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SEJAM BEM-VINDOS

 Lisboa está em festa

Há jovens bem dispostos em ambiente de grande camaradagem
a invadir a cidade

Sejam bem-vindos



A PASSADEIRA DA VERGONHA

 É de facto uma passadeira da vergonha, a única coisa que tem de aproveitável é o nome. Usando uma expressão idiomática bem portuguêsa quando menos é mais, diria que é a "passadeira da pouca vergonha". 

Eu não sou católica e estou envergonhada, como portuguêsa.

A forma como esta coisa foi inicialmente divulgada em 99% das notícias fez transparecer que a tal passadeira teria sido colocada "oficialmente" e iria permanecer durante a visita papal. Do mal o menos, não é assim, não era imaginável que fosse mas desde que o outro evocou a solução para os desagrados como «Habituem-se» já estou por tudo, habituadíssima ao inimaginável

Depois de muitas reacções e indignações, e depois de muito esgravatar pelos media, consegui encontrar o relato dos factos quando começou a ser divulgado com as declarações do presidente da CML, Carlos Moedas que, com o bom humor possível, relegou a "gracinha" para os protestos efêmeros e explicou que a passadeira seria substituída pela destinada ao local. «São todos bem-vindos» disse, ou seja, "eu sou  democrata e não me amofino com provocações". Adiante.


O tal artista, que até tem umas coisas giras e outras que nem-por-isso,  poderia ter razão se o seu protesto fosse dirigido à corrupção e regabofe dos dinheiros neste nosso país entregue à bicharada, como pretende fazer acreditar nas suas declarações mais públicas. 

Mas não foi. 

Não foi e isso é óbvio nas suas lamentáveis primeiras palavras no  Instagram. Diz ele:

Multinacional italiana? Habemus Pasta? Protesto pela situação económica do povo my ass! Se fosse não seria assim que se faria. E ele sabe.
Portugal é um Estado laico cujo povo é, maioritária e indiscutivelmente,  católico romano.
Pergunto eu, para quantas causas e iniciativas legais, sociais, remendos financeiros etc., descontam os portuguêses, sem apelo nem agravo, quer concordem quer sejam contra? Ora...

Obviamente que o que está aqui em causa não é - de todo - o investimento de dinheiro público, é a visita papal que faz nervoso e raivinhas a uma minoria da população.

Os custos não são a questão. Sobre o muito que fica até muitos anos depois do Papa partir nem uma palavra; No que toca à CML, do palco ao parque-pulmão com 30 Hectares do Tejo/Trancão e a ponte ciclo-pedonal (que faz a ligação entre Lisboa e Loures permitindo o percurso na frente ribeirinha desde Vila Franca), equipamento para os bombeiros incluindo novas ambulâncias, para a polícia municipal, para a proteção civil, novas infraestruturas públicas na cidade (p/ex. o nº de bebedouros de rua foi duplicado - 200 p/400) e tudo isto dentro do orçamento inicial (não estamos habituados...)

Quando os "protestadores" forem largar três dígitos de euros para assistir a um qualquer concerto a ter lugar naquele palco terão esquecido « as muitas pessoas que lutam para manter as suas casas, o seu trabalho e a sua dignidade » 

 Se começássemos a discutir os dinheiros mal gastos, mal parados, mal escondidos e os orçamentos largamente ultrapassados que saem dos bolsos dos portugueses para encher uns outros quantos nem chegaríamos ao investimento para a visita papal, estaria bem no fundo de uma lista escandalosa e, também ela, vergonhosa. No entanto, à parte o parlapier que vai ocupando os media, não vejo protestos na rua, nem artistas indignados, vejo um soma-e-segue inconsequente que deixa a malandragem que gere as massas, e não só, infinitamente impune.
 Ninguém a irá discutir, por várias e  diversas razões, nem ninguém irá tecer "passadeiras da vergonha" sobre os Ajustes Directos feitos pelo governo - 83,50% de todos os contratos para as JMJ celebrados (Link*) . Nem sobre todos os outros inúmeros Ajustes Directos, indeminizações,  aos primos, aos camaradas, aos tipos dos "saco azul mais giro", aos que são pagos para calar e favorecer. 

É de facto uma vergonha que se mascare de "acto de protesto pelas condições de vida do povo" um protesto que tem como alvo o Papa; Receber um convidado colocando "à porta da sala" um tapete que diz simbolicamente: «A tua visita saí-nos mais cara do que podemos pagar, é um gasto injustificado» não se faz a alguém que nunca levantou um dedo ou uma palavra contra o nosso país ou contra o nosso povo, aliás contra nenhum.  As opiniões do autor da passadeira são assunto e problema dele; O fim, este fim, a que a passadeira dele se destinou é assunto e problema meu. E de milhões de portuguêses. Não fora o Papa e, aposto as minhas fichas todas e mais algumas, que a conversa dos dinheiros públicos não se colocaria. Não me atirem areia para os olhos, incomoda-me, não gosto, não tolero calada.

Neste blog, onde escrevo desde Julho de 2007, já falei de tudo e mais alguma coisa, há no entanto dois ou três temas que não abordo, nunca abordei, porque os considero demasiado pessoais; um deles é a religião. Eu sei que não é a visão mais realista mas, em mim, a religião não é uma questão política ou social - chamem-me ingênua mas não é por ingenuidade - tenho-a como uma questão espiritual, íntima e séria. Como já disse, não sou católica, o que, neste caso, é totalmente irrelevante, mas  faço questão de afirmar, ao abordar esta vergonha, que não é de religião que falo, é de Respeito, de Dignidade, de Bom senso, de polidez até. E de falsos pretextos

Estou envergonhada porque respeito o Papa Francisco, um homem de excepcional coragem, de inteligência brilhante, de uma invulgar espiritualidade. 

Não tem de ser desrespeitado por ser católico, não tem de ser desrespeitado por ser o Papa, líder espiritual de cerca de 1.400.000.000 milhões de pessoas (1,4 Mil milhões) que o veneram, exceptuando talvez uma franja insignificante de católicos mais fundamentalistas nas leis e menos cristãos na tolerância e empatia humana

Estou envergonhada porque o caminho que leva ao palco onde esse homem excepcional se vai dedicar à Juventude Mundial com indubitável sacrifício físico, esteve atapetado "para a fotografia a divulgar ao mundo" com o simbólico dinheiro dos portugueses "assim mal gasto", o dinheiro dos portugueses que seria suposto o Papa pisar... 

Ó rapazinho, perguntaste alguma coisa aos portuguêses ou decidiste, em causa própria, ser o seu porta-voz? Foi uma ideia que já te terá rendido umas boas massas... Vais distribuí-las por alguns portuguêses "que lutam para manter a sua dignidade"? Doa-la a uma instituição de apoio social?  

COISAS DA "SILLY SEASON"

 Não tenho por hábito meter-me com conversas alheias, são-me alheias; de vez em quando aparece-me uma que me desperta a curiosidade quando entro em modo de "Deixem-me estar de perna estendida sem ter de juntar ideias sobre coisas sérias". Foi neste estado de espírito que esta me chamou a atenção

Não assisto com frequência ao Senhor Goucha, um vídeo ou outro que me cai ao colo de longe em longe. Respeito-o. Neste nosso rectângulo populado por alarves, alguns mais ordinários do que a indiferença se dispõe a ignorar, o Senhor Goucha é um Senhor. Profissionalmente é um Senhor. Privadamente mantém o que é privado como privado, e nisso se revela um Senhor.

Ainda agora, indolentemente passando os olhos pelas notícias, saltou-me esta ao caminho, na medida certa, sem baixaria, sem dourar a pílula. As rendas adivinham-se nos punhos, os punhos mostraram-se nas verdades, duras mas verdadeiras.
Tiro-lhe o meu chapéu, Senhor Goucha: faz tempo que a reguila malcriada convencida de que tem graça estava a precisar de um ralhete sem contemplações. 
Soube-me bem, chateiam-me os narizes empinados para ganhar altura

«Pronto Maria desta vez levas resposta, sempre te dou algum palco para, em parte, compensar o que, irremediavelmente, perdeste por culpa própria. Nunca te fizeste rogada sempre que foste convidada para os nossos programas, para falar dos teus espectáculos ou dos livros de viagens (dava jeito, claro) e sempre te mostraste gentil e agradável. Agora é o que se vê, no afã de disparar raivosamente em todos os sentidos, não venhas a ser esquecida muito antes de te reduzires a pó, também levo por tabela, mesmo que à conta de grosseiras inverdades. Não Maria, não promovo a homossexualidade ou a transexualidade ( curiosamente a comunidade LGBT quase que acha de mim o oposto) promovo a inclusão contra a discriminação, promovo a solidariedade contra a cultura do descarte...
Que pena que a actriz de algum talento (não ofendamos as grandes actrizes) de jeito simpático e brincalhão tenha dado lugar a uma pessoa refém de quem lhe escreve os arrazoados (quem a conhece ou a tenha entrevistado sabe bem das suas limitações vocabulares) infectada pelo ódio e pela invídia (vai ao dicionário Maria). Que pena Maria saber-te agora feia, azeda e a acabar seca que nem uma passa uva. Ao menos esta come-se.»


A PRENDA

 A prenda mais "romântica" que me ofereceram neste meu aniversário, uma fofura

Mal posso esperar pela próxima manif. à porta da embaixada russa para fazer uma estreia condigna

E perdoem-me qualquer coisinha, estamos em plena "silly season"


.

20 DE JULHO DE 1969


A propósito da primeira alunagem, que faz hoje 54 anos, acabo de ler:

«Apollo 11 foi um voo espacial tripulado norte-americano responsável pelo primeiro pouso na Lua.»
Até aqui é mauzote mas, enfim, tolera-se. E continua:
«Os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin alunissaram o módulo lunar Eagle em 20 de julho de 1969»
Depois sumariza diversas informações em português macarrónico e sai-se com esta:
«Eles retornaram em segurança e amerissaram no Oceano Pacífico»

Amerissaram referir-se-á a amarar em águas territoriais AMEricanas? Haja pachorra!

"Armstrong e Aldrin passaram um total de 21 horas e meia na Lua até reencontrarem-se com Collins."

Até reencontrarem-se e até falarem-se, com alegria, presumo 

A coroa de glória atribui à tradução das palavras de JFK:
".../... em 1961 pelo presidente John F. Kennedy de "antes de esta década acabar, aterrissar um homem na Lua e retorná-lo em segurança para a Terra".

Esta pérola continua mas não li mais, as práticas masoquistas não são o meu forte. Se vos der a curiosidade, ou uma legítima vontade de confirmar tanto disparate, esta joia da literatura encontra-se aqui: Apollo 11 – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

E pronto, perdi a paciência para revisitar aquela emocionante primeira alunagem na madrugada de 20 para 21 de Julho quando a minha mãe me foi buscar à cama dizendo: "Acorda e vem ver uma coisa de que nunca mais te vais esquecer".  Tinha razão, fascinada bebi com os olhos cada momento daquela aventura fantástica. 

E pensar que ainda hoje há por aí umas amibas bípedes que (se) alimentam congeminações sobre a "fraude que é a ida à Lua". Há hominídeos assim, incapazes de se elevarem acima do chão que pisam (numa Terra plana) ou acima do palavreado que ouvem (com orelhas longas)

Felizmente também há pessoas que, com a elevação das suas asas, dão asas ao mundo. 

Bem hajam, obrigada.

NOBLESSE OBLIGE

Isso do rei de Inglaterra ser - automaticamente - rei da Escócia tem mais que se lhe diga. 

Se em Inglaterra se leva a Tradição a sério, na Escócia a Tradição é o modus vivendi. Os escoceses, de modo bastante geral, têm a consciência nacional nas veias, é inato. Têm tacitamente presente que a Escócia foi independente até 1707. E mais...  Cem anos antes (1603) o rei da Escócia (James VI) herdou o reino de Inglaterra tornando-se o seu rei (e da Irlanda) e não o contrário, como muito boa gente presume por certo; ou seja, a união dos três reinos nasceu de uma herança pessoal de um rei da Escócia. Decorridos 103 anos, foi acordado o Tratado da União (1706)  que estabeleceu a união política entre dois reinos criando o novo Reino Unido da Grã-Bretanha e o novo Parlamento da Grã-Bretanha, que sucedeu ao Parlamento da Escócia e ao Parlamento de Inglaterra, promulgado em 1707 após ter sido aprovado pelos parlamentos de ambos os países. (A Irlanda só integrou a União já no raiar do Séc. IXX)
Só um pequeno aparte curioso:  a causa primeira do Tratado da União foi a ameaça que os ingleses fizeram de suspender o comércio e livre circulação na fronteira comum. Actualmente, desde 2011, a Escócia vê no poder o Partido Nacionalista Escocês e a sua ambição de independência ganhou força após o Brexit (que foi rejeitado na Escócia) exactamente pelas mesmas razões: o comércio e livre circulação nas fronteiras, desta vez com a Europa. O carma é tramado... Adiante. 

Mas voltando ao rei, à Tradição e à história, à história que não foi esquecida e cuja memória é feita respeitar, por todos, a começar pelo rei. Ah pois... O monarca britânico deve um compromisso de honra  ao povo escocês; assim é coroado na Escócia e assim assume esse compromisso e se coloca ao serviço da Escócia, de Alba. Não, não é mais uma festa, uma mera celebração, uma fanfarronice de ostentação, é um juramento, a promessa solene de união do poder com um povo acima de todas as conjunturas políticas. Duvido de que em algum lugar da Terra este compromisso de honra tenha mais peso, mais magnitude do que na Escócia. Em Inglaterra a coroação é para o mundo, na Escócia é para o povo, maior compromisso real dificilmente poderá existir

       Na próxima quarta-feira, 5 de Julho, Charles III de Inglaterra será coroado rei da Escócia na catedral de St Giles em Edimburgo, recebendo a coroa mais antiga do Reino Unido, como aliás são as mais antigas todas as joias de coroação da Honours of Scotland 
Também esta coroa merece um pequeno aparte curioso:

Robert I foi coroado rei dos escoceses em 1306 - precisamente 400 anos antes do acordo do Tratado da União (1706)  - e até hoje é considerado um heroi nacional pois foi ele quem liderou a Escócia até à vitória durante a primeira guerra pela independência contra a Inglaterra...
A sua coroa foi objecto de transformações (p/ex. a adição de arcos em meados do séc. XVI tornando-a uma Coroa Imperial) e é a presente a todos os reis escoceses desde Robert I

A espada pertencente à Honours of Scotland, oferecida pelo Papa Alexandre VI a James IV em 1494, foi, há alguns anos, retirada da exposição pública no castelo de Edimburgo por apresentar sérios sinais de deterioração e é demasiado frágil para ser usada na coroação

A espada que será usada na coroação de Charles III é nova e recebeu o nome  "The Elizabeth", obviamente em homenagem a Elizabeth II - que tinha em Balmoral o seu coração
O "recado" está dado

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A quem possa interessar
5 Julho 2023
(fonte: BBC)

Royal event timings

  • 13:15 People's Procession departs Edinburgh Castle Esplanade
  • 13:30 People's Procession arrives at St Giles' Cathedral
  • 13:40 The Honours of Scotland leave Edinburgh Castle Esplanade under military escort
  • 13:40 Pipe and drums bands and the Household Cavalry move to West Parliament Square
  • 13:50 The Honours of Scotland arrive at West Parliament Square by vehicle
  • 14:05 Royal Procession leaves the Palace of Holyroodhouse
  • 14:15 National Service of Thanksgiving and Dedication at St Giles' Cathedral
  • 15:20 The King and Queen exit St Giles' to Gun Salute from Edinburgh Castle
  • 15:27 Royal party arrive at Palace of Holyroodhouse
  • 15:45 RAF flypast down the Royal Mile


OS ARAUTOS DO DEMO

 Muito bom rapaz, muito trabalhador e amigo da mãe...

CADA VEZ QUE QUE UM "NACIONALISTA" GANHA UMAS ELEIÇÕES PUTIN  BATE AS PALMAS E FAZ UMA FESTA.
(E Xi  também...)

ISTO É VERDADE NO CASO DE ÓRBAN E NO CASO DE ERDOGAN, COMO SERIA NO CASO DE LE PEN, DE TRUMP E POR AÍ FORA, POR ESSAS RUAS ESTREITAS E ESCURAS

HÁ, POR ESSAS RUAS ESTREITAS E ESCURAS, QUEM NÃO ENTENDA ISTO, NÃO QUEIRA ENTENDER, QUEM QUEIRA ACREDITAR QUE HÁ "GRANDES DIFERENÇAS" ENTRE ESTES, E OUTROS, PERSONAGENS. 

NÃO HÁ. NO QUE TOCA AO QUE REALMENTE TEM IMPORTÂNCIA GLOBAL REGEM-SE TODOS PELA MESMA CARTILHA: VIVA A AUTOCRACIA QUE GARANTE A MINHA ESTABILIDADE, DE RESTO NÃO HÁ CREDOS NEM PRINCÍPIOS, DE ESPÉCIE ALGUMA, QUE SEJAM HONRADOS


A REPRESENTAÇÃO DA IGNOBILIDADE

Eu não abro a boca, nem escrevo uma só palavra,
se acaso as tenho não são palavras que se escrevam,
são interjeições hostis



A PRAGA


Comecemos a sério...

Hugo Soares (vice-presidente do PSD) relembrou que o ministro João Galamba disse na CPI que quem sugeriu que se accionasse os Serviços de Informação foi o secretário-de-Estado Mendonça Mendes; «Hoje, por escrito, o senhor primeiro-ministro nega que tenha sido o senhor secretário-de-Estado»

«O primeiro-ministro desmentiu o ministro João Galamba contrariando aquilo que o ministro João Galamba disse na Comissão Parlamentar de Inquérito e disse aos portugueses. Não pode haver duas verdades, um dos dois está a mentir, ou o senhor primeiro-ministro ou o ministro João Galamba
.../...
O governo de Portugal está enredado num conjunto de mentiras, de desmentidos, de jogos de palavras que abalam o prestígio das Instituições. Face às respostas hoje dadas pelo primeiro-ministro de Portugal das duas uma: ou o primeiro-ministro demite imediatamente o ministro João Galamba, a quem imputou ter m
entido ao parlamento, numa comissão parlamentar de inquérito e ao país, de ter sido incompetente, negligente para preservar documentos classificados, ou a única conclusão possível é que o senhor primeiro-ministro se demitiu do país porque permite tudo sem retirar qualquer ilação, conclusão ou responsabilidade
.../... »

Continuemos com gozo...  (mas falando a sério)

O mínimo que posso dizer é que esta novela é satiricamente divertida; é pena que não tenhamos episódios diários, isto das "cenas dos próximos capítulos", com dias de espera, é um bocadinho azucrinante; agora temos de esperar até à próxima terça-feira para que o secretário-de-Estado Mendonça Mendes vá ao parlamento dizer mais umas larachas

O coitado do Costa está num impasse lixado: nesta fase já teria ganas de demitir o Galamba, que o anda a desdizer e não lhe fica com a batata quente. Mas não pode...
Não pode porque o Marcelo disse "faz"
Não pode pelas razões pelas quais o lá pôs e não fez mesmo antes do Marcelo dizer "faz"
Agora tem os partidos todos a dizer "faz", e ele não faz porque quem manda "aqui" é ele, só ele e mais ninguém, eróquefaltava!

Embora com alguma relutância tenho de confessar que nesta altura do campeonato me
identifico com o Marcelo, agradeço a praga bem rogada que Marcelo rogou;
Ainda que esta novela estivesse já em rodagem, e marcada pelo destino, teria metade da graça não fora a praga de Marcelo, nisso o gajo é bom, muito bom.
Obrigadinha pá.

GAND'A FILME!

 A ventania é tramada...

Na Rússia caem pessoas das janelas que nem tordos; sem outra explicação só poderá ser das valentes e súbitas rabanadas de vento e terríveis correntes de ar

No passado domingo estavam 25 pessoas , apenas duas das quais eram tripulação, festejando um aniversário a bordo de um barco, o "Goduria", alugado por turistas. Passeavam no lago Maggiore, ao norte da Itália - que estende a ponta mais a norte para lá da fronteira com a Suíça -  quando se levantou uma ventania tramada, remoinhos diabólicos, e isto provocou o naufrágio do barquito (de 16 metros, palco de uma festarola com 25 pessoas). Até aqui a tragédia é uma daquelas coisas que acontecem num dia nefasto 

Mas...

Faleceram 4 pessoas: dois agentes dos serviços secretos italianos, um agente da Mossad e a senhora russa que acompanhava o dono do barco. Mais ou menos por aqui termina o grosso das notícias. 

É preciso escarafunchar um bom bocado para saber que 10 agentes da Mossad foram rapidamente transportados para Israel num vôo militar - mas afinal eram todos turistas, que foram transportados num avião militar (!!!) - e "vários" agentes italianos foram retirados do hospital onde se encontravam para um hospital militar, "para preservar as suas identidades".  Também todos os "turistas" que ocupavam quartos de hotel tiveram as suas contas fechadas e não voltaram a por lá aparecer. Se a vontade de escarafunchar for muita também se encontra uma ou duas linhas falando de cidadãos britânicos a bordo, turistas, obviamente.

De notar que ninguém refere a identidade das outras pessoas a bordo nem tão pouco as suas nacionalidades - apesar de vários media terem escarrapachado o nome dos 3 agentes secretos que morreram, não faz mal, estão mortos, as famílias que se lixem -   presumo que seja para aguçar o espírito inquiridor dos leitores mais... como direi... curiosos.  

 E o dono do barquito? Claudio Cardini, Chairman da Human Company

Um rapaz trabalhador, com uma empresa que rende milhões mas que se dedica a pilotar o barquito que aluga a turistas; assim se faz fortuna!

Ora digam lá que isto não dava o princípio, ou o fim, de um gand'a filme
Muito gosto eu que me contem uma boa história


O OTOMANO

 Não se me oferece grande coisa a dizer sobre a vitória de Erdogan, chateia-me comentar o óbvio, é um desperdício de palavras e de tempo, limito-me a citar o imperadorzito otomano cuja campanha foi a única seguida e difundida pela comunicação social lá do feudo:

«Na segunda-feira assinalam-se os 570 anos da conquista de Istambul pelo Império
Otomano,

"Foi um ponto de viragem na história, fechou um século e abriu um novo"

"Espero que estas eleições sejam um ponto de viragem na história»

Depois recitou um poema e calou-se;
Fez bem, está tudo dito 


A título de mera curiosidade deixo as declarações de Vyacheslav Volodin, que preside à Duma (parlamento russo) a meio de Dezembro de 22 quando da sua visita à Turquia:

«Vyacheslav Volodin transmitiu as calorosas saudações do Presidente russo Vladimir Putin.

"As relações entre a Rússia e a Turquia estão a desenvolver-se de forma dinâmica, em grande parte devido à contribuição dos presidentes dos nossos países. A Duma e a Grande Assembleia Nacional da Turquia devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para dar apoio legislativo às decisões tomadas pelos líderes dos nossos Estados. A este respeito, seria correcto implementar novos formatos de cooperação no âmbito da dimensão parlamentar. Juntamente com os nossos colegas, concordámos em realizar uma reunião de uma comissão interparlamentar de alto nível em 2023. Também discutimos a possibilidade de realizar uma Conferência dos Presidentes dos Parlamentos sobre o Combate ao Terrorismo e o Reforço da Conectividade Regional em 2023", sublinhou Vyacheslav Volodin.»

In The State Duma -THE FEDERAL ASSEMBLY OF THE RUSSIAN FEDERATION  http://duma.gov.ru/en/

E este é só o princípio de uma longa lista de quebra-cabeças

IN MEMORIAM - TINA TURNER

Uma mulher colossal,
maior do que a vida,
uma lutadora que nunca soube o significado de desistir

 


O QUE É QUE HÁ NO BECO?


Turkey's biggest two cities as AKP targets for these blocking tactics - detailing objections to 783 ballot boxes in Istanbul alone and hundreds more in the capital Ankara. 

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Agora que 97% dos votos estão contados e, a ser verdade que o imperador otomano tem 49,35% dos
votos, com uma taxa de votantes de mais de 88%,  pergunto eu: 

Tendo Sinan Oğan, o candidato nacionalista de extrema-direita que ficou na terceira posição, um pouco mais de 5% dos votos e tendo sido um aliado de Erdogan, que hipóteses restam a Kilicdaroglu de tomar as rédeas da Turquia? 
Segundo a BBC, esta noite, após as eleições, foi a primeira vez que o opositor teve acesso a falar nas emissões de TV. Fantástico, não é?

Parece-me que nem daqui a 15 dias abro o raio da garrafa de champagne (mas se abrir uso a caneca grande da cerveja)

AI QUE NERVOS!

 Maria, não tires já o champagne do frio porque a coisa pode aquecer

Não vi o Festival da Eurovisão, estou com a cabeça virada para outro "concurso", aquele da Turquia que toca no dia a seguir mas, segundo as últimas informações, ou estimativas, melhor dizendo, pode não ser desta que se faz a festa, seja lá que festa for. 

Aparentemente Kilicdaroglu, ocidentalista, democrata e líder da aliança de oposição a Erdogan, terá uma ligeiríssima vantagem sobre o imperadorzito otomano nas eleições presidenciais e parlamentares mas não é espectável que qualquer deles suplante 50% dos votos; a ser assim haverá uma segunda volta a 28 de Maio, dentro de duas semanas. 

Uma eternidade... Uma garrafa linda à espera e à roda de 50% de hipóteses de não ser aberta tão cedo

Por que é que a incógnita me enerva? Por várias razões, assim de repente:

> Porque a Turquia de Erdogan tem relações mais do que cordiais com a Rússia de Putin e a teocracia do Irão

> Porque as suas fronteiras com a Síria, governo que não hostiliza, têm facilitado o massacre do povo Curdo que, ironicamente, acusa de terrorismo
> Porque essas mesmas fronteiras possibilitam a passagem de terroristas islâmicos para a Turquia, daí para a Europa e Erdogan não se rala nada com isso

> Porque a Turquia tem o segundo maior exército da NATO... E direito de voto e de veto
> E porque a Ucrânia, pois, isso.

> Porque, após 20 anos de poder, Erdogan controla 90% dos media turcos e, com uma nova vitória, terá razão para acreditar que a sua política autoritária e anti-ocidental é o que o mantém no poder, ou seja, que não se esperem melhoras, bem pelo contrário

> Porque num Estado onde os média são controlados pelo poder, assim como todas as Instituições - da Justiça à Educação - não há eleições justas ainda que formalmente possam ser "livres"

> Porque, mais uma vez, Putin está a meter o bedelho nestas eleições e sabe perfeitamente porquê, quanto ao como tem a tarefa muitíssimo facilitada

 Para argumentos do meu nervosismo já chega mas há outro aspecto a ter em conta: 

Ao contrário do que acontece com a tecnologia, com a ciência, com o reconhecimento dos direitos humanos, etc., etc.,  a humanidade tem vindo a regredir emocionalmente, a alimentar-se de medos que lhe são servidos esquecendo que a dignidade e a opinião individual requer o respeito pela dignidade e opinião alheia, tem vindo a desabituar-se de raciocinar recorrendo a respostas-feitas e a trocar a verdade pelo que mais lhe agrada, a sua liberdade e direitos por aquilo que lhe é apresentado como sendo segurança e estabilidade. E não é.

Estou em crer que a aliança de Kilicdaroglu sairá vitoriosa, talvez até já na primeira votação, estou em crer... Bem sei que esta não é uma questão de fé, é o que os turcos querem, ou são levados a querer e a crer... O discurso de Erdogan no encerramento da campanha sobre "as mentiras do Ocidente" e as suas "inconfessas intensões" era de aterrorizar o mais patriótico dos turcos, dos que lhe prestam atenção, claro.

50% + 1 é quanto basta para mudar tudo, ou piorar tudo. 
Tudo


NO RESCALDO DA COROAÇÃO

A Cerimónia da Coroação do monarca britânico encerra vários estágios 

O primeiro é o Reconhecimento:
o arcebispo de Cantuária leva o rei aos quatro lados e apresenta-lo à congregação, que responde "God save the king"

O segundo é o Juramento:
na sua Cadeira de Estado o rei jura defender a Lei e a Justiça, a Igreja Anglicana e cuidar do seu povo assinando dois documentos contendo estes compromissos

O terceiro é a Unção:
desprovido do seu manto o rei senta-se na Cadeira da Coroação e é ungido pelo bispo de Cantuária ao abrigo do olhar público 

O quarto é a Investidura:
o bispo de Cantuária apresenta ao rei as insígnias e a coroa de St. Edward

O quinto é a Entronização:
o rei é acompanhado até ao seu trono que simboliza a tomada de posse do reino

Por último a Homenagem:
o arcebispo e o príncipe de Gales prestam homenagem ao rei após o que os presentes são convidados a clamá-lo se assim desejarem

Segue-se a unção e coroação da rainha na sua Cadeira de Estado antes de tomar o seu lugar no trono

Rei e rainha dirigem-se ao Santuário de St. Edward onde recebem a sagrada comunhão, o rei retira o manto dourado da coroação, a coroa de St. Edward e é-lhe colocado o manto roxo de Estado e a Coroa Imperial

Assim termina a cerimónia da coroação 

AS INSIGNIAS E A SUA SIMBOLOGIA

As Esporas, símbolo militar, de honra e de cavalheirismo

A Espada, símbolo de justiça, de proteção e de misericórdia

As Pulseiras da sinceridade e da sabedoria

A Estola e o Manto, representam os quatro cantos do mundo, "impregnados" de sabedoria, legalidade e guardiões da salvação 

O Globo, símbolo do cosmos, do poder real e do mundo cristão

O Anel, símbolo da dignidade do rei, da sua aliança com Deus e entre rei e povo 

A Luva branca, para que seja gracioso e sensível no uso do poder 

Os Dois Ceptros, um com uma cruz - o do poder do rei . e um com uma pomba - o do poder espiritual  (Rod of Equity and Mercy) 


A Coroa de St. Edward é a mais importante das Joias da Coroa do Reino Unido

A coroa original, feita no séc XIII, era uma relíquia sagrada guardada na Abadia de Westminster. Em 1649, quando da abolição da monarquia durante a guerra cívil, várias peças foram vendidas e fundidas tendo a coroa desaparecido. 

Várias réplicas desta coroa foram usadas na coroação de vários monarcas britânicos; a coroa actual foi feita para Carlos II em 1661 e durante mais de 200 anos não foi usada em nenhuma coroação  Em 1911 Jorge V escolheu-a e desde então tem sido a coroa eleita por todos os monarcas. É usada na coroação e na abertura do Parlamento 

A Coroa Imperial é usada após a coroação; é com ela que o rei abandona a Abadia de Westminster e cumpre as primeiras tradições que se seguem: a visita às tropas que o acompanharam e a primeira aparição na varanda de Buckingham




Ó TOINO...

Ó Toino... um rapaz tão esperto e julgavas que tinhas o Marcelo no bolso... 

Em verdade te digo, Toino, ninguém tem o Marcelo no bolso. Ninguém, o Marcelo não é leal a ninguém. Nem ao Francisco Sá Carneiro foi leal; ah pois, eu não me esqueci de que o Marcelo, numa primeira fase, esteve próximo do grupelho que avançou com as "Opções Inadiáveis" (lideradas por Sousa Franco) e, antes que a coisa desse para o torto - a cisão no PSD que originou o ASDI - fez marcha-atrás, estava por lá «só para tentar uma conciliação». O Marcelo não é leal a ninguém e também não é parvo, nada parvo.

O que é que tu julgavas, Toino, que o Marcelo assistia a pores-te em bicos dos pés frente a ele, reclamando na tua "boa-consciência" o comando do poder e ele se ficava? Quanta inocência!

Julgavas que o Marcelo, desafiado, tinha uma birra e dissolvia a Assembleia aligeirando alguns dos teus problemas? Estás parvo, o Marcelo não tem birras, contém-nas e tece a sua teia, enreda e tem sempre um Plano de Fuga 


O Marcelo não dissolve a Assembleia, e bem, a meu ver, por duas razões:

- Quanto mais tempo estiveres no poleiro mais de galo cantas (já nos habituámos), mais canalhices fazes e mais razões lhe dás
- O Marcelo não dissolve a Assembleia enquanto a Comissão de Inquérito não fechar as suas conclusões (e lixar o ordinarote). Aguenta.

 Bem te avisei Toino, o Marcelo é perverso. Chega para ti e para mais dois como tu, três Toinos não fazem um Marcelo; eu não vou à bola com ele, aliás nunca fui a parte alguma com ele - ou por ele, nem às urnas - mas gosto de tipos inteligentes e respeito quem as sabe fazer bem feitas

(E não te esqueças de que as próximas eleições não são em 2026, são as Europeias em 2024, um tensiómetro a tomar o pulso ali ao virar da esquina)

Quanto à outra rapaziada que deu em reclamar pela "dissolução já", uns mais rufiões outros mais ingénuos, que se acalme, ninguém se enforca com uma corda curta -  « laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même » (ou como diriam os Beatles «Let it be») - serve aqui que nem luva de pelica


Eu espero, sentada, atenta e com um sorriso um quanto malicioso

EXCITAÇÕES SEMANAIS

 Por Portugal a excitação da semana é a demissão-não-demissão daquele que será, talvez, o ministro mais rasca deste governo inqualificável (e digo talvez porque vivemos num fogo-de-artifício de surpresas)

Diz o Raskof a sua fala: " Sinhôr Pirimeiro, apresento a minha demissão"

Responde o Pirimeiro: "Nem penses nisso, dás-me muito jeito, dêxa-cumigo", e mais:
"Eu não sabia nada do SIS, NINGUÉM NO GOVERNO CHAMOU O SIS,(sic)
Eles apareceram porque têm uma bruxa lá no serviço...

E

Circulam apostas sobre o equilíbrio de Marcelo entre a conivência e o descrédito.  Mas do Marcelo nem falo... O Marcelo foi educado, o Marcelo vê para os lados e ao longe, o Marcelo sabe perfeitamente a bronca desavergonhada que tem reinado no burgo. O Marcelo é perverso.

Eu sei que a coisa é trágica mas, insensatamente, dá-me para rir; devem ser nervos... Já gargalhei com gosto

Desde a ascensão do Costa em 2015 (com as boas graças do Aníbal,) que as fanfarronadas, o "Acabou a crise", o Sol das broncas tapado com as peneiras das mentiras, os jobs e os boys e as girls e a pouca-vergonha instituída e o peculato administrativo e e o nepotismo descarado e ... Bem, não interessa, desde 2015 que ando a dizer que não levo isto a sério. Ponto.

Isto passa-se porque o Marcelo deixa? Porque o Pirimeiro deixa? 

Não. 

Isto passa-se porque o povo deixa. Quando quiserem ir para a rua e não voltar a casa sem um ponto final nesta bandalheira contem comigo. É possível, nem é difícil. Muitos se lembram por certo da marcha multi-partidária que percorreu 12km até Belém e o Vasco Gonçalves foi a vida. Não fazem porque não querem, não se lembram, estão entorpecidos, num estado de hibernação cívica e ética.

A mim dá-me para rir, para não morder. Eu quero é afastar a minha cabecinha e esperar... Sentada


Há um mundo onde as pessoas lutam pela sua pátria, a sua dignidade e a sua liberdade.

Abençoados ucranianos, nobre povo, nação valente.


Aligeirando...

Também há um mundo onde as pessoas estão vivas, despertas, e celebram a sua História e as suas tradições com alegria mesmo enfrentando dificuldades filhas da época que vivemos, sem queixumes inertes e ineficazes.
Em Londres a excitação da semana vive-se assim:



BASTA!

A sério? 

Sim, a sério, não é uma montagem 
  • Não fora um pouco de cabelo mais e uns quilitos a menos tê-lo-ia confundido com a dignidade de Churchill
  • Não foram as vestes de fino corte e a ausência de óculos tê-lo-ia tomado pela despretensão e autenticidade de Gandhi
  • Não fora a gestualidade popularucha e a presença diluída tê-lo-ia tomado pela capacidade de liderança de Eisenhower
  • Não fora a pequena estatura (entenda-se em termos latos) mal o distinguiria da importância conciliatória de De Gaulle
E por aí fora, e por aí fora, e por aí fora.
Ahh, mas pela entourrage só pode tratar-se de um membro da nobreza europeia
Isto sim, é um grande senhor da política em toda a sua capacidade de argumentação

Poderia, no mínimo, ter o espírito de responsabilidade de Passos Coelho, ná, mas não, não se confunde

Cada um tem os políticos que merece, dizem; mas que mal fiz eu que nem oiço música pimba?

O CONVITE DA TRANSMUTAÇÃO


Uma coroação é um momento histórico e quando acontece após 70 anos desde a última, como é o invulgar caso do Reino Unido, é um acontecimento que poucos viveram. 
Em 70 anos tudo mudou, o mundo é outro, mas uma coroação - especialmente no UK - transporta-nos  para um mundo mágico como se nos colocasse dentro de um filme.

(Já sei que há quem não goste destes "filmes" mas esses têm todos os outros dias do mundo de que gostam sem esta "magia", não se incomodem com isto, passa num instante e há quem goste).

Há 70 anos a televisão transmitiu pela primeira vez a cerimónia da coroação; essas imagens a preto e branco vistas e revistas ao longo do tempo por milhões incontáveis deram-nos uma ideia da tradição, da pompa, dos ritos, do simbolismo. Assim sabemos mais ou menos com o que contamos mas a cor e a alta definição das transmissões actuais quase nos coloca lá, tantos pormenores de que nunca nos apercebemos de repente saltam-nos à vista, saibamos ou não o seu significado ritual e simbólico

Há 70 anos o convite para a coroação da rainha Isabel II era formal e sobriamente protocolar; a ocasião festiva inferia-se, não se manifestava, um pouco como as imagens a preto e branco filmadas exclusivamente pela BBC

O mundo mudou e nem tudo é mau, a magia tornou-se mais forte, mais próxima, as festividades do último Jubileu e o enorme pesar que se seguiu à morte da rainha Isabel são disso o maior e incontestável testemunho. A sobriedade de há 70 anos deixou de ter lugar quando o respeito pelas tradições o permite e a solenidade não se impõe; não é sequer preciso recuar 70 anos para encontrar uma época em que seria impensável ver a rainha a tomar chá com o desastrado urso Paddington 

Carlos III tem vindo a demonstrar que pretende seguir essa linha de proximidade em várias situações e o seu convite para a cerimónia da coroação é disso um exemplo evidente; a festividade já não se infere, está explicita, nas cores, na imagem e na simbologia
Um convite para a coroação de um rei é um pedacinho de história e este, impresso em papel reciclado -escolha bem clara no significado, já antes expresso no Jubileu quando Isabel II "acendeu" desde Windsor a "Tree of Trees" em Londres - vale bem uma análise do simbolismo que encerra. 
Uma coisa é certa, a monarquia britânica mudou, bem ou mal o tempo o dirá

O convite, obra criada por Andrew Jamieson, artista especializado em heráldica e iluminuras, pintada a aguarela e gouache, compõe-se de vários símbolos que, segundo o Buckgingham Palace, se interpretam assim: 


A CARA VERDE
No centro do rodapé está o Homem Verde, uma figura antiga do folclore britânico, símbolo da Primavera e do renascimento, para celebrar o novo reinado. A forma do Homem Verde, coroada em folhagem, é formada por folhas de carvalho, hera, espinheiro e as 4 flores emblemáticas do Reino Unido 

O PRADO DE FLORES SILVESTRES

 A moldura apresenta um prado de flores silvestres britânicas: 
Lírio do vale, a flor favorita da rainha Elizabeth, para a felicidade 
Centáureas, para esperança e antecipação 
Morangos silvestres (parte de uma sobremesa real favorita, morangos e natas)
Rosas caninas, para amor, prazer e beleza 
Campaínhas, pela humildade, constância e gratidão
Um raminho de alecrim, para as recordações

E AS QUATRO FLORES NACIONAIS
O cardo, a flor da Escócia 
O trevo, um símbolo da Irlanda do Norte 
Narcisos amarelos, a flor do País de Gales 
A Rosa Tudor, a flor da Inglaterra


Ao longo da moldura, aparecem cinco ANIMAIS CAMPESTRES:

Uma abelha - o labor pela comunidade
Uma borboleta - a transformação, renascimento
Uma joaninha - sorte, felicidade
Uma carriça - responsabilidade, acção
Um pisco-de-peito-ruivo (robin) . humildade, honestidade


OS ANIMAIS NACIONAIS
O Leão, símbolo da Inglaterra e 
o Unicórnio, símbolo da Escócia,
ambos fazem parte do brasão de armas real

Aparece também um javali, 
do brasão de armas da família de Camila
(ali no discreto canto inferior esquerdo, coisas de artista...)



Merecedora de nota é a representação de Bolotas ligadas pelo caule às Rosas Tudor; 
as bolotas aparecem o brasão de Kate Middleton, princesa de Gales, mulher do prÍncipe herdeiro e mãe do(s) neto(s) do rei


No topo do convite, à esquerda o brasão dos Windsor ( de Carlos), 
à direita o de Camila, após o seu casamento, 
ao centro o C de Carlos e Camila; 
na verdade são dois C's quase sobrepostos e unidos a meio onde posam dois passarinhos (gostos não se discutem)



Dia 6 de Maio, de hoje a um mês, muito mais haverá a explorar e interpretar


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