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A VIDA A PRETO E BRANCO

Este é um "post" invulgarmente comprido mas, mesmo restringido em factos e, sobretudo, em  considerações, não consegui torna-lo mais curto e por isso o dividi numa espécie de mini-capítulos.

É um desabafo pessoal e uma história ou vice-versa. Desta vez gostaria de ler alguns comentários, por certo compreenderão porquê






A VIDA A PRETO E BRANCO
A história de um dia de S. Valentim

Tenho ouvido inúmeras vezes, desde muito novinha, o comentário, ou mesmo a “acusação” : “Não és como as outras pessoas”, “Não és uma pessoa normal”, “Tens a cabeça arrumada de acordo com um esquema muito próprio”, “ Jogas com um baralho muito teu”, etc. etc. etc. Há contextos em que entendo porquê, outros há, a maior parte  –  digo eu, nunca pensei profundamente no assunto  –  em que não sei mesmo de onde vem a atribuição tão recorrente, da diferença ou, nos casos mais simpáticos, da originalidade.
Em verdade creio que sou razoavelmente normal, pelo menos no sentido da não-diferenciação da maioria das pessoas que me rodeiam; faço uma vida bastante comum e não me é particularmente difícil encontrar eco para os meus pensamentos ou preocupações, independentemente das diferenças naturais e saudáveis de opinião ou interesses, claro está. Reconheço que no que toca a Regras sou bastante arrevesada – penso que cada caso é um caso, as situações e contextos diferem constantemente e, sobretudo, há que considerar em primeiro lugar as Pessoas e as suas circunstâncias. Aceito o conceito de “regra geral” mas tenho sérias dificuldades em lidar com o “tem de ser assim porque é assim que é” ou com regras que se estabelecem para “facilitar a vida” e que acabam por se tornar espartilhos da vontade, do prazer, da imaginação e até da afectividade. O tédio é o castrador-mor da alegria e de muitas outras emoções saudáveis, do raciocínio e da criatividade.
Vem esta pequena divagação a propósito de uma conversa urgente que a, suposta, ”educadora” de infância do meu filho, de 5 anos, teve comigo esta manhã
.


Recuando um pouco:
No passado natal o meu filho Luís comentou com alguém, que me contou em inconfidência, que queria pedir ao Pai Natal uma prenda para me dar no dia dos namorados: «A minha mãe é a minha namorada porque é a pessoa de quem mais gosto e que gosta mais de mim»,  explicou. A coisa enterneceu-me mas não voltei ao assunto.
Há dias um amigo nosso deu 5 euros ao Luís para ele pôr no mealheiro. Passado um dia ou dois o Luís perguntou-me se 5 euros dava para comprar uma prenda bonita; respondi como bem entendi e não liguei a pergunta a outra coisa para além da curiosidade ou a tentativa de entender quanto valem 5 euros. 
Noutra ocasião saiu-lhe: «O Pai Natal acha que os meus sonhos não são importantes» (SIC) Então lembrei-me...
Já esta semana, quando começou o “bombardeamento” de publicidade tendo por alvo o “Dia dos Namorados”, o Luís perguntou-me se eu não gostava do “relógio dos namorados” (campanha da Swatch) enquanto passava o anúncio na TV. Respondi-lhe que não sabia, ainda não o tinha visto bem. Acto contínuo foi buscar uma revista, folheou e mostrou-me a foto, com um grande coração encarnado. Olhei, sorri-lhe e disse que sim, que era giro. (E é). Nessa noite ouvi o Luís a “conversar “ com o homem-aranha dizendo que queria dar o relógio dos namorados à mãe mas que não sabia se tinha dinheiro que chegasse no mealheiro e que ia falar com um amigo nosso para lhe pedir que fosse com ele à loja. Fechei a porta da casa de banho e sentei-me na borda da banheira a pensar no desejo do meu filho. Lembrei-me de mim com a idade dele por vezes a desejar oferecer uma prenda especial à minha mãe ou ao meu pai mas conseguia ir além dos desenhos ou do costumeiro cinzeiro de barro pintado.

Ontem, 
quando íamos a caminho da escola o Luís disse-me que ia fazer dois cartões de S. Valentim: um para o melhor amigo e outro para a mãe. Fixe, disse eu. Pois... rematou ele com um suspiro.
Suspiro compreendido, repensei e decidi-me.

Fui à ourivesaria cá do bairro, contei a história sumariamente, comprei o relógio e disse que o Luís iria busca-lo ao fim da tarde do dia seguinte. Depois fiquei a pensar como conseguir que o Luís fosse buscar a prenda “sem eu saber”. Após algumas congeminações... O“ Pai Natal” escreveu um bilhete ao Luís dizendo que não se tinha esquecido dos seus desejos e sonhos, que sabia o quanto ele queria dar uma prenda à mãe e que tinha pedido a um duende para tratar disso. Dizia também que era só pedir à mãe para passar pela “loja das joias” ao pé de casa e mostrar o bilhete; a prenda estava lá e depois mandavam a conta para o Pólo Norte. Posto isto restava-me fazer chegar o bilhete ao Luís e arranjar quem lho lesse...
Quando fui busca-lo à escola contei a história, o mais abreviadamente possível, a uma das funcionárias que toma conta das crianças no refeitório e após a saída das educadoras, mostrei-lhe o bilhete “do Pai Natal” e perguntei-lhe se não se importava de lho ler, colaborando na mentira. Ela, rindo, prontificou-se a colaborar.

Hoje, 14 Fev. de manhã... 
Ah, hoje de manhã foi a derrocada! 
Quando me despedia do Luís junto ao portão do recreio da pré-primária apareceu uma empregada da limpeza a esbracejar, seguida de uma ajudante das educadoras – "Ai Mãe-do-Luis não se vá embora que a Dona Cila, a denominada “educadora”, precisa falar-lhe com urgência, até já lhe ligou para o telemóvel". 
O que é que este fez agora, pensei...  A dúvida foi rápida porque a Dona Cila veio ao meu encontro, vagamente sorrindo um daqueles sorrisos que se põem quando somos assaltados por uma tremenda cólica intestinal e acabámos de dar de caras com alguém de quem não seria oportuno fugir a sete pés. Depois de encontrar um gabinete vazio (ah pois, foi preciso um gabinete...) disparou com enorme decisão: - “ Fulana disse-me que lhe pediu para ler ao Luís um cartão do Pai Natal por causa de uma prenda do dia dos namorados. Não me leve a mal mas nós cá no colégio não festejamos o dia dos namorados”. Contive-me.  Isto é, quase me contive, mas balbuciei com estupefacção e tão a sério quanto consegui : - “ Ah, eu também não...”. Ela pretendeu não dar pelo sarcasmo. Julguei que ia ouvir uma prece anti-consumista mas nem isso. O que ouvi a seguir é-me absolutamente inenarrável, ainda que tentasse não conseguiria repetir tanta parvoíce. Sei que a frase mais repetida foi um significativo, e revelador, “Não me leve a mal”. Tratava-se, obviamente de uma questão pessoal – de ”Educadora" para com a idiota da mãe, que sou eu. Pois que as crianças fazem “cartões de S. Valentim para os amigos, isso sim, mas namorados é para mais tarde, e as mães não são namoradas, e "no S. Valentim "desenvolvemos várias actividades plásticas dirigidas aos amigos" (e eu que me passo com "as actividades", "os eventos" e outras modernices afins). Disse lhe que sabia que o Luís ia fazer um para o melhor amigo e outro para mim. Com algum custo e muita paciência, não lhe notando as tentativas para me manter caladinha, consegui explicar-lhe os antecedentes da história. –“Pois, dizia a “Educadora”, mas não envolva o Colégio nisso, com certeza terá alguém que possa ler o cartão... Além disso nem é lógico, por que é que o Pai Natal havia de mandar uma carta para aqui?” Esta matou-me!  “Lógico"?  Mas o Pai Natal, ou as fadas ou o Peter Pan têm alguma coisa de lógico? O maravilhoso e o mágico não são lógicos, não acha?”, perguntei-lhe sem desejar resposta. Pum! A Cila Pim, a Cila Pum. Vou escrever um manifesto anti-Cila, pensava eu para não lhe dizer mais nada nem ouvir um último “não me leve a mal” Eu? Não...
E acabou a conversa. Perguntou-me se eu queria levar o cartãozinho... Claro que sim, respondi sorrindo. Senti uma alegria pacífica ao aperceber-me de que aquela senhora e eu não vivemos no mesmo mundo, perdoem-me a imodéstia.
Do facto de se tratar de uma mentira, criada por mim e corroborada por uma funcionária da escola, óbice que eu teria aceite e que aliás antecipei, nem uma palavra, atrevo-me a dizer, nem um pensamento; se o Luís viesse a descobrir que o tínhamos enganado, a perda de confiança que daí poderia advir nunca passou por aquela santa cabeça.
O cartãozinho, para que conste, é exactamente assim:

O Cartão

Querido Luís Ricardo,
Tenho estado com atenção aos teus desejos e aos teus sonhos, sei que tens muita vontade de oferecer uma prenda à tua Mãe no dia dos namorados.
Por uma vez, pedi a um dos meus duendes para tratar desse assunto
Leva esta carta à loja de jóias que há na Graça, onde tu vives, e dizes que foi o Pai Natal que te disse para ires lá buscar a prenda da tua Mãe. Não te preocupes, é só pedires e entregam-te logo, sem problemas e sem te pedirem dinheiro, depois mandam-me a conta.
Só tens de dizer à tua Mãe que precisas passar na loja de jóias para veres uma coisa.
Porta-te bem, 
Beijinhos do
***********************Pai Natal
14 de Fevereiro de 2008

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Final Feliz. 
Resolvi tomar um café antes de ir para casa
A dona do café ao lado de casa, que conhece o Luís desde bebé, exclamou um "ainda bem que os vejo" quando entramos, "já lhe ia ligar". Chamou o Luis para longe de mim e explicou-lhe que tinha aparecido um senhor baixinho de orelhas esquisitas, que até fazia lembrar um gnomo, e tinha deixado um bilhete para ele porque não estava ninguém em nossa casa. Leu-o e respondeu-lhe às perguntas com uma enorme paciência. Depois o Luís pediu-me para o levar à loja, e pediu-me também para não entrar. Foi lá sozinho, saiu de olhos arregalados e saco na mão. Fez mais umas partes engraçadíssimas até me anunciar, já em casa, que aquilo era a minha prenda. A felicidade dele ao verificar que dentro do pacote estava a prenda que ele queria mesmo dar-me, não uma outra qualquer, valeu tudo e o mais que fosse. Mais, uma coisa que ele gostou tanto, desta vez, com os seus “egoístas” 5 anos, não a queria para ele mas para a dar.

Também me disse: - "Mamã temos de comprar um flor à São do café porque ela ajudou-me"

Moral da História.

O consumismo é exacerbado nestas datas. O dinheiro não é tudo e um cartão bonito que nos deu trabalho a fazer é valioso

Não podermos, por uma vez, oferecer um sonho, aos 5 anos, porque não temos dinheiro não me parece particularmente positivo, como não me parece particularmente positivo começar a sonhar com “quando eu tiver dinheiro vou realizar os meus sonhos” ou, talvez pior, “não vale a pena sonhar, não vai acontecer”.

A Vida às vezes é cinzenta e a estreiteza de vistas torna-a a preto e branco. Pensem de mim o que quiserem, encaixem–me ou não em parâmetros de “normalidade” mas dentro de mim a Vida é a cores, tem sonhos, magia e, ainda, sobrevive a capacidade de me maravilhar. Doa a quem doer.
Quanto à Dona Cila, um raio que a parta: talvez acordasse com a descarga eléctrica, talvez ruissem os muros que lhe limitam a visão periférica.

Anexo
Não sei se devia fazer isto, sinto que vai agravar o meu carma, mas estou-me a sentir vingada, por um lado, e angelical, por outro.
Acabo de receber um comentário da minha amiga Sandra (falo dela aí abaixo, em Outubro, pelo dia dos anos dela) e, tratando-se de uma das pessoas que tem estatuto de Autora neste blog, permissão dela e minha, não resisto (nem quero, isto aqui chama-se Real Gana por alguma razão) a anexar o comentário dela como publicação. É perfido, cultural e, como sempre, de um sentido de humor que me toca até às cócegas.
Além do mais pode ser que ela volte a presentear-nos por cá.
r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r r

"Ora então Feliz Dia de S. Valentim, querida amiga!!!
Nenhum namorado te poderia ter oferecido um dia mais original, vês?

A propósito, quem é que raio se chama CILA??? Ora um moderno e conceituado dicionário oferece importantes significados para o termo, dos quais aqui reproduzirei apenas a parte mais interessante para o caso em apreço:

"Cila-brasileira: planta da família das Narcíseas (Pancratium guyanensis);
Cila-vermelha: variedade da cila europeia (Urginea maritima), com raízes vermelhas e bolbo castanho-avermelhado, USADA PRINCIPALMENTE EM VENENO PARA RATOS; As escamas do bolbo dessa planta, bem como de outra espécie desse género (Urginea indica), do Oriente, (…), são usadas como EXPECTORANTE, (…) e DIURÉTICO."]

Como vês, os dicionários são ferramentas didácticas de incomensurável valor... E a explicação supra, oferecida pelo dito, ajuda-nos a compreender algumas coisas; senão, vejamos: esta rapariga, destituída de prefixo e castrada da penúltima vogal, daquela que, acredito, tenha sido a sua graça de baptismo, é também aquela que, nos seus dias mais emotivos, o máximo a que poderá aspirar (sim, porque “sonhos” já vimos que não serão o forte dela…) é vir a ser ingrediente de veneno para ratos(!!!!), e nos dias normais, ser usada como expectorante e diurético…Deste modo, conclui-se que daquela criatura não vem nada de bom: ou excreções (mais ou menos líquidas, expelidas por orifícios diferenciados), ou, em última instância, puro veneno…

Sabes que mais? A Pata Que a Pôs!!! Essa criatura mesquinha, infeliz, triste e pobre nunca poderá compreender o significado de um SONHO, MUITO MENOS DOS SONHOS DE UMA CRIANÇA! É castrada, não apenas no prefixo e na penúltima vogal do nome; tem a alma castrada e, para isso, não há remédio…

Que o teu filho sonhe durante muitos anos, que mantenhas a tua capacidade de lhe ires alimentando os sonhos, minha querida, e que as "Cilas" que a vida nos vai trazendo se mantenham sempre longe de ambos…E, claro, não te esqueças de comprar uma flor à ajudante "honoris causa" do duende!!!
Um grande beijinho,
Sandra"
- publicado por Sandra,
com um empurrãozinho à boca-de-cena

CHAT

As "conversas" ao estilo "chat" metem-me medo. Pessoalmente entro em depressão quando leio tanto K, tanta abreviatura de qd, tb, dok, ck e outras tantas que nem conheço. Admito que todos nós, a menos que morramos muito cedo, chegamos a uma altura da vida em que, por mais evoluídas e "abertas" que sejam as nossas cabecinhas, nos tornamos antiquados, por vezes rezingões, numa palavra – cotas. Até aqui tenho vindo a encontrar justificações aceitáveis para os meus conservadorismos, parece-me, mas a verdade é que não me podia estar mais "nas tintas" relativamente ao carácter "aceitável", ou não, das minhas justificações. Há coisas às quais espero nunca ceder, particularmente à idiotice, esteja ela "in" ou "out", seja ela um passaporte para a linguagem "cool" ou uma condenação.


Uma destas noites estive em "chat via Messenger" com alguém que vive do outro lado do mundo. A experiência não foi nova mas havia muito tempo que não o fazia. Conheço pessoas, algumas muito próximas, que vivem noutros Continentes e, aqui há uns anos, "conversávamos via Messenger" com alguma frequência. Depois... as vidas mudam, falamos mais ao telefone, etc.

Como estava a dizer, uma destas noites estive na "conversa via Messenger"... e o resultado espantou-me, já não me lembrava de que é possível, sem k's, sem abreviaturas enervantes, com graça. Não resisto, com a licença de quem é devida, a deixar aqui um bocadinho. Clikem com os vossos amigos na rede, é uma curte!


1 – Olá! Diz-me se estás ai… Estás?

1 - Não estás?


2 – Olá… Estou… a tentar saber se estou aqui.


1 – Ah… Queres tele-transportar a tua mente até aqui?

2 – Está bem… espera, tenho de parar de escrever e estalar os dedos para o conseguir.

2 – Pronto, já aí estou. Consegues “ver-me”?


1 – Perfeitamente. Pareces-me bem esta noite.

2 – Estou bem mas ainda não consigo ver-te claramente, tenho de habituar os olhos à tua luz. Expõe-te um pouco mais, sim?

1 – Sabes que não me é fácil…

2 – Será que albergas em ti um vampiro?

1 – Provavelmente, como todos nós… uns mais vampiros do que outros… Não tens vontade, ou necessidade, de vampirizar de vez em quando?

2 – Hum… Tenho de pensar… Se considerar “vampirizar” como – alimentar-me de – então “vampirizo”; se considerar como – sugar encapotadamente – , então creio absolutamente que não.

1 – E de que te alimentas tu quando "vampirizas"?

2 – Do mesmo que todos nós, provavelmente, ou muitos de nós, talvez melhor dizendo.
Neste momento estás a vampirizar-me respostas que não quero dar-te; se as queres tens de procura-las.

1 – Gosto particularmente de "vampirizar" respostas…

2 – Não te posso levar a mal mas terás de compreender se resisto a dar-tas; ainda agora reconhecias que não te é fácil expores-te.

1 – É verdade mas tu consegues fazê-lo com enorme à-vontade, por vezes até só para provocação de uma similar reacção alheia, se para tanto houver inteligência e coragem...

2 – Seja. E se bem te entendi, agradeço. Mas o que disse não foi que não quero dar-te respostas para não me expor, nem tão pouco o meu pensamento passou por aí. Não quero dar-te respostas porque é uma maneira de “vampirizar” a tua atenção, caso a tua curiosidade (te) o justifique.

1 – "Vampirizas" atenção...

2 – Como quase todos nós... mas não a sugo. Aliás tenho sérias dificuldades em suportar esse tipo de vampirismo, mesmo quando o compreendo. Há situações que me comovem mas, e contra mim falo, só me apetece fugir.
Pronto, ganhaste uma resposta, agora é a minha vez.


1 – A tua vez de ganhares o direito a uma resposta, se bem te entendo...

2 – Claro!

1 – E qual é a pergunta?

2 – Ah-ha! Não posso fazer-ta, teria de expor-me de novo

1 – Chegámos a um impasse?

2 – Não creio, basta seres Tu a fazer uma nova pergunta...

1 – E se for um insulto vingativo?

2 – Também resulta (como poderás ter acabado de te aperceber, já tardiamente) mas fica-te mal.

P – Fico-me por um pensamento... E se queres uma nova pergunta:

2 - Então? Esta coisa a piscar no ecrã começa a hipnotizar-me...

1 - A ideia é essa... aqui vai: Qual é a pergunta que gostavas que te fizesse?

2 – Eu ? Eu gostava que me fizesses uma pergunta determinada?

1 – Pediste-me uma pergunta...

2 – Uma que tenhas a bailar-te na cabeça para me fazeres.

1 – Eu? Eu tenho perguntas a bailarem-me na cabeça para ti?

2 – Não?

1 – Sim.

Várias, algumas já velhas, algumas que tenho de relembrar de vez em quando porque não as quero esquecer. Algumas ficaram desde o dia em que te conheci.


1 – Ainda aí estás?

2 – Bem, e por que não as fazes? Eu só pedi uma...


1 – Não as faço, agora, porque tu não responderias, e muito menos como eu gostaria que as respondesses – tu “dizes” muito do que dizes com o olhar; não “dizes” diferente, dizes de uma forma que não se escreve.

2 – Como toda a gente...

1 – Sim, mas em ti é notório, é uma forma de te expressares. Há pessoas que usam muito as mãos quando falam, outras usam muito a entoação, etc. Tu usas os olhos... muitas vezes nem precisas falar, um olhar e ficou dito.


2 – Fico à espera de um encontro olhos nos olhos.
Tu fazes-me as tuas velhas perguntas e eu não digo uma palavra mas prometo-te que não desvio o olhar

Já falta pouco para o Sol nascer por aqui, está na hora de os vampiros se recolherem...


1 – Como se tu fosses capaz de não dizer uma palavra... Só por aposta!
Vai e fica em paz.



Respira, também por mim, esta tarde no Terreiro do Paço; depois lança um sopro ao Tejo, como se fossem rosas brancas.




PRIMEIRO CENTENÁRIO
DO REGICÍDIO
1 de Fevereiro de 1908
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IN MEMORIAM

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D. CARLOS I

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D. LUÍZ FILIPE

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O REGICÍDIO DESCRITO POR D. MANUEL II(Documento)

http://historiaaberta.com.sapo.pt/lib/doc012.htm

http://historiaaberta.com.sapo.pt/lib/doc012a.htm

O REGICÍDIO - Um video , 3:16min.

http://videos.sapo.pt/OuULMSr6j4VlPN5gzTlK

Os últimos 98 anos não fizeram Portugal...

THE DAVOS QUESTION

DAVOS QUESTION – SABEM O QUE É?

À PRIMEIRA VISTA É MAIS UMA, SÓ MAIS UMA, INICIATIVA, PROVAVELMENTE GERADA EM BOAS INTENÇÕES MAS QUE, TAL COMO TANTAS OUTRAS BEM INTENCIONADAS IDEIAS, NÃO PASSARÁ DISSO NEM FARÁ ALGUÉM GANHAR O CÉU.

SABE-SE LÁ POR QUÊ, APERCEBI-ME DE QUE ESTAVA A “DAR-ME AO TRABALHO” DE PENSAR UM POUCO MAIS E MAIS A SÉRIO SOBRE O ASSUNTO.

ENTÃO VEIO-ME Á MEMÓRIA O PRÉMIO NOBEL DA PAZ DE 2006 – MUHAMMAD YUNUS , MUITO ESPECIALMENTE, UMA ENTREVISTA QUE LHE FIZERAM DURANTE A QUAL EXPLICOU COMO “ACONTECEU” A SUA IDEIA E O GRAMEENBANK FOR THE POOR.



NÃO SERÁ FREQUENTE – AS IDEIAS EXTRAORDINÁRIAS NÃO SÃO FREQUENTES, SÃO EXTRA-ORDINÁRIAS – MAS POR VEZES AS BOAS INTENÇÕES SÃO CONSEQUENTES. CLARO QUE PARA ISSO TÊM, EM PRIMEIRÍSSIMO LUGAR, DE SER PRATICÁVEIS E EMBUTIDAS DE VONTADE: A MELHOR INTENÇÃO, OU IDEIA, NUNCA SERVIRÁ PARA COISA ALGUMA SE NÃO FOR POSTA EM PRÁTICA.

NO CASO DE MUHAMMAD YUNUS NEM HOUVE UMA IDEIA DA QUAL SE EXTRAIU UMA PRÁTICA; HOUVE SIM A CONSTATAÇÃO, POR PARTE DE UM PROF. DOUTORADO EM ECONOMIA, DE QUE OS SEUS CONHECIMENTOS, TEORIAS E ENSINO UNIVERSITÁRIO NÃO ESTAVAM A AJUDAR EM NADA A ECONOMIA DO SEU PAUPÉRRIMO PAÍS, EM NADA CONTRIBUÍAM PARA MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA DAS PESSOAS.
SAINDO PARA UM TRABALHO DE CAMPO APERCEBEU-SE DE QUE PODIA AJUDAR TODAS AS PESSOAS DA ALDEIA ONDE ACABAVA DE EFECTUAR UM ESTUDO – DE FACTO, ALI MESMO NAQUELE MOMENTO… E -LO!
DAÍ NASCEU A SUA MIRACULOSA IDEIA E, POUCO MAIS TARDE, O GRAMEENBANK. DAÍ… DE UMA CABEÇA PENSANTE, UMA INTENÇÃO E UMA ACÇÃO

VOLTANDO AO PRINCÍPIO: THE DAVOS QUESTION:


"What one thing do you think that countries, companies or individuals must do to make the world a better place in 2008?"



DE ONDE VEIO? DE QUEM? COMO E A QUEM SE RESPONDE? QUAL O OBJECTIVO?

NÃO QUERO INTERPOR UMA OPINIÃO PESSOAL NAS RESPOSTAS A ESTAS PERGUNTAS. NÃO VOU DIZER MAIS NADA, SE VOS INTERESSAR SABERÃO COMO PROCURAR.SÓ PARA NÃO DIZEREM QUE É MÁ VONTADE DEIXO UM VIDEO E UNS LINKS* QUE ME PARECEM BONS PONTOS DE PARTIDA, VERSANDO ASPECTOS DIFERENTES DE UMA MESMA QUESTÃO, A DE DAVOS.

"CLIQUEM", VÃO SURPREENDER-SE COM QUANTOS “WORLD LIDERS” LEVARAM A COISA MUITO ALÉM DAS BOAS INTENÇÕES.

http://www.youtube.com/thedavosquestion

http://www.weforum.org/en/index.htm

http://www.davosconversation.org/

http://googleblog.blogspot.com/2007/12/davos-question.html

(*se não funcionarem podem sempre copiar para a “barra de endereço”, ?)

The Davos Question

È ESATTAMENTE COSÌ





Gostar de ser Português/a, nos nossos dias é uma prova de resistência...
Mas enfim, vou resistindo e ainda gosto; e gosto dos Portugueses.
Não gosto de viver em Lisboa, não gosto da maior parte dos Lisboetas: são malcriados, agressivos, egoístas, pindericamente arrogantes. Perderam o sorriso e a ternura no olhar, a amabilidade desinteressada. O "fenômeno urbano" não é original, os franceses estão pior do que nós: têm os Parisienses...
Mas...
Se escolhesse outro país da Europa para viver seria a Itália - os Nórdicos são fixes mas faz muito frio, não sabem beber e são demasiadamente disciplinados para o meu feitio. Tenho de reconhecer que gosto mesmo da indisciplina (e comida) dos latinos.



Vem tudo isto a propósito de um hilariante, e realista, filme-animado dedicado às diferenças entre "O Europeu" e o "europeu-italiano". Claro que os tipos que fizeram o filme nunca devem ter estado em Portugal... Digo eu...
"Apanhei-o" no blog de uma prima minha. Desta vez não resisti e "roubei-lho", mas foi por uma boa causa, foi para o "trazer" para os meus amigos.
Não deixem de ver, fica o "link" .



http://tcc.itc.it/people/rocchi/fun/europe.html


Benazir Bhutto

- O ACTO DE TERRORISMO É SEMPRE DESUMANO


- QUANDO CAUSA MORTE, É LAMENTÁVEL


- SE PROVOCA INSTABILIDADE NO MUNDO É GRAVE


- SE ORIGINAR UMA GUERRA, MESMO QUE CIVIL, É UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE, CONTRA TODOS NÓS


Sem mais, deixo um "link" para a BBC, enviado por um bom amigo meu, onde encontrei várias coisas interessantes: Notícias actualizadas, videos, fotos, análises sobre as repercussões no Paquistão. Recomendo o mini-video "BBC Interwiew" , em "link" na coluna da direita sob "VIDEO NEWS"


http://news.bbc.co.uk/go/em/fr/-/2/hi/south_asia/7161590.stm

FOR ME FORMIDABLE



Estou metido na cama há dois dias, motivado a permanecer mais um par à conta de uma infame gripe que me atropela o corpo. Ah, mas não o espírito! Embora não seja politicamente correcto, estranhamente, sinto-me muito acordado e activo. Talvez a droga me dê efeitos inversos aos habituais em situações similares: durante as últimas 48horas tenho vindo a consumir anti-piréticos, anti-histamínicos, antibióticos e um chá esquisito que a senhora chinesa que se arrasta cá por casa, considerando que o meu casulo é o emprego dela, me garantiu ser “anti-bicho”.

Concluo que a minha inusitada boa disposição se deve ao chá.
Verdade seja dita, não consigo pegar num livro mais de três minutos sem me sentir disléxico e tenho o sono perturbado pela agitação febril.

Não leio livros e durmo pouco. Sobra-me o tempo, é uma sensação estranha.

Uma vez que as alternativas não são muitas agarro-me sedento ao que me resta – escuto música, passeio pela rede global, penso, na medida do possível.


Já visitei os “blogs” dos amigos deixando um ou outro rasto escrito, na sua maioria pequenos comentários. De vez em quando faço uma longa pausa e deixo que a música me traga recordações que não afloravam à consciência desde há muito tempo – é uma técnica que uso quando preciso descansar mas não quero adormecer.

Uma das canções que ouvi, na rádio, logo a seguir a um noticiário, foi uma que sei agradar-te especialmente. Costumavas ter uma cassete no carro com canções do Aznavour e esta era uma das tuas favoritas, outras mergulhavam-te em melancolias nem sempre bem vindas, dizias. No entanto a tua cassete veio por acréscimo, a recordação que originou toda esta conversa foi outra:


Um cinzento fim de tarde de Dezembro, por esta altura, fui ter contigo, e outros amigos, ao “bar do costume”. Enquanto esperávamos por eles, para o nosso jantar natalício, estranhei que o nosso “barman” tivesse aumentado o volume de som da música ambiente tão acima do habitual. O Aznavour cantava alto e bem “Que c’est triste Venise” – afinal era a pedido que Charles cantava tão alto: um grupo de amigas, também já costumeiras à hora do aperitivo, acompanhavam-no em diversos tons de afinação. Continuámos a palrar as nossas novidades até que, alguns minutos depois, a canção mudou. Tu paraste de falar, ou de me ouvir, não me lembro, levantas-te os olhos e os cantos da boca aos primeiros acordes da tua “Aznavourice” favorita. Porém a coisa não ficou por aí. As amigas continuavam a cantar, agora animadíssimas, faziam uma espécie de “chorus line” perto da porta.

Não sei o que te motivou, se os atropelos que faziam à letra se o francês mal amanhado ou se simplesmente não quiseste inibir a tua realíssima gana: desataste a cantar, levantaste-te, abriste os braços e, divertidíssima caminhaste ao som da música até perto delas. A espécie de “chorus line” era então isso mesmo, uma linha de coro e eu era amigo da artista. Indescritível! Poderia tentar adjectivar por mais cinco ou dez linhas que creio que não conseguia dar uma ideia viva do “show”, inesquecível!

Perdoa-me se sou indiscreto ao contar aqui esta minha recordação; atrevi-me porque um destes dias, num e-mail, dizias a propósito dos “Blogs”, que estes servem, entre outras coisas que não te interessam, para “exprimir opiniões e sentimentos, criticar, aplaudir, publicitar, falar das pessoas de quem gostamos, daquilo que nos toca, etc. Quem não quiser dar-se a conhecer não deve fazer um blog de carácter pessoal, é melhor que se dedique às vendas pela internet”.

Esta pequena história conta um bocadinho de ti que quase sempre anda escondido mas, querida amiga, como diz o povo e acho ter razão, o que é bom é para se ver.

Em retribuição da tua canção de natal, aqui no blog, deixo a minha prenda para ti – sei que te fará sorrir, e creio que não só, "avec ton air canaille, canaille"... É só carregares no
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AJUDEM-ME, POR FAVOR,

NÃO CONSIGO ENTENDER


SERÁ QUE ALGUÉM POR AÍ É CAPAZ DE ME EXPLICAR :

POR QUE É QUE O NOSSO EXECUTIVO NÃO RECEBEU O DALAI LAMA, APRESENTADO COMO "LIDER - NO EXÍLIO - DO POVO TIBETANO", POR NÃO SER UM CHEFE DE ESTADO, (PELO MENOS NA OPINIÃO DA CHINA, EU PENSO DE OUTRA MANEIRA MAS DEVE SER POR NÃO TER OS OLHOS EM BICO)

MAS

RECEBEU O LIDER LÍBIO KHADAFI NO FORTE DE S. JULIÃO, RESIDÊNCIA OFICIAL DO MINISTRO DA DEFESA, COM O SÉQUITO, AS SENHORAS,OS 200 GUARDA COSTAS, AS ARMAS (que deram logo chatice no aeroporto) A TENDA, A AREIA E OS CAMELOS.

Lá que o Khadafi venha à conferência, pronto, é lá mais com os conferencistas; Até entendo, o homem segue de compras de natal para França - uns aviõezitos, um reactor nuclear, armamento, investimentos - deixo a noticia já aqui abaixo. Agora... por que é que os camelos e restantes itens têm de ser hóspedes do nosso ministro da defesa, ou seja, do governo português, isto é, de Portugal, no fim de contas, Meu e Teu hóspede? Mas que...´

sssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

10/12/2007 - 10h43
Visita de Khadafi causa polêmica na França
DANIELA FERNANDESda BBC

"A primeira visita do presidente da Líbia, Muammar Khadafi, à França em mais de três décadas está causando grande polêmica no país.
Partidos de oposição, intelectuais e grupos de defesa de direitos humanos acusaram o presidente do país, Nicolas Sarkozy, de privilegiar interesses comerciais e ignorar o passado do líder líbio, marcado por acusações de violação de direitos humanos e patrocínio de atividades terroristas.
As críticas contra a visita de Kadafi ganharam força desde a última sexta-feira, depois que ele declarou, na véspera da cúpula União Européia-África em Lisboa, considerar "normal que os fracos recorram ao terrorismo para enfrentar as grandes potências".
"Sarkozy vai receber um chefe de Estado que acha o terrorismo internacional algo justificável. Nenhuma assinatura de contrato comercial pode explicar tal cegueira do presidente francês", afirmou o secretário-geral do Partido Socialista, François Hollande.

.../... O governo francês espera concluir vários contratos com a Líbia, sobretudo na área de armamentos e energia nuclear. De acordo com Said Kadafi, filho do coronel, a Líbia vai realizar negócios com a França de mais de 3 bilhões de euros.
"Vamos comprar aviões Airbus, um reator nuclear e queremos também comprar equipamentos militares", declarou o filho de Khadafi ao jornal "Le Figaro".
Além disso, o governo líbio anunciou investimentos de US$ 100 bilhões em projetos de infra-estrutura, como aeroportos, estradas e hotéis. As empresas francesas estarão de olho nessas oportunidades de negócios.
De acordo com especialistas, o coronel Khadafi, após tantos anos de sanções contra seu regime, busca reconhecimento internacional. Por isso, dizem os analistas, ele utilizará sua visita à França como um elemento importante nesse retorno à cena diplomática.
"O coronel Khadafi vem selar em Paris sua reabilitação diplomática", escreveu o jornal "Le Monde" em sua edição do final de semana.

Nos últimos dias, adjectivos como "inadmissível e indigna", foram utilizados por personalidades da oposição para qualificar a visita de Khadafi.
Membros do próprio governo de Sarkozy se manifestaram contra a visita do líder líbio. Rama Yade, secretária de Estado para os Direitos Humanos, declarou estar "muito chocada", pois "o prestígio da França não é devido somente à sua potência económica, mas também a princípios e valores que fazem da França um país único".
"Ficarei ainda mais incomodada se a diplomacia francesa se contentar em assinar contratos comerciais e não exigir de Khadafi garantias em termos de direitos humanos", afirmou.
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Jingle Bell Rock

A MINHA CANÇÃO DE NATAL FAVORITA NUMA VERSÃO QUE NÃO SERÁ A MELHOR MAS O VIDEO É GIRO E TEM A LETRA PARA QUEM NÃO A SABE... GARANTIDO O PÉZINHO A BATER AO FIM DE 20 SEGUNDOS - CANTAI COM ALEGRIA QUE FAZ BEM À I-ALMA. BOAS FESTAS

4 de DEZEMBRO...

UMA HISTÓRIA QUE NÃO CHEGOU AO NATAL






e, cada vez mais,





O CHICO FAZ FALTA...

HISTÓRIA DE NATAL COM VINHO DO PORTO


Há uns anos largos, talvez uns vinte, em véspera de Natal, saí do café do bairro pelas sete e meia da tarde e, brrre-brrre-brrre-cheia-de-frio, corri para o meu carrinho – um Fiat 600 D aço metalizado “Racing Hope +” ( era o nome dele, RH+ para os amigos) . Havia uma barulheira infernal, tudo o que era automóvel estava a buzinar, ninguém andava a mais de cinco metros por minuto, a menos que o fizesse a pé, nesse caso era preciso cuidar em não se ser abalroado.
Enquanto tentava acertar a chave com a ranhura da porta do meu bólide, sem descalçar as luvas grossas de carneira, os vários sacos a espalharem-se pela placa central da Av. Visconde de Valmor, ouvi um bip-bip diferente dos póóó-póóó que enchiam os ares até à Lua:
– Vai sair? , perguntavam uns olhos espantados de esperança com uma bebé a choramingar no banco de trás.
– Vou… - a luz acendeu-se-lhe na cara, e logo a seguir - Oh , deixe lá, já tenho os carros atrás a buzinar e não vou conseguir fazer a manobra…
– Não tenho pressa, respondi-lhe, dê a volta que eu espero por si.
– A sério? - respondeu-me a alegria que nasce quando morre o desespero.
E, obviamente, esperei… Esperei onze minutos, que foi o tempo de se dar a volta a um quarteirão em véspera de Natal, nas Avenidas Novas pelas sete e meia da tarde. Então voltei a ouvir o bip-bip, confirmei, acenei e arranquei.
Já tinha andado alguns dez metros, ou seja, tinha virado a esquina e parado aguardando a “onda seguinte” como um surfista do trânsito, quando me apercebi de alguém a correr por entre os carros com uma bebé sobre um braço e uma garrafa com um grande laçarote encarnado na mão, gritando a plenos pulmões – Espere só mais dois segundos, só mais dois segundos… Ao alcançar o meu carro, quase arfando entre sorrisos, enfiou a garrafa pela janela e disparou:
- Você acabou de me oferecer um lugar para o carro à porta de casa dos meus cunhados e tenho o porta-bagagens cheio de embrulhos e comida; ofereceu-me o seu tempo à minha espera e provou-me que fiz bem em acreditar que você ia mesmo esperar, numa fase da minha vida em que quase me afogo em descrédito. Por favor aceite essa garrafa que era a prenda do meu sogro. Ele vive aos coiçes a toda a gente: aos filhos, à minha sogra, a toda a gente.
- E o que vai oferecer ao seu sogro? – perguntei sem me aperceber da indiscrição
- Uma boa zurrada e a gravata que tinha comprado para o porteiro do meu prédio, disse com uma satisfação vingativa, Feliz, feliz Natal!
E desapareceu com a bebé ao colo, que já não chorava.

Nessa noite, enquanto trocavamos as prendas, abri a garrafa. Era um velhíssimo Vinho do Porto, do melhor que me tem passado pela garganta, até porque tinha uma insubstituível característica: não era preciso brindar, os votos quentes e doces da alegria de Dar estavam contidos na garrafa, embrulhados em sinceridade.


Feliz Natal para si também.

DESTA VEZ NÃO FAÇO COMENTÁRIOS NEM SEQUER DIGO O QUE PENSO PORQUE NÃO VALE O TEMPO EMPREGUE MAS DEIXO UM "RECORTE DE UM DIÁRIO LISBOETA, SEM QUALQUER SELECÇÃO OU CENSURA. DIVIRTAM-SE

(No fim deixo uma sugestão para uma original prenda de Natal, se fizermos encomendas em massa talvez façam um desconto...)


"O Rei Juan Carlos mandou este sábado o presidente venezuelano calar-se, no final da Cimeira Ibero-Americana, quando Hugo Chávez tentava interromper o discurso do primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, que exigia "respeito" pelos actuais e antigos governantes de Espanha.

Zapatero referia-se em particular ao antigo chefe de governo espanhol, José Maria Aznar, a quem Chávez chamou repetidas vezes "fascista".“Porque não te calas?”, afirmou Juan Carlos, depois de o presidente venezuelano ter tentado voltar a insultar Aznar.
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Comentários

Quarta-feira, 14 Novembro


P. Guimarães, Brasil *****Parabéns***** Adorei a atitude do rei da Espanha. Rey Juan Carlos Yo soy tu fan!!!!! O Hugo Chávez tem que para com estes pseudo-discursos. O mundo girou e ele ficou pra trás.

Segunda-feira, 12 Novembro

Marcelo.F- "viva o rei" "viva o rei" mas viva o rei o quê??? não posso com esse Hugo Chavez com a mania que é a reencarnação de Lenine mas tolero ainda menos com esses arrogantes e prepotentes espanhóis e ainda menos portugueses que se julgam espanhóis....pfff

- Maria Pereira - Venezuela- Chavez é o proprio macaco mas lamentavelmente deram-lhe uma lamina de barba o que o tornou sumamente perigoso e no que diz respeito a ter sido elegido livremente por o povo isso só foi verdade em 1998, já que depois disso ele comanda os tribunais: eleitoral, de contas e o Supremo de Justica além de todos os demais, por isso é que todas as seguintes eleições têm sido amanhadas.

- Mandia Machava - Lamenta-se este incidente diplomático. O rei deve saber que é rei lá na sua terra e não na terra dos outros. O senhor Hugo Chavez é presidente do seu pai e, entre eles não havia nenhuma relação de subordinação. Foi escusada a ordem do Rei porque não havia ninguém para cumpri-la. Maputo

Domingo, 11 Novembro

Rui Faria, LISBOA - ESTEVE MUITO BEM O REI DE ESPANHA; JÁ ÉRA TEMPO DE ALGUÉM METER NA LINHA ESSA PESSOA QUE A MEU VÊR É INQUALIFICÁVEL AGRESSIVA E MALCRIADA, UM AUTENTICO DITADOR DOS VELHOS TEMPOS.QUE PENA NÃO TERMOS EM PORTUGAL NENHUM POLÍTICO COM A CORAGEM DO SR. JUAN CARLOS.

- Luciane/Brasil. Em tudo que Chaves diz, há sempre a imposição de suas verdades, através da palavra agressiva, do insulto, da ironia, da provocação. Não escuta a ninguém. Em absoluto, enxerga tudo somente por um prisma.(Como se o mundo fosse um manual). Como vive a falar o que bem quer, também terá que escutar o que não quer. Para o ocorrido, temos um bom ditado: "chumbo trocado não dói".

- Desculpa lá. É um Homem destes que nos falta! Que mande calar certas e determinadas pessoas...

- xiritung - Que o Sr. Hugo Chaves não tem "papas na língua" é um facto. Que o Sr. Juan Carlos não tem educação nem diplomacia, é um facto...Depois da postura dictatorial de hoje, quem não se lembra de um "célebre dedo em riste, tipo símbolo fálico, apontado a um jornalista que teve a ousadia de lhe colocar uma questão incómoda?...

Sábado, 10 Novembro

N. Manso- Pata na poça. Colonialismo ou senilidade? se calhar as duas. Foi o mesmo que numa conferência em África o Cavaco mandasse calar o Eduardo dos Santos (ressalvem-se as diferenças com o Huguinho). Melhor para nós. Por cada asneira destas dos espanhóis subimos um ponto na consideração internacional.Nota: não entendo o nome de Ibero-americana-A Ibéria não existe e a América tem Norte e Sul.

- Luis- Para os que defendem o Hugo Chavez vão viver para a Venezuela e depois venham cá dizer de vossa justiça, ou ainda melhor antes de regressarem a Portugal vão viver também uns tempos para o Irão. E depois vamos ver se mantêm a vossa, ainda falam do Salazar. Vocês são é uma cambada de pobres e mal agradecidos. Viva Portugal, livres de emplastros.

- Felix- VIVAS AO REI JUAM CARLOS

- Miguel - Nunca um governante foi tão carismático num país democrático. A monarquia em Espanha gasta tanto como uma República do centro europeu e para finalizar é uma pessoa com modos ao contrário do Chavez. E para quem o defende que vá para o "paraíso socialista" venezuelano ou cubano. Lembrem-se é que se falam desaparecem. Pelo menos, centenas de milhar de cubanos (mais de 200 mil) deixaram de existir.

- Leo Pires- Mas quem é Juan Carlos para mandar calar como se fosse seu servidor? Chavez tem o direito de responder aos insultos de Aznar. Que nome se dá aqueles que colaboram com tropas para cometer crimes contra a humanidade, contra as leis e convenções internacionais?...Criminosos?

- Gomes- já tive a honra de fazer guarda costas a este homem na praia dos pescadores em Cascais há muitos anos e desde ai sempre o admirei pela coragem que teve de abandonar a comitiva dele para ir abraçar um pescador que era amigo dele. Hoje admiro-o mais ainda pelo sentido da democracia que ele tem e pela coragem que denota ao falar, por isso dou VIVAS AO REI JUAM CARLOS.

- joaosantos@sapo.pt - Ao sr. «não se cala porque,...» O H.chavez vai acabar com a Venezuela, mas você acha que é o salvador, veremos se o sistema a ser implementado não vai gerar mais miséria do que o anterior, vê-se que o Sr., ainda não aprendeu nada com os últimos anos e com queda do muro... (Almada)

- Tito Garcia- O Sr. Hugo Chávez pensa que todos os Países da UE são como a miséria da Venezuela. O Rei Juan Carlos fez muito bem em ter o mandado calar. Oh! Sr. Hugo Chávez! para quem não tem asas o Sr. anda se a esticar um pouco! Não !?

- Cristina- É de um verdadeiro Rei. Os meus parabéns. Alguém com educação mandou calar um prepotente com mania que é estrela. SAR D. Juan Carlos, uma vénia.

- a.cardoso- Chavez incomoda muita gente mas que se saiba foi eleito pelo seu povo em eleições gerais. O rei considerado muito moralista é alguém que o ditador Franco colocou no "trono" para a vida inteira e que não só não tem qualquer responsabilidade na governação como dispõe vitaliciamente desse "cargo", acima de tudo e de todos no meio da ostentação com toda a família...

- Worldinare- Se este rei é tão bom pq é q n abdica dos seus privilegios que custam milhoes por ano e se sujeita a eleições. Chavez tem a faca e o queijo na mão por causa da crise petrolífera mas já era tempo de alguém não se rebaixar perante os outros "ditadores". Aqueles que governam em países democráticos. Fora com as monarquias e tb os presidentes que posam apenas para fotografias. (Até rima)

- jose fernandes - Hugo Chavez, so falas bem quando estas calado. Quem me dera viver num mundo digno.


APOIO ÁS CRIANÇAS ATRAVÉS DA DISTRIBUIÇÃO DO "CHAVECITO" NO ÚLTIMO NATAL


Prime-se o botãozinho nas costas e ouve-se:

"CHEGUEI AQUI PARA FAZER TUDO O HUMANAMENTE POSSÍVEL PARA SER ÚTIL AO POVO VENEZUELANO NO SEU SONHO, NA SUA ESPERANÇA E NO SEU PROPÓSITO DE SERMOS LIVRES E IGUAIS"

ou ainda:

"CONVOCO O MEU POVO, O POVO BOLIVIANO, TODOS VÓS A TRABALHAR SEM DESCANSO"
e também canta: "ABAJO CADENAS" (HINO NACIONAL)

IMAGINEM A ALEGRIA NO ROSTO DAS CRIANÇAS...

(se EU fosse D. Juan Carlos mandava fazer um boneco meu que dissesse
CALLATÉ ! e que cantasse: "QUIERE USTÉ ESTE RAMITO... DE VIOLETERAS...)

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O António Barreto é um homem que admiro desde que me lembro dele porque se destacava do rebanho do PS; nunca me pareceu enfeudado ao partido, independentemente de qual fosse o partido, e sempre o vi como uma Pessoa - inteligente, sério, humanista. Gosto dele.

Uma boa amiga enviou-me um artigo no qual ele faz um retrato do Socrates, e não só. Quanto a mim é uma "boa fotografia", a "preto no branco", simples e directa. Deixo-o aqui abaixo e cada qual que ajuize, concorde ou discorde, mas não sem antes retirar, lá do meio, aquela que eligi como:

FRASE DA SEMANA

O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista.


Sócrates, o ditador
por António Barreto

"A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam.
Entre estes, está o facto de o candidato à Autarquia se ter afastado do Governo e do Partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal.
A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido.
Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo.
Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda. Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá. O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa.
Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade .»

HÁ UM NOVO MEMBRO

NA FAMILIA

(mesmo muito novo)




O SEU NOME É JOYCE... JAMES JOYCE

A Sandra

A Sandra é a minha Amiga-Irmã, a minha Irmã-Amiga.
Nasceu na fronteira entre a Estremadura e o Ribatejo, numa terra de praias e campos, frutas e doces, águas termais e vinhos antigos. Talvez por isso é uma mulher acre e doce… Tenho a sorte (e não será só sorte…) de ter sempre sentido o seu lado doce. Doce frutado, muito longe do enjoativo, do lamechas, da pieguice.
Conheci-a quando, acabadinha de chegar à Capital, poucos dias depois de ter completado 18 anos, veio para fazer a sua licenciatura.
A primeira vez que a vi estava a refilar – e quase posso ouvir o coro de vozes de quantos a conhecem responder-me maliciosamente: “Tinha de ser”. A Sandra não se cala (nunca).
Despertou-me, em muitos aspectos.
Despertou-me a forma arreigada e convicta como falava. Despertou-me a sua sociabilidade e um imenso carácter que resplandecia.
Despertou-me também uma sincera vontade de a conhecer, profundamente.
Sugeri-lhe que deixasse a funcionária da secretaria em paz e que descêssemos ao bar para tomar um café. Prometi-lhe que resolveria o problema que tanto a injustiçava. Ela acreditou em mim e nunca mais deixou de o fazer.
Continuei a encontra-la diariamente na universidade e depois de alguns dias “tomei-a” como minha irmã mais nova.
Estávamos em 1989/90 – os dias eram cheios de correrias e de calmas ensolaradas, de conversas de chorar a rir e, por vezes, das outras. Falávamos de pensamentos e de sentimentos, de livros e de histórias, de acontecimentos e de absurdos. Não íamos às compras juntas mas passeávamos por sítios bonitos. E é claro que os dias corriam para a noite e as noites eram compridas, cheias de coisas boas e más; não se “soprava no balão” com a regularidade com que acontece agora – as ruas cheiravam a álcool, o “extasy” entrava nas “raves” pela porta da frente. “Curtir” tinha deixado de significar “divertir” e tinha passado a ser sinónimo de “ir p´rá cama” (ou para qualquer outro local mais a jeito). Por outro lado era ainda razoavelmente seguro andar por aí às tantas da manhã e a verdade é que nos era fácil divertirmo-nos sem chatices desde que soubéssemos onde pôr, e não pôr, os pés e estivéssemos atentas aos sinais de abandonar o local… ou a conversa de chácha.
A Sandra passou a ter duas casas em Lisboa, a dela e a minha.

Estivemos sempre ao lado uma da outra durante todos estes anos em tudo o que isso acarreta – conhecemos as alegrias e os momentos sombrios recíprocos com a profundidade que permite tocar o âmago da alma – sem mentiras, sem traições, sem preços, respeitando a intimidade, o silêncio, as fronteiras, as omissões e as distâncias. Os dez anos, que à partida existiam entre as nossas vidas, foram-se atenuando: ela, usando a sua excelente cabeça, a sua capacidade de observação e a sua sensível intuição, amadureceu saudavelmente sem os engulhos de uma “classificação etária”; eu, por atitude e por feitio, mantive a “cabeça aberta” à imparável evolução das mentalidades e das vivências.
Há uma coisa estranha relativamente a nós: aparentemente conhecemo-nos há mais tempo do que as nossas, jovens, idades permitem. Ainda que, cautelosamente, eu acredite que – a amizade é eterna… enquanto dura – tudo me leva a crer que manteremos esta abençoada relação durante mais tempo do que o destinado a esta vida. Assim seja.





E agora, se me dão licença, vou-me embora para jantar com a Sandra que completa hoje mais um aniversário e está, mais do que nunca, de parabéns… ela, mulher lutadora e corajosa, bem sabe por quê.

PARABÉNS JOÃO

Hoje o meu Amigo João M. faz anos, uns quantos… nem muitos, nem assim tão poucos. A verdade é que está com um excelente aspecto e, “como todos os diabos têm sorte”, conserva o mesmo ar traquina que tinha aos trinta e tal.
Ao constatar isto, constato, também, uma série de outras coisas, mais objectivas ou mais subjectivas que, se por um lado me deixam um pouco perplexa, por outro me confortam.
A perplexidade advém de me aperceber de que nos conhecemos há 30 anos… será possível? Pois é, fará em Novembro próximo 30 anos que nos conhecemos… e há 26 que somos amigos.
O lado reconfortante é que há 26 anos que somos amigos

E SOMOS AMIGOS!
Considerando o “mau feitio” de cada um de nós, não direi mais o dele, direi menos o meu; considerando que as nossas leituras deste mundo são diametralmente opostas; considerando que cada um de nós “tem obviamente” razão não cedendo um dedo mindinho; considerando ainda o perigo explosivo que reside na possibilidade de as nossas emoções serem despertadas pela negativa, devo dizer que o simples facto de “ainda” sermos Amigos é uma prova de que as improbabilidades acontecem.


Já ouvi dizer de tudo acerca do João, do melhor e do pior. Obviamente que ouvi mais do pior: por muito que me desgoste tenho de reconhecer, e não sem mágoa, que vivemos num país de invejosos, de mal nutridos, em sentidos vários mas particularmente em termos afectivos.
O João tem duas qualidades que chateiam, muito: primeiro tem Carácter e, segundo, diz, inconvenientemente, aquilo que pensa (e ainda por cima pensa). Convenhamos que a vida assim não é fácil…

Meu querido Amigo, venham mais 30 e Parabéns por teres chegado até aqui como chegaste, em todos os sentidos... e muito sentidos.

Beijinho meu.



NO CLICK ABAIXO FICA UMA MUSICA PARA TI, EM VEZ DE O "PARABÉNS A VOCÊ", ESTA É DIVERTIDA E AINDA FALTAM UNS CAMPEONATOS... ATÉ AOS 64.

The Beatles - When I'm Sixty-Four