

Vale a pena mudar para o mercado livre se tiver uma tarifa bi-horária?
Em princípio não porque as ofertas no mercado livre não oferecem qualquer desconto sobre a tarifa regulada. No entanto, se pretender uma factura única, em que agrupa o gás e a electricidade, já poderá compensar.

O que vai acontecer depois de 31 de Dezembro de 2015? Se não mudar para o mercado livre fico sem electricidade?
Sim. Segundo o que está estipulado, quem não fizer a sua alteração de contrato para o mercado livre, o consumidor ficará sem fornecimento de electricidade ou gás a 1 de Janeiro de 2016.

A electricidade vai ficar mais barata durante o processo de liberalização?
Não, a não ser que aconteça uma queda brutal do preço do petróleo e do gás natural nos mercados internacionais. A ERSE vai rever os preços das tarifas reguladas de três em três meses, sendo que as empresas a actuar no mercado estão a aplicar descontos sobre as tarifas reguladas. Se o preço sobe na tarifa regulada, implicitamente sobe no mercado livre, embora com um desconto.»


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MUITO PESO E DUAS MEDIDAS

Que fique claro:
Não venho aqui defender o ex-ministro Miguel Relvas, nem venho para o atacar, já enjoa.
Sobre Miguel Relvas a única coisa que me ocorre dizer é que é o único tipo destas lides que  consegue fazer concorrência, à altura, à cara de parvo de Tó-Zé Seguro.

Sobre a posição do primeiro-ministro, percebo que não tenha querido demiti-lo durante os passados meses: estava a ser pressionado para o fazer e, se o fizesse, abriria um precedente não sem consequências. Não sei se fez bem... talvez não.
Já Miguel Relvas, logo que se levantou a questão da sua licenciatura, deveria ter posto o seu caso à análise da lei e deveria ter apresentado a sua demissão. Não o fez, não sei os porquês nem o que se passou entre ele e chefe do governo. Não sei, não atiro "barro à parede a ver se cola".

Agora vamos ao que interessa, não por mais ministro ou menos ministro mas pela chafurdice e fórróbódó que tem vindo a ser feito em torno da questão.

1- Recentemente centenas de processos foram entregues pela Inspecção Geral do Ensino Superior à Secretária de Estado do Ensino Superior onde estão sendo analisados.

2- A Universidade Lusófona recebeu um despacho do secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró, relativo à "acção de controlo conduzida pela Inspecção Geral de Educação e Ciência (IGEC) ao procedimento de avaliação do ex-aluno n.º 20064768".

3- A U. L. confirma também ter recebido outro despacho, do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, sobre a análise ao relatório final da auditoria interna que lhe havia sido entregue pela própria U.L. 

4- Em causa está uma cadeira em que Miguel Relvas passou sem realizar exame escrito, quando o regulamento da universidade o exige e especifica que este tem de ser escrito.

5- Nuno Crato teve conhecimento dos primeiros resultados da auditoria em Março e "há alguns dias", depois de ter acesso ao relatório final, comunicou a decisão de passar o processo para o Ministério Público ao primeiro-ministro.
O ministro da Educação disse que o primeiro-ministro apenas lhe pediu para cumprir a lei e remete explicações para os tribunais.
 
6- A atribuição de graus académicos é da responsabilidade da universidade e não do  ministério.
Ao ministério cabe fazer a fiscalização e, se detectadas anomalias,  passar o processo para o Ministério Público".
A decisão cabe ao Tribunal Administrativo de Lisboa.
Pela parte que me toca, I rest my case , o que havia a fazer está feito e o caso está entregue a quem de direito.

MAS... Sim, MAS... Um grande "Mas"

Entre as enormidades descontextualizadas, e muito bem aproveitadinhas, que ouvi durante esta feira que se realizou em torno da demissão de Miguel Relvas, onde as barracas foram armadas por deputados, jornalistas e outras eminências da politiqueira nacional, pelo nosso Zê Povo que, benza-o Deus, é entendido em tudo e algo mais, não ouvi ninguém, ab-so-lu-ta-men-te-nin-guém, perguntar:
Entre essas centenas de processos encontra-se por acaso o processo referente à licenciatura do Engº José Sócrates Pinto de Sousa?
Ou:
O ministro da Educação, do tempo em que se levantou o caso da licenciatura do Engº José Sócrates Pinto de Sousa quando este era primeiro-ministro, alguma vez pediu este processo e o enviou a tribunal para fosse analisado no respeitante aos créditos atribuídos,  o exame escrito enviado por fax e sabe-se lá mais o quê?
Ou:
Porque é que o Engº José Sócrates Pinto de Sousa nunca apresentou a sua demissão ao presidente da república aguardando que o processo da atribuição do seu grau académico fosse esclarecido?

Não? Ninguém?... O silêncio é ensurcedor.

NÃO VAMOS LÁ DE LUVA BRANCA

Há dias li que o governo norueguês proibiu a Arábia Saudita, assim como empresários muçulmanos, de financiar mesquitas e a sua construção, enquanto subsistir a proibição de construção de igrejas e outros templos religiosos no seu país.
 «Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes de financiamento de um país onde não existe liberdade religiosa», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês, e acrescentou: «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa onde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita». (Janeiro 2013)

Esta decisão deixou-me a pensar...
Percebo a posição da Noruega e a sua noção de «reciprocidade» mas... Mas é aí mesmo que bate a questão, na «reciprocidade».
Se na Arábia Saudita, e não só, não existe liberdade religiosa, nos países ocidentais existe e, pela parte que me toca, orgulho-me disso. O alinhamento na ausência de liberdade religiosa não faz de nós melhores, muito pelo contrário. Já oiço o argumento rebativo: "há liberdade religiosa mas não deve haver para aqueles que não a respeitam", uma espécie de "toma lá do teu xarope a ver se gostas"... Percebo. Percebo mas mantenho as minhas dúvidas acerca da ética, e eficácia, desta resolução: Nós não somos assim, eles é que são. Alterarmos a  nossa posição por causa da deles parece-me um alinhamento por baixo e isso nunca é bom.

Compreenderia se isto viesse a condicionar a emigração - leia-se, ocupação - que os muçulmanos radicais estão a fazer para os territórios "infiéis". A Europa está repleta de muçulmanos que impõem de forma absurda os seus costumes e tradições, que estabelecem fronteiras bairristas onde a lei que vigora é a deles. Isto não é tolerável, a Tolerância nada tem de coincidente com esta prática crescente. Porém não é por não construírem mesquitas que os fundamentalistas muçulmanos deixarão de pretender ocupar o ocidente, continuarão as suas práticas onde bem lhes aprouver, a impor os seus códigos e a fazer muitos bebés nascidos na Europa mas educados a bem da causa do Islão.

LONDRES
Assim não vamos lá, não estamos a lidar com gente normal. Lamento dizê-lo, lamento pensa-lo mas a mera observação demonstra a radicalidade e intransigência quotidianamente.

Falando de fundamentalistas, faço um "intercalado" e já cá volto, desta vez não a Arábia Saudita mas o Irão...

Há dias o presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, foi ao funeral de Chavez e, segundo se vê em vídeo, tocou o ombro da mãe de Chavez  - uma mulher não pertencente à sua família e, ainda para mais, infiel. Caiu o Carmo e a Trindade nas ostes fundamentalistas iranianas, os "ayatolas" lá do sítio entraram em alvoroço, Ahmadinejad pecou!

Logo Ahmadinejad apareceu numa foto consolando a mãe de Chavez durante o funeral, já não apenas um toque no ombro mas um abraço, que não aparece em qualquer vío nem se percebe onde possa ter ocurrido... (Prestando atenção ao vídeo vê-se um homem, talvez guarda-costas, tocando no presidente iraniano como que a avisa-lo "estás a esticar-te...")

Não é preciso ser uma águia para ver que a foto está retocadíssima: o fundo foi apagado, algumas pessoas "esborratadas" e nota-se perfeitamente o recorte.

Logo apareceu outra foto e a história complicou-se...
 Diz a malta de Ahmadinejad que a foto com a senhora é uma montagem usando a foto abaixo ao centro; Dizem os religiosos fundamentalistas no Irão (Conselho dos Guardiães) que  a montagem foi feita pelos amigos do presidente usando a foto que está abaixo à esquerda...


A foto da esquerda não tem "mãozinha", que é obviamente a mesma em ambas as fotos ; O comparsa dos óculos envelheceu imenso da esquerda para o centro; A camisa que aparece entre os dois é a mesma, com as rugas no mesmíssimo sítio, tal como a pequena ruguita no colarinho do presidente; Também as rugas de expressão Ahmadinejad são exactamente as mesmas, até os cabelitos fora da linha capilar.

Por mim é para o lado que durmo melhor, quanto mais eles se lixarem entre si melhor eu durmo, a questão não é essa. A questão é: O Irão é talvez o país fundamentalista islâmico mais perigoso actualmente, a sua escalada nuclear não é algo que possa ser visto com desdém. Sendo Mahmoud Ahmadinejad a boa prenda que tem demonstrado ser até à exaustão, o que pode o ocidente esperar dos comparsas mais "papistas do que o papa" que se escondem na sombra fundamentalista religiosa iraniana? Obviamente Ahmadinejad não lhes chega por muito que nos possa sobrar...

Findo o "intercalado" e voltando atrás...
Como pensarão os Senhores do Mundo Ocidental resolver problemas com gente que vive num outro mundo e que pensa e age de forma tão fechada, determinada, radical e que se move entre a ocupação e a aniquilação?
Não os deixando construir mesquitas? Estamos a brincar, só pode ser.

Por mais que o lamente, sou uma humanista inveterada, parece-me que é mais do que tempo de pegar o boi pelos cornos. Há que estabelecer regras muito restritas e bem pensadas no que concerne à imigração muçulmana e aos direitos e deveres destes na Europa e, até já, nos Estados Unidos; Mesmo a Austrália já tem problemas graves.
Particularmente os países francófonos têm já entre mãos uma ocupação que não tende a acabar bem. Não são problemas culturais nem religiosos, são problemas originados por extremistas, fanáticos, que não reconhecem outra lei que não a sua, que consideram que o mundo lhes pertence - só a eles -  e, que em mais casos do que transparece, servem de berço e abrigo a células terroristas.
Intervir no Mali não chega, é o solo que pisamos que está ameaçado.
Não se vai lá com "reprocidade", isso é um ralhete com meiguice. É necessário fazermos valer a nossa cultura, a nossa forma de viver social e individualmente e de não aceitar imposições que nos são aberrantes. Quem não estiver bem que se mude mas AQUI NÃO.
Até quando vamos tolerar isto em condescendência civilizada? Até fazermos perigar a nossa civilização? É tempo de agir.



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MUNDO CÃO? NÃO, MUNDO DE GENTE PREDADORA

Tenho um cão Bouvier Bernois com 3 anos;
De todos os cães que tive,  todos eram mansos e nenhum me deu problemas devido a agressividade, o  Bernois é sem dúvida o mais pachola, o mais dócil, chega a enjoar.

Estes cães são assim, gostam de pessoas, de outros animais, de brincar, de explorar, de conviver como mais um membro da família. São uns grandalhões de coração de mel; os suissos, seus conterrâneos originais, chamam-lhes "os potes de cola" devido à forma insistentemente apegada como eles se relacionam.

Já dos seres humanos não se pode dizer a mesma coisa... Muitos são predadores agressivos, assassinos, sem compaixão ou consciência das consequências dos seus actos.
Outros não...

Acabei de ler uma notícia que me deixou a perguntar "porquê?". Não consigo entender. Da mesma forma que me ultrapassa o que pode estar subjacente a crimes, estes ficcionais mas poderiam não ser, tão tortuosos quanto os que encontramos em séries inteligentes como a "Mentes Criminosas".

Steiner com 2 anos
Um homem, com 72 anos, abateu a tiro dois Bouvier Bernois, um cão com com 2 anos e uma cadela com 1 ano, propriedade da familia sua vizinha, sem qualquer justificação.

Os cães não o atacaram, nem a ninguém, nem sequer nenhum dos seus animais, apenas tinham entrado na sua propriedade minutos antes porque um ramo de árvore caiu sobre a cerca que delimitava a propriedade derrubando-a. Não destruíram fosse o que fosse nem evidenciaram qualquer sinal de perigo.

Não consigo entender. Não seria mais natural que chamasse os donos e recambiasse os cahorros  para casa? Ou até que os levasse? Pois, mas não. Nem sequer sequer tentou afastar os cães gritando ou de qualquer outra forma, conforme ele próprio admitiu à polícia.

Tinha a arma à mão, teve a oportunidade de matar e matou, assim, sem mais.
Teve vontade de matar e matou.
Provavelmente pensou que sairia impune...
A isto chama-se um assassino, independentemente de quem seja o alvo, a "marca" está lá.
Se me restassem dúvidas seriam resolvidas após ler que este bandalho deixou uma mensagem no telefone de um vizinho vangloriando-se de ter morto os cães.

Por todas as razões e mais uma, ainda bem que os cães não eram meus... Que vida complicada este gajo iria ter durante anos...

E agora a questão fundamental; não a mais triste nem a mais revoltante mas aquela que é fundamental ter em mente: à luz da lei o que acontece a um tarado destes?

Isto passou-se nos E:U.A., em Chester County, Pennsylvania. Segundo Tom Hickey Sr., membro do grupo de aconselhamento do Governador para as leis relativas aos cães , as acusações que pesam sobre Pilotti demonstram que as leis vigentes no Estado são fortes ainda que possam ter imperfeições:
Os donos dos cães assassinados irão reunir-se  com o senador  Andy Dinniman (D., Chester) a fim de que as acusações resultem numa nova lei que proteja os cães vitimas de casos semelhantes.

E se fosse em Portugal?
Que leis temos nós que protejam os nossos animais, os mais inocentes e dóceis, de um qualquer tarado que se resolva a mata-los, tortura-los, maltrata-los, abandona-los, aprisiona-los em espaços diminutos durante tempo sem fim?

Há bem pouco tempo segui o caso de dois cães que estavam abandonados  no jardim de uma vivenda do bairro de Alvalade onde o dono deixara de residir. Durante meses e meses a fio estes animais, deixados sós ao frio e ao calor subsistiram graças à compaixão de um Senhor, de meios económicos muito limitados mas com um coração do tamanho do mundo, que lhes levava alimento e água diariamente.
Foi contactada a Sociedade Protectora dos Animais, a União Zoófila, foi lá a polícia... Nada a fazer porque «os animais não apresentavam sofrimento aparente nem pareciam representar risco social e estavam em propriedade privada».

O que é isto?

Há anos um vizinho de um amigo meu deu carne com vidro moído a um cão porque este tinha entrado no seu jardim e destruído um canteiro de flores. O pobre bicho foi morrer à porta do dono desfeito em sangue.
Não aconteceu nada ao assassino, o criminoso foi o cão que destruiu bens alheios e o dono foi condenado a pagar o canteiro...
Obviamente que nunca mais nasceram flores naquele jardinzeco que aparecia coberto de sal e lixívia...

Mas lei que condene uma mente criminosa? Aah, isso é muito complicado...

 Fergus, 2 anos e Fiona , 1 ano                       Gabriel Pilotti, 72

«Chester County District Attorney Tom Hogan said Friday that Gabriel Pilotti, 72, was charged with cruelty to animals and recklessly endangering another person.»

"We're happy that justice was served," said Mary Bock, a member of the family that owned the dogs. "I'm still focused on making sure this never happens again. This is less about torturing Mr. Pilotti for what he did then about making changes for the future."

Initially, Pilotti told police he got his shotgun and buck shot shells from his garage at about 11:20 a.m. on Feb. 12, after looking out his kitchen window and seeing the Bernese mountain dogs in his pasture chasing his sheep.

The dogs, 2-year-old Fergus and 1-year-old Fiona, were the pets of Mary and William Bock and their five children. Mary Bock said Thursday that the dogs normally stayed in their enclosed backyard, but a tree limb had fallen and collapsed part of the fence allowing the dogs to get out. They ran through yards along the street behind the Bocks until they reached Pilotti's property. They probably had not been out of their own yard for more than 15 minutes when the incident occurred, she said.
If the dogs had been pursuing the sheep, Pilotti's actions would have permitted under Pennsylvania's dog law, the district attorney's office said. .
But West Vincent Township Police said Pilotti admitted the older dog was not close to any sheep, but trotting slowly toward him when he fired his shotgun, hitting the dog in its head.
Directly behind the dog and in the line of fire was a house with residents home - facts that spurred the endangerment charge.
After shooting the first dog, the police complaint says, Pilotti reloaded his shotgun and took aim at second dog, which was emerging from another part of the pasture.
 He shot the dog as she was running away from him and the sheep," the complaint says. "The dog fell, got up and ran for a distance and then fell over and died. The defendant advised that there were no sheep near the female dog as it tried to run away."
None of the sheep were harmed by the dogs, police said, and Pilotti acknowledged that he did not attempt to yell at them or chase them away before shooting.

"There was no justification for the killing of these two dogs," said Hogan. "The defendant has been charged and will be dealt with appropriately. Our sympathies go out to the family and children who lost their beloved pets."
Pilotti has not made a public statement since the incident and on Friday, a recording at his home phone number said it was out-of-service.

Since publicity over the shootings, including the release of a telephone message Pilotti left for a neighbor in which he sounded as though he were gloating about killing the dogs, people have posted messages on a Facebook page established for the dogs, that encourages people to harass Pilotti. One woman went to his house and shouted, "dog killer, dog killer," according to next-door neighbor, Dr. Robert A. Boden.

Mary Bock said she and her husband still would be meeting with State Sen. Andy Dinniman (D., Chester) to see if their were changes that could be made to the law to make it less of a shield for shootings lie the one that took their dogs.
Chester County resident Tom Hickey Sr., a member of the governor's dog-law advisory group, said the charges show that the state's dog laws are solid, if imperfect. "In Pennsylvania, we had the laws in place to protect these animals," Hickey said. "What this guy did was horrific and illegal.
"Finally the laws caught up with him."

In - www.philly.com , Philadelphia News, 22 Feb.

 
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O "NÃO GOSTO DE TI" COMO TÁCTICA DE ENGATE

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O semanário "Sol"  publicou ontem a seguinte notícia na sequência do congresso do PCP:


«Comunistas querem Governo de esquerda, mas deixam fortes críticas ao PS»

Se há coisa que admiro no Partido Comunista, e não única, é a sua capacidade de permanecer igual a si mesmo independentemente da realidade politico-social em que se encontre. Já de Álvaro Cunhal se dizia «pode-se perguntar-lhe o que se quiser que ele responde sempre o que lhe apetece». Pois é, esta rapaziada é mesmo assim.

Nas últimas legislativas, de 5 de Junho de 2011, o Partido comunista teve 7,91% do eleitorado, correspondendo a  441.852 votos. Não sei se a rapaziada terá presente que é esta a representatividade que têm na legislatura actualmente em vigor.

Mas vamos mais longe na aritmética para ver se a gente se entende:

O PS teve 28,06% do eleitorado, correspondendo 1.568.168 votos

Ora bem, a soma da percentagem PS/PCP resulta em 35,97%, ou seja, 2 010 020 votos.
O PSD sozinho teve 38,65% , ou seja 2.159.742 votos
A coligação com o CDS-PP ( 11,70% -  653.987 votos) representa 50,35% - 2 795 729 votos

Pergunto eu, o PCP quer um governo de esquerda por alma de quem?

Porque lhes apetece... Pois, compreendo, mas não chega, a menos que assumam que eles é que sabem o que é bom para o povo, que o povo não percebe nada do que devia escolher, a democracia que se lixe, escolhem eles pelo povo.
Sendo assim está bem, estamos conversados. E poupamos uma data de massa nessa mania das eleições.

Não, não estranho nada disto, em 1975 já era viva e crescidinha o suficiente para perceber o que se passava à minha volta - o que, para mal dos meus pecados que já me vão pesando, não é verdade para uma boa fatia do actual eleitorado, arremessadores de pedregulhos incluídos.
Não quero viver outro PREC, não me venham falar em "ditadura do proletariado" outra vez. Proletariado uma ova, se com 7,91% esta rapaziada se quer impor assim, com as rédeas do país, mesmo que "compartilhadas com a esquerdinha caviar", bem podíamos mudar de continente.

E diz no "Sol",
Eleito por unanimidade (ora pois) para um terceiro mandato como secretário-geral, Jerónimo de Sousa disse que está disponível para o “diálogo” com outras forças, mas deixou um aviso: “Ninguém peça ou exija ao PCP que deixe de ser o que é”.
Não Jerónimo, ninguém pede ao PCP que deixe de ser o que é, é uma impossibilidade absoluta. Quando se chega ali parou - no tempo, na mentalidade, na democracia.

Também não passa despercebida a posição do PCP face ao Bloco de Esquerda, malta que os aborrece, rouba-lhes protagonismo e uma fatiazita apetecível de votos. São uns chatos, o PCP não deseja de forma alguma dar-lhes importância, poder então muito menos.
 O PCP quase ignorou o Bloco de Esquerda no Congresso, à excepção de uma crítica deixada pelo deputado Agostinho Lopes, que advertiu que “é uma ilusão” pensar que a saída para a crise europeia passa pelo federalismo como “querem o PS e o Bloco de Esquerda”.

E vale a pena ligar ao que esta rapaziada diz?
Vale.
Não por eles, que não trazem novidades nem alteram em nada o seu discurso, já toda a gente o sabe trautear, vale pelo convite subjacente...
Em terra de cego quem tem um olho é rei, mas só se o usar; se for atrás da cegueira envolvente de nada serve. E poucas coisas cegam tanto quanto a ânsia de poder...
Qual de entre vós se encontra absolutamente convicto de que o PS não seria capaz de corresponder ao convite do PCP com um sorriso maroto?

Não estou esquecida  (não sofro de lapsos de memória selectivos) de que foi o PS a grande força motriz contra os governos provisórios do camarada Vasco Gonçalves, do II ao V,que lá se foi embora a contra-gosto a 25 de Novembro de 75. É verdade, mas nessa altura era o tempo do Carlucci, o PS era outro, ainda não tinha havido legislativas e aquilo a que agora se chama "a direita" ainda não tinha ganho corpo; na altura O PPD/PSD ainda não tinha força e muitos dos que passaram a votar  PSD estavam nas fileiras eleitorais do PS. O fervor revolucionário ainda estava fresquinho e na ordem do dia.
O PS actual é outro, é um PS com oposição à direita e não à esquerda e isto muda todo o discurso... e não só.
É bom, é essencial, que se mantenha isto em mente.
Não seria a primeira vez que o PS delinearia o seu projecto político à socapa e nos presentearia com uma coligação pós-eleitoral surpreendente.
Estou à espera de uma coligação PS/PCP? À priori não, mas não acho impossível, já vi coisas tão estranhas... Como uma coligação PS/CDS...
Vindo dali acredito em tudo.

O artigo AQUI


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PARA BOM ENTENDEDOR

«Ó ALEX, ENTÃO NÃO COMENTAS NADA NO TEU BLOG?»

«ANDAS TÃO CALADINHA...»

« ETC, ETC»


 RESPOSTA:


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Não se preocupem meus amigos, está tudo bem
(acho que a "silly season" me deu com mais força este ano, só isso)

E A SÍRIA? E O IRÃO?

Kadhafi foi ontem morto

O presidente Obama anunciou hoje que o exército dos Estados Unidos se retirará do Iraque até a fim do ano.

Há pouco estava à procura on line de uma reportagem formidável e surpreendente que apanhei ontem na Deutsche Welle TV, infelizmente não na totalidade, sobre as relações económicas, políticas e outras (sim outras, daí o surprendente...) que Kadhafi manteve com países europeus, em particular com a Grã-Bretenha, e com os EUA ao longo do seu "reinado", especialmente após o 11 de Setembro.

Bem, ainda não consegui encontrar esta reportagem mas, no meio da busca, encontrei um artigo bastante recente - 27 Set. 11 - que neste momento ganha um significado maior, seja qual for o sentido que apliquemos a "maior"


Partilho-o aqui deixando o "link", parece-me que vale francamente o tempo de o ler; heis a introdução:

«As the stalemate between Syrian President Bashar Assad and protestors continues, armed rebellion is becoming a distinct possibility.
But how likely is it that Syria will follow the same path as Libya?»

«The Syrian government under President Bashar Assad could be producing the means of its own undoing.

For months the Assad regime has been pursuing a military crackdown against a protest movement which they claim includes criminals and terrorists but which experts say is overwhelmingly peaceful.

"How can I imagine that in a country which has been ruled for more than 40 years by a fist of iron all of a sudden armed gangs have appeared?" Hilal Kashan, Chairman of the Department of Political Studies and Public Administration at the American University of Beirut, told Deutsche Welle.

"I don't rule out that on occasion people may be using violence. But that doesn't justify an overwhelming military campaign by the authorities. This is an excuse presented by the regime."

But the deadly force used against Syrian civilians, which has claimed hundreds and perhaps thousands of lives, has made some feel as though they have nothing to lose in their struggle against Assad.»
CONTINUA... AQUI DW-WORLD.DE


Porém...

Não foi apenas o que se vem passando na Síria, há já demasiado tempo, que me levantou as orelhas e, repito, em especial hoje, após a morte de um assassino do seu próprio povo, consequente libertação do contingente da NATO aplicado à Líbia, e do anúncio do fim da presença dos EUA no Iraque

Também se me avivou a atenção ao deparar com um outro artigo sobre uma questão que, no meio da loucura do dia-a-dia da política internacional, tem vindo a ser relegada para segundo plano.

Tendo em conta que aquilo que vemos e ouvimos nos noticiários não passa da "pontinha do iceberg" da política internacional que se permite chegar ao conhecimento público, tendo ainda em conta que uma elevada percentagem desta "pontinha de iceberg" é encapotada ou descaradamente mentira, vale a pena atentar neste artigo publicado há cerca de uma semana - 14 Out.2011 - sobre a posição de "falcões e pombas" relativamente à ameaça do Irão


«Hawks and doves divided over US response to Iran»


«Opinion is divided over what response the US should take over the alleged Iranian terror plot. Some want military action and a show of strength; others favor increased sanctions while the Middle East is in such turmoil.»


Um pequeno excerto:

«"Any response from the Saudis against Iran would be less destabilizing than it would be if the response against Iran was from Israel," Jed Babbin said. "Any response from Israel discernible to anyone outside of Iran's borders would trigger a fairly substantial war."

Should an attack by the US transpire, military experts believe a more clandestine retaliation would be more likely than an overt show of force.

"If there is to be a strike, the most likely would be covert," W. Thomas Smith Jr., a former US Marine and an expert on international terrorism and counterterrorism, told Deutsche Welle.

"And it would be less a punitive strike and more a utility strike by special operations forces with the primary objectives of eliminating the plot's operational leaders outside of the US, gathering key intelligence, and shutting down any connected developing sub-plots in the process."

Despite the clamor in some quarters for an attack, some analysts believe that the most likely response will not involve military action given the current volatility of the Middle East region and the US administration's policy of enagagement.
»

ARTIGO COMPLETO AQUI , DW-WORLD.DE


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FOI VOCÊ QUE PEDIU UM TGV?

Recebi hoje um e-mail de uma amiga contando uma história que ainda não consegui perceber bem se me dá vontade de rir se de chorar; mais coisa menos coisa diz assim:

«TGV - TRANSPORTE GERALMENTE VAZIO»

«Falta de passageiros leva Espanha a suspender algumas ligações na alta velocidade
Ligações que terminam a 1 de Julho tinham nove passageiros por dia dos 2.190 'viajantes potenciais' em ambos os sentidos...»

Como nestas coisas de "notícias por e-mail" já me vi escaldada várias vezes, ainda que "a fonte", ou seja, a minha amiga, de parva ou distraída não tenha nada, lá fui eu à procura da notícia original porque essa dos "nove passageiros dia" parecia-me um tanto estranha.

E não é que encontrei! Verdade, verdadinha, el AVE (TGV) de nuestros hermanos (cá para mim confesso que são mais primos, afastados...) tem mesmo sido um sucesso de bilheteiras - coisa boa porque nunca há fila para comprar bilhete




REVISTA 80 DIAS.ES
27/6/2011 17:21 - Actualizada el 29/6/2011 09:25

«MADRID.- Una mala estrategia obliga a Renfe a suspender el servicio de trenes AVE que unen Toledo con Albacete desde el 1 de julio. Enrique Urquijo, director general del área de viajeros, ha reconocido en Toledo que la ruta, que también pasa por Cuenca, es “un desastre”, según la agencia Efe. Y es que esta conexión de las capitales manchegas sólo cuenta con nueve viajeros diarios de los más de 2.000 que podría tener.

Como consecuencia Renfe aumentará a trece las frecuencias de trenes Avant entre Toledo y Madrid. La idea es que, a través de billetes combinados, los viajeros de Toledo hagan escala en Madrid para tomar en la capital española un AVE u otro tren con destino a Cuenca y Albacete, o viceversa. El enlace de alta velocidad Toledo-Cuenca-Albacete echó a andar en diciembre de 2010, cuando se puso en marcha la línea de AVE entre Madrid y Valencia.»
E agora a parte que eu gosto mais:
«Urquijo ha asegurado que con los trasbordos el viaje ser realizará en un “tiempo similar” y que resultan incluso más económicos. Así, el recorrido de AVE entre Toledo y Abacete se completa en 1 horas y 5 minutos a 70 euros. Mientras que si el mismo recorrido se hace con trasbordos, el tiempo pasa a 2 horas y 28 minutos con un coste de 60 euros (si desde Madrid se toma un AVE); 2horas y 31 minutos por 52 euros (si el tren es un Alvia); y 3 horas y 33 minutos por 37 euros (si el tren es un Altaria.»
E também gosto desta:
«El directivo de Renfe también ha asegurado que el servicio tenía unas pérdidas diarias de 18.000 euros.
Para que una ruta de AVE sea rentable, desde Renfe han asegurado en repetidas ocasiones que la ocupación debe situarse por encima del 70%, mientras que la de Toledo-Cuenca-Albacete se ha situado en el 4,7%»


Será que o bom povo português ainda quer brincar aos comboios?

Pela parte que me toca sempre achei que o TGV faz uma falta como a fome num país do tamanho do nosso e sobretudo neste momento alto da nossa vida nacional.

Vamos lá a ver se há juízinho...


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APELO À PORRADA PORQUE A JUSTIÇA NÃO CHEGOU LÁ


MAS O QUE É ISTO?


Não vou publicar aqui a notícia na sua totalidade, não sou sequer capaz de a ler em voz alta
Estou estupefacta


«Psiquiatra absolvido de violação de paciente grávida»
In "SOL" - 12 de Maio, 2011- Andreia Félix Coelho
O Tribunal da Relação do Porto considerou que o psiquiatra João Villas Boas não cometeu o crime de violação contra uma paciente sua, grávida de 34 semanas, pois os actos não foram suficientemente violentos, apesar de este forçar a vítima a ter sexo com base em empurrões e puxões de cabelo.

O tribunal deu como provado os factos, que têm início com a vítima a começar a chorar na consulta e com o médico a pedir para esta se deitar na marquesa. (.../...)
Continua... AQUI

O ACÓRDÃO COMPLETO DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO DO PORTO ENCONTRA-SE AQUI

Do qual extraí apenas o seguinte:

No acórdão recorrido o tribunal colectivo considerou provado que os factos decorreram em três momentos distintos, ou seja:

1 – “… a ofendida começou a chorar, tendo-lhe o arguido dito para se deitar na marquesa (ou divã) – ao que esta acedeu; o arguido começou então a massajar-lhe o tórax e os seios e a roçar partes do seu corpo no corpo da ofendida”;

2 – “Esta levantou-se do dito divã e sentou-se no sofá; o arguido foi então escrever uma receita; quando voltou com ela, aproximou-se da ofendida, exibiu-lhe o seu pénis erecto e meteu-lho na boca, para tanto agarrando-lhe os cabelos e puxando-lhe para trás a cabeça, enquanto lhe dizia “estou muito excitado” e “vamos, querida, vamos”;

3 – “A ofendida reagiu, levantou-se e tentou dirigir-se para a porta de saída; no entanto o arguido … agarrou-a, virou-a de costas, empurrou-a na direcção do sofá fazendo-a debruçar-se sobre o mesmo, baixou-lhe as calças (de grávida) e introduziu o pénis erecto na vagina, até ejacular”.


Segue um extenso relato e descrição do ocorrido, as justificações do Tribunal e a conversa costumeira que não tira nem acrescenta

A saber, os juízes foram:
  • Eduarda Maria de Pinto e Lobo
  • José Manuel da Silva Castela Rio
  • José Manuel Baião Papão (vencido conforme declaração de voto que junto)
Deste último, José Manuel Baião Papão, a voz discordante, pode ler-se, no final do Acórdão a sua declaração de voto da qual não sou sequer capaz de extrair qualquer texto; este merece de facto ser lido na integra. (link acima)


Deixo duas perguntas, uma que gostaria de fazer aos juízes Eduarda Lobo e José Rio:

Se, um destes dias, a Senhora assistente neste processo perdesse a cabeça e desse um tiro certeiro neste psiquiatra tarado, presumo que os senhores juízes a condenariam; estou certa?

A outra pergunta deixo-a a quem saiba a morada, de residência ou profissional, deste tarado:

Não há por aí alguém que se disponha a pregar um valentíssimo enxerto de porrada neste gajo?


Haja Deus!


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WALKIRIA, DIZ-ME TU...

«A chanceler alemã afirmou hoje que tanto o Governo como a oposição em Portugal têm de indicar publicamente e de forma clara que medidas alternativas propõe para atingir as metas orçamentais.»

Sim, está bem
Mas cadê o resto?

Sim, o resto...

Por que é que os senhores analistas e estatísticos que, em Bruxelas, auditaram as contas do Estado português,
anteriores ao PEC4, apresentadas pelo malogrado executivo que agora se esvai, não apresentam, "publicamente e de forma clara", para conhecimento do povo português, o relatório de análise a essas mesmas contas?

Será que era uma "grande bronca"? Não sei, digo eu...


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A PULGA DE SÓCRATES

UMA PULGA NÃO PODE FAZER PARAR UM COMBOIO
MAS PODE FAZER CÓCEGAS AO MAQUINISTA




Premissa: O conteúdo das escutas telefónicas onde aparecem conversas de José Sócrates é juridicamente irrelevante.

Partindo do princípio de que isto é assim, e não podendo eu afirmar que não é, a ser, pergunto-me os porquês de tanta ansiedade em destruí-las.
E mais, assim sendo, pergunto-me por que não revelar o seu inócuo conteúdo, já nem digo publicamente - evocando o direito à privacidade - mas, no mínimo, a uma Comissão parlamentar multi-partidária que pudesse sossegar as hostes.

Mas não. Fecham-se as inocentadas escutas a sete chaves, mandam-se destruir com a força de um murro na mesa embora a questão não esteja encerrada e esteja sim longe de se poder considerar esclarecida.

Porém... Há quem não funcione a murros na mesa, há quem não se assuste nem um bocadinho, há mesmo quem saiba responder com igual murro em diferente mesa. Há até quem considere que o que na letra da Lei, e da Constituição, estabelece a Independência dos juízes é mesmo para ser levado muito a sério.

( A quem possa interessar, mais sobre isto num artigo de que gostei na sequência do que abaixo refiro, acompanhado pelo respectivo vídeo, AQUI)


Vem esta divagação a propósito de uma notícia que ouvi ontem, diluída entre o jogo do futebolístico derby lisboeta e a visita de José à Srª Merkl, tendo saído assim mais discreta do que seria desejável.

O Juiz Carlos Alexandre, o que tem cometido o sacrilégio de se opor à destruição das malfadadas escutas a José no âmbito do "caso Face Oculta", o mesmo que «autorizou no processo Freeport e (a invasão) aos maiores bancos portugueses(pelo ministério público) e mandou para julgamento políticos, gestores públicos e banqueiros», está em vias de ver metade dos processos que residem consigo voarem para outra freguesia porque o nosso executivo quer abrir vaga para um segundo juiz no Tribunal Central de Instrução Criminal.

E isto porquê?

Segundo o executivo (já expliquei que me deixei de chamar "governo" àquela coisa) estariam pendentes 23 processos... Ter-se-ão esquecido de acrescentar "mais 20 menos 20".
Processos pendentes restavam 3 e depois da resolução de um deles (dos CTT, há dias) restam 2.

Voltando então atrás, uma vez que o número de processos pendentes não é uma questão discutível, é factual, abrir uma vaga para um segundo Juiz TCIC porquê?

Aqui a doutrina divide-se: de um lado o executivo e do outro a opinião da Associação de Juízes segundo a qual esta decisão
«dá azo a suspeitas de vingança sobre o juiz que não destrói as escutas a José Sócrates»
e prevê, devido a «Meio milhão de processos que, de uma assentada, vão mudar de juiz em Lisboa» o grande caos nos tribunais alfacinhas.

Nas palavras de António Martins da Associação Sindical dos Juízes:

«É perfeitamente legítimo que um cidadão faça essas interpretações, em função de neste ponto a reforma ser ainda menos compreensível. É dos poucos tribunais em que o governo quer aumentar o número de juízes, quando na generalidade dos outros há diminuição, altamente significativa, do quadro de magistrados. Aparentemente, o ministério da Justiça justifica essa redução com a diminuição do número de processos, mas essa justificação não serve para o TCIC»

A suspeita aumenta porque o Governo quer colocar um segundo juiz no TCIC, que em breve vai ter um único processo, enquanto se propõe dispensar 63 juízes na comarca de Lisboa, em tribunais com milhares de processos.
In TVI24 / Carlos Enes - 2 Mar.

QUID JURIS?

Infelizmente a TVI24 não disponibiliza os seus vídeos para inserção mas encontra-se a peça AQUI


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QUEM QUER "LIBERTAR" O MÉDIO ORIENTE?

2011...


EGIPTO

TUNÍSIA

IRÃO

BAHREIN

LÍBIA

IEMAN


???/???








Não, não tenho a resposta, nem sequer congeminada

É mesmo uma pergunta inocente.
Estou mesmo na expectativa do próximo capítulo


Ou como diria Dª Elvira:

Quem tem o milho é que manda no galinheiro


e os galos que se cuidem
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A VIA PARA A EXTINÇÃO


«Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos»
Artigo 26/3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
co-assinada por Portugal junto à ONU

«O Estado, no exercício das funções que tem de assumir no campo da educação e do ensino, respeitará o direito dos pais a assegurar aquela educação e ensino consoante as suas convicções religiosas e filosóficas»
Artigo 2/Protocolo da Convenção de Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, co-assinada por Portugal junto ao Conselho da Europa


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Agora vamos lá a ver se e
stou a perceber...

O Governo tomou a decisão de cortar financiamento ao Ensino Privado porque, curto e duro, não há dinheiro. A culpa é da crise.
O Governo, na pessoa de José, o nosso Primeiro, afirmou que «Portugal foi dos países que mais rapidamente recuperaram da crise de 2009»
Assim sendo, por que raio é que o Ministério da Educação faz braço-de-ferro e se declara "muito satisfeito" comum acordo progressivo que visa "uma redução gradual do número de turmas, que recebem apoio"??????? A rever daqui a cinco anos!

Não me gozem f
áxavôr.
Face a isto e muito, mas muito, dentro dos limites da boa fé, pergunto - não porque tenha dúvidas mas para que cada um pense por si -
qual é o verdadeiro motivo do Ministério da Educação para aplicar tal política?

Isto não é política de contenção - e ainda que fosse seria uma péssima, grave, opção relativamente à área a ser aplicada, o Ensino, prioridade absoluta de qualquer país civilizado.

Isto é, uma pulhice encapotada, embrulhada na crise, para atingir objectivos de política social ao melhor estilo "back in the USSR": a extinção, por estrangulamento, do Ensino Particular, "dentro das boas práticas democráticas",
começando por cortar o acesso a este daqueles que são economicamente menos capazes.

Está provado que este tipo de política de ensino não resulta, que é má,
castradora, massificadora.

A transposição da política de unicidade para o sistema de ensino é um crime contra a liberdade de aprender e de educar. É um crime contra as gerações mais jovens. É um crime grave com repercussões a longo prazo, aliás como aquelas que, pela mesmíssima razão, se repercutem ainda hoje sobre a geração madura. Sem educação, sem liberdade de pensamento, a tarefa de comandar um povo é facilitada. O progresso de um país é impossível. Após decorrido o primeiro decénio do Sé.XXI estes tipos ainda não aprenderam nada, nunca aprenderão, não entendem, não conseguem, têm os olhos fixos nos seus lustrosos umbigos.


Espero que este Governo tenha o decoro de não vir a falar de Liberdade de Ensino. E daí... E daí até nem espero, deste Governo não espero seja o que for que esteja vagamente relacionado com "decoro"

Que os deu à luz... Se querem cortar na Despesa comecem por eles, não pelos filhos dos outros; os deles têm as costas bem aquecidas, por nós.


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«O acordo prevê um financiamento de 80 mil euros por ano e por turma, a aplicar a partir do próximo ano lectivo, e ainda uma redução gradual do número de turmas, que recebem apoio.

Os pais dos alunos que frequentam os colégios com contrato de associação querem dar força à reapreciação do decreto-lei sobre o financiamento, com debate marcado para o próximo dia 18 no Parlamento.

Em conferência de imprensa no Ministério da Educação, a ministra Isabel Alçada revelou que os contratos serão assinados “por cinco anos, até nova avaliação das necessidades da rede pública”.»
In "Página 1"


«A ministra da Educação, Isabel Alçada, manifestou-se, esta quarta-feira «muito satisfeita» com o acordo selado hoje, entre o governo e o ensino particular, garantindo que a questão em torno dos contratos de associação das escolas privadas está «finalmente ultrapassada».
Uma ultrapassagem pela direita e pisca à esquerda.
Digo eu.
..
«Cerca de 30 escolas com contrato de associação rejeitaram o acordo celebrado na quarta-feira entre o Ministério da Educação e a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo.

Segundo os representantes destes estabelecimentos de ensino, o acordo com o Governo «não defende os legítimos direitos de alunos, famílias e trabalhadores» e foi «resultado da desmedida pressão por parte do Governo», referem em comunicado, citado pela TSF.

O acordo não dá «qualquer crédito à opção política do estudo da rede» de escolas particulares com contrato de associação com o Estado e por isso estas escolas decidiram «apoiar as iniciativas em curso no Parlamento no sentido da reapreciação» do diploma sobre o financiamento destas escolas por parte do Estado.»
A Bola - 10Fev.2011

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Movimento SOS Educação exige equidade entre escolas

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«Se há o pressuposto da equidade e se está em questão a passagem de 107 turmas do contrato de associação para o estatal, eu pergunto quantas é que vão do estatal para o contrato de associação? Acho que nenhuma», defendeu.

Pedro Martinho questiona se não estará «a defender-se uma escola versus a outra, quando de facto as duas são de ensino público e quando a Constituição diz que não devem ser necessariamente de carácter estatal ou de carácter privado».

«Não sei qual é o racional que está por detrás destes cortes mais faseados, se é baseado no estudo recentemente revelado pelo Ministério da Educação, nós não reconhecemos o estudo», afirmou Pedro Martinho, referindo que, de acordo com informações que o movimento tem recolhido, «o estudo está cheio de erros».
.../...
In "Sol"- 10 Fev.11 , Artigo completo AQUI


MUDAM-SE OS TEMPOS...

«PCP quer que Governo garanta financiamento do ensino privado "em função do custo real" »

«A forma abrupta como o Governo pretende alterar a relação entre o Estado e o ensino particular e cooperativo com quem mantém contratos de associação não é aceitável porque arrisca a posição e os rendimentos de milhares de professores e funcionários do sector, porque degrada a resposta educativa para milhares de estudantes e porque não oferece alternativa pública.
.../...
A apreciação parlamentar pretende pôr um travão neste processo imposto pelo Ministério da Educação e obrigar a uma negociação com os sindicatos, mas também que na Assembleia da República haja expressão sobre as alterações curriculares, que são um assalto à escola pública e à sua qualidade, ao prever cerca de 30 mil professores em situação de desemprego»
O artigo sobre a posição do Partido Comunista AQUI, in Público

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Liberdade e autoridade no ensino
Bertrand Russell

«Uma vez firmemente estabelecida a instituição, o Estado logo viu que tinha várias serventias. Torna os jovens mais dóceis, tanto no mau como no bom sentido. Melhora os modos e reduz o crime; facilita a acção conjunta para objectivos colectivos; torna a comunidade mais sensível à direcção do centro. Sem ela, a democracia não pode existir, excepto como forma vazia. Mas a democracia, como a concebem os políticos, é uma forma de governo, isto é, um método de levar as pessoas a fazer o que os chefes desejam, sob a impressão de estarem satisfazendo o próprio desejo. Em consequencia, o ensino estatal adquiriu certa parcialidade. Ensina aos moços (até onde pode) o respeito às instituições existentes, a evitar toda crítica fundamental aos poderes supremos e a considerar com suspeita e desdém os países estrangeiros. Incrementa a solidariedade nacional à custa tanto do internacionalismo como do desenvolvimento individual. O dano ao desenvolvimento individual é causado pelo excesso de autoridade. São incentivadas as emoções colectivas, em vez das individuais, e severamente reprimido o desacordo com as crenças vigentes. A uniformidade é desejada por ser conveniente ao administrador, sem consideração pelo fato de só poder ser obtida por meio da atrofia mental. Tão grandes são os males resultantes que, no encontro de contas, é possível indagar, a sério, se a educação universal fez mais bem do que mal.
.../...
Raramente o mestre-escola tem direito a um ponto de vista próprio, no mundo moderno. É nomeado por uma autoridade no ensino, e "posto na rua" se verificarem que de fato educa. Além deste motivo económico, o mestre-escola está exposto a tentações das quais provavelmente nem se dá conta. Mais directamente do que a Igreja ou o Estado, ele é a favor da disciplina; oficialmente, sabe o que os alunos não sabem. Sem algum elemento de disciplina e autoridade, é difícil manter uma turma em ordem. É mais fácil punir um aluno por demonstrar caceteação do que ser interessante. Além disso, até o melhor mestre tende a exagerar sua importância, e acha possível e desejável moldar os alunos e deles fazer os seres humanos que julga deverem ser. Lytton Strachey descreve o Dr. Arnold a passear na beira do Lago de Como, meditando sobre o "mal moral". Mal moral, para ele, era tudo quanto desejava modificar nos seus estudantes. A crença de que eles o possuíam em alta dose lhe justificava o exercício do poder, e a concepção de si mesmo como governante cujo dever era mais castigar do que amar. Esta atitude — diferentemente expressa em várias eras — é natural a todo mestre zeloso que não monte guarda contra a influência enganadora da sua própria importância. Não obstante, o mestre é sem dúvida a melhor das forças interessadas na educação, e é principalmente dele que devemos esperar o progresso.

Chego agora ao ponto de vista do pai ou da mãe. Este varia segundo a condição económica: o assalariado comum tem desejos bem diferentes dos do profissional liberal médio. O assalariado deseja que os filhos vão para a escola o mais cedo possível, para que não amolem em casa; também os quer fora da escola o mais breve possível, para que ajudem a ganhar a vida. Quando, recentemente, o governo britânico resolveu reduzir as verbas do ensino, propôs que as crianças não fossem para a escola antes dos seis anos, e não fossem obrigadas a continuar depois dos treze. A primeira proposta causou tamanho protesto popular que teve de ser abandonada: a indignação das mães preocupadas (que acabavam de conquistar o voto) foi irresistível. A última, diminuindo a idade de deixar a escola, não foi impopular. Os candidatos parlamentares que advogavam melhor educação recebiam aplauso unânime dos que lhe frequentavam os comícios mas, na visita domiciliar verificavam que os assalariados impolitizados (que são a maioria) queriam os filhos livres para arranjar emprego o mais cedo possível. As excepções são principalmente daqueles que esperam que seus filhos subam na escala social, com auxílio do saber.

Os profissionais liberais têm um ponto de vista bem diferente. Sua renda depende do fato de terem tido instrução melhor que a média, e desejam transmitir esta vantagem aos filhos. E estão dispostos a fazer grandes sacrifícios, com este propósito. Mas, em nossa actual sociedade competitiva, o que o pai comum deseja não é uma educação que seja boa em si, mas que seja melhor que a dos outros. Isto pode ser facilitado mantendo baixo o nível geral, e portanto não podemos esperar que um profissional liberal se entusiasme com o aumento das possibilidades de educação superior para os filhos de assalariados. Se todos os que desejam pudessem estudar medicina, mesmo que os pais fossem pobres, evidentemente os médicos ganhariam menos, tanto por causa do aumento da concorrência como do melhor do nível sanitário da população. O mesmo aplica-se à advocacia, ao funcionalismo público, etc. Assim, as boas coisas que o profissional liberal deseja para os próprios filhos ele não as deseja para a massa da população, a menos que tenha excepcional espírito público.

.../...

Tem toda classe de maus efeitos o hábito de ensinar ortodoxia a alguém, seja política, religiosa ou moral. Para começar, exclui da profissão homens que combinam honestidade com vigor intelectual, justamente aqueles que provavelmente teriam o melhor efeito moral e mental sobre os alunos.

Ensaios Cépticos, Bertrand Russell
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DO FARAÓ A PÉRICLES?

Ontem disse aqui que não ia falar do que se passa no Cairo; e não vou.
Disse que nós, comuns cidadãos do mundo, não sabemos "da missa a metade".

Hoje acrescento que quem está presidindo à "missa" é o povo egípcio, pelo menos o da capital, mas não sabemos sequer quem inspira "a missa", quem movimenta as massas, quem acendeu o rastilho.
A política autocrática de Mubarak?
É possível, é provável... Mas não creio que seja só isso, o Egipto não é Europa... A sua tradição político-social funda-se no Faraó-Deus, não existem as raízes gregas do Século de Péricles - Demos Cracia é para os egípcios algo mais longínquo do que para nós europeus o american way of life.
A revolta da pobreza, da miséria, poderá ser um sentimento humano universal. Talvez, não sei, veja-se a Índia...
A revolta pelos valores da Liberdade Democrática é enraizadamente ocidental.


O povo egípcio não tem o comando no seu país, verdade, mas quem tem, neste momento, o comando do povo egípcio? Ninguém? Duvido...

Caiu-me sob os olhos um pequeno texto do Francisco Sarsfield Cabral do qual deixei cair a introdução e deixo-vos o miolo. A mim fez-me pensar...
Foto TIME

«Em 1978 o presidente do Egipto Sadat e o primeiro-ministro israelita Begin assinaram um acordo de paz, mediado por J. Carter, presidente americano. Sadat foi assassinado três anos depois por um extremista islâmico. Sucedeu-lhe Mubarak, seu vice-presidente, que até hoje manteve a paz com Israel. Daí que o presidente israelita Shimon Peres tenha manifestado apoio a Mubarak na actual crise egípcia.
Estes factos levam a olhar com prudência a eventual transição democrática no Egipto. Para já, é positivo que os islâmicos radicais não estejam na linha da frente da revolta. Mas daqui a algum tempo…»
Sarsfield Cabral, "Página 1", 2 Fev.

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ESTÁ BEM, VAMOS TODOS FAZER DE CONTA QUE ACONTECE QUASE TODOS OS DIAS

Está bem, eu posso ter tendências paranoicas que me compelem a desenvolver mentalmente teorias de conspiração.
Ainda não me deu para, na sequência de uma noite de trovoada como a de hoje, cheia de estrondos e "flachadas" luminosas começar a pensar que aquele borbulhina irritada que me surgiu na nuca é sem dúvida um implante feito por um ET e deve ter algum sistema de análises e sua transmissão, um GPS e um leitor de intenções de voto nas próximas presidenciais.

Li agora mesmo que, depois dos tordos-sargentos e pássaros-pretos-da-asa-vermelha do Arkansas e da tal única espécie de peixes, depois dos estorninhos e melros no Louisiana, e da espécie de pássaros que também caiu mortinha de todo em Gotemburgo, na Suécia, agora foi a vez de nos contarem que desde domingo, por coincidência, têm vindo a aparecer centenas de rolas mortas em Itália (Faenza, na região da Emília-Romanha).


Ainda que Portugal continue sendo um país de brandos costumes... meus amigos, eu cá por mim nem piu...

E é sempre ao longo das estradas, por quê?
Ele há coisas...
Ele aqui há coisa...

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