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QUANDO NÃO SE QUER VER BASTA NÃO OLHAR

 Raramente agarro temas nacionais porque, esses, mexem comigo ainda mais do que os outros mas às vezes não me contenho; e quando traduzem a forma como são desrespeitados os seres humanos, quase sempre os mais frágeis, a raiva tira-me o sono.

Há dias falei aqui sobre a bandallheira que se passa no ZMar sob um perspectiva diferente, está aí abaixo o post  

T'OU-M'APASSAR!  A REPUBLICA POPULAR DE PORTUGAL. 

Obviamente as coisas não seguiram bom caminho: O Supremo Tribunal Administrativo deu razão aos proprietários do ZMar, ordenou a suspensão da requisição civil e emitiu a notificação ao Governo. "Ouvi dizer" que o ca-cão do Cabrita (desculpem, às vezes gaguejo) disse que não sabia de nada e outras alarvidades. Também "ouvi dizer" que a GNR tinha transportado imigrantes para aquela propriedade às 04h da manhã com o reforço do Comando Territorial de Beja e da Unidade de Intervenção e que a operação decorreu "sem incidentes". Óptimo, não se esqueceram de levar as lanternas.

Porém há males que vêm por bem... Não anima mas não se perde tudo, isto serviu para trazer à luz do dia uma situação bem pior, no mínimo escabrosa, a dos imigrantes ilegais em Portugal que são carne para canhão.  

Acabei de ler sobre o assunto a exposição feira por uma Senhora Doutora em Direito que não conheço.
Sobre ela sei o que é público, que se licenciou em Coimbra, se doutorou em Direito na Univ. Nova de Lisboa e que trabalhou com o Provedor de Justiça como conselheira de Direitos Humanos.

Copio na integra o texto que publicou na sua página do Facebook expondo uma realidade abjecta; agora só me falta saber por que escolheu o Governo a propriedade da ZMar.

Da Ásia para Odemira

«Tive oportunidade de estudar a imigração da zona de Odemira há cerca de dois anos, confrontando-a com as sucessivas alterações à lei de imigração. Cheguei à conclusão, logo aí, que o nosso Governo, Parlamento, C.M. etc., procediam alegremente a alterações legislativas irresponsáveis, populistas, muitas delas destinadas a ceder à pressão de ONGs e activistas dos direitos humanos dos imigrantes com parcos conhecimentos jurídicos, em busca de soluções rápidas e simplistas. Percebi que já estava a dar asneira. Deu asneira.
As tais alterações traduziram-se em sucessivos alargamentos de regularizações em massa, abrindo cada vez mais as portas a uma via completamente desastrosa para se adquirir a residência em Portugal. Uma delas - a pior - dava um título de residência a quem estava em Portugal a trabalhar durante um ano.
Concretizou-se o que eu temia, e que pude confrontar na prática.
Uma lei que abre as portas à imigração via regularizações é má. É péssima. É uma lei que diz: venham clandestinos, fiquem aqui escravos sossegadinhos uns tempos. Caladinhos, aí escondidos nos num canto qualquer às molhadas. Depois damos a residência.
Ora sucedeu que isso chamou milhares de pessoas. Isso, e as ofertas de trabalho em barda nas milhentas estufas que fazem hoje parte da paisagem vista do espaço sideral de Portugal.
E Portugal não estava preparado.
Havia muitos, muitos pedidos no SEF, todos iguais: nepaleses, paquistaneses, todos vindos da mesma maneira, de avião até o Reino Unido, e depois de táxi, carro, até Odemira. Às centenas. Quem arranjava estas viagens? E cá ficavam um ano, à espera. Onde ficavam? Quanto pagavam para viver? Quanto recebiam? E depois, o pedido de regularização. Que, devido aos atrasos, se arrastava por mais um ano, e depois outro, e por aí a fora.
Uma política de imigração baseada em regularizações não é uma política de imigração segura. Não é política de imigração justa. Não permite ao Estado poder preparar as suas capacidades de acolhimento. É uma política de imigração que apenas faz com que os passadores, os traficantes, os empregadores, os senhorios, e uma data de gente de "esquemas", de todo o percurso, enriqueça à custa do desespero e da promessa de uma residência no fim da linha. Caros amigos defensores dos direitos dos imigrantes: é um caminho fácil e enganoso. Não é para isso que serve o instituto jurídico profundamente específico da regularização.

Festejava-se. Fantástico, Portugal tem MAIS um meio para integrar imigrantes que estão cá ilegalmente!!!
Não. Portugal criou MAIS um meio para trazer imigrantes ilegalmente. Portugal criou MAIS um meio para explorar imigrantes.
Portugal não sabia quantos vinham. Em nome do discurso cada vez mais vazio dos "direitos humanos", vieram e vieram muitos. Clandestinos, escondidos, vistos na beira da estrada, a caminhar, sempre a caminhar, nas estradas da Longueira e de S. Teotónio.
Mas já era um assunto que não dizia respeito a ninguém. Onde estava o departamento social da Câmara Municipal de Odemira? Onde estava a ACT? O SEF? A ver estas pessoas todas nestas condições? E sabia-se. Sabia-se. Estava à vista de todos.
E agora o Governo invoca "direitos humanos" e transporta pessoas de madrugada, com militares, com cães, para as enfiar num parque privado requisitado de forma ilegal, sem grandes explicações, sem tradutor, (diz quem está no ZMar que estavam verdadeiramente assustadas), sujeitando-se a ter de as retirar daí a uns tempos por ordem do tribunal?

O Direito da Imigração é uma coisa séria, caro Legislador. Não pode ceder ao choradinho do discurso fácil da solução bonitinha. Porque uma solução fofinha pode dar muita asneira. E aqui está a prova. Com uma violação ainda mais massiva dos direitos humanos dos imigrantes do aqueles que se queriam proteger.
Não controlar quem entra é mau. Nunca na história correu bem a clandestinidade. Nem adianta entrar em histerias e dizer que "controlar" exclui "proteger direitos", pois aqui é o contrário.
Saber quem entra permite ao Estado garantir direitos a quem está.
A nossa política de imigração está a tornar-se um fiasco total em todas as suas fases. Não controlamos mais quem entra no nosso território, como entra, se vem através de redes de tráfico, se vem para ser explorada, se vem para trabalho escravo, transportamos pessoas de um lado para o outro a meio da noite, com militares armados e invadindo terrenos privados, e se calhar no final ainda os expulsamos todos por estarem ilegais no nosso país.
E temos um Ministro, que não se demitiu num dia em que teve uma das suas polícias a praticar tortura e homicídio, e que ainda nos vem dar aulas sobre "direitos humanos".»

COME FLY WITH ME

Lembram-se de James Bond a escapar aos maus levantando vôo?
Foi em "Thunderball", no longinquo ano de 1965

 


Mesmo sabendo que o conceito é antigo e que o "Jetpack" não será propriamente 
uma novidade não deixam de me fascinar estes últimos treinos publicados pela 
Royal Navy; 
Olhem lá:


Também o Air Ambulance Service aderiu aos fascinantes Jetpack com óbvios benefícios



A quem possa interessar, há um modelo à venda em Londres por 340 000 £
Eu vou esperar pelos saldos mas só no que se poupa em parquímetros e multas...

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OPERAÇÃO "NEPTUNE'S SPEAR" 01/MAIO/2011 - 10 ANOS DEPOIS

 Hoje, 1 de Maio de 2021 cumpre-se uma década sobre a Operação "NEPTUNE'S SPEAR", o raid  que tomou de assalto a casa de bin Laden no Paquistão e que culminou com a sua execução


Numa entrevista informal conduzida por Ben Rhodes, antigo conselheiro de Segurança Nacional adjunto, o então Presidente Obama e o Almirante Bill McRaven, comandante das forças de operações especiais que executaram o ataque, conversaram sobre os milhares de pessoas que tornaram essa missão possível e o que significou para cada um deles e para os EUA.

Uma conversa sobre história, sobre emoções, sobre patriotismo e agradecimento acompanhada por imagens a ver

T'OU-M'APASSAR! A REPUBLICA POPULAR DE PORTUGAL

 Fui ver porque achei que não podia ser bem assim. Mas é. É exactamente assim

Ou por outra, é mais, bem mais do que assim mas já lá vamos, primeiro o desenrolar da notícia...

O ZMAR é, segundo a informação que disponibiliza no Google:


«Situado perto do sudoeste alentejano e do Parque Nacional da Costa Vicentina, este hotel descontraído fica a 8 km da Praia do Cavaleiro no Oceano Atlântico Norte e a 77 km da estrada europeia E1.
As cabines de madeira simples incluem Wi-Fi grátis e TV de ecrã plano, para além de kitchenette. As cabines com 1 a 3 quartos incluem sala de estar separada.

Dispõem de 2 restaurantes informais e café. Outras comodidades incluem ginásio, spa e piscina exterior com esplanada e espreguiçadeiras, para além de bar junto à piscina e zona recreativa para crianças. Estacionamento disponível.»

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- Segundo o Observador:

«Sem ter chegado a acordo com os proprietários da unidade hoteleira, o Governo avançou com a requisição civil do Zmar, em Odemira, local onde passarão a ficar isolados doentes infectados com o vírus da Covid-19. No despacho, publicado em Diário da República, determina-se que a responsabilidade de gerir o empreendimento turístico passa a ser do município de Odemira, com o apoio da autoridade de saúde e da Segurança Social. A requisição será válida enquanto a declaração da situação de calamidade for aplicável ao concelho alentejano.»

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- Segundo a TSF:

 «Zmar "não é apenas um parque de campismo, mas sim um espaço onde existem várias habitações particulares".
"Há 260 casas, 160 de particulares, e esta requisição civil [do Governo] é para todo o empreendimento
"
O primeiro-ministro anunciou no final do Conselho de Ministros na quinta-feira que o executivo iria fazer requisições naquele município alentejano, com o objectivo de instalar pessoas infectadas, pessoas em risco de contágio e também população que vive em situação de "insalubridade habitacional admissível, com hiper-sobrelotação das habitações", como é o caso de vários trabalhadores agrícolas emigrantes, entre os quais têm sido detetados surtos da doença Covid-19.

Segundo Nuno Silva Vieira, (advogado que representa 114 dos 160 proprietáriosa requisição do Governo é sobre todas as habitações, o que demonstra que o executivo desconhece o empreendimento.
"Ninguém vai sair das suas casas e vamos ficar aqui tranquilamente à espera que o Governo venha falar connosco, porque com certeza o Governo não conhece este empreendimento", destacou.
O advogado reforçou que o 'resort' não é um parque de campismo e que, "de acordo com a mais elementar regra constitucional do direito à habitação, ninguém pode sair das suas casas sem um despacho do tribunal".
"O Governo não é o tribunal e as pessoas que aqui vivem não vão abandonar as suas casas para dar lugar a pessoas doentes. Não se trata de má vontade, tem a ver com leis", apontou.»
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- E indo um quanto mais longe O JORNAL ECONÓMICO, que toca o busílis da questão a 5 deste mês de Abril


«A empresa dona do Zmar entrou em insolvência, a Multiparques a Céu Aberto. O eco camping resort fica localizado perto da Zambujeira do Mar, concelho de Odemira, distrito de Beja.

A insolvência da Multiparques a Céu Aberto – Campismo e Caravanismo em Parques foi pedida pela Ares Lusitani. O juízo de Odemira, do Tribunal de Beja, proferiu sentença a 11 de Março a ditar a insolvência da empresa dona do Zmar.

Entre os seus credores estão a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o site de reservas Booking, a fornecedora de eletricidade e gás natural Iberdrola, o Novo Banco, o Turismo de Portugal e a Noniussoft, software e consultoria para telecomunicações.

Os credores têm até ao dia 12 de abril para reclamar créditos, e a Deco aconselha os consumidores que estiverem interessados em exigir a devolução de pagamentos já efetuados a dirigirem-se ao administrador de insolvência, Pedro Pidwell da Silva

“Os consumidores interessados podem efetuar a reclamação de créditos que disponham até ao dia 12 de Abril

Questionado pelo Jornal Económico, o administrador de insolvência do Zmar revelou que no dia 27 de Abril vai ter lugar a “assembleia de credores, órgão máximo do processo de insolvência, que irá deliberar sobre os destinos da empresa”, mas que o objetivo é voltar a reabrir portas, o que só poderá acontecer depois de dia 27 de Abril e se os credores assim o entenderem.

“Neste momento, estamos a laborar com o propósito de reabrir o Zmar assim que for possível”, disse por email Pedro Pidwell da Silva.»

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Agora pergunto eu que, além de ser uma chata, estou vagamente em estado de choque e digo coisas sem sentido:

A insolvência da ZMAR foi ditada a 11 de Março; A 27 de Abril teve lugar a Assembleia de Credores; a  29 de Abril o governo decide emitir um Despacho, assinado e publicado nesse mesmo dia, para requisição civil da Zmar, da totalidade da Zmar,  de ambos os tipos propriedade, colectiva e privada. 

Digo eu em estado de choque, mas que descomunal porcaria por aqui vai; sentir-me-ia mesmo tentada a perguntar quem está interessado em deitar a mão à propriedade da Zmar? Algum primo, por certo...

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E já agora outra coisa...

 A Base Aérea n.º 11, ou Base Aérea de Beja, é uma base da Força Aérea Portuguesa, situada a poucos quilómetros da cidade de Beja e que tem na forja, pelo menos dois projectos, a saber: 
1 - Em Junho do ano passado, 2020, o ministro da Defesa, João Cravinho, anunciava que a Base Aérea nº11 iria ser o poiso dos cinco aviões KC-390 que Portugal contratou comprar. Pois, mas os aviões só começarão a ser entregues em Fevereiro do ano que vem, 2023, e, segundo o mesmo ministro, “significa que mais uma centena de militares com as suas respetivas famílias virão para Beja”
2- Existe um projecto para a instalação em Beja uma escola de formação de pilotos  de países NATO,o qual tem estado em ‘stand-by’ devido à pandemia covid-19.

Ora bem...

Constou-me, "ouvi dizer, não sei", que a Base Aérea nº11 tem "estado às moscas", há dezenas de camaratas vazias, em ‘stand-by’...

Só mais uma pergunta descabida: o tal "realojamento profilactico de trabalhadores que não têm condições de habitação digna"  - só descobriram agora - não poderia ser feito na Base Aérea?

E mesmo que... 
Por qualquer razão razão que queiram evocar, inventada ou válida, tanto faz, não seja possível ou conveniente a utilização da Base numa situação apresentada como urgente, por que não fazer a contratação de uma unidade hoteleira do distrito, uma daquelas que devido a confinamentos e todas as outras razões a jusante da pandemia, se encontram vazias e em situações económicas comprometidas?

Que coisa mais prepotente e descarada. Chamem-lhe fascismo, comunismo ou arroz de manteiga, autocracia é isto.

Abstenho-me de outro comentário para além da constatação de que é Portugal inteiro que não tem condições de habitação digna

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THE LAST POST

Na tradição militar, "The Last Post" é o toque do clarim que marca o fim das actividades do dia, em contraposição ao "Reveille" que sinaliza o início do dia militar. Quando feita em funerais militares indica que o soldado é colocado no seu descanso final 



Os corneteiros  Royal Marines  realizarão o alerta de guerra  em homenagem ao serviço activo de Philip na  Royal Navy. 

O sargento Bugler Jamie Ritchie, I / C Corps of Drums, Royal Marines liderou os quatro corneteiros na interpretação do Last Post no funeral de HRH Principe Philip, declarando à BBC foi uma "honra e um privilégio".
Durante quatro meses no Afeganistão, o sargento Jamie Ritchie soou o Last Post sempre que o corpo de um de seus camaradas estava prestes a ser repatriado; Regressado ao Reino Unido, o corneteiro da Marinha Real foi galardoado com sua medalha de campanha pelo Duque de Edimburgo.


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IN MEMORIAM

 


HRH The Prince Philip, 

Duke of Edinburgh

(10 June 1921 - 9 April 2021)



MUITA´PORREIRO PÁ

 Muito raramente faço repescagem de alguma coisa que já tenha escrito aqui, por vezes vou buscar parte de algum texto porque o assunto retomou (ou manteve) actualidade; hoje não vai em parte, vai no todo e com a leveza que consigo pois uma abordagem em profundidade seria mais do que a minha capacidade de contenção verbal conseguiria suportar. 

Não me surpreende o que se passa mas confesso ter sido surpreendida pelo descaramento, o absoluto impudor da argumentação. Limpa-se uma grande, enorme,  parte: ou é nulo ou prescreveu ou não há provas, leva-se um outro bocado bem alinhavado a julgamento para calar a boca de quem se revolta, paga impostos e se farta de esfolar para ser decente. Decente?!?! Mas essa gaita ainda vem no dicionário? Vem pois, como vem no dicionário de expressões idiomáticas o que significa "Tapar o Sol com uma peneira"

O que se passou hoje foi a sequencia da magia, melhor dizendo, do feitiço composto a 28 de Setembro de 2018 no Tribunal Central de Instrução Criminal. 

Parabéns Ivo, vales quanto pesas.


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@RealGana -  30 Setembro 2018

PORREIRO PÁ!

Lisboa 28 de Setembro 2018
Tribunal Central de Instrução Criminal 
Sorteio do juiz de instrução do processo relativo à "Operação Marquês"

Inquérito da Operação Marquês - acusação de 28 arguidos  
(19 indivíduos -entre os quais José Sócrates - e nove empresas)
Quase 200 crimes económico-financeiros

Juízes do TCIC - 2 - Carlos Alexandre e Ivo Rosa
Número de tentativas do sorteio informático - 4
16h -  Nos primeiros minutos o programa bloqueou, o computador não respondeu. Quando respondeu, deixou de fora do processo Carlos Alexandre

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Janeiro 2018  - In "Visão"
Procuradores pedem afastamento do juiz Ivo Rosa
Dois procuradores pediram o afastamento do juiz de instrução de três processos judiciais, um deles o caso EDP, por haver dúvidas sobre a sua imparcialidade. Outros apresentaram queixas disciplinares

Novembro 2016 - In "DN"
Tribunal de Relação arrasa juiz que deixou espião ir para casa
O Tribunal de Relação de Lisboa criticou duramente, em acórdão proferido esta semana, a decisão do juiz de instrução criminal, Ivo Rosa...

Além do espião russo e do caso EDP,  (só este último é uma festa, safou Manuel Pinho, António Mexia e Manso Neto)
Ivo Rosa ilibou 18 dos arguidos da “Operação Zeus”, processo relacionado com a corrupção nas messes da Força Aérea.
Após uma trabalhosa investigação do DCIAP sobre lavagem de dinheiro de indivíduos das elites angolanas Ivo Rosa decidiu não levar nenhum dos suspeitos a julgamento
Caso "Gangue do Multibanco", criminosos responsáveis por mais de 100 assaltos e outros crimes graves, Ivo Rosa libertou 11 dos 12 membros (que vieram a ser condenados após recurso do Ministério Público)

Como diria José Sócrates: "PORREIRO PÁ!"

Pronto, era só isto. Durmam descansados. Vamos todos aguardar a conclusão da instrução do processo calmamente, certo? Certinho.
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Repesco mais, repesco o sub-título que usei no último post que aqui escrevi a propósito do Senado norte-americano - pois é, quem tem telhados de vidro que não atire pedras aos vizinhos...

 Onde reina a Impunidade não impera a Justiça
Onde não impera a Justiça não existe Civilização


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13 MINUTOS DE HISTÓRIA

 Onde reina a Impunidade não impera a Justiça
Onde não impera a Justiça não existe Civilização


Publico o vídeo que abriu hoje os trabalhos no U.S. Senate numa apresentação feita pelo Rep. Jamie Raskin, presidindo como "House impeachment manager";
Não requereu palavras...
Não requer palavras, é o culminar da mentira, da ambição desmedida e da cegueira de quem idolatra um culto, se comporta como uma seita.

São cerca de 13 minutos de História que devem ser vistos, revistos, e nunca negligenciados

JÁ AGORA...


 

DO REI, DAS ELEIÇÕES E DOS ELEITOS

Hoje veio ter comigo um "escrito" de 2010, quando se comemorou o primeiro centenário da república em Portugal. Se o escrevi há 11 anos hoje voltaria a escreve-lo com redobrada convicção, não só porque sou monárquica mas, fundamentalmente, porque sou profunda e irremediavelmente democrata.

No meio destes últimos 11 anos tem vindo a ser progressivamente comprovado o quanto a Democracia é frágil - impensavelmente frágil - e quanto o mais essencial RESPEITO pelos Direitos Humanos, mesmo até dos Direitos Civis, pode ser estruprado e ignorado por líders inimputáveis e, pior, por facções sabiamente enraivecidas  do próprio povo.

Uma semana passou sobre as últimas eleições presidenciais. Talvez não tenha razão mas a sensação que tenho é de que grande parte dos eleitores votantes escolheram "o do mal o menos", o "mais alinhado" ou o "menos alinhado". Claro que houve quem votasse por convicção, tão claro quanto os muito mais eleitores que não votaram: os que "se estão nas tintas", os que "não estão pra-isso" e os muitos que nem encontraram em quem votar.


A Democracia é frágil, ponto assente
As republicas, que, reconheço, serão um conceito ideal no papel, resultam nisso mesmo, num
idealismo longínquo porque não se podem furtar às ambições dos homens amplificadas pelo mais eficaz dos fertilizantes: o Poder
. E isto em ciclos periódicos eleitorais.
 
São necessários esses ciclos? São, constituem o âmago do processo. 
Têm de ser absolutos? Não, há uma identidade supra-eleitoralista que pode permanecer, alheia a sufrágios, ideologias e interesses, una no que constitui a identidade do que nos define histórica e culturalmente enquanto povo.

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CEM ANOS SEM REI -  1 Fev. 2010

O que me lixa não é que se comemorem os 100 anos da república, cada um é para o que nasce e "chacun s'amuse à ça façon".
O que me lixa é que se comemore o centenário da república como se a instauração da dita correspondesse à realização da vontade democrática do povo português; como se estivessem a celebrar 100 anos de democracia, ou lá que raio de sucedâneo de democracia é esta coisa em que vivemos actualmente.
A nossa suposta democracia é uma jovem prestes a completar 36 anos que, talvez por acumular erros de juventude e devido à sua descuidada cultura e educação, para já não falar de uma capacidade financeira que a tem vindo a comprometer na sua ética e na sua independência, apresenta um aspecto desgastado e pouco atraente.
Será por isso que agora tendem a confundi-la com uma centenária?

A república tem 100 anos e Portugal cumprirá este ano 867.
Quase tudo o que foi importante se passou nos primeiros 767

O que se fez destes últimos 100 anos em Portugal que faça deste país uma presença respeitável no mundo? Uma referência? Uma opinião ou um exemplo a ter em conta?

(Aquele vergonhoso programa de televisão sobre "Os 100 maiores portugueses" foi uma boa amostra...)

E não me venham falar das conquistas do povo na sua Liberdade, que é curta nos anos e encurtada no respeito, nos seus Direitos,  expressos ou não na Constituição, são de menos em menos observados, cumpridos e assegurados.
Não me falem de igualdade e, menos ainda, de fraternidade; não me falem porque atiro-me para o chão a rir e a chorar ao mesmo tempo, terão de chamar uma ambulância e vestir-me um casaquinho branco daqueles com muitas presilhas e fivelas.

Já sei, já sei, "a monarquia peca à partida porque o rei não é eleito, o rei é filho do rei".

Tenha um republicano uma empresa e vá lá eleger um director-geral que reúna o consenso do seu eleitorado (o pessoal da empresa), que seja supra-partidarices, e que tenha a educação e a formação apropriadas às suas funções... Uma gaita!
A ingenuidade tem limites e, quando não tem, é o descalabro.
Quem tem uma empresa quer ver à sua frente alguém que saiba da poda, que conheça os bons e maus caminhos, que saiba ler relatórios e contas, que saiba aferir das várias necessidades, o resto é conversa. Depois que se elejam representantes, comissões, etc, etc. mas não pode ser o Senhor Porteiro, que conhece toda a gente, é um gajo porreiríssimo e que conhece os cantos à casa que o bom senso fará eleger responsável pela empresa.
"Mas nada garante que o rei será um bom governante..."
O rei não é um governante numa monarquia moderna; O rei é a personificação do seu país, para isso é educado, é a estabilidade que permanece com tudo o que constitui uma Nação, não personifica nem se altera nas mutações normais e decorrentes da vida do Estado.

Obviamente que não falo contra o sistema democrático e eleitoral, longe de mim, defendo-o com unhas e dentes. Não é o sistema democrático que está em causa.

Não é possível um presidente da república ser consensual, ser apartidário, ser, de facto, o representante de toda uma nação. E não é presidente da república quem está, de facto, preparado para o ser, quem tem a educação e a formação para o ser; Ele é (apenas) quem é eleito, num acto político e, também, afectivo.

Vivemos de "Pai da nação em Pai da nação" como um povo orfão que vai mudando de pai adoptivo; um padrasto que serve vários interesses e, com muita sorte, até poderá defender os do povo que o elegeu durante o tempo que durar. E se o deixarem, caso não se trate de um regime presidencial.

Então e um rei, é sempre bom e consensual? Não, não é, mas também não é essa a sua função. Para governar e legislar existem governos e parlamentos. Os poderes Executivo, Legislativo e Judicial não se prendem de forma alguma com um regime republicano ou monárquico, são questões totalmente independentes, como questões independentes são as da Democracia ou da Autocracia.

O rei é educado fora do ambiente partidário; o rei não vota, o rei não se candidata, o rei não precisa de ser eleito nem de se subjugar a essa necessidade e interesses.
O rei é educado tendo como ideologia o seu país e o seu povo, a união da sua nação.
O rei não vai ser presidente de uma qualquer empresa pública, ou privada, não vai pedir nem aceitar um "job dos boys". O rei não vai ser primeiro-ministro, ou segundo ou terceiro, nem deputado, nem presidente da câmara ou da junta, ou do Sporting ou do Benfica.

O rei é a bandeira de um país mas com uma consciência e uma voz. O rei permanece como símbolo da nação e do povo quando as eleições modificam as legislaturas entre as esquerda e a direita, entre a boa ou má gestão do senhor A ou do senhor B.

Ah pois, então e os privilegiados? A nobreza... os marqueses, os condes, etc?

Privilegiados? Os marqueses, os condes, etc? Não me gozem!
Há alguém que seja privilegiado por ser conde ou duque, que se encontre acima da lei, acima dos direitos e deveres de cidadão, em qualquer uma das monarquias democráticas europeias?

(Aliás, deixemo-nos de redundâncias porque não existe qualquer monarquia europeia que não seja consolidadamente democrática; já das repúblicas não se poderá dizer o mesmo).

Privilegiados, sim existem, em todo lado, uns por conquista ou herança - legitimamente adquiridas - outros...

Outros de quem nem vale a pena falar, nós por cá vêmo-los às dúzias, impunes e divertidos proclamando a sua inocência e inimputabilidade aos quatro ventos, democraticamente descarados, eleitos, nomeados.

Comemorem lá o centenário da república, é verdade faz 100 anos, mas não a venham identificar com as conquistas democráticas, não atirem areia aos olhinhos do Zé Povo que já anda cegueta há que tempos.

E já agora, não se esqueçam de que a república não nasceu de uma revolução de cravos ou rosas, nasceu de um assassinato, de um duplo assassinato - que nem sequer reunia o consenso da lide republicana ; nem rosas e cravos se lhe seguiram, de 1910 a 1927... Nem vale a pena falar nisso, quanto ao depois... Nisso nem vou falar

 

A GLÓRIA DE UM DIA NEGRO

Enquanto o Capitólio era invadido, e a Guarda Nacional aguardava ordens da WH para actuar - o que só aconteceu cerca de 3 horas depois da invasão do perímetro de segurança - , o Bode Maligno permanecia com a calma dos grandes líders sábios. A loira-barbie-de-segunda-geração ao lado, impávida e gélida como as rainhas consortes


O Mini-Bode, o próximo na linha de sucessão, incitava a rebelião e exibia a alegre namorada dançando e ia relatando: "I love to see it, it's pretty incredible" e agradecia feliz a Mark Meadows.

Mark Meadows, o demóniozito chefe de gabinete do "commander in chief-Donald" exibia um sorriso rasgado de contentamento e mostrava o polegar elevado num "muita-fixe-pá"

Perto do canto inferior direito do écran principal pode ler-se: "The best is yet to come", frase do discurso do Bode Maligno um par de horas antes incitando à invasão do Congresso.

Tudo isto ao animado som ambiente da cançoneta dos anos 80 "Gloria".

Não, não inventei, está aí o video e não foi manipulado.

Deixo quaisquer comentários à vossa apreciação, eu não posso, a minha esmerada educação assim mo dita.



UM NOVO ANO

 Auld Lang Syne..(Há muito tempo...)


Não tenhamos ilusões, este ano não será fácil. 
(A magia existe mas não num mudar de folha do calendário)
Tenhamos esperança de que vá melhorando no decorrer do tempo
Tenhamos paciência infinita para não sucumbir no caminho a percorrer
Tenhamos empatia e compaixão para com os menos afortunados
Tenhamos uma consciência humana além da nossa existência individual

Desejando o melhor ano possível e que, antes do seu final, nos possamos reencontrar para dar os abraços em espera, beber o copo que tarda.
And we'll take a cup of kindness yet
For auld lang syne

To Sophie and Madeline
!Be brave

A DERROTA DE NARCISO

No dia 2 de Setembro, os seja, há dois meses, escrevi por aqui um post que republico hoje como se fora um "Eu-Bem-Te-Disse" dedicado aos que me chamaram "exagerada", aos que me disseram "nem-penses-nisso"; Em alguns casos, confesso, será mesmo um "Eu-Bem-Te-Disse-Toma-E-Embrulha"  para os que me atiraram um "isso-querias-tu". O que eu quero ou não quero não tira nem acrescenta às probabilidades de ocorrência; as probabilidades existem e são legíveis para quem souber o B+A=BA: conhecer os factos, equaciona-los e conseguir não inserir na equação as suas preferências pessoais. 

É nesta parte de "não inserir na equação as preferências pessoais" que a coisa falha.  Há muito quem não o consiga fazer e, nessa modalidade, o campeão é inegavelmente o propriamente dito Trump.

Para além de um "arremessozito", esta re-publicação tem por finalidade ser um auxiliar de memória, sobretudo para os que se sentem tentados a dar credibilidade às afirmações que fez o Bode Maligno ao princípio da madrugada pós-eleitoral na Casa Branca, ainda mal tinha começado a contagem de votos. Uma aberração intencional, uma largada de sangue fresco no aquário dos tubarões

Volto ao tema mais abaixo, após o intercalado re-post 

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A MIRAGEM

 As eleições presidenciais nos EUA decorrerão no dia 3 de Novembro
Conta-se que ao amanhecer do dia 4 se conhecerá o vencedor, certo?
Não, errado.

A razão...

Em 2020, com uma pandemia a assolar o mundo e muito drasticamente os Estados Unidos conta-se que o número de votos pelo correio seja pelo menos o dobro dos que votaram por essa via em 2016, o que corresponde a mais de 40% do eleitorado
Posto isto há que considerar os eleitores que optam por votar presencialmente e os que optam pelo correio.
Presentemente estima-se que 40 a 50% dos eleitores Democratas votarão pelo correio enquanto que apenas 20 a 21% dos Republicanos votarão por essa via;
(o que não é de estranhar face à desenfreada campanha que Trump tem feito contra os votos pelo correio que, na sua douta opinião - embora sem a menor base factual - sejam um meio de fraude eleitoral)

Em termos práticos o que quer isto dizer?

Se os valores percentuais estiverem correctos, e tudo leva a crer que sim, mesmo a existirem variações serão minimamente representativas, isto significa que os votos contados na madrugada de 3 para 4 de Novembro corresponderão a cerca de 80% dos votos Republicanos e a cerca de 50% dos votos Democratas, existindo assim uma "omissão" de cerca de +20% R +45% D., seja qual for a abstenção, obviamente. Isto foi denominado "Miragem Vermelha" (Red Mirage)  paradoxalmente o vermelho é a cor dor Republicanos)
Vai daí...

Tudo indica que ao raiar do dia 4 de Novembro Trump faça o seu discurso de vitória destinado a inflamar - melhor dizendo, a incendiar - os ânimos trumpistas e a "avisar" que os Democratas irão fazer o diabo a sete para corromper os resultados eleitorais. Obviamente que não irá salientar que cerca de 65% dos votos (não dos eleitores) estarão por contar, esse será o papel das "Fake News"

Depois...
Depois haverá que esperar, uns 4 dias intermináveis.
Os EUA estarão a ferro e fogo atravessando o inferno

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White House, 3 para 4 Nov. cerca da 1h30 da manhã, hora local 
(Discurso completo disponível no link acima à excepção do acrescentado "extra tele-ponto" como o inspirado "Stop the count")
«Good evening. I’d like to provide the American people with an update on our efforts to protect the integrity of our very important 2020 election. If you count the legal votes, I easily win. If you count the illegal votes, they can try to steal the election from us. If you count the votes that came in late — we’re looking at them very strongly. But a lot of votes came in late.»
«As everybody saw, we won by historic numbers»

«It’s amazing how those mail-in ballots are so one-sided, too. I know that it’s supposed to be to the advantage of the Democrats, but in all cases, they’re so one-sided.
We were up by nearly 700,000 votes in Pennsylvania. I won Pennsylvania by a lot,* and that gets whittled down to — I think they said now we’re up by 90,000 votes. And they’ll keep coming and coming and coming»
* (que ironia...).../...
«Likewise, in Georgia, I won by a lot — a lot — with a lead of over — getting close to 300,000 votes on Election Night in Georgia.» .../...
«We also had margins of 300,000 in Michigan. We were way up in Michigan; won the state. And in Wisconsin, we did likewise fantastically well.» .../...

«Today, we’re on track to win Arizona. We only need to carry, I guess, 55 percent of the remaining vote — 55 percent margins. And that’s a margin that we’ve significantly exceeded. So we’ll see what happens with that, but we’re on track to do okay in Arizona.»

«Our goal is to defend the integrity of the election. We’ll not allow the corruption to steal such an important election or any election, for that matter. And we can’t allow silence –anybody to silence our voters and manufacture results.»
(E agora uma nota de humor:)
«In Philadelphia, observers have been kept far away — very far away — so far that people are using binoculars to try and see, and there’s been tremendous problems caused.»

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É melhor parar por aqui, o discurso de "Vitória" que Trump fez na Casa Branca na madrugada de 3 para 4 foi uma das coisas mais desonestas e mal intencionadas a acrescentar ao seu interminável rol de mentiras. (Facts First - Fact check link)

Ao longo dos últimos meses tornou-se óbvio que Trump faria uma declaração de vitória eleitoral, que incitaria à não aceitação popular dos resultados eleitorais, que se assumiria como o defensor da integridade nacional... Como qualquer bom ditadorzeco.

Pois, mas a coisa não lhe vai correr bem, a sonhada "Dinastia Trump", com alterações à lei que permitissem o prolongamento dos mandatos - à boa maneira russa ou, ainda melhor, à moda dos chineses - não estará para breve; o Mini-Donald e a loirérrima Ivanka não têm o lugarzinho assegurado por direito hereditário. 

Hoje, final de domingo 8, Biden conta com 290 votos eleitorais, Trump com 214; falta fechar três Estados: 
o Alasca (que será republicano e vale 3 representantes no Colégio Eleitoral), 
a Georgia (provavelmente democrata e vale 16 representantes) 
e a Carolina do Norte ( por certo republicano a valer 15 representantes). 
Ou seja, ainda que os republicanos ganhassem estes três Estados conseguiriam apenas 248 representantes dos 270 necessários, é curto. 
Sem grande futurologia, os resultados finais apontam para 306/232. Ainda que sejam feitas recontagens - e serão - não é credível que haja qualquer alteração dos resultados eleitorais. 
Sobre o Senado falaremos após as segundas voltas a 5 de Janeiro.

O Bode Maligno não quer conceder a vitória eleitoral a Biden, está bem, é um problema dele, como dele será a triste figura. A concessão é apenas uma tradição de gente civilizada, não tem qualquer força legal. 

Outra estratégia falhada é o amontoado de processos que têm dado entrada nos tribunais dos Estados em que venceram os democratas; o objectivo não será por certo a anulação dos resultados, os próprios republicanos confessam não ter indícios de fraude - de algumas falhas sim mas não de fraude; o maquiavelismo doméstico de Trump (provavelmente gerado por mais uma ideia iluminada de Rudy Giuliani) será atrasar a declaração final dos resultados oficiais (pelo decurso dos processos) impedindo assim a votação do Colégio Eleitoral a 14 de Dezembro. Fraca estratégia. 

A 20 de Janeiro Trump terminará o seu mandato por força constitucional, com ou sem votação do Colégio. Se nessa altura Biden não tiver sido eleito colegialmente, a Speaker do Congresso, Nancy Pelosi, tomará a presidência dos EUA. (Digo com um sorrisinho discreto ao canto da boca que, para Trump, seria pior a emenda do que o soneto).

Entretanto, num reino obscuro e vulcânico...

Os advogados de Trump trabalham incansavelmente para inflamar os ânimos; o big-bang do momento é que encontraram 450 votantes que já faleceram
Pergunto eu: 
- Num país que tem tido uma media de 100mil mortes por dia (8Nov 120mil)
- Onde a votação antecipada teve início, em média, 40 dias antes (em alguns Estados mais noutros menos, calendário disponível AQUI)
- Onde o distanciamento social e o uso de máscaras foi fortemente negligenciado e até combatido e as grandes concentrações de pessoas foram uma constante,
Quais são as hipóteses de terem morrido 450 pessoas que votaram?
Adiante...

Os seguidores do culto de Trump podem parecer sossegados... mas não estão.
Organiza-se o inimaginável... Através da rede social "Parler", fundada em 2018, é a plataforma de contacto e divulgação da extrema-direita, consagrada "à liberdade de expressão" - leia-se, teorias de conspiração, discurso anti-semita, reuniões virtuais QAnon e, claro está, apoio militante e militarista a Trump. Ao contrário das outras redes sociais possibilita  a ocultação eliminação de postagens após a sua divulgação e o anonimato do autor. Curiosamente tem uma forte componente saudita...
Indubitavelmente por ali Trump está bem entregue, está com a sua gente

"Quando atravessares o Inferno continua a andar"

.

AVANTESMAS DESMASCARADAS

 Hoje acordei de chuva, ninguém me fez mal mas acordei assim, com um feitiozinho virado para o pró-soviético. Além da chuva foi segunda-feira, a coisa combina tão mal quanto uma camisa às riscas com uma gravata às bolas. Mas pronto, em piloto automático fui à vida: tratei dos cães - que não queriam pôr uma pata fora de casa (estava de chuva numa segunda-feira.) - deixei almoço, escrevi recados em post-it cor-de-rosa que colei no espelho da casa de banho e fui à vida. Cumpri com deveres de vários tipos, tomei um café, encomendei um frango, cumpri mais, exercitei (bastante) a paciência e finalmente suspirei um "acabou".

Quanto fechei a porta "aosafazêres" fui buscar o frango ali ao lado. Chovia que o céu a dava. Parei à entrada da pequena casa dos frangos. Melhor dizendo, estaquei. A Maria José dos frangos, que me topa à légua, olhou para mim e disse hesitante:

- Pode entrar...

Num tom vagamente stalinista respondi-lhe:

- Não, não posso, está aí um cavalheiro sem máscara a 30cm do seu colega, a respirar para cima dele enquanto ele trabalha e manuseia comida. É melhor para todos eu não entrar...

A avantesma olhou para mim, meteu a mão no bolso e retirou uma máscara que se dispôs a colocar com ar enfadado. Se fosse sexta-feira e estivesse Sol talvez me tivesse contido mas não era o caso:

- Tenha paciência mas explique-me por favor, se o senhor tem uma máscara no bolso, está dentro de uma loja de comida com três pessoas a trabalhar e três à espera aí dentro porque está a chover, por que raio não a tinha posta?

Responde a avantesma com o mundo inteiro a olhar para ele banhando-o em curiosidade:

- Hoje os números já baixaram...

A vingança tomou conta de mim: ou lhe chamava "cavalgadura" ou reunia contra ele as Tropas do Olhar Acusatório. Assumi o comício e falei para o povo, todo de máscara, que esperava o desfecho com interesse:

- Ah, tem razão, há 3 dias passámos os 2600 novos casos, que se saibam,  hoje, apesar de ser segunda-feira e os números são sempre mais baixos, nem chegamos aos 1950, foram só uns ranhosos 1949. Desculpe-me, tem razão, vamos tirar a porcaria das máscaras e abraçar-nos de alegria.

A avantesma agarrou no saco com o frango, esqueceu-se das batatas e saiu apressado enquanto a Maria José dos frangos gritava sorridente: senhor, olhe o seu troco...


O mundo está cheio de cavalgaduras, muito mais do que eu suspeitava.

NÃO É FÁCIL MAS É SIMPLES

A meio dos anos 70 Chris De Burgh lançou um album ao qual chamou "Spanish train and other stories"; o tema de abertura, bem elaborado e distinto das canções que popularam os anos 70, é "Spanish train" que, entre o declamado e o cantado, conta a história de um comboio que atravessa a zona pantanosa do Guadalquivir até Sevilha... transportando almas. Segue-se um jogo por essas almas entre o diabo e o Senhor


Já houve quem me contrapusesse "O Sétimo Selo", filme de Bergman, mas essa luta é outra, entre a vida e a morte, a salvação de uma alma em desespero, uma luta individual. 

Aquilo em que quero pegar, aqui e agora, nada tem de individual, refiro um nível transcendente de confronto cíclico entre Luz e Trevas no qual a humanidade se joga nas escolhas que faz, naquilo que projecta no mundo...  de luminoso ou de obscuro



"O diabo faz batota, e está a ganhar. O Senhor faz... o melhor que pode"

Esta imagem de um jogo pelas almas entre o diabo e o Senhor, entre o bem e o mal,  marcou profundamente o meu imaginário, é uma imagem poderosíssima quando nos vem à mente, ou buscamos, uma representação visual de luta entre a Luz e as Trevas.

«There's a Spanish train that runs between
Guadalquivir and old Seville

And at dead of night the whistle blows
And people hear she's running still
And then they hush their children back to sleep
Lock the doors, upstairs they creep
For it is said that the souls of the dead
Fill that train ten thousand deep»
.../...

«The Lord and the Devil are now playing chess
The Devil still cheats and wins more souls
And as for the Lord, well, he's just doing his best...»


«And I said "Lord, oh Lord, you've got to win
The sun is down and the night is riding in
That train is still on time, oh my soul is on the line
Oh Lord, you've got to win...»

A questão pode parecer complicada... Parece complicada no dia a dia, na torrente de acontecimentos que se atropelam pelo mundo, nas nossas vidas, na relação com os outros, mas há uma outra vertente: a das escolhas que fazemos e essa nada tem de complicado, é até bem simples. Pode apresentar-se por vezes como sendo difícil mas o simples muitas vezes não é fácil.
É apenas uma questão de princípios, de os definirmos e de os mantermos. Distinguir o certo do errado é algo que sabemos fazer quase instintivamente. No fundo sabemos... Todos sabemos. 
Carácter, dignidade, honra, lealdade, veracidade, rectidão, ética, são expressões que actualmente têm um sabor quase medieval. O mundo está mergulhado num "vale tudo" desde que seja o caminho de vencer. E digo "vencer", não apenas "conseguir" ou "ganhar", é o caminho do déspota, do falso, do batoteiro. 
Assiste-se a um reinado do maligno, ao trono usurpado, a guerras sem regras nem honra. Talvez o mais grave seja que se começa a considerar isto "normal", um "agora é assim".

Não, não é; nem tem de ser; nem será enquanto houver quem não conceda uma sentença de normalidade ao que é perverso

Reportando de novo ao confronto entre a Luz e as Trevas, a Luz não faz batota, joga limpo.
A questão é simples: jogar limpo. Não é fácil mas é simples.

Não sei quantos o sentirão mas eu venho sentindo todos os dias que a Luz e as Trevas estão jogando xadrez, neste momento.  Religião à parte - é assunto que não abordo no blog - a escolha está nas mãos da humanidade, não é fácil mas é simples.

VERY,VERY WELL (WITH THE TALIBAN)

Fez há dias 1 ano...
Reverto para o post publicado em Março de 2020 antes de regressar à lamentável e disfuncional actualidade :

O 11º MANDAMENTO

NÃO NEGOCIARÁS COM TERRORISTAS

«Durante a última semana de Abril de 2019 Trump reuniu com os seus principais conselheiros na Situation Room para anunciar que queria um Acordo de Paz que lhe permitisse retirar as tropas americanas do Afeganistão; Pompeo advogou a favor do chefe, claro;Bolton, que assistia à reunião desde Varsóvia por video-conferência, não queria acreditar no que ouvia....../...Não é o fim de uma guerra, o que seria desejável, é a entrega de um povo impotente e de um território além das fronteiras afegãs ao poder terrorista institucionalizado.É um crime..../...A reunião terminou deixando no ar a mediática hipótese de convidar o presidente  Ashraf Ghani para ir a Washington assinar o tal Acordo de Paz. O facto de Ghani, presidente eleito, ser deixado totalmente fora das conversações com os Talibã seria, para Trump, um pormenor irrelevante, a verdade é que ficaria bem na fotografia.
Dias depois Trump teve uma ideia ainda mais sensacional que só comunicou aos seus mais escolhidos Conselheiros deixando na ignorância o "National Security Council" : Vou convidar os Talibã para virem cá, não a Washington, que já está muito visto, mas para Camp David!!! A jóia da "coroa" americana onde têm sido recebidos apenas presidentes, primeiros-ministros e reis. Sim Senhor! E mais, recebe-se a rapaziada 3 dias antes do 11 de Setembro!!! 
Se a guerra do Afeganistão teve por causa primeira os ataques do "11 de Setembro",  e se por lá morreram cerca de 3 500 americanos, não contando as baixas das forças aliadas, é apenas mais um um pormenor irrelevante. 
Mas os Talibã não foram a Camp David. Nem a Washington. Nem assinaram acordo algum. Porquê? A oposição nos meios políticos foi maior do que Trump esperava, muitos insuspeitos membros do Partido Republicano mostraram o seus descontentamento ou até indignação. A 5 de Setembro, menos de uma semana antes da festa, os Talibã reivindicaram um ataque bombista no Afeganistão do qual resultaram 12 mortos entre os quais um americano. Desculpa vagamente careca... No espaço de uma semana esse foi o terceiro ataque bombista. (Aliás durante este mês de Fevereiro 2020 mais dois oficiais americanos foram mortos e as conversações de paz continuaram animadamente)»
Foi assim, há 1 ano...

Em Fevereiro de 2020, em Doha, Qatar:
Após sete dias de compromisso por parte dos Talibã de "Redução de Violência" no território afegão estão criadas as condições para a assinatura de um "Acordo de Paz" entre os EUA e os Talibã, é quanto basta. Não, o governo do Afeganistão não tem nada com isso, não estava lá nem foi informado do teor das conversações durante o processo. .../...

Ontem, sábado 12 de Setembro - não consigo engolir esta fixação em torno do "11 de Setembro", nem tão pouco é possível engolir que seja um repetido "mero acaso" - recomeçaram as "Conversações de Paz" entre Talibã e  representantes do governo Afegão, as primeiras entre entes interlocutores, todas as prévias foram entre Talibã e norte-americanos com Pompeu como cabo do seu grupo. 
Um novo capítulo de uma vergonha que tem por fundo a retirada das tropas americanas que, pela vontade de Trump, seria feita ainda antes de 3 de Novembro, data das eleições presidenciais nos EUA, com ou sem "Acordo".

 Prevê o "Acordo" assinado em Fevereiro passado que se este for respeitado as tropas dos EUA se retirariam 14 meses depois, ou seja em Maio de 2021. Do contingente de 13 000 americanos que estavam no Afeganistão em Fevereiro restam 8 600 e está prevista uma nova retirada até ao início de Novembro reduzindo a permanência americana para 4 500.

Entretanto 12 000 civis afegãos foram mortos desde Fevereiro. Respeitado? Uma das alíneas é a cessação total de cooperação entre Talibã e grupos terroristas, nomeadamente a al-Quaeda. Nem comento... Como não comento o facto de os guerrilheiros Talibã terem recebido prémios monetários da Rússia por cada militar americano ou britânico morto. (Trump também não comentou... E Boris Johnson estava ocupado com o virus e o Brexit - que corja!)


Nas palavras do Almirante William McRaven, comandante da Operações Especiais Conjuntas que teve a cargo o planeamento e execução do raid que executou Bin Laden:
“I’m not personally convinced that any deal with the Taliban will be worth the paper that it’s written on. If we were to pull out U.S. troops completely from Afghanistan, it would not take the Taliban more than six months to a year to come back to where they were pre-9/11.” 
Não estou pessoalmente convencido de que qualquer acordo com o Talibã valerá o papel em que está escrito. Se retirássemos completamente as tropas americanas do Afeganistão, o Talibã não demoraria mais de seis meses a um ano para voltar ao ponto em que estavam antes do 11 de Setembro.


Michael Morell, sub-director da CIA durante a época desse raid, e mais tarde director interino por duas vezes, disse concordar com a opinião de McRaven e partilhar das suas preocupações acerca do "Acordo de Paz":

"If U.S. and coalition troops withdrew from Afghanistan, and then the United States ended financial support to the Afghan government, my assessment is that the Taliban would take over the country again in a matter of months. In addition, despite the terms of the peace deal that explicitly forbid it, my assessment is that they would provide safe haven to al-Qaida.The United States would have to figure out how to collect Intelligence on what was happening in Afghanistan, with a particular focus on whether al-Qaida had reestablished itself there and was preparing any attacks on the U.S. and to find a way militarily to reach in there and deal with that problem”
Se as tropas dos EUA e da coligação se retirassem do Afeganistão e os Estados Unidos encerrassem o apoio financeiro ao governo afegão, a minha avaliação é que o Talibã assumiria o país novamente em questão de meses. Além disso, apesar dos termos do acordo de paz que o proíbem explicitamente,  eles forneceriam um porto seguro para a Al Qaeda. Os Estados Unidos teriam que descobrir como reunir Inteligência sobre o que estava acontecendo no Afeganistão, com um foco particular em se a al-Qaeda se havia  restabelecido e estava preparando qualquer ataque aos EUA, para encontrar uma acção militar de chegar lá e lidar com esse problema ”



Na passada quinta-feira, véspera do 11 de Setembro e dois dias antes do reencontro de conversações no Qatar dizia D. Trump:

We’re getting along very, very well with the Taliban and very well with Afghanistan and its representatives, we’ll see how it all goes. It’s a negotiation.” 



(Talibã 2 very, very / Afeganistão 1 - Segue o jogo)

Como é que um presidente dos EUA, em véspera do "11 de Setembro",  diz que se está a dar "muito, muito bem com os Talibã" que - não fora o quase todo o resto - teve (ou tem?) guerrilheiros premiados para matarem os seus militares e dos dos seus aliados? Está a dar "muito, muito bem com os Talibã" que continuam a chacinar civis afegãos e a insultar o governo afegão?

O Almirante McRaven reagiu:
You can’t lay this at the feet of the Trump administration, I think the Trump administration is trying to figure out what is a graceful exit strategy in Afghanistan. I don’t know that there is a graceful exit strategy.”
"Não se pode deixar isto aos pés da administração Trump, acho que a administração Trump está tentando descobrir uma estratégia de saída elegante do Afeganistão. Eu não sei se existe uma estratégia de saída elegante.


Se, pelo lado do governo afegão existe a visão de um Estado laico regido por um governo eleito, os Talibã não fazem segredo nem pretendem sequer disfarçar, que pretendem fundar um Emirado Islâmico (Estado Islâmico, neste contexto soa mal...).

Conversações de Paz? Sim, está bem, entre eles, mas com um forte e visível apoio de quem tenha força - militar e económica - para bater o pé e dar um murro na mesa. Sem isto é só conversa, chacina e entrega de um povo - e do mundo -  ao terrorismo
Os Curdos que o digam...



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