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PRESIDENCIAIS 2026, COMO CHEGÁMOS AQUI?

 Nunca passou pela cabeça de Ventura que a "direita", no seu sentido mais lato, não votaria nele;
Acreditou que "se a direita se sentir encurralada", mesmo a contragosto lhe daria os seus votos.
Nem assim.

« Nunca existiu um movimento tão popular, tão genuíno, tão da base deste país contra as suas elites e o seu sistema.  As elites juntaram-se para nos atacar»; 
é uma pena que não tenha razão, como seria positivo ter um país em que mais de 60% da população votante pertencesse à elite.
«Continuar a luta de um povo inteiro contra as elites»  
Parece um Che Guevara-Tuga😁😅😂
« O "sistema" esteve todo contra nós»... Não foi o "sistema", o sistema não vota, foi a esmagadora maioria do povo português, pá 

O que Ventura não percebeu, nem os seus apoiantes, é que à direita, à esquerda ou no vou-ali-já-venho, a esmagadora maioria das pessoas não quer, não aceita, um Estado autoritário. Os portugueses não estão minimamente interessados em rever "um Salazar", muito menos três;  não convivem com as "vantagens" de um Estado em conluio com os poderes económicos que sustentam Ventura (leiam o livro, que ninguém no Chega expôs como infundado ou viciado), não trocam o pleno reconhecimento dos Direitos Civis por uma autoridade que os reorganize e distribua à sua maneira de acordo com o projecto político e social que pretende implementar. Um dos mais repetidos chavões de campanha é um vazio "Há 50 anos que andamos nisto"; 

"Nisto" o quê, exactamente?
(No final deste post deixarei 50 exemplos de realizações, importantes para todo o país, que tiveram lugar durante os 50 anos em que "andamos nisto". São tão inequivocamente transformadoras que nem me debruço sobre qualquer justificação)

Nisto, o "sistema"?
O "anti-sistema"? O "anti-corrupção"? A demagogia chega a ser hilariante. O Chega a ser hilariante... Como se o Chega, ou seja, o André, não estivesse totalmente vendido e empenhado no "sistema". O André surgiu porque se prestou a ser sustentado por aquilo, e por quem, lhe deu visibilidade e audiência, um palco para brilhar. Ó André, como é que passaste, de um dia para o outro, do anonimato a ser presidente de um partido que te ofereceram com uma missão? Como conseguiste um microfone senão através do sistema? O que tanto te motiva a ambição senão encabeçares um sistema corrupto que deseja tomar as rédeas do Estado? Tu és a voz e a cara de um sistema que foi rejeitado e que ambiciona repor a sua vigência.

Ventura tem o dom de inflamar as massas, as massas que sentem necessidade de se sentir inflamadas para extravasar o seu descontentamento, a sua frustração e até as suas invejazinhas. Ventura é um exímio manipulador emocional; quando confrontado com a abordagem racional de problemas socio-políticos fica fora de pé. Não tem preparação, não tem o insubstituível treino de encadeamento de raciocínio alicerçado por conhecimento. Refugia-se em chavões, em mentiras, em tiradas de Monsieur de La Palisse refutáveis com grãos de realidade

A esmagadora maioria das pessoas não aprova as relações internacionais que Ventura cultiva. "Diz-me com quem andas...".  Marine Le Pen e Jordan Bardella, Alice Weidel e Tino Chupalla, Santiago Abascal, Viktor Orban, Geert Wilders, Nigel Farage... Citando apenas os mais mediáticos e sem falar nas proveitosas visitas aos EUA. Há 1 ano lia-se no site do Chega: « André Ventura foi convidado, enquanto presidente do CHEGA, para participar na cerimónia da tomada de posse de Donald Trump. Esta é a primeira vez que um português é convidado para a tomada de posse de Donald Trump».
Que orgulho!!! A primeira vez, o único... Por que será?

André Ventura não é diferente desta gente, em nada para além da sua diminuta projecção. Todos recitam a mesma cartilha, todos destilam os mesmos medos e ódios; não é novo, está nos livros, o que é novo é a máquina de propaganda que se tornou global e o contágio directo. Todos abrem as portas a um autoritarismo classista e desumano, todos abrem a porta ao poder elitista e, pior, sustentado por uma estratégia internacional obscura, um comando de bastidores

E, tal como Putin e Trump, dizem-se cristãos como quem evoca uma fórmula mágica para aceder à alma alheia. Uma estratégia moralmente inqualificável. .

Não sou católica, a religião institucionalizada é-me estranha; a espiritualidade é-me íntima, não me é social, muito menos política. Tenho o mais profundo respeito pela convicção espiritual de cada um, considero um dos aspectos mais íntimos - se não o mais íntimo - que pode abarcar a alma humana. Considero absolutamente abjecto o aproveitamento político da reliogidade, seja em que termos e com que fim for. É a derradeira profanação, o derradeiro abuso, da alma alheia 

Milhares de católicos e de não-socialistas assinaram manifestos de apoio a António José Seguro, de António Capucho a Nuno Melo, de Paulo Portas a Leonor Beleza, , de Nascimento Rodrigues a JM Júdice, de Chicão (Rodrigues dos Santos) a Carlos Moedas. Montenegro, enquanto primeiro-ministro não se quis pronunciar mas enquanto Luis Montenegro disse mais do que o suficiente.
Mais... e ainda mais importante:  a Conferência Episcopal Portuguesa alertou para o aproveitamento indevido do catolicismo e do cristianismo para fins eleitorais - “Discursos incompatíveis com a dignidade humana”. A Comissão Nacional de Justiça e Paz, organismo responsável pela divulgação da doutrina social da Igreja Católica, manifestou-se publicamente contra "instrumentalização dos valores cristãos para fins políticos" acrescentando que "considera ser imperioso rejeitar políticas que destruam os laços sociais e que gerem injustiças". O bispo de Setúbal, D. José Ornelas, afirmou publicamente que “não há lugar para o cristianismo onde se promove o ódio ao outro”. Numa homilia recente, o padre Anselmo Borges criticou o “nacionalismo desumano que se veste de fé para esconder a intolerância”.

É importante que o tenham feito. É repugnante ver fotografias e filmagens de campanha que acompanharam Ventura - ou fosse quem fosse mas mais ninguém, alguma vez, o fez  -  em "momentos de recolhimento" na igreja. Não o fez nem uma, nem duas, nem três vezes, as fotografias na net sucedem-se. Não foi fotografado quando estava presente a uma missa onde foi "visto";  Fez-se acompanhar por quem fotografasse e filmasse o seu "recolhimento em oração".

É isto que os portugueses querem? 
Nos votos, nas reacções, nos mais inesperados, insuspeitos de esquerdismo subjacente, apoios ao candidato que se lhe opôs, e só por isso...  A resposta está dada. 
Inequivocamente, não querem.

A esmagadora maioria das pessoas não é susceptível aos argumentos de acesas conversas de café que repetem frases feitas para ser recitadas como uma sementeira de rancores, de medos, de divisão. Quando determinados círculos da população, invariavelmente nos extremos da faixa política, exibem uma contínua incapacidade de aceitação de conceitos e opiniões diferentes dos seus acabam por ficar muito mal na fotografia, sempre.

Muitos ignoram, ficam-se pelos slogans e atoardas, mas muitos lembram-se de o partido de Ventura advogar que: "Ao Estado não compete a produção ou distribuição de bens e serviços, sejam esses serviços de Educação ou de Saúde, ou sejam os bens, vias de comunicação ou meios de transporte."

Ao Estado não compete a produção ou distribuição de bens e serviços de saúde? O SNS tem inúmeros problemas, sem dúvida, é uma praga que recai sobre os serviços de saúde de muitos países da Europa e não só mas, melhor ou pior, funciona e é a única opção de muito boa gente. Reveja-se o financiamento, uma optimização de meios,  mas termina-lo, à moda de um terceiro mundismo bacoco? À semelhança do indigno e amoral sistema de saúde exigido aos cidadãos norte-americanos?  Quando Ventura sucumbiu ao refluxo, durante o comício no Algarve, não recusou nem criticou a assistência recebida no hospital de Faro. (Em Faro não há assistência hospitalar privada? Há sim, aos magotes)

 - Ao Estado não compete a produção ou distribuição de bens e serviços de educação? A educação garantida pelo Estado é um dos pontos de orgulho do nosso país. Até no Bangladesh , ainda que limitado por questões económicas, existe um serviço de educação público gratuito. Aliás o estudante André não teve quaisquer pruridos em se licenciar na pública Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa nem em usufruir do financiamento pelo Estado português, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, para o seu doutoramento em Direito Público na University College Cork, na Irlanda.
A coerência entre o dizer e o fazer é uma virtude exigente...

O mais triste é que as bases mais básicas do Chega, os "desfavorecidos pelo sistema", seriam os primeiros a ver-se despojados de Direitos fundamentais, como saúde e educação, se o seu programa partidário fosse aplicado ao Estado

Um regime presidencial?  «Contribui para diminuir a corrupção, o clientelismo e a permeabilidade dos poderes públicos», diz Ventura. 
Ora pois com certeza, a concentração de poderes numa só figura de Estado iria ser o baluarte contra a corrupção, o clientelismo e a permeabilidade dos poderes públicos. Como? 
Diminuiria, p/ex., o clientelismo ao concentrar a clientela numa só figura? Os "meus" e os "outros"... Parece uma anedota. Compreende-se,  isto do parlamentarismo dificulta estupidamente a concentração de poder numa só vontade e, sem parlamentarismo, não se justifica a existência de um primeiro-ministro. Claro como água. Não, Ventura, não mesmo, de todo, em nada.

Dizia André no rescaldo eleitoral da 1ªvolta:
«Sou o novo líder da direita»

Não André, não és, a direita em Portugal não te quer. Contenta-te com a extrema-direita, que te abandonará no dia em que tenha um D. Sebastião mais apresentável, tu não passas de um manipulador de bases manipulado por elites financeiras e projectos inconfessos

Mais. De tal forma a direita não te quer que empresta o seu voto ao candidato socialista independente - que teve o endosso de muitas e importantes figuras das suas alas democráticas, 

... Mas não de Costa... Ventura não fala nisso, o Chega ignora convenientemente. Costa, quando questionado, limitou-se a dizer. «Votarei na 2ª volta como já votei na primeira» ; de novo questionado: «Vai então apoiar o candidato da área democrática...?» E Costa repete « vou votar como já votei». Costa não é capaz de dizer o nome de Seguro, abomina-o. Votou nele ou em branco? Irrelevante.

Um candidato socialista... independente por quê?

《Vivo sem amarras, a minha liberdade é a garantia da minha independência》 

Em 2014 António José Seguro era secretário-geral do PS desde 2011, quando o PS perdeu estrondosamente as eleições.  Durante o seu sequente mandato à frente do PS. Seguro ganhou duas eleições, umas  Autárquicas e umas Europeias "por poucochinho" (4%).  Em 2014 as Legislativas espreitavam....
Recuemos 1 ano para avançar contexto
Jorge Lacão, vindo de dois pelouros no governo de Sócrates (2005/09 - 2009/11) seria o director de campanha da candidatura de António Costa à liderança do PS em 2013; mas Costa acabou por não se candidatar, existiam "sensibilidades internas" e Costa não tinha o congresso do partido no bolso. Lacão, um laureado pulheco, entrou para o Secretariado Nacional do PS de Seguro pela mão de Costa "para conciliar sensibilidades", ou seja, foi lixar António Seguro palacianamente, ganhando os favores de Costa.  E Costa é um tipo bestial a fazer favores aos amigos.
Em Maio de 2014 Lacão demitiu-se do Secretariado Nacional gerando um vendaval interno.  Costa, então presidente da CML - cargo que disse que não abandonaria pela liderança do PS -  declarou-se "pronto para avançar". Vieram as Legislativas. O PS perdeu para um PSD sem maioria. Costa recusou-se a tentar um acordo com Passos Coelho, queria ser primeiro-ministro e, obviamente, não seria se em coligação com o partido vencedor. As conversações entre os dois partidos mais votados não passaram de uma mise en scène costiana; Costa dialogava à esquerda procurando uma Geringonça governativa. O presidente Cavaco, com uma valente dor de corno devida ao sucesso de Passos Coelho como líder partidário, consentiu. Podia ter exigido a Costa um acordo com o partido vencedor, podia ter nomeado um governo minoritário e marcado novas eleições  -  como, nesse mesmo ano, sucedeu repetidamente na Alemanha até surgir um entendimento -  mas não, consentiu tudo o que Costa engendrou. Cavaco sempre foi invejoso, desde que assumiu a presidência do PSD e retirou de "cabeças de lista" todos aqueles que não morriam de amores por ele, esta fraqueza foi evidente durante o mandato de Passos Coelho. Perante a Geringonça formada António Seguro conteve urros, mas não se conteve em chamar traidor a Costa, e aos seus traficantes de influências.


Existe um abismo que separa estes dois Antónios, felizmente, ou a situação seria muito mais complicada. Já entre Costa e Ventura a diferença estabelece-se entre os interesses e as directrizes políticas que servem;  
O percurso político de Ventura, até ter sido escolhido a dedo para fundar o Chega tem que se lhe diga...  Quando era candidato à Câmara Municipal de Loures pelo PSD - que veio a abandonar para fundar o Chega - revelou ao jornalista Alexandre R. Malhado que votou em José Sócrates quando o líder do PS se candidatou a primeiro-ministro e venceu: 
«Era jovem e parecia uma voz do povo. Aqui entre nós, fui um dos muitos que votou nele.» 
Eras jovem e Sócrates distribuía "jobs for the boys" como quem dá milho aos pombos; no PSD não conseguiste passar de vereador, em Loures,  contestado dentro do PSD, reprovado pelo CDS, apresentado na lista de Sérgio Azevedo, um dos arguidos no caso "Tutti Frutti", que investigou acordos entre PS e PSD para contratação de funcionários ("boys") e favorecimento de empresários em juntas de freguesia.  
Em termos de carácter a linha é ténue, Ventura e Costa são dois espertalhões, dois ambiciosos que não olham a meios para atingir os seus objectivos, dois habilidosos manipuladores que se rodeiam de quem lhes deve uma ascensãozita, dívidas que são exímios a criar. Dois trafulhas políticos com projectos pessoais acima de tudo e de todos.

Uma vez as presidenciais consumadas, abre a temporada de oposição sistemática ao governo, uma oposição de choque, seja ao que for desde que venha do governo; ao contrário do apregoado, não virá do Presidente da República, virá de Ventura. Oposição pela discórdia? Tanto faz. O governo, independentemente de como governe, é o alvo a abater, mais do que nunca. Ventura quer ser primeiro-ministro, doa a quem doer, sejam quais forem as consequências para o país. Um novo "Verão de 75" de sinal contrário, uma "política de terra queimada" até...  Até que novas eleições se realizem. Ventura não irá meter o patriotismo na gaveta, não o tem no peito. Mais uma compatibilidade que tem com o outro, o do lado de lá do Atlântico, que disse que só se rege pela sua moralidade. Em ambos os casos é curto, muito curto.

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"HÁ 50 ANOS QUE ANDAMOS NISTO"? ; 50 e mais mudanças em Portugal nos últimos 50 anos

1- Eleições livres, Sufrágio universal  
2 - Consagração constitucional dos Direitos, Liberdades e Garantias do cidadão,
3 - Consagração constitucional da Igualdade de Direitos, Liberdades e Garantias idênticos para homens e mulheres
4 -  Extinção da polícia política, dos presos políticos
5 - Liberdade de imprensa 
6 - Direito de associação 
7 - Liberdade de expressão e de manifestação
8 - .Escolaridade obrigatória e escola pública gratuita ( 1974  >25%  analfabetismo - 2024= 3,1%)
9 -  Acção social escolar (bolsas, refeições, manuais comparticipados)
10 -  Acesso a todo o tipo de publicações nacionais e estrangeiras
12 - Normalização de criação e acesso a canais de televisão fora do âmbito estatal, nacionais e estrangeiros
13 - Proibição do trabalho infantil
14 - Complementos sociais para idosos e pessoas com deficiência
15 - Salário Mínimo Nacional
16 - Serviço Nacional de Saúde universal
17 -  Contrato de trabalho e legislação anti-precariedade
18 - Jornada de trabalho de 8 horas
19 -  Descanso semanal obrigatório
20 -  Férias pagas
21 -  Subsídio de férias e Subsídio de Natal
22 - Subsídio de desemprego
23 -  Baixa médica remunerada
24 - Pagamento de horas extraordinárias
25 -  Regulamentação do despedimento com e sem justa causa
26-  Indemnização por despedimento
27 - Justiça do trabalho e apoio jurídico 
28 - Seguro de acidentes de trabalho, Segurança e saúde no trabalho 
29 - Licença de maternidade remunerada
30 - Protecção na gravidez e no regresso ao trabalho
31 - Fim do serviço militar obrigatório e alargamento do serviço a voluntárias do sexo feminino
32 - Igualdade salarial por género, ainda que persistam incumprimentos
33 - Liberdade sindical 
34 - Criação do SNS - com todos os problemas que tem, a “Cobertura Universal de Saúde” de  Portugal na situa-se  na 3ª posição do ranking Mundial, a par com Alemanha e Reino Unido, 88 pontos, em escala de 0 a 100; apenas superado por 89 pontos da Islândia, Coreia-do-Sul, Singapura; 91 pontos do Canadá)
35 - Vacinação em massa e programas materno-infantis - 3º no ranking mundial c/95% ( 1974 <50%)
36 -  Centros de saúde, hospitais públicos e INEM
37 -  Aumento da expectativa média de vida dos Portugueses: 1974 - de 68 anos; 2025 - 82,7 anos 
38 - Queda da taxa de mortalidade infantil : 1974 - 76/mil p/  3/mil em 2025  ( média União Europeia= (3,2/mil) 
39 - Medicamentos comparticipados e  disponibilidade de genéricos
40 - Saúde mental e planeamento familiar disponibilizados
41 - Programas públicos de habitação e renda apoiada
42 - Fiscalidade progressiva
43 - Regulação bancária e garantia de depósitos
44 - Tarifas reguladas e serviço universal (energia, correios, telecomunicações)
45 - Violência doméstica é crime público, criação de casas-abrigo, linhas de apoio
46 - Saneamento básico universal - de 7% em 1974 a 98% em 2024) 
47 -  Água potável canalizada - 98,86%
48 - Integração de línguas estrangeiras no ensino básico e secundário
49 - Normalização de ensino básico e secundário misto
50 - Código Penal abrangente dos cargos governativos e similares: 
O Código de Processo Penal de 1929  era o diploma fundamental, o tratamento de cargos governativos era pautado por regimes de exceção e privilégios de foro.
Privilégio de Foro: Membros do Governo e outras altas figuras do Estado não eram julgados nos tribunais comuns de primeira instância. Gozavam de um foro especial no Supremo Tribunal de Justiça, que tinha competência exclusiva para julgar estes cargos em matéria criminal.
Crimes Políticos: Durante o Estado Novo, muitos actos que envolviam governantes ou oposição eram classificados como "crimes políticos". Estes eram frequentemente subtraídos à justiça comum e remetidos para tribunais especiais (como os Plenários Criminais de Lisboa e Porto), onde o Código de Processo Penal comum sofria restrições significativas.
Irresponsabilidade Política: Na prática a responsabilidade criminal de membros do governo por actos de exercício de funções era raramente acionada devido à concentração de poder que limitava a independência do Ministério Público e dos tribunais perante o Executivo.
Substituição do Código: O sistema de 1929 permaneceu em vigor com sucessivas alterações até ser substituído pelo actual Código de Processo Penal de 1987,
E...
 A Integração Europeia:
 - Elevação dos parâmetros de segurança, qualidade e garantia em conformidade com a norma europeia
 - Livre circulação de pessoas e bens no âmbito da União Europeia, ou seja, importação e exportação livre impostos acrescidos e de taxas alfandegárias
 - Adesão aos diversos programas de financiamento europeu de desenvolvimento ( industria, agricultura, PME's, infraestruturas, comunicações, educação, saúde, investigação, informatização, tecnologia)
 - Adesão ao sistema monetário europeu
 - Adesão aos programas de mobilidade, aprendizagem, formação e bolsas de estudo ERASMUS
 - Adesão aos programas de intercâmbio científico e de formação profissional



NINGUÉM ESTÁ PREPARADO - EPSTEIN FILES

 


Transcrevo a tradução de uma das coisas mais chocantes que li ao longo da minha vida - e já li, p./ex., relatórios de situações de guerra ou de acções de terrorismo, profundamente chocantes pela exposição no lado mais negro da natureza humana.
Esta "carta" de Duncan Lewis, advogado de defesa criminal norte-americano, em nada se coloca abaixo desse nível de loucura depravada, relato da personificação do MAL 

Hesitei em publicá-la aqui... Conclui que o devo fazer.
Não há perdão, não pode ser ignorado, toda a exposição é pouca.
Julgai por vós

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"Dizer que o público não está preparado para o que está nos Arquivos Epstein" soa a condescendência.

Quando os procuradores, advogados de defesa, polícias e detectives, agentes de liberdade condicional e assistentes sociais publicam isto, têm uma boa razão. 

Vou explicar com a minha história.

Trabalho na área da defesa criminal há muito tempo. Isto inclui a defesa em casos de crimes sexuais graves, como a posse de pornografia infantil (imagens explícitas de pornografia infantil). A pornografia infantil não é incluída nos autos do processo; recebemos apenas descrições. Isto porque a posse de pornografia infantil é TÃO ilegal que nem os procuradores e os advogados de defesa a podem possuir (graças a Deus). Este material permanece fechado a sete chaves nas esquadras de polícia.

Geralmente não há motivo para um advogado de defesa a visualizar, a menos que haja uma possível defesa, por exemplo, de que as imagens não ultrapassam a linha da representação de actividade sexual explícita.

Só me aconteceu uma vez. Um cliente exigiu que eu verificasse se o estado possuía realmente essas provas e se se tratava realmente de pornografia infantil.

Quando se pratica há quase 40 anos, já se viu muita coisa.

Fotos de autópsias com ferimentos fatais por machado, ferimentos de entrada e saída, coisas terríveis. Ninguém se habitua a isso, mas constroem-se barreiras mentais para que essas imagens não sejam facilmente acessíveis.

Pode-se ouvir uma frase como "violação de crianças" ou "ele possuía 15 mil imagens e vídeos de pornografia infantil" e saber que é de uma maldade extrema, terrível, mas as defesas estão erguidas. A maioria das pessoas não ouve "violação de crianças" e reproduz um filme, momento a momento, da própria violação na sua mente. Os nossos cérebros evoluíram para nos proteger do que isso causa.

Dirigi-me ao departamento de polícia de Bellevue, Washington, e encontrei-me com o detective responsável pelo caso. Era uma pequena sala de interrogatório com alguns sofás pequenos e uma mesa. Reparei numa caixa de lenços de papel. Aproximou-se de mim com uma pasta de três argolas cheia de folhas de papel plastificadas com as imagens. Colocou-a sobre a mesa à minha frente e sentou-se em silêncio.

Respirei fundo e abri a primeira página. Havia 6 a 10 imagens por página. Fotografias nítidas e a cores.

Prendi a respiração quando virei a primeira página para a segunda. Não me demorei. Virei-me para a terceira página e disse "Já vi o suficiente" enquanto fechava o caderno.

Depois, ao longo dos 15 segundos seguintes, senti uma dor, angústia e RAIVA horríveis a crescer como se tivessem vontade própria e chorei. Abertamente. Como um homem de 58 anos na presença de outro homem que nunca tinha visto antes.

Tenho lágrimas nos olhos enquanto escrevo isto, tenho-as sempre que penso nisto.

Não tinha controlo sobre se deveria chorar ou não. Peguei em lenços de papel e pedi desculpa ao detective, que gentilmente disse: "Está tudo bem. É assim que sei que é um ser humano decente."

Já não consigo ver as imagens em si. Estão bloqueadas.

Mas eu vi-as.

Vi o que os adultos fazem às crianças.

Vi o que os adultos obrigaram as crianças a fazer.

VI O QUE FAZEM A BEBÉS.

Bebés.

Estas não são fotos posadas, são imagens captadas a partir de vídeos.

Ver estas imagens destrói as barreiras e as defesas que erguemos para nos protegermos da realidade inegável, dos actos mais horríveis que um ser humano pode cometer contra outro.

Contra uma criança.

Nesse momento, sabemos que é 100% real e que aquela criança passou por aquilo e que outras provavelmente estão a passar por isso nesse preciso momento.

O conhecimento é insuportável.

Pode-se bloquear as imagens. Não se pode bloquear a lembrança de perceber completamente a realidade do que está a acontecer com estas crianças.

Pense na primeira vez que passou por um grave acidente de viação e viu alguém debaixo de um saco para cadáveres junto à estrada, ou uma experiência chocante semelhante. Há um sentimento mental e emocional que provavelmente só experimenta algumas vezes na vida. Para mim, é uma onda mental de NÃO

NÃO.  ISTO NÃO PODE ACONTECER.

ISTO ESTÁ ERRADO. ISTO É O MAL NA SUA PURA QUALIDADE - NÃO DEVIA VER ISTO.

O rosto daquela criança...

HÁ FERIDAS NO SEU ROSTO.

POR FAVOR NÃO.

A viagem de regresso ao escritório demora 40 minutos. Desta vez, não foi assim. Tive de parar várias vezes,até na berma da estrada 405, porque não conseguia ver por causa das lágrimas que teimavam em voltar

Não fiz nada o resto do dia e pouco nos dias seguintes.

No início, a mente ainda não teve tempo para criar barreiras e pensamentos intrusivos sobre as imagens a invadem. Coloca-nos numa espécie de estado dissociativo cada vez que acontece. Mas o cérebro protege-se.

No dia seguinte, as imagens tinham desaparecido. Isso é uma bênção, mas o conhecimento permanece.

Para sempre. 

Sei que muitos de vós, boas pessoas que estão a ler isto, sentem angústia ao pensar no assunto. O conhecimento a que me refiro não é apenas o conhecimento de quão indizivelmente horríveis eram aquelas imagens em particular. Ver a realidade inegável daquelas imagens proporciona um conhecimento igualmente perturbador da verdadeira profundidade da maldade indizível de que seres humanos são capazes. Não sabe apenas intelectualmente sobre isso, possui-se esse conhecimento sem defesas.

Quando pessoas com experiência em crimes de violação e protecção de menores dizem que O PÚBLICO NÃO ESTÁ PREPARADO, não é condescendência.

É uma angústia profunda na alma, partilhada por aqueles que sabem algo que a maioria não sabe. É empatia — por si. Não queremos que tenha esse conhecimento. Não queremos que saiba realmente isso sobre os seus semelhantes. Não queremos que morra uma pequena parte de si que acredita na bondade fundamental das pessoas.

Não é um conhecimento privilegiado.

Não te torna uma pessoa melhor.

Nada de bom advém desse conhecimento.

Gostaria de poder voltar atrás e ser aquela pessoa que era antes de obter esse conhecimento.

Preparem-se, porque estou prestes a tornar isto muito, muito mais perturbador. Na verdade, pode parar de ler o meu post agora mesmo. Eu aconselharia...

O que vi foi pornografia infantil de baixa qualidade, a que qualquer pedófilo pode ter acesso gratuito com equipamento P2P. E foi indescritível. Como publiquei recentemente, representei a minha quota-parte da classe corporativa masculina branca. Quando já o faz há algum tempo e pode cobrar um preço justo, são eles que lhe podem pagar. Claro que nem todos são monstros. Mas conheci muitos que são.

Não são particularmente inteligentes, mas são cheios de si e insuportavelmente arrogantes. Cheguei ao ponto, como homem branco, de não aguentar mais. Estou agora na casa dos 60 e já não aceito estes clientes. Voltei ao meu primeiro amor, a defesa pública, que presto por contrato para um condado rural próximo. As pessoas pensam que os clientes da defesa pública devem ser a escumalha da humanidade. Não são. São geralmente pessoas nascidas na pobreza e com o vício como consequência, que, em vez de terem uma mente criminosa, simplesmente não têm as ferramentas para tomar boas decisões e manter-se longe de problemas. Com o tempo passa-se a vê-las como vítimas. Gosto dos meus clientes da defesa pública, sentia a falta deles na advocacia privada.

Os verdadeiros monstros são aqueles que praticam o mal sabendo que não o devem fazer.

Eis porque dizemos que O PÚBLICO NÃO ESTÁ PREPARADO.

Através do que vemos e das pessoas que conhecemos, sabemos que não há limite para a depravação humana.

Não há limite.

A depravação sexual humana (principalmente masculina) é INFINITA.

Eis aqui a tempestade perfeita de depravação contida nestes arquivos:

1. Muitos homens brancos ricos (embora não exclusivamente brancos, mas na sua maioria)

2. Pouca ou nenhuma consciência ou empatia (a sociologia e a psicopatia são comuns em executivos "bem-sucedidos")

 3. Um sentido de "ter direito" desproporcional e chocante, além de indignação com o conceito de consequências.

4.  A portas fechadas, misoginia chocante (e racismo, já agora)

5. Convivência com outros homens de características semelhantes

6. Privacidade total numa ilha privada ou quintas remotas, como descrito por #SachaRileyBarros

7. Um sentimento de invulnerabilidade que acompanha o seu sentido de "ter direito"

8. Recursos ilimitados e uma rede de traficantes e abusadores em todo o mundo.

9. Leia isto com atenção:

A necessidade de Epstein de provas em vídeo dos actos, cometidos por "convidados", tão extremos que lhe conferiam poder de extorsão e chantagem sobre eles para o resto da vida.

Agora, considere tudo isto e reflita sobre como se manifesta o pior dos piores violadores de crianças, ricos e privilegiados, permitindo-lhes FAZER QUALQUER COISA QUE AS SUAS MENTES SOMBRIAS POSSAM IMAGINAR.

Essas pessoas não são como tu e eu.

Não vivemos na mesma realidade.

São de uma ordem diferente, uma mistura de narcisismo maligno, maquiavelismo e psicopatia.

NÃO SE IMPORTAM com a morte e o sofrimento dos outros, incluindo as crianças.

Como, de outa forma, poderiam votar para cortar no Medicaid, sabendo que dezenas de milhares de crianças MORRERÃO?

Votam assim porque NÃO SE IMPORTAM.

Não tenho conhecimento pessoal se vítimas como Sasha Riley estão a dizer a verdade mas acho que eu, e todas as outras pessoas com o conhecimento que aqui mencionei, lemos as suas alegações e os nossos corações afundaram-se porque soaram verdadeiras.

Lamento dizer isto e, mesmo agora, uma pequena parte de mim espera que eu esteja errado.

O que aconteceu naquela ilha e naquelas quintas será um mal supremo: Estupros colectivos. Assassinatos. Orgias com crianças. Filmes snuff. CRIANÇAS TORTURADAS. Animais. Esperas e estrangulamentos ATÉ À MORTE.

Precisamos de encarar de frente, como nação e como planeta mas isto será uma guerra. Estes criminosos são obscenamente ricos e não há limites para o que farão para se proteger. Eles matarão para se proteger. Sem pensar duas vezes.

Eu sei que isto é muito longo mas aqueles de entre nós que têm o "conhecimento" precisam de se manifestar.

Trump é o exemplo mais caricato de tudo isto, mas muitos deles são-no, só que com mais controlo dos seus impulsos.

Esta administração faz parte desta rede internacional de depravação.

O nosso governo está nas mãos de assassinos em série que violam bebés, só que de fato.

Sabem que é errado. Sabem que a verdade os destruirá.

Vamos garantir que isso acontece.

Eu não estou preparado. Nenhum ser humano decente está.

Mesmo tendo visto tudo isto não torna alguém "pronto". Espero nunca estar preparado. Que nenhum de nós esteja.

- Duncan Lewis: Pai, marido, advogado de defesa criminal

NÃO É O MOMENTO

 


Porque é relevante em diversos contextos,  nacionais e internacionais, gostaria de escrever umas quantas linhas sobre o "Grupo de Convívio" 1143.
Gostaria, mas não posso, ou não devo.
Não devo porque, ainda que me cingisse a factos, só e apenas a factos, sem emitir qualquer opinião, adjectivação ou juízo - o que, convenhamos, não seria tarefa fácil mas seria possível - mancharia inevitavelmente os irrefutáveis factos com a tinta argumentativa da "perseguição política".

Não é o momento. 

Em vez de uma exposição fundamentada de acções e intenções, que me inibo de classificar, apenas conseguiria "mais uma" acusação a auto-proclamadas "vitimas de um sistema politicamente viciado".

Os factos devem ser lidos e analisados à luz do direito e da lei. E só. Impõe-se obstar a que sirvam leituras enviesadas que procuram transformar o agressor em agredido  Não é o momento.

O momento virá...



SEM PALAVRAS, SEM PACHORRA



America, oh beautiful...





  

DAVOS 2026, ep2 - E A UCRÂNIA?

 Ontem terminei o primeiro post sobre Davos relatando uma troca de palavras que não se passou por lá mas no Parlamento Europeu, entre uma deputada europeia dinamarquesa e o secretário-geral da NATO.
Os média  reportaram que Rutte não havia respondido à deputada, alguns opinaram que ele se encontrava de joelhos perante a política de Trump. Vistas curtas. 
Assim escrevi a minha leitura sobre a resposta de Rutte:

Claro como as águas árticas, vamos explicar aos americanos que ambas as costas dos EUA, a atlântica e a pacífica, e ainda o Alasca, de um lado, Hawaii e Porto Rico, estrategicamente importantes do outro, sem os olhos, os ouvidos, as comunicações e apoio dos outros membros da Aliança, 7 dos quais são da região ártica, não ficarão nem a meio da protecção e capacidade de resposta de que usufruem hoje. Só um idiota discutiria isto publicamente. Silêncio não é ausência...

Sei lá eu o que se passou entre a partida de Washington (atrasada 2h) e a entrada de Trump no palco do Forum Económico Mundial, o que sei, eu e o mundo inteiro, é que a ameaça de invasão da Gronelândia desapareceu. O "se não for a bem vai a mal" passou a um "vai a bem" enfático, um 

《Preciso daquele pedaço de gelo por questões de segurança, dos EUA e de todos nós, não peço muito mas preciso dele, é "psicologicamente" importante》

e mais um arrazoado de disparates sobre a obrigação moral de lhe entregarem "o pedaço de gelo", a Dinamarca e a NATO, mentiras sobrepostas em cadeia em consonância com o restaurante discurso. 

Depois... Depois teve uma reunião com Mark Rutte.

Chegaram a um "acordo", que não foi bem um acordo, foi um "conceito de acordo" (concept of agreement), do qual não deu pormenores, duvido que os saiba, e que será válido sem termo

Não há novas taxas comerciais impostas sobre 8 Estados europeus, não há novas taxas retaliatórias sobre os States, mantém-se o a rectificação do acordo comercial com a UE, não serão bloqueadas companhias americanas, de bens ou serviços, no acesso a mercados europeus, etc.

Que acordo pode estar a ser delineado? Uma presença dos EUA na Gronelândia em que o espaço da base será território americano? Parece o mais provável mas só isso não satisfaz as ambições de Trump, nem dos seus meninos de coro

Convirá ter presente que o SG da NATO, seja ele qual for, não tem autoridade nem legitimidade para firmar, ou apenas negociar, um acordo que envolva a soberania e autodeterminação seja de que Estado for.

O busílis? A última palavra que se pode aplicar a Trump, no fim de uma lista esclarecedoramente longa, é  "confiável".
Está programada para hoje uma reunião entre Trump e Zelensky. Hoje mesmo, Witkoff e Kushner, essas duas boas peças, terão uma reunião com Putin no Kremlin. Coincidências de um raio...  A última vez que Trump e Zelensky se reuniram, na Casa Branca, estando Zelensky acompanhado por um batalhão de líders europeus e o SG da NATO,  Putin telefonou a meio, a reunião foi interrompida e os visitantes acabaram por ficar todos para jantar,  o que não estava programado. 

Sabendo que Trump está a ser fortemente pressionado por gente poderosa e diabólica, que é menino com uma patológica dificuldade em aceitar um NÃO, serei eu a única a pôr a descabida hipótese de que o homem que escreveu «Considerando que o seu país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, já não me sinto obrigado a pensar apenas em paz»  queira "trocar" o apoio e garantias de segurança à Ucrânia pela Gronelândia? 

Obviamente que ninguém lhe entregará a Gronelândia mas ele terá uma nova desculpa para largar a Ucrânia. Tenhamos presente que referiu no seu atabalhoado discurso: "Estamos a milhares de quilómetros separados por um oceano gigante. Nós não temos nada a ver com a Ucrânia, fica do outro lado do mar"

O mal está feito. A vice-primeira da Suécia enviou um recado à administração Trump, cantando a uma só voz com os líders europeus: "É tempo de retornar ao vosso bom-senso e acalmarem-se"

A provar o bom senso e calma na abordagem das complicadíssimas  situações internacionais está esta iniciativa de formar, melhor dizendo, vender lugares, na nova invenção de Trump (ou de Miller?) o Board of Peace, um "conselho de segurança" para amigos com interesses coincidentes, incluindo um convite a Putin, o pacificador. Trump disse que Putin aceitou; Putin disse estar a ser considerado "pelo ministério dos Negócios Estrageiros". É uma boa opção para fazer reuniões de negócios, os telefones não são confiáveis e, quando a ONU votar uma condenação desagradável, o Board of Peace vota em sentido contrário e está tudo legitimado.

Alguns senadores republicanos, como Thom Tillis, manifestaram o seu desagrado com o comportamento "desrespeitoso " de Trump e a situação que criou com os aliados da América levando-os a considerar "diversificar" as suas opções comerciais e militares.

E então? Qual é o problema? Desde que o homem consiga os seus objectivos e descubra como se manter na presidência, o resto logo se vê. 

DAVOS 2026- EP. 1

 Na noite passada, a que antecedeu a sua partida para Davos - World Economic Forum Annual Meeting - Trump passou horas a publicar fantasias na sua rede social, como esta aqui ao lado --»

Espero que, quando enviar para lá as tropas, se lembre de lhes dar uns casaquitos 

Para além de fantasias também publicou mentiras (como não?), diferem das fantasias porque há gentinha que acredita, ele sabe disso e por isso o faz.

Nesta, aí abaixo, coloca líders mundiais face a uma situação que nunca ocorreu, como se tivessem permanecido mudos e quedos desde Agosto passado, quando ocorreu  a reunião  fotografada, na qual se discutiu a Ucrânia e não a anexação da Gronelândia e do Canadá
Este gajo é totalmente inconsciente, quer passar uma mensagem visual de que os líders europeus, e o secretário-geral da Nato, se subjugam perante ele... Não tem a menor noção do que é, do que representa, ser presidente dos Estados Unidos


Entretanto em Davos...

Mark Carney, Canadá - Estamos firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e apoiamos integralmente o seu direito único de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o artigo 5.º da NATO é inabalável. Por isso, estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO, incluindo o Grupo Nórdico-Báltico, para reforçar ainda mais a segurança dos flancos norte e oeste da Aliança, através de investimentos sem precedentes do Canadá em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas terrestres. Botas no gelo. 
Permitam-me ser directo. Estamos no meio de uma ruptura, não de uma transição.
Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas áreas das finanças, da saúde, da energia e da geopolítica expuseram os riscos da integração global extrema. Mas, mais recentemente, as grandes potências começaram a utilizar a integração económica como arma, as tarifas como alavanca, as infra-estruturas financeiras como coerção e as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a explorar.
Não se pode viver na ilusão do benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte de subordinação.
Os poderosos têm o seu poder, mas nós também temos alguma coisa. A capacidade de deixar de fingir, de nomear a realidade, de nos fortalecermos internamente e de agirmos em conjunto. Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo abertamente e com confiança, e é um caminho aberto a qualquer país disposto a trilhá-lo connosco. Muito obrigado.
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Emmanuel Macron França
-  .../... Vamos tentar abordar o principal desafio deste mundo em poucos minutos. É claro que estamos a chegar a um período de instabilidade e desequilíbrios, quer do ponto de vista de segurança e de defesa como do ponto de vista económico. Observe-se a situação em que nos encontramos. Refiro-me a uma mudança em direcção à autocracia em detrimento da democracia, mais violência, mais de 60 guerras em 2024, um recorde absoluto. Mesmo que compreenda que algumas delas foram resolvidas e que o conflito se tornou normalizado, híbrido, expandindo-se para novas exigências: espaço, digital, informação, ciberespaço, comércio e assim por diante. É também uma mudança para um mundo sem regras, onde o direito internacional é espezinhado e onde as únicas leis que parecem importar são as do mais forte, as ambições imperialistas estão a ressurgir. Obviamente, a guerra russa, a guerra de agressão russa contra a Ucrânia, que entrará no seu quarto ano no próximo mês, os conflitos que continuam no Médio Oriente e em toda a África. Isto representa também uma mudança para um mundo sem uma governação colectiva eficaz e onde o multilateralismo é enfraquecido por potências que o obstruem ou se afastam dele, e as regras são minadas.
Quando olhamos para a situação, é claramente um momento muito preocupante, porque estamos a destruir a estrutura em que podemos resolver a situação e os desafios comuns. A cooperação dá lugar a uma competição implacável. Competição dos Estados Unidos através de acordos comerciais que prejudicam os nossos interesses de exportação, exigem concessões máximas e visam abertamente enfraquecer e subordinar a Europa, combinando com uma acumulação interminável de novas tarifas que são fundamentalmente inaceitáveis, ainda mais quando são utilizadas como alavanca contra a soberania territorial. .../...
Obviamente, a França e a Europa estão ligadas à soberania e independência nacionais, às Nações Unidas e à sua participação. Não se trata de uma forma antiquada de viver o multilateralismo. Trata-se apenas de não esquecer totalmente o que aprendemos com a Segunda Guerra Mundial e manteremo-nos comprometidos com a cooperação. 
É também por causa destes princípios que decidimos participar no exercício conjunto na Gronelândia, sem ameaçar ninguém mas apoiando um aliado e outro país europeu, a Dinamarca, enfrentando esta ordem e esta nova situação. Este ano a França detém a presidência do G7
com a clara ambição de restaurar o G7 como um fórum para o diálogo franco entre as principais economias e para soluções coletivas e cooperativas. Guerras comerciais, escalada proteccionista e corridas à superprodução só gerarão perdedores. É por isso que a abordagem dos desequilíbrios económicos globais é a nossa principal prioridade.
Estaremos empenhados durante 2026 em tentar diariamente implementar esta agenda global para corrigir desequilíbrios globais através de mais cooperação e faremos o nosso melhor para termos uma Europa mais forte, muito mais forte, mais autónoma, assente em mais investimento e compromissos em matéria de Defesa e Segurança
Precisamos de mais estabilidade no mundo mas preferimos o respeito do que intimidadores (bullies), nós preferimos a ciência ao conspiracionismo e nós preferimos o Estado de direito à brutalidade.. Sejam bem-vindos à Europa. E são mais do que bem-vindos a França. 
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Primeiro-ministro Bélgica -  Até agora, dependemos dos Estados Unidos, pelo que optámos por ser
tolerantes. A mensagem que precisamos de enviar é: vocês estão cruzando aqui linhas vermelhas. Ou nos unimos ou nos dividimos. E se nos dividirmos, o fim de uma era de 80 anos de Atlantismo estará realmente a chegar ao fim. Como disse Greky, se o velho está a morrer e o novo ainda não nasceu, vive-se numa época dos monstros. E cabe-lhe a ele decidir se quer ser um monstro, sim ou não.
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A chanceler britânica, dirigindo-se directamente ao secretário de Comércio americano, estando ambos lado a lado no palco ( face as todas as afirmações o americano concordou fazendo gestos afirmativos com a cabeça)  - Os Estados Unidos precisam de aliados e não são auto-suficientes. Agora, têm algumas reservas de minerais críticos, mas não tudo o que necessitam. 90% dos vossos (americanos) minerais críticos no momento vêm da China. Vocês precisam de se livrar, de desvincular-se disso. Claro. Sim. Mas vocês não conseguirão fazê-lo sem a ajuda do Canadá, da Austrália e de outros
países. E, por isso, apesar de todas as vossas forças, precisamos também de pensar em como podemos
preservar algumas das coisas de que os EUA beneficiaram na aliança da NATO e na Aliança Ocidental.
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Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (um pouco longo mas não quis cortar mais, cada palavra é escolhida, cada frase tem um propósito dirigido)
.../... Que os choques geopolíticos podem – e devem – servir de oportunidade para a Europa. Na minha opinião, a mudança sísmica que hoje vivemos é uma oportunidade, aliás, uma necessidade, para construir uma nova forma de independência europeia. Esta necessidade não é nova nem uma reação aos acontecimentos recentes. Tem sido um imperativo estrutural há muito mais tempo. Por isso, quando usei este termo – independência europeia – há cerca de um ano, fiquei surpreendida com as reacções cépticas. Mas, menos de um ano depois, já existe um consenso real sobre isso. A velocidade e a escala quase inimagináveis ​​da mudança que impulsionaram esta transformação – mas o imperativo subjacente continua a ser o mesmo. A boa notícia é: agimos de imediato. Seja na área da energia ou das matérias-primas, da defesa ou do setor digital, estamos a avançar rapidamente. Mas a verdade é que só conseguiremos aproveitar esta oportunidade se reconhecermos que esta mudança é permanente. É claro que a nostalgia faz parte da nossa história. Mas a nostalgia não trará de volta a antiga ordem. Portanto, o que quero dizer é: se esta mudança é permanente, a Europa também precisa de mudar permanentemente. É tempo de aproveitar esta oportunidade e construir uma nova Europa independente.  .../...

Esta necessidade de ambição é crucial quando se trata da segurança do nosso continente. Dentro de pouco mais de um mês, celebraremos o quarto aniversário da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. Quatro anos depois, a Rússia não mostra qualquer sinal de recuo. Sem sinal de remorso. Sem sinal de busca pela paz. Pelo contrário. A Rússia está a intensificar os seus ataques. Matando civis todos os dias, enquanto falamos. Na semana passada, o bombardeamento das infra-estruturas energéticas da Ucrânia deixou milhões de pessoas a enfrentar a escuridão, o frio e a falta de água. Isto precisa acabar. Todos queremos a paz para a Ucrânia. Reconhecemos o papel do Presidente Trump na dinamização do processo de paz e trabalharemos em estreita colaboração com os Estados Unidos. Todos concordamos que a Ucrânia deve, portanto, estar numa posição de força para se sentar à mesa das negociações. É por isso que nós, europeus, decidimos conceder à Ucrânia um empréstimo de 90 mil milhões de euros para 2026 e 2027. Com este apoio, garantimos que a Ucrânia pode: reforçar a sua defesa no campo de batalha; reforçar as suas capacidades de defesa para um acordo de paz; e manter os serviços básicos em funcionamento. Acima de tudo, reafirma o compromisso inabalável da Europa com a segurança, a defesa e o futuro europeu da Ucrânia. Paralelamente, decidimos imobilizar permanentemente os activos russos e reservar-nos o direito de os utilizar. Isto deve servir como um forte lembrete para a Rússia. E uma mensagem para o mundo: a Europa estará sempre ao lado da Ucrânia. Até que haja uma paz justa e duradoura.

Falei muito hoje sobre a independência europeia. Sobre parcerias. Sobre a prosperidade. E segurança. Gostaria, por isso, de concluir com a Gronelândia. Uma questão que toca o cerne de todos estes três imperativos. No que diz respeito à segurança da região do Árctico, a Europa está totalmente empenhada. E partilhamos os objectivos dos Estados Unidos a este respeito. Por exemplo, a Finlândia, membro da UE e um dos mais recentes membros da NATO, está a vender os seus primeiros quebra-gelos aos EUA. Isto demonstra que temos capacidade aqui mesmo, no gelo, por assim dizer. Que os nossos membros setentrionais da NATO já possuem forças preparadas para o Ártico. E, acima de tudo, que a segurança do Árctico só pode ser alcançada em conjunto. É por isso que as tarifas adicionais propostas são um erro, especialmente entre os aliados de longa data. A UE e os EUA chegaram a um acordo comercial em Julho passado. E na política, como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando os amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa.

Consideramos o povo dos Estados Unidos não só nosso aliado, mas nosso amigo. E mergulhar-nos numa perigosa espiral descendente só beneficiaria os próprios adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora do cenário estratégico. Por isso, a nossa resposta será firme, unida e proporcional. Mas, para além disso, precisamos de ser estratégicos em relação à forma como abordamos esta questão. É por isso que estamos a trabalhar num pacote para apoiar a segurança do Ártico. Primeiro princípio: solidariedade total com a Gronelândia e o Reino da Dinamarca. A soberania e a integridade do seu território são inegociáveis. Em segundo lugar, estamos a trabalhar num grande aumento de investimentos europeus na Gronelândia. Trabalharemos lado a lado com a Gronelândia e a Dinamarca para ver como podemos apoiar ainda mais a economia e as infraestruturas locais. Em terceiro lugar, trabalharemos com os EUA e todos os parceiros em prol da segurança do Ártico em geral. Isto é claramente do nosso interesse comum e iremos intensificar os nossos investimentos. Em particular, acredito que devemos utilizar o aumento das despesas de defesa para investir numa capacidade europeia de quebra-gelo e noutros equipamentos vitais para a segurança do Árctico. Em quarto lugar, e no mesmo espírito, precisamos de trabalhar com todos os nossos parceiros regionais para reforçar a nossa segurança comum. É por isso que analisaremos a forma de reforçar as nossas parcerias de segurança com parceiros como o Reino Unido, o Canadá, a Noruega, a Islândia e outros. Finalmente, considero que a Europa necessita de se adaptar à nova arquitectura de segurança e às novas realidades que actualmente enfrentamos. É por isso que a Europa está a preparar a sua própria estratégia de segurança, que planeamos publicar ainda este ano. Como parte disso, estamos também a melhorar a nossa estratégia para o Ártico. E no centro disto estará o princípio fundamental: cabe aos povos soberanos decidir o seu próprio futuro.

Quando comecei a preparar o discurso deste ano, a segurança no Alto Norte não era o tema principal. Mas, de muitas formas, relaciona-se com o ponto mais vasto com que comecei hoje: a Europa deve acelerar o seu esforço no sentido da independência – da segurança à economia, da defesa à democracia. Dialogar com os nossos amigos e parceiros, e também com os adversários, se necessário. A questão é que o mundo mudou para sempre. E precisamos de mudar com ele.

Obrigado. E viva a Europa!
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A última intervenção que escolhi para aqui deixar
pela gravidade do aviso que encerra,
toca a todos nós, habitantes do planeta Terra

Dia 9 de Agosto de 2022 - Biden assinou o “CHIPS and Science Act”.(Aqui)
A lei que dedica quase 53 mil milhões de dólares ao investimento, produção e desenvolvimento de pesquisa de semicondutores e 200 mil milhões de dólares averbados nos próximos 10 anos.
 
Passou a ser proibida a exportação para a China de material e equipamentos para o fabrico de chips de 14 nm, dificultando drasticamente a vida à principal fábrica de chips chinesa, a SMIC, assim como às fábricas em solo chinês da TSMC, o "monstro" dos semicondutores nascido e radicado em Taiwan"
Para 2025 foi programada uma total reviravolta do tipo de chips a invadirem o mercado: passarão a ser de 2nm, com uma potência avassaladora, produzidos pela TSMC e, tudo indica, pela Samsung, ambas actualmente a investir fortemente em solo norte-americano. O porta-voz dos Negócios Estrageiros a China considera a nova lei :
«Uma ameaça ao comércio e um ataque aos negócios chineses».
« Vai interromper o comércio internacional e distorcer as cadeias globais de fornecimento de semicondutores» «A China opõe-se firmemente»


Esta terça-feira, 20 de Janeiro de 2026, em Davos, Dario Amodei, o CEO da Anthropic empresa líder em Inteligência Artificial, alertou contra a recente decisão da administração Trump de aprovar a venda de um poderoso chip da Nvidia à China, comparando-a à venda de tecnologia de armas nucleares à Coreia do Norte."Esta analogia deve deixar claro como vejo esta troca."
As empresas de IA, incluindo a Anthropic, estão numa corrida para desenvolver a IAG, que superará a inteligência humana mas também poderá trazer riscos que ameaçam a humanidade.
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E a NATO? 
Talvez o papel mais difícil desta novela caiba ao Secretário-Geral da NATO... Não vai falar em Davos, claro (mas Jens Stoltenberg falará...)  Há 6 dias foi interpelado no Parlamento Europeu - Global Europe Forum -  por uma deputada norueguesa proveniente da Gronelândia.

Deputada U.E. - Permita-me dirigir-me a si como a pessoa que está a cuidar de todos nós. E só quero que percebam, e tenho a certeza que já perceberam, porque isto está por todo o lado, que o povo da Gronelândia, com os seus 56.000 habitantes, está assustado, tenso, stressado, não apenas preocupado.
Também divulgou todas as verdades sobre o envolvimento da Dinamarca. Todos fazemos parte da NATO. Estamos todos a falar e já temos um acordo. É de 1951. Também sabe disso, entre o Reino da Dinamarca e os EUA. Permite aos EUA mobilizar todas as forças militares que quiserem. Tinham mais de mil. Agora têm menos de 200. Não há um único navio chinês ou russo em redor da Gronelândia. Que isto fique registado como um facto.
E, claro, também estão a decorrer conversas para tentar direccionar isto para um caminho em que nós, como aliados, e eu, o meu país e todo o povo da Gronelândia, acreditamos firmemente que somos aliados e que vocês estão lá para nos proteger. Mas, por favor, dê-nos uma indicação do que esta Aliança pode fazer se duas partes, dois países dentro da Aliança, não conseguirem chegar a um acordo.
Obrigada.

Mark Rutte, SG NATO - Agradeço. Muito obrigado por esta questão muito bem colocada. É preciso respeitar o facto de que, quando há discussões entre aliados, o meu papel é garantir que resolvemos os problemas. E quando se trata da protecção do extremo norte, é esse o meu papel. Nunca posso comentar sobre isso. Isso é impossível em público. O que estou a fazer, juntamente com os EUA, o Canadá e todos os nossos aliados na Europa, é garantir que não nos concentramos apenas na Gronelândia, pois esta é uma questão sobre o extremo norte. Esta é uma questão sobre o território do Ártico. Você... bem... não sejamos ingénuos. Mesmo que não existam tantos navios a navegar neste momento, sabemos que com a abertura de rotas marítimas no extremo norte do Ártico, e isto não se aplica apenas à Gronelândia, mas a toda a região ártica, não é apenas a Rússia que está activa lá, mas também a China, cada vez mais. Portanto, quando se trata da região ártica, temos de trabalhar juntos como uma aliança, e é exatamente isso que estamos a fazer. Agora, estamos a inserir mais detalhes para  a próxima etapa para garantir que podemos fazer isto como uma aliança colectiva. Pode ter a certeza disso. 

Deputada - Mas, senhor, é impensável, inimaginável, como costumávamos anteriormente, que um aliado possa pegar em armas contra outro dentro da NATO? 

Mark Rutte, SG NATO - Mais uma vez, o meu papel como secretário-geral é muito claro: nunca comento quando há discussões dentro da aliança. Temos discussões entre a Grécia e a Turquia. Tivemos discussões entre outros aliados, e como verão,  todos os meus antecessores o fizeram, nunca comentei isso publicamente. Trabalhamos nos bastidores. E quando se trata do problema aqui em causa, e eu creio que há aqui um prolema maior em causa, que é a defesa do extremo norte, a defesa da área do Ártico, podem ter a certeza de que fazemos tudo para proteger toda a aliança. Esse é o meu papel: manter 1bilião de pessoas seguras, e isso não se limita ao flanco leste e aos EUA, é também o flanco sul, abrangendo também a área do Ártico. 

Claro como as águas árticas, vamos explicar aos americanos que ambas as costas dos EUA, a atlântica e a pacífica, e ainda o Alasca, de um lado, Hawaii e Porto Rico, estrategicamente importantes do outro, sem os olhos, os ouvidos, as comunicações e apoio dos outros membros da Aliança, 7 dos quais são da região ártica, não ficarão nem a meio da protecção e capacidade de resposta de que usufruem hoje. Só um idiota discutiria isto publicamente. Silêncio não é ausência...

Amanhã haverá mais mas, para amanhã, preciso comprar pipocas e calmantes 
O primeiro curto-circuito já aconteceu e ainda o homem não aterrou na Suíça
Há avisos que se devem levar a sério



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A AMBIÇÃO TEM RAZÕES QUE A RAZÃO DESCONHECE


O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre e o presidente finlandês, Alexander Stubb, enviaram uma mensagem ao presidente dos EUA  - o Donald. 
Meia-hora depois Donald respondeu, como nenhum outro presidente em tempo algum poderia responder; sem dar resposta ao que lhe tinha sido solicitado (um telefonema), ignorando por completo o presidente finlandês. Conteúdo da mensagem? Uma birra, várias mentiras e afago do próprio ego. A forma como assina, considerando a comparação, também é fofinha

January 18 at 3:48 p.m. Oslo time (1448 GMT):

«Caro Sr. Presidente, caro Donald,

 Sobre o contacto através do Atlântico - sobre a Gronelândia, Gaza, Ucrânia - e o seu anúncio de tarifas ontem.

O senhor conhece a nossa posição sobre estas questões. Mas acreditamos que todos devemos trabalhar para reduzir a tensão e atenuar a situação - tanta coisa está a acontecer à nossa volta que precisamos de estar unidos. Estamos a propor um telefonema com o Senhor ainda hoje - nós os dois juntos ou em separado - dê-nos uma indicação do que prefere! 

Atenciosamente, Alex e Jonas»

President Trump to Prime Minister Store, January 18 at 4:15 p.m. Oslo time (1515 GMT):

«Caro Jonas:

Considerando que o seu país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, já não me sinto obrigado a pensar apenas em paz, embora ela seja sempre predominante, mas agora consigo pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América. A Dinamarca não pode proteger aquela terra da Rússia ou da China, e porque é que afinal teriam um "direito de propriedade"? Não há documentos escritos, apenas que um barco atracou lá há centenas de anos, mas também tivemos barcos a atracar lá. Fiz mais pela NATO do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação e, agora, a NATO deveria fazer algo pelos Estados Unidos. O mundo não estará seguro a menos que tenhamos o controlo total e total da Gronelândia.

Obrigado! Presidente DJT»

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Quais são os problemas de segurança que não podem ser resolvidos mantendo o status quo?

Independentemente das razões que levam Trump a estar obcecado com a posse da Gronelândia não passarem, nem ao longe, pela segurança da ilha - há dois dias já me estendi largamente sobre os seus motivos aqui - vamos fazer de conta que a evocação é honesta e desmontemos a impostura do argumento.

Desde a década de 50 que existe preocupação militar sobre a segurança contra um ataque de míssil contra os Estados Unidos. Vejamos...

Olhando para o mapa do Círculo Polar Ártico até ao equador vemos que a menor distância entre a Rússia e os Estados Unidos, caso houvesse um ataque de míssil, é essencialmente sobre o Pólo Norte. É por onde um ataque viria. (No que toca à China é através do Oceano Pacífico)

Os Estados Unidos têm-se preocupado pensando nisso nos últimos 60 ou 70 anos. 

POR AR - OS MÍSSEIS

Os Estados Unidos costumavam ter 17 instalações e bases de radar na Gronelândia, com 15.000 soldados. Agora têm apenas uma, a base espacial de Pituffik no norte da Gronelândia, com 150 soldados, era tudo o que achavam que precisavam até de alguns anos, até Trump entrar na Casa Branca 

Além disso,

- Existem 47 instalações de radar no Canadá, bastante mais próximo do polo e da Gronelândia, 15 instalações de radar no Alasca, 

- Há base de detecção em Fylingdales, no Yorkshire, Grã-Bretanha,  e o maior dos radares em Pine Gap, na Austrália, um pouco fora do mapa mas altamente eficaz . 

Isto compõe o "BEUSE" -  sistema de alerta antecipado de mísseis balísticos, uma mistura de radares de curto e longo alcance. Poderia ser construído mais um na Gronelândia se os americanos achassem que precisavam desse tipo de base ali e é provável que, à medida que a tecnologia muda, acabem por a construir. Podem querer mais bases, podem ter tudo isto ao abrigo do acordo estabelecido com a Dinamarca em 1951

O MAR

Depois põe-se a questão da segurança marítima levantada pelos navios russos e chineses que circulam dentro do Circulo Polar Ártico; estão interessados ​​na abertura da Passagem do Noroeste. A maior parte da "água" que se vê no mapa é gelo, não "mar" navegável. O o aquecimento global está a criar abertura da Passagem do Noroeste e os EUA só se aperceberam disso muito recentemente.

Há um outro pormenor que levanta sérios desafios militares, dentro do Círculo Polar Ártico, grande parte fica noite, ou muito escuro, durante 24h/24h ao longo de  6 meses e ensolarada por 24h/24h durante os outros seis meses; embora isso varie um pouco com a latitude tem de se contar com longos períodos de escuridão, longos períodos de luz constante e, hum, há interesse

POR TERRA

Por último, pode-se pôr a hipótese de uma invasão terrestre, só por uma questão de boa-vontade e para desanuviar as preocupações, tão seriamente levantadas por Scott Besson, o secretário do Tesouro actual, e por aquela encarnação demoníaca que dá pelo nome de Steven Miller, o homem que declarou que "Ninguém  irá entrar em confronto com os EUA para defender a Gronelândia". Ambos expuseram o "facto" de estar a ser preparada "algum tipo de invasão da Rússia ou da China em direcção à Gronelândia". 

Teriam de, basicamente, invadir através do Pólo Norte, sem mar navegável e sem terra viável. Qualquer pessoa que ache isso possível que olhe novamente para um mapa, a maior parte do que se vê azul... é branco 

Se há um argumento de segurança, a NATO precisa de fazer algo como um todo. O desafio naval e o desafio dos mísseis balísticos é o mesmo de sempre, estará a agravar-se à medida que se vai derretendo a calote polar; pode-se melhorar as defesas, inclusivamente do Alasca e do Canadá, mas isso é clara e indiscutivelmente possível dentro do acordo atual. O acordo que Trump está prestes a deitar por terra.

O resto são negócios, interesses pessoais, loucuras megalómanas sustentadas por dinheiro em excesso.


RESUMIDAMENTE

Fazendo um breve apanhado dos últimos 4 dias

- Estados da NATO enviaram as primeiras tropas para a Gronelândia 
- A União Europeia fechou um acordo comercial com o BRASIL e está a finalizar o maior acordo comercial  com a Índia.
- O Canadá e a China fecharam um difícil e inesperado acordo comercial.
- Os serviços de Inteligência da Ucrânia enviaram um conjunto de falsas estratégias aos seus congéneres americanos; foi observada a utilização dessa falsa informação pelos militares russos
A Nova Ordem Mundial de Trump está a ser um êxito 
________________________

Em Portugal realizou-se a primeira volta das Presidenciais 
Preparando-me para essa noite, tenho vindo a gravar todos os "James Bond"; 
O escolhido para a noite eleitoral? "A Quantum of Solace", livremente traduzido para "Um pingo de consolo "
Para a segunda volta estou entre "Never Say Never" (nunca digas nunca) e "Octopussy" ( operação tentáculo). Para bom entendedor um título basta.


GRONELÂNDIA INC. SA - O PLANO SOCIAL DIABÓLICO

Malcolm Nance é um oficial norte-americano dos serviços de informação, especialista em terrorismo e  especializado em criptologia naval; Lutou como voluntário na Ucrânia, estuda a relação entre Trump e a Rússia desde há muitos anos e escreveu livros sobre o assunto.   

Segundo ele, a mensagem que publicou destina-se a todos:

 «CONSEQUÊNCIAS PARA OS IDIOTAS»: 
«Se invadirmos a Gronelândia, entraremos em guerra com 31 nações. A NATO continuará unida mas sem os EUA. 
O seu quartel-general fica em Bruxelas, não no Pentágono. O nosso alcance global através do Atlântico será encerrado, a nossa base de reabastecimento mais próxima será em em Israel ou no Egipto. 
Mais de 100.000 soldados americanos serão forçados a embarcar em aviões comerciais e enviados para casa, se não forem feitos prisioneiros de guerra/detidos sem armas ou equipamento. 
O Canadá fechará o seu espaço aéreo e marítimo aos EUA. 
O Sistema de Defesa Anti-míssil Balístico dos EUA em Pettufik (norte da Groenlândia Base Espacial Americana) e Fylingdales ( North Yorkshire,UK- vigilância contínua para o Reino Unido e os EUA contra de mísseis e rastreio de objectos espaciais) será terminado, o que significa que não veremos nada além do que os sensores espaciais conseguem ver. 
A inteligência dos EUA será reduzida a Fort Meade, Fort Gordon, Colorado Springs e Hawaii. *  
Os espiões da CIA serão presos (ou expulsos) pelos seus antigos amigos, numa questão de horas ninguém partilhará nada connosco 
O actual transporte global ser-nos-á fechado; A Dinamarca opera a maior empresa de transporte marítimo do mundo e possui os  maiores navios porta-contentores. Seis das dez maiores empresas de transporte marítimo global estão na Europa... 
A Austrália, a Nova Zelândia e o Canadá são membros da Commonwealth, pelo que também cortarão relações connosco ou manter-se-ão neutros.
 Todos os 150 membros da Força Espacial dos EUA em em Pettufik tornar-se-ão prisioneiros de guerra de militares com grande mobilidade em trenós. Para informação dos americanos, os dinamarqueses e demais europeus têm agora tropas na Gronelândia para além de e 35.000 espingardas de caça de Caribu dos nativos. Para vossa informação, a França e o Reino Unido são potências nucleares, têm centenas de armas,  não se pode intimidá-los com isso. 
 Ah, e fazem colapsar a economia dos EUA em dias sancionando e vendendo 2,3 biliões de dólares em títulos do tesouro dos EUA, simultaneamente. 
P.S. - Também nada de Botox nem Ozempic/insulina, são fabricados na Dinamarca.»
Malcolm Nance
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*Bases de Inteligência partilhada como as integrantes dos "Five Eyes" - uma aliança de Inteligência entre os Estados Unidos (NSA), Reino Unido (GCHQ), Canadá (CSE),  Austrália(ASD) e Nova Zelândia (GCSB) - partilham uma enorme quantidade de dados de vigilância global e colaboração em matéria de segurança nacional. Mais do que um mero exemplo , e fora do âmbito da NATO, há que considerar  a secretíssima base de Pine Gap (Alice Springs, Austrália) - base de vigilância por satélite e de Inteligência de sinais, operada conjuntamente pela Austrália e os EUA, é crucial para a Inteligência global dos EUA, controla satélites espiões, intercepta comunicações e apoia operações militares; 
A partilha de Inteligência e informação estende-se a outras nações como a Aliança "Nine Eyes" que inclui a Dinamarca, França, Países Baixos e Noruega. Esta fundamentalíssima informação de segurança partilhada sobre comunicações globais, terrorismo, nações rivais e ciber-ameaças, deixará de contar com a participação dos EUA, informação que, ainda que deixando de ser partilhada em ambos os sentidos, bastará olhar para a distribuição geográfica num mapa-mundi para se ter a noção de quem ficará mais "às cegas", com as consequências daí advindas

E a NATO? 
A NATO cai por terra? Não, a presença dos EUA na NATO cairá por terra, a sua presença nas bases da NATO exteriores aos EUA cairá por terra, A Aliança do Tratado Atlântico Norte subsistirá - com essa denominação ou outra - e muito bem; sem um Estado importante mas que tem vindo a constituir uma ameaçadora preocupação... A evidente partilha de informação por parte dos EUA com Estados exteriores à Aliança: a Rússia, a Arábia Saudita, Israel... Mais vale só do que mal acompanhado e, este "só", é gritantemente relativo.
2025

As repercussões militares serão rápidas e humilhantes para os EUA. A Europa poderá exigir o encerramento de todas as bases militares americanas no continente. Ramstein, na Alemanha; Aviano, em Itália; Lakenheath, no Reino Unido.
Ao contrário da activação do conhecido Atgº 5º, que exige consenso entre os membros da Aliança, existe uma cláusula, menos divulgada, a 42.7. Um dos pontos fortes desta cláusula é poder ser activada por um único Estado-membro sem necessidade de consenso prévio. Estabelece que os outros Estados-membros têm a obrigação de prestar auxílio e assistência, por todos os meios ao seu alcance, ao Estado que a accionou. Uma vez invocada, espera-se que os outros respondam, a forma como o fazem é deliberadamente aberta — a assistência pode ser económica, política ou militar.
A única vez que a cláusula foi invocada foi após os atentados terroristas de Paris, em 2015, a França solicitou assistência para combater o Estado Islâmico.
As repercussões civis... Uma enorme e escura nuvem de tempestade sobre interesses norte-americanos de toda a ordem, com um estatuto de Estado Predador, orgulhosamente só com as benesses dos russos y sus camaradas.
Sem aliados exteriores à NATO

Tudo isto e o mais que se veria, porquê? Para quê? Business, as usual? Business, not as usual

Em Agosto de 2025 agentes do FBI executaram buscas à residência de John Bolton, antigo conselheiro de segurança nacional da primeira Administração Trump e ao seu escritório em Washington. Disseram ter apreendido documentos classificados como secretos.  (uma coisa ligeira se comparado com o que aconteceu com Trump em Mar-a-Lago).Através do seu advogado, Bolton negou qualquer irregularidade.
Em Outubro de 2025 Bolton foi indiciado por um júri federal.
Porquê desafiar John Bolton, ameaça-lo com prisão efectiva?
Bolton sabe muito, fala pouco, mas de vez em quando fala...
Bolton contou que, em 2018, Trump o chamou à Sala Oval e lhe disse: «Um importante homem de negócios acabou de me dizer que os Estados Unidos deviam de comprar a Gronelândia»

O  "importante homem de negócios" era, e é, Ronald Lauder, herdeiro da Casa Estée Lauder, "amigo" de Trump dos tempos de escola, há mais de 60 anos; Quando Trump ganhou a presidência em 2016, Lauder doou 100 mil dólares ao comité de angariação de fundos Trump Victory. Quando a sanidade mental de Trump foi posta em causa em 2018, Lauder referiu-o como sendo "um homem de incrível perspicácia e inteligência".
(um pequeno parêntesis:
Lauder foi o promotor do contacto entre Trump e o embaixador soviético nos EUA, Yuri Dubinin (que se dirigiu à Trump Tower no dia em que chegou a Nova Iorque, em Março de 1986 para conhecer Trump)  sentando-os lado a lado durante um almoço que ofereceu em Nova Iorque no Outono do mesmo ano. Em 1987 Trump viajava pela primeira vez para a Rússia/USSR, uma viagem organizada por Yuri Dubinin com todas as despesas pagas para Trump e Ivana, sua mulher.)

Trump discutiu a proposta da Gronelândia com Lauder após o que uma equipa da Casa Branca começou a explorar formas de aumentar a influência dos EUA no território ártico sob a coroa da Dinamarca.
 A proposta despertou as ambições imperialistas de Trump: oito anos depois diz que se não comprar a Gronelândia tomá-la-á pela força. 

Trump intensificou as ameaças contra a Gronelândia e Lauder adquiriu holdings comerciais na ilha  (também faz parte do consórcio que deseja aceder aos minerais ucranianos, conversou com Trump sobre a exigência de parte dos recursos da Ucrânia devastada pela guerra. Uma carta anonimamente divulgada, datada de Novembro de 2023, foi enviada pelo responsável  uma empresa de mineração, a TechMet, a Zelenskyy, mencionando Lauder como parte do consórcio que esperava explorar um depósito de lítio na Ucrânia)

Lauder escreveu no New York Post
«O conceito de Trump para a Gronelândia nunca foi absurdo – era estratégico. Sob o gelo e as rochas, encontra-se um tesouro de elementos de terras raras essenciais para a inteligência artificial, o armamento avançado e a tecnologia moderna. Com o recuo do gelo, estão a surgir novas rotas marítimas, remodelando o comércio e a segurança globais.»

Terras raras essenciais para a inteligência artificial, armamento avançado e tecnologia moderna...

Aqui entram os outros dois rapazes do regime, que promoveram JD Vance a vice e o conservam no bolso ou no coldre, consoante os dias: Peter Thiel, o poderosíssimo homem da diabólica Palantir Technologies - que acaba de assinar um gravíssimo contrato com o Pentágono - e Elon Musk, que dispensa apresentações.

 Que se lixe a Gronelândia, que se lixe a Dinamarca, que se lixe a Europa, que se lixe a soberania nacional, que se lixe a NATO... E que se lixe a América. Se tiver de morrer gente, paciência, a morte é certa para todos, mais tarde ou mais cedo.

Além destes há mais, há sempre mais amigalhaços em torno de um presidente corrupto, egocêntrico, amoral, autocrático, desmedidamente ambicioso e megalómano. 
A revista Forbes, não exactamente um órgão da esquerda, identifica "factualmente" os maiores investidores da Kobold Metals, empresa que procura minerais de terras raras para utilização em dispositivos eletrónicos, utilizou  inteligência artificial para exploração da ilha; Em comunicado à Forbes, a Kobold afirmou: "A Kobold não tem reivindicações de exploração, pessoal ou actividades na Gronelândia.". Pois, não tem, mas já teve e aguarda o que lhe chegará aos cofres. De acordo com um documento de Maio de 2025 da 80 Mile Plc, antiga parceira da Kobold na exploração da Gronelândia, a Kobold já não detém  participação accionista na joint-venture entre as empresas para procura de minerais na Gronelândia, mas receberá royalties “sobre a produção futura do projecto”. A Kobold “realizou aproximadamente 13,4 milhões de dólares em actividades de exploração de alta qualidade” em 2022 mas não avançou com a perfuração. Os investidores incluem Jeff Bezos, Bill Gates, Michael Bloomberg e Sam Altman, CEO da OpenAI.  Howard Lutnick. O  secretário do Comércio de Trump  investiu na empresa mineira Critical Metals Corp, da Gronelândia. Lauder e Peter Thiel também são incontornavelmente citados

Além da mineração, a Gronelândia também despertou interesse como campo de testes para modelos de governação e financiamento nativos de criptomoedas.
Peter Thiel, com um projecto na Palantir muito além do visionado por Orwell , apoiou a Praxis, uma startup liderada pelo CEO Dryden Brown, que procura estabelecer um  “Estado de rede” (Network State). A Praxis explorou publicamente a Gronelândia como um local potencial e angariou mais de 525 milhões de dólares para desenvolver uma nova cidade construída em torno de regulamentos reduzidos e activos do mundo real tokenizados, posicionando a ilha como uma fronteira para o desenvolvimento urbano habilitado pelas criptomoedas. 

Peter Thiel e Elon Musk vêem a Gronelândia não só como uma fonte de terras raras, mas sobretudo como um laboratório para as suas experiências económico-sociais.  Estes bilionários da tecnologia idealizam "cidades da liberdade" na Gronelândia não regulamentadas por qualquer legislação existente, livres de supervisão democrática, leis ambientais e proteções laborais.
Ken Howery, embaixador de Trump na Dinamarca e co-fundador do PayPal com Thiel e Musk, tentou entrar em negociações para o estabelecimento destas zonas de baixa regulamentação.

A Gronelândia como o sinistro laboratório de uma sociedade, privada, regida pela IA, pela criptomoeda, fora da ordem internacional, fora de tudo. Um embrião experimental para proliferação no planeta, e além dele, segundo Musk

Não, isto não é um "sonho mau", uma conspiração anti-milionários, um devaneio de gente que não sabe o que há de fazer com o excesso de dinheiro que tem. Por absurdo, insólito, inverosímil que pareça, é um projecto em desenvolvimento no país mais poderoso do mundo contra a própria humanidade. Face a isto, Hitler foi um menino com asas brancas

Mais haveria a dizer mas já sobra. 
(Sei que há uma forte probabilidade de ser tida como exagerada,  conspiracionista teórica ou, mais simplesmente, lunática, já me vi nesse filme; p/ex. quando no Verão que antecedeu a insurreição do 6 de Janeiro manifestei a minha mais do que convicção de que Trump iria levantar uma revolta civil se perdesse as eleições. Também tenho consciência de que esta loucura é ainda mais difícil de levar a sério; felizmente há quem leve...)

Trump precisa da Gronelândia... Foi mandado precisar e gostou da ideia, finalmente será rei, quiçá imperador. Ele mesmo o diz, o presidente dos EUA, nada lhe interessa a lei internacional, só a sua moral o rege. A sua moral...

Até esta raposa velha...
Trump evoca razões de segurança nacional... Daria para gargalhar à exaustão não fora tão grave.
A segurança nacional que está garantida aos EUA pela sua presença na base de militar de Pettufik; Uma segurança nacional que será decapitada pela expulsão dos EUA de todas as bases europeias, de todas as bases da NATO, das Alianças Five Eyes/Nine Eyes, o fim da colaboração de toda a Commonwealth... e uma retaliação militar garantida. 

E, por último, ouvem-se as palmas de Putin, o estalo de rolhas de garrafas de Champagne a saltar nos salões do Kremlin. A América ainda mais dividida, tropas num combate ilegal contra aliados europeus, o dólar em queda livre, as eleições de Novembro a caminho de ser postas em causa, a NATO mais ocupada, menos numerosa e com mais despesa. Uma festa de arromba
Spaciba tovarishch Trump/Krasnov