.

.
.
.
.
.

IN MEMORIAM . INSUBSTITUÍVEL

O Zeca...

O Zeca deixa um vazio 
que não será preenchido

porque o Zeca 
era uma dessas 
raras pessoas insubstituíveis.

THE NAYS HAVE IT

Há coisas que se metem pelos olhos dentro, de tal maneira que chega a ser aflitiva a constatação do tempo, energia e empenho desperdiçados na negação do óbvio.

Não gosto de emitir julgamentos, muito menos públicos, acerca do Q.I. de outrem - pior do que ser estúpido é não ter caracter -  mas lá está, há constatações que chegam a ser aflitivas; a Senhora May é  estúpida, aflitivamente estúpida, e possuidora de uma teimosia que só aos estúpidos assiste. Diga-se, em abono da verdade, que Theresa é organizada e trabalhadora, é de borracha: aguenta todo o embate e retorna à forma original, mas não perseverante - é teimosa. Se a questão fosse arrumar impecavelmente, por cores e tamanhos, os Tupperware lá de casa não tenho a menor dúvida sobre o êxito da tarefa, mas não é...

E outra coisa, a Senhora May é forte e silenciosamente afectada pelo estigma feminino na história. A Senhora Thatcher era uma dama, mas de ferro... A rainha Isabel está muito além, e acima, das guerrilhas de poder e de afirmação pessoal. Coitada, até entendo, Theresa luta que nem uma leoa para se afirmar, para ligar o seu nome a uma viragem histórica do destino do Reino Unido. Luta por demonstrar que é uma grande governante (está a ser uma demonstração complicada...) Mais, luta pela sua afirmação num meio de homens - digo de homens, não digo machista.
Os machos britânicos não são geralmente machistas mas são tradicionalmente exclusivistas no que que toca aos seus domínios: o whisky e o charuto depois de jantar, a irmandade do rugby, os clubes masculinos e os bastidores do poder em Westminster. É muito, há que ser de ferreamente inteligente. Pois.

Esta manhã dei-me ao luxo de ligar a BBC e de ouvir um cadexinho do debate nos Comuns, tem sempre momentos dignos de admiração, pela urbanidade no honorable insulto, pelo humor e pela pontaria certeira. A dada altura parlamentou o Senhor Corbyn;  eu não gramo o Senhor Corbyn, o que para o caso é totalmente irrelevante, mas, como dizia no início, há coisas que se metem pelos olhos dentro. O Senhor Corbyn desfez os novos e cansativos argumentos da Senhora May em duas penadas antes mesmo de ela chegar ao parlamento. É que o Senhor Corbyn será um filho de sua mãe mas não é estúpido. Nada estúpido.

Esta coisa do Brexit é uma teia de problemas, de coisas pequenas e grandes que não foram atempadamente pensadas e menos ainda acauteladas. Quando surgiu o referendo ninguém acreditou que a saída da UE fosse plausível. Falando bem e depressa, está tudo à rasca. Tudo e todos. No meio deste emaranhado há a questão política e aí não há qualquer hipótese de acordo. É que a questão política desta vez não é partidária, é muito mais profunda e transversal a ambos os partidos, para já não falar da Irlanda e da Escócia, temas que não são omissíveis, são um enorme sarilho adiado.

Há "brexetiers" de linha dura em ambos os partidos, opõem-se não só à permanência mas à mera ligação à Europa por razões diferentes mas politicamente manifestas na mesma oposição. São os defensores de uma saída mesmo sem qualquer acordo, o que seria uma tragédia não só económica (indústria, banca, comércio, etc.) mas manifesta em múltiplos e variados campos como a segurança, a saúde e outras colaborações científicas, a educação, you name it...
Há "remainers" em ambos os partidos que não vão aceitar qualquer acordo de saída enquanto houver um vislumbre de reversão.
E há uns maduros no meio que tentam defender um acordo dificilmente defensável porque não é sim nem não, não traduz a verdadeira vontade dos inconfessos de ambos os lados numa pretensa defesa da "vontade popular manifestada", o que é o mesmo que coisa alguma porque de Junho de 2016 para cá muitas opiniões mudaram, muitos problemas imprevistos se manifestaram na vida do cidadão comum e na vida das empresas, muitas posições se radicalizaram devido a factores político-sociais alheios à permanência ou saída da União Europeia.

O Reino Unido de unido tem o nome. É curto e preocupante. A Europa, e não só, habituou-se a ver a grande ilha como um símbolo de fleuma, racionalidade, filosofia moderna, tolerância. O país da Magna Carta  for heaven's sake! Tudo isto está há quase três anos de pernas para o ar, sem rumo definido, sem sensatez. É grave.


Por mim  deixo-lhes um conselho: não tirem tão depressa os andaimes ao Big Ben, quando "The Houses" descambarem pode ser que a velha torre bata horas certas, por agora ninguém sabe às quantas anda.

Amanhã o "No Deal" será votado e, muito provavelmente, afastado. Depois será votado o pedido de extensão do prazo de saída, se sim ou não, se longo ou curto.
E depois? Depois só há uma alternativa viável: que o povo se  pronuncie.
Se assim não for "Goodbye Piccadilly, Farewell Leicester Square, It's a Long Way To Tipperary"
Goodbye Theresa May, anyway.

.