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O CIRCO E A DECÊNCIA

 Desde tempos imemoráveis que existe um clube com substanciais adesões transmitidas de geração em geração, denominado "Antigamente É Que Era Bom" e tem como lema "No Meu Tempo...". Não sou simpatizante e muito menos associada mas não posso deixar de considerar que, no que toca à simples decência cívica, a passagem dos tempos tem trazido a esse louvável atributo de carácter - a decência -  a elevação à condição de "escasso", tendente a "raro". De há uns bons anos a esta parte, a decência é demasiadamente confundida com ingenuidade ou imbecilidade. É lamentável... E grave.

Vem isto, desta vez, a propósito de Keir Starmer, o demissionário primeiro-ministro britânico. A questão não é política - do ponto de vista ideológico - nem de competência, nem, muito menos, de integridade. Foi levantada uma campanha baseada nos mais absurdos e insignificantes pretextos que foram, ao longo de meses, amplificados pela comunicação social à esquerda e, sobretudo, à direita (leia-se o inefável Reform/Farage - Ó quanta ironia!) manipulando a volúvel opinião pública  exaustivamente.
Uma campanha que começou a surtir efeito aquando da demissão do embaixador do Reino Unido nos EUA por este se ter relacionado com Jeffrey Eptein, apesar de, e talvez por isso, ter conseguido as boas-graças de Trump para vir a ser firmado com Starmer um acordo comercial particularmente benéfico para o UK, numa altura em que a Europa era fustigada com as mais elevadas taxas de que há memória. Levantaram-se vozes exigindo a demissão de Starmer; o primeiro-ministro nomeou um embaixador que tinha facilidade em ser escutado por Trump com resultados materializados, mas ignorava que o homem se deu com Esptein... Demita-se o primeiro-ministro já! Seguiu-se de um coro mediático; depois foi só juntar slogans semanais subordinados ao tema " o primeiro-ministro não governa", no que toca a críticas, quanto mais inespecíficas forem as acusações mais fácil e rapidamente colam. 

Keir Starmer tem uma falha que lhe tem sido prejudicial, enormemente prejudicial: é demasiado educado, polido, respeitoso. Quando ofendido, caluniado ou injustiçado explica calmamente que as coisas não são como estão a ser ditas, não lhe está na alma dar um murro na mesa em vez de explicações. Move-se num mundo de decência que já não existe. Qualquer salafrário está sempre pronto a oferecer indignadamente as explicações mais inverosímeis para negar a evidência. Argumentar com a verdade em tom sereno tornou-se sinónimo de fragilidade, não colhe


Starmer, como qualquer governante, não acertou em tudo mas, desde o início, teve de se mover numa conjuntura progressivamente complicada; herdou uma cratera económica diligentemente ocultada pelos sucessivos governos anteriores, a começar por Boris-o-louco, saiu-lhe um Trump na rifa americana que lançou uma guerra económica à Europa, caiu-lhe sobre os ombros a remodelação operacional da NATO adicionada à vergonhosa decisão de Trump deixar de fornecer armamento à Ucrânia - quem o quiser oferecer que nos compre. E, obviamente, atrás desta conjuntura, um crescendo de contestação que se por um lado é sentida, pelo outro é orquestrada.

A direita massacrou-o, mesmo quando reduziu a imigração. A esquerda massacrou-o, mesmo quando removeu o limite de dois filhos no auxílio-desemprego e introduziu medidas destinadas a ajudar crianças e famílias. Nada do que fez - e fez -  seria suficiente para uma trégua. 

O homem que preferiu trabalhar sem alvoroço e é acusado de nada ter feito, entre muitas outras coisas:

- Encabeçou uma retumbante vitória com maioria em 2024, após o historicamente pior resultado Trabalhista em 2019

- Pôs fim às greves medicas do NHS com um acordo salarial
- Chegou a  acordo de pagamento com os trabalhadores dos transportes ferroviários e introduziu novos operadores e contratações
- Estabeleceu acordos com sectores públicos transversais
- Aumentou os direitos dos trabalhadores em horário flexível
- Aumentou as protecções face a despedimentos sem justa causa
- Aumentou o salário mínimo nacional
. Criou um conjunto de direitos dos arrendatários
- Limitou os aumentos sucessivos de rendas
- Aumentou os direitos dos terra-tenentes
- Reformou o planeamento de construção de habitação
- Expandiu o apoio às energias renováveis
- Aumentou o financiamento do NHS
- Aumentou o financiamento às escolas, às creches e ao ensino especial
- Aumentou a capacidade de marcações e de diagnostico no NHS
- Expandiu a rede de diagnósticos, aumentou a contratação de pessoal
- Aumentou os fundos para habitação social e criou o "Homes for Heroes" dedicado aos veteranos militares
- Aumentou os apoios domiciliários a doentes e convalescentes
- Aumentou os apoios contra a violência doméstica
- Passou mais de 40 peças de legislação só no primeiro ano do seu mandato

A questão é que Starmer nunca foi um homem de circo em busca de aplausos; é uma figura cuidadosa, metódica, ponderada. E educado... até dizer "não é preciso tanto". Numa época em que a política se impõe por demonstrações de indignação, slogans e vídeos nas redes sociais, por apelativas demonstrações de raiva mas não de soluções, Starmer muitas vezes pareceu um homem tentando prestar depoimento no meio de uma rixa de bar.

A imposição de  demissão a Starmer não é devida ao que fez nem ao que não fez é devida ao que ele se recusa a ser; é legitimo supor que quem o suceda não se recusará...

<<Porém,nos anos vindouros, os historiadores provavelmente olharão para trás, para o período de Starmer no poder, e farão uma pergunta que já parece inevitável: por que era ele tão odiado? A resposta pode ter menos a ver com o próprio Starmer do que com a época em que governou.>> THE LONDON ECONOMIC

        Com a Europa,  Starmer deixa negociações em curso sobre eletricidade, normas sanitárias e fito-sanitárias agro-alimentares e mercados de carbono — todas elas vinculam a Grã-Bretanha às futuras regras da UE em troca de acesso ao mercado europeu, que provou ser fundamental para a economia britânica. Segundo estimativas do UKICE (UK in a Changing Europe), cada redução de um ponto percentual nas barreiras tarifárias com a UE aumenta as exportações britânicas em cerca de £1,2 bilhão por ano. O pacote actual pode recuperar cerca de 15% das perdas comerciais relacionadas com o Brexit; uma união aduaneira poderia duplicar essa percentagem.

Os Liberais Democratas e parlamentares trabalhistas pró-UE já instaram o Sr. Burnham - provável sucessor de Starmer -  a "abandonar as linhas vermelhas" relativas ao mercado único e à união aduaneira. Os grupos de pressão empresariais usarão a cláusula de revisão Reino Unido-UE de 2027 para pressionar por uma integração mais profunda da cadeia de suprimentos. A pressão será difícil de resistir mas a  reaproximação à Europa permanece incompleta e frágil. Starmer deixa  acordos de alinhamento sectorial ainda em negociação, um projecto de pacto de segurança não assinado e um grupo parlamentar impaciente por medidas mais ousadas.

O que fará  Burnham? A sua dualidade está bem documentada. Em 2025,  afirmou que "desejava que a Grã-Bretanha voltasse a aderir à UE".
Em Maio de 2026, ele recuou: "Não estou propondo que o Reino Unido considere voltar a aderir à UE". Essa oscilação reflete restrições políticas genuínas ou um toque de oportunismo? Burnham filiou-se no partido trabalhista com 14 anos, desde então tem feito o percurso de múltiplas funções e lugares. Até 19 de Junho, dia em que se demitiu, foi Mayor de  Manchester. Obviamente tem planos e sabe aproveitar uma boa oportunidade. Esperemos que isso se reflita também a favor o país

Que haja sabedoria e sensatez para reconhecer o governantes que não cedem a dar espetáculo num circo de acusações com fins lucrativos. Os que se seguem nem sempre, ou quase nunca, serão os mais convenientes ao país, a qualquer país


UMA QUESTÃO DE...

 Quem ainda acredita que a mais rápida, e inultrapassável, velocidade no universo é a velocidade da luz, desengane-se.  Mais uma vez ficou hoje provado que a mais elevada velocidade é a de "passagem de besta a bestial" e vice-versa; a repetição desta experiência comprova o facto.

A selecção portuguesa, e Ronaldo em particular, claro, foi crucificada depois de empatar com o Congo.
É impressionante a quantidade de gente que sabe tudo e mais alguma coisa sobre como, e quem,  deveria ter jogado

(A Espanha empatou 0-0 com Cabo Verde, a Inglaterra empatou 0-0 com o Gana)

A imagem abaixo foi publicada nas redes sociais durante o Campeonato Europeu de Futebol de 2016


Só uma pergunta: Lembram-se de quem foi o Campeão Europeu esse ano?

Aconteça o que acontecer, sejamos vencedores ou participantes, os passos dados não têm retorno. A capacidade de resistência e superação da frustração é  um sólido indicador nos testes psicológicos... Chateiam-me os que são "nossos" nas horas de vitória, de sucesso, de boa-onda.
Mais não digo, não vá alguém considerar que estou a ser ofensiva. 


INFORMAÇÃO

Observei... Pensei... e decidi que será de bom tom informar os navegantes que por aqui costumam pairar de que tenho vindo a ter umas curiosas visitas sediadas em Israel. 

Nada estranharia - curiosamente é habitual ter visitantes de Israel, mais de 5,5% mensal -  
não fossem algumas coincidências... 
Tenho 3 endereços IP diferentes (deixo a comparação de acessos de 2 deles aí abaixo), todos da mesma companhia:  
Elron Technologies -
"We partner with visionaries who build the future of deep tech, defense tech, cybersecurity and AI technologies"  
com o mesmo browser, o mesmo sistema operativo, com dias e horas de visita muito próximos, todas as visitas têm entrada por link directo e que frequentam esta humilde página desde o mesmo dia, 15 de Maio último, o que tem a sua graça porque não publiquei por aqui nada entre 29 de Abril e 1 de Junho 

Qualquer visitante não tem acesso a informação sobre os visitantes do blog mas como estes são israelitas - os inventores do Pegasus, os precursores da Mossad, que não olha a meios para construir os fins, resolvi deixar - não um aviso, não será caso para isso -  uma informação à navegação.
Está feito.








CARTA DE ZELENSKYY A PUTIN

 



Carta aberta do Presidente da Ucrânia

ao Presidente da Federação Russa

4 de Junho de 2026 - 21:20


Ao Presidente da Federação Russa

Do Presidente da Ucrânia

Quando o senhor chegou ao poder na Rússia, há mais de 26 anos, muitas pessoas na Ucrânia viram-no com bons olhos. Era assim. Mas isso agora é passado.

Agora, a esmagadora maioria dos ucranianos vê com bons olhos a visita de nossos drones de longo alcance à abertura do seu fórum em São Petersburgo, percorrendo uma distância de mais de 1.000 Kms. Como o senhor bem sabe, essa distância não representa o limite de nossas capacidades.

Durante 26 anos, a sua presença no poder mudou completamente a agenda das relações entre a Ucrânia e a Rússia. De discussões sobre comércio e outros assuntos civis, as nossas nações passaram a falar, quase exclusivamente, sobre ataques e perdas.

O senhor passou quase metade dos seus 26 anos de poder na Rússia travando uma guerra contra a Ucrânia.

Independentemente do que o senhor diga sobre a NATO, geopolítica ou a língua russa, esta guerra é uma escolha pessoal sua — uma guerra sem uma causa real. É assim que a história a lembrará.

Esses anos poderiam ter sido muito diferentes.

Ouvimos frequentemente que se sentem confortáveis ​​com esta guerra. Claro que não; nos casos em que se trata da segurança da sua residência em Valdai ou do seu desfile em Moscovo. A própria vida é valiosa para vós

Mas agora todos podemos ver que os russos estão finalmente a sentir-se  cada vez menos confortáveis ​​com esta realidade — com o facto de  a guerra estar a ter consequências, cada vez mais negativas, para a Rússia.

Não gostam dos nossos drones e mísseis.

Não gostam da escassez de gasolina e dos preços em constante aumento.

Não gostam das restrições constantes.

Não gostam da sua intenção de lançar uma segunda onda de mobilização para expandir a guerra noutra direcção na Ucrânia ou estendê-la contra outros países vizinhos da Rússia.

Não gostam do facto de que não haver um fim à vista para a sua guerra.

Sim, ainda pode forçar os russos a viver desta maneira mas os seus recursos estão diminuindo, significativamente.

Não terá dinheiro ou capital político suficiente para continuar a comprar  a lealdade dos russos como fez nos últimos 26 anos.

E faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que o mundo ajude a trazer esse momento.

Como o senhor gosta de dizer, “precisamos analisar os números”.

Ontem, recebi um relatório sobre as perdas do seu exército na frente de batalha na Ucrânia durante o mês de Maio. Mais uma vez, o número ultrapassou 30.000 soldados russos mortos e gravemente feridos. Temos mantido esse nível mês após mês, e temos vídeos que comprovam cada uma de suas perdas — estas não são alegações vazias.

Sabemos que 63% das suas perdas no campo de batalha correspondem a mortos, enquanto apenas 37% são de feridos. No século XXI, nenhum exército pode se dar ao luxo de sofrer  esta proporção. E a percentagem de mortos continuará a aumentar.

Não é como se nós, na Ucrânia, estejamos preocupados com o destino dos soldados russos depois de tudo o que a sua guerra trouxe ao nosso país.

Mas eu me importo com os ucranianos.

Estamos perdendo o nosso povo e cada perda é dolorosa. Mesmo quando a proporção de perdas ucranianas, relativamente a perdas russas, é de um para cinco ou um para seis, ainda assim importa e muito.

Também importa que vocês adiem regularmente, a cada poucos meses, vossos  próprios prazos para capturar as nossas regiões — particularmente  na região de Donetsk. E também não a capturarão este ano.

Mas nós, na Ucrânia, não queremos uma guerra permanente. Sabemos muito bem que a vida sem guerra é infinitamente melhor. E queremos alcançar isso.

Estou convencido de que a maioria dos russos também responderia positivamente a isso — e o senhor  sabe disso.

Muitos não acreditavam que a Ucrânia seria capaz de resistir por tanto tempo. Vocês não acreditavam. E aqueles que o aconselharam também não acreditavam. Isso foi um erro.

Vocês não esperavam uma resistência em grande escala da Ucrânia e não previram que as coisas iriam chegar a este ponto. No entanto, aqui estamos nós — no quinto ano desta guerra em grande escala.

Não tenham medo de trilhar o caminho para fora desta guerra. Isso é o mais importante que se exige agora.

A Ucrânia preservou sua independência. E a preservará. Apesar de todas as previsões em contrário.

Unimos muitos ao redor do mundo para apoiar a Ucrânia e nos opor a vós. Encontrámos as armas e o financiamento de que precisámos.

Recebemos apoio. Vocês recebem sanções. E isso continuará até que haja justiça para a Ucrânia — a justiça que buscamos e a justiça que pode ser alcançada.

Não permitiremos que aqueles que tentam convencê-lo de que as sanções contra a Rússia serão significativamente aliviadas e que o apoio à Ucrânia será significativamente reduzido, sem que haja qualquer mudança significativa da sua posição em relação à Ucrânia, tenham sucesso. O exemplo de Orbán mostra como aqueles que optam por ajudar a Rússia na guerra contra nós acabam em desgraça.

A Ucrânia suportou Invernos rigorosos enquanto vocês tentavam destruir nosso sistema energético. Mantivemo-nos firmes —  mesmo na escuridão a resiliência dos ucranianos permaneceu intacta.

Levamos a guerra ao seu território  e você não teria conseguido lidar com ela sem a ajuda da Coreia do Norte. Você é o primeiro governante da Rússia a recorrer a Pyongyang em busca de auxílio.

E hoje você depende totalmente da China — também pela primeira vez na história da Rússia.

Você acreditava que os ucranianos não teriam forças para se defender. No entanto, hoje, nosso povo está ajudando nossos parceiros no Médio Oriente e no Golfo a construir suas próprias defesas.

Você esperava agitação interna na Ucrânia. Em vez disso, foram suas próprias formações militares que orquestraram um motim contra si. O dia 23 de Junho marcará mais um aniversário desse acontecimento, e o silêncio não apagará esse facto da história.

E agora seus funcionários, empresários e propagandistas olham-no com evidente cansaço. O mundo inteiro  apercebe-se disso.

O mundo não se cansou da Ucrânia, como você tanto esperava. Mas há um crescente cansaço em relação à Rússia — mesmo entre aqueles, no resto do mundo, que o ajudam a contornar as sanções e a manter sua economia à tona.

É impossível não notar. Após 26 anos no poder, a idade começa a cobrar seu preço. E com o tempo, o cansaço só aumentará.

Vimos relatórios de inteligência que mostram que  está a considerar planos para continuar a guerra até 2027 e 2028. Também sabemos que espera que os mísseis balísticos consigam o que tudo o mais falhou. Quer arrastar a Bielorrússia, ainda mais, para esta guerra, e agora somos forçados a preparar-nos também para isso. Vemos que está a tentar orquestrar algo em torno da Transnístria. Os seus propagandistas ameaçam, de uma forma ou de outra, todos os países vizinhos da Rússia. Quer realmente passar por tudo isso?

A escolha agora é sua.

Basta de guerra.

A Ucrânia propõe o fim desta guerra.

Isso deve ser feito honestamente, com dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida.

Vemos que os Estados Unidos estão totalmente focados na questão do Irão e seria errado esperar até que a guerra na Europa volte a ser o centro de suas atenções.

A Ucrânia propõe o fim desta guerra por meio de um diálogo directo entre nós — e vocês.

Proponho uma reunião.

Todos ouviram os seus representantes, sorrindo, dizere que eu, supostamente, poderia ir a Moscovo.  Mas, depois destes 26 anos, não há nada que um líder ucraniano possa fazer na sua capital — assim como não há nada que um líder russo possa fazer em Kyiv.

Há países que tradicionalmente recebem líderes para resolver questões de guerra e paz. Suíça, Turquia, os países do mundo árabe — muitos são capazes e estão dispostos a sediar tal encontro 

São os líderes que resolvem as questões-chave. Sempre foi assim e sempre será.

Proponho que marquemos uma data específica para um encontro.

Ouvimos que lhe foi prometida, no Alasca, a resolução de certas questões relativas à Ucrânia e à Europa. Mas você pode constatar que as questões ucranianas e europeias não são decididas em Anchorage.

Outros participantes acordados entre nós poderiam juntar-se ao processo bilateral

Tal como a guerra está a ocorrer, a Europa e a Ucrânia precisam de garantias de segurança, enquanto você também busca garantias de segurança para si, seria lógico envolver aqueles que podem genuinamente servir como garantidores.

Acreditamos que a Europa deve fazer parte deste processo — aqueles que realmente têm a capacidade de influenciar a situação.

Acreditamos também que os Estados Unidos devem fazer parte do processo. Isso é o que poderia ajudar a moldar uma nova arquitetura de segurança para a nossa região. 

Já vivenciamos muitos acordos com a Rússia, incluindo os Acordos de Minsk, que acabaram em fracasso. Por isso devemos primeiro encontrar respostas directas entre nós para as questões que permanecem e não esconder questões difíceis atrás de fórmulas, grupos de trabalho técnicos ou incontáveis ​​horas perdidas em diplomacia itinerante.

A sua guerra separou permanentemente a Ucrânia e a Rússia.

A linha de frente hoje é a linha de onde a diplomacia deve começar.

A Ucrânia está pronta para um cessar-fogo total durante as negociações. Esta é a prática padrão e os acontecimentos recentes em torno do Irão apenas reforçam este ponto. Uma tentativa de estabelecer um silêncio real é a melhor maneira de começar a conversar. Acreditamos que não seria apenas uma tentativa, mas um cessar-fogo verdadeiro — se é isso que deseja.

Você sabe que os Estados Unidos têm capacidade para monitorizar um cessar-fogo ao longo da linha onde as hostilidades cessam.

A Ucrânia está pronta para uma troca total de prisioneiros de guerra e isso poderia ser um bom prelúdio para o fim da guerra.

Medidas sérias devem ser tomadas para o retorno dos civis e das crianças que foram levadas durante a guerra.

Precisamos determinar que tipo de futuro aguarda as gerações de ucranianos e de russos que virão depois de nós.

Se não chegar à conclusão de que é hora de acabar com esta guerra, a Ucrânia continuará lutando pela sua existência. Teremos aqueles que nos apoiam.

Mas você também terá que lutar muito mais pela sua própria existência — não a da Rússia, mas a sua. Isto não é uma ameaça minha ou da Ucrânia. É um facto da história russa que você bem conhecem: quando a Rússia se cansa, a mudança chega.

Podemos trabalhar para superar este cansaço.

Você pode parar a guerra.

Memória eterna a todos aqueles que perderam a vida nesta guerra.

Glória à Ucrânia!

Volodymyr Zelenskyy

https://www.president.gov.ua/en/news/vidkritij-list-prezidentu-rosijskoyi-federaciyi-vid-preziden-104769

TACITAMENTE

 Porquê um tão prolongado silêncio, perguntam-me alguns frequentadores do Real Gana, se estou bem, se emigrei, se... Nada disso, ninguém acertou; é que olho para o que nos dizem do mundo e acho que mais vale estar calada. Gosto de chamar os bois pelos nomes, gosto de quem chama os bois pelos nomes, e, o que vejo, são dissertações acerca dos nomes que se vão chamando aos bois, doutas opiniões sobre os nomes com que os bois são apelidados, muita conversa, muitos "factos do dia" mas pegas de caras... Não vejo, não encontro e não comento.

O busílis do momento - entre os USA e o Irão - dá enjoo às mais robustas entranhas; agora há cessar-fogo, agora não há, agora vamos partir aquilo tudo, agora damos mais umas semanas, agora estamos mesmo à beira de um acordo, agora bombardeamos aqui e ali... Não há pachorra, as tretas sucedem-se à velocidade de escape.

O Trump quer acabar com a guerra? Quer, precisa baixar o preço dos combustíveis, dos fertilizantes, quer ficar bem na fotografia, ser O presidente americano que resolveu a ameaça iraniana. Os stocks de armamento estão baixos, o custo de vida altíssimo. Por outro lado as negociatas correm-lhe lindamente, dá-lhe imenso gozo ver a Europa em aflição perante uma crise de petróleo sem precedentes e ele com as cartas na mão. O Putin quer que a guerra acabe? É um 50/50... Sente falta dos mísseis iranianos mas tem exportado petróleo como há anos não conseguia, mesmo com riscos, mesmo à socapa - ainda hoje os franceses lhe arrestaram mais um petroleiro sancionado - e uma Europa em aperto é uma mais-valia considerável. O Irão quer acabar com a guerra? Quer, mais do que todos, mas não cede a sua autonomia; o Irão é o mais imperialista dos imperialistas, quando a América do Norte era um vasto vazio populado aqui e ali por tribos índias o Império Persa dava lições ao mundo
Porém nenhuma destas questões encerra o "nome do boi".

O "boi" chama-se Gaza.

O Irão quer englobar em qualquer acordo firmado com os EUA o fim dos ataques de Israel ao Líbano;  Trump está-se a marimbar para o Líbano, mas Netanyahu não... Israel precisa crescer, geograficamente: O Líbano, a Cisjordânia, e até a Jordânia se a Europa deixasse.

Kushner encabeça a fila de investidores, a Palantir de Peter Thiel aguarda pôr o seu homem na Casa Branca
Netanyahu prometeu Gaza a Trump, uma prenda embrulhada em papel de ouro, com a garantia da sua segurança, para aí ser construído o império Trump, o Estado Trump, sustentado por uma Cidade-Estado tecnológica, embrião das mais inconfessáveis estratégias de Inteligência Artificial e com uma cripto-moeda própria. 

Ok?

Pronto. 

Depois há tudo o resto: Putin aguarda que a Ucrânia seja votada ao abandono em tempo (que lhe seja) útil enquanto a Europa luta para se armar e estabilizar a inflação perante a crise petrolífera. A China vai semeando contactos e negócios enquanto os EUA se auto-isolam do Ocidente, e da NATO. A Europa está minada de coligações da rapaziada promovida e ajudada pela Rússia nas extrema-direita europeias

Então e por cá, pelo nosso cantinho à beira-mar plantado? Por cá não se faz política nem se olha para o país, faz-se estratégia partidária. Pior, não é só por cá... A União Europeia está debaixo de fogo enquanto segura pontas negligenciadas. O Reino Unido está na mesma onda, a Espanha nada nas mesmas águas, em França está prestes a recomeçar; governar é uma ideia ultrapassada, é preciso destabilizar, deitar por terra, enfurecer os povos - tornar o terreno fértil para extremismos.

Vale a pena falar disto? Disto tudo? É uma perda de tempo, o que "está a dar" são as patranhas mediáticas e os "factos" escandalosos que entretêm e revoltam as gentes


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O REI E O OUTRO

 Em Outubro de 2025 o rei Carlos III fez uma visita ao Papa no Vaticano  500 anos após o cisma que separou a Igreja Anglicana da Igreja Católica. Nessa altura escrevi por aqui:

... o Rei de Inglaterra visitou o Papa no Vaticano não é algo importante, nem novo. O que é importante, e marcadamente diferente, é que Carlos III fez aquilo que a Rainha Elizabeth não pode fazer, por razões várias: o segundo casamento cívil de Charles, herdeiro da coroa, os acordos com a Irlanda após a sua visita numa admirável missão de paz  atravessando a rua, literalmente, passando de uma Igreja para a Outra, Isabel II  não quis comprometer esta missão temendo que os católicos irlandeses vissem a sua aproximação ao Vaticano como uma interesseira manobra política. 

O que é importante é que o líder da Igreja Anglicana visitou o líder da Igreja Católica e ambos estiveram numa mesma missa celebrada pelo bispo de Roma, o Papa, e o Arcebispo de York.
Significativo é a permanência do líder da Igreja Anglicana simbolizada na cadeira decorada com o brasão do Rei Charles III, criada para permanecer na Basílica de São Paulo Fora-de-Muros. Charles, da Igreja Anglicana, parte mas a sua presença permanece.
Este acontecimento não é uma visita, é a abertura da porta da união de várias Igrejas, primeiro as cristãs e depois... E depois se verá.

Em Abril de 2026 desenrolaram-se os mais absurdos e sacrílegos insultos de Trump ao papa Leão XIV, aos católicos e até aos cristãos como um todo; não vale o tempo de referi-los, foram amplamente divulgados e estão ainda frescos na memória do mundo inteiro.
Outro dos alvos dilectos de Trump foi Keir Starmer, por  negar a participação das tropas britânicas na loucura que arrasta o mundo numa crise petrolífera e económica num Estreito de Ormuz que, de repente, a meio do decurso de negociações com vista a um tratado nuclear, foi fechado devido aos bombardeamentos no Irão e, presentemente, se encontra em vias de ser "privatizado" - por quem se verá...

Para os últimos dias de Abril estava marcada a visita de Carlos III a Washington. No UK houve uma contestação generalizada desta visita despoletados pela declaração de Trump afirmando que os britânicos não tinham prestado qualquer envolvimento no Afeganistão.  Uma enormidade mais do que ofensiva para os que por lá passaram, os que lá pereceram, as famílias de todos eles e o total desrespeito pelo esforço e empenho de um aliado de eleição diferente de todos os outros por alicerces históricos. Petições ao parlamento, apelos nos jornais para que a visita fosse cancelada, compreensivelmente. A questão terá sido abordada entre o primeiro-ministro e o rei... Ambos são figuras que evitam confrontos desnecessários, ambos fincam as suas inabaláveis posições quando o Reino Unido está em causa mas, enquanto Starmer procura ser tão absolutamente claro quanto a diplomacia lhe consente, Carlos III péla-se por um desafio que lhe permita exercer o seu loooongo, inter-continental , inter-cultural, inter-geracional soft power num misto de astúcia experiente e punhos de renda capazes de ferir os que lhe lancem um mal intencionado repto.

O primeiro acto da estratégia de Carlos decorreu mesmo antes da sua entrada em cena: enquanto o rei de Inglaterra, chefe da Igreja anglicana, viajava para os Estados Unidos, a arcebispo de Cantuária, Sarah Mullally, estava no Vaticano, no Palácio Apostólico - residência oficial de Leão XIV - num encontro privado entre ambos marcado pelo elogio ao Papa pela sua abordagem das "muitas injustiças no nosso mundo"; o Papa, por sua vez, prometeu continuar a trabalhar para superar as diferenças, "por mais intransponíveis que possam parecer". 
O ajuste temporal deste encontro não poderia ser mais claro

Ao segundo dia da visita do rei aos EUA e após uma passagem, na véspera,  "para tomar chá" na Casa Branca com Trump, acompanhados pelas suas respectivas mulheres - tornando óbvio não se tratar de uma "reunião de Estado" no mais estrito sentido do termo - foi o dia de Carlos III se dirigir ao Congresso, envergando um fato e uma gravata azuis... (Não, nada é ao acaso, o Speaker e o VP estavam ambos fardados de gravata vermelha). Fê-lo com finíssimo humor e a presença de um monarca de um país milenar visitando a casa de uns adolescentes intrépidos ( Two hundred and fifty years ago – or, as we say in the United Kingdom, just the other day – ) que fundaram a sua república sobre os alicerces de uma história sólida e - o que fez questão de frisar - de uma Magna Carta impar na qual se baseiam os ideais democráticos da Constituição americana. Por mais "distraído" que se possa ser seria muito difícil não compreender as várias alusões à fé, a todas e ao igual respeito devido aos que não a têm,  à liberdade, à democracia, à imparcialidade da Justiça e ao Estado de Direito, à dignidade humana. E duas menções ao nome de Kennedy, o outro presidente católico dos States para além de Joe Biden. Não deixou de lembrar a fundamental acção defensiva da NATO nos mais variados pontos do mundo, exemplificando com o Ártico - abstendo-se assim de referir a Gronelândia - incluiu a América, de passagem, e "porque" visitará Nova Iorque, falou do 11 de Setembro e da única vez que o artº 5º da Aliança foi activado, a favor dos EUA. 
Mas não se absteve de referir a Ucrânia, doa a quem doer. 

《Durante minha visita a Nova York, minha mulher e eu prestaremos novamente nossas homenagens às vítimas, às famílias e à bravura demonstrada diante de tamanha perda. Estivemos convosco naquela época e estamos convosco agora, em solene lembrança de um dia que jamais será esquecido.
Logo após o 11 de setembro, quando a NATO invocou o Artigo 5º pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu perante o terror, atendemos à chamada juntos – como nossos povos têm feito por mais de um século, ombro a ombro, através de duas Guerras Mundiais, da Guerra Fria, do Afeganistão e de momentos que definiram nossa segurança partilhada. Hoje  essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso.》
.../...
《As duas nações, quando alinhadas, podem realizar grandes feitos, não apenas para o benefício dos nossos povos, mas de todos os povos. .../... Os desafios que enfrentamos são demasiado grandes para que qualquer nação os suporte sozinha. Mas, neste ambiente imprevisível, a nossa Aliança não pode acomodar-se nas conquistas do passado, nem presumir que os princípios fundamentais simplesmente perduram. Como disse o meu Primeiro-Ministro no mês passado: a nossa é uma parceria indispensável. Não devemos desconsiderar tudo o que nos sustentou nos últimos oitenta anos. Em vez disso, devemos construir sobre o que já existe.》

Horas depois teve lugar o jantar de Estado na Casa Branca. Como convidado de honra de Trump, Carlos III não amoleceu, irrepreensivelmente amável e bem humorado tocou uma firme harmonia usando as mesmas teclas:
«Os nossos países têm a relação mais estreita de Defesa, Segurança e Inteligência que já se viu. Em duas guerras mundiais lutamos juntos para derrotar as forças da tirania. Hoje, enquanto a tirania ameaça mais uma vez a Europa, nós e nossos aliados  unimo-nos em apoio à Ucrânia para deter a agressão e garantir a paz.
O vínculo entre as nossas duas nações é, de facto, notável. Forjado no fogo do conflito, foi fortalecido por esforços conjuntos e aprimorado pelo profundo afecto entre os nossos povos. Testado repetidas vezes suportou o peso do nosso propósito comum e elevou a nossa ambição por um mundo melhor. Assim, ao renovarmos nosso vínculo esta noite, fazemo-lo com confiança inabalável na nossa amizade e no nosso compromisso partilhado com a independência e a liberdade.»

 Um rei britânico discursando de um pódio instalado por uma lei do Congresso, defendendo os limites do poder executivo, o pluralismo religioso, a NATO e a Ucrânia, perante um Partido Republicano que já não acredita em nada disso.

Sobre o discurso do rei ao Congresso Trump não conseguiu esconder o sentimento de pequenez que Carlos lhe provoca: “He made a great speech. I was very jealous.”

Trump pode comportar-se como se fosse dono do mundo mas nunca, nunca, será um Rei 

OS SACRÍLEGOS

PAPA LEÃO XIV
BAMENDA, Camarões, 16 de Abril


"Os mestres da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir"

"Fecham os olhos ao facto de que bilhões de dólares são gastos em mortes e devastação, enquanto os recursos necessários para cura, educação e reconstrução não são encontrados em lugar algum."

"Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para obter ganhos militares, económicos e políticos, arrastando o que é sagrado para as trevas e a imundície"

"É um mundo de cabeça para baixo, uma exploração da criação de Deus que deve ser denunciada e rejeitada por toda consciência honesta."

"O mundo está a ser devastado por um punhado de tiranos, mas permanece unido por uma multidão de irmãos e irmãs que se apoiam mutuamente! Olhemos nos olhos uns dos outros: somos um povo imenso!"

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E também há esta ternura:


.../...  a única cazão pela qual ele (o Papa) tem este trabalho é porque eu lho dei .../...Gostaria que pegasse nos seus pequenos biscoitos ou Wafers ou o que inferno (sic) seja que essa gente come e fossem para outro lado qualquer.../... Vou ordenar ao Todd Blanche que investigue a Igreja Católica imediatamente, estou certo de que poderá encontrar alguma coisa》

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O secretário de Defesa, Pete Hegseth, citou o versículo bíblico falso do monólogo de Samuel L. Jackson como Jules Winfield em Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, aparentemente acreditando que fosse completamente real.

O momento ocorreu durante um dos sermões de Hegseth no Pentágono, na manhã de quarta-feira.

«Eles chamam de CSAR 25:17, que eu acho que se refere a Ezequiel 25:17», disse Hegseth erroneamente, afirmando que o principal plano da operação de Busca e Resgate em Combate no Irão havia compartilhado o versículo com ele.

 A oração é CSAR 25:17 e diz: 

«O caminho do aviador abatido é cercado por todos os lados pelas iniquidades dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Bem-aventurado aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia os perdidos pelo vale das trevas pois ele é verdadeiramente o guardião de seu irmão e o protector das crianças perdidas. E eu os vingarei com grande fúria e ira, aqueles que tentarem capturar e destruir meu irmão. E vocês saberão que meu indicativo é Sandy One quando eu exercer minha vingança sobre vocês.»

Quase todas as linhas da oração de Hegseth foram retiradas da icônica recitação de Ezequiel 25:17 por Jackson no filme de Tarantino, e não do profeta Ezequiel conforme ordenado por Deus.

O versículo original da Bíblia realmente diz:

«Executarei grande vingança sobre eles com furiosas repreensões; E eles saberão que eu sou o SENHOR, quando eu exercer a minha vingança sobre eles.»

A linguagem floreada, as alusões à destruição do mal — tudo vem de do filme de Tarantino.

Como se não bastasse, Hegseth deu seu próprio cunho a um versículo "bíblico"que já era falso, embora aparentemente ele o ignorasse,  Compare-se o a versão de Hegseth com a versão de Pulp Fiction (video abaixo):

«O caminho do homem justo é cercado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Bem-aventurado aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, guia os fracos pelo vale das trevas. Pois ele é verdadeiramente o guardião de seu irmão e o protetor das crianças perdidas. E eu me vingarei com grande fúria e ira daqueles que tentarem envenenar e destruir meus irmãos. E vocês saberão que eu sou o Senhor quando eu exercer minha vingança sobre vocês.»

Coisas que acontecem quando uma besta megalómana e egocêntrica nomeia  um alcoólico belicista perdido num programa de fim de semana da Fox News para secretário de Defesa do mais poderoso exército do mundo. 

Ninguém achou por bem dizer-lhe que o versículo que ele interpretou de forma tão poética é uma blasfêmia? Será que alguém sabia? Será que foi avisado mas não se importou, achando que "a coisa" passaria? Essa demonstração de ignorância religiosa ocorre na sequência dos ataques de Trump ao Papa Leão XIV por expor a guerra por aquilo que ela é criticando asperamente a evocação de "guerra santa"

Este senhor Vice-Presidente é o que repreendeu a compreensão  teológica do Papa depois de o pontífice ter afirmado que Deus não abençoa quem lança bombas.

É a esta gentalha que detém o mundo nas mãos, literalmente

SEM LIMITES

 

Cito  algumas linhas de um discurso de Trump no domingo, mais não cito porque mais não merece

«Leo deveria estar grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista de candidatos a Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e eles acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leo não estaria no Vaticano.»

«Leo should be thankful because, as everyone knows, he was a shocking surprise. He wasn’t on any list to be Pope, and was only put there by the Church because he was an American, and they thought that would be the best way to deal with President Donald J. Trump. If I wasn’t in the White House, Leo wouldn’t be in the Vatican,»




Após o discurso contra o Papa Leão XIV na noite de domingo, Trump publicou no Truth Social  uma imagem, gerada por inteligência artificial, na qual aparece como Jesus Cristo  impondo a mão sobre um doente (quiçá terminal) impondo-lhe a Luz da vida sob estranhas figuras que parecem representar um "exército celestial".
A imagem fala por si

Quando os loucos não têm  limites há que lhos impor, em todas as situações absurdas que cria. A impunidade gera o caos


HUNGRIA, A SEGUNDA LIBERTAÇÃO

 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reconheceu a derrota nas eleições parlamentares, pondo fim a seus 16 anos no poder, e congratulou Péter Magyar, líder do partido de oposição de centro-direita Tisza.

Com quase 90% dos votos apurados, a autoridade eleitoral afirma que o partido Tisza, da Hungria, deverá garantir dois terços dos lugares no parlamento.

É difícil saber como a Hungria conseguirá evoluir, sair da teia de corrupção em que foi mergulhada; muitos e importantíssimos lugares-chave estão ocupados por amigalhaços de Orbán, "funcionários" de Putin, propagandistas de Trump - os três grandes derrotados desta noite. 

Pior não será por certo, na Ucrânia respira-se de alívio, na Europa tem-se menos uma das muitas preocupações.

Os húngaros disseram "sim à Europa" com este voto, afirma Magyar.

O novo governo tem uma grande tarefa pela frente, diz ele à enorme multidão, pedindo que celebrem pacificamente esta noite, antes de começarem a "curar" o país amanhã. Também pede a  Orbán que não tome nenhuma medida, entre agora e a sua saída formal do cargo, que possa obstruir o trabalho do novo governo quando este for formado.

Ciente da "máquina" montada por Orbán que terá de enfrentar diz que os "fantoches" do governo cessante têm de sair e que as Instituições do Estado precisam mudar. Promete restaurar os mecanismos de controle e equilíbrio, e a democracia húngara.

Enquanto Magyar fala, a multidão grita "Europa". 

Que brilhe a luz.






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"UMA CIVILIZAÇÃO MORRERÁ ESTA NOITE"

 Ainda não há 10 anos - cumprem-se a 9 de Novembro próximo - Trump foi eleito, pela primeira vez, presidente dos EUA; para muitos, nos EUA e no resto do mundo, foi o anúncio de uma época de obscurantismo, inimaginável.

Há 10 anos a maioria das não admitiria ver os EUA  apoiarem, de forma mais evidente ou mais sub-reptícia, a invasão criminosa e injustificável da Ucrânia pela Rússia

Há 10 anos pareceria absurdo admitir que a Rússia estava a apoiar e a subsidiar os partidos de extrema-direita europeus.

Há 10 anos era impensável presenciar uma violenta tentativa de golpe de Estado palaciano, como o de 6 de Janeiro de 2021,  preparado pelo presidente dos EUA e os seus acólitos, tentando permanecer no poder após perder as eleições de 2020

Há 10 anos ninguém acreditaria que um homem, ignorante, mentiroso, corrupto e doentiamente egocêntrico - sujeito a dois "impeachments" no Congresso e salvo ambas a vezes por um senado invertebrado - pudesse ser reeleito, por mais 1,05% - 4 anos depois.

Há 10 anos... O absurdo, perde-se no número de ocorrências impensáveis, de factos "impossíveis".

Há 10 anos ser-me-ia inacreditável se me mostrassem uma projecção do futuro em que me visse a dar razão ao Irão sob um injustificado ataque americano

Hoje, dia 7 de Abril de 2026, não sei o que se irá passar dentro de horas sob os céus do Irão; duvido que o próprio Trump tenha, horas antes, muitas certezas 

Dentro de horas... Mas antes destas horas passarem há algo que já não se pode apagar: a declaração de intensões de Trump

"Uma civilização inteira morrerá esta noite,
para nunca mais ressurgir"

Não consigo classificar, adjectivar, esta declaração, aconteça o que acontecer. No que concerne à intenção declarada, a única coisa que distingue Trump de Hitler é a pratica do poder que detém, esperemos.

Há dois dias, na sua mensagem pascal, horas depois de o Presidente dos EUA ter publicado que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, o Papa Leão XIV classificou  as ameaças contra o povo do Irão como  «verdadeiramente inaceitáveis». Ao sair de Castel Gandolfo declarou: 

«Certamente há questões de direito internacional aqui mas há muito mais. É uma questão moral, pelo bem do povo inteiramente. Procurar sempre a paz e não a violência, rejeitar a guerra, especialmente uma guerra que muitas pessoas disseram ser uma guerra injusta que continua a escalar e que não está a resolver nada.”
“É também um sinal do ódio, da divisão, da destruição de que o ser humano é capaz, e todos queremos trabalhar pela paz»
Anteriormente havia dito à CNN que esperava que Trump estivesse à procura de uma saída para acabar com a guerra com o Irão e apelou aos líderes do mundo para regressarem à mesa para o diálogo.

Colou-se-me uma pergunta no pensamento que não consigo rejeitar: Quem julga Trump que é para se outorgar o direito de aniquilar uma civilização inteira? Não está em causa se o faz ou não, está em causa o que declarou que fará

No Irão vivem mais de 89 milhões de pessoas, filhos de uma civilização milenar; os povos seguem os seus cursos e não há regimes eternos, sejam quais forem. O que está dentro da cabeça de Trump? Na cabeça, porque na alma está um buraco negro de onde não há Luz que escape

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Sobre a mesa da Sala Oval está uma proposta iraniana que  consiste em 10 cláusulas, incluindo o fim dos conflitos na região, um protocolo para passagem segura pelo Estreito de Ormuz, a suspensão das sanções e a reconstrução. 
Detalhes sobre as 10 cláusulas não foram publicados.
Falando aos jornalistas sobre o plano do Irão, Trump disse: "Eles fizeram uma ... proposta significativa. Não é suficiente, mas deram um passo muito significativo. Veremos o que acontece.". 
Claro, nada é suficiente, como o Acordo Nuclear com o Irão não foi. Suficiente só será o que lhe garanta a promessa de Netanyahu de lhe entregar a "Gaza Dourada" e a segurança desse resort privado.

Já depois destas declarações publicou na sua rede social Truth Social, Trump ameaças, expressas em profanidades, de atacar a infra-estrutura civil do Irão, incluindo pontes e centrais eléctricas se o Estreito de Ormuz não for totalmente reaberto. Crimes de guerra sobre os quais Trump já disse não lhe oferecerem preocupações; também não preocupam Putin nem Netanyahu.


«Terça-feira será o Dia da Central Eléctrica e o Dia da Ponte, tudo num só, no Irão. Não haverá nada igual!! Abram a F*** do Estreito, seus bastardos tarados, ou viverão no Inferno – VÃO VER! Louvado seja Allah»

O que passaria na cabeça dos nacionalistas cristãos, base de sustentação de Vance e Trump, se Obama alguma vez tivesse dito "Louvado seja Allah" ? Pois... mas no domingo de Páscoa, Obama, e a sua família não estavam em congregação com os nacionalistas auto-denominados cristãos, estavam na Igreja de St. John em Washington D.C.  a um quarteirão da Casa Branca,  paróquia histórica frequentemente visitada  por Obama e por vários presidentes anteriores.
Obviamente não estou a inferir que Trump seja adorador de Allah, Trump é uma besta com fé em si mesmo que, segundo as suas palavras, segue a sua própria moral e só. Não menos óbvio é que, se tiver tempo, rezará a todos os deuses à hora da sua morte, aterrorizado pela ideia do que o possa esperar do lado de lá, onde dinheiro, poder e influência não lhe podem valer.

Olhando a "bola de cristal"... Trump vai atacar o Irão? Vai, mas não como diz que atacará, há-de provocar explosões "cinematográficas" que mostrem como ele é poderoso e irrascível, nada mais 
Um semi-acordo aparecerá mesmo a tempo... Não sei, digo eu... 
Dentro de poucas hora saberemos.

RENTABILIZAR O IRÃO EM NOME DA NOVA GAZA

 

No 4° dia após o ataque ao Irão, já lá vão uns quantos, escrevi aqui:

A Rússia vê-se em dificuldades face ao fornecimento de armas vindas do Irão mas..., altamente dependente das exportações de petróleo, não verá com maus olhos tão retumbante crise petrolífera; o conflito pode acabar enriquecendo o Kremlin.

Um leitor assíduo deste blog, que não conheço pessoalmente mas que, com frequência, envia comentários aos posts publicados, escreveu-me assim:

"... com as tarifas comerciais que o Trump aplicou não estou a ver quem é que desejará agravar mais os encargos violando as sanções de importação do petróleo russo"

 Esta "credibilidade" seria um factor a considerar num contexto normal, com um presidente dos EUA minimamente normal. Não é o caso.

Respondi-lhe:

A ingenuidade do seu óbice será provavelmente testemunho de uma mente de boa-fé, não se aplica a Trump nem a Putin. Verá quantos poucos dias decorrerão até que Trump levante "temporariamente" as sanções petrolíferas à Rússia 

Não me acreditou...

A 14 de Março, dia a seguir a ter levantado as incómodas sanções,  Trump decididiu o começar o bombardeamento da ilha de Kharg, porto marítimo de exportação de petróleo a cerca de 25km da costa do Irão facilitando, com bons proveitos comerciais, a ancoragem de petroleiros de grande porte.  A ilha abriga as mais importantes infra-estruturas petrolíferas do Irão: é o terminal de uma rede de pipelines dos vários campos de petróleo do Irão e tornou-se o "armazém" de crude e de produtos refinados.

Após o primeiro bombardeamento, dirigido ao heliporto e às defesas aéreas – não danificando infra-estruturas petrolíferas, por certo mais na esperança de uma herança do que por respeito aos inúmeros avisos sobre o efeito que tal demonstração de mau-génio teria nos mercados energéticos mundiais – o Irão explicou-lhe  muito bem explicado que o bombardeamento da ilha de Kharg levará à destruição das estruturas petrolíferas dos países do Golfo Pérsico. Putin sorri.

Depois do êxito militar na Venezuela seguido de uma negociação com a espertíssima e experiente Delcy Rodríguez, a presidente interina que por lá ficou à espera que a crise passe, Trump, o super-trump, convenceu-se de que,  uma vez derrubado o Ayatollah, uma Delcy iraniana brotaria das ervas queimadas de Teerão ou, melhor ainda, o povo aclamaria o regresso de um Palahvi com a bandeira dos States no bolso da carteira, um Palahvi que só agora se lembrou de elevar a voz contra os horrores a que tem vindo a ser submetido o seu povo ao longo de décadas

O que Trump conseguiu não é uma Delcy, é um Kim Jong-un em embrião. Ouvem-se na bancada republicana vozes de "apoiado" e "muito bem", quando em público. Os militares não batem palmas.

Os militares avisaram Trump, os líders europeus avisaram Trump, os briefings de Inteligência (que o presidente não lê) avisaram que o Irão iria fechar o estreito de Hormuz, que seria necessário ponderar as consequências do ataque, estabelecer estratégias para lidar com a situação, prevenir um caos energético e económico... Trump não quis saber, não acreditou no óbvio, prosseguiu com a sua a sua habitual estratégia do "logo se vê", "I'll think of something"

A 8 de Março, Trump escrevia um ressabiado "bilhetinho"  ao primeiro-ministro do Reino Unido que destacou dois porta-aviões para defender Chipre mas não para o Golfo Pérsico : "Não precisamos de gente que se junte a guerras que já ganhámos".

No dia 10 fez uma re-edição da ameaça dedicada a Kim Jong-un durante o primeiro mandato, quando lhe prometeu "Fire and Fury como nunca se viu"; desta feita dedicou o fogo e fúria ao Irão SE fecharem o estreito de Ormuz.  - Se??? -   A 10 de Março? Em que planeta é que este animal tem estado desde 28 de Fevereiro?

Na sexta-feira, 27 de Fevereiro, quando terminaram as conversações com vista a um acordo entre americanos e iranianos - que, supostamente, continuariam na segunda-feira seguinte, dia 2 de Março - os iranianos estavam mais do que a postos no Estreito, não é preciso ser bruxo, o semblante de Kushner não engana um tonto; ao primeiro BUM, na manhã de 28, acabou-se o trânsito. SE fecharem o Estreito o estreito fica fechado, fim de papo.

Depois... Depois vieram falinhas mais mansas, ah e tal,  "Não precisamos de gente que se junte a guerras que já ganhámos" mas é bom que os europeus, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália., mandem as suas frotas para escoltar os petroleiros na passagem de Ormuz porque nós não damos conta do imbróglio.

Em 2019, Ilan Goldenberg, assessor para a política do Médio Oriente de Obama e líder da equipa do Departamento de Defesa sobre o Irão, alertou para que se ocorresse uma guerra contra o Irão, "serão certos os ataques a aliados dos EUA na região, o encerramento do Estreito de Ormuz, combates no Líbano entre Israel e o Hezbollah. Os ataques iranianos poderão fazer os preços globais do petróleo disparar durante semanas ou meses, talvez para 150 dólares ou mais por barril"

Pois... Querido Trump, o imbróglio é teu, tu o criaste, nem um aviso aos teu aliados, não ouviste qualquer opinião alheia para além da do teu companheiro de negócios israelita. Existiam argumentos de peso para não se fazer o que fizeste, estão à vista, não eram, como disseste, uma questão de cobardia... Tu não és corajoso, és um egocêntrico ignorante e amoral. Para além dos mais imediatos efeitos, económicos e energéticos, partiste o ovo da serpente: um regime no Irão ainda mais radicalizado, a ascensão, descontrolada internamente, do poder militar - tropas formatados desde meninos para a feroz e irracional defesa do regime teocrático -  e uma maior convicção de que é necessário armamento nuclear para sobreviver. Os que queriam negociar estão mortos, por muito maus que fossem eram mais racionais e pragmáticos do que estes. Quem lhes poderá dizer que não têm razão? Por que iriam acreditar? Kim Jong-un não acreditou, riu-se das ameaças, das "cartas de amor" de Trump e continuou para bingo. Do seu ponto de vista, está coberto de razão

Perante o "desembrulha-te sozinho" como resposta generalizada por parte dos aliados Trump, em óbvia fúria, joga uma carta que não tem: ameaça abandonar a NATO

«Os Estados Unidos foram informados pela maioria dos nossos “Aliados” na NATO que não querem envolver-se na nossa Operação Militar contra o Regime Terrorista do Irão, no Médio Oriente, isto, apesar do facto de quase todos os países concordarem fortemente com o que estamos a fazer, e de que não se pode, de forma alguma, permitir que o Irão possua uma Arma Nuclear. No entanto, não estou surpreendido com a acção deles, porque sempre considerei a NATO, onde gastamos centenas de biliões de dólares por ano a proteger esses mesmos países, como uma via de sentido único — Nós protegemo-los, mas eles não farão nada por nós, particularmente, em tempo de necessidade. Felizmente, dizimámos o Exército do Irão — A sua Marinha desapareceu, a sua Força Aérea desapareceu, a sua Defesa Anti-Aérea e Radar desapareceram e, talvez, o mais importante, os seus Líderes, praticamente em todos os níveis, desapareceram, nunca mais nos ameaçando -, aos nossos aliados do Médio Oriente, ou ao Mundo! Pelo facto de termos tido tanto Sucesso Militar, já não “precisamos”, nem desejamos, a assistência dos países da NATO — NUNCA PRECISÁMOS! Igualmente, do Japão, Austrália ou Coreia do Sul. De facto, falando como Presidente dos Estados Unidos da América, de longe o País Mais Poderoso em Qualquer Lugar do Mundo, NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM! Obrigado pela atenção a este assunto. Presidente DONALD J. TRUMP»

Desde o seu primeiro mandato que Trump tem ameaçado retirar-se da NATO, ordens são ordens... No final de Janeiro último, em Davos, durante a presença dos media às declarações conjuntas com o secretário-geral da NATO, fez questão de afirmar que duvidava da ajuda da NATO aos EUA caso fossem atacados. Mark Rutte, o conciliador, não lhe achou graça, lembrou a única vez que o artº5º foi evocado... E, tenhamos presente, os EUA não foram atacados. Os EUA atacaram um Estado soberano, o 2º desde o início de 2026, quando decorriam conversações com vista a um acordo - porque o acordo que existia foi siderado por Trump. Que esses Estados fossem (sejam) liderados por facínoras é outra questão, estão por aí facínoras de alto calibre que Trump defende e ajuda, está entre pares.

Mas... Retirar-se da Nato significaria, só assim em duas linhas,  perder bases militares estratégicas fundamentais, significaria o agravamento da já complicada clivagem dentro do partido republicano. Um novo impeachment paira sobre a sua cabeça e isso horroriza-o.

Trump tenta acabar a guerra, declarar vitória, objectivos cumpridos. Netanyahu telefona-lhe, nem te passe pela cabeça! O seu sinistro genro, o silencioso Kushner, que apresentou em Davos o plano "Nova Gaza", um projecto de reconstrução pós-guerra de US$ 25 bilhões que visa transformar a Faixa de Gaza numa faixa turística e comercial, um "centro de dados "e, em algumas propostas, a realocação de moradores para áreas sofisticadas denominadas "Nova Rafah", concebida para promover uma economia de livre mercado, baseada numa determinada cripto-moeda, um "país" privado gerido por Inteligência Artificial. Um projecto demoníaco, na base da fundação do "Board of Peace", que faz George Orwell parecer um escritor de contos infantis. O seu sinistro genro, o silencioso Kushner, o mesmo que com Witkoff, o amigalhaço de Putin esteve na última reunião para o acordo, horas antes do Irão ser atacado e que de novo serão destacados para novas negociações para por fim à guerra... Os iranianos não estarão interessados, vão espremer a situação até ao desespero, eles tinham o queijo e Trump entregou-lhes a faca.

Acabar com os ataques ao Irão? Mesmo que eles libertem Ormuz? Está um país privado em jogo, quem é que irá para a "Nova Gaza" com um Irão descontrolado ali tão perto? Kushner telefona ao seu grande amigo e financiador (US$6.2biliões) com uma Camelot da IA sobre a mesa dourada não há judeus e sauditas, há dinheiro, poder e interesses). Salman telefona a Trump: os teus aliados não te ajudam mas podes sempre contar com a minha amizade, apoio e tropas. Trump, amigo, a Arábia Saudita está contigo.
E Trump destaca tropas para seguirem para o Médio Oriente. Invasão ou não, heis a questão... Uma invasão é altamente provável... Encurralado entre uma América que se afunda e os amigos que arranjou poderá suspender a guerra por dias, reorganizar tropas e rezar aos seus demónios para que o safem desta, de mais esta.

É absolutamente claro que a guerra Israelo-americana não "está ganha" nem o regime está derrubado, nem foram eliminadas as capacidades convencionais do Irão, a prova é que o Estreito continua controlado por Teerão e instalações vitais para o comércio global de energia continuam ameaçadas em todo o Golfo Pérsico. 
Os Estados Unidos podem optar por intensificar o conflito, potencialmente usando forças terrestres para tomar instalações e território iranianos ou apoiando forças separatistas em todo o país. Os riscos dessas formas de escalada superam em muito seus possíveis ganhos, se falarmos de ganhos confessos e nos interesses dos EUA, enquanto Estado, e da economia global. Mas há outros ganhos, outros interesses...  Presentemente, com a economia global instável e o Médio Oriente em convulsão, a melhor opção para Trump é não se comprometer ainda mais com uma guerra que despoletou em plena ignorância e em "logo se vê", até ele percebe que precisa, rapidamente, de encontrar uma saída.”

Depois de ter dado ao Irão um prazo de 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz, Trump cedeu, alegando que seus representantes de confiança, Witkoff e Kushner, claro, haviam iniciado uma comunicação encorajadora com os líders iranianos, falou em  cinco dias de conversações que poderiam pôr fim à guerra. Os iranianos negam que tenham existido quaisquer conversações. Táctica para acalmar os mercados? É possível... mas curto
Tudo depende dos interesses que deseja fazer prevalecer dentro da teia em que ele mesmo se emaranhou

Do que vem a público nos media americanos em pouco, muito pouco, se pode confiar. Ainda que restem media que queiram informar com verdade, as informações que recebem da administração Trump, mais concretamente do Pentágono são de um baralho com cartas escolhidas e marcadas.

O Pentágono dita discretamente às empresas de satélites espiões o que dizer sobre a guerra com o Irão, censurando cirurgicamente o que o público deve "saber".
A título de exemplo: as 13 bases americanas existentes no Médio Oriente foram abandonadas; por quê? Porque foram bombardeadas pelo Irão e se houver baixas não se pode esconder. Os militares dessas bases estão alojados em... hotéis
Os navios que aparecem na FoxNews a passar o Estreito "demonstrando a vitória dos EUA? São imagens editadas de navios iranianos
Fontes militares  e de Inteligência, há dias numa reunião privada em Washington, disseram que o nível de sigilo em torno dos detalhes da guerra com o Irão é imprecedente; quase não há dados divulgados sobre o nível de bombardeamento, os alvos atacados ou efeitos avaliados. O governo Trump está a tentar controlar, ainda mais, o que as os meios de comunicação privados dizem num esforço de bastidores que não havia ocorrido anteriormente.

Assim que os bombardeamentos americanos e israelitas contra o Irão começaram, logo a 28 de Fevereiro, o Pentágono emitiu "orientações" para os operadores de satélites sobre qual “linguagem e termos evitar” ao descrever os danos causados ​​pelo Irão nas bases americanas no Oriente Médio, de acordo com uma cópia das orientações que foi "desviada".

"Evite-se linguagem que implique avaliação de danos de batalha (ADB) ou conclusões operacionais", diz um slide (fotos abaixo) produzido pela Força Espacial dos EUA. O documento continua alertando contra o uso de frases como “Alvo destruído”, “Alvo eliminado” e “Estrutura inoperante”.

As orientações incluem os seguintes exemplos do que dizer e do que não dizer.
Exemplo incorrecto: “O ataque destruiu com sucesso as instalações.”
Exemplo correcto: “As imagens mostram a estrutura em grande parte desabada, com escombros cobrindo a área onde o prédio estava localizado.”

Cerca de 100 empresas americanas possuem licença do governo para operar seus próprios satélites de reconhecimento, uma indústria que movimenta entre US$ 6 e 7 bilhões por ano e atende clientes militares e comerciais com serviços que vão desde a detecção de metano até a avaliação de danos causados por bombas. A maior parte da receita dessas empresas provém das forças armadas e do governo federal. As "quatro grandes" — Maxar Intelligence, Planet Labs, BlackSky Technology e Spire Global — operam cerca de 350 satélites de imagem e interceptação.

Embora a "orientação" do Pentágono para as empresas comerciais seja apresentada como uma recomendação, as empresas cumprem-na porque seus contratos com o governo as levam a não morder a mão que as alimenta.  As empresas privadas tornam-se mais um "colaborador/propagandista" controlado e auxiliar da máquina de inteligência dos EUA, uma tendência que tem vindo em crescendo desde o ano passado
A Força Espacial emitiu esta orientação, posteriormente "desviada" dos canais restritos, para praticamente todas as empresas de satélites comerciais na forma de solicitações por escrito, segundo as mesmas fontes. Isso inclui não apenas empresas que actuam na área de informações confidenciais mas também aquelas que trabalham na colecta e distribuição de materiais públicos ou de "código aberto" que informam os media, os centros de pesquisa e outros grupos.

Desde Fevereiro, quando a Anthropic se recusou a permitir que seu modelo de IA "Claude" seja usado em certas missões que envolvem vigilância doméstica em massa e armas autónomas, o Pentágono ameaçou invocar a Lei de Produção de Defesa para forçar a cooperação da empresa. Segundo as mesmas fontes militares, "Depois da Operação Anthropic, ninguém está interessado em entrar em lutas com o governo, é também mais uma tentativa de fazer com que as coisas sobre a guerra pareçam menos más do que realmente são."
A Planet Labs, uma das maiores empresas comerciais de imagens de satélite do mundo, bloqueou o acesso público a imagens de alta resolução de toda a zona de guerra do Irão e, a 28 de Fevereiro quando do início do ataque, impôs um atraso de 96 horas; posteriormente, a  10 de Março, estendeu o bloqueio a 14 dias  A empresa alega que a decisão foi tomada após consultar especialistas militares e de inteligência. Consultar...

No resto do mundo as informações estão também contaminadas porque a maioria provém de fontes americanas. O que se sabe sobre a guerra no Irão é, na sua maior parte, apenas "o que se julga que se sabe", temperado com factos, imagens e análises de "outros satélites"; tenhamos a noção de que, neste caso particular e ainda mais do que em todos os outros, a desinformação trumpisticamente fabricada é o que preenche os noticiários, as "Breaking News" e as mais fiáveis agências de informação.

As "notícias" pouco interessam, atentemos nos desenvolvimentos construindo um puzzle, peça a peça, juntando as peças mais diversas, as americanas privadas, as israelitas, as russas, as sauditas, o Irão é apenas o eixo