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O CIRCO E A DECÊNCIA

 Desde tempos imemoráveis que existe um clube com substanciais adesões transmitidas de geração em geração, denominado "Antigamente É Que Era Bom" e tem como lema "No Meu Tempo...". Não sou simpatizante e muito menos associada mas não posso deixar de considerar que, no que toca à simples decência cívica, a passagem dos tempos tem trazido a esse louvável atributo de carácter - a decência -  a elevação à condição de "escasso", tendente a "raro". De há uns bons anos a esta parte, a decência é demasiadamente confundida com ingenuidade ou imbecilidade. É lamentável... E grave.

Vem isto, desta vez, a propósito de Keir Starmer, o demissionário primeiro-ministro britânico. A questão não é política - do ponto de vista ideológico - nem de competência, nem, muito menos, de integridade. Foi levantada uma campanha baseada nos mais absurdos e insignificantes pretextos que foram, ao longo de meses, amplificados pela comunicação social à esquerda e, sobretudo, à direita (leia-se o inefável Reform/Farage - Ó quanta ironia!) manipulando a volúvel opinião pública  exaustivamente.
Uma campanha que começou a surtir efeito aquando da demissão do embaixador do Reino Unido nos EUA por este se ter relacionado com Jeffrey Eptein, apesar de, e talvez por isso, ter conseguido as boas-graças de Trump para vir a ser firmado com Starmer um acordo comercial particularmente benéfico para o UK, numa altura em que a Europa era fustigada com as mais elevadas taxas de que há memória. Levantaram-se vozes exigindo a demissão de Starmer; o primeiro-ministro nomeou um embaixador que tinha facilidade em ser escutado por Trump com resultados materializados, mas ignorava que o homem se deu com Esptein... Demita-se o primeiro-ministro já! Seguiu-se de um coro mediático; depois foi só juntar slogans semanais subordinados ao tema " o primeiro-ministro não governa", no que toca a críticas, quanto mais inespecíficas forem as acusações mais fácil e rapidamente colam. 

Keir Starmer tem uma falha que lhe tem sido prejudicial, enormemente prejudicial: é demasiado educado, polido, respeitoso. Quando ofendido, caluniado ou injustiçado explica calmamente que as coisas não são como estão a ser ditas, não lhe está na alma dar um murro na mesa em vez de explicações. Move-se num mundo de decência que já não existe. Qualquer salafrário está sempre pronto a oferecer indignadamente as explicações mais inverosímeis para negar a evidência. Argumentar com a verdade em tom sereno tornou-se sinónimo de fragilidade, não colhe


Starmer, como qualquer governante, não acertou em tudo mas, desde o início, teve de se mover numa conjuntura progressivamente complicada; herdou uma cratera económica diligentemente ocultada pelos sucessivos governos anteriores, a começar por Boris-o-louco, saiu-lhe um Trump na rifa americana que lançou uma guerra económica à Europa, caiu-lhe sobre os ombros a remodelação operacional da NATO adicionada à vergonhosa decisão de Trump deixar de fornecer armamento à Ucrânia - quem o quiser oferecer que nos compre. E, obviamente, atrás desta conjuntura, um crescendo de contestação que se por um lado é sentida, pelo outro é orquestrada.

A direita massacrou-o, mesmo quando reduziu a imigração. A esquerda massacrou-o, mesmo quando removeu o limite de dois filhos no auxílio-desemprego e introduziu medidas destinadas a ajudar crianças e famílias. Nada do que fez - e fez -  seria suficiente para uma trégua. 

O homem que preferiu trabalhar sem alvoroço e é acusado de nada ter feito, entre muitas outras coisas:

- Encabeçou uma retumbante vitória com maioria em 2024, após o historicamente pior resultado Trabalhista em 2019

- Pôs fim às greves medicas do NHS com um acordo salarial
- Chegou a  acordo de pagamento com os trabalhadores dos transportes ferroviários e introduziu novos operadores e contratações
- Estabeleceu acordos com sectores públicos transversais
- Aumentou os direitos dos trabalhadores em horário flexível
- Aumentou as protecções face a despedimentos sem justa causa
- Aumentou o salário mínimo nacional
. Criou um conjunto de direitos dos arrendatários
- Limitou os aumentos sucessivos de rendas
- Aumentou os direitos dos terra-tenentes
- Reformou o planeamento de construção de habitação
- Expandiu o apoio às energias renováveis
- Aumentou o financiamento do NHS
- Aumentou o financiamento às escolas, às creches e ao ensino especial
- Aumentou a capacidade de marcações e de diagnostico no NHS
- Expandiu a rede de diagnósticos, aumentou a contratação de pessoal
- Aumentou os fundos para habitação social e criou o "Homes for Heroes" dedicado aos veteranos militares
- Aumentou os apoios domiciliários a doentes e convalescentes
- Aumentou os apoios contra a violência doméstica
- Passou mais de 40 peças de legislação só no primeiro ano do seu mandato

A questão é que Starmer nunca foi um homem de circo em busca de aplausos; é uma figura cuidadosa, metódica, ponderada. E educado... até dizer "não é preciso tanto". Numa época em que a política se impõe por demonstrações de indignação, slogans e vídeos nas redes sociais, por apelativas demonstrações de raiva mas não de soluções, Starmer muitas vezes pareceu um homem tentando prestar depoimento no meio de uma rixa de bar.

A imposição de  demissão a Starmer não é devida ao que fez nem ao que não fez é devida ao que ele se recusa a ser; é legitimo supor que quem o suceda não se recusará...

<<Porém,nos anos vindouros, os historiadores provavelmente olharão para trás, para o período de Starmer no poder, e farão uma pergunta que já parece inevitável: por que era ele tão odiado? A resposta pode ter menos a ver com o próprio Starmer do que com a época em que governou.>> THE LONDON ECONOMIC

        Com a Europa,  Starmer deixa negociações em curso sobre eletricidade, normas sanitárias e fito-sanitárias agro-alimentares e mercados de carbono — todas elas vinculam a Grã-Bretanha às futuras regras da UE em troca de acesso ao mercado europeu, que provou ser fundamental para a economia britânica. Segundo estimativas do UKICE (UK in a Changing Europe), cada redução de um ponto percentual nas barreiras tarifárias com a UE aumenta as exportações britânicas em cerca de £1,2 bilhão por ano. O pacote actual pode recuperar cerca de 15% das perdas comerciais relacionadas com o Brexit; uma união aduaneira poderia duplicar essa percentagem.

Os Liberais Democratas e parlamentares trabalhistas pró-UE já instaram o Sr. Burnham - provável sucessor de Starmer -  a "abandonar as linhas vermelhas" relativas ao mercado único e à união aduaneira. Os grupos de pressão empresariais usarão a cláusula de revisão Reino Unido-UE de 2027 para pressionar por uma integração mais profunda da cadeia de suprimentos. A pressão será difícil de resistir mas a  reaproximação à Europa permanece incompleta e frágil. Starmer deixa  acordos de alinhamento sectorial ainda em negociação, um projecto de pacto de segurança não assinado e um grupo parlamentar impaciente por medidas mais ousadas.

O que fará  Burnham? A sua dualidade está bem documentada. Em 2025,  afirmou que "desejava que a Grã-Bretanha voltasse a aderir à UE".
Em Maio de 2026, ele recuou: "Não estou propondo que o Reino Unido considere voltar a aderir à UE". Essa oscilação reflete restrições políticas genuínas ou um toque de oportunismo? Burnham filiou-se no partido trabalhista com 14 anos, desde então tem feito o percurso de múltiplas funções e lugares. Até 19 de Junho, dia em que se demitiu, foi Mayor de  Manchester. Obviamente tem planos e sabe aproveitar uma boa oportunidade. Esperemos que isso se reflita também a favor o país

Que haja sabedoria e sensatez para reconhecer o governantes que não cedem a dar espetáculo num circo de acusações com fins lucrativos. Os que se seguem nem sempre, ou quase nunca, serão os mais convenientes ao país, a qualquer país


UMA QUESTÃO DE...

 Quem ainda acredita que a mais rápida, e inultrapassável, velocidade no universo é a velocidade da luz, desengane-se.  Mais uma vez ficou hoje provado que a mais elevada velocidade é a de "passagem de besta a bestial" e vice-versa; a repetição desta experiência comprova o facto.

A selecção portuguesa, e Ronaldo em particular, claro, foi crucificada depois de empatar com o Congo.
É impressionante a quantidade de gente que sabe tudo e mais alguma coisa sobre como, e quem,  deveria ter jogado

(A Espanha empatou 0-0 com Cabo Verde, a Inglaterra empatou 0-0 com o Gana)

A imagem abaixo foi publicada nas redes sociais durante o Campeonato Europeu de Futebol de 2016


Só uma pergunta: Lembram-se de quem foi o Campeão Europeu esse ano?

Aconteça o que acontecer, sejamos vencedores ou participantes, os passos dados não têm retorno. A capacidade de resistência e superação da frustração é  um sólido indicador nos testes psicológicos... Chateiam-me os que são "nossos" nas horas de vitória, de sucesso, de boa-onda.
Mais não digo, não vá alguém considerar que estou a ser ofensiva. 


INFORMAÇÃO

Observei... Pensei... e decidi que será de bom tom informar os navegantes que por aqui costumam pairar de que tenho vindo a ter umas curiosas visitas sediadas em Israel. 

Nada estranharia - curiosamente é habitual ter visitantes de Israel, mais de 5,5% mensal -  
não fossem algumas coincidências... 
Tenho 3 endereços IP diferentes (deixo a comparação de acessos de 2 deles aí abaixo), todos da mesma companhia:  
Elron Technologies -
"We partner with visionaries who build the future of deep tech, defense tech, cybersecurity and AI technologies"  
com o mesmo browser, o mesmo sistema operativo, com dias e horas de visita muito próximos, todas as visitas têm entrada por link directo e que frequentam esta humilde página desde o mesmo dia, 15 de Maio último, o que tem a sua graça porque não publiquei por aqui nada entre 29 de Abril e 1 de Junho 

Qualquer visitante não tem acesso a informação sobre os visitantes do blog mas como estes são israelitas - os inventores do Pegasus, os precursores da Mossad, que não olha a meios para construir os fins, resolvi deixar - não um aviso, não será caso para isso -  uma informação à navegação.
Está feito.








CARTA DE ZELENSKYY A PUTIN

 



Carta aberta do Presidente da Ucrânia

ao Presidente da Federação Russa

4 de Junho de 2026 - 21:20


Ao Presidente da Federação Russa

Do Presidente da Ucrânia

Quando o senhor chegou ao poder na Rússia, há mais de 26 anos, muitas pessoas na Ucrânia viram-no com bons olhos. Era assim. Mas isso agora é passado.

Agora, a esmagadora maioria dos ucranianos vê com bons olhos a visita de nossos drones de longo alcance à abertura do seu fórum em São Petersburgo, percorrendo uma distância de mais de 1.000 Kms. Como o senhor bem sabe, essa distância não representa o limite de nossas capacidades.

Durante 26 anos, a sua presença no poder mudou completamente a agenda das relações entre a Ucrânia e a Rússia. De discussões sobre comércio e outros assuntos civis, as nossas nações passaram a falar, quase exclusivamente, sobre ataques e perdas.

O senhor passou quase metade dos seus 26 anos de poder na Rússia travando uma guerra contra a Ucrânia.

Independentemente do que o senhor diga sobre a NATO, geopolítica ou a língua russa, esta guerra é uma escolha pessoal sua — uma guerra sem uma causa real. É assim que a história a lembrará.

Esses anos poderiam ter sido muito diferentes.

Ouvimos frequentemente que se sentem confortáveis ​​com esta guerra. Claro que não; nos casos em que se trata da segurança da sua residência em Valdai ou do seu desfile em Moscovo. A própria vida é valiosa para vós

Mas agora todos podemos ver que os russos estão finalmente a sentir-se  cada vez menos confortáveis ​​com esta realidade — com o facto de  a guerra estar a ter consequências, cada vez mais negativas, para a Rússia.

Não gostam dos nossos drones e mísseis.

Não gostam da escassez de gasolina e dos preços em constante aumento.

Não gostam das restrições constantes.

Não gostam da sua intenção de lançar uma segunda onda de mobilização para expandir a guerra noutra direcção na Ucrânia ou estendê-la contra outros países vizinhos da Rússia.

Não gostam do facto de que não haver um fim à vista para a sua guerra.

Sim, ainda pode forçar os russos a viver desta maneira mas os seus recursos estão diminuindo, significativamente.

Não terá dinheiro ou capital político suficiente para continuar a comprar  a lealdade dos russos como fez nos últimos 26 anos.

E faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que o mundo ajude a trazer esse momento.

Como o senhor gosta de dizer, “precisamos analisar os números”.

Ontem, recebi um relatório sobre as perdas do seu exército na frente de batalha na Ucrânia durante o mês de Maio. Mais uma vez, o número ultrapassou 30.000 soldados russos mortos e gravemente feridos. Temos mantido esse nível mês após mês, e temos vídeos que comprovam cada uma de suas perdas — estas não são alegações vazias.

Sabemos que 63% das suas perdas no campo de batalha correspondem a mortos, enquanto apenas 37% são de feridos. No século XXI, nenhum exército pode se dar ao luxo de sofrer  esta proporção. E a percentagem de mortos continuará a aumentar.

Não é como se nós, na Ucrânia, estejamos preocupados com o destino dos soldados russos depois de tudo o que a sua guerra trouxe ao nosso país.

Mas eu me importo com os ucranianos.

Estamos perdendo o nosso povo e cada perda é dolorosa. Mesmo quando a proporção de perdas ucranianas, relativamente a perdas russas, é de um para cinco ou um para seis, ainda assim importa e muito.

Também importa que vocês adiem regularmente, a cada poucos meses, vossos  próprios prazos para capturar as nossas regiões — particularmente  na região de Donetsk. E também não a capturarão este ano.

Mas nós, na Ucrânia, não queremos uma guerra permanente. Sabemos muito bem que a vida sem guerra é infinitamente melhor. E queremos alcançar isso.

Estou convencido de que a maioria dos russos também responderia positivamente a isso — e o senhor  sabe disso.

Muitos não acreditavam que a Ucrânia seria capaz de resistir por tanto tempo. Vocês não acreditavam. E aqueles que o aconselharam também não acreditavam. Isso foi um erro.

Vocês não esperavam uma resistência em grande escala da Ucrânia e não previram que as coisas iriam chegar a este ponto. No entanto, aqui estamos nós — no quinto ano desta guerra em grande escala.

Não tenham medo de trilhar o caminho para fora desta guerra. Isso é o mais importante que se exige agora.

A Ucrânia preservou sua independência. E a preservará. Apesar de todas as previsões em contrário.

Unimos muitos ao redor do mundo para apoiar a Ucrânia e nos opor a vós. Encontrámos as armas e o financiamento de que precisámos.

Recebemos apoio. Vocês recebem sanções. E isso continuará até que haja justiça para a Ucrânia — a justiça que buscamos e a justiça que pode ser alcançada.

Não permitiremos que aqueles que tentam convencê-lo de que as sanções contra a Rússia serão significativamente aliviadas e que o apoio à Ucrânia será significativamente reduzido, sem que haja qualquer mudança significativa da sua posição em relação à Ucrânia, tenham sucesso. O exemplo de Orbán mostra como aqueles que optam por ajudar a Rússia na guerra contra nós acabam em desgraça.

A Ucrânia suportou Invernos rigorosos enquanto vocês tentavam destruir nosso sistema energético. Mantivemo-nos firmes —  mesmo na escuridão a resiliência dos ucranianos permaneceu intacta.

Levamos a guerra ao seu território  e você não teria conseguido lidar com ela sem a ajuda da Coreia do Norte. Você é o primeiro governante da Rússia a recorrer a Pyongyang em busca de auxílio.

E hoje você depende totalmente da China — também pela primeira vez na história da Rússia.

Você acreditava que os ucranianos não teriam forças para se defender. No entanto, hoje, nosso povo está ajudando nossos parceiros no Médio Oriente e no Golfo a construir suas próprias defesas.

Você esperava agitação interna na Ucrânia. Em vez disso, foram suas próprias formações militares que orquestraram um motim contra si. O dia 23 de Junho marcará mais um aniversário desse acontecimento, e o silêncio não apagará esse facto da história.

E agora seus funcionários, empresários e propagandistas olham-no com evidente cansaço. O mundo inteiro  apercebe-se disso.

O mundo não se cansou da Ucrânia, como você tanto esperava. Mas há um crescente cansaço em relação à Rússia — mesmo entre aqueles, no resto do mundo, que o ajudam a contornar as sanções e a manter sua economia à tona.

É impossível não notar. Após 26 anos no poder, a idade começa a cobrar seu preço. E com o tempo, o cansaço só aumentará.

Vimos relatórios de inteligência que mostram que  está a considerar planos para continuar a guerra até 2027 e 2028. Também sabemos que espera que os mísseis balísticos consigam o que tudo o mais falhou. Quer arrastar a Bielorrússia, ainda mais, para esta guerra, e agora somos forçados a preparar-nos também para isso. Vemos que está a tentar orquestrar algo em torno da Transnístria. Os seus propagandistas ameaçam, de uma forma ou de outra, todos os países vizinhos da Rússia. Quer realmente passar por tudo isso?

A escolha agora é sua.

Basta de guerra.

A Ucrânia propõe o fim desta guerra.

Isso deve ser feito honestamente, com dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida.

Vemos que os Estados Unidos estão totalmente focados na questão do Irão e seria errado esperar até que a guerra na Europa volte a ser o centro de suas atenções.

A Ucrânia propõe o fim desta guerra por meio de um diálogo directo entre nós — e vocês.

Proponho uma reunião.

Todos ouviram os seus representantes, sorrindo, dizere que eu, supostamente, poderia ir a Moscovo.  Mas, depois destes 26 anos, não há nada que um líder ucraniano possa fazer na sua capital — assim como não há nada que um líder russo possa fazer em Kyiv.

Há países que tradicionalmente recebem líderes para resolver questões de guerra e paz. Suíça, Turquia, os países do mundo árabe — muitos são capazes e estão dispostos a sediar tal encontro 

São os líderes que resolvem as questões-chave. Sempre foi assim e sempre será.

Proponho que marquemos uma data específica para um encontro.

Ouvimos que lhe foi prometida, no Alasca, a resolução de certas questões relativas à Ucrânia e à Europa. Mas você pode constatar que as questões ucranianas e europeias não são decididas em Anchorage.

Outros participantes acordados entre nós poderiam juntar-se ao processo bilateral

Tal como a guerra está a ocorrer, a Europa e a Ucrânia precisam de garantias de segurança, enquanto você também busca garantias de segurança para si, seria lógico envolver aqueles que podem genuinamente servir como garantidores.

Acreditamos que a Europa deve fazer parte deste processo — aqueles que realmente têm a capacidade de influenciar a situação.

Acreditamos também que os Estados Unidos devem fazer parte do processo. Isso é o que poderia ajudar a moldar uma nova arquitetura de segurança para a nossa região. 

Já vivenciamos muitos acordos com a Rússia, incluindo os Acordos de Minsk, que acabaram em fracasso. Por isso devemos primeiro encontrar respostas directas entre nós para as questões que permanecem e não esconder questões difíceis atrás de fórmulas, grupos de trabalho técnicos ou incontáveis ​​horas perdidas em diplomacia itinerante.

A sua guerra separou permanentemente a Ucrânia e a Rússia.

A linha de frente hoje é a linha de onde a diplomacia deve começar.

A Ucrânia está pronta para um cessar-fogo total durante as negociações. Esta é a prática padrão e os acontecimentos recentes em torno do Irão apenas reforçam este ponto. Uma tentativa de estabelecer um silêncio real é a melhor maneira de começar a conversar. Acreditamos que não seria apenas uma tentativa, mas um cessar-fogo verdadeiro — se é isso que deseja.

Você sabe que os Estados Unidos têm capacidade para monitorizar um cessar-fogo ao longo da linha onde as hostilidades cessam.

A Ucrânia está pronta para uma troca total de prisioneiros de guerra e isso poderia ser um bom prelúdio para o fim da guerra.

Medidas sérias devem ser tomadas para o retorno dos civis e das crianças que foram levadas durante a guerra.

Precisamos determinar que tipo de futuro aguarda as gerações de ucranianos e de russos que virão depois de nós.

Se não chegar à conclusão de que é hora de acabar com esta guerra, a Ucrânia continuará lutando pela sua existência. Teremos aqueles que nos apoiam.

Mas você também terá que lutar muito mais pela sua própria existência — não a da Rússia, mas a sua. Isto não é uma ameaça minha ou da Ucrânia. É um facto da história russa que você bem conhecem: quando a Rússia se cansa, a mudança chega.

Podemos trabalhar para superar este cansaço.

Você pode parar a guerra.

Memória eterna a todos aqueles que perderam a vida nesta guerra.

Glória à Ucrânia!

Volodymyr Zelenskyy

https://www.president.gov.ua/en/news/vidkritij-list-prezidentu-rosijskoyi-federaciyi-vid-preziden-104769

TACITAMENTE

 Porquê um tão prolongado silêncio, perguntam-me alguns frequentadores do Real Gana, se estou bem, se emigrei, se... Nada disso, ninguém acertou; é que olho para o que nos dizem do mundo e acho que mais vale estar calada. Gosto de chamar os bois pelos nomes, gosto de quem chama os bois pelos nomes, e, o que vejo, são dissertações acerca dos nomes que se vão chamando aos bois, doutas opiniões sobre os nomes com que os bois são apelidados, muita conversa, muitos "factos do dia" mas pegas de caras... Não vejo, não encontro e não comento.

O busílis do momento - entre os USA e o Irão - dá enjoo às mais robustas entranhas; agora há cessar-fogo, agora não há, agora vamos partir aquilo tudo, agora damos mais umas semanas, agora estamos mesmo à beira de um acordo, agora bombardeamos aqui e ali... Não há pachorra, as tretas sucedem-se à velocidade de escape.

O Trump quer acabar com a guerra? Quer, precisa baixar o preço dos combustíveis, dos fertilizantes, quer ficar bem na fotografia, ser O presidente americano que resolveu a ameaça iraniana. Os stocks de armamento estão baixos, o custo de vida altíssimo. Por outro lado as negociatas correm-lhe lindamente, dá-lhe imenso gozo ver a Europa em aflição perante uma crise de petróleo sem precedentes e ele com as cartas na mão. O Putin quer que a guerra acabe? É um 50/50... Sente falta dos mísseis iranianos mas tem exportado petróleo como há anos não conseguia, mesmo com riscos, mesmo à socapa - ainda hoje os franceses lhe arrestaram mais um petroleiro sancionado - e uma Europa em aperto é uma mais-valia considerável. O Irão quer acabar com a guerra? Quer, mais do que todos, mas não cede a sua autonomia; o Irão é o mais imperialista dos imperialistas, quando a América do Norte era um vasto vazio populado aqui e ali por tribos índias o Império Persa dava lições ao mundo
Porém nenhuma destas questões encerra o "nome do boi".

O "boi" chama-se Gaza.

O Irão quer englobar em qualquer acordo firmado com os EUA o fim dos ataques de Israel ao Líbano;  Trump está-se a marimbar para o Líbano, mas Netanyahu não... Israel precisa crescer, geograficamente: O Líbano, a Cisjordânia, e até a Jordânia se a Europa deixasse.

Kushner encabeça a fila de investidores, a Palantir de Peter Thiel aguarda pôr o seu homem na Casa Branca
Netanyahu prometeu Gaza a Trump, uma prenda embrulhada em papel de ouro, com a garantia da sua segurança, para aí ser construído o império Trump, o Estado Trump, sustentado por uma Cidade-Estado tecnológica, embrião das mais inconfessáveis estratégias de Inteligência Artificial e com uma cripto-moeda própria. 

Ok?

Pronto. 

Depois há tudo o resto: Putin aguarda que a Ucrânia seja votada ao abandono em tempo (que lhe seja) útil enquanto a Europa luta para se armar e estabilizar a inflação perante a crise petrolífera. A China vai semeando contactos e negócios enquanto os EUA se auto-isolam do Ocidente, e da NATO. A Europa está minada de coligações da rapaziada promovida e ajudada pela Rússia nas extrema-direita europeias

Então e por cá, pelo nosso cantinho à beira-mar plantado? Por cá não se faz política nem se olha para o país, faz-se estratégia partidária. Pior, não é só por cá... A União Europeia está debaixo de fogo enquanto segura pontas negligenciadas. O Reino Unido está na mesma onda, a Espanha nada nas mesmas águas, em França está prestes a recomeçar; governar é uma ideia ultrapassada, é preciso destabilizar, deitar por terra, enfurecer os povos - tornar o terreno fértil para extremismos.

Vale a pena falar disto? Disto tudo? É uma perda de tempo, o que "está a dar" são as patranhas mediáticas e os "factos" escandalosos que entretêm e revoltam as gentes


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