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"I ALONE CAN FIX IT"

Depois de esta madrugada ter ouvido o discurso em que Trump aceitou, humildemente (sic) e com grande sacrifício pessoal e profissional (sic Ivanka), a nomeação pelo Partido Republicano à candidatura a presidente dos Estados Unidos, cheguei a várias conclusões:

  • Os EUA transformaram-se um país do terceiro mundo,
  • tem as estradas em ruínas e as pontes a desabar (sic),  
  • um desemprego galopante,
  • está em estado de guerra cívil,
  • as fábricas estão vazias,
  • não tem potencial ou força bélica,
  • os americanos vivem com "vales-alimentares" (sic "americans are on food stamps").
  • Vive-se o legado de Hilary: morte, destruição, terrorismo e fraqueza (sic)
  • A situação é pior do que alguma vez foi. (sic)
  • Ninguém conhece melhor o sistema político do que ele, Donald e por isso  ele é o único que pode reedifica-lo
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Há mais factos expostos por Trump que demonstram que os EUA estão à beira do abismo, melhor dizendo, num profundo buraco e em espiral descendente  mas o discurso teve uma duração de 75 minutos e, após uma resistência estoica, achei que já tinha exercitado ao ponto de masoquismo a minha tolerância ideológica.


"Nobody knows the system better than me, 
which is why I alone can fix it," 
____________________
The most important difference between our plan and that of our opponents, is that our plan will put America first. 
Americanism, not globalism, will be our credo.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

«Every day I wake up determined to deliver a better life for the people all across this nation that had been ignored, neglected and abandoned.

I have visited the laid-off factory workers, and the communities crushed by our horrible and unfair trade deals. These are the forgotten men and women of our country, and they are forgotten, but they will not be forgotten long. These are people who work hard but no longer have a voice. »

«I am your voice.»
«I have embraced crying mothers who have lost their children because our politicians put their personal agendas before the national good.»

«I have joined the political arena so that the powerful can no longer beat up on people that cannot defend themselves.»

PS -  quem não acreditar nestas e quiser ler outras deixo o link ao discurso integral (boa sorte...) com interessantes notas de verificação de factos em link

E por falar em VERIFICAÇÃO DE FACTOS vale francamente o tempo gasto por AQUI
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A GRÃ-BRETANHA DE SCHRODINGER

«O artigo 50.º do Tratado da União Europeia prevê um mecanismo de saída voluntária e unilateral de um país da União Europeia.Um país da UE que pretenda retirar-se deve notificar da sua intenção o Conselho Europeu, a quem caberá apresentar orientações para a celebração de um acordo que fixe as modalidades da saída do país em causa.

Este acordo é celebrado por maioria qualificada pelo Conselho, em nome da UE, após aprovação do Parlamento Europeu.

Os Tratados deixam de se aplicar ao país que efectua o pedido desde a entrada em vigor do acordo ou, o mais tardar, dois anos após a notificação de saída. O Conselho pode decidir prolongar este período.

Qualquer país que saia da UE poderá solicitar a respetiva reintegração, devendo voltar a submeter-se ao procedimento de adesão»


clik to enlarge
What now?

A libra, obviamente, caiu - às 03:00 da manhã já tinha caído quase 5%

A Escócia, claramente a favor da permanência na U.E. , volta a jogar a carta separatista; só que desta vez com razões acrescidas...

A Irlanda fez saber que deseja manter abertos os canais comerciais com a Europa. Politicamente o que quer isto significar?

Face ao separatismo na Catalunha a bolsa espanhola lidera hoje as quedas europeias com uma taxa de -15,90%; "estabilizada" depois na casa dos 11,--%

Angela Merkel
está preocupada, e com toda a razão. Além de tudo o que preocupa a Europa, a chanceler alemã foi o único lider europeu que teve a coragem de fazer o que devia humanamente ser feito face à desgraça, à dramática desgraça, dos refugiados em fuga de uma existência insustentável. E está a sair-lhe caro, muito caro, porque muita gente não percebe, não quer perceber, que os terroristas entram na Europa com ou sem refugiados. Aliás, já cá estão, com nacionalidades e passaportes europeus. O medo irracional gera a pior das cobardias: a ausência de solidariedade humana, e, já agora para quem lhe sirva a carapuça, a ausência de solidariedade cristã.

Matteo Renzi também tentou, ali mesmo à beira do Mediterrâneo com pessoas a morrerem-lhe nas praias, mas faltam-lhe os euros, sobra-lhe corrupção e também está a ser castigado: das recentes autárquicas à queda da bolsa em Itália, a segunda maior queda de hoje, tudo o demonstra.

E a Grã-Bretanha, é um gato vivo ou um gato morto?

Quero eu dizer, entre o "Remain" e o "Leave", Europa à parte, o que se vai revelar de facto melhor para a Grande Ilha, ser uma ilha ou pertencer a uma comunidade continental? Depois de birras, individualismos e nacionalismos como será viver "orgulhosamente I, Me and Myself"?
Pois, não se sabe, o "gato" ainda não foi observado, é o Reino do Princípio da Incerteza. 


What's next?
As esquerdas arreigadas e as direitas nacionalistas vão içar a bandeira do "Brexit" na defesa das suas guerrilhas de estimação para fustigar a complicada estabilidade europeia.

(A CGTP já hoje vomitou que os resultados do referendo britânico são:
« ...uma profunda derrota para interesses do grande capital, e acrescenta, confirma a rejeição das políticas federalistas e neoliberais impostas na União Europeia».
Impostas? Mas já alguém por cá legitimou nas urnas a "rejeição das políticas federalistas e neoliberais" da União Europeia?Nas últimas eleições a percentagem dos anti-europeus, feitas as somas, situava-se nos 18%. Não se habituam à democracia estes gajos... )

A estabilidade dos mercados financeiros, já de si abalada por situações económicas mas também sociais e políticas - da invasão de refugiados à radicalização dos extremos ideológicos passando pela(s) crise(s) no Médio-Oriente, a regressão de mercado na China, as flutuações do petróleo (legal e contrabandeado), os arrufos sociais e militares de uma Turquia imprevisível, as eleições nos E.U.A , os finca-pés de Putin face à NATO e ao Acordo de Minsk - pois... a coisa não anda fácil e a forçosa adaptação dos mercados europeus a uma Grã-Bretanha... diferente, não vai ajudar, nada; nem agora nem quando o "divórcio" se efectuar na prática.
E Cameron vai-se embora... Não que faça grande falta, em última análise foi ele que começou este sarilho e deu um tiro no pé. A questão é outra... "Atrás de mim virá quem bom me fará", diz o povo. Aquele pessoal do "Brexit" é um bocado alucinado, inconsequente. Esses ingleses têm no ADN aquela vontade, que se tem vindo a tornar cada vez mais desfasada da evolução do mundo, que os leva a ter o volante à direita e a circular pela esquerda, entre outras coisas. A bem de quê? Francamente não facilita...Não me passa pela cabeça que, depois deste disparate, o prime-minister venha a ser um tipo como aquela espécie de Trump-feito-à-pressa, refiro-me ao alucinado Boris Johnson.
God save the Brits!

Enfim, nem tudo é mau, ir a Inglaterra vai sair mais barato e até pode ser que baixe por cá o preço do whisky. E pode ser que aquela bruxa má, o lider do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, também se demita após lamentável campanha que fez, com um pé dentro e outro fora.
Como disse hoje o presidente do Conselho Europeu, o polaco Donald Tusk,"O que não nos mata, torna-nos mais fortes". Assim seja.

A IGNORÂNCIA NÃO É UMA VIRTUDE

Excerto do discurso de Obama aos finalistas da  Rutgers University, ontem, 15/05
(+ aos 20:00; Creio que se ouvirem tudo não darão o vosso tempo por mal gasto, é uma excelênte aula de ciência política democrática - p/ex: aos +37:00) 
Até o mais bem humorado dos presidentes tem momentos em que lhe é impossível esconder que há coisas que chateiam a humanidade.

  • "The world is more interconnected than ever before, and it's becoming more connected every day. Building walls won't change that"
  • "To help ourselves, we've got to help others. Not pull up the drawbridge and try to keep the world out" 
  • "Isolating or disparaging Muslims, suggesting they should be treated differently when it comes to entering this country ... it would alienate the very communities at home and abroad who are most important in fighting the war against extremism, it also runs counter to American values."
  • "Facts, evidence, reason, logic and understanding of science, those are good things. These are qualities you want in people making policy."
  • "We traditionally have valued those things, but if you were to listen to today's political debate, you might wonder where this strain of anti-intellectualism came from"  
  • "Let me be clear as I can be: In politics and in life, ignorance is not a virtue. It's not cool to not know what you're talking about."

TO BREXIT OR NOT TO BREXIT...



A propósito da bota que Cameron calçou para ir impor-se à Europa e que agora está a ter uma trabalheira para descalçar...

Mas sem esquecer um pequeno detalhe: o finíssimo British sence of humour subjacente à auto-crítica

YOU CAN RUN BUT YOU CAN'T HIDE

Eram três horas da manhã em Lisboa quando subitamente a emissão da CNN "saltou" para a repórter residente no Pentágono anunciada pela conhecida parangona "Breaking News"


Um drone norte-americano havia bombardeado um veículo pertencente ao ISIS no qual, entre outros, seguiria Mohammed Emwazi , cidadão britânico conhecido por "Jihadi John", o selvagem assassino que procedeu a numerosas decapitações filmadas e difundidas em vídeos do ISIS. Todos os ocupantes do veículo foram mortos.

Embora a sua identidade não pudesse, ainda, ser 100% confirmada, por não se encontrarem forças militares no terreno, os serviços secretos especializados norte-americanos vinham seguindo e localizando "Jihadi John" há meses e, mais especificamente, nas últimas 48 horas em Raqqa, na Syria, aguardando a oportunidade de colocar o alvo sobre ele sem a presença de indivíduos civis que pudessem ser atingidos colateralmente. Assim a probabilidade de ter sido de facto morta esta aberração humana situa-se na ordem de 99% de certeza.

«The Pentagon press secretary, Peter Cook, said: “US forces conducted an airstrike in Raqqa, Syria, on 12 November 2015 targeting Mohamed Emwazi, also known as Jihadi John. 
“Emwazi, a British citizen, participated in the videos showing the murders of US journalists Steven Sotloff and James Foley, American aid worker Abdul-Rahman [Peter] Kassig, British aid workers David Haines and Alan Henning, Japanese journalist Kenji Goto, and a number of other hostages. 
“We are assessing the results of tonight’s operation and will provide additional information as and where appropriate.”»
«David Cameron made a statement from Downing Street on Friday morning confirming the attack amid reports that US officials were “99% certain” that Emwazi had been killed in a drone strike.»   In The Guardian - 13 Nov. 2015

Paz à sua alma, costuma-se dizer... Pois, mas desta vez não.
Que a maldade lhe pese na alma se é que a tem: esta madrugada enquanto ouvia a notícia, fixei os meus olhos nos olhos dele, ali, no écran à minha frente, tentando entender, tentando espreitar por aquelas "janelas para a alma"; Nada, vazio, imperscrutável, desalmado.
Pois que se sinta morrer tantas vezes quantos os homens que matou e se multiplique por mil todo o terror que inspirou, às suas vítimas, às suas famílias, aos seus amigos.

Não se ficou mais perto de vencer esta guerra humana mas fez-se uma luz de Justiça.

Link: http://edition.cnn.com/2015/11/13/middleeast/jihadi-john-airstrike-target/index.html


ACTUALIZAÇÃO:

A retaliação não se fez esperar: 
Paris já está a arder
13Nov, 22h00

At least 18 killed in multiple shootings in ParisSeveral explosions outside football stadiumAttack at Germany-France soccer game, siege at theater, many killed

hostage situation ongoing



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A MORTE ANDA CEGA

Sem comentários desnecessários, 
só me ocorrem insultos

Putin demonstrou à saciedade o grau de envolvimento de Moscovo na guerra civil síria declarando que treino intensivo de tropas avultados equipamentos estão sendo fornecidos ao exército sírio pela Rússia, segundo as suas declarações à  a agência estatal de notícias RIA Novosti  durante o fórum económico em Vladivostok.

Também não afasta a possibilidade de envolvimento militar directo na região, em vez de insistir em que os rumores de tropas russas no terreno são "prematuros".
Estes rumores foram atiçados por vídeos divulgados pela televisão estatal síria nos quais se viam tropas gritando em russo e  veículos blindados russos.

Apoio de Putin para o presidente sírio, Bashar al-Assad também é bem conhecido. O primeiro-ministro da Rússia usou seu veto das Nações Unidas para bloquear a acção contra o regime, mesmo após as acusações de uso de usar armas químicas contra civis pelos médicos sírios e investigado por organizações internacionais.

Como para explicar a suas acções afirmou:

"Nós realmente queremos criar algum tipo de uma coligação internacional para lutar contra o terrorismo e o extremismo.
Para este fim, realizámos consultas com nossos parceiros americanos - Eu, pessoalmente, tenho falado sobre o assunto com o presidente Obama"

Ainda recentemente, em Maio deste ano, o presidente Obama disse na cimeira de Camp David que se evidência de usar armas químicas como o cloro for confirmada por os EUA, a Rússia ficará sob pressão.

RETIRADO DO ARTIGO PUBLICADO NO "INDEPENDENT.UK" - 5 Set2015

O NUCLEO E O IRÃO

Não que seja possível passar-me ao lado mas optei por não me referir aqui à saga que tem envolvido as negociações e sequente acordo que envolve a União Europeia, os E.U.A. , a China, a Rússia, a Alemanha, o Reino Unido, a França e a União Europeia  (5+1) , por um lado e o Irão pelo outro. Bem vistas as coisas envolve a todos nós.
A questão é muitíssimo complicada, o comum dos mortais, nos quais me incluo, não sabe da missa a metade e perante tão consciente ignorância optei por estar calada.

Porém...

Se deve de haver um limite às opiniões que podemos, ou devemos, emitir acerca daquilo de que pouco sabemos, deveremos também limitar o nosso silêncio - pelo menos o mental - sobre aquilo que nos é dado a observar, no presente e na evolução histórica e socio-política que se reflecte hoje no comum habitat da humanidade.

O Irão é o que é, uma teocracia islâmica fechada, poderosa e influente sob um diáfano controlo ocidental mantido à custa de sanções económicas que a têm vindo a atrasar mas não a travar. O Irão é um espinho doloroso que pode provocar uma infecção capaz de alastrar e criar chagas generalizadas.

Então pode o ocidente, mais a Rússia e a China (aqueles que eu denomino 4+2 ) negociar e estabelecer acordos com o Irão?
Pode, está demonstrado que pode.
Como disse Barack Obama e muito bem: "É com os nossos inimigos que precisamos negociar".
As negociações prolongaram-se durante anos, estas últimas durante vinte meses mas foram possíveis. O acordo foi alcançado apesar do natural descrédito que o acompanhou, apesar - e este é um enorme apesar - da oposição sistemática dos líders religiosos iranianos.

O acordo está em cima da mesa.
Quem o leu?
Não me refiro a nós, comuns mortais, que podemos emitir opiniões sem que isso acarrete consequencias ao mundo. Refiro-me a todos aqueles que trazem um voto no bolso, que têm um microfone na frente, que decidem e influenciam. Quem o leu?

Encontram-no AQUI, todas as 159 páginas e, francamente, não é tanto quanto parece. Num final de manhã ou de tarde numa esplanada amena é companhia bem interessante.

Li inúmeros artigos sobre esta questão, ouvi opiniões de todos os quadrantes. Alguns que apenas repetem as grandes tiradas de Monsieur de La Palice e dos seus primos da direita, da esquerda e do principado do Eu-É-Que-Tou-A-Ver-Tudo; outros especialistas sensatos, outros vassalos fieis.

Tantos canteiros saltados o que colhi é resumidamente o seguinte:

O incumprimento do acordo por parte do Irão acarreta o regresso imediato e automático à imposição das sanções económicas - leia-se proíbição de exportação do petróleo - e denúncia do acordo

Em aspecto algum este acordo condiciona qualquer acção ou impõe qualquer compromisso de não inerferência na política externa do Irão, concretamente no Médio-Oriente.

O controlo sobre os meios atómicos bélicos iranianos pode ser feito de duas formas: 
- Pelos especialistas inspectores designados no acordo a qualquer momento e em qualquer lugar do território iraniano.
- Por uma acção bélica que destrua as instalações nucleares vísiveis no território iraniano

Por quê optar por uma solução bélica desde já? Não estará esta sempre disponível? Que interesses se dissimulam sob a capa da desconfiança e da propaganda do medo?


Conciso, generalista e informativo li, por exemplo o artigo da BBC dos seus especialistas em Médio Oriente

O que mais me impressionou, pela clareza dos argumentos, pelo tom humano, pela verdadeira preocupação que nos deverá tocar a todos, polítiquices, por uma vez, postas à parte, foi o de Farred Zakaria, residente da CNN e "opinion writer" do Washington Post. Não será o mais impressionante dos comentadores, é um homem que se aproxima das pessoas comuns, das que têm filhos e netos que só têm este nosso mundo para e onde viver. Politiquices à parte.

Deixo-vos este artigo/carta em vídeo CNN e no link para o texto do Washington Post.


OXI - PAGUEM VOCÊS QUE NÓS NÃO TEMOS

(NEM VAMOS TER)


Parabéns Syriza, 60% é uma grande vitória
E agora, 
o que fazem com ela?

Greece was officially declared in default on Friday (3/07) by the European Financial Stability Facility (EFSF), which holds some 145 billion euros of Greek loans, after Athens failed to make an IMF repayment. 
Tsipras is demanding that the ECB, IMF and European Commission absolve Greece of 30 percent of the 240 billion euros Athens has received over the past five years. The Prime Minister also wants a 20-year grace period to repay the other 70 percent.
Tsipras exige que o BCE, FMI e Comissão Europeia absolvam a Grécia de 30 por cento dos 240 Biliões de euros que Atenas tem vindo a receber ao longo dos últimos cinco anos. O primeiro-ministro também quer um período de carência de 20 anos para pagar os outros 70 por cento.
 
Greek government spokesman Sakellaridis saidthe Bank of Greece was immediately asking the European Central Bank to inject emergency euro cash for Greece's depleted banks, which have been shuttered all week.(REUTERS 5 Jul.2015)
Portanto... 
60% dos gregos estão de acordo com o seu governo. Isso é bom, para 60% deles...

Tsipras quer, ou melhor, exige, um perdão de 30% da dívida da Grécia
Ou seja, dos 240 Biliões que já lá estão só pagaria 168 biliões
Mais, só os começaria a pagar daqui a 20 anos
Entretanto o BCE é suposto injectar de imediato o suficiente para fazer face à ruptura financeira bancária (que, dizem as más línguas, só conseguirá manter o gotejar de 60 euros diários por conta bancária nas caixas de "multibanco" até à próxima terça-feira, dia 7)

Em retorno
com o que é que se compromete o governo grego?
Bem... Isso não parece muito claro...
A pagar 70% do que já lá tem daqui por 20 anos... se então não fizerem um novo referendo a dizer que dão a dívida por expirada, por exemplo. ou outra coisa qualquer que se apresente como muito democrática a libertadora dos povos oprimidos e explorados.

Entretanto...
A Europa, leia-se, os europeus não gregos, são supostos continuar a sustentar o Estado grego e os seus mais de 11 milhões de habitantes durante o tempo que for necessário (e que não aparenta vias de resolução)

Vai daí...
A quem respeita o resultado da votação no referendo grego? 
Aos gregos e ao seu governo. Obviamente. Ponto.

Seria racional que os restantes Estados europeus, e não só, respeitassem a vontade expressa pelo povo grego e analisassem a forma como essa vontade poderá afectar as suas próprias vidas. Mas não, espantosamente não. A racionalidade vai dar uma volta enquanto as emoções ao rubro, exacerbadas pela vontade de ranger os dentes à União Europeia, toma conta de leituras, opiniões e manifestações acaloradas. A esquerda está em festa - sim, a esquerda festiva - festeja a "vitória da democracia", aposta na "bofetada" no poder económico da U.E., sem, uma vez mais, equacionar por um momento os custos para os seus próprios povos. Celebra a política numa festa que ignora os seus próprios problemas económicos. Inconsciência? Não exactamente. É um sentimento de vingança, como se os que conseguiram prosperar fossem responsáveis pelas falhas, erros e incapacidades alheias. É o repisar do tão estafado quanto idiota "Os ricos que paguem a crise".
Por muito que se queixem, no que toca à Grécia, os portugueses também são tidos como "ricos". 'Bora lá pagar mais, todos contentes, a bem da dignidade grega.
Só me faltava esta...

Complicado?
Não me parece
Seria uma questão de ser feito um referendo nos outros 18 Estados membros da Zona Euro perguntando se os seus habitantes estão dispostos a continuar a sustentar a Grécia nas suas decisões "unilateralmente democráticas"

A presidente da Lituânia, mais recente membro da Zona Euro, que tem vindo penosamente a “controlar os níveis da dívida do sector privado e do sector público”, seguindo os exemplos da Estónia e da Letónia que se mostram “muito encorajadores”- uma vez que os dois países têm dos défices públicos mais baixos da União Europeia. O Orçamento do Estado da Lituânia para o ano de 2016, o primeiro da vida no euro, aponta para um défice público de 1,2% do PIB, com a economia a crescer 3,4%. já se expressou muito claramente:
A presidente da Lituânia, Lituana Dalia Grybauskaite , posicionou-se segunda-feira entre os mais críticos do governo grego ao assegurar que o  Syriza tem a intenção de continuar a festa e os outros que paguem as contas.
"O governo grego ainda quer festejar, mas as contas têm de pagar os outros", escreveu Grybauskaite   na sua conta do 'Twitter'.
"Dizer que não há nenhuma dívida e temos de esquecer a dívida não é uma solução. Houve acordos que devem ser respeitados", observou ela à sua chegada à cimeira da zona euro
 elEconomista.es 
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Varoufakis e a sua "Sala de Guerra"


E o governo grego, não tem consciência da gravíssima situação em que está a colocar o seu povo?
Tem, claro que tem. Não sou eu que o digo, é Varoufakis que o demonstra a quem souber ler:
«Yanis Varoufakis afirmou, em declarações ao jornal The Telegragh, que a Grécia tem estado a precaver-se para o caso de haver um cerco económico. Além de ter armazenado comida, medicamentos e energia, também pôs de lado um fundo de emergência para cobrir as necessidades vitais do país em matéria de importação de alimentos. 
O governo Syriza está ainda a trabalhar com base no pressuposto de que as potências credoras da Europa regressarão à mesa das negociações se o povo grego não concordar com as suas exigências de austeridade no referendo do próximo domingo, comentou o ministro helénico das Finanças ao jornal britânico. "Felizmente, temos stocks de petróleo para seis meses e de medicamentos para quatro meses", acrescentou.
Varoufakis disse também que um comité especial, composto por cinco homens, em representação do Tesouro grego, do Banco da Grécia, dos sindicatos e dos bancos privados, está a trabalhar afincadamente, numa "sala de guerra" próxima do seu gabinete, para alocarem estas preciosas reservas como grandes prioridades.»
Negócios OnLine - 3 Jul.2015

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ALEXIS PILATOS

Ai coitados dos gregos... Sim, é verdade, coitados dos gregos mas a verdade é que quem semeia ventos colhe tempestades.

Quando o Syriza ganhou as eleições houve uma histeria  além-fronteiras das esquerdas festivas: Agora é que era, o Syriza ia mostrar à Europa que o povo venceu, que ninguém manda em quem não se deixa comandar. Ó céus... Não, o Povo não venceu, o povo, em desespero, fez uma aposta num caminho ainda não percorrido, agarrou-se a uma esperança atormentada de "tudo ou nada" já que o nada estava garantido e perto. A aposta era onírica, o nada chegou.

Olhando aquela rapaziada não era preciso ter luminárias na testa para adivinhar o desfecho de tão bonitas e ilusórias decisões de mudança radical; já foi demonstrado à saciedade que o mundo não é dos espertos, mesmo os sábios aliam-se ao tempo e à espera para provarem a sua razão...
Haverá quem se lembre de me ter ouvido dizer em Janeiro "Dou-lhes seis meses"; em Abril, quando Alexis Tsipras foi pedir batatinhas ao embargado Putin, escrevi aqui:

«Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.
(.../...) O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heróico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. »

 De facto Tsipras não é estúpido... Por mais parvo que tenha sido ao partir para uma negociação que sabia não poder manobrar sem trair todas as ilusões que criara, sem perder o apoio do Syriza  e da esquerda eleitoral, deverá ter tido presente que não se pode  negociar sem ceder, sem assumir compromissos que refutou em absoluto;   Tsipras não é estúpido... Como Pilatos não era... "Eu tentei, eles não deixaram, agora decidam vocês". Game Over! Até nem fica mal na fotografia, até que esta vá parar aos livros de história.

O povo grego tem pela frente um dos momentos mais críticos da sua existência, é óbvio, mas não é apenas (como se não bastasse) a saída da comunidade europeia e o regresso ao dracma... Outra espada, da qual ninguém parece querer falar, levita sobre a cabeça dos gregos: Quem estenderá a mão a uma Grécia falida e isolada? Não foi a eventual saída da Grécia da União Europeia que levou Obama a telefonar a Merkel, esse será o lado para o qual ele dorme melhor, o que lhe tira o sono e, se pensarmos bem nos dará pesadelos, é o facto de Putin estar à espreita, esfregando as mãos e acendendo velas a S: Nicolau de Mira, padroeiro da Rússia... e da Grécia.
E, ao longe, ouvem-se os chineses sussurrando:"Segundos, estamos aqui..."

. ACTUALIZAÇÃO  ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO
ALEXIS NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Felizmente não tinha ainda ouvido as  declarações de Tsipras quando escrevi o que se lê acima; digo felizmente porque duvido que tivesse mantido a desejável calma e compostura a que Bloguece Oblige.

Acabei de ouvir o primeiro-ministro grego e não queria acreditar na representação descaradamente manipuladora que personificou perante as câmaras da televisão pública grega.
Não posso, não devo, aqui adjectivar a intenção de consequência das suas declarações (transmitidas na SICNOTÍCIAS no Jornal da meia-noite e que entretanto desapareceram dos vídeos on line onde aparece apenas o inicio da "coisa-a-fingir-que-é-uma-entrevista",  mas posso cita-lo:
"Apelamos ao povo para que o (acordo) rejeite em maioria. Quanto maior for a percentagem de "não" maiores serão as armas do governo grego para relançar as negociações.
(.../...) Se o povo grego quer continuar com medidas de austeridade, com planos de austeridade que nos escravizarão, se o povo quer assistir a uma "fuga de cérebros", se o povo quer uma elevada taxa de desemprego e novos empréstimos, se essa for a escolha dos gregos, vamos respeitar essa escolha mas não seremos nós a concretizá-las.
Por outro lado, se queremos um novo futuro, com dignidade, devemos fazer isso juntos porque os povos têm poder." 
Absolutamente espantoso este Tsipras!!!
"They will not kick us out of the eurozone because the cost is immense."

Mais espantoso só conseguiria ser se conseguisse explicar onde vai buscar esse "novo futuro com dignidade" sem medidas de austeridade, sem elevada taxa de desemprego, sem novos empréstimos. E também fico curiosa relativamente ao "acréscimo de armas" que representará para o seu governo uma maioria de "Não".
Terá um "acréscimo de armas" argumentativas sim, para argumentar várias atitudes e decisões, mas não nas negociações com a União Europeia, muito pelo contrário.

Não tenho palavras para tanto, ou até terei, mas, por respeito por vós e por mim, não as usarei.

RACISMO? " I am an American"

Ontem, antes de apagar a luz para dormir, fiz a habitual voltinha dos canais de informação; a CNN transmitia a loucura que se passava em Baltimore. Uma manifestação pacífica e bastante ordeira tinha sido, em minutos, transformada numa batalha campal de agressões à polícia, destruição de automóveis da polícia e civis, ataques e pilhagem a estabelecimentos comerciais, à pedrada e com fogo posto, por parte de jovens negros. Jovens? Muitos pouco mais eram do que crianças espigadas nos seus casacos de capuz de adolescentes "ousiders".

Mas esta parte já tinha passado, agora os bombeiros tentavam vencer um enorme fogo que atingia edifícios comunitários novos, recém inaugurados. Segundo os vários repórteres, a situação estava longe de ser geral, restringia-se a alguns pequenos bairros da periferia.
A dada altura, onde se encontrava um dos repórteres da CNN, duas dezenas de FEDELHOS, miúdos de liceu, berravam no meio da rua, incitavam o cordão da polícia que a fechava, lançavam uma ou outra pedra que estivesse à mão. Desenhavam mais uma cena triste e complicada a materializar-se a qualquer momento.

Então um homem idoso, negro, magro e seco, caminhou até ao centro da via e ficou parado a olhar para os fedelhos;
"Get your butts home", disse-lhes, "go home kids".
A cena repetiu-se, não foi rápida, foi uma atitude, uma resolução e ele não saía dali, parado, mãos nos bolsos das calças, queixo levantado.
O repórter da CNN acabou por ir ter com ele...

Abaixo está um excerto ( e vídeo) da conversa que tiveram, precocemente interrompida para transmitirem em directo a comunicação do Governador.

A Vietnam veteran took to the streets of Baltimore amid utter chaos on Monday night and urged rioters to go home. He also delivered an amazing, impromptu message on live TV after a CNN reporter approached him.
The man, who identified himself as Robert Valentine, said the violent rioters do not “respect” the death of Freddie Gray or the family’s feelings. Gray died of a serious spine injury while in police custody, sparking unrest in Baltimore.

“Here’s number one: I did 30 years, OK? I came out a master sergeant. I’ve seen more than all of this. I’ve been through the riots already,” Valentine told CNN. “This right here is not relevant. They need to have their butts at home. They need to be in their home units with their families studying and doing something with their life — not out here protesting about something that’s not really about nothing.”He continued: “They do not respect this young man’s death, you know? Now, momma and daddy done lost a child — that could be them. So, I’m very pissed.”

When asked if he was concerned about his own safety, Valentine replied, “I love my country, I love my charmed city.”
“And I’m an American,” he added. “I’m not black, white, red or yellow — nothing. I am an American.” 
CNN host Anderson Cooper dubbed the man a “hero” for his bravery in Baltimore. (texto na ABC TV on line)

Também abaixo se encontra um video mostrando uma mãe que viu o seu filho na TV e foi busca-lo... de forma eficaz e absolutamente apropriada. Mais houvera.

E declarações... de dois americanos, ambos negros, um habitante de Baltimore, outro habitante da White House.

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Existe um problema de brutalidade policial? Obviamente que existe

Existe uma taxa de criminalidade concentrada nos bairros predominantemente negros? Obviamente que existe.

Existe um problema a resolver na forma como a polícia aborda estas populações? Não, existem vários, diversos e de ambos os lados.

A polícia não pode ter medo de combater criminosos, sejam eles de que etnia forem.

A polícia não pode ser prepotente por ser "a polícia"

Um negro (ou qualquer outra pessoa) não pode ser tratado com luvas de veludo para não se cair em "discriminação racial"

Não existe qualquer confusão entre Exercício de Direitos e Abuso de Poder; seja por parte da polícia seja por parte de qualquer individuo ou grupo étnico.

Os Estados Unidos são uma comunidade racista na qual não existe igualdade de oportunidades?
Look at the guy at the top, please...

Existem racistas nos EUA? Os EUA situam-se no planeta Terra...

O racismo, violento ou encapotado, é uma exclusividade dos caucasianos?
Vide Oprah Winfrey - Nunca violenta, sempre generosa, produtora de verdadeiros incitamentos à rebelião negra, dissimulada na história e cultura americanas, onde ela se tornou numa das mulheres mais ricas e influentes dos EUA.


 #BaltimoreRiots:  A mom reacts after seeing her son on TV throwing rocks at police. What do you think?
 Tuesday, April 28, 2015


I've got a message for the rioters in Baltimore. #BaltimoreRiots
Posted by Ray Lewis on Tuesday, April 28, 2015




"That is not a protest, that is not a statement, that's a hand full of people taking advantage of a situation for their own purposes and they need to be treated as criminals". B. Obama - 28/04/2015

ZORBA A DANÇAR AS CZARDAS

O governo grego, já para os próximos dias tem a entregar ao FMI o primeiro pagamento, de 448 milhões de euros, referente ao primeiro resgate financeiro de 2010 até 9 de Abril, um outro de 200 milhões para os mercados  a 1 de Maio; a 14 tem a pagar 1700 milhões em salários e pensões...

O pagamento ao FMI estará garantido e o respeitante aos mercados estará pela metade (segundo analistas em Bruxelas). Depois virá o grosso do pacote em Junho e nos dois meses seguintes... Esses estão actualmente a descoberto, assim como o funcionalismo do Estado grego.


No passado domingo, após um encontro informal em Washington, com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, Yanis Varoufakis garantiu que a Grécia “tenciona cumprir todas as suas obrigações para com todos os seus credores. O governo grego sempre cumpriu as suas obrigações e continuará a fazê-lo.” 

(Ouvem-se vozes de "apoiado, muito bem, tens uma g'anda lata" )


No dia seguinte, segunda-feira passada, dia em que as negociações técnicas foram retomadas em Bruxelas, Lagarde e Varoufakis encontraram-se com responsáveis do Tesouro norte-americano, entre eles o sub-secretário Nathan Sheets, encarregado dos assuntos internacionais e a conselheira do Presidente Barack Obama para a economia internacional, Caroline Atkinson. 


Mas na política, entre o que se ganha e o que se perde, baralha-se, volta-se a dar à espera de que tudo se transforme...



Alexis Tsipras, foi direitinho a Moscovo onde se reuniu com Vladimir Putin, não sem antes ter o cuidado de defender o fim das sanções da UE à Rússia, cuja economia está em recessão. Na agenda do encontro Tsipras-Putin estão restrições russas a produtos alimentares gregos e as relações bilaterais. Uma fonte do Kremlin admitiu que a Rússia poderá fazer descontos no gás que vende à Grécia. Segundo o gabinete de Tsipras, a reunião com Putin servirá para discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia, turismo, energia, investimento e comércio. 


"Discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia" ??? O homem ensandeceu ou tem um mandato secreto?

Foi declarado para a imprensa que não estão previstas ajudas económicas de Moscovo a Atenas...
Considerando a actual recessão russa e a política internacional que Putin insiste em manter não vale a pena "o roto e pedir ao nu que lhe empreste umas roupitas".

Pergunto eu, então o que foi Tsipras fazer a Moscovo?

Digo eu, asneiras, mais asneiras. Foi por-se a jeito, mostrar o rabo e chegar à previsível conclusão que dali não vem 1 litro... a menos que levasse 5, ou 10.

Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.

Horas antes do encontro Tsipras/ Putin, Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, foi avisando:
"A Grécia pede e obtém muito solidariedade da União Europeia. Podemos assim também pedir solidariedade à Grécia para que não saia unilateralmente das medidas conjuntas. As suas acções em Moscovo devem ser baseadas nisso". "A União Europeia espera isso dele como chefe de Governo de um Estado-membro"."
"Criámos as fundações para um novo relacionamento entre os dois países", assegurou esta tarde o primeiro-ministro grego. Alexis Tsipras falava após o encontro com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscovo, onde defendeu o fim das sanções impostas pela União Europeia no rescaldo da intervenção russa no leste da Ucrânia."
 (in Blooberg TV)
(Então mas afinal a Rússia sempre interveio no leste da Ucrânia? O Kremlin sempre o tem vindo a negar...)

As agências internacionais escrevem que Moscovo e Atenas se preparam para assinar acordos comerciais em diversas áreas, com o objectivo de estreitar relações ao longo dos próximos três anos.
"Segundo avança o jornal russo Kommersant, citando uma fonte do governo de Putin, na calha poderá estar a oferta de gás russo mais barato e eventualmente empréstimos a Atenas, em troca de acesso privilegiado às privatizações gregas. A Grécia compra 57% do gás que consome à Rússia, e já em 2013 a Gazprom tentara, sem êxito, comprar a grega DEPA. Moscovo estará ainda disposta a levantar o embargo, com que retaliou os países da União Europeia, para apenas permitir a entrada de produtos agrícolas gregos." (in Blooberg TV)
Vladimir Putin, mostrou grande interesse em dinamizar as relações comerciais entre os dois países e em participar em negócios na área da energia - designadamente para estender o gasoduto que promete ligar a Rússia à Turquia (através do mar Negro) a território grego, transformando a Grécia (em vez da Bulgária, originalmente envolvida no falhado "south stream") no "hub" de distribuição de gás para os Balcãs e para Europa central. O governo grego, assim como o governo  húngaro de  Viktor Órban, querem financiamento europeu para um troço deste projecto, conhecido por "turkish stream", por intermédio do "plano Juncker", destinado a relançar o investimento na União Europeia."(in Jornal de Negócios on line) 
O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heroico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. 

 Mas há coisas que o governo grego ainda não percebeu... 

 Assim como não existem empréstimos incondicionais, nem perdões de dívida a um Estado (muito menos quando outros Estados, como por exemplo Portugal, se esfarrapam para conseguir cumprir os seus compromissos de pagamento), assim como não se vence as acordadas exigências da "troika", com arrogantes tomadas de posição de "No meu governo mando eu"; também não se dobra a tomada de posição da União Europeia ao decidir impor embargos económicos a um país invasor de um Estado independente e soberano. A aldeia global existe e não é apenas virtual, o individualismo estatal está morto. 

 E mais..

Pergunto-me o que pensará o povo grego, ocidental por cultura e tradição, ao ver o seu país furar o conjunto de castigos económicos  e isolamento de um Estado agressor e invasor de um outro Estado soberano. Talvez seja tempo de Tsipras fazer umas revisões e lembrar o que opôs Atenas e Esparta. Embora os guerreiros tenham vencido a guerra do Peloponeso foram engolidos pela história e pela degradação do mundo helénico.

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OS LIMITES DO BOM-SENSO

No dia 7 deste mês, dia do primeiro ataque terrorista em Paris, deixei aqui um registo do que se tinha passado, sem comentários ou considerações relativas à revista "Charlie Hebdo".
O que me chocou, revoltou, enojou, foi, uma vez mais, o terrorismo em si, o ataque a cívis desarmados, a violência pela disseminação do medo. Palavras minhas, usei-as à laia de Post scriptum para referir o seguinte:

Aflige o terrorismo, desenfreado, enlouquecido.

Aflige a reacção a este tsunami assassino sem fronteiras nem limites, crescente, em vias de descontrolo.

Há pouco mais de meio século o mundo viveu as consequências de um anti-semitismo irracional e poderoso

O radicalismo islâmico está empurrando o mundo para uma reacção de revolta e auto-defesa cujos limites se vão esfumando de dia para dia

Só os Estados muçulmanos, numa condenação inequívoca, activa e absolutamente demarcada, podem erguer alguma força contra esta tempestade de "Mal" que assola o mundo
... antes que seja demasiado tarde.  
Inshallah
Sobre a "Charlie Hebdo" não disse nada, nada tinha a dizer, pelo menos dentro daquele contexto: foram vítimas do que abomino, praticam um tipo de imprensa que não me agrada, de todo, mas que, e ainda bem, têm toda a liberdade para a fazer.

Dias passados fizeram a primeira publicação após aquela chacina.
Não me passa pela cabeça o que será trabalhar naquele ambiente tendo presente, de um ponto de vista pessoal, íntimo, aquele horror, aquela injustiça; o sangue, a ausência, a saudade, a revolta e eu sei lá mais o quê. A absoluta desconsolação.
Não posso dizer que compreendo, não me atrevo.
Para além de tudo o que há de imperdoável, revoltante e que chocou o mundo, independentemente de nacionalidades e religiões, há um lado pessoal que se me aparenta inimaginável.
Porém...

Somália - 17/01/15
Quando se tem em mãos uma publicação que vai ter uma tiragem de 1 milhão,
depois 3 milhões, depois 5 milhões, para além da que ultrapassou qualquer contagem e foi difundida via internet, é absolutamente indispensável que se pense, opte e se meçam os efeitos muito para lá das questões pessoais.
A nossa liberdade de expressão é importante, é fundamental mas não é a única coisa importante e fundamental no mundo e, se não houver consciência disto de nada vale, não há consciência de coisa alguma.

Eu vi, e a equipa que produz a "Charlie Hebdo" por certo também viu, os milhares, direi mesmo milhões, de muçulmanos que se manifestaram contra o sucedido, que choraram e gritaram "O Islão não é isto"; em Paris, fora dela e fora da Europa. Muitos não gritaram por saberem, melhor do que nós, que não o podem fazer.

Nigéria - 6 igrejas incendiadas
Não havia qualquer necessidade e muito menos qualquer vantagem em publicar uma nova caricatura de Maomé da dizer "Je suis Charlie".
Foi estúpido, foi arrogante, foi inconsequente.

Resultado: igrejas queimadas, consulados sitiados, cidadãos franceses ameaçados e fechados em casa. Os Jihadistas riem-se, somam e seguem. (Ver links no final do post)

Impressionou-me ver um imã egípcio a pedir, emotivamente, aos muçulmanos que ignorassem esta caricatura, dizendo que faz parte da liberdade de imprensa ocidental e que deve ser ignorada.
Não pude deixar de dar razão a vários muçulmanos turcos que disseram ser contra o que se tinha passado em Paris, que o terrorismo não segue os ensinamentos do Corão mas que se tinham sentido revoltados e desrespeitados pela nova publicação.
E outros, vários outros, muitos outros

Consulado Françês - Paquistão
E só mais uma palavra sobre a capa de revista:
Para além da caricatura pode ler-se "Tout est pardonné"...
Não sei por quem falam, por mim não é por certo.
O terrorismo não é perdoável, o jihadismo é inaceitável, a falta de respeito pela liberdade alheia é desumana, seja pela liberdade de expressão seja pela liberdade religiosa.

Fui "Charlie" no dia em que milhões foram "Charlie", muçulmanos inclusivé.


links:
http://www.bbc.com/news/world-africa-30863159
http://www.bbc.com/news/world-asia-30848689


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UMA PACÍFICA DECLARAÇÃO DE GUERRA


São poucos os "Dias Históricos" que ocorrem ao longo de uma vida humana média. Por "Dias Históricos" quero significar aqueles que têm impacto na história da humanidade, que marcam uma mudança real na história do mundo, na forma como vivemos, na consciência colectiva.
Ao longo do meu meio século pessoal - consciente de estar a ignorar milhares de descobertas e actos que quotidianamente contribuem para a evolução positiva e negativa da humanidade - ocorrem-me tantos quantos poderei contar pelos dedos das mãos como:

  1. a construção do Muro de Berlim (1961), 
  2. a chegada à Lua (1969 - como dia simbólico da conquista do espaço),  
  3. a revolução iraniana (1979), 
  4. a queda do Muro de Berlim (1989), 
  5. o lançamento da World Wide Web (1991) como o marco do início da utilização global da Internet, 
  6. o fim do Apartheid (1994), 
  7. o ataque ao World Trade Center (2001)
  8. o Crash dos mercados (2008)
  9. a ocupação da Crimeia (2014) reacendendo a "guerra fria"
  10. ...
O que se passou hoje em Paris parece ter o "carimbo" de Dia Histórico; é ainda cedo para o afirmar categoricamente, talvez... Tratou-se de uma mise en scène. Sim, claro, mas creio que se tratou também de uma fortíssima declaração de intenções.


Switzerland's President Simonetta Sommaruga (L), 
Turkey's Prime Minister Ahmet Davutoglu (2ndL),
 Ukraine's President Petro Poroshenko (3rdL),
 Organization for Economic Co-operation and Development

Obviamente que não me passa pela cabeça, creio que pela de ninguém, que o cerrar de fileiras, ombro a ombro, ocorrido hoje em Paris seja o embrião do mútuo entendimento dos diversos Estados e Instituições representados, a questão não é essa nem passa por aí.


Não pode deixar de ser significativo ver os reis da Jordânia, o presidente da autoridade palestiniana Mahmoud Abbas, o primeiro-ministro de Israel Netanyahu, na mesma fileira com os principais líders da Europa. Lamentável a ausência dos EUA, lamentável, embaixadora não chega. Punham-se problemas de segurança? Sim, muitos, graves, mas não em especial para Obama, muito pelo contrário.
Foi apenas uma questão de solidariedade política e condenação do terrorismo?
Não, não creio, essas estavam feitas, declaradas, expressas.

Estou em crer, quero crer, que se trata de uma tácita declaração de guerra à Jihad. 

Creio que este dia marcará o final de determinado tipo de tolerância, o final de uma política algo mole e descuidada, o entendimento prático de que as informações relativas à detecção e combate ao terrorismo não podem ser retidas por um só "serviço de inteligência" sendo imprescindível que pertençam a uma base de dados anti-terrorista global e de que a vigilância das populações não é um atentado aos direitos humanos, é a sua defesa.

Tenho consciência de que é praticamente impossível erradicar o terrorismo, em particular o jihadismo, há demasiados tarados neste mundo, mas é provável que hoje tenha sido o dia em que a forma do mundo lidar com esta aberração mudou.


COITADINHOS DOS TERRORISTAS

Cresci a ouvir falar de guerras, eu e quase toda a gente no mundo; a guerra colonial, a guerra do Vietname, o Cambodja, Beirute, o Biafra, a guerra dos 6 dias, o Yom Kipur e sei lá mais quantas. Cresci a ouvir falar de guerras, a vê-las na televisão, tive sorte, houve quem as vivesse e quem não tivesse tido tempo para crescer.

Desde que existe humanidade que andamos em confrontos... Não é por acaso que as primeiras imagens do inimitável e sempre novo "2001 Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, se inicia, na alvorada da humanidade, com luta e a descoberta da primeira "arma": um fémur. Um fémur utilizado para agredir e decidir o clã vencedor.

Mas as guerras eram guerras... Guerras, a Primeira e a Segunda, a ameaça nuclear da Terceira, as guerras quentes e frias, o Muro, os gulags, a fome... Em nome de tudo e mais alguma coisa, em nome de Deus - seja lá qual Deus for - em nome da justiça, da liberdade, da vingança, da honra... No fundo só existem duas grandes causas: sobrevivência por um lado,  território, poder e riqueza por outro, o resto é retórica, dialéctica, argumentação.

Actualmente as guerras decresceram, são guerrilhas, mas estou em crer que a violência é crescente. Actualmente os confrontos são geograficamente limitados - como o sudeste da Ucrânia, a Faixa de Gaza ou algumas zonas específicas em África - mas os ataques letais e violentos podem bater a qualquer porta em inúmeros lugares do mundo. Vivemos sob a ameaça do Terror, o terrorismo é o modus vivendi e o modus operandi na actual Ordem Mundial.

Não preciso forçar a memória, as últimas 24 horas chegam para ilustrar o que estou a dizer:

Ontem um tarado islamita qualquer, que se estivesse mais vigiado estaria certamente preso, tomou conta de um inócuo café na baixa de Sydney, fez dezenas de reféns e acabou morto, ele e mais duas pessoas - um jovem gerente de loja e uma jovem que tinha ido tomar o pequeno-almoço.


Hoje, ainda mal tinha amanhecido por cá já se noticiava que o Movimento dos Talibãs do Paquistão ocupara uma escola em Peshawar com cerca de 500 pessoas, alunos e professores, e mataram mais de 140, na sua maioria crianças.
"Muitos foram executados no principal auditório da escola, mas os sobreviventes dizem que os atacantes foram de sala em sala e abriram fogo contra alunos e professores.O porta-voz do grupo, Muhammad Umar Khorasani, numa declaração às agências noticiosas internacionais,  disse que os seis combatentes taliban tinham “ordens específicas para não fazerem mal a menores”."
Pois... por não quererem fazer mal a menores é que atacaram uma escola...

Sobre terrorismo nem vale a pena ir além destas últimas 24 horas, a lista é interminável, a escolha entre os ataques muitíssimo difícil e não acrescentaria nada de novo, todos sabemos, independentemente dos nossos ideais, credos e éticas.

Uma coisa porém valerá a pena lembrar: sem a actual hiper-vigilância contra-terrorista a lista seria inimaginavelmente mais extensa; felizmente vivemos na ignorância de quantos ataques terroristas são travados pelo mundo.
Aqueles que se sentem incomodados pelas câmaras de vigilância, pelas escutas telefónicas, pela grelha sobreposta a e-mails, pelo escrutínio de visionalisação de sites na Net e pelo Projecto Echelon da NSA, deveriam ganhar uma consciência mágica que lhes permitisse tomar conhecimento de quanta violência e sofrimento já foram evitados, de quantas vidas já foram poupadas devido à vigilância e acção contra-terrorista. Como saber se algum, ou alguns, daqueles que amamos, para já não falar de quantos nos são anónimos, poderiam neste momento já não estar connosco devido a uma viagem de avião em férias, a um pequeno-almoço na pastelaria errada, à visita a um museu imperdível ou a qualquer outro momento inocente e quotidiano?

Pela parte que me toca não me sinto nada incomodada, muito pelo contrário, quanto mais eficaz e global for a vigilância contra-terrorista mais segura me sinto. Venha a CIA, o MI6, a Mossad e outros que tais, é um preço que aceito de bom grado e se for preciso aplicar práticas "chocantes", como o afogamento simulado e outras formas violentas para obter informação, pois que se apliquem. Eu só tenho a agradecer que exista quem suje as mãos por mim - para eu poder bradar aos céus contra a tortura na segurança do meu cantinho.

E...

Não me venham, de ânimo leve dizer que "nós" não somos terroristas, que temos de ser diferentes, temos de velar pelas boas práticas sem ceder à violência.

Sim, "nós" somos diferentes, "nós" não obrigamos ninguém a professar a nossa religião sob ameaça de morte, "nós" não armadilhamos crianças que explodem em nome do que nem sabem, "nós" não cortamos cabeças para exibir em vídeos, "nós" não violamos e escravizamos mulheres e meninas, "nós" não encostamos a um qualquer muro de via pública aqueles que nos incomodam para os fuzilar sem julgamento, apelo ou agravo, "nós" não vaticinamos a ocupação do mundo por uma machista, sub-medieval e violentíssima "Lei de Sharia" em teocracias de leis voláteis.

"Dar a outra face" não significa, nunca significou, pormo-nos a jeito para levar outra bofetada, significa não nos deixarmos vencer ao levar a primeira, significa não nos acobardarmos perante a violência alheia.

Há pessoas indignadas pelos relatórios da CIA? Está bem, felizmente têm a liberdade - sobretudo emocional - de se sentirem indignadas.
(Tivessem sofrido na pele e no coração as consequências do terrorismo e pergunto-me se teriam a mesma reacção...
Independentemente de ter presente de que os princípios éticos não devem ser abalados pela vivência pessoal a verdade é que uma coisa é a teoria e outra é matarem-nos um filho.)
A mim indigna-me a progressão do terrorismo em todas as suas facetas, sobretudo quando se torna uma prática quotidiana.
"Nós" temos o direito e o dever de prevenir, antecipar e punir os ataques terroristas de que sejamos alvo, doa a quem doer

E não me importo mesmo nada que lhes doa.

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