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ALTO E PÁRA O BAILE

 Nem vale o esforço dizer alguma coisa, falar do que não sei porque no fundo não mudou nada; sim no fundo, onde nós estamos. Não é o desenrolar das próximas polítiquices que trará mudança, essa só, talvez, com as eleições e, aqui para nós que ninguém nos ouve, mesmo essas...

Prevejo um cenário político semelhante: O PS a vencer sem maioria e a apoiar-se à esquerda devolvendo-nos a situação actual. Ou... 

Ou a festa que o BE e o PC aguardam: pelo preço de um OGE viável, uma coligação governamental correspondente à actual geringonça.

Aqueles que se situam à direita do PS podem sentir hoje vontade de dançar. Pois dançai, dançai hoje, só hoje porque o tempo não está para danças. 

Conjectura-se sobre o papão da "Crise Política" provocada pela queda do governo... Ai que medo! Como se não vivêssemos  em  crise política desde que o presidente Cavaco Silva (em 2015, parece uma eternidade) achou por bem entregar o governo a um partido que não ganhou as eleições, foi incapaz de dar um murro na mesa e dizer "Entenda-se com quem ganhou as eleições ou vai ver o que é uma crise política a sério".

Pois, nós não vivemos na Alemanha, nem sequer em Espanha. Que vergonhaça...

Dançai hoje - O Costa PIM, o Costa PUM -  mas há que ter em mente que os tempos são de "Alto e
Pára o Baile!"

Particularmente aqueles que estão à direita-direita-direita... Pois dançai, mas não se esqueçam que para parar o baile há que pôr de lado raivinhas e partidarismos divisionistas, interessezinhos egocêntricos e esperanças vãs. Os tempos são de remar contra a maré e votar, votar, votar, não são remadores divididos por multiplo barquinhos que podem chegar a bom porto.

"Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua Cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a Necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de Asseado"
(Manifesto Anti-Dantas - Almada Negreiros)

A FÉNIX NEGRA

O 15 de Agosto de 2021 vai ficar na história escrito com palavras escuras, nublosas, trágicas, desesperadas e uns quantos mais adjectivos angustiantes.

Foi uma surpresa? Como assim, uma surpresa?

Dias antes falava-se de três meses até os Talibã entrarem em Cabul. Três meses? Em que sistema espaço-temporal?

Quando ouvi esta projecção comentei "Três meses? O que é que eles sabem que eu nem sonho?"
Não, não me passou pela cabeça que Cabul caísse poucos dias depois, "15 de Agosto", os meus prognósticos atiravam para uns quinze dias, mais Lua menos Lua. Porquê? Porque sou muito esperta? Não, porque era óbvio, metia-se pelos olhos dentro, gritava nas conexões das célulazinhas cinzentas, como diria Poirot. Dez mil guerrilheiros jihadistas aguardavam às portas de Cabul com ordens para não entrarem, mas estavam lá. Estavam lá aguardando novas ordens e aguardando uns quantos milhares que se iriam (e irão) juntar-se-lhes vindos de além fronteiras. Então eu sabia isto e os senhores vaticinadores dos "3 meses" não sabiam? Ora...  Vamos brincar com outra coisa, esta não cola
No dia 1 de Março de 2020, há 1 ano e quase meio antes desta fatalidade, escrevia eu, comum mortal, por aqui neste bloguezito sob o título: O 11º MANDAMENTO - NÃO NEGOCIARÁS COM TERRORISTAS  uma apreciação à laia de desabafo revoltado parte da qual deixarei aí abaixo como epílogo da conversa de hoje, só para não me virem dizer que era imprevisível.
A 29 de Fevereiro de 2020 foi assinado um Acordo de Paz entre os Estados Unidos da América e os Talibã. 
Um ano e meio depois, olhando para trás parece-me ficção, má ficção, demasiado inverosímil para ser credível 
O Governo afegão de Ghani não teve qualquer intervenção nem conhecimento prévio das condições do Acordo

Não é o fim de uma guerra, o que seria desejável, é a entrega de um povo impotente e
de um território além das fronteiras afegãs ao poder terrorista institucionalizado.

É um crime.

Então quero eu dizer que a culpa do que se está a passar é de Trump?
Não, infelizmente não é toda dele. Começa aí, desenvolve-se aí mas não acaba aí.  A palavra dada é para ser honrada mas ab-so-lu-ta-men-te nada prendia o presidente dos EUA, qualquer presidente, a um acordo com os Talibã que, além do mais, foi factual e indiscutivelmente mil vezes desrespeitado e que,tenha-se presente, nunca foi assinado com a finalidade, ou a mera perspectiva, de ser respeitado

Enquanto vice-presidente Biden opôs-se declaradamente a Obama quando, em 2009, este decidiu, e bem,  aumentar o contingente de tropas americanas no Afeganistão; e mais tarde por três vezes (2014/15/16) adiar a saída dos EUA do Afeganistão por considerar que seria "pior a emenda do que o soneto"
Não me passa pela cabeça julgar Biden pela opinião contra que manifestou em 2009:
O seu filho Beau prestava serviço no Iraque, onde esteve e voltou a estar sendo condecorado com a Estrela de Bronze, a Legião de Mérito e, postumamente, com a Delaware Conspicuous Service Cross, que é "concedida por heroísmo, serviço meritório e realizações notáveis"; Como é sabido Beau morreu com cancro e Biden ter-lhe-á prometido, em palavras ou pensamento, acabar com a interminável guerra
Eu tenho um filho. Se estivesse nas minhas mãos acabar com uma guerra onde ele estivesse ou pudesse vir a estar, dificilmente ultrapassaria a possibilidade de equacionar acabar com ela. A guerra não é apenas a morte à espreita, a assombração da dor, a guerra é a travessia do Inferno. Sei que não é assim que uma questão desta magnitude deve ser equacionada mas sei também que não se pode enaltecer a faceta profundamente humana de uma pessoa e exigir-lhe que não a possua quando não é conveniente. Biden é, desde sempre, um acérrimo defensor da manutenção do diálogo e da diplomacia, foi o senador que mais acordos conseguiu com o Partido Republicano pela sua teimosia e perseverança: "keep talking with the other side when it's difficult, that's why you must talk". 
Há situações em que a perseverança já não passa de teimosia. Biden, ao contrário de Trump, não negociou com terroristas mas acreditou que o governo afegão poderia fazê-lo, e vencê-los.
Enquanto vice-presidente a decisão não lhe cabia a ele e, como lhe é habitual, expressou exactamente aquilo que lhe ia na cabeça.

Mas agora a decisão cabe-lhe e as suas decisões afectam o mundo

Que Biden queira que os EUA  saiam  do Afeganistão... pois que saiam, mas há decisões não podem ser tomadas "porque eu quero" nem "porque eu disse que o faria". Para se levarem avante têm de ser conciliadas com a realidade, sem ignorar a realidade.  

O que está em causa não é a retirada do Afeganistão, o que está em causa são as consequências presentes e, sobretudo, as futuras de tal retirada.  A questão é que essa retirada, como está à vista, não poderia ser feita em dias, nem em semanas, nem provavelmente num só mandato presidencial. A planificação da retirada de um território minado de terroristas, que têm como finalidade a fundação de um Emirado Islâmico, tem de envolver a ocupação do vazio criado por essa mesma retirada, e a criação de condições que possibilitem tal preenchimento

Ah e tal, esta guerra não iria ser vencida... A pior das tretas justificativas
Esta guerra não era para ser vencida, nem tão pouco se estava em guerra com o Afeganistão, a permanência naquele território tinha como objectivo servir de travão à re-instalação da al-Qaeda, à fundação do Emirado Islâmico. 
E resultou. E o Afeganistão mudou, não o suficiente mas mudou: construiram-se escolas, universidades, campos agricolas, estradas, as mulheres puderam passar a trabalhar e a ser independentes da presença de um homem, nasceram meios de comunicação, media, internet, surgiram várias ONG's nos domínios da saúde e muitos outros. 
O Afeganistão passou a ser um Estado laico, libertou-se da lei da sharia.  
Mais de 50% da população afegã tem menos de 18 anos!!! Isso é um bom investimento, inegavelmente. 
Resultou até se institucionalizarem as tretas da guerra perdida, até se apresentar o abandono como um facto, sem planeamento, humanidade ou esperança. O tempos medievais bateram à porta e foram entrando a cada dia um pouco mais

Ah e tal mas esse preenchimento do vazio compete ao povo afegão... Estamos outra vez a brincar, por certo, qual povo afegão?
O Afeganistão é um território de 38 milhões de pessoas, das quais apenas cerca de 5 milhões em Cabul, sub-dividido em 34 províncias que se estendem entre montanhas que são muros, culturas e tribos, guerrilheiros e traficantes, pobreza e deserto. 

O presidente Ashraf Ghani foi eleito em 2019 por 50,6% dos votos, dito assim até soa bem mas... Votaram cerca de 2 milhões de eleitores, ou seja 20% dos eleitores inscritos e menos de metade dos que haviam votado em 2014 (7 milhões). 
Ghani, viveu nos EUA, foi professor na Universidade .Johns Hopkins entre outras, trabalhou no Banco Mundial, regressou ao seu país provavelmente cheio de boas intensões, propondo-se combater a galopante corrupção. 
Agora pergunto eu, como pode um homem que se propõe dirigir um Estado laico num país sem qualquer unidade nacional, ocupado por fanáticos religiosos, pobre e largamente medieval, pejado de jihadistas armados e financiados, propor-se  manter o poder se combater a teia de corrupção hierarquicamente tecida, se não fizer vista grossa ao modus vivendi dos saquinhos, sacos e sacões azuis de tudo o que tem uma réstia de um qualquer poderzinho, dos funcionários manga de alpaca ao sargento mais longínquo? 
Não estou a defender Ghani mas há que entender situações e contextos antes de vociferar ataques.

Ah e tal, os militares afegãos fugiram, entregaram-se, não lutaram...
Foi? A responsabilidade é deles?
Os militares afegãos não estavam a ser pagos porque o dinheiro dos seus salários era dividido entre quem lhe punha as garras, não tinham munições pela mesmíssima razão, milhares de armas foram vendidas, tinham de pagar os seus camuflados, muitos caminhavam com sapatos de ténis porque não havia botas. Em 2019/2020 viram os líders dos seus parceiros americanos fecharem uma cortina sobre o governo afegão e sentarem-se à mesa com os Talibã para negociações que culminaram no malfadado Acordo de Paz que estabelecia a retirada de uns e a vigência dos outros; o governo afegão não foi ali metido nem achado. Era esse governo que presidiria ao combate em que arriscavam a vida? Por alma de quem? O poder estaria entregue a quem combatiam dentro de meses. Em 2020 uma lista nominal de 5 000 prisioneiros jihadistas Talibã foi cumprida e os terroristas que os militares haviam prendido foram libertados, ao abrigo do Acordo-do-Tanto-Faz. As suas famílias viviam em risco, muitas foram assassinadas, como vários pilotos da força aérea afegã - alvos particularmente apetecíveis. Muitos militares foram sitiados nos seus quarteis até que a fome os levou a abandonar os seus postos. Ah e tal, os militares afegãos fugiram, entregaram-se, não lutaram...

A embaixada dos EUA em Cabul foi fechada. Porquê? Foi o trauma da fuga da embaixada em Saigon em 1975? Provavelmente. É difícil e requer alguma imaginação o paralelo mas isso será outra novela. Mesmo em Saigon alguns funcionários e outros profissionais resolveram permanecer para garantir condições de e o Presidente Ford assinou e garantiu o plano de evacuação, que foi cumprido. A verdade é que outras embaixadas de aliados da NATO em Cabul permanecem em funcionamento mínimo, o embaixador do Reino Unido foi o primeiro a declarar que permaneceria enquanto possível e necessário.

Estando a retirada prevista até 31 de Agosto por que foi entregue a 1 de Julho ao governo afegão o aeroporto/base militar americana Bagram Airfield com capacidade para receber os maiores aviões militares ? 
Por que não foi estabelecido um corredor de segurança entre o centro de Cabul e o aeroporto comercial uma vez que a entrega de Bagram Airfield o transformou na única saída do país? Para evitar confrontos? Que diabo, obviamente que os Talibã não querem confrontos e seria mais fácil evita-los num corredor de segurança do que na loucura da cidade atravessando múltiplas zonas patrulhadas por guerrilheiros à deriva sem supervisão de chefias até, dificilmente, se chegar e conseguir entrar no aeroporto,  
Porque não foram fornecidos atempadamente vistos ou meros salvo-condutos aos colaboradores afegãos - os ditos "interpretes" - e suas famílias que permanecem em pânico com a espada de informadores, guias e espiões sobre as suas cabeças?


Tudo isto irá passar, quando chegarmos aos primeiros dias frios já o Afeganistão estará mais longe e os olhares desesperados que nos entram em casa pelas janelas dos noticiários estarão esquecidos pela maior parte de nós. Tudo isto ficará como o testemunho de uma situação mal avaliada, mal tratada, mal concebida.

 Quando passar o "agora" virá o "depois". E depois? Depois dos amargos de boca, do pânico, das aflições, o Afeganistão ficará entregue aos Talibã sem terem de se preocupar com confrontos, a atenção do mundo irá diluir-se em outras questões (como aliás tem estado diluída até aqui), as riquezas do país (ópio, heroína, ouro, cobre, lítio, entre outras) correrão directas para os seus cofres e o Emirado Islãmico florescerá numa quase legitimidade libertadora... A Fénix negra levantará vôo
E depois?
Nem vale a pena fingir que não sabemos.

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11 de Setembro de 2019

Durante a última semana de Abril de 2019 Trump reuniu com os seus principais conselheiros na Situation Room para anunciar que queria um Acordo de Paz que lhe permitisse retirar as tropas americanas do Afeganistão; Pompeo advogou a favor do chefe, claro;
Bolton, que assistia à reunião desde Varsóvia por video-conferência, não queria acreditar no que ouvia... Apesar das suas marcadas tendências bélicas, Bolton não é um recém-chegado às polítiquices estratégicas de Washington, nem do Pentágono em particular, tem plena consciência das consequências para o mundo ocidental - já nem falando do Médio Oriente - de uma retirada feita à pressa das forças americanas, sem garantias nem Instituíções fortemente implantadas
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Não é o fim de uma guerra, o que seria desejável, é a entrega de um povo impotente e de um território além das fronteiras afegãs ao poder terrorista institucionalizado.
É um crime.

Nas palavras de Bolton:
«Mr. Trump could keep his campaign pledge to draw down forces without getting in bed with killers swathed in American blood.»
Ou seja, é possível retirar tropas americanas deixando um contingente anti-terrorista sem assinar qualquer acordo com os Talibã.
Claro que é mas não tem o mesmo impacto nem dá cabeçalhos tão fixes nos jornais; nem nas páginas da história. E há alguma coisa mais importante do que o nome "Trump" na história?

A reunião terminou deixando no ar a mediática hipótese de convidar o presidente  Ashraf Ghani para ir a Washington assinar o tal Acordo de Paz. O facto de Ghani, presidente eleito, ser deixado totalmente fora das conversações com os Talibã seria, para Trump, um pormenor irrelevante, a verdade é que ficaria bem na fotografia.

Dias depois Trump teve uma ideia ainda mais sensacional que só comunicou aos seus mais escolhidos Conselheiros deixando na ignorância o "National Security Council" : Vou convidar os Talibã para virem cá, não a Washington, que já está muito visto, mas para Camp David!!! A jóia da "coroa" americana onde têm sido recebidos apenas presidentes, primeiros-ministros e reis. Sim Senhor! E mais, recebe-se a rapaziada 3 dias antes do 11 de Setembro!!! Se a guerra do Afganistão teve por causa primeira os ataques do "11 de Setembro",  e se por lá morreram cerca de 3 500 americanos, não contando as baixas das forças aliadas, é apenas mais um um pormenor irrelevante.

Mas os Talibã não foram a Camp David. Nem a Washington. Nem assinaram acordo algum.
Porquê?
A oposição nos meios políticos foi maior do que Trump esperava, muitos insuspeitos membros do Partido Republicano mostraram o seus descontentamento ou até indignação.
A 5 de Setembro, menos de uma semana antes da festa, os Talibã reivindicaram um ataque bombista no Afeganistão do qual resultaram 12 mortos entre os quais um americano. Desculpa vagamente careca... No espaço de uma semana esse foi o terceiro ataque bombista. (Aliás durante este mês de Fevereiro 2020 mais dois oficiais americanos foram mortos e as conversações de paz continuaram animadamente)
Que diga quem sabe, eu não sei, a verdade é que "consta" que os Talibã impuseram  condições rígidas aos americanos: a retirada de apoio ao governo afegão e um calendário de saída, a libertação dos prisioneiros Talibã... Pois.

29 de Fevereiro de 2020Doha - Qatar

Após sete dias de compromisso por parte dos Talibã de "Redução de Violência" no território afegão estão criadas as condições para a assinatura de um "Acordo de Paz" entre os EUA e os Talibã, é quanto basta. Não, o governo do Afeganistão não tem nada com isso, não estava lá nem foi informado do teor das conversações durante o processo. Quem por acaso lá estava era um ministro representante do governo do Paquistão...

O vergonhoso acordo foi assinado por Zalmay Khalilzad (US Special Representative for Afghanistan Reconciliation) e o homem de mão de Pompeo que liderou as conversações mantidas até hoje e o líder de conversações por parte dos Talibã Mullah Abdul Ghani Baradar.
Pompeo estava lá, como "testemunha" (sim, que o governo dos EUA não quer legitimar os Talibã, claro esteja) mas foi discursar

Se os Talibã "respeitarem os termos do acordo", que entrará em vigor a 10 de Março, os EUA reduzirão o seu contingente para 8 600 (dos cerca de 13 000 actual)  e fechará as suas 5 bases no prazo de 135 dias.
Todas as suas tropas, contingente anti-terrorista incluído, deixarão o Afeganistão dentro de 14 meses. Fica levantada a hipótese de permanecerem especialistas da Inteligência (o que é uma excelente ideia porque assim ficam todos identificados) e uma presença pontual de combate à ISIS e à al-Qaeda.

A presença aliada britânica que sofreu 454 baixas, tem actualmente de 1 100 militares, reduzirá apenas 200.

De direitos humanos, direitos das mulheres (à educação e ao trabalho p/ex.), minorias religiosas e do comummente designado como "Direitos, Liberdades e Garantias" nada ficou estabelecido ou é exigido

Os Talibã comprometem-se a cortar laços com a al-Qaeda e outros grupos de cariz terrorista internacional e a iniciar conversações com o governo afegão, que nunca reconheceu.

O governo afegão deve libertar 5000 prisioneiros Talibã (tendo os Talibã apresentado uma lista nominal) e 1000 prisioneiros afegãos serão libertados. Complicada esta questão uma vez que o governo afegão não é signatário deste, ou de qualquer outro, acordo e foi sempre ausente de todas as negociações
A delegação Talibã, tudo bons rapazes

Uma vez assinado o acordo os Talibã já declararam a sua "Vitória" sobre os EUA nas redes sociais e comunicaram às suas milícias que se trata de um pacto táctico que pode ser legitimamente quebrado por razões religiosas. 
Trump também já declarou... Diz ele que em breve se irá encontrar com os Talibã
Está tudo dito.

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E a 14 de Setembro 2020 publiquei assim:

Ontem, sábado 12 de Setembro - não consigo engolir esta fixação em torno do "11 de Setembro", nem tão pouco é possível engolir que seja um repetido "mero acaso" - recomeçaram as "Conversações de Paz" entre Talibã e  representantes do governo Afegão, as primeiras entre entes interlocutores, todas as prévias foram entre Talibã e norte-americanos com Pompeu como cabo do seu grupo. 
Um novo capítulo de uma vergonha que tem por fundo a retirada das tropas americanas que, pela vontade de Trump, seria feita ainda antes de 3 de Novembro, data das eleições presidenciais nos EUA, com ou sem "Acordo".

 Prevê o "Acordo" assinado em Fevereiro passado que se este for respeitado as tropas dos EUA se retirariam 14 meses depois, ou seja em Maio de 2021. Do contingente de 13 000 americanos que estavam no Afeganistão em Fevereiro restam 8 600 e está prevista uma nova retirada até ao início de Novembro reduzindo a permanência americana para 4 500.

Entretanto 12 000 civis afegãos foram mortos desde Fevereiro. Respeitado? Uma das alíneas é a cessação total de cooperação entre Talibã e grupos terroristas, nomeadamente a al-Quaeda. Nem comento... Como não comento o facto de os guerrilheiros Talibã terem recebido prémios monetários da Rússia por cada militar americano ou britânico morto. (Trump também não comentou... E Boris Johnson estava ocupado com o virus e o Brexit - que corja!)

Nas palavras do Almirante William McRaven, comandante da Operações Especiais Conjuntas que teve a cargo o planeamento e execução do raid que executou Bin Laden:
“I’m not personally convinced that any deal with the Taliban will be worth the paper that it’s written on. If we were to pull out U.S. troops completely from Afghanistan, it would not take the Taliban more than six months to a year to come back to where they were pre-9/11.” 
Não estou pessoalmente convencido de que qualquer acordo com o Talibã valerá o papel em que está escrito. Se retirássemos completamente as tropas americanas do Afeganistão, não demoraria mais de seis meses a um ano para os Talibã voltarem ao ponto em que estavam antes do 11 de Setembro.


Michael Morell, sub-director da CIA durante a época desse raid, e mais tarde director interino por duas vezes, disse concordar com a opinião de McRaven e partilhar das suas preocupações acerca do "Acordo de Paz":

"If U.S. and coalition troops withdrew from Afghanistan, and then the United States ended financial support to the Afghan government, my assessment is that the Taliban would take over the country again in a matter of months. In addition, despite the terms of the peace deal that explicitly forbid it, my assessment is that they would provide safe haven to al-Qaida.The United States would have to figure out how to collect Intelligence on what was happening in Afghanistan, with a particular focus on whether al-Qaida had reestablished itself there and was preparing any attacks on the U.S. and to find a way militarily to reach in there and deal with that problem”
Se as tropas dos EUA e da coligação se retirassem do Afeganistão e os Estados Unidos encerrassem o apoio financeiro ao governo afegão, a minha avaliação é que o Talibã assumiria o país novamente em questão de meses. Além disso, apesar dos termos do acordo de paz que o proíbem explicitamente,  eles forneceriam um porto seguro para a Al Qaeda. Os Estados Unidos teriam que descobrir como reunir Inteligência sobre o que estava acontecendo no Afeganistão, com um foco particular em se a al-Qaeda se havia  restabelecido e estava preparando qualquer ataque aos EUA, para encontrar uma acção militar de chegar lá e lidar com esse problema ”


Na passada quinta-feira, véspera do 11 de Setembro e dois dias antes do reencontro de conversações no Qatar dizia D. Trump:

We’re getting along very, very well with the Taliban and very well with Afghanistan and its representatives, we’ll see how it all goes. It’s a negotiation.” 

Como é que um presidente dos EUA, em véspera do "11 de Setembro",  diz que se está a dar "muito, muito bem com os Talibã" que - não fora o quase todo o resto - teve (ou tem?) guerrilheiros premiados para matarem os seus militares e dos dos seus aliados? Está a dar "muito, muito bem com os Talibã" que continuam a chacinar civis afegãos e a insultar o governo afegão?

Se, pelo lado do governo afegão existe a visão de um Estado laico regido por um governo eleito, os Talibã não fazem segredo nem pretendem sequer disfarçar, que pretendem fundar um Emirado Islâmico (Estado Islâmico, neste contexto soa mal...).

Conversações de Paz? Sim, está bem, entre eles, mas com um forte e visível apoio de quem tenha força - militar e económica - para bater o pé e dar um murro na mesa. Sem isto é só conversa, chacina e entrega de um povo - e do mundo -  ao terrorismo
Os Curdos que o digam...



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O OVO DE... RAMOS

É fácil sermos enredados na contestação de uma narrativa falaciosa, na contra-argumentação de uma mentira descarada que, face aos factos,  desenrola uma série de larachas encavalitadas umas sobre as outras sem inibições éticas de espécie alguma, estranhas a qualquer evidência ou lógica numa teia de mentiras infinita.

Desde 3 de Novembro (desde antes de 3 de Novembro), data das últimas presidenciais nos EUA, que o Bode-Maligno berra e grita que lhe roubaram a presidência cimentado nas teorias mais disparatadas com as consequências que todos testemunhámos culminando num 6 de Janeiro cuidadosamente arquitectado e o mais que está por vir. 

O inacreditável é acreditado com uma obstinação cega, semeada e bem regada.

É fácil que a estupefacção perante o inconcebível nos desvie o olhar da pedra de toque, do ponto crítico de um enredo fantasioso e perverso.

Mas essa pedra de toque existe. Existe e é tão óbvia, tão simples, que nos escapa; pelo menos a mim, rapariga atenta e indagadora nesta coisas das politiquices, confesso que me escapou. Ao confrontar-me com a sua simplicidade quase me senti envergonhada perante este "Ovo de Colombo"

Jorge Ramos é um prestigiado jornalista norte-americano de ascendência mexicana, aclamado pela Time, detentor de um prémio EMMY-lifetime achievement, colunista em mais de 40 jornais e âncora de vários programas de TV. É também conhecido pela precisão certeira das suas perguntas...

Há dias, a 1 de Julho, esteve presente numa pequena reunião no Texas, por ocasião da visita de D.Trump à fronteira, onde pode o questionar. E contestar a sua primeira resposta. E já não houve mais respostas, nem perguntas, nem reunião. D.Trump saíu porta fora. O "Ovo de Colombo" estava exposto. Game over.

Presidenciais USA 2020
Colégio Eleitoral - votos necessários à eleição - 270
Biden - 306
Trump -232


COMO PASSAR UMA MENSAGEM SEM FAZER ONDAS

 Na passada quarta-feira, dia 23/06, o HMS Defender, um navio de guerra da Royal Navy, dirigia-se de Odessa para a Georgia tomando o corredor ao largo da península da Crimeia, que os russos invadiram, ocuparam em 2014 e acham que é deles, constituindo ali o seu "porta-aviões" no flanco sudeste da NATO, enquanto  a comunidade internacional a reconhece como território ucraniano. 

Nesta passagem supostamente inocente, que respeitou o limite territorial de 12 milhas, o destroyer britânico levava a bordo uma equipe da BBC e um repórter do Daily Mail; acasos...

Foram disparados avisos (muito para além do alcance de segurança, não fosse o diabo tecê-las), sobrevoaram aviões militares russos, foi declamado que o Reino Unido teve uma acção indiscutivelmente provocatória e a BBC fez uma festa exclusiva. Pronteshh.

Pronteshh? Então qual é a ideia?

A Rússia tem por hábito considerar o Mar Negro como o seu quintal aquático e a Turquia nada se incomoda com isso, diria mesmo que acha graça. Pois, mas a Nato não acha graça nenhuma e a Ucrânia muito menos.

Desde 2014 que a Ucrânia é vítima de uma guerra quase esquecida, o reinado de Trump não ajudou, mesmo com a posição oposta, mas limitada, do Congresso e do Senado, até para chantagem com fins eleitorais serviu (Rudy Giuliani que o diga). A crescente impunidade de Putin valeu novas investidas internacionais, como a que tem vindo a ensaiar junto à fronteira com a Polónia

E então? Então vamos ligar os pontos para formar uma imagem 

Durante este mês de Junho houve uma cimeira G7, uma cimeira da NATO, uma cimeira da UE e o encontro entre Biden e Putin. Se a alguém passa pela cabeça que ficou tudo na mesma é porque ou tem má cabeça ou anda muito distraído. 

O primeiro sintoma foi a paragem dos ataques informáticos que caiam em catadupa nos EUA, e não só, provenientes da Rússia. Pouco se fala nisso, a humilhação costuma dar maus frutos.

Depois o destroyer da Royal Navy passou junto à Crimeia ali mesmo à beira do porto de Sevastopol, na véspera de uma cimeira da UE; O Reino Unido até já não está na UE, foi mera coincidência

Cerca de 24h após a conclusão desta cimeira da UE (24 e 25/06) chega a público (26 p/27 )  a notícia de que vários documentos classificados do Ministério da Defesa britânico - cerca de 50 páginas incluindo e-mails e apresentações "Power Point" - foram encontrados numa «pilha encharcada» atrás de uma paragem de autocarro em Kent (a cerca de 70km a sudeste de Londres) contendo informação sensível sobre o HMS Defender, a sua passagem pela Crimeia e várias apreciações sobre eventuais  reacções militares da Rússia; um outro conjunto de documentos anexo versa sobre os planos para uma possível permanência de tropas britânicas no Afeganistão após a total retirada dos contingentes norte-americano e alemão. 

Segundo o Ministério da Defesa o "extravio" dos documentos foi imediatamente comunicado pelo funcionário responsável (nunca foi mencionado que andaria um funcionário a fazer com documentos classificados nem como lhes perdeu o paradeiro); Quem os encontrou desejou permanecer, convenientemente, anónimo e entregou-os. A quem? Ao Ministério da Defesa? Não, curiosamente contactou a BBC... E a BBC contactou o Ministério da Defesa... 

Haverá que ter presente que a missão da BBC não é andar aos papeis, é informar. E cumpriu. Cumpriu bem...

Há avisos, ou talvez melhor dizendo, declarações de intenção, que dificilmente se podem fazer sem despoletar reacções indesejadas e as costumeiras declarações de vitimização perante ameaças "injustificadas"; a melhor forma de "enviar um recado" sem ser embrulhado num papel de "ameaça bélica" é uma fuga de informação altamente classificada, quer em termos de Segurança Nacional como políticos. Os russos acreditam na fuga indesejada dos documentos? É irrelevante, importante é que recebam a mensagem

Curiosamente, neste contexto, pouco foi dito sobre por que estava o HMS Defender em Odessa, pouco foi  divulgada a assinatura de um acordo de cooperação naval entre Londres e Kiev - com a presença de um membro de topo do Ministério da Defesa e um almirante, ambos britânicos -  em Odessa a bordo do HMS Defender, antes de este zarpar para a Georgia (que também aguarda à porta de entrada da NATO) passando pelas águas territoriais da Ucrânia  frente à Crimeia no dia 23. Este acordo, para além do trabalho conjunto em oito novos navios de guerra, contempla a construção de uma nova base naval no Mar Negro.

Convenhamos que isto pode ser bastante irritante para o Kremlin; a 17 de Junho, 1 dia após o encontro Biden/Putin, o eterno porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, fazia soar alto e bom som que a entrada da Ucrânia para a NATO é uma "linha vermelha" traçada por Moscovo

O capítulo seguinte, e presente, é bastante esclarecedor: a 28/06, 1 dia após a divulgação do "extravio" da papelada, teve início a operação anual da NATO "Sea Breeze 21" no Mar Negro, que está a decorrer e se prolonga até 10 de Julho; envolve 32 Estados, com a participação conjunta da Ucrânia

Menos de uma semana depois os líders G20 encontram-se em Roma...

OK?

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DIZ-ME O QUE COMES DIR-TE-EI QUEM ÉS

 Confesso que não gasto muito do meu tempo a ler jornais, a maior parte dos conteúdos são irrelevantes,  quando me chegam às mãos já a realidade vai lá mais adiante e muitos deles são doutrinários.

Confesso também que não tenho uma ideia muito aprofundada de Vítor Rainho; não é pessoa que me enerve e aprecio-lhe a ironia, as tiradas curtas e secas mas para além disso confunde-me o facto de se bater em tantas frentes, permanentemente. Não será defeito, talvez feitio, talvez ossos do ofício.

Mas não serve esta introdução para mais do que para explicar que a publicação do meu recorte não vem, nem muito nem pouco, à baila por citar "O Vítor Rainho", não estivera identificado o autor e citá-la-ia na mesma

Hoje eu estava à espera e, como estava à espera, fui folheando o jornal. Chegada à página 9 fui arrebatada por uma frase, um título encabeçando um artigo de Rainho, que me fez exclamar de concordância e surpresa. Diz ele do nosso jardim à beira-mar plantado:

«O país da esquerda caviar e da direita sardinha assada»

Não me perguntem sobre o artigo, mais uma vez me confesso, não o li, passei os olhos na diagonal e não me prendeu, mas o título... Ah o título é de antologia! Vi ali espelhada a opinião que tenho mas nunca por mim expressa de forma tão concisa e certeira. A convivência política entre o caviar e a sardinha assada raramente, muito raramente, assumida no parlapié  às massas.

É isto mesmo, em termos gerais a nossa esquerda é politicamente snob, assume-se como dona da cultura e só ela sabe o que está bem. Em termos gerais a nossa direita é  um tudo-pela-rama, é de um popularucho a que chama tradição para disfarçar as peneiras e anseia por levar tudo à frente como se vivesse numa largada de toiros

Onde fico eu no meio deste ladeado? Pois não sei, vivo neste mistério, os meus amigos de direita chamam-me esquerdista(zinha) e os meus amigos de esquerda apelidam-me de direita(zeca). Gosto de caviar e de sardinhas assadas embora consuma pouco de qualquer das iguarias. O que eu gosto mesmo é de sopa da pedra e creio que isso me deixa num limbo ideológico.


MAIS BAIXO DO QUE ISTO É ABAIXO DE INFERNO

 

LINK _ Carlos Moedas pede demissão de Fernando Medina, que acusa de ser “cúmplice” de Putin – Observador


«Para organizarem a manifestação, os promotores enviaram os seus dados para Câmara Municipal. Contudo, conforme contou ao Observador Ksenia Ashrafullina, uma das organizadoras da manifestação, após uma troca de e-mails, esses dados terão sido enviados não só para a PSP como também para a embaixada russa em Lisboa e para o Ministério dos Negócios Estrangeiros»

«A Câmara Municipal de Lisboa confirmou ao Observador a veracidade dos e-mails e garante ter corrigido a situação. »

Corrigido????? Como é que se corrige uma ignobilidade destas?

Manda-se um e-mail a dizer: 
"Enganamo-nos, os nomes dos manifestantes são O Coelhinho, o Palhaço e o Pai Natal e não organizaram a uma manif anti-Putin, foram no comboio ao circo?

Bateu no fundo, 
muito abaixo de qualquer fundo, 
um buraco sem fundo


5 ANOS, 6 MESES E 24 DIAS

 PARA UM "HOJE É DIA DE FESTA CANTAM AS NOSSAS ALMAS


Mas por que raio não me filiei eu no Partido Socialista? 

Não há nada como ter um grau de intimidade razoável com os donos do pedaço e por cá, no pedaço a que chamamos "nosso" não mais do que por hábito, isso é óbvio, indiscutível, inegável

Desta feita os "Donos do Pedaço", a que alguns chamam pomposamente "Governo de Portugal", achou por bem contribuir com uns cobres - esgalhados por nós, os habitantes do Pedaço e entregues à sua gestão como se uma renda fora - para o pé-de-meia de Pedro Adão e Silva (e não só...)

Este rapaz, que nas suas palavras, "é acima de de tudo surfista, há 20 anos" e tem como cartão de visita ser "comentador": tem semanalmente uma coluna de opinião no Diário Económico, comenta a actualidade política na RTP-N e diariamente no Rádio Clube; é Prof. Aux .do ISCTE onde também  é diretor do Doutoramento em Políticas Públicas, e ainda lhe sobra tempo para escrever sobre surf, mensalmente, na SurfPortugal. É obra caramba, rapaz trabalhador!

Segundo diz o jornal "Público" o Comentador foi nomeado pelo actual Chefe dos Donos do Pedaço para a Comissão Executiva das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, à qual irá presidir.

E vai presidir durante 5 anos, 6 meses e 24 dias, se considerarmos que entra em funções no primeiro dia útil após a publicação, ou seja, 7 de Junho.

A resolução determina que “a Comissão Executiva é composta por um comissário executivo e um comissário-executivo adjunto, os quais, sem prejuízo do disposto no n.º 16, são equiparados, para efeitos remuneratórios e de competências, a dirigentes superiores de 1.º e de 2.º graus, respectivamente”. 

De acordo com o estatuto remuneratório da Administração Pública, o cargo de direcção superior de 1º grau é equivalente ao de director-geral, o mais alto cargo da carreira,  tem direito a uma remuneração mensal de 3.745,26 euros, acrescidos de 780,36 euros para despesas de representação
Se não me engano são mais de 300.000 euros em cinco anitos

Compreende-se, vai ter de largar o seu ganha-pão quotidiano para dedicadamente servir a pátria... 
Ahh não, espera... Está previsto que possa acumular funções com o “exercício de outras actividades remuneradas, designadamente de docência, bem como a percepção de direitos de autor”. 

Prevê-se ainda o apoio de uma “estrutura de apoio técnico” de até oito elementos - “equiparados, para efeitos de designação e estatuto, a membros do gabinete de membro do Governo”, onde se inclui um secretário pessoal e um motorista, e que pode ser reforçada com mais quatro técnicos superiores recrutados em regime de mobilidade."

Ou seja, mais de 300.000 euros, os rendimentos que mantenha de outras actividades profissionais, as mordomias (com o motorista também vem o pópó e a gasolina, né? E as comezanas?)

O Contrato de Pedro Adão e Silva começa 3 anos antes dos 50 anos do 25 de Abril, e termina 2 anos e meio depois. Dois anos e meio depois???? Por alma de quem???? Não percebo, decididamente sou burra (claro que sou, se não fora ter-me-ia filiado no PS)

Sei que esta, sendo grave, nem será das mais graves mas, só pelo descaramento, merece referência

Ahh como eu gosto de fatinhos feitos à medida, é outra elegância, pois que é.

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QUANDO NÃO SE QUER VER BASTA NÃO OLHAR

 Raramente agarro temas nacionais porque, esses, mexem comigo ainda mais do que os outros mas às vezes não me contenho; e quando traduzem a forma como são desrespeitados os seres humanos, quase sempre os mais frágeis, a raiva tira-me o sono.

Há dias falei aqui sobre a bandallheira que se passa no ZMar sob um perspectiva diferente, está aí abaixo o post  

T'OU-M'APASSAR!  A REPUBLICA POPULAR DE PORTUGAL. 

Obviamente as coisas não seguiram bom caminho: O Supremo Tribunal Administrativo deu razão aos proprietários do ZMar, ordenou a suspensão da requisição civil e emitiu a notificação ao Governo. "Ouvi dizer" que o ca-cão do Cabrita (desculpem, às vezes gaguejo) disse que não sabia de nada e outras alarvidades. Também "ouvi dizer" que a GNR tinha transportado imigrantes para aquela propriedade às 04h da manhã com o reforço do Comando Territorial de Beja e da Unidade de Intervenção e que a operação decorreu "sem incidentes". Óptimo, não se esqueceram de levar as lanternas.

Porém há males que vêm por bem... Não anima mas não se perde tudo, isto serviu para trazer à luz do dia uma situação bem pior, no mínimo escabrosa, a dos imigrantes ilegais em Portugal que são carne para canhão.  

Acabei de ler sobre o assunto a exposição feira por uma Senhora Doutora em Direito que não conheço.
Sobre ela sei o que é público, que se licenciou em Coimbra, se doutorou em Direito na Univ. Nova de Lisboa e que trabalhou com o Provedor de Justiça como conselheira de Direitos Humanos.

Copio na integra o texto que publicou na sua página do Facebook expondo uma realidade abjecta; agora só me falta saber por que escolheu o Governo a propriedade da ZMar.

Da Ásia para Odemira

«Tive oportunidade de estudar a imigração da zona de Odemira há cerca de dois anos, confrontando-a com as sucessivas alterações à lei de imigração. Cheguei à conclusão, logo aí, que o nosso Governo, Parlamento, C.M. etc., procediam alegremente a alterações legislativas irresponsáveis, populistas, muitas delas destinadas a ceder à pressão de ONGs e activistas dos direitos humanos dos imigrantes com parcos conhecimentos jurídicos, em busca de soluções rápidas e simplistas. Percebi que já estava a dar asneira. Deu asneira.
As tais alterações traduziram-se em sucessivos alargamentos de regularizações em massa, abrindo cada vez mais as portas a uma via completamente desastrosa para se adquirir a residência em Portugal. Uma delas - a pior - dava um título de residência a quem estava em Portugal a trabalhar durante um ano.
Concretizou-se o que eu temia, e que pude confrontar na prática.
Uma lei que abre as portas à imigração via regularizações é má. É péssima. É uma lei que diz: venham clandestinos, fiquem aqui escravos sossegadinhos uns tempos. Caladinhos, aí escondidos nos num canto qualquer às molhadas. Depois damos a residência.
Ora sucedeu que isso chamou milhares de pessoas. Isso, e as ofertas de trabalho em barda nas milhentas estufas que fazem hoje parte da paisagem vista do espaço sideral de Portugal.
E Portugal não estava preparado.
Havia muitos, muitos pedidos no SEF, todos iguais: nepaleses, paquistaneses, todos vindos da mesma maneira, de avião até o Reino Unido, e depois de táxi, carro, até Odemira. Às centenas. Quem arranjava estas viagens? E cá ficavam um ano, à espera. Onde ficavam? Quanto pagavam para viver? Quanto recebiam? E depois, o pedido de regularização. Que, devido aos atrasos, se arrastava por mais um ano, e depois outro, e por aí a fora.
Uma política de imigração baseada em regularizações não é uma política de imigração segura. Não é política de imigração justa. Não permite ao Estado poder preparar as suas capacidades de acolhimento. É uma política de imigração que apenas faz com que os passadores, os traficantes, os empregadores, os senhorios, e uma data de gente de "esquemas", de todo o percurso, enriqueça à custa do desespero e da promessa de uma residência no fim da linha. Caros amigos defensores dos direitos dos imigrantes: é um caminho fácil e enganoso. Não é para isso que serve o instituto jurídico profundamente específico da regularização.

Festejava-se. Fantástico, Portugal tem MAIS um meio para integrar imigrantes que estão cá ilegalmente!!!
Não. Portugal criou MAIS um meio para trazer imigrantes ilegalmente. Portugal criou MAIS um meio para explorar imigrantes.
Portugal não sabia quantos vinham. Em nome do discurso cada vez mais vazio dos "direitos humanos", vieram e vieram muitos. Clandestinos, escondidos, vistos na beira da estrada, a caminhar, sempre a caminhar, nas estradas da Longueira e de S. Teotónio.
Mas já era um assunto que não dizia respeito a ninguém. Onde estava o departamento social da Câmara Municipal de Odemira? Onde estava a ACT? O SEF? A ver estas pessoas todas nestas condições? E sabia-se. Sabia-se. Estava à vista de todos.
E agora o Governo invoca "direitos humanos" e transporta pessoas de madrugada, com militares, com cães, para as enfiar num parque privado requisitado de forma ilegal, sem grandes explicações, sem tradutor, (diz quem está no ZMar que estavam verdadeiramente assustadas), sujeitando-se a ter de as retirar daí a uns tempos por ordem do tribunal?

O Direito da Imigração é uma coisa séria, caro Legislador. Não pode ceder ao choradinho do discurso fácil da solução bonitinha. Porque uma solução fofinha pode dar muita asneira. E aqui está a prova. Com uma violação ainda mais massiva dos direitos humanos dos imigrantes do aqueles que se queriam proteger.
Não controlar quem entra é mau. Nunca na história correu bem a clandestinidade. Nem adianta entrar em histerias e dizer que "controlar" exclui "proteger direitos", pois aqui é o contrário.
Saber quem entra permite ao Estado garantir direitos a quem está.
A nossa política de imigração está a tornar-se um fiasco total em todas as suas fases. Não controlamos mais quem entra no nosso território, como entra, se vem através de redes de tráfico, se vem para ser explorada, se vem para trabalho escravo, transportamos pessoas de um lado para o outro a meio da noite, com militares armados e invadindo terrenos privados, e se calhar no final ainda os expulsamos todos por estarem ilegais no nosso país.
E temos um Ministro, que não se demitiu num dia em que teve uma das suas polícias a praticar tortura e homicídio, e que ainda nos vem dar aulas sobre "direitos humanos".»

COME FLY WITH ME

Lembram-se de James Bond a escapar aos maus levantando vôo?
Foi em "Thunderball", no longinquo ano de 1965

 


Mesmo sabendo que o conceito é antigo e que o "Jetpack" não será propriamente 
uma novidade não deixam de me fascinar estes últimos treinos publicados pela 
Royal Navy; 
Olhem lá:


Também o Air Ambulance Service aderiu aos fascinantes Jetpack com óbvios benefícios



A quem possa interessar, há um modelo à venda em Londres por 340 000 £
Eu vou esperar pelos saldos mas só no que se poupa em parquímetros e multas...

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OPERAÇÃO "NEPTUNE'S SPEAR" 01/MAIO/2011 - 10 ANOS DEPOIS

 Hoje, 1 de Maio de 2021 cumpre-se uma década sobre a Operação "NEPTUNE'S SPEAR", o raid  que tomou de assalto a casa de bin Laden no Paquistão e que culminou com a sua execução


Numa entrevista informal conduzida por Ben Rhodes, antigo conselheiro de Segurança Nacional adjunto, o então Presidente Obama e o Almirante Bill McRaven, comandante das forças de operações especiais que executaram o ataque, conversaram sobre os milhares de pessoas que tornaram essa missão possível e o que significou para cada um deles e para os EUA.

Uma conversa sobre história, sobre emoções, sobre patriotismo e agradecimento acompanhada por imagens a ver

T'OU-M'APASSAR! A REPUBLICA POPULAR DE PORTUGAL

 Fui ver porque achei que não podia ser bem assim. Mas é. É exactamente assim

Ou por outra, é mais, bem mais do que assim mas já lá vamos, primeiro o desenrolar da notícia...

O ZMAR é, segundo a informação que disponibiliza no Google:


«Situado perto do sudoeste alentejano e do Parque Nacional da Costa Vicentina, este hotel descontraído fica a 8 km da Praia do Cavaleiro no Oceano Atlântico Norte e a 77 km da estrada europeia E1.
As cabines de madeira simples incluem Wi-Fi grátis e TV de ecrã plano, para além de kitchenette. As cabines com 1 a 3 quartos incluem sala de estar separada.

Dispõem de 2 restaurantes informais e café. Outras comodidades incluem ginásio, spa e piscina exterior com esplanada e espreguiçadeiras, para além de bar junto à piscina e zona recreativa para crianças. Estacionamento disponível.»

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- Segundo o Observador:

«Sem ter chegado a acordo com os proprietários da unidade hoteleira, o Governo avançou com a requisição civil do Zmar, em Odemira, local onde passarão a ficar isolados doentes infectados com o vírus da Covid-19. No despacho, publicado em Diário da República, determina-se que a responsabilidade de gerir o empreendimento turístico passa a ser do município de Odemira, com o apoio da autoridade de saúde e da Segurança Social. A requisição será válida enquanto a declaração da situação de calamidade for aplicável ao concelho alentejano.»

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- Segundo a TSF:

 «Zmar "não é apenas um parque de campismo, mas sim um espaço onde existem várias habitações particulares".
"Há 260 casas, 160 de particulares, e esta requisição civil [do Governo] é para todo o empreendimento
"
O primeiro-ministro anunciou no final do Conselho de Ministros na quinta-feira que o executivo iria fazer requisições naquele município alentejano, com o objectivo de instalar pessoas infectadas, pessoas em risco de contágio e também população que vive em situação de "insalubridade habitacional admissível, com hiper-sobrelotação das habitações", como é o caso de vários trabalhadores agrícolas emigrantes, entre os quais têm sido detetados surtos da doença Covid-19.

Segundo Nuno Silva Vieira, (advogado que representa 114 dos 160 proprietáriosa requisição do Governo é sobre todas as habitações, o que demonstra que o executivo desconhece o empreendimento.
"Ninguém vai sair das suas casas e vamos ficar aqui tranquilamente à espera que o Governo venha falar connosco, porque com certeza o Governo não conhece este empreendimento", destacou.
O advogado reforçou que o 'resort' não é um parque de campismo e que, "de acordo com a mais elementar regra constitucional do direito à habitação, ninguém pode sair das suas casas sem um despacho do tribunal".
"O Governo não é o tribunal e as pessoas que aqui vivem não vão abandonar as suas casas para dar lugar a pessoas doentes. Não se trata de má vontade, tem a ver com leis", apontou.»
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- E indo um quanto mais longe O JORNAL ECONÓMICO, que toca o busílis da questão a 5 deste mês de Abril


«A empresa dona do Zmar entrou em insolvência, a Multiparques a Céu Aberto. O eco camping resort fica localizado perto da Zambujeira do Mar, concelho de Odemira, distrito de Beja.

A insolvência da Multiparques a Céu Aberto – Campismo e Caravanismo em Parques foi pedida pela Ares Lusitani. O juízo de Odemira, do Tribunal de Beja, proferiu sentença a 11 de Março a ditar a insolvência da empresa dona do Zmar.

Entre os seus credores estão a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o site de reservas Booking, a fornecedora de eletricidade e gás natural Iberdrola, o Novo Banco, o Turismo de Portugal e a Noniussoft, software e consultoria para telecomunicações.

Os credores têm até ao dia 12 de abril para reclamar créditos, e a Deco aconselha os consumidores que estiverem interessados em exigir a devolução de pagamentos já efetuados a dirigirem-se ao administrador de insolvência, Pedro Pidwell da Silva

“Os consumidores interessados podem efetuar a reclamação de créditos que disponham até ao dia 12 de Abril

Questionado pelo Jornal Económico, o administrador de insolvência do Zmar revelou que no dia 27 de Abril vai ter lugar a “assembleia de credores, órgão máximo do processo de insolvência, que irá deliberar sobre os destinos da empresa”, mas que o objetivo é voltar a reabrir portas, o que só poderá acontecer depois de dia 27 de Abril e se os credores assim o entenderem.

“Neste momento, estamos a laborar com o propósito de reabrir o Zmar assim que for possível”, disse por email Pedro Pidwell da Silva.»

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Agora pergunto eu que, além de ser uma chata, estou vagamente em estado de choque e digo coisas sem sentido:

A insolvência da ZMAR foi ditada a 11 de Março; A 27 de Abril teve lugar a Assembleia de Credores; a  29 de Abril o governo decide emitir um Despacho, assinado e publicado nesse mesmo dia, para requisição civil da Zmar, da totalidade da Zmar,  de ambos os tipos propriedade, colectiva e privada. 

Digo eu em estado de choque, mas que descomunal porcaria por aqui vai; sentir-me-ia mesmo tentada a perguntar quem está interessado em deitar a mão à propriedade da Zmar? Algum primo, por certo...

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E já agora outra coisa...

 A Base Aérea n.º 11, ou Base Aérea de Beja, é uma base da Força Aérea Portuguesa, situada a poucos quilómetros da cidade de Beja e que tem na forja, pelo menos dois projectos, a saber: 
1 - Em Junho do ano passado, 2020, o ministro da Defesa, João Cravinho, anunciava que a Base Aérea nº11 iria ser o poiso dos cinco aviões KC-390 que Portugal contratou comprar. Pois, mas os aviões só começarão a ser entregues em Fevereiro do ano que vem, 2023, e, segundo o mesmo ministro, “significa que mais uma centena de militares com as suas respetivas famílias virão para Beja”
2- Existe um projecto para a instalação em Beja uma escola de formação de pilotos  de países NATO,o qual tem estado em ‘stand-by’ devido à pandemia covid-19.

Ora bem...

Constou-me, "ouvi dizer, não sei", que a Base Aérea nº11 tem "estado às moscas", há dezenas de camaratas vazias, em ‘stand-by’...

Só mais uma pergunta descabida: o tal "realojamento profilactico de trabalhadores que não têm condições de habitação digna"  - só descobriram agora - não poderia ser feito na Base Aérea?

E mesmo que... 
Por qualquer razão razão que queiram evocar, inventada ou válida, tanto faz, não seja possível ou conveniente a utilização da Base numa situação apresentada como urgente, por que não fazer a contratação de uma unidade hoteleira do distrito, uma daquelas que devido a confinamentos e todas as outras razões a jusante da pandemia, se encontram vazias e em situações económicas comprometidas?

Que coisa mais prepotente e descarada. Chamem-lhe fascismo, comunismo ou arroz de manteiga, autocracia é isto.

Abstenho-me de outro comentário para além da constatação de que é Portugal inteiro que não tem condições de habitação digna

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