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Deutschland über alles? Os índios dizem que sim


Actualmente está "in" dizer mal dos alemães... Não comento, a caravana passa.

A selecção alemã ganhou o campeonato do mundo. Não é de estranhar, creio que, goste-se ou não deles,  será indiscutível a superioridade física e táctica daquela rapaziada em campo.

E fora do campo, como foi?
Eu não sabia desta, soube hoje e fiquei pasmada, desta vez pela positiva.

Há 6 meses os alemães chegaram a  Santa Cruz Cabrália, no sul da Bahia, onde vivem os índios da tribo Pataxó e...

- Compraram o terreno.
- Construíram um hotel.
- Construíram um centro de saúde.
Construíram um campo de futebol.
Construíram uma estrada para interligar as várias construções ao centro de treino.

- Não levaram funcionários alemães, contrataram pessoas da cidade.

- Doaram recursos financeiros destinados à aquisição de ambulâncias para a comunidade indígena Tapaxó 
- Durante os próximos 3 anos promoverão doações para a Escola da Vila de Santo André

- A equipa doou 100 mil euros para a aquisição de um meio de transporte das crianças para a futura escola
Doaram 10 mil euros para a aquisição de um carro que transporte pessoas que necessitem deslocar-se à cidade por razões de saúde

A selecção alemã chegou e:
- Quando não estavam a treinar, estavam socializando com as pessoas na cidade e na praia.
- Participaram nas festas com a população.
- Interagiram com os índios, ouviram-nos falar dos seus problemas
- Vestiram a camisa do clube de futebol local (Bahia).


Clicar p/ aumentar
Quanto à vitória sobre a selecção brasileira:
- Durante o intervalo do jogo combinaram diminuir o ritmo para não humilhar a selecção anfitriã.
- Disseram que seus ídolos são os jogadores brasileiros do passado.
- Pediram desculpa após a goleada.
- Colocaram nas redes sociais mensagens de incentivo ao povo brasileiro e agradecem a hospitalidade.

Vão deixar tudo o que construíram à população da cidade.












Pronto, vamos lá dizer mal dos alemães.


URUBUS? NÃO OBRIGADA

Há uma raça de gente que tem vindo a ter um papel crescentemente activo no mundo e aqui, pelo nosso belíssimo rectângulo. A sua influência faz-se notar de forma incontornável; a única fuga possível seria fecharmo-nos em casa sem jornais, televisão, rádio, vizinhos, e mesmo assim...
Refiro-me aos profetas da desgraça, aos arautos da tragédia, aos velhos do Restelo e todos os arredores, aos péssimistas, aos urubus, aos militantes do quanto pior melhor, aos revanchistas, aos que consideram que "se não é como eu quero não há-de ser para ninguém".

É a má notícia que vende, dizem. Talvez... São os desastres que abrandam o tráfego nas estradas, é um facto. Há nos humanos uma necessidade de dramatismo que os leva a querer experimentar o medo, o beco sem saída, o futuro negro. Gostam de contar histórias de desgraça, há mesmo os que se deliciam com filmes de terror. Será um vício em adrenalina? Será a necessidade de sentirem, e mostrarem, que «eles são maus e eu não sou assim»? A questão ultrapassa-me.

2013 foi um ano complicado, é inegável, mas foi um ano mau? Duvido. Duvido pela mesmíssima razão que assiste a uma ida ao dentista: retira-se o dente, limpa-se o abcesso... Dói? Dói, às vezes dói que se farta, assusta, põe-nos tensos dos pés à cabeça mas a manutenção de um dente infectado adoece todo o nosso organismo podendo mesmo matar-nos.

Os profetas da desgraça estiveram muito activos durante 2013, os arautos da tragédia não tiveram mãos a medir. Agora, há que continuar o tão produtivo trabalho e capar a esperança desde os primeiros dias do novo ano.

... Felizmente, no meio desse incansável exército, de vez em quando levantam-se vozes com a capacidade de se fazerem ouvir; ainda que por poucos, ainda que por horas. Renegam essas visões tenebrosas com a força de um fósforo num quarto escuro. É pouco, eu sei, mas por momentos podemos confirmar que não estamos fechados à chave com um monstro, podemos vislumbrar que há uma saída, podemos perceber que os profetas da desgraça, os difusores da tragédia, que ouvimos, que nos prendem a atenção, nos detêm, nos angustiam, nos vão vencendo sopro a sopro, frase a frase.

Pessoalmente, preciso de ir ouvindo essas poucas vozes que nos falam do lado positivo da vida, das coisas, da sociedade - são como lufadas de ar fresco no meio de difusores de podridão - confirmam-me que não sou a única que vê um horizonte para lá do nevoeiro. Não espero por D. Sebastião mas sei que quando o Sol se põe não desaparece da Terra.

A este propósito deixo uma crónica que vale o trabalho e o tempo da ler. Não se trata de uma visão optimista pintada com cores agradáveis, é antes um reflexo que os espelhos embaciados e borolentos se recusam a reflectir.

BOM ANO, cheio de Luz e Esperança viva.
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«O mundo não está assim tão mal, 

e Portugal também não»

JOSÉ MANUEL FERNANDES  - 03/01/2014


«O mundo vai mal. Eis uma frase de que poucos discordarão. E a maioria até acrescentará que Portugal ainda vai pior. A evidência parece tão evidência, que foi assim mesmo que Mário Soares, um incorrigível optimista, titulou o artigo que publicou no último dia de 2013. Mas… e se não for verdade? E se, ao contrário do que é percepção comum, o mundo estiver melhor à entrada de 2014 do que estava à entrada de 2013?

 Eu, que tendo mais depressa a ser um incorrigível pessimista, vou agora ser fiel a um dos meus outros instintos, o de contrariar a percepção comum. Para concluir que esta pode ser profundamente enganadora. A começar por essa ideia de que tudo vai de mal a pior. Irá mesmo? Será que no final de 2013 a humanidade está mais pobre, mais doente, menos culta, menos pacífica? 

 A resposta a estas dúvidas é simples: não, não está. Em 2013 a riqueza média por habitante deste planeta atingiu o seu valor mais elevado de sempre, 12,7 mil dólares. Essa riqueza ficou menos mal repartida do que estava antes, pois o crescimento foi maior nos países mais pobres, o que lhes permitiu aproximarem-se dos países mais ricos. A esperança de vida está a aumentar em praticamente todos os países do mundo, fruto dos avanços da medicina mas também de uma melhor alimentação e de melhores condições de vida. Há mais crianças nas escolas, sobretudo em África e na Ásia, e, imaginem, até há mais jornais a serem lidos. 

 Extraordinários avanços científicos continuaram a fazer recuar as fronteiras do desconhecido e a tornar possível o tratamento de doenças tidas por incuráveis. Tal como produtos inovadores continuaram a tornar acessíveis muitos bens e serviços que antes só estavam ao alcance de alguns. Hoje já há mais indianos do que americanos a usarem telemóvel e em 2013 o total de passageiros a fazer voos de avião chegou aos 3,1 mil milhões, o que corresponde a mais de 40% da população mundial.

 O mundo não é local perfeito, o bem que se deseja para a Humanidade estará sempre um passo além do possível, continua a haver demasiadas guerras, demasiada pobreza, demasiada opressão para que possamos distrair-nos um segundo que seja do esforço por melhorar a vida de todos e de cada um, mas tudo isso não nos deve levar a olhar para o mundo apenas com as lentes da nossa depressão e da nossa ansiedade. 2013 não foi um mau ano e 2014 será melhor para a grande maioria dos seres humanos, e isso é que importa.

 Se algo tem caracterizado a forma como olhamos para a nossa crise é a tendência para carregarmos nos tons sombrios e para procurarmos encontrar sempre o lado mais negativo de qualquer evolução dos nossos assuntos públicos. Lendo o que por aí se escreve e ouvindo o que se diz nas televisões, já ocorreram inúmeras “rupturas sociais”, o país “recuou 50 anos”, a pobreza “está por todo o lado”, a fome tornou-se uma realidade omnipresente e “a desigualdade aumentou” porque, ao lado da “miséria crescente”, “há cada vez mais milionários”. É certo que tem faltado, para tornar este quadro lógico, a explosão social violenta que tantos prognosticaram, mas isso vai ficando por conta dos nossos brandos costumes.

Com maior ou menor compreensão, ou revolta, com as políticas de austeridade, este foi o retrato que todos mais ou menos interiorizaram. E que muito poucos tentaram verificar olhando para as estatísticas. Até que surgiu, esta semana, a perplexidade com alguns indicadores.

O tema apareceu no blogue de Pedro Magalhães, Margens de Erro, num post intitulado “As consequências sociais da austeridade – algumas dúvidas”. Não posso aqui resumir todo o conteúdo desse texto, que é muito interessante e deve ser lido na íntegra, com todos os seus gráficos (http://www.pedro-magalhaes.org/duvidas/), pelo que fico pelo essencial. E o essencial é que Pedro Magalhães, quando começou a recolher dados para comparar as condições de vida nos países mais afectados pela crise com as atitudes dos seus cidadãos face à democracia, deparou-se com números surpreendentes. Números que, como reconhece, “não reflectem bem o que esperava encontrar”.

 Em causa estiveram várias análises comparadas envolvendo seis países (Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Chipre): a evolução do risco de pobreza e de exclusão social, a evolução do número de pessoas a viverem em condições de grave privação material e a evolução da desigualdade social. Todos os gráficos apontaram para uma mesma conclusão: enquanto na generalidade dos outros países todos os indicadores sociais se degradaram muito depressa e de forma muito acentuada, isso não estava a acontecer em Portugal pelo menos até 2012, o último ano com dados estatísticos publicados. Daí a perplexidade de Pedro Magalhães: “O que explica que Portugal tenha, pelo menos à luz destes indicadores, escapado ao mesmo grau de aumento da pobreza e da privação material que se verificou nos restantes países, ou que as consequências em termos de desigualdade de rendimentos tenham sido mais graves em Espanha, Grécia ou até Itália?” Será que “as nossas políticas de austeridade foram mais ‘targeted’ de forma não afectar tanto os segmentos mais desfavorecidos, em comparação com os outros países da ‘austeridade’?”

Este texto suscitou um interessante debate na blogosfera, com outros autores a sugerirem deficiências nos indicadores utilizados – deficiências que de facto existem, mas não explicam tudo – ou a adiantarem algumas explicações possíveis. Infelizmente não dei por o debate ter chegado à comunicação social tradicional, o que é pena, pois estou certo que muitos ficariam tão surpreendidos com aqueles dados como ficou Pedro Magalhães.

 Julgo que uma parte da surpresa tem origem na forma enviesada e pouco objectiva, mas muito melodramática, como temos noticiado e comentado a nossa crise e a nossa austeridade. Na verdade o que aqueles dados parecem indicar – e sublinho o parecem por uma questão de rigor e honestidade intelectual, pois faltam elementos para 2013, o nosso ano mais difícil – é que os “cortes” afectaram em Portugal sobretudo as classes de rendimentos médios ou mais elevados, o que fez diminuir o rendimento disponível mas não afectou de forma dramática os rendimentos mais baixos. De resto basta lembrarmo-nos que os cortes salariais e os cortes nas pensões foram progressivos e que, no caso dos reformados, mais de quatro em cada cinco, os mais pobres, não viram sequer o seu rendimento afectado, para suspeitarmos que esses dados reflectem afinal escolhas de políticas públicas.

 Mesmo assim, como há outros factores que influenciam, e muito, a evolução de indicadores sociais como os referidos por Pedro Magalhães, o principal dos quais será o desemprego, é cedo para podermos responder às questões que coloca, em especial a de saber se a nossa austeridade foi ou não melhor calibrada do que a de outros países da Europa do Sul. Mesmo assim fica a evidência contra-intuitiva de que as coisas não terão corrido tão mal como se tem proclamado. Ou como esperaria quem apenas ouvisse as queixas de quem sofreu os cortes e nos quis fazer crer, porventura até com a melhor das intenções, de que a sua razão de queixa não era em causa própria mas em nome de quem está no fundo da escala social. 

 Nada disto transforma num mar de rosas a situação que vivemos, apenas ajuda a ser-se mais objectivo e rigoroso. Nada disto nos salvou do difícil ano de 2013, ou salvará de um 2014 que continuará a ser difícil. Mas tudo isto ajuda-nos a perceber melhor essa outra realidade que também começou a surpreender-nos na segunda metade do ano passado, a viragem na evolução do desemprego e nos principais indicadores económicos. Ou seja, há um retrato que se compõe e que nos permite ser um pouco menos pessimistas. Aproveitemo-lo. »

 Jornalista, jmf1957@gmail.com

UM PEDIDO PESSOAL EM DEFESA DE QUEM NÃO SE PODE DEFENDER

Quem por aqui me segue com regularidade sabe que não sou muito de "ir em grupos", de publicitar e abraçar petições públicas, algumas das quais defendendo justas e nobres causas. Posso fazê-lo pessoalmente, por aqui nem tanto.
À excepção da(s) petição(ões) que repudiam esse monstro mal parido e vergonhoso intitulado "Acordo Ortográfico" não abracei mais nenhuma; posso ter aqui publicado uma ou outra, oferecendo uma informação ou um link, é provável, considerando que este blog  já vai tendo uns anitos, mas de momento não me lembro;  a única de que fiz «Causa Própria» foi de facto a que se recusa a aceitar o inaceitável "A.O.".

Hoje trago aqui uma outra causa, uma causa que também faço muito minha porque me revolta até às entranhas constatar a impunibilidade em que permanecem aqueles que maltratam, torturam e matam animais se encontram totalmente desprotegidos perante a lei.

Os animais estão desprotegidos e quem os quer proteger encontra-se impotente para o fazer. 
Esses crimes são inconsequêntes para os criminosos, têm consequências inenarráveis para as suas indefesas vítimas.


A União Zoofila publicou o texto que abaixo transcrevo, apoiando a Associação Animal
É um pedido justo e simples, toma o tempo de um "copiar/colar" para um e-mail dirigido aos endereços listados

A vós, que passam a visitar-me de quando em vez, e a todos os que, tendo animais ou não, amando os animais ou não, têm uma conceito de JUSTIÇA, peço, pessoalmente, que percam gastem 5 minutos do vosso tempo enviando esta mensagem.

Pode não ter efeito algum? Pode, mas não cruzamos os braços.
Obrigada.
______________________

O próximo dia 25 de Outubro pode ser efectivamente o Dia do Animal em Portugal.Os deputados eleitos por nós, cidadãos portugueses, vão apreciar um projecto-Lei de Protecção dos Animais.

Nós, que acolhemos as vítimas, queremos que os agressores parem e acreditamos que será apenas possível travá-los se os maus tratos a animais forem, à semelhança do que já acontece em outros países europeus, considerados crime em Portugal e quem os pratica julgado. 
Por isso, subscrevemos o pedido da associação ANIMAL . Escrevam aos deputados "e peçam-lhes para que no próximo dia 25 de Outubro defendam o máximo número possível de medidas sugeridas pelo Projecto-Lei “Lei de Protecção dos Animais”, ao qual tiveram acesso durante o decorrer da Campanha “Um Passo em Frente - Por uma Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal”. Com a aprovação das medidas que sugeriu, o objectivo da ANIMAL é que, finalmente, se estabeleça um grau elevado e abrangente de protecção legislativa para os animais de Portugal. 

Ao enviar estas mensagens, estará a oferecer uma determinante ajuda para que os esforços de campanha e contacto com os grupos parlamentares que a ANIMAL está a desenvolver sejam bem sucedidos, a bem dos animais que nascem, vivem e morrem neste país.



A MENSAGEM:

Exmas. Senhoras,
Exmos. Senhores,

1) Considerando que é dever dos humanos respeitar os animais e assegurar que estes beneficiem de legislação que os proteja de forma adequada e eficaz;

2) considerando que esse dever é cada vez mais reconhecido e prezado, não só na sociedade portuguesa como em todo o mundo, e que tem levado governos, parlamentos e municípios de várias regiões do mundo a tomarem avançadas medidas legislativas e práticas de protecção dos animais; 

3) considerando que, embora este seja um dever do Estado Português, este não tem cumprido nem materializado este dever de modo minimamente satisfatório, tendo, até aqui, votado os animais a um abandono e a uma indiferença cruéis, permitindo, por acções e omissões, que muitos e graves males contra estes sejam cometidos num ambiente de quase total impunidade; 

4)considerando que o Estado Português, quer por não ter tomado medidas legislativas adequadas, eficazes, modernas e pró-activas, quer por não ter sequer conduzido uma acção satisfatória de fiscalização, prevenção e punição relativamente a infracções às leis vigentes de protecção dos animais, quer por não ter ainda proibido práticas cruéis, inaceitáveis e absolutamente desnecessárias, quer ainda por ter envolvido alguns dos seus organismos, entre os quais os municípios, em práticas cruéis contra animais, tem originado graves problemas que afectam os animais em Portugal; 

5) considerando que o estudo de opinião “Valores e Atitudes face à Protecção dos Animais em Portugal”,realizado em Maio de 2007 pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), com base num questionário efectuado entre Fevereiro e Março de 2007 pela Metris GfK, deixou claro o modo como a maioria dos portugueses – muito significativa, em muitos aspectos, e esmagadora, em tantos outros – entende que os animais em Portugal estão, em termos reais, muito desprotegidos e devem, em diversas áreas, ser urgente e fortemente protegidos pelo Estado Português, 

Venho pedir a V. Exas. que defendam a implementação de uma Nova Lei de Protecção dos Animais, que considere todos os pontos, ou o maior número de pontos possível, do Projecto-Lei apresentado pela Associação ANIMAL.

Acreditando que V. Exas. terão, no próximo dia 25 – aquando da discussão em Sessão Plenária da petição de apoio ao Projecto-Lei acima referido –, uma atitude que reflectirá o meu pedido, despeço-me,

Com os melhores cumprimentos,
De V. Exas,

Nome:
Cidade/País:
E-mail:

 ENDEREÇOS: 

bloco.esquerda@be.parlamento.pt,
gp_pcp@pcp.parlamento.pt, 
gp_pp@pp.parlamento.pt, 
gp_ps@ps.parlamento.pt, 
gp_psd@psd.parlamento.pt, 
pev.correio@pev.parlamento.pt

conhecimento (Cc) a   «campanhas@animal.org.pt », 
de modo a que a ANIMAL possa saber o número de mensagens enviadas:

Por favor, envie sempre todas as mensagens - usando os contactos acima - para os Grupos Parlamentares 




ANO DE AUTÁRQUICAS, POIS.



Não tem importância, é só a demissão da provedora responsável pelo canil e gatil da CML
Que inconveniência... pôs a "boca no trombone"!
  ______________________
«HOJE TORNO PÚBLICA A MINHA JÁ APRESENTADA DEMISSÃO»
Provedora Municipal dos Animais de Lisboa

Hoje, dia 13 de Agosto de 2013, passam apenas 57 dias da minha tomada de posse enquanto Provedora Municipal dos Animais de Lisboa, nomeada pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa.

Nestes 57 dias, o sucesso que consegui obter no âmbito da missão que tomei em mãos é incomparavelmente inferior às dificuldades, às inverdades, a ausência de emergência, à inexistência de urgência que circunda a Casa dos Animais de Lisboa, as suas paredes actuais e aquelas que já há muito deviam estar erguidas. Os seus dirigentes e outra gente. As salas de quarentena que persistem em ser feitas de fumos de palco, as bactérias e vírus que se espalham gatil afora, e outras canil adentro.

 O que consegui foi um pouco para além do óbvio, e que tão pouco caberia a um “tradicionalíssimo provedor”: tirar algumas fotos e divulga-las pelo mais céleres dos meios actuais – o facebook -, dar informações legais a quem me as solicitou, procurar dar abrigo para animais abandonados, e pressionar muito, muitíssimo – trabalho que não se vê e, consequentemente, não existe para quem procura muito a cegueira. Conseguimos, num dia épico de 40º à sombra, fazer prevalecer a vida de um animal sobre a propriedade privada. Uso o plural porque sem um grupo de elementos da Polícia Municipal, seu Chefe e seu Comandante, dotados dos aparelhos de sensibilidade que deviam ser funcionais em todos os humanos e não são, e da coragem dos destemidos, sem eles, o Corujinha jazeria provavelmente morto há mais de um mês. Sem um dado Encarregado da Casa dos Animais de Lisboa o Corujinha jazeria morto, depois de uma doença contraída na Casa dos Animais de Lisboa que apenas podemos saber ser “provavelmente” uma parvovirose. Porque análises de sangue é coisa que não vi ali sucederem. Nunca. Nem quando nove gatos recolhidos da mesma casa, com o delicioso ar felino de pequenos bebés e aparência saudável, começaram a morrer fulminantemente em casa dos adotantes, a contagiar dramaticamente os gatos próximos, com diagnósticos concretos de calicivírus por médicos veterinários analistas da exames de sangue. A resposta, quando questionada, da equipa veterinária da CAL, foi “panleucopenia”, embora sem certezas porque, para não ser diferente, não se analisou sangue ou animais. Para quê? Afinal, estamos apenas a falar do canil e do gatil que alberga os animais da capital do país.

Desde o início afirmei e julguei existente, manifesto e intenso o respaldo do Presidente da CML, promotor das mudanças traduzidas no afastamento da anterior Directora do Canil/Gatil Municipal, Dra. Luísa Costa Gomes e nomeação do actual Director da Casa dos Animais de Lisboa, Dr. Veríssimo Pires; na criação da figura do Provedor Municipal dos Animais de Lisboa e consequente nomeação da minha pessoa para essa missão e; na criação de um Grupo de Trabalho presidido pela Sra. Bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários, por elemento, veterinário naturalmente, indicado pela dita Ordem, pelo responsável pelo Departamento Municipal que tutela a Divisão responsável pela Casa dos Animais de Lisboa, pelo Director da mesma e por mim, na condição óbvia de Provedora. Esse respaldo não apenas não foi manifesto ou intenso, como foi totalmente anulado pelo afastamento do Senhor Presidente do assunto. Esse respaldo tornou-se para mim patentemente fugaz face ao paternalismo demonstrado pela Direção da CAL. Finalmente, tornou-se para mim claro que o meu sítio não é ou será alguma vez aquele em que se constitui um Grupo de Trabalho que alia peritos e os serviços municipais, sob o crédito e a batuta institucional da pessoa que ocupa a louvável posição de Bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários, para um mês e meio depois ver essa figura institucional numa lista partidária candidata à vereação da Câmara Municipal de Lisboa. A promiscuidade que este acto indicia, noutras circunstâncias inocente, destrói completamente a credibilidade de um Grupo de Trabalho que se queria independente, analista ao ínfimo das práticas actuais da Casa dos Animais e recomendador rigoroso das boas práticas que devem marcar o futuro. “À mulher de César não basta ser, há que parecer”, já se diz há séculos. No dia em que soube deste encaixe de lista, a minha decisão entretanto já tomada tornou-se sólida como a pedra mais dura.
Eu acumulei o odioso de ser a cara dada pela Casa dos Animais de Lisboa, quando esta tem Direcção serena; o odioso dos anos em que nada se fez pelo canil/gatil municipal e ali se fizeram coisas impróprias de designação civilizada; o odioso de encarnar um demónio eleitoralista, porque há eleições autárquicas a 29 de Setembro. Tenho costas largas e pelos animais abrigados na CAL acumularia três vezes o odioso que me ofereceram. Se alguma coisa mudasse com urgência. Se eu visse mudança, cheirasse confiança, ouvisse certezas dignas, tateasse cães e gatos saudáveis. Jarra eleitoral não sou. E pouco me interessam os actos eleitorais, se o candidato é pessoa que aprecio ou não. Sempre disse a quem me nomeou que gostando pessoalmente de quem gostasse, gosto muitíssimo mais dos animais. Cada vez mais, friso.
Quando pessoas próximas souberam de antemão que tinha aceite esta missão, rapidamente me alertaram com preocupação para a areia na engrenagem do interior da organização camarária – que considero insustentável, disfuncional e auto proclamatória de nadas –, mas também para os ódios, mesquinhez, inveja e outros tantos adjectivos que pairam sobre a dita “causa animal”. Não estavam errados, até porque essas pessoas conhecem bem o dito universo. Povoado por grandes pessoas, de amplo coração, mas infelizmente ultrapassados em número por pessoas lamentavelmente pequenas, tacanhas e seriamente empenhadas em promover o insucesso alheio.
A quantidade de deseducados e candidatos a donos absolutos da verdade é tão grande que por vezes temo pelos animais que dizem amar e proteger, e que são tantas vezes repositórios de candidaturas à santidade e de desequilíbrios emocionais humanos graves. Lá está, o verdadeiro animal predador, aqui, é o ser humano. E o verdadeiro sabotador dos direitos e protecção dos animais são aqueles que mais batem com a mão no peito clamando conhecimento de causa, ao interessarem-se senão pela sua verdade, pelo seu quintal, pelo português hábito de dizer mal desinformada e gratuitamente. Tive o enorme desprazer de conhecer ou saber da existência de tal gente. Que provavelmente encomendam em correria foguetes para celebrar a minha demissão. Desproporcionados face ao fogo-de-artifício gigantesco que descreve o bem-estar de nunca mais ter de saber da sua existência e não ter qualquer dever de as ter por perto. O feminino não é género alheio à descrição.
Conheci também das melhores pessoas do mundo, e essas levo-as comigo, para a minha vida pessoal. Críticas, sugestivas, que sabem bem mais que eu mas não apregoam o seu generoso conhecimento, e que realmente ignoram o humano do lado para se focarem em quem interessa: os animais. Encontrei, também, nos funcionários da Casa dos Animais de Lisboa pessoas dedicadas, amantes dos animais que ali se encontram, desamparadas na fama formada sem proveito de serem reais bestas. Foram meus colegas, trabalhei com eles de igual para igual – coisa que efectivamente somos. Mudaram de atitude? Sentiram também que alguém mudou de atitude para com eles. E isso faz muita diferença.
Enquanto escrevo esta mensagem pública, estou em contacto com uma rapariga aflita com dois gatinhos recém-nascidos, que associação nenhuma consegue ajudar a acolher e tratar; com uma senhora que se torna minha comadre, pois juntas acolhemos a partir de hoje uma ninhada de uma mamã gata ferida por um cão, que findo o aleitamento terá de ser amputada pelo veterinário que cuida dos meus “miúdos”, que são a minha família; com um senhor que quer ir de férias e para isso “dá” a uma desconhecida após contacto telefónico, os gatos que tem desde 2009. Em nenhum destes casos me valho senão das minhas possibilidades. Não confio nas condições da ala do gatil da CAL para acolher estes gatinhos. De há duas semanas a esta parte, sou incapaz de promover ou sugerir tal coisa seja a quem for.
Custa-me sair, na medida em que uma batalha enorme aparentemente ganha era apenas uma patranha. Nem toda a boa vontade do mundo chega. Nem todo o querer do universo chega. Nem as mudanças lentas chegam. Quando tudo jaz, afinal, na ponta da caneta de um homem só.
As únicas vidas que me interessam, neste processo de agonia lenta e enorme frustração, são as dos animais. Graças a uma mudança efectiva, posso visitá-los, fotografá-los, mimá-los dentro do horário em que a Casa dos Animais tem portas abertas a visitantes. Levarei uma muda de roupa, que largarei em seguida, para não repetir o risco de transportar vírus para a minha família. Também eu senti na pele o que é ter uma bebé que amo em risco de vida, porque eu transportei comigo a doença que quase a levou. É um número, para além da impotência a que me reconheci remetida afinal desde sempre, que torna “irrevogável”, como é moda dizer-se, a minha demissão: 17. Dezassete gatos falecidos na sequência de doença e contágio, sequência fatal tremenda que começou numa sala da CAL e terminou em cadáveres de gatos que nunca tiveram senão a fortuna de serem amados pelos seus donos. Dezassete cadáveres. Com nome, família, casa e as muitas saudades que deixam. Mas afinal, terá sido só panleucopenia, diz-se lá do Monsanto.
Em geral, as pessoas esperam de uma pessoa que exerça uma tarefa pública, um distanciamento gélido a que se convencionou chamar “cunho institucional”. Se tal pessoa não agir de acordo com o protocolo institucionalizado, não passará de um “baldas” sem decoro. Impróprio. Desadequado. Que não leva a sério o que tem em mãos. Eu sou informal. Sou disponível para as pessoas. Sou aguerrida. Características, aliás, subjacentes ao convite para Prover pelos animais de Lisboa.
Os juízos ficam para quem pratica o desporto de julgar no tribunal doméstico. Para os obcecados, que os há. E para as candidaturas da verdade absoluta. Não sei, com franqueza, se haverá Provedor seguinte. É sorte que não posso desejar a alguém. Mas receber queixas e reencaminhá-las é o expectável de quem se siga. Para incomodar sonoramente, para mais em tempo eleitoral, já houve esta. Que não se repita o erro de não dominar a voz de quem sirva de “Ouvidor”!
Não abandono animais. Mas abandono pessoas e projectos que não são genuínos. Espero que haja grande esforço em provar que eu estava errada. Que tudo o que aqui aponto mude no próximo mês, e que eu engula as palavras escritas. Não as engolirei, porque sei-as tremendamente verdadeiras. Mas nada me importo desse esforço pelo meu descrédito, se tal servir os interesses dos animais que vivem na CAL e cá fora. Porque na verdade, tudo jaz, afinal, na ponta da caneta de um homem só.

VIVÁ GREVE!

Não tinha ainda passado por aqui para abordar a última greve geral, de há três dias, porque andei com a cabeça virada para coisas mais sérias e muitíssimo ocupada mas agora resolvi dedicar uns minutos à dita greve porque gostei.

É verdade, gostei mesmo, cada vez que há uma greve geral eu gosto mais. Só não escrevo uma carta para a Intersindical porque era tempo perdido, sei que não me ligariam nenhuma: o rancor que lhes corre nas veias é exponencialmente superior a qualquer incitação motivadora que lhes possa dirigir.

Reconheço que é um método que sai caro, muito caro, a este nosso sacrificado país mas parece-me que a colheita vale o esforço da sementeira.

Gostei de ver os piquetes de greve aos portões da Carris (quem controla os transportes dirige as idas para os locais de trabalho) não deixando trabalhadores entrar para fazerem o seu serviço, não deixando autocarros sair para transportarem as pessoas que os aguardavam às dezenas nas paragens.
Também gostei de ver a polícia transportando os arreigados "piqueteiros" - quatro polícias pegando em cada "piqueteiro" e resolve-se sem violência e sem a tão desejada vitimização.

Gostei imenso daquele grupelho de "democratas", com direitos mais importantes do que os direitos dos "outros", que se dedicaram a cortar uma das vias de acesso à ponte 25 de Abril. Isto sim, é respeito pelos direitos dos cidadãos e pela democracia!

E que agradável que foi ouvir as entrevistas ao pessoal que andava, ou se deitava, pelas lusas praias a dizer que estava em greve e aproveitava o dia de calor abrasador para um descanso  feito de Sol e mar como se manda nos canhanhos. Também havia a versão «Não pude ir trabalhar, não tinha transportes... Olhe vim para a praia». Ahh a greve é uma festa!
Assim sim, «o povo é sereno, é só fumassa», como dizia o Almirante Pinheiro de Azevedo... Que também disse, quando cercado na Assembleia: «Eu quero que os trabalhadores vão barda-merda»...

Já menos agradável, mas positivamente significativo para a sub-reptícia questão que aqui abordo, foi o que me disse um incansável funcionário das Finanças do bairro fiscal que me toca, que me respondeu assim na véspera da greve: «Não sei quando lhe posso resolver isso, experimente passar por cá na segunda-feira; Amanhã há greve, quer a gente queira, quer não queira, a última vez puseram-nos cá uma bomba que não feriu ninguém por milagre, estavam os funcionários a entrar para trabalhar... E na sexta-feira, já se sabe, é uma barafunda para já não falar dos que vão estar doentes...»

As pessoas estão com falta de dinheiro, cheias de preocupações, muitas delas por sentirem perigar os seus postos de trabalho; querem que as coisas corram bem nas suas empresas empregadoras porque, caso contrário, correrá mal para todos...
E depois vêm uns tipos que, para fazer vingar as suas politiquices de "bota-abaixo", dê por onde der, custe a quem custar, fazem greves exigindo o impossível, destabilizando, chateando, baseados em razões estafadas e sofismadas.
A bem de quê?

Venha mais uma, com muitos piquetes e cortes de estradas, ameaças e imposições. Talvez , mais depressa do que pensam provem do vosso xarope amargo e revoltado.


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ABENÇOADO!

Esta notícia teria pano para mangas, compridas e esvoassantes
Da lei, do código penal, da impunidade
Das cabras que andam por este mundo, e os bodes, e as pessoas que não se contentam em ficar a ver sem fazer nada

 Espero que esta gaja nunca engravide, se a criança chatear corre sérios riscos de acabar no contentor do lixo

Quanto ao heroi da história... Abençoado.
Por não ter deixado passar
Por ter assentado um valente par de estalos onde faziam falta
Por ter coração, consciência e coragem. ...

E ganhou uma amiga que a outra, a cabra, obviamente, não merecia.


«Quem não gosta de animais não pode gostar de pessoas»
In "Expresso", Pedro Amaral

«Um cachorro foi atirado pela janela de um automóvel. O condutor da viatura que seguia atrás encetou uma perseguição que acabou com duas violentas bofetadas na mulher que se havia desembaraçado do "embrulho". Hoje, a cadela que salvou vive consigo.»


 «É uma história real. Triste, reveladora de desumanidade e preocupante porque espelha o que de mais baixo pode haver no ser humano.

Numa estrada, algures em Portugal, um homem dirigia a sua viatura, conduzindo logo atrás de uma outra que subitamente abrandou a marcha de forma bem significativa, obrigando-o a uma travagem brusca.
É então que vê um pequeno " embrulho " ser atirado pela janela do "pendura" tendo caído a uns quatro metros da berma da estrada.
Intrigado o nosso homem resolve parar o automóvel e dirigir-se para o local a fim de constatar o que tinha sido atirado pela janela.
E foi com espanto que, ao desatar o nó do saco de plástico, deparou-se-lhe um cachorrinho, ainda bébé, que gania alto.

O homem em causa, de 1,87 m de altura e bem constituído, refeito do espanto e da surpresa, sentiu uma revolta surda que o dominou por completo. Entrou no carro de novo com o cão bébé e arrancou em alta velocidade pela estrada que seguia, tendo conseguido alcançar, ao fim de 15 minutos, a viatura de onde o cachorrinho houvera sido lançado para fora e, numa manobra abrupta mas rápida, fez a ultrapassagem necessária para logo de imediato proceder a uma travagem a fim de conseguir a imobilização da viatura em causa. O que sucedeu.»

Saindo do seu automóvel, o homem dirigiu-se para a porta do pendura com o cachorrinho bébé e, para seu espanto, viu que a pessoa em causa era uma mulher.

 - Este cachorrinho é seu, não é verdade? -, perguntou ele.
- Não. Deve estar enganado - , respondeu ela.
- Não estou enganado. Vi-a a atirá-lo pela janela fora quando seguia atrás de vós - , continuou ele.

A mulher nada disse, fechando-se num mutismo próprio de quem se sentira apanhada.  
Acto contínuo o homem abriu a porta do carro onde ela se encontrava sentada e desferiu duas sonoras e não menos violentas bofetadas no seu rosto. Um homem, que seria o marido da mesma, abre a porta da viatura a fim de tirar o desforço devido e só não fez mais nada porque ouviu a seguinte frase: " A tua mulher levou duas chapadas mas tu, se avanças, não ficas direito ". O marido da senhora resolveu prudentemente fechar a porta do carro e quedar-se no interior.

O homem que tinha o cachorrinho, com voz calma mas que revelava profunda emoção, olhando para a senhora rematou de forma pausada: "É bem verdade que quem não gosta de animais não pode gostar de pessoas".

O cachorrinho é hoje uma linda cadela de três anos de idade, bem tratada, querida e meiga. O dono dela é o nosso homem que se viu em grandes dificuldades para amamentá-la a biberão em intervalos de duas horas até às seis semanas de vida.

Direitos dos animais? Respeito pela vida? Reconhecimento que a vida é algo que não nos pertence? Tudo isso são conceitos estranhos para uma grande e significativa parte dos homens e mulheres deste mundo.
Não podemos, desta forma, admirar-nos do que os homens fazem aos seus semelhantes, porque, na verdade, quem não gosta de animais não pode gostar de pessoas.»


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1, 2, 3, VAI PARA CASA FILHO QUE SE FAZ TARDE

«O tribunal deu como provado que
"foi ateado fogo a cartão, papel, sacos, garrafas, erva e mato seco que se encontravam amontoados na fachada principal e na parte lateral" da casa que se situa junto a uma mancha florestal.»

«O tribunal, deu ainda como provados
os prejuízos, na ordem de um milhão de euros, a vários particulares, que "apenas" a intervenção de várias corporações de bombeiros da ilha da Madeira "impediu que o incêndio deflagrado assumisse outras dimensões".»

«As chamas propagaram-se através de combustíveis finos e mortos que existiam no local em abundância e em continuidade horizontal e vertical.»
«Para a sua rápida propagação, contribuiu

  • o declive acentuado do terreno, 
  • o tempo seco, 
  • as temperaturas elevadas,  
  • reduzidos níveis de humidade, 
  • o vento que se fazia sentir", 
........................................................referiu o juiz-presidente.»

«O fogo -- que cinco dias depois ainda não estava totalmente extinto - consumiu
  • "cerca de seis mil hectares de floresta laurissilva",  
  • propagou-se a terrenos agrícolas e habitações, 
  • obrigou à retirada de pessoas e ao corte de estradas, 

.........................................................acrescentou o magistrado judicial.»

«É apontado "queimas de lixos" como causa do incêndio "em dois locais distintos, que distam um do outro cerca de cinco metros". 
  • São "feitas críticas à actuação dos Bombeiros Municipais do Funchal".
  • Também o relatório elaborado pela Direcção Regional de Florestas aponta para
  •  "várias falhas dos Bombeiros Municipais do Funchal no seu combate".  »
«Refira-se, nesta sede, que
  • apesar de o arguido ter sido visto a passar em direcção ao local onde o incêndio se iniciou [...], 
  • a verdade  é que o percurso em causa e a visita ao local onde está edificada aquela casa constituem rotinas próprias da sua actividade profissional como levadeiro",
 ...................................................acrescentou o magistrado, defendendo que
  • "a prova da autoria dos factos carecia de uma prova suplementar", como uma reconstituição quando assumiu, em fase de inquérito, parte dos factos.   »
« Sem dúvidas de que o incêndio "foi provocado pela intervenção humana", o tribunal entende, contudo, não ter sido feita prova de que o arguido tivesse sido o autor da queimada que o originou.

Ainda que houvesse responsabilidade criminal do arguido,
o tribunal teria sempre de equacionar
  • "a relevância dos problemas verificados no combate ao incêndio" no seu resultado final, 
  • "no sentido de saber se este resultado foi consequência única e exclusiva da acção do arguido 
  • ou foi também consequência das opções feitas pelos bombeiros no início desse combate"»
MORAL DA HISTÓRIA:
  1. « "O senhor é absolvido, 
  2. pese embora em sede de inquérito ter assumido parcialmente os factos"; 
  3.  "o tribunal não pode valorar essa confissão" porque, "legitimamente, optou por ficar em silêncio" em tribunal»
 Publicado na RTP Notícias on line. O texto (com erros e "brasileirês") foi re-organizado por forma a tornar claro o que se passou em tribunal

A NOTÍCIA:
«O homem acusado de ter ateado o incêndio que em Agosto de 2010 começou no concelho do Funchal e alastrou-se a municípios vizinhos, provocando avultados prejuízos, foi hoje absolvido nas Varas de Competência Mista do Funchal.»



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Em x linhas:
O gajo confessou ter posto fogo no inquérito
No tribunal optou por se calar 
No dia do incêndio foi visto no local
O percurso e visita ao local constituem rotinas suas
O incêndio "foi provocado pela intervenção humana"
Provocou prejuízos, na ordem de um milhão de euros 
cerca de seis mil hectares de floresta, 
terrenos agrícolas e habitações, 
retirada de pessoas e corte de estradas, 

Só a intervenção de várias corporações de bombeiros  "impediu que o incêndio deflagrado assumisse outras dimensões".

Para a sua rápida propagação, contribuiu o terreno acidentado e as condições climatéricas
Foram "feitas críticas à actuação dos Bombeiros" e apontadas "várias falhas dos Bombeiros no seu combate".  

Faltou saber se este resultado foi consequência única e exclusiva da acção do arguido ou foi também consequência das opções feitas pelos bombeiros no início desse combate"
Faltou uma "prova suplementar" da autoria do crime como a reconstituição dos factos assumidos em inquêrito
Não comento


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CERTÍSSIMO.

Dentro de poucos dias, quando o governo anunciar as medidas concretas que irão substituir (outra vez) as que foram chumbadas pelo Tribunal Constitucional (outra vez), os oposicionistas  - aqueles que se opõem sistematicamente às medidas do governo, que não exactamente e apenas a "oposição" - deixarão o sorriso ao canto da boca e de assobiar a cantiguita de vitória.

Dentro de poucos dias, quando o governo anunciar os cortes na despesa e, muito, muito provavelmente o despedimento em massa na Função Pública, o termómetro de indignação irá ao rubro e a oposição explodirá desgarrando-se em críticas e acusações

Desde o chumbo da Taxa Social Única que esse pesadelo se vem configurando no horizonte  português como uma imensa bola de neve; desde então que o governo tudo tem feito para recusar essa realidade

O governo substituiu os cortes pela baixa da TSU como medida  para reduzir o défice de 2013, com o prejuízo de 3/4 da receita que conseguiria com os subsídios - uma diferença de 500 milhões de receita contra 2.000 milhões.
Convém lembrar que esta diferença acarreta uma maior austeridade para cumprir o défice de 2013.
Eu acho preferível não ter subsídio a encarar mais austeridade mas cada um sabe de si.

A famigerada alteração da TSU é essencial?
Não, não me parece, desde que uma alternativa seja encontrada e acordada.
E a alternativa existe?
Existe, claro. A palavra de ordem é REDUZIR A DESPESA, já sabemos. Pois.

Não tenhamos a ingenuidade de acreditar que a redução de Despesa se resolve com a redução dos salários dos ministros, dos deputados e outros bichos afins. Não vai lá com a substituição dos BMW's por Fiat's 600 nem mesmo por bilhetes do Metro.
A redução da Despesa significa a diminuição substancial do aparelho do Estado, ou seja, com a dispensa dos funcionários que o Estado tem a mais e a eliminação de instituições que custam milhões sem produção equivalente. Traduzido em português corrente, despedimentos em barda e aumento drástico do desemprego.
Convém lembrar que se o governo optar por esta medida (e, pessoalmente, não vejo como a poderá continuar a evitar) vai haver outra manif. contra a miséria e os despedimentos. A Intersindical já tem os estandartes prontos para sair à rua.
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Dentro de poucos dias cairá o céu sobre Portugal e ouvir-se-ão as trombetas da desgraça.
Parece-me óbvio, oxalá não seja, que a mexida no monstruoso aparelho estrutural do Estado não é mais adiável.
O T.C. e a oposição lavarão daí as suas mãos como se não tivessem, insistentemente, precipitado a situação; a indignação sairá à rua e as considerações éticas (éticas... pois) sobre as medidas do governo farão com que Madre Teresa se sinta uma pecadora.
Poderão lavar as mãos quantas vezes quiserem, lavarão até a culpa das suas consciências amnésicas e elásticas e, dentro de poucos dias, gritarão de novo o refrão esquecido de justiça e impregnado de raiva: 25 de Abril sempre.
Hipócritas! As politiquices  e as vitóriazinhas sectoriais valem-lhes tudo, o povo não vale nada.
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2013
@ 31 da Armada
 
«É impressionante (e deprimente) a quantidade de pessoas que têm comentado a decisão do TC (nas redes sociais e na comunicação social) sem terem lido o Acórdão.
Muitas dessas pessoas, se o tivessem lido, não andariam para aí a dizer, por exemplo, que o TC fez bem em não ter tido em conta a situação de excepção, contrariamente ao que o Governo defendia - Governo esse que, acusam, queria com isso a "suspensão" da Constituição. É que o Acórdão faz, de facto, a ponderação da situação de excepção financeira do país. Apesar de a meu ver o fazer de modo insuficiente e daí não retirar as consequências (jurídicas) correctas, a decisão tem essa situação como pano de fundo. Aliás, até defende que os portugueses, à luz das dificuldades presentes, têm de "relativizar as expectativas" quanto à segurança da sua remuneração. O que o TC decidiu, porém, é que as medidas julgadas inconstitucionais implicam uma desigualdade de tratamento dos trabalhadores do Estado e dos pensionistas que é excessiva (pelo menos nas questões que envolviam o princípio da igualdade). O que significa que, com outro catálogo de medidas (potencialmente de grau "austeritário" equivalente ou superior), a desigualdade da austeridade poderia ter sido julgada constitucional, precisamente (também) por causa da situação de urgência financeira do Estado.
Por outro lado, se muitos dos comentadores que não leram o Acórdão o tivessem feito, talvez não tratassem o direito constitucional como uma ciência exacta, a decisão como o fruto de divindades infalíveis e unânimes, e o Governo como um bando de criminosos. Basta ler as declarações de voto vencido para perceber que assim não é.
De resto, de algumas destas declarações retiro três conclusões que julgo bastante graves - e que fundamentam em bases institucionais (e não numa mera birra) o agastamento do Governo e da maioria que o suporta. É que os erros de julgamento que no Acórdão se identificam não são erros quaisquer. São erros que significam que o TC: 1) violou o princípio da separação de poderes, invadindo de forma inconstitucional a esfera do poder legislativo; 2) impede, na prática, qualquer ajustamento por via de diminuições relevantes da despesa do Estado (ou seja, impede qualquer ajustamento); 3) faz numa situação semelhante uma aplicação dos mesmos princípios em contradição com a que fez há bem pouco tempo, quando o governo era outro, o que fere a presunção de imparcialidade em que assenta a sua legitimidade.»
 Francisco Mendes da Silva

MASSACRE!

CANIL DE ÓBIDOS ENCERRA E ABATE TODOS OS ANIMAIS!!! 

Apelo a todos aqueles que gostam de animais que partilhem esta petição, por favor!
Por estes patudos nada mais se pode fazer, mas podemos  indignar-nos, revoltar-nos e tentar impedir que outros tenham o mesmo fim.
Os cães foram abatidos sem aparente razão válida, sem terem hipóteses de serem salvos já que as associações/particulares que iam ao canil cuidar destes animais e os divulgavam para FAT's ou adopções não foram avisados do eminente abate colectivo. Só souberam depois quando nada havia a fazer. 


 PETIÇÃO:
Exigimos a responsabilização e esclarecimento sobre o abate de todos os animais do canil municipal de Óbidos
 http://www.avaaz.org/po/petition


QUEM NÃO SE IMPORTA COM OS ANIMAIS DEIXA MUITO A DESEJAR COM SER HUMANO


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O TERREIRO DO PAÇO ENCOLHEU!

Quando eu era criança muitas vezes ouvia-se dizer assim:

«É verdade, até vem no jornal»
ou assim:
«É verdade, até passou na televisão»
Claro que já na altura nem sempre era Verdade mas agora já ninguém diz estas coisas a menos que queira conversa da treta ou seja completamente parvo.

Eu bem gostava de ter respeito pelos jornalistas mas acontece que, mesmo segundo diversas opiniões avalizadas, não sou completamente parva; sou um bocadinho, às vezes, e de um modo geral não me importo, de vez em quando até me dá jeito.
Sei que há "jornalistas" e Jornalistas mas a comunicação social usa e abusa do seu poder sem ética, sem respeito. Faz das pessoas parvas a seu bel prazer manipulando os factos como quem brinca com fantoches e, enquanto isso brinca consigo própria, com a sua liberdade e credibilidade.
No tempo da outra senhora a comunicação social era um fantoche do poder mas não lhe restavam grandes opções; por vezes contornava o lápis azul mas não era fácil, nem particularmente aconselhável.

Actualmente  a comunicação social é o fantoche mais querido dos contra-poderes e o mais grave é que o faz por amor à fantochada, não por falta de liberdade de imprensa. O que faz fá-lo por falta de brio profissional,  de consciência ética, por falta de dignidade de classe. Serve supostos ideais políticos e não o Direito à Informação
As palavras de ordem da comunicação social dos nossos dias não são Informar e Contextualizar, como me parece que seria desejável;
As palavras de ordem da comunicação social dos nossos dias são Vender, Manipular, Destabilizar, Veicular e Obstruir.
Ficamos a saber, mais ou menos, que o tio matou a sobrinha em Alguidares de Baixo e que dois rufias assaltaram a bomba de gasolina de Pézinhos de Cima, de resto...
Vá-se lá saber para que lado tocava o vento na Redacção nesse dia... E quem estava de serviço... E ao serviço de quem.



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POLÍTICA DE SOMBRA

O meu amigo José Magalhães, cidadão do norte e bloguer de já longa data, proprietário do blog Atributos e colaborador cíclico do Aventar, já tem passado aqui pelo Real Gana diversas vezes, quando lhe peço licença para aqui publicar textos da sua autoria.

Hoje publico dois, sobre o mesmo tema
As frases a negrito são enfases meus, onde encontro a minha opinião reflectida palavra a palavra.

Por mim, sobre o tema só tenho uma pergunta a deixar aos militantes “que se lixe a troika”, pergunta honesta porque eu não fui lá nem vi: Por acaso estava por lá o Zé Sócrates ou alguém do seu séquito?

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«Um milhão onde não cabem 300 mil»


2 de Março de 2013
?????????????????????????????????«Não fui, nem nunca iria a uma manifestação como esta que se verificou ontem, apesar de saber que poucas coisas, nos dias de hoje, andam razoavelmente bem no nosso País. Não encontro nos organizadores e apoiantes, no slogan simplista “que se lixe a troika”, e no entoar da “Grândola” em tudo quanto é canto e esquina ou acontecimento político em que intervenham ministros, qualquer vislumbre de pensamento positivo ou de propostas alternativas que sejam viáveis.
No entanto, este 2 de Março foi um marco, um aviso sério, um grito lancinante, feitos do desespero de alguns (muitos) e do oportunismo de muitos (demasiados).
Neste 2 de Março as gentes vieram para a rua não só para gritar contra a troica, não só para gritar contra Gaspar ou Álvaro, mas especialmente para avisar seriamente Passos Coelho do desespero que as consome.
Neste 2 de Março, o governo, melhor dito, o nosso Primeiro Ministro, tem de perceber que o povo está descontente, que não foi neste Gaspar duro e aparentemente insensível  que o povo votou e que o desespero pode provocar um ainda maior descalabro social.
Passos Coelho tem de tirar ilações disto que se passou e actuar em conformidade. Foi para isso que o voto lhe foi dado pela maioria do Portugueses. Se o não fizer, corre sérios riscos de não se aguentar muito mais tempo na governação.
Mas neste 2 de Março também há um enorme aproveitamento político da parte de alguns. Ou senão, vejamos os números. Independentemente da real grandeza da manifestação, que foi realmente grande, os promotores conseguiram colocar um milhão de pessoas onde não cabem mais de duzentos mil e quatrocentos mil onde nem oitenta mil cabem, só para mostrar aos inocentes a força que a manifestação teve.
Esperava-se seriedade de quem quer tudo direitinho, não estas mentiras. São afinal iguais aos que mentem descaradamente e nos entram diariamente pela porta/televisão/rádio dentro, seja a falar de greves, de sacrifícios próprios ou alheios, ou seja pelo que for

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«A LEGITIMIDADE VEM-NOS DO VOTO, 
NÃO DAS MANIFESTAÇÕES DE GRUPOS»

20 de Fevereiro de 2013, in Atributos

.«PERSEGUIÇÃO NÃO É CRIME?»

«Há para aí grupelhos de gentinha que se intitulam donos da verdade. 
Dessa forma entendem que tudo o que façam ou possam fazer está dentro dos seus direitos, e que tudo o que os outros fizerem ou disserem, desde que em dissonância com a sua (deles) ideia, está do lado de fora desses mesmos direitos.
Na democracia deles, só fala quem eles quiserem.
Vem isto a propósito das recentes manifestações do grupo "que se lixe a troika" (para além da manifestação em si que impediu "democraticamente" alguém de exercer o seu direito a ser ouvido, o que mais me incomodou foi o ver as caras de ódio e  ouvir os gritos, facilmente audíveis nas primeiras gravações apresentadas a público, de "assassino" e "ladrão") que impediram ministros da República de falarem e das intenções confirmadas e ditas em público, de perseguirem membros do governo, impedindo-os de falarem ou ... seja do que for, até à manifestação programada para 2 de Março.
Esquecem estas gentinhas que a legitimidade das pessoas advém do voto popular e das maiorias aí conseguidas, e não de manifestações mais ou menos fortes ou com mais ou menos gente, que esses grupinhos organizam.
A razão que muitas vezes temos pode perder-se ao enveredarmos por acções que o colectivo abomine, para além de se poder duvidar da real representatividade destes grupos em relação ao povo Português.
E o governo mal irá se se deixar dominar por estas pressões.
Mas também é verdade que não as pode ignorar sob o risco de soçobrar


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S.P.A. REJEITA O ACORDÊS

 Foi em meados de Janeiro e esta passou-me ao lado
Recebi um e-mail,  em boa hora me foi enviado, que me trouxe uma notícia importante para aqueles que não desejam ver a Língua Portuguesa travestida de montruosidade:
a Sociedade Portuguesa de Autores rejeitou pública e oficialmente essa coisa do suposto "Acordo Ortografico". Refere no seu comunicado que não o utilizará «nos seus documentos e na comunicação escrita com o exterior»; tenho esperança que, na sequência desta atitude, haja também a necessaria pressão sobre os editores para que as publicações de livros de autores portugueses seja feita em português e não nessa língua aberrante que nos têm vindo a impor.

Uma boa decisão, espero que com resultados práticos além dos domínios exclusivos da S.P.A.

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Também o Pen Club Internacional , em Setembro de 2012, tendo reunidas  delegações de 87 Centros de todo o mundo por ocasião do seu  78º Congresso condenou, por unanimidade, a
ameaça à língua portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO/90). 

.A incredulidade manifestada pela maioria dos escritores presentes, que se interrogavam como se teria chegado a tal situação.
O documento e sua justificação encontra-se aqui publicado mais abaixo e no link  Pen Club Portugues


 
SPA não adopta o novo acordo ortográfico perante 
as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria 

«A SPA continuará a utilizar a norma ortográfica antiga nos seus documentos e na comunicação escrita com o exterior, uma vez que o Conselho de Administração considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.
Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.
O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.»

Lisboa, 9 de Janeiro de 2013
S.P.A.

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PEN Internacional – Comité de Tradução e Direitos Linguísticos
Declaração sobre a proposta de estandardização internacional da língua portuguesa
O Comité de Tradução e Direitos Linguísticos (CTDL) do PEN Internacional foi solicitado a comentar o Acordo entre os Estados de língua portuguesa empenhados num programa de estandardização ortográfica (Acordo Ortográfico de 1990/AO 1990). Esse pedido para examinar as alterações propostas foi iniciado pelo Centro português do PEN, cujos membros se opõem maioritariamente à estandardização internacional proposta. O encontro do CTDL em Barcelona (4-6 de Junho de 2012) expressou uma grande simpatia pela posição do PEN português e pediu que o Acordo internacional fosse examinado. Deve ser dito que muitos outros escritores, figuras públicas e linguistas questionam igualmente se as tentativas de aproximação de um Português estandardizado e universal serão uma boa ideia.
A história de tais tentativas no mundo lusófono apenas demonstrou quão difícil é tal questão. Em anexo com tentativas anteriores é adicionado no final do texto. Mais do que uma vez essas tentativas fracassaram.
Em comparação com a história recente de outras línguas internacionais, pode ver-se também que a ideia de estandardização além-fronteiras tem sido rejeitada mais vezes do que aceite.
Aparentemente, as duas forças condutoras por detrás do plano de estandardização do Português são de natureza administrativa e comercial. Se assim é, trata-se de fracos pontos de partida que podem prejudicar seriamente a língua portuguesa. Uma língua não é, primariamente, um instrumento administrativo ou comercial. Estes aspectos equivalem a actividades superficiais e utilitárias que requerem o que poderia chamar-se dialectos simplificados, tangenciais à língua viva. Uma língua viva favorece a criatividade, a imaginação, a iniciativa científica; ela adapta-se ao mundo real no qual vivem pessoas com as suas múltiplas diferenças e particularidades.
Tentar centrar uma língua em prioridades administrativas e/ou comerciais é enfraquecê-la ao atacar a sua complexidade e criatividade inata a fim de promover métodos burocráticos de natureza pública e privada.
No que diz respeito aos precedentes históricos, não é claro que essa iniciativa seja o resultado de uma reflexão clara sobre experiências ocorridas noutros lugares. Por exemplo, é amplamente aceite o facto de a tentativa centralizante, ao longo de vários séculos, para criar e manter um Francês universal, como foi levada a cabo em Paris, teve o efeito de alienar, a longo prazo, as populações em relação a essa língua sempre que era oferecida uma alternativa através de outras línguas mais abertas à criatividade local. Um resultado negativo prático foi um efeito de refrear a criação natural de vocabulário, seguido de uma retracção do vocabulário. A força motriz da língua francesa hoje em dia, com origem em todas as suas bases pelo mundo fora, é de tender para uma inclusão das diferenças na língua. O resultado é a possibilidade crescente de uma atmosfera nova e muito positiva em torno do Francês, por exemplo em África.
No que toca ao Inglês, houve tentativas equivalentes para uma aproximação universal no tempo do Império Britânico. Contudo, a força das regiões anglófonas (situação similar à do Português) levou a que tais regras tivessem sido quebradas tanto internacional como naturalmente. A força do Inglês actual é amplamente atribuída à sua abertura face às diferenças – a diferentes gramáticas, ortografias, palavras e, na realidade, significados. Uma das características mais positivas de qualquer língua internacional é o facto de palavras, ortografias, gramática, frases e sotaques assumem significados assaz diferentes como resultado de experiências locais ou regionais. Estas diferenças fazem frequentemente o seu caminho para além das fronteiras e são absorvidas por outras regiões anglófonas. É a natureza competitiva, independente e divergente das regiões inglesas que se tornou na marca distintiva da sua força – a sua criatividade quer na ciência, na literatura, no negócio ou, de facto, nas ideias. Existem tentativas constantes de ‘normalizar’ ou ‘centralizar’, tais como a norma estilística de Chicago. Contudo, tais tentativas, mais do que qualquer outra coisa, vão ao encontro das forças reais das línguas.
Exactamente o mesmo argumento poderia ser apontado para explicar a força crescente do espanhol como língua internacional. São precisamente as diferenças locais, nacionais e hemisféricas dentro da língua espanhola que lhe conferem uma força crescente. As diferenças nutrem-se mutuamente. A criação do Dicionário da Real Academia Espanhola, em cooperação com as Academias de língua espanhola em todo o mundo, tinha como objectivo incluir todas essas diferenças. Neste sentido, a tendência para uma celebração das diferenças dentro da língua espanhola foram paralelas à mesma abordagem, adoptada pelos maiores dicionários da língua inglesa.
Tanto quanto podemos ver, não há nada na iniciativa portuguesa que faça mais do que limitar a força natural da língua, tentando limitar a sua criatividade através de um colete-de-forças de regras burocráticas. Por exemplo, ao propor essa estandardização como requisito para os manuais escolares, as autoridades estarão efectivamente a limitar a criatividade de escritores em muitas partes do mundo lusófono. Tão pouco existe qualquer indicação de que tal estandardização conduza a um aumento no comércio dos livros entre as várias partes do mundo lusófono.
Finalmente, deveria ser sublinhado o facto de terem sido feitas numerosas excepções à proposta de estandardização, criando assim um conjunto de contradições linguísticas burocráticas que interferem com a configuração das diferenças que é real, original e criativa.
Estamos desapontados pelo facto de as autoridades que, qualquer que seja o seu poder, não possuem real competência em relação ao modo como as línguas vivem e crescem, tentarem limitar a força do Português ao imporem regras artificiais destinadas a minar a força de todas as línguas – ou seja, a sua capacidade de se reinventarem constantemente. Para isto, uma simples aceitação de uma diversidade de abordagens, habitualmente emergindo de diferentes regiões, é essencial. Duvidamos muitíssimo que essa proposta de estandardização produza outros efeitos para além de burocratizar os textos usados nas escolas, separando assim os alunos da real criatividade da língua portuguesa, nos planos regional e internacional.
Notas para os editores:
O PEN Internacional celebra a literatura e promove a liberdade de expressão. Fundado em 1921, a nossa comunidade global de escritores compreende hoje 144 Centros em mais de 100 países. Os nossos programas, campanhas, iniciativas e publicações ligam entre si escritores e leitores em prol de uma solidariedade e cooperação globais. O PEN Internacional é uma organização não-política e detém um estatuto consultivo nas Nações Unidas e na Unesco.
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