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PARA BOM ENTENDEDOR UM FADINHO BASTA.

Apesar de múltiplas provocações que me "e-mailaram" não me vou debruçar sobre o assunto. Não vou mesmo.
Dediquei-lhe muitas palavras, muitos posts, muitas emoções fortes; agora é tempo de espera... A ver vamos...

De quem falo? Ora...

Sempre achei graça a este faduncho tão luso, ólarilólélas, como este não há nenhum!

MAKE AMERICA WHAT???


Trump:
«People in that rally, and I mean the night before, they were people protesting very quietly the taking down of the statue of Robert E. Lee»

People protesting very quietly:
«Jews - will not - replace us.
Blood and soil
... / ... »

Trump:
«You had many people in that group, other than neo-nazies and white nationalists ok? And the press has treated them absolutely unfairly. Now, in the other group, also, you had some fine people but you also had trouble makers and you see them come with the black outfits and with the helmets and the baseball bats, You had a lot of bad people in the other group»



De acordo com Trump, havia muito boa gente (very fine people) misturada com os neo-nazis, os supremacistas e os ku-klux-klan... Será?
Obviamente, nem todos, provavelmente bastante menos de metade dos apoiantes de Trump, olharão com bons olhos aquela cáfila que desfilou em Charllotesville; O próprio partido republicano, pela voz de inúmeros partidários, condenou inequivocamente essa aberração, mas a questão não é essa, não é todo partidária ou mesmo de grupo eleitoral.

Claro que há boa gente entre os eleitores de Trump o que me pergunto é se será "boa gente" aquela que não se importa de se misturar com quem vai para uma manifestação onde esvoaçam bandeiras nazis, onde há milícias com armas automáticas, onde se atacam os contra-manifestantes à paulada, onde se grita "sangue e solo" e outros mimos. Por que não dar meia volta e dizer "Isto não é o que quero, isto é profundamente errado". Uma manifestação onde por fim um carro acelera para cima de um magote de contra-manifestantes. Ou isto só é inequivocamente condenável quando um jihadista o faz em Londres?

A questão surge a montante nos princípios, na moralidade, na solidariedade humana, nos direitos civis e mesmo, para aqueles que integram a Igreja Cristã - sejam católicos, protestantes, evangelistas ou outros - a questão tem de ser colocada sob a perspectiva do respeito e defesa da alma humana.
Boas pessoas? Boas pessoas têm uma noção firme da diferença entre Bem e Mal, certo e errado. Boas Pessoas traçam limites e e permanecem dentro deles, não comprometem princípios. Há um limite para além do qual temos a noção de que estaremos a prevaricar, a pecar, a agir de forma que sabemos ser condenável. Passado esse limite não há boas pessoas.

"Estamos aqui para matá-los se for preciso " - Ouvi esses trastes berrar, vestidos com camuflados, armados até aos dentes.

Uma pessoa com 32 anos foi assassinada; 19 pessoas foram hospitalizadas, isto apenas num atropelamento intencional.

Um jovem isolado espancado à entrada de um parque de estacionamento por um grupo de corajosos herois; está vivo porque os amigos deram pela sua falta e foram resgata-lo.
Não é o filho de nenhum de nós...



Independentemente da tragédia, se possível, há nesta história aspectos mais chocantes do que facilmente verbalizáveis:
Como é possível ver numa mesma turba a bandeira dos Estados Unidos (não me refiro à da Confederação mas sim à dos EUA) empunhada ao lado de uma bandeira com a suástica? Não encontro forma de que faça sentido sem reverter para a absoluta ignorância histórica e cultural. Os americanos atravessaram o Atlântico para derrotar os nazis. E hoje, na Alemanha, são proibidas as suásticas.

Quanto a Trump não há surpresas, vou evitando dedicar o meu tempo e palavreado ao sujeito porque é sempre mais do mesmo e torna-se óbvio  que está a endoidecer, a perder o controlo, a não conseguir lidar com tanta Trumpa que faz.


De regresso à Trump Tower - pela primeira vez desde que foi empossado - nos domínios da torre do seu castelo dourado, a fera sentiu-se no seu território; enraivecido por o "obrigarem" a dizer o que não queria deu largas à sua revolta, ao seu temperamento irado e vociferou o que bem lhe apeteceu perante a estupefacção do pessoal da Casa Branca: "Foi tudo ele, não era nada disto que estava alinhado", disse alguém da equipe da W.H. Assim seja, e que se repita, que se deixe de Trumpices e mostre o vazio de alma repleto de racismo, mentira, materialismo primário, hipocrisia, megalomania, egocentrismo... Como disse, quanto a Trump não há surpresas.
Ninguém obrigou o bicho a ser presidente, era uma ambição requerida pelo seu notabilíssimo percurso de O Melhor e O Maior. Mas agora a coisa é mais complicada, não se resolve com direitos de patrão-quem-manda-aqui-sou-eu. Ajudaria se ele soubesse. E ele não sabe.
O que Trump não sabe, não entende, é que enquanto presidente nunca poderá ser O Melhor e O Maior se não fizer um esforço sincero e evidente para ter em conta os americanos como um todo, brancos, pretos, encarnados, amarelos, azuis às riscas e roxos alilazados. E Trump não o faz, nem pretende, nem tão pouco tem ideia de que tem obrigação de o fazer.
Por mais que o preocupe salvaguardar os que ele considera "americanos de primeira" e o seu eleitorado - o que não é exactamente a mesma coisa - é suposto ele ser presidente dos americanos em toda a sua complexa mistura... E ele não está para isso, não está disposto a respeitar todos em equidade de direitos, era o que faltava.

 "Make America great again" tem um significado muito claro e embutido na mente de Trump mas que tem sido tratado como uma pílula dourada a ser dada a engolir. A conferência de imprensa, ou lá o que foi aquilo que Trump vociferou ontem para as câmaras das televisões do mundo, expôs finalmente o conceito que o golfista da Casa Branca tem do que é fazer a América grande  e o "outra vez" não é de forma alguma supérfluo, muito pelo contrário, refere-se a quando a América era grande e a como se vivia na América.
Sorry Mr. President, game over. Afinal, a quem pertence a América?

A presidência é uma grande chatice, uma trabalheira, seria tudo muito mais simples se, de uma vez por todas todos fizessem tudo o que ele manda fazer, porque ele é que sabe de tudo mais do que todos, em vez de andarem a chafurdar nas suas negociatas, nos seus amigalhaços e naquilo que ele bem entende por certo dizer e fazer. Ora bolas, afinal ELE é o presidente, se isso não lhe confere mais direitos do que aos outros - que não são o presidente - então para que serve o esforço?

O ESTRANHO CASO DOS NEGÓCIOS SANCIONADOS

2005 - O Sr. Sater
(para não ir mais atrás, esta história começa no final dos anos 80...)

Felix Sater era um imigrante russo que trabalhava para o Bayrock Group, empresa de desenvolvimento e aconselhamento de negócios sediada em Nova Iorque e parceira de Trump em diversos empreendimentos durante mais de uma década.  Sater retornou a Moscovo em 2005 com a ideia fixa de construir uma Trump Tower que comportasse hotel, condomínio e espaço comercial para escritórios. O proprietário do Bayrock Group era o Sr.Tevfik Arif, nascido na Turquia e encarreirado na URSS onde trabalhou para o ministro do Comércio por 17 anos. Em 2010 foi preso na Turquia sob a acusação de dirigir uma cadeia de prostituição e tráfico humano da Rússia e da Ucrânia. A acusação foi retirada.

"During a trip in 2006, Mr. Sater and two of Mr. Trump’s children, Donald Jr. and Ivanka, stayed at the historic Hotel National Moscow opposite the Kremlin, connecting with potential partners over the course of several days."
Mr. Trump continued to work with Mr. Sater even after his role in a huge stock manipulation scheme involving Mafia figures and Russian criminals was revealed; Mr. Sater pleaded guilty and served as a government informant."

Novembro de 2013

Trump foi a Moscovo levar o seu "Miss Universe".
Sob os bons auspícios de Araz Agalarov, anfitrião do grande acontecimento, de Donald Trump  e do Mini-Donald, o oligarca russo da construção é uma espécie de Trump lá do sítio mas, há época, com mais poder e influência política graças às suas estreitas relações com Putin que, nesse mesmo ano, o condecorou com a Ordem de Honra da Federação Russa por serviços prestados ao Estado.

(Oligarca é um tipo que enriqueceu à conta de negócios escuros e corrupção utilizando dinheiro, segredos e favores como meio de influência e poder político)

Já que ali estavam a ver desfilar um excelente grupo de giraças aproveitaram
o ensejo para falar de negócios. A convite dos Agalarov, Trump e Mini-Trump jantaram essa noite com eles e com  Herman Gref, ex-ministro da Economia e actualmente chefe executivo do banco estatal PJSC, : o que era giro era construir um Trump Tower Hotel em Moscovo unindo esforços, e proveitos empresariais.
“I called it my weekend in Moscow,” - Mr. Trump said of his 2013 trip to Moscow during a September 2015 interview on “The Hugh Hewitt Show.”-  He added: “I was with the top-level people, both oligarchs and generals, and top of the government people. I can’t go further than that, but I will tell you that I met the top people, and the relationship was extraordinary.”

Junho de 2013 - O Maxi-Trump, o Mini-Agalarov e o seu agente, Rob Goldstone - o bronco que escreveu coisas que não devem ser escritas nos e-mails para o Mini-Donald - encontraram-se em Las Vegas e fizeram uma jantarada. 
Sim, o tal Rob Goldstone que o Maxi-Trump não conhece.




Fevereiro de 2014 - O Mini-Donald volta, uma vez mais, a Moscovo para assinar a Carta de Intenções de construção da Trump Tower ficando responsável pelo empreendimento.
(A partir de 2008 em apenas 18 meses deslocou-se a Moscovo 6 vezes. Só pode ser amor)

Depois foi a vez de  Ivanka ir a Moscovo ver a vistas em que se poderia plantar a Trump Tower; o Mini-Agalarov acompanhou-a na busca.

Um mês mais tarde  Ivanka reencontra-se com Emin, o Mini-Agalarov, na companhia do Maxi-Trump; a avaliar pelas roupinhas não estariam em Moscovo.




Finalmente a coisa parecia estar bem encaminhada...
Aaahhh mas o diabo tece-as. Sim, o diabo...

A 24 de Fevereiro de 2014 as forças especiais russas desembarcam  na Crimeia. Posteriormente a Rússia invade a Ucrânia por via terrestre tomando a região de Donbas,  Donetske  e Lugansk.
Nos primeiros dias de Março foram impostas as primeiras sanções económicas à Rússia; outras se seguiram e foram agravadas em 2015

Dá-se uma drástica queda do rublo; o petróleo russo está pelas ruas da amargura, a instabilidade económica compromete grandes empreendimentos imobiliários e, pior um pouco, se realizados em parceria com empresas norte-americanas restringidas pelas sanções.

Isto das sanções foi uma grande chatice...
Não admira, digo eu, que Trump tanto tenha considerado o levantamento das sanções, antes e logo após ter sido eleito. Não pôde ser... Deu muito nas vistas.
Também não será de estranhar que a tal advogada que apareceu na Trump Tower em Junho de 2016, em plena campanha, viesse com a conversa de ser uma activista anti-sanções, anti-Magnitsky Act.
Mas já la vamos, há uns pormenores antes de chegar aí.

Junho de 2016

No dia 3 o Mini-Donald recebeu o primeiro e-mail - conhecido até agora - do Bronco-Goldstone (os sublinhados são colocados por mim) :

On Jun 3, 2016, at 10:36 AM, Rob Goldstone wrote:
Good morning
Emin just called and asked me to contact you with something very interesting.
The Crown prosecutor of Russia met with his father Aras this morning and in their meeting offered to provide the Trump campaign with some official documents and information that would incriminate Hillary and her dealings with Russia and would be very useful to your father.
This is obviously very high level and sensitive information but is part of Russia and its government's support for Mr. Trump - helped along by Aras and Emin.
What do you think is the best way to handle this information and would you be able to speak to Emin about it directly?
Rob Goldstone
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On Jun 3, 2016, at 10:52 AM, Donald Trump Jr. wrote:
Thanks Rob I appreciate that. I am on the road at the moment but perhaps I just speak to Emin first. Seems we have some time and if it's what you say I love it especially later in the summer. Could we do a call first thing next week when I am back?
Don
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Segue-se uma troca de mensagens com pouco interesse no dia 6 - disponiveis AQUI - conjuntamente com todos (?) os e-mails que o Mini-Trump publicou...

On Jun 7, 2016, at 4:20 PM, Rob Goldstone wrote:
Don
Hope all is well
Emin asked that I schedule a meeting with you and The Russian government attorney who is flying over from Moscow for this Thursday.
Rob Goldstone
-------------------------------
On Jun 7, 2016, at 5:16 PM, Donald Trump Jr. wrote:
How about 3 at our offices? Thanks rob appreciate you helping set it up.
D
On Jun 7, 2016, at 5:19 PM, Rob Goldstone wrote:
Perfect won't sit in on the meeting, but will bring them at 3pm and introduce you etc.
I will send the names of the two people meeting with you for security when I have them later today.
Rob
On Jun 7, 2016, at 18:14, Donald Trump Jr. wrote:
Great. It will likely be Paul Manafort (campaign boss) my brother in law and me, 725 Fifth Ave 25th floor.
From: Rob Goldstone
Sent: Wednesday June 08, 2016 10:34 AM
To: Donald Trump Jr.
Subject: Re: Russia - Clinton - private and confidential
Good morning
Would it be possible to move tomorrow meeting to 4pm as the Russian attorney is in court until 3 i was just informed.
Rob
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Sobre o conteúdo dos e-mails nem vale a pena perder tempo; levanta questões de ética e patriotismo que, é mais do que provado, são totalmente alheias à família Trump, ao mundo em que se movimenta e às gentes com quem se relaciona com maior proximidade.

No entanto outra questão alerta para a mais do que provável possibilidade de nada disto ser novidade para eles nessa altura, ninguém é assim tão parvo, nem mesmo o Mini-Trump que aliás não estava nisto sozinho. Quando lêem:

"This is obviously very high level and sensitive information but is part of Russia and its government's support for Mr. Trump" (1ª mensagem dia 3)

Não ocorreu a ninguém perguntar "Por que está o governo russo a apoiar o meu pai? O que desejam? Só tendo estas informações poderei marcar, ou não, uma reunião"
Nada disto, apenas um entusiástico e imediato (20 min. depois)
if it's what you say I love it "

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Adiante... Vamos começar pelo fim que é muitas vezes um bom princípio:

O QUE É QUE A "RUSSIAN ATTORNEY" ESTAVA A FAZER NO TRIBUNAL EM NOVA IORQUE ATÉ ÀS 3 DA TARDE?

E antes,

O QUE É O MAGNITSKY ACT? QUEM É SERGEI MAGNITSKY?

SERGEI MAGNITSKY era um auditor nascido na Ucrânia, com escritório em Moscovo - na "Hermitage Capital Management", sediada em Londres e pertencente a Bill Browder - que teve o azar de descobrir uma enorme fraude fiscal levada a cabo por figuras de Estado, donos de corporações empresariais, juízes e policias russos que, até onde ele conseguiu chegar, haviam roubado ao Estado russo 230 milhões de dólares US.

Comunicou esta fraude às autoridades e, acto continuo, foi acusado de evasão fiscal. Sob esta acusação foi preso em Novembro de 2008 e em Novembro de 2009, com apenas 37 anos, morreu na prisão após uma falha cardíaca e choque tóxico devido a uma pancreatite não tratada. Não restam dúvidas de que foi torturado e espancado ao longo do período em que esteve preso Magnitsky foi processado a título póstumo e teve como defesa Nikolai Gorokhov, advogado da família. Daqui a umas linhas voltarei a falar de Gorokhov, homem muitíssimo incomodativo.

Bill Browder, activista de direitos humanos, tem vindo a expor detalhadamente, desde 2005, casos de corrupção dentro do Estado russo aos mais elevados níveis e em 2006 foi considerado uma "ameaça à segurança nacional" ; em 2007 a sua empresa em Moscovo foi invadida por oficiais das forças contra a corrupção e os seus bens foram confiscados, computadores e arquivos inclusive e foi banido da Rússia. Magnitsky trabalhava estreitamente com Browder  e continuou a faze-lo até ser preso em 2008.

Após a morte de Magnitsky, Browder e outros activistas de Direitos Humanos compilaram uma lista de cerca de 60 funcionários de topo do Estado russo, incluindo do governo e ligados ao governo por negócios, A totalidade da lista nunca foi publicamente divulgada.

Em Dezembro de 2012 o Congresso americano aprovou uma lei, Magnitsky Act, que autoriza os E.U.A. a retirarem ou não concederem vistos de qualquer tipo e a congelarem bens e negócios de cidadãos e membros do Estado russo que estejam envolvidos em violações dos Direitos Humanos.

Como retaliação a esta lei Putin proibiu a adopção de crianças russas por cidadãos norte-americanos.
(Cada um retalia como pode, talvez Putin tivesse medo de que os americanos comessem criancinhas ao pequeno-almoço)


Voltando à advogada russa...
Natalia Veselnitskaya estava no tribunal em Nova Iorque em Junho de 2016 porque...


Os 230 milhões de dólares roubados ao Estado russo na fraude descoberta por Magnitsky não foram dólares, claro, foram rublos. Havia que lavar estes patacos. A lavagem foi feita através da compra de imóveis em Manhattan. Daqui resultou um processo judicial à busca e perda de uma série de activos e participações imobiliárias no valor do investimento - 230MD

Estamos de novo em 2013
- Quem foi processado? A Prevezon Holdings, sediada na República de Chipre e registada em Nova Iorque como corporação estrangeira
- Quem processou? O Estado de Nova Iorque na pessoa de Preet Bharara (Fed. U.S.Attorney), reconhecido por ser implacável em casos de corrupção.
Mr. Bharara has been among the highest-profile United States attorneys, with a purview that includes Wall Street and public corruption prosecutions, including of both Democratic and Republican officials and other influential figures. @nytimes.com
O que aconteceu?
Trump tomou posse em Janeiro de 2017 (isto é só um àparte)
A 9 de Março de 2017 Preet Bharara foi convidado a demitir-se juntamente com outros 45 procuradores. Bharara recusou apresentar a demissão; passados poucos dias foi despedido

Um mês depois, em Maio de 2017, foi finalmente dada a sentença. Fez-se a coisa por 6 milhões de dólares, sentença comunicada à "russian attorney" Natalia Veselnitskaya (sim, a visita do Donald Jr. que lutava contra a Magnitsky Act) que foi para Moscovo dizer que tinha tido uma prenda dos U.S.
Por coincidência, na semana entre 20 e 24 de Março, Nikolai Gorokhov, o advogado da família Magnitsky de quem falei mais acima e prometi retomar, seria uma testemunha chave neste processo de fraude conta a Prevezon Holdings pois representava Bill Browder, citado acima, enquanto advogado da sua empresa Hermitage Capital Management. 
Também iria apresentar novas provas de conspitação para assassinato ao tribunal em Moscovo na "investigação" do caso Magnitsky (entre as quais mensagens na "WhatsApp" entre os criminosos) 

Gorokhov não chegou a comparecer a nenhum dos dois julgamentos, na véspera da audiência em Moscovo "caiu" da janela do seu apartamento. 
Foi uma queda mal calculada pois encontra-se a recuperar dos seus múltiplos traumatismos nos cuidados intensivos e não apresenta lesões permanentes. (O plutónio é muito mais eficaz)

Regressando a 2016... 

No dia 9 de Junho Natalia Veselnitskaya estava no tribunal por causa do caso "Estado de Nova Iorque VS Prevezon Holdings. Depois seguiu direita à Trump Tower para a reunião sobre os de supostos "podres de Hillary" com o Mini-Donald, o Jared Kushner e o inefável Paul Manafort. Mas Natália não foi sozinha, o que deve ser grave porque nenhum deles quis falar nisso...

A acompanhar Natalia ia Rinat Akhmetshin, um "lobbyista" russo que serviu no exército sovietico numa unidade de "contra-inteligência" e que diz que nunca recebeu treino de espionagem. (Ou eu não sei o que é "contra-inteligência" ou ele se baldou aos treinos). A Hermitage Capital Management, a já referida empresa de Bowder que compilou a lista de 60 figuras de topo ligadas a corrupção e violação de Direitos descreve-o dizendo:
“Mr Akhmetshin is a former member of the Russian military intelligence services (GRU). He is now based in Washington DC as a lobbyist. He was previously hired by clients with the mandate to generate negative publicity. He was paid by a previous client to derail the US asylum application of a Russian citizen using false allegations of anti-Semitism.”
Vive em Washington e em 2015 a empresa, a International Mineral Resources, apresentou uma queixa em tribunal contra ele acusando-o de ter organizado uma operação de "haking" aos seus arquivos privados como parte de uma campanha de difamação (BBC)
The Russian-American was overheard in a coffee shop bragging about arranging the cyber-attack on the firm's computer system, according to court documents. He is a registered lobbyist who has focused in recent years on overturning the 2012 US Magnitsky Act
1ª pág. - clicar p/ aumentar "Open in new tab"
Para além deste bom rapaz e da Srª advogada estavam presentes o imprescindível Ron Goldstone, um representante dos Agalarov (por alma de quem?) e um tradutor.

Onde estão os e-mails que, no dia 7, Goldstone, disse que enviaria com os nomes dos presentes à reunião para serem comunicados à segurança da Trump Tower? E, se faltam esses, faltarão mais? E porquê?

A verdade é que, até agora, ninguém sabe o que foi tratado nessa reunião escondida por todos, em particular por Jared Kushner quando teve de comunicar pela primeira vez ao FBI os contactos que havia tido com cidadãos estrangeiros; e pela segunda vez, quando se lembrou de repente que falou com o embaixador russo várias vezes e com o CEO do Vnesheconombank. Só se lhe avivou a memória quando o seu pessoal na W.H. descobriu os malfadados e-mails.

Não há almoços de borla, muito menos na Trump Tower.
Qual era o quid pro quo ? "Toma lá os e-mails, o haking do DNC e levantas o Magnitsky Act?".
E onde iria parar a troca de favorzinhos?
E tendo os russos segredos sobre os Clinton não os terão sobre os Trump? Ora...

Pode um candidato a Chefe de Estado estabelecer um  quid pro quo destes com um outro Estado, nomeadamente com um país hostil? 
Poder pode... E um presidente?

O que é verdade, verdadíssima, é que esta reunião ficou assente no dia 7 de Junho de 2016 e nesse mesmo dia 7, 3h depois, o Presidente dos E.U.A., que nunca soube de nada até ao dia 11 ou 12 de deste mês, falava assim , palavra por palavra:

"I'm going to give a major speech on, probably monday next week, and we gonna be disgusting all the things that've taken place with the Clintons. I think you're gonna find it very informative and very interesting"



Costuma-se dizer "Venha o diabo e escolha". Obviamente o diabo escolheu.

Esta é apenas a longa história que desembocou na fatídica reunião de 9 de Junho de 2016.
Faltam as outras, as muitas outras...
Paul Manafort, Michael Flynn, Jeff Sessions, Roger Stone, Rex Tillerson, Carter Paige, Wilbur Ross, J.D.Gordon, Michael Caputo, Rick Gates, Marck Kasovitz, Michael Cohen, Eric Prince... Só para falar de cidadãos americanos, só para falar do "Trump Team, deixando a família e os seus amigos, de fora.

P.F. VISTAM-LHE O CASACO BRANCO DAS FIVELAS

Que Trump bate mal, muito mal, é do conhecimento público.
Que Trump é um mentiroso compulsivo é inegável
(More than 100 days of Trump's lies - The NewTimes)
 https://docs.google.com/document/d/1Q8_ju04USjjQAdy7SidT_1miLRUkBeuVLv2ojYclRzg/edit?usp=sharing
Que Trump arranja problemas, sobretudo a si próprio, a quem trabalha para e com ele, quase todos os dias, é uma questão exposta nos noticiários quotidianos
Que Trump é um tipo arrogante e ignorante com uma noção vaga, mesmo muito vaga, da realidade global, que seria suposto liderar, é obvio para quem levante apenas uma orelha para o ouvir

Aqui para nós que ninguém nos ouve, à parte os cerca 38% dos norte-americanos que ainda apoiam Trump, e talvez alguma daquela gente estranha que milita pela Le Pen, o Farage e mais um ou outro dos seus primos europeus,
há alguém que tenha dúvidas de que o loiro tem de ser interditado?

Para quem tenha, ainda, alguma dúvida recondita abrigada no seu neurónio, recomendo uma profunda meditação sobre publicação de hoje, 2 de Julho, que o Donald fez no Twitter; não apenas o Donald mas também o presidente dos EUA, vulgo, o líder do ocidente.
I rest my case.


O vídeo abaixo foi publicado
no Twitter de Trump - @realDonaldTrump 
E
no do presidente dos EUA - @POTUS
(como é do conhecimento geral são as iniciais de "PresidentOfTheUnitedStates)



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DIAMONDS ARE FOREVER

ROGER MOORE 

14 de Outubro de 1927 - 23 de Maio de 2017

Roger Moore, mais propriamente a figura de "O Santo", foi o  meu primeiro amor,
Um amor a preto e branco, à antiga, sem efeitos especiais, inocente e cheio de aventuras heroicas.
Que me perdoem os activistas das legiões maltrapilhas da nossa época, Sir Roger Moore tinha uma "pinta" fora de série, uma raça em vias de extinção; Um sentido de humor finíssimo, um cavalheirismo ausente de snobeira, a sincera e vivida devoção pelas crianças esquecidas pela sorte no nosso mundo egoísta.
Vou ter saudades
" No-one delivered the aplomb like Roger Moore. He was the secret agent with the twinkle of humour in his eye, and who put wit into his elegant, educated tones, which deepened and decelerated into a sensual purr as his tenure went on..../... The Connery Bond was feared and admired, and the same went for the Brosnan Bond or the Craig Bond. But the Roger Moore Bond was loved. And Sir Roger Moore was loved too. It is desperately sad to see him go."
 - In "The Guardian" 23/05/17
Ivanhoé (1958 -1959)
O Santo (1962 -1969)





Os Persuasores
James Bond (1973 - 1985)




1991 - 2017 - Embaixador UNICEF




"It's easy to sit in relative luxury and peace and pontificate on the subject of the Third World debts.
Working with UNICEF made me grow up and recognize how fortunate I am."


Roger Moore

AMAZING!!!

Tenho estado muito caladinha, há coisas que não merecem comentário, outras que são incomentáveis e outras ainda que são tão óbvias que nem dá gozo.

Então mas o homem não tem qualidades?
Ó se tem... É espantoso! Um cadexinho ridículo, vagamente megalómano mas espantoso. Fico entre "Nobody does it better" e "Simply the best"

Tenho é pena dos desgraçados dos enfermeiros que o forem buscar...

TODAS SÃO POUCAS

Ontem, como não poderia deixar de ser, Stephen  Colbert (CBS - Late Show) pegou na última escandaleira que veio a público sobre as tropelias de Mr. Trump que fazem, ou não, parte das "informações pessoais", neste caso em vídeo, que os russos deterão, ou não, sobre o iminente  presidente dos EUA.
Tudo isto "alegadamente"... A coisa é tão inverosímil que é bem provável que seja verdade, há coisas que ninguém inventa por irem além do credível.
A história circula por aí animadamente e, sumarizada ontem no Observador, a meio de um artigo mais sério, dizia assim:
O BuzzFedd publicou, entretanto, o alegado relatório que foi entregue aos líderes governamentais dos EUA, onde se pode ler que, numa visita a Moscovo, Donald Trump reservou a suite presidencial do Ritz Carlton Hotel, onde sabia que Barack Obama tinha estado com a mulher, Michelle, e contratou várias prostitutas a quem pediu para urinarem na cama onde o presidente norte-americano tinha dormido.
Como referiu  Stephen  Colber:
«I don’t think this matters if this is true or not, because the fact is, it’s out there, and that means, Mr. Trump, you’re in trouble.»
Muitas piádas à parte, subtis e utilizando uma cuidada linguagem de duplos sentidos, Stephen  Colber   diz uma verdade dura como punhos:  

«I only feel for Donald Trump a little bit here because he brought this on himself, and I have a sugestion, Mr Trump, of how to get rid of it, just do the thing you have never done which is: say anything Putin wound't like. Allright? That would prove that they're not runnig you. 'Cause you never said anything Putin doesn't love. Criticize the invasion of Ukraine, criticize taking away the Crimea, criticize him killing journalists, raise sanctions on Russia. Anything, say anything negative about him. I dare you because I bet you won't.»


Para quem tiver interesse e paciência deixo o link ao relatório completo "Company Intelligence Report" que foi presente a Obama e Trump (as 35 páginas) de Junho a Dezembro de 2016.
Com dois cafés, uma bola de Berlim e uma água das pedras para a digestão é uma companhia bastante instrutiva.

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O CAVALO DE TROIA

Esta história pode começar com "Era uma vez" como muitas das que começam em tempos remotos. Não serão assim tão remotos mas um tempo em que se manifestava oposição ao poder em Moscovo requer algum esforço de memória, já lá vai...

Em Dezembro de 2011 houve uma eleição legislativa na Rússia. Seguiu-se uma onda de protestos, de "rumores" de fraude eleitoral, que se prolongou por 2012, quando Putin venceu as presidenciais em Março. E os protestos continuaram... Crescentes. Provavelmente muitos terão ainda presentes as imagens dos cordões humanos que tinham por objectivo circundar o Kremlin (26/27 Fev. 2012); atingiram mais de 16km mas foram sempre dispersados antes de fecharem o círculo porque, segundo Putin: «A minoria não tem o direito de impor à maioria a sua opinião. .../... Considerado que são instrumentos inaceitáveis numa sociedade democrática» (Putin - Fev. 2012)

KGB de gema - não existem ex-KGB em termos mentais, entenda-se - Putin não estava disposto a tolerar protestos absurdos. Votadas as presidenciais deitou as mãos à obra e presenteou o povo com vários pacotes legislativos para acabar com veleidades libertárias.

«In the end, no such concessions proved necessary. After withstanding the initial protests and gradually regaining the initiative, Putin easily won reelection in the first round in the March 2012 presidential elections and set about implementing major changes in Russia’s political-legal system to ensure that he would never again be confronted by a challenge of similar scope. An array of repressive measures, including severe restrictions on pro-democracy and human rights NGOs and election monitors, a huge increase in fines imposed against those who take part in “illegal” gatherings, the banning of public assemblies in certain areas that were sites of protests in late 2011, the exclusion of foreign broadcast media, restrictions on Internet access, and a sweeping expansion of the definition of “treason” were all adopted with the support or at least acquiescence of a substantial majority of the population in 2012. » Kramer - 09/2013

Director, Cold War Studies Program, and Senior Fellow, Davis Center for Russian and Eurasian Studies
Harvard University

O nervoso de Putin não era injustificado, à época, se bem se lembram, andava pelo mundo uma febre de libertação dos opressores de longa data que enervava qualquer ditador digno desse epíteto; 
  • A "Primavera Árabe" havia tomado conta do Egipto pondo fim aos 30 anos de "reinado" de Mubarak. 
  • Na Líbia, após seis meses de protestos e luta armada Khadafi viu chegar o fim dos seus dias tragicamente.
  • Na Síria Bashar al-Assad perde o controlo da contenção das violentas manifestações e face à intensidade crescente e perda do domínio de várias cidades mobiliza as suas forças armadas e dá início aos bombardeamentos, e ataques com mísseis, a todas as cidades sob controle rebelde.
  • E o Irão... que há que manter forte, fechado e "operativo". Um Irão teocrático e nuclear é um espinho profundo no coração do Ocidente. A Rússia defendeu os direitos do Irão no Conselho de Segurança com unhas e dentes, e vetos.
Putin pode ser muitas coisas, algumas delas inomináveis, mas não é parvo. 

Reposta a "ordem em casa" durante 2013 reforçou as críticas e vitimização relativas à NATO. Uma vez mais com razão, em 2014 caía o seu fiel vassalo na Ucrânia...
«A política externa da NATO em relação à Rússia não se enquadra na lógica do desenvolvimento contemporâneo e continua a basear-se em estereótipos obsoletos.»
Referindo-se ao alargamento da NATO: «Não me deteria neste tema se esses jogos não se realizassem junto das fronteiras russas, se não pusessem em causa a nossa segurança e não influísse negativamente no mundo». V. Putin
 Mas onde há crise semeiam-se as oportunidades.

Perante a imparável migração de refugiados de guerra e da subjugação ao "estado islâmico" em direcção a uma Europa atacada por terrorismo, crises económicas e desemprego regional, o nacionalismo egocêntrico ressuscita e o terreno torna-se propício à disseminação de propaganda e medo. O medo desperta o instinto de sobrevivência, a irracionalidade e a agressividade. É uma excelente estratégia.

Para Putin é uma festa! O impensável desenrola-se no teatro da tal realidade que ultrapassa a ficção: a extrema-direita, a direita radical, vê-se apoiada, e financiada, pelo homem que tem como sonho o ressurgimento da URSS, a Nova Rússia, como Putin gosta de referir, provocando, na medida que lhe for permitido, a degradação do ocidente, a queda das velhas democracias, o abandono dos seus valores e princípios.
A primeira brecha está feita, amanhem-se com o Brexit como puderem. Outras estão sendo estrategicamente preparadas, isto dos emigrantes muçulmanos dá um jeitaço.

Espantosamente a extrema-direita vai nisto, na sua ância de conquista de poder, de nacionalismo retrógado e ilusório num mundo que se tornou, a todos os níveis, inter-dependente, para o melhor e para o pior. Se fosse a extrema-esquerda, os comunistas, os marxistas-leninistas que estoicamente ainda resistem, poderia compreender, mas a direita? A extrema-direita? A sede de poder não só corrompe como cega, estupidifica.

E a América? A América, por todas as razões que possamos considerar, vê-se a braços com Trump.
Há coisas que, face à ausência de provas, manda o bom senso que não se declamem publicamente. Em conversas privadas, algumas mesmo muito privadas, tenho versejado sobre o mote: "o Putin tem o Trump no bolso". Como tem e por que tem é outra questão mas que tem... Ah pois que tem.

Trump diz mal, ataca, julga tudo quanto é bicho que mexe, até o Papa Francisco foi metido na molhada. Tudo e todos, e também a NATO, claro, pedra basilar do da força militar do ocidente... Todos menos Putin... Que por acaso não é inglês, nem francês, nem europeísta, nem pró-americano. É Russo, presidente, ditador e se pudesse comia os EUA, Estado a Estado, dólar a dólar, logo ao pequeno-almoço para começar bem o dia. E é o favorito de Trump? Putin pode atacar informaticamente  Instituições que são pilares dos EUA e Trump desvaloriza, mostra-se alheio e duvidoso. E também simpatiza com Farage, o seu europeu de estimação que tão bem cumpriu o seu papel de embrulho.  Ora...
Trump é o Cavalo de Troia ideal: sem consciência e com um enorme ego no estômago onde pode transportar lisonjas e ambições, as suas, mundanas e primárias, e as do seu "role-model", inconfessáveis.

Manda o bom senso que não se declamem publicamente as evidências na ausência de provas; Mas face à gravidade das coisas, e na ausência de provas, manda o bom senso que se proclamem as evidências. O fumo denunciará o fogo.

Ontem à noite a CNN teve um exclusivo em "Breaking News" que fez cair o queixo a muito boa gente. As grandes cadeias de TV retraíram-se, ninguém sabia exactamente o que dizer e só hoje, quando Trump optou por falar, e por se recusar a ouvir as perguntas da CNN, se sentiram à vontade para abordar o delicado assunto.
A notícia está por todo o lado, não se justifica que me alongue sobre ela; sumariamente:

  • Os Russos "obtiveram" informações sobre a vida pessoal de Trump e as suas finanças, por meios informáticos e outros.
  • Existiram repetidos contactos entre membros da campanha presidencial de Trump e membros de ligação ao Kremlin.
  • Existem alegações de que o Kremlin terá financiado a campanha de Trump através de alguns dos seus associados.
Se perante isto os apoiantes de Trump continuarem a achar que "não tem importância" desisto de compreender. Mais, demito-me!


 A primeira abordagem, de ontem à noite em exclusivo, é um documento imperdível, são 11 minutos de incredulidade e constatação. De salientar o cuidado posto na sua transmissão, salvaguardando reiteradamente que se trata de um relatório de um ex-agente do MI6, conhecido e creditado pelos serviços secretos americanos e cujo conteúdo, não comprovado, se encontra sob investigação.


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CNN - 10 Jan.17
Intel chiefs presented Trump 

with claims of Russian efforts to compromise him



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BBC News - 11 Jan.17

Trump 'compromising' claims: How and why did we get here?


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OBSERVADOR11 Jan.17

GEORGE MICHAEL, PARA LÁ DA MÚSICA

Ontem ao fim da tarde a BBC foi a primeira estação a notíciar a morte de George Michael. No final da notícia publicou um pedido:

What are your memories of George Michael? Did you meet him? You can share your experience by emailing haveyoursay@bbc.co.uk. 
Please include a contact number if you are willing to speak to a BBC journalist. You can also contact us in the following ways:
  • WhatsApp: +44 7525 900971
  • Text an SMS or MMS to 61124 (UK) or +44 7624 800 100 (international)
Tanto quanto sei os resultados ainda não se encontram publicados mas outros meios de comunicação social seguiram o exemplo.
Muitos testemunhos ligados ao mundo do espetáculo referiram a generosidade e solidarierade como características marcantes de George Michael.
Abaixo deixo alguns poucos exemplos que vieram a público.

No programa 'Deal or no deal' uma mulher desabafou dizendo que precisava de £15.000 para um tratamento de fertilização in vitro, valor que considerava absurdo e que nunca conseguiria pagar. George Michael  fez essa doação no dia seguinte e pediu que se mantivesse anónima. 
Certa vez encontrava-se num café onde uma senhora conversava com a empregada de balcão; a senhora chorava por se encontrar numa situação desesperada com uma dívida de £25 000.   George Michael passou um cheque que entregou à empregada e pediu-lhe que esperasse que ele saísse para dar o cheque à senhora. 
Uma colaboradora voluntária num centro de ajuda a pessoas sem abrigo contou que George Michael trabalhava com voluntário nesse centro anonimamente e pediu que não revelassem a sua identidade. 
Esther Rantzen, fundadora do ChildLine, organização de beneficência para as crianças mais vulneráveis do Reino Unido, disse à "Associated Press" que Michael doou milhões de dólares para a fundação durante anos.
E as histórias sucedem-se, não só revelando doações mas muitas delas expondo actos de grandeza de coração, de ternura, de empatia.
Que encontre Paz.



L'ARMENIEN

Ontem à noite Monsieur Charles Aznavour encheu a MeoArena.
De muito alto dos seus 92 anos (pode lá ser, parece que são a fingir) cativou as várias gerações de público durante quase duas horas, sem intervalo nem cansaço. Cantou, conversou, gracejou e fez promessas para a próxima...

Quem pensa que esteve em palco um idoso romântico que se desengane, ontem à noite não foi o Aznavour dos amores perdidos e achados que se fez ouvir.
Ontem estivemos face ao francês mais arménio que existe; nascido em Paris, filho de refugiados arménios que se fixaram em França após terem passado pela Grécia; a mãe, licenciada em literatura, e o pai, músico, abriram um restaurante, "Le Caucase", que pouco durou de tantas serem as refeições que ofereciam àqueles que não as podiam pagar, A paixão deles, segundo as palavras de Aznavour, eram os espectáculos que montavam, juntamente com outros emigrantes, a favor da diáspora arménia.

Com o charme de sempre mas bem menos nostálgico do que testemunha da dor que presenciamos diariamente a açoitar os mais desafortunados do nosso injusto mundo, abriu o espectáculo com "Les émigrants": «Comment crois-tu qu'ils sont venus? Ils sont venus, les poches vides et les mains nues...», o mote estáva dado. Mais adiante, em jeito de conversa, fechou as suas palavras, sem revolta nem declamação dizendo "Je suis un homme libre, de libre pensée", e seguiu-se "Comme Ils Disent".

Mesmo canções como "La Bohème" ou "Il faut savoir" ganharam uma outra dimensão neste contexto, de um homem de 93 anos, presente e consciente, que sempre se recusou a ignorar o sofrimento alheio, que se embrenhou na vida com profundidade e dignidade.

E que continua a cantar maravilhosamente.


Embaixador geral de França para a Arménia
Embaixador da Arménia na Suíça,
Delegado permanente da Arménia nas Nações Unidas/UNESCO
Presidente da ONG "Aznavour For Arménia"
A Arménia concedeu-lhe, em 2008, a nacionalidade arménia. Anteriormente tinha recebido a Ordem da Pátria, a mais alta condecoração arménia e foi dado o seu nome a uma das praças da capital.


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NO SURPRISE THERE


Vá lá, agora uma pergunta fácil:
O que acontece quando o Dônálde diz ser um gentleman?

PIOR A EMENDA QUE O SONETO

Quanto eu julgava que esta história já não seria passível de "valor acrescentado", vem a mulher dar explicações porque se sente injustiçada, incompreendida.
Agora sim, após um "tweet" compreendemos todos:


As taxas sobre os rendimentos já existe (e de que maneira)
Se o número de milionários aumentasse seria um excelente sinal
Mariana, filha, não existe classe média com boas condições económicas num país sem riqueza. 
Vê se percebes uma evidência: é o sector privado que dinamiza a economia, o Estado é uma lontra gulosa. Se não quiseres ver, não vejas, chama-se a isso obtusidade de esquerda, mas pára de te enterrar em disparates