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A GOTINHA DE ÁGUA


Por vezes a razão prende-se em análises conjecturais, demora-se na avaliação de diversos pontos de vista, rebusca-se na apreciação de soluções alternativas.
Por vezes não há tempo para a razão.
Por vezes é necessário um choque emocional que nos arranque das divagações racionais e nos leve a agir.
Por vezes é necessário um grito que ecoe no centro da nossa consciência e acorde em nós o que existe para além do cinismo, da política, da conveniência, do status quo; Um grito que resgate a nossa humanidade.

Aylan Kurdi, nascido há apenas 3 anos, é um desses gritos. Terrivelmente silencioso, terrivelmente profundo, encerrando a dor de muitos milhares de seres humanos.


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A Europa debate-se com um problema de dimensões astronómicas com consequências incalculáveis. A Europa, directamente, o mundo, moralmente. 
Não se trata "apenas" de problemas económicos, logisticos, laborais; São autenticas "provas de fogo" com vertentes de segurança gravíssimas mas, sobretudo, são verdadeiras avaliações da nossa capacidade de solidariedade humana, da nossa qualificação moral e ética.
É tempo de tomarmos consciência de quem somos e de assurmirmos a responsabilidade de o sermos
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"Germany and Austria threaten Cameron over refugee crisis"

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3219177/Germany-turns-Britain-migrant-crisis-aide-Angela-Merkel-says-no-sympathy-one-country-viewpoints.html

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«Falei esta manhã com o Presidente francês e a posição franco-alemã, que transmitirei às instituições europeias, é que estamos de acordo com a necessidade de quotas obrigatórias dentro da União Europeia para partilharmos a responsabilidade. É esse o princípio da solidariedade.»

«Para os refugiados que tentam chegar à Europa (…) as tragédias sucedem-se aos dramas. Milhares de vítimas morreram desde o início do ano. A União Europeia tem de agir de maneira decisiva e em conformidade com os seus valores. [...] Estes homens e estas mulheres, com as suas famílias, fogem da guerra e de perseguições. Precisam de protecção internacional. Ela é-lhes devida. As Convenções de Genebra, feitas após a guerra, vinculam todos os países. A Europa deve proteger aqueles para quem ela é a última esperança»
Angela Merkel, 3 Set. 2015

  • "O Presidente da Comissão Europeia apresenta plano na próxima semana. Paris e Berlim querem mecanismo "permanente e obrigatório" para acolher refugiados.
  • Governo húngaro mantém oposição."
  • "Cameron, que se tem mostrado em clara oposição ao acolhimento de migrantes no Reino Unido, afirmou ontem estar "profundamente emocionado como pai" e disposto a cumprir as suas "responsabilidades morais". David Cameron deu assim a entender que Londres poderia rever a posição, que ele próprio expressara na véspera, dizendo que "acolher mais pessoas não é a solução" para o problema."
  • "O chefe do governo húngaro, Viktor Orban, mantém que a crise dos migrantes é um "problema da Alemanha" e que não é dever do seu país acolher refugiados."
"Gostava que a minha fotografia ajudasse a mudar o curso das coisas."
Nilufer Demir, fotógrafa que captou a imagem da criança síria 


Assim seja.

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O NUCLEO E O IRÃO

Não que seja possível passar-me ao lado mas optei por não me referir aqui à saga que tem envolvido as negociações e sequente acordo que envolve a União Europeia, os E.U.A. , a China, a Rússia, a Alemanha, o Reino Unido, a França e a União Europeia  (5+1) , por um lado e o Irão pelo outro. Bem vistas as coisas envolve a todos nós.
A questão é muitíssimo complicada, o comum dos mortais, nos quais me incluo, não sabe da missa a metade e perante tão consciente ignorância optei por estar calada.

Porém...

Se deve de haver um limite às opiniões que podemos, ou devemos, emitir acerca daquilo de que pouco sabemos, deveremos também limitar o nosso silêncio - pelo menos o mental - sobre aquilo que nos é dado a observar, no presente e na evolução histórica e socio-política que se reflecte hoje no comum habitat da humanidade.

O Irão é o que é, uma teocracia islâmica fechada, poderosa e influente sob um diáfano controlo ocidental mantido à custa de sanções económicas que a têm vindo a atrasar mas não a travar. O Irão é um espinho doloroso que pode provocar uma infecção capaz de alastrar e criar chagas generalizadas.

Então pode o ocidente, mais a Rússia e a China (aqueles que eu denomino 4+2 ) negociar e estabelecer acordos com o Irão?
Pode, está demonstrado que pode.
Como disse Barack Obama e muito bem: "É com os nossos inimigos que precisamos negociar".
As negociações prolongaram-se durante anos, estas últimas durante vinte meses mas foram possíveis. O acordo foi alcançado apesar do natural descrédito que o acompanhou, apesar - e este é um enorme apesar - da oposição sistemática dos líders religiosos iranianos.

O acordo está em cima da mesa.
Quem o leu?
Não me refiro a nós, comuns mortais, que podemos emitir opiniões sem que isso acarrete consequencias ao mundo. Refiro-me a todos aqueles que trazem um voto no bolso, que têm um microfone na frente, que decidem e influenciam. Quem o leu?

Encontram-no AQUI, todas as 159 páginas e, francamente, não é tanto quanto parece. Num final de manhã ou de tarde numa esplanada amena é companhia bem interessante.

Li inúmeros artigos sobre esta questão, ouvi opiniões de todos os quadrantes. Alguns que apenas repetem as grandes tiradas de Monsieur de La Palice e dos seus primos da direita, da esquerda e do principado do Eu-É-Que-Tou-A-Ver-Tudo; outros especialistas sensatos, outros vassalos fieis.

Tantos canteiros saltados o que colhi é resumidamente o seguinte:

O incumprimento do acordo por parte do Irão acarreta o regresso imediato e automático à imposição das sanções económicas - leia-se proíbição de exportação do petróleo - e denúncia do acordo

Em aspecto algum este acordo condiciona qualquer acção ou impõe qualquer compromisso de não inerferência na política externa do Irão, concretamente no Médio-Oriente.

O controlo sobre os meios atómicos bélicos iranianos pode ser feito de duas formas: 
- Pelos especialistas inspectores designados no acordo a qualquer momento e em qualquer lugar do território iraniano.
- Por uma acção bélica que destrua as instalações nucleares vísiveis no território iraniano

Por quê optar por uma solução bélica desde já? Não estará esta sempre disponível? Que interesses se dissimulam sob a capa da desconfiança e da propaganda do medo?


Conciso, generalista e informativo li, por exemplo o artigo da BBC dos seus especialistas em Médio Oriente

O que mais me impressionou, pela clareza dos argumentos, pelo tom humano, pela verdadeira preocupação que nos deverá tocar a todos, polítiquices, por uma vez, postas à parte, foi o de Farred Zakaria, residente da CNN e "opinion writer" do Washington Post. Não será o mais impressionante dos comentadores, é um homem que se aproxima das pessoas comuns, das que têm filhos e netos que só têm este nosso mundo para e onde viver. Politiquices à parte.

Deixo-vos este artigo/carta em vídeo CNN e no link para o texto do Washington Post.


URGENTE!!! REFERENDO AO ACORDO ORTOGRÁFICO

O referendo, segundo a Constituição (artigo 115.º - 2), pode resultar de iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República sendo para tal necessárias 75.000 assinaturas.


Quem é contra o "Acordo Ortográfico" mas ainda não assinou esta iniciativa terá tantas "culpas no cartório" quantas as que carregam aqueles que o promulgaram.

A implementação do "Acordo" foi, a meu ver, abusiva, prepotente, mas o facto é que foi implantado. Ponto. 
Aqueles que não aceitam esta situação têm obrigação, cívica e moral, de se manifestarem utilizando para tal os meios legais à sua disposição. Não utilizar as regras ortográficas estipuladas no "Acordo" pode ser muito positivo mas não resolve nada. As crianças continuam ser ser ensinadas a ler e a escrever ao abrigo daquela aberração, todos continuaremos a ler, das legendas aos clássicos da literatura portuguesa, nesse "acordês" absurdo  e grave. Dentro de poucos anos todos os portugueses terão esquecido as raízes etimológicas da sua língua. 

Se é uma questão de "deixar para depois" ou de "haverá quem assine"  saiba-se que o prazo de entrega das 75 mil assinaturas necessárias  para que seja debatida a realização de um referendo durante a próxima legislatura da Assembleia da República termina em Novembro.
Neste momento, e apesar do escandaloso número de pessoas que se manifestam contra, apenas 10 mil portugueses assinaram. Que povo estranho e atarefado o nosso...

Ainda há tempo? E  por que não já? O que mais é necessário para tomar uma atitude que terá repercussões no futuro da nossa língua, na educação dos nossos filhos e, a meu ver, até na nossa dignidade enquanto portugueses.

Por tudo isto, pela vossa rica saúde. mexam-se,

Não custa nada.
Deixo o LINK - https://referendoao90.files.wordpress.com/2015/07/folha-de-assinaturas-vertical.pdf
para a impressão de uma página de recolha de assinaturas (obviamente não é necessário que seja integralmente preenchida)
Contém a morada de envio e, em alternativa, o e-mail de envio, bastando para tal fazer um "scanning" da folha assinada.
Contém também a lista dos mandatários da iniciativa e a legislação aplicável.

RTP Notícias

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O ESPANTOSO CÉREBRO MÁSCULO

Este pessoal  dos cartazes e das publicidades anda um bocado alucinado

Estou a referir-me à nova acção publicitária da BIC, as esferográficas e isqueiros que há tantos anos passam pelas nossas mãos.

Que raio lhes deu agora? O que andam eles a fumar?

Para homenagear as mulheres (!!!) lançaram a delícia que abaixo publico:

"Think like a man"

Notável! Quase me atreveria a jurar que esta brilhante ideia surgiu de um cérebro masculino, ou  de vários...

Não resisti à facilidade com que, numa troca brejeira, se teria evitado os habituais e ridículos pedidos de desculpa por tamanha parvoeira



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SILLY SEASON 2015

Uma vez mais tenho estado mergulhada num silêncio blogueiro. Pois.
Não é que não haja assunto por onde pegar e largar, rir e chorar, elogiar e insultar, dar graças e lamentar. Há, de sobra e, creio, que é na sobra que está o busilis... A fartura é tanta que acabo por deixar cair, como se me passasse pela cabeça pegar com as mãos na areia de uma praia: o mais sensato é deixar cair e pensar noutra coisa menos inútil.


Aqueles que por aqui passam com alguma regularidade por certo já se terão apercebido de que não serei a pessoa mais "certinha", mais "ajuízadinha" do mundo mas há um mínimo que é muitíssimo conveniente preservar;
Alguma sensatez, alguma noção do que é de facto importante, a capacidade de distinguir o que é prioritário do que é apenas contextual e passageiro, a capacidade de se ser consequente não comprometendo o amanhã em nome de um qualquer impulso ou interesse nos jogos imediatistas (pessoais, "lobbistas", políticos, etc.).

Não serei a pessoa mais "certinha", nem a mais esperta, nem a mais sábia mas fico estupefacta ao observar como, em nome do que "dá jeito", pior, do que "dá jeito agora", se comprometem as situações mais sérias, mesmo que por vezes seja evidente que se poderá estar face a um "ponto de não-retorno".

Não sou pessimista, muito pelo contrário, acho que o bom-senso acaba por prevalecer, que os tiranos acabam por cair, que as conveniencias pessoais, políticas e outras acabam por ser reduzidas à sua insignificância. Serei talvez aquilo que os "profetas da desgraça" chamam uma ingénua. Como queiram, estou-me nas tintas para os "profetas da desgraça".

De que falo? Isso é relativamente irrelevante. Claro que tenho em mente estes, aqueles e outros assuntos, pessoais, sociais e mundiais, a questão não é essa.
A questão é a forma inconsequente e insensata como vejo a vida, o mundo, rolar à minha volta. Perdoem-me a imodéstia mas é assim que vejo, por cá, por lá, por além, à minha volta, à volta do mundo.

É muita areia para a minha pequena camionete, vou antes fazer um bacalhau assado ou dar banho ao cão.

OXI - PAGUEM VOCÊS QUE NÓS NÃO TEMOS

(NEM VAMOS TER)


Parabéns Syriza, 60% é uma grande vitória
E agora, 
o que fazem com ela?

Greece was officially declared in default on Friday (3/07) by the European Financial Stability Facility (EFSF), which holds some 145 billion euros of Greek loans, after Athens failed to make an IMF repayment. 
Tsipras is demanding that the ECB, IMF and European Commission absolve Greece of 30 percent of the 240 billion euros Athens has received over the past five years. The Prime Minister also wants a 20-year grace period to repay the other 70 percent.
Tsipras exige que o BCE, FMI e Comissão Europeia absolvam a Grécia de 30 por cento dos 240 Biliões de euros que Atenas tem vindo a receber ao longo dos últimos cinco anos. O primeiro-ministro também quer um período de carência de 20 anos para pagar os outros 70 por cento.
 
Greek government spokesman Sakellaridis saidthe Bank of Greece was immediately asking the European Central Bank to inject emergency euro cash for Greece's depleted banks, which have been shuttered all week.(REUTERS 5 Jul.2015)
Portanto... 
60% dos gregos estão de acordo com o seu governo. Isso é bom, para 60% deles...

Tsipras quer, ou melhor, exige, um perdão de 30% da dívida da Grécia
Ou seja, dos 240 Biliões que já lá estão só pagaria 168 biliões
Mais, só os começaria a pagar daqui a 20 anos
Entretanto o BCE é suposto injectar de imediato o suficiente para fazer face à ruptura financeira bancária (que, dizem as más línguas, só conseguirá manter o gotejar de 60 euros diários por conta bancária nas caixas de "multibanco" até à próxima terça-feira, dia 7)

Em retorno
com o que é que se compromete o governo grego?
Bem... Isso não parece muito claro...
A pagar 70% do que já lá tem daqui por 20 anos... se então não fizerem um novo referendo a dizer que dão a dívida por expirada, por exemplo. ou outra coisa qualquer que se apresente como muito democrática a libertadora dos povos oprimidos e explorados.

Entretanto...
A Europa, leia-se, os europeus não gregos, são supostos continuar a sustentar o Estado grego e os seus mais de 11 milhões de habitantes durante o tempo que for necessário (e que não aparenta vias de resolução)

Vai daí...
A quem respeita o resultado da votação no referendo grego? 
Aos gregos e ao seu governo. Obviamente. Ponto.

Seria racional que os restantes Estados europeus, e não só, respeitassem a vontade expressa pelo povo grego e analisassem a forma como essa vontade poderá afectar as suas próprias vidas. Mas não, espantosamente não. A racionalidade vai dar uma volta enquanto as emoções ao rubro, exacerbadas pela vontade de ranger os dentes à União Europeia, toma conta de leituras, opiniões e manifestações acaloradas. A esquerda está em festa - sim, a esquerda festiva - festeja a "vitória da democracia", aposta na "bofetada" no poder económico da U.E., sem, uma vez mais, equacionar por um momento os custos para os seus próprios povos. Celebra a política numa festa que ignora os seus próprios problemas económicos. Inconsciência? Não exactamente. É um sentimento de vingança, como se os que conseguiram prosperar fossem responsáveis pelas falhas, erros e incapacidades alheias. É o repisar do tão estafado quanto idiota "Os ricos que paguem a crise".
Por muito que se queixem, no que toca à Grécia, os portugueses também são tidos como "ricos". 'Bora lá pagar mais, todos contentes, a bem da dignidade grega.
Só me faltava esta...

Complicado?
Não me parece
Seria uma questão de ser feito um referendo nos outros 18 Estados membros da Zona Euro perguntando se os seus habitantes estão dispostos a continuar a sustentar a Grécia nas suas decisões "unilateralmente democráticas"

A presidente da Lituânia, mais recente membro da Zona Euro, que tem vindo penosamente a “controlar os níveis da dívida do sector privado e do sector público”, seguindo os exemplos da Estónia e da Letónia que se mostram “muito encorajadores”- uma vez que os dois países têm dos défices públicos mais baixos da União Europeia. O Orçamento do Estado da Lituânia para o ano de 2016, o primeiro da vida no euro, aponta para um défice público de 1,2% do PIB, com a economia a crescer 3,4%. já se expressou muito claramente:
A presidente da Lituânia, Lituana Dalia Grybauskaite , posicionou-se segunda-feira entre os mais críticos do governo grego ao assegurar que o  Syriza tem a intenção de continuar a festa e os outros que paguem as contas.
"O governo grego ainda quer festejar, mas as contas têm de pagar os outros", escreveu Grybauskaite   na sua conta do 'Twitter'.
"Dizer que não há nenhuma dívida e temos de esquecer a dívida não é uma solução. Houve acordos que devem ser respeitados", observou ela à sua chegada à cimeira da zona euro
 elEconomista.es 
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Varoufakis e a sua "Sala de Guerra"


E o governo grego, não tem consciência da gravíssima situação em que está a colocar o seu povo?
Tem, claro que tem. Não sou eu que o digo, é Varoufakis que o demonstra a quem souber ler:
«Yanis Varoufakis afirmou, em declarações ao jornal The Telegragh, que a Grécia tem estado a precaver-se para o caso de haver um cerco económico. Além de ter armazenado comida, medicamentos e energia, também pôs de lado um fundo de emergência para cobrir as necessidades vitais do país em matéria de importação de alimentos. 
O governo Syriza está ainda a trabalhar com base no pressuposto de que as potências credoras da Europa regressarão à mesa das negociações se o povo grego não concordar com as suas exigências de austeridade no referendo do próximo domingo, comentou o ministro helénico das Finanças ao jornal britânico. "Felizmente, temos stocks de petróleo para seis meses e de medicamentos para quatro meses", acrescentou.
Varoufakis disse também que um comité especial, composto por cinco homens, em representação do Tesouro grego, do Banco da Grécia, dos sindicatos e dos bancos privados, está a trabalhar afincadamente, numa "sala de guerra" próxima do seu gabinete, para alocarem estas preciosas reservas como grandes prioridades.»
Negócios OnLine - 3 Jul.2015

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PRÉMIO "VIRAR O BICO AO PREGO" 2015

A grande tirada do Toni:

«Grécia é a ilustração do que seria Portugal "se não houvesse o PS"»

António Costa afirmou que os socialistas oferecem uma alternativa que rompe com a austeridade, mas que "não se mete em aventuras"

TVI 24 ON LINE 4 JUL.2015

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Nem comento, se me começo a rir até me pode dar uma coisinha má



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ALEXIS PILATOS

Ai coitados dos gregos... Sim, é verdade, coitados dos gregos mas a verdade é que quem semeia ventos colhe tempestades.

Quando o Syriza ganhou as eleições houve uma histeria  além-fronteiras das esquerdas festivas: Agora é que era, o Syriza ia mostrar à Europa que o povo venceu, que ninguém manda em quem não se deixa comandar. Ó céus... Não, o Povo não venceu, o povo, em desespero, fez uma aposta num caminho ainda não percorrido, agarrou-se a uma esperança atormentada de "tudo ou nada" já que o nada estava garantido e perto. A aposta era onírica, o nada chegou.

Olhando aquela rapaziada não era preciso ter luminárias na testa para adivinhar o desfecho de tão bonitas e ilusórias decisões de mudança radical; já foi demonstrado à saciedade que o mundo não é dos espertos, mesmo os sábios aliam-se ao tempo e à espera para provarem a sua razão...
Haverá quem se lembre de me ter ouvido dizer em Janeiro "Dou-lhes seis meses"; em Abril, quando Alexis Tsipras foi pedir batatinhas ao embargado Putin, escrevi aqui:

«Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.
(.../...) O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heróico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. »

 De facto Tsipras não é estúpido... Por mais parvo que tenha sido ao partir para uma negociação que sabia não poder manobrar sem trair todas as ilusões que criara, sem perder o apoio do Syriza  e da esquerda eleitoral, deverá ter tido presente que não se pode  negociar sem ceder, sem assumir compromissos que refutou em absoluto;   Tsipras não é estúpido... Como Pilatos não era... "Eu tentei, eles não deixaram, agora decidam vocês". Game Over! Até nem fica mal na fotografia, até que esta vá parar aos livros de história.

O povo grego tem pela frente um dos momentos mais críticos da sua existência, é óbvio, mas não é apenas (como se não bastasse) a saída da comunidade europeia e o regresso ao dracma... Outra espada, da qual ninguém parece querer falar, levita sobre a cabeça dos gregos: Quem estenderá a mão a uma Grécia falida e isolada? Não foi a eventual saída da Grécia da União Europeia que levou Obama a telefonar a Merkel, esse será o lado para o qual ele dorme melhor, o que lhe tira o sono e, se pensarmos bem nos dará pesadelos, é o facto de Putin estar à espreita, esfregando as mãos e acendendo velas a S: Nicolau de Mira, padroeiro da Rússia... e da Grécia.
E, ao longe, ouvem-se os chineses sussurrando:"Segundos, estamos aqui..."

. ACTUALIZAÇÃO  ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO ACTUALIZAÇÃO
ALEXIS NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Felizmente não tinha ainda ouvido as  declarações de Tsipras quando escrevi o que se lê acima; digo felizmente porque duvido que tivesse mantido a desejável calma e compostura a que Bloguece Oblige.

Acabei de ouvir o primeiro-ministro grego e não queria acreditar na representação descaradamente manipuladora que personificou perante as câmaras da televisão pública grega.
Não posso, não devo, aqui adjectivar a intenção de consequência das suas declarações (transmitidas na SICNOTÍCIAS no Jornal da meia-noite e que entretanto desapareceram dos vídeos on line onde aparece apenas o inicio da "coisa-a-fingir-que-é-uma-entrevista",  mas posso cita-lo:
"Apelamos ao povo para que o (acordo) rejeite em maioria. Quanto maior for a percentagem de "não" maiores serão as armas do governo grego para relançar as negociações.
(.../...) Se o povo grego quer continuar com medidas de austeridade, com planos de austeridade que nos escravizarão, se o povo quer assistir a uma "fuga de cérebros", se o povo quer uma elevada taxa de desemprego e novos empréstimos, se essa for a escolha dos gregos, vamos respeitar essa escolha mas não seremos nós a concretizá-las.
Por outro lado, se queremos um novo futuro, com dignidade, devemos fazer isso juntos porque os povos têm poder." 
Absolutamente espantoso este Tsipras!!!
"They will not kick us out of the eurozone because the cost is immense."

Mais espantoso só conseguiria ser se conseguisse explicar onde vai buscar esse "novo futuro com dignidade" sem medidas de austeridade, sem elevada taxa de desemprego, sem novos empréstimos. E também fico curiosa relativamente ao "acréscimo de armas" que representará para o seu governo uma maioria de "Não".
Terá um "acréscimo de armas" argumentativas sim, para argumentar várias atitudes e decisões, mas não nas negociações com a União Europeia, muito pelo contrário.

Não tenho palavras para tanto, ou até terei, mas, por respeito por vós e por mim, não as usarei.

LISBOA - UMA CIDADE, DUAS NAÇÕES CLUBISTICAS

Não sou "doentinha" pelo pelo meu clube, nem por sombras, Dá-me algum calor nas veias quando há jogos especiais, durante o decorrer do campeonato "corro na pista 9" com uma vaga ideia de da classificação relativa.
Porém...
Costumo dizer, mais a brincar do que a sério, que só se é do Sporting por amor, porque interesse tem pouco. Não me preocupa de todo se o meu clube ganha, claro que gosto que ganhe mas não é por isso que sou mais ou menos sportinguista. As pessoas podem mudar de partido político, de cônjuge, de gostos, de religião até, mas raramente mudam de clube desportivo. Vá-se lá entender isto.

Creio que nesta coisa dos clubes também "há razões que a razão desconhece" e, por vezes, essas razões, pelo menos em parte, afloram ao mundo dos factos.

Facto:
Ontem, em Alvalade e arredores, não havia polícia, ninguém arremessou garrafas, ninguém andou ao estalo, ninguém partiu, destruiu nem roubou, ninguém incendiou contentores do lixo e eu pude dormir descansada, de janela aberta, sem ouvir urros nem chinfrineira.


DESCUBRA AS DIFERENÇAS...


Conclusão? Quem conseguir que a tire.

ESTOU VERDE!

A maior parte do jogo a perder
A jogar com 10
O (grande) Rui Patrício lesionado
numa final a penalties...

É PRECISO TER GARRA!
PARABÉNS SPORTING


10 de JUNHO - A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA

O QUE VAIS FAZER PELO TEU PAÍS 
NO DIA 10 DE JUNHO?


ou por aqui:
https://www.facebook.com/events/375537305989546/

CHEGA DE TANTA PREPOTÊNCIA, 
OS PORTUGUESES NÃO QUEREM ESTA IDIOTICE

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REAL GANA, O FORA-DA-LEI

Amanhã quarta-feira, dia 13 de Maio, cumprem-se os seis anos do período de transição do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa sendo que este entra em vigor em Portugal.

A partir desta quarta-feira os portugueses estarão legalmente obrigados ao uso da grafia estabelecida pelo acordo

Isto é de alguma forma estranho pois, se por um lado, o governo, que herdou esta medida,  tem utilizado o "Acordo" nos seus organismos, por outro, o primeiro-ministro, ou antes, Pedro Passos Coelho, quando escreve pessoalmente, por exemplo no Facebook, fá-lo em português livre, correcto e desacordado.

Quem segura as rédeas desta infâmia?

O acordo foi assinado em Lisboa em 1990, por representantes de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. 
O Acordo Ortográfico é uma convenção internacional, que em Portugal foi aprovada por resolução da Assembleia da República em 2008.
A nova grafia é usada desde 01 de Janeiro de 2012 nos documentos do Estado, nos serviços, organismos e entidades na tutela do Governo, bem como no Diário da República 
O Acordo Ortográfico foi ratificado por Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe mas poucos o puseram em prática. Não foi ratificado por Angola nem por Moçambique. Em Angola não foi ratificado por qualquer órgão político, em Moçambique foi aprovado em Conselho de Ministros, mas não ratificado pelo parlamento não se encontrando assim em vigor.   
No Brasil o Acordo Ortográfico viu a sua prática adiada para 2016.
Mais informação sobre esta "obrigatoriedade":

Jurista defende “dever de desobediência” à utilização do novo Acordo Ortográfico

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 A partir de amanhã o Real Gana será um fora-da-lei sem redenção.
Quem não estiver de acordo que não venha por cá, a gerência agradece.
Não sei qual é a pena aplicável pelo desrespeito da nova grafia, se existe ou se será apenas ser-se apelidado de ignorante (o que teria uma certa graça)


Não sei que caminho os portugueses irão tomar relativamente a esta questão, provavelmente haverá uma minoria anexa a funcionários públicos e a escrevinhadores de comunicação social que aderirão a esta vergonha ridícula e uma maioria que continuará escrevendo em português etimologicamente correcto.

O que me lixa é ter consciência de que, por este caminho, a bandalheira linguística vencerá, é uma questão de tempo... E os bandalhos que arquitectaram este assassinato sabem que assim é, esperam pacientemente que morram todos os que não aderem a esta porcaria e sabem também que os filhos destes já não terão escolha: são ensinados de acordo com a vontade dos bandalhos e prestarão provas em que serão desclassificados se puserem letras, acentos e hifens em su sítio.

É verdade, não posso levar o meu filho a escrever correctamente sob pena de o prejudicar na sua vida académica. Somos reféns.

COMO RAPTAR UMA CRIANÇA

Não se trata de um mero video de chamada de atenção, é uma experiência real e, se no caso, se trata de crianças bastante pequenas, outros "truques" há que se mostram eficazes com crianças mais crescidas ou até com adultos. Basta que seja usada uma qualquer "formula" que perturbe o alvo e o leve a não raciocinar correctamente, como: "Eu vim buscar-te porque a tua mãe teve um acidente" ou esquema semelhante.

Prevenir, alertar, ensinar, demonstrar.



E o que faria se presenciasse uma cena suspeita com uma criança?
Sim... De certeza?

SEM TÍTULO, SEM NADA

Há pouco escrevi no Facebook:

O Dia da Mãe é dos melhores dias quando somos filhas e ainda melhor quando somos filhas e mães; um enorme privilégio, só falta as luzinhas para ser melhor do que o natal.
É de facto um enorme privilégio... É bom ter isto presente.
Para mais assim, como eu que estive com a minha Mãe, o meu filho, comodamente à boa mesa, na boa gargalhada e aninhada na insubstituível intimidade e à-vontade de estar em família.

Pouco depois entrou-me  olhos dentro uma fotografia que se alojou no meu peito até transbordar... Não digo nada, nada há a dizer que não seja sabido, supérfluo, ridículo.

Quando se é mãe, digo, Mãe, não se é mãe apenas dos nossos filhos, é-se Mãe de todas as crianças do mundo; sei que soa a frase feita, poética, romântica, mas as Mães, provavelmente só elas, sabem que isto é verdade como punhos.

Se conseguisse rezava.
Se pudesse metia-me num avião e ia abraça-los; se fizesse sentido trazia-os daquele inferno e oferecia-lhes a família que a vida lhes roubou.
Deus Pai... onde estás?

Two and a half year old sister protected by four year old brother in Nepal.
Perhaps one of the most divine picture of the century!

QUAL CATWOMAN QUAL CARAPUÇA

A nova super-heroína da América chama-se Toya Graham, tem 42 anos e é mãe solteira

A polícia de Baltimore agradeceu-lhe e referiu que se existisse uma maioria de mães como ela metade dos problemas dos jovens estariam a bom caminho de se resolver

O adolescente Baltimore que foi esbofeteado pela sua mãe com raiva durante os distúrbios de segunda-feira - um momento visto em um vídeo que rapidamente se tornou viral - diz que aprendeu uma lição com a sua humilhação pública.  
Baltimore Police Commissioner Anthony Batts seemed to agree.
"I wish I had more parents who took charge of their kids tonight," 
.Pastor Jamal Bryant told Inside Edition:
“I wish all of the parents of Baltimore would take on her spirit and go pull your children out of the streets,”  
Toya Graham even got a nod from White House press secretary Josh Earnest, who called the confrontation a "powerful expression about the role that parents can play."
Toya Graham told "CBS This Morning" that she doesn't feel like a "hero.""I don't," Graham told "CBS This Morning" on Wednesday. "My intention was just to get my son and have him be safe." 
For his part, the teen said he understands why his mom smacked him. 
"I understand how much my mother really cares about me," Singleton told ABC News. "So I'm just going to try and do better."
Ora vistis...

Um bom par de tabefes no momento certo nunca matou ninguém nem é trauma para o resto da vida, pelo contrário, pode ser uma excelente "vacina" para infecções graves, por vezes letais. Abençoada mãe que não fica a olhar nem deixa de fazer o que deve por estar em público.

Ser Mãe é pôr o filho em primeiro lugar, o resto... que se lixe.

RACISMO? " I am an American"

Ontem, antes de apagar a luz para dormir, fiz a habitual voltinha dos canais de informação; a CNN transmitia a loucura que se passava em Baltimore. Uma manifestação pacífica e bastante ordeira tinha sido, em minutos, transformada numa batalha campal de agressões à polícia, destruição de automóveis da polícia e civis, ataques e pilhagem a estabelecimentos comerciais, à pedrada e com fogo posto, por parte de jovens negros. Jovens? Muitos pouco mais eram do que crianças espigadas nos seus casacos de capuz de adolescentes "ousiders".

Mas esta parte já tinha passado, agora os bombeiros tentavam vencer um enorme fogo que atingia edifícios comunitários novos, recém inaugurados. Segundo os vários repórteres, a situação estava longe de ser geral, restringia-se a alguns pequenos bairros da periferia.
A dada altura, onde se encontrava um dos repórteres da CNN, duas dezenas de FEDELHOS, miúdos de liceu, berravam no meio da rua, incitavam o cordão da polícia que a fechava, lançavam uma ou outra pedra que estivesse à mão. Desenhavam mais uma cena triste e complicada a materializar-se a qualquer momento.

Então um homem idoso, negro, magro e seco, caminhou até ao centro da via e ficou parado a olhar para os fedelhos;
"Get your butts home", disse-lhes, "go home kids".
A cena repetiu-se, não foi rápida, foi uma atitude, uma resolução e ele não saía dali, parado, mãos nos bolsos das calças, queixo levantado.
O repórter da CNN acabou por ir ter com ele...

Abaixo está um excerto ( e vídeo) da conversa que tiveram, precocemente interrompida para transmitirem em directo a comunicação do Governador.

A Vietnam veteran took to the streets of Baltimore amid utter chaos on Monday night and urged rioters to go home. He also delivered an amazing, impromptu message on live TV after a CNN reporter approached him.
The man, who identified himself as Robert Valentine, said the violent rioters do not “respect” the death of Freddie Gray or the family’s feelings. Gray died of a serious spine injury while in police custody, sparking unrest in Baltimore.

“Here’s number one: I did 30 years, OK? I came out a master sergeant. I’ve seen more than all of this. I’ve been through the riots already,” Valentine told CNN. “This right here is not relevant. They need to have their butts at home. They need to be in their home units with their families studying and doing something with their life — not out here protesting about something that’s not really about nothing.”He continued: “They do not respect this young man’s death, you know? Now, momma and daddy done lost a child — that could be them. So, I’m very pissed.”

When asked if he was concerned about his own safety, Valentine replied, “I love my country, I love my charmed city.”
“And I’m an American,” he added. “I’m not black, white, red or yellow — nothing. I am an American.” 
CNN host Anderson Cooper dubbed the man a “hero” for his bravery in Baltimore. (texto na ABC TV on line)

Também abaixo se encontra um video mostrando uma mãe que viu o seu filho na TV e foi busca-lo... de forma eficaz e absolutamente apropriada. Mais houvera.

E declarações... de dois americanos, ambos negros, um habitante de Baltimore, outro habitante da White House.

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Existe um problema de brutalidade policial? Obviamente que existe

Existe uma taxa de criminalidade concentrada nos bairros predominantemente negros? Obviamente que existe.

Existe um problema a resolver na forma como a polícia aborda estas populações? Não, existem vários, diversos e de ambos os lados.

A polícia não pode ter medo de combater criminosos, sejam eles de que etnia forem.

A polícia não pode ser prepotente por ser "a polícia"

Um negro (ou qualquer outra pessoa) não pode ser tratado com luvas de veludo para não se cair em "discriminação racial"

Não existe qualquer confusão entre Exercício de Direitos e Abuso de Poder; seja por parte da polícia seja por parte de qualquer individuo ou grupo étnico.

Os Estados Unidos são uma comunidade racista na qual não existe igualdade de oportunidades?
Look at the guy at the top, please...

Existem racistas nos EUA? Os EUA situam-se no planeta Terra...

O racismo, violento ou encapotado, é uma exclusividade dos caucasianos?
Vide Oprah Winfrey - Nunca violenta, sempre generosa, produtora de verdadeiros incitamentos à rebelião negra, dissimulada na história e cultura americanas, onde ela se tornou numa das mulheres mais ricas e influentes dos EUA.


 #BaltimoreRiots:  A mom reacts after seeing her son on TV throwing rocks at police. What do you think?
 Tuesday, April 28, 2015


I've got a message for the rioters in Baltimore. #BaltimoreRiots
Posted by Ray Lewis on Tuesday, April 28, 2015




"That is not a protest, that is not a statement, that's a hand full of people taking advantage of a situation for their own purposes and they need to be treated as criminals". B. Obama - 28/04/2015

ZORBA A DANÇAR AS CZARDAS

O governo grego, já para os próximos dias tem a entregar ao FMI o primeiro pagamento, de 448 milhões de euros, referente ao primeiro resgate financeiro de 2010 até 9 de Abril, um outro de 200 milhões para os mercados  a 1 de Maio; a 14 tem a pagar 1700 milhões em salários e pensões...

O pagamento ao FMI estará garantido e o respeitante aos mercados estará pela metade (segundo analistas em Bruxelas). Depois virá o grosso do pacote em Junho e nos dois meses seguintes... Esses estão actualmente a descoberto, assim como o funcionalismo do Estado grego.


No passado domingo, após um encontro informal em Washington, com a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, Yanis Varoufakis garantiu que a Grécia “tenciona cumprir todas as suas obrigações para com todos os seus credores. O governo grego sempre cumpriu as suas obrigações e continuará a fazê-lo.” 

(Ouvem-se vozes de "apoiado, muito bem, tens uma g'anda lata" )


No dia seguinte, segunda-feira passada, dia em que as negociações técnicas foram retomadas em Bruxelas, Lagarde e Varoufakis encontraram-se com responsáveis do Tesouro norte-americano, entre eles o sub-secretário Nathan Sheets, encarregado dos assuntos internacionais e a conselheira do Presidente Barack Obama para a economia internacional, Caroline Atkinson. 


Mas na política, entre o que se ganha e o que se perde, baralha-se, volta-se a dar à espera de que tudo se transforme...



Alexis Tsipras, foi direitinho a Moscovo onde se reuniu com Vladimir Putin, não sem antes ter o cuidado de defender o fim das sanções da UE à Rússia, cuja economia está em recessão. Na agenda do encontro Tsipras-Putin estão restrições russas a produtos alimentares gregos e as relações bilaterais. Uma fonte do Kremlin admitiu que a Rússia poderá fazer descontos no gás que vende à Grécia. Segundo o gabinete de Tsipras, a reunião com Putin servirá para discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia, turismo, energia, investimento e comércio. 


"Discutir as relações entre a União Europeia e a Rússia" ??? O homem ensandeceu ou tem um mandato secreto?

Foi declarado para a imprensa que não estão previstas ajudas económicas de Moscovo a Atenas...
Considerando a actual recessão russa e a política internacional que Putin insiste em manter não vale a pena "o roto e pedir ao nu que lhe empreste umas roupitas".

Pergunto eu, então o que foi Tsipras fazer a Moscovo?

Digo eu, asneiras, mais asneiras. Foi por-se a jeito, mostrar o rabo e chegar à previsível conclusão que dali não vem 1 litro... a menos que levasse 5, ou 10.

Varoufakis tem a mania de que é diabólico, o Guevara da aurora da Nova Europa, renascida da luz da Grécia, que é ele. 
E Tsipras? Tsipras é parvo. Não é estúpido, mas é parvo. Ainda está sob os efeitos da vitória do Syriza, vagamente alucinogénicos; ainda não equacionou bem as incógnitas: para vencer basta conseguir ter votos, para governar é preciso ter com quê... Sem x, y é igual a zero. E não, a Europa não vai sucumbir de medo que a Grécia lhe dê com os pés.

Horas antes do encontro Tsipras/ Putin, Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, foi avisando:
"A Grécia pede e obtém muito solidariedade da União Europeia. Podemos assim também pedir solidariedade à Grécia para que não saia unilateralmente das medidas conjuntas. As suas acções em Moscovo devem ser baseadas nisso". "A União Europeia espera isso dele como chefe de Governo de um Estado-membro"."
"Criámos as fundações para um novo relacionamento entre os dois países", assegurou esta tarde o primeiro-ministro grego. Alexis Tsipras falava após o encontro com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscovo, onde defendeu o fim das sanções impostas pela União Europeia no rescaldo da intervenção russa no leste da Ucrânia."
 (in Blooberg TV)
(Então mas afinal a Rússia sempre interveio no leste da Ucrânia? O Kremlin sempre o tem vindo a negar...)

As agências internacionais escrevem que Moscovo e Atenas se preparam para assinar acordos comerciais em diversas áreas, com o objectivo de estreitar relações ao longo dos próximos três anos.
"Segundo avança o jornal russo Kommersant, citando uma fonte do governo de Putin, na calha poderá estar a oferta de gás russo mais barato e eventualmente empréstimos a Atenas, em troca de acesso privilegiado às privatizações gregas. A Grécia compra 57% do gás que consome à Rússia, e já em 2013 a Gazprom tentara, sem êxito, comprar a grega DEPA. Moscovo estará ainda disposta a levantar o embargo, com que retaliou os países da União Europeia, para apenas permitir a entrada de produtos agrícolas gregos." (in Blooberg TV)
Vladimir Putin, mostrou grande interesse em dinamizar as relações comerciais entre os dois países e em participar em negócios na área da energia - designadamente para estender o gasoduto que promete ligar a Rússia à Turquia (através do mar Negro) a território grego, transformando a Grécia (em vez da Bulgária, originalmente envolvida no falhado "south stream") no "hub" de distribuição de gás para os Balcãs e para Europa central. O governo grego, assim como o governo  húngaro de  Viktor Órban, querem financiamento europeu para um troço deste projecto, conhecido por "turkish stream", por intermédio do "plano Juncker", destinado a relançar o investimento na União Europeia."(in Jornal de Negócios on line) 
O governo grego está a jogar um jogo perigoso, de consequências mal medidas, irresponsável, egocêntrico, quase infantil... Fez promessas impraticáveis, por irresponsabilidade ou demagogia, o facto é que as fez. A romântica e juvenil vitória do Syriza, fruto de um desgoverno prolongado e uma austeridade sem reformas, vestiu ao actual governo uma camisa de onze varas, não um fato de super-homem heroico. Quando confrontado com a realidade, a dura e caríssima realidade, este governo optou por uma postura arrogante e irrealista. De cofres vazios viu-se forçado a negociar; percebeu que as dívidas, afinal são mesmo para pagar, ao contrário do que advogava um Zé-Sócrates-Chico-Esperto. Percebeu que não existem empréstimos nem resgates incondicionais. 

 Mas há coisas que o governo grego ainda não percebeu... 

 Assim como não existem empréstimos incondicionais, nem perdões de dívida a um Estado (muito menos quando outros Estados, como por exemplo Portugal, se esfarrapam para conseguir cumprir os seus compromissos de pagamento), assim como não se vence as acordadas exigências da "troika", com arrogantes tomadas de posição de "No meu governo mando eu"; também não se dobra a tomada de posição da União Europeia ao decidir impor embargos económicos a um país invasor de um Estado independente e soberano. A aldeia global existe e não é apenas virtual, o individualismo estatal está morto. 

 E mais..

Pergunto-me o que pensará o povo grego, ocidental por cultura e tradição, ao ver o seu país furar o conjunto de castigos económicos  e isolamento de um Estado agressor e invasor de um outro Estado soberano. Talvez seja tempo de Tsipras fazer umas revisões e lembrar o que opôs Atenas e Esparta. Embora os guerreiros tenham vencido a guerra do Peloponeso foram engolidos pela história e pela degradação do mundo helénico.

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OS LUCROS DOS TRABALHADORES

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Tenho um amigo que publicou hoje, a propósito de uma notícia que saiu no passado dia 24/03, a seguinte exclamação da sua alma em revolta:
"Privatizaram a Lisnave para agora aparecerem estes resultados desastrosos? ... Paralisação, Já!"
Solidarizei-me de imediato partilhando a sua indignação; há que lutar pelos direitos dos trabalhadores e pela distribuição de riqueza.
Para quando um Nicolás Maduro em Portugal que nos defenda? 
Razão têm os Syrizas ao guardarem as suas nacionalizações populares, o sector privado é uma miséria para o povo. Quem precisa dos milhões que uma privatização dá aos cofres do Estado se depois os resultados são estes?
E não há-de o povo estar chateado...

(Pois é, tenho dias em que acordo para o lado esquerdo... Hoje deve ter sido o caso, está mesmo a apetecer-me uma manifestação de protesto domingueira seguida de uma greve geral à segunda-feira. 
Então ninguém trata disso?



"A Lisnave vai distribuir 1,2 milhões de euros pelos trabalhadores efectivos como "gratificação de balanço" pelos resultados alcançados em 2014. "
"Ou seja, um lucro líquido de 6,47 milhões de euros, anunciou esta quinta-feira a empresa de reparação naval de Setúbal.
A decisão foi revelada em comunicado divulgado após a Assembleia Geral de Accionistas da Lisnave, realizada esta quinta-feira, em que foi aprovado o Relatório de Gestão e Contas de 2014.
De acordo com o comunicado, a Lisnave reparou no ano passado um total de 92 navios de 21 países, "apesar do volátil e adverso contexto que vive o mercado do shipping internacional", tendo registado um volume de vendas de 85,67 milhões de euros.
O comunicado salienta ainda que a Lisnave exporta 98 por cento da produção, com uma incorporação nacional superior a 90 por cento. "Agência Lusa" - "Jornal I"
E não digo mais nada

MAIS VALE ESTAR CALADA

Tenho estado muito calada... Pois tenho, o estado do mundo dá-me conta da cabeça.

O suposto "Estado Islâmico", o filho da senhora Putin, as imagens da Ucrânia, o Boko Haram e as crianças a quem vestem coletes-bomba na Nigéria, Al Assad e o sacrilégio da Síria, o nó górdio no Irão, o Yemen a explodir. E todas as outras loucuras incompreensíveis... Obras de arte milenares destruídas, atentados terroristas, milhões de refugiados em tendas de armazéns apátridas, assassinatos impunes, perseguições religiosas, confrontos pseudo-racistas manipulados por motivos bem claros e bem obscuros
Não consigo alhear-me; não sei se o lamente se me congratule.
Não consigo sentar-me frente a um computador e do alto do meu conforto dissertar acerca da desgraça alheia que também é do meu mundo, não tenho fuga.
Prefiro não perder boas ocasiões para estar calada, o pudor de me sentir triste olhando o mundo sobrepõe-se a qualquer verbalização dessa tristeza ao ter consciência do privilégio de viver em paz.
...De nada me queixo, até teria vergonha.


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A REALIDADE DOS FACTOS


Há verdades que chateiam de tão verdade que são e, quando essas verdades são brasas que aquecem a sardinha do outro ainda chateiam mais, ainda que aqueçam também a nossa sardinha.

Como dizia "o outro", criam-se factos políticos, berra-se bem alto sobre o que está mal (claro que muito está mal, não temos santo milagreiro em funções nem a árvore das patacas no jardim), fazem-se greves que não colam, omite-se sob o tapete que se vai puxando o que não convém que  seja divulgado. Não gasto mais palavras a expor o que toda a gente sabe, quer se coloque por um lado ou por outro.

De resto mais não preciso dizer, pego nas palavras cruas que Sandra Clemente publicou ontem no Económico e tenho dito.
Quem ficar chateado por a sardinha estar assada pode recorrer aos insultos habituais, ou olhar para os horizontes nacionais e constatar que se encontram bem mais alargados do que há quatro anos, sem Parthenon em ruínas.

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O Governo de Passos
Passos Coelho pegou num país falido, sem acesso a financiamento e comprometido com um programa de ajustamento violentíssimo e conduziu-o, durante três anos, para fora do resgate, voltando a financiar-se nos mercados a taxas de juro mais baixas de sempre, pôs a economia a crescer, o desemprego a baixar e o emprego a aumentar.
"A primeira etapa, tirar o país da assistência financeira, foi ultrapassada e a segunda, fazer de Portugal um país com futuro, semeada durante a primeira, está a ser vencida. O País tem confiado. Nestes quatro anos o Governo reformou de tal maneira a economia que alterou o seu perfil estrutural com consequências a todos os níveis: o sector exportador está a ser o motor de saída da crise. Aumentou o investimento (o público está em queda). A prioridade é agora a industrialização. Na banca mudaram todos os protagonistas. Na classe política virou a geração, na empresarial está a virar. Saíram 60 mil pessoas do Estado que funciona. 
Na educação saíram cerca de 30 mil professores e ninguém ficou sem aulas; na saúde a factura com medicamentos e as rendas aos laboratórios caíram centenas de milhões de euros; na justiça foi feita uma reforma sem precedentes; na defesa a reforma 2020; na energia e obras públicas (PPP) foram cortadas rendas com poupanças, presentes e futuras, de milhões de euros ao contribuinte; o Estado manteve e reforçou a rede de segurança para os mais vulneráveis à crise. Pelo caminho, o Governo enfrentou a oposição do Constitucional que boicotou a reforma do aparelho do Estado e a não comparência do PS para um acordo inadiável de reforma da segurança social. 
Não são queixas, são factos, e os factos criaram impossibilidades. O alerta do FMI para que as reformas estruturais não parem terá muito de pressão para o Governo mas chama sobretudo a atenção para o retrocesso que significam Costa e ‘entourage', membros dos governos de Sócrates que faliram o país, que continuam a prometer o que nos faliu e tudo o que o Governo Grego foi obrigado a congelar há duas semanas para obter financiamento: aumento de salários públicos, pensões e investimento público (tudo sem planeamento, sem gerar valor acrescentado, apenas dívida), travar privatizações. Já ultrapassamos esta fase, o Governo precisa de mais quatro anos para a modernidade do país se solidificar." In: http://economico.sapo.pt/noticias/o-governo-de-passos_214480.html


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NÃO HÁ DIREITO...

"Pulgas atacam cela e perna de Sócrates"

"A cela de Sócrates terá sido invadida por pulgas e o ex-primeiro-ministro terá sido atacado pelas pulgas numa perna, segundo relatou o camarada de reclusão, o inspector da PJ João Sousa, no seu blogue. "

"João, o que acha disto? É bicho? Estou cheio de comichão! 
"São pulgas, José. O meu caro tem pulgas!", escreve o inspector, que aconselhou o ex-governante a "lavar a cela". "
In Correio da Manhã - 2Fev.2015





JUROS DA DIVIDA PORTUGUESA

Está uma rapaziada do PS com más digestões por o Matraquilho ter dito que Portugal de encontra em melhor do que há quatro anos.

Tse, tse, tse... Já deviam saber que o Toino-Matraquilho diz sem pensar no que diz (e às vezes até sem pensar o que diz)

Desta vez reconheço que o homem tem razão. Ele há coisas...
Cá para mim deve ter sido algum bruxedo que lhe fizeram.


Recado:

Exmos Senhores
Alexis Tsipras
Yanis Varoufakis 

Se não sabem como é que isto se faz, como se consegue, e dá-me a sensação de que não terão grandes pistas sobre o assunto, perguntem ao Pedro que ele explica-vos de boa vontade.

Boa sorte
Alex.
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PARA PENSAR TRÊS VEZES

Li duas biografias de Stephen Hawking (a de Kitty Ferguson e a de Michael White + John Gribbin)não sei qual delas a mais impressionante.
Stephen Hawking é uma pessoa fascinante, um cientista incomum, uma mente brilhante, um ser humano único.

Não tivera ele a fatalidade de lhe ter sido anunciada, aos 21 anos, uma degradação física irreparável e galopante que, teoricamente,  o conduziria à morte no espaço de dois anos, ainda assim seria não seria menos admirável, porém as suas características pessoais a montante do seu brilhantismo científico fazem dele um personagem único na história da humanidade.

Hoje, com 73 anos e mais de 125 trabalhos  e conferencias publicados entre 1966 e 2014, entre os quais 13 livros http://www.hawking.org.uk/publications.htmle ainda uma serie e dois filmes para o canal Discovery e dois filmes para o Channel 4 em trabalhos notáveis de divulgação cientifica e pedagógica.

Agora a história de Stephen Hawking inspirou um filme. E que filme, minhas senhoras e meus senhores! Im-per-dí-vel.

Para além do insuperável trabalho de Eddie Redmayne no papel de Hawking (é impossível que não esteja ali o "Oscar" de este ano) e da conseguida tentativa de permanecer fiel aos factos. inclusivamente recriando cenas conhecidas como o casamento ou filmes domésticos com as crianças,  a história, as cenas, a força, a dignidade do que se desenrola perante os nossos olhos é absolutamente imperdível.
Compreensivelmente Hawking disse após ter visto o filme: "Senti uma mistura incrível" (entre a representação e si próprio)

Quando me sinto uma desafortunada por ter de me levantar cedo, com frio, quando acho que tenho de fazer um grande esforço para cumprir com o que devo por estar demasiado cansada, etc., lembro-me frequentemente de Stephen Hawking e, envergonhada, ando para a frente. Mas saber é uma coisa e "ver" é outra; creio que muitos de nós pensarão três vezes antes de emitir o mais leve queixume após ver este filme, com os olhos, o coração e o cérebro.