E CAIR UM RAIO QUE O PARTA?

 Hoje foi noite do State of the Union

É difícil encontrar tantos pulhas no mesmo sítio 

Trump entrou atrasado, claro, por volta das 2h da manhã GMT, 21h em Washington. Quando por fim chegou ao púlpito, depois de muito lhe lambusarem o anel, lá começou a falar.  Eu comecei a ouvir,  há dezenas de anos que oiço sempre o presidente dos EUA no State of the Union, seja ele quem for. Até o Trump.  

Aguentei estoicamente pouco mais de 10 minutos. O chorrilho de mentiras e auto-elogio fluia com arrogância incontida. O auto-enaltecimento e a pose de o-mais-poderoso ainda aguento mas as mais descaradas mentiras que são aplaudidas por quem as conhece a fundo... É demais... muito mais do que consigo suportar sem sentir e pensar coisas horríveis que não quero pensar nem sentir. Refugiei-me, tentei dormir.
Passava pouco das 3h fui espreitar o monstro.  Estava a fazer uma "manobra de génio":《Quem estiver de acordo comigo que se levante》, e atirou uma bojarda para o ar sobre "o governo ter como primeira obrigação a defesa da América", convencidíssimo de que conseguiria levantar toda a sala. Saíu-lhe a generalidade pela culatra, meia sala permaneceu sentada, olhares críticos, de soslaio, de isso-querias-tu... Seguiram-se insultos minimamente contidos, mascarados de descrédito. Visivelmente irritado pelo flop da sua esperteza, não obrigou meia sala a levantar-se, somado à pressão de vaias públicas, sondagens decrescentes e uma economia que teima em desmenti-lo, o Trump que pretendia uma imagem sorridente e de bem-amado derrapou na irritação e contraridade. "Deviam de ter vergonha", vociferou, como ele soubesse o que é ter vergonha.

Nesta altura resolvemos ir com os cães à rua, alguma alegria e sossego nesta noite de ódio destilado de um dos púlpitos mais poderosos da Terra. 

Quando voltamos, ao bater das 4h da manhã, o monstro estava a terminar. Trombudo, insatisfeito, irritado, apesar dos muitos apertos-de-mão-estou-aqui-estás-ver-me e das palmadinhas sorridentes nas costas.

Durante a sua arenga de 2horas, no dia em que a guerra na Ucrânia cumpriu 4 anos, o presidente dos EUA dedicou-lhe  uns 30 segundos: "Estamos a fazer todos os esforços, então a morrer milhares de soldados, nunca teria acontecido se eu fosse presidente na altura". Está feito, nem se lembrou que acabaria com a guerra no primeiro dia da sua segunda presidência... mas lembrou-se de que "já acabou com 8 guerras"

A minha noite foi irritante mas a dele, diga o que disser, foi pior. 

Ainda por cima não gosta de cães 

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