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QUANDO SE FECHA UMA PORTA...

CONVÉM VER SE NÃO SE ENTAIPOU A JANELA...


Segundo o Jornal de Notícias, estarão para ser nomeados os próximos detentores dos cargos de Provedor de Justiça, de presidente do Conselho Económico e Social, os membros da Entidade Reguladora da Comunicação Social, dez dos treze juízes do Tribunal Constitucional e sete vogais do Conselho Superior de Magistratura.

Estas nomeações terão de ser aprovadas por uma maioria de dois terços dos 230 deputados eleitos
Dois terços dos 230 deputados são 153 deputados
A tal maioria que detém o parlamento compõe-se de 122 deputados

Ou é da minha lamentável aritmética ou creio que estarão 31 deputados em falta...


Acho que começo a entender aquela expressão idiomática tão portuguesa:
"Estás metido num grande 31".

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MAIS ATENTADOS DE MORTE DO QUE DIAS PARA MATAR

Quando, a 7 de Janeiro deste alucinado 2015,  o ataque terrorista à "Charlie Hebdo" fez 12 mortos, incluindo os dois assassinos, e cinco feridos graves, o mundo susteve a respiração. Chefes de Estado desfilaram sob o peso de uma consciência acrescida de que a violência letal no mundo tinha subido mais um patamar, um novo paradigma de terrorismo tinha despertado.

Creio que quase todos perdemos a conta aos atentados suicidas, muitos dos quais levados a cabo por meninas-bomba, e às incursões selvagens do Boko Haram em numerosos territórios africanos; perdemos a conta aos atentados e ao insano número de vítimas.

Thousands died in Baga Town after recent Boko Haram attack.
São incontáveis os "ataques aterrorizadores de rua" que ocorrem diariamente em Israel, dos atropelamentos em massa às facadas aleatórias, a "roleta russa" instalou-se





Os atentados de Paris do passado dia 13 de Novembro fizeram-nos entender à saciedade que estamos perante um fenómeno de horror que não é ocasional, que não é esporádico, que não é algo com que possamos viver e ir torneando.

Fecharam-se fronteiras, declaram-se estados de emergência, levantaram caças-bombardeiro, reuniram-se consensos, articularam-se respostas operativas. Compreendeu-se que os sonhos idealistas do Espaço Schengen foram sonhados numa época que já não é, de forma alguma, aquela que estamos vivendo. Fomos brutalmente confrontados com uma realidade que ultrapassou há muito o nível do "incómodo".

Mas na quarta-feira, durante a noite de quarta para quinta-feira, quando presenciava o desenrolar de cenas de guerrilha urbana após mais um massacre colectivo, desta vez em San Bernardino, nos arredores de Los Angeles, vi-me face a um gráfico que nem nas minhas congeminações mais negras - mais assimiláveis por uma ficção cientifica de serie B do que por qualquer análise quantitativa factual - poria a hipótese de a verdade ser tão negra, de se traduzir em números tão absurdos.


 
Este calendário, referente apenas aos E.U.A. , não apresenta o número de vítimas em tiroteios colectivos mas sim o número de ocorrências de tiroteios colectivos por dia que vitimaram mais de 4 pessoas; ou seja, se o número de vítimas for "apenas" de 3 ou menos, essa ocorrência nem se encontra aqui registada.

Em 336 dias ocorreram 355 tiroteios colectivos que originaram mais de 4 vítimas. 
Há mais tiroteios colectivos do que dias no ano.

Dia 2 de Dezembro ocorreram dois: um em Savannah, que fez 4 vítimas, outro em San Bernardino que resultou em 14 mortos e 17 feridos graves.
Quando a realidade é assim tão negra, quotidianamente, já não se vivem dias negros, vive-se nas trevas.
Vive-se nas trevas quando a ocorrência de atentados, tiroteios e mortes violentas se tornam uma rotina, quando começamos a ouvir e ver esses horrores e reagimos como se fizessem já parte da normalidade.

... Não me venham falar de extremismos religiosos: o mundo está cheio de psicopatas assassinos, raivosos, frustrados, que usam as suas pseudo-convicções religiosas como justificação para soltarem todo o ódio que abrigam, toda a incapacidade de lidarem com o mundo, com as suas pequeninas vidinhas, toda a incapacidade de se adaptarem às lutas reais e difíceis a que a vida nos obriga.
Não é uma questão de religião, é uma questão de fraqueza e ódio com a religião por álibi. A loucura e o Mal agem justificando-se em nome de Deus.

NÃO VOU LEVAR ISTO A SÉRIO - 4

Querida Catarina, estás parva de todo

(Para os mais distraídos, o texto do "Tweet" abaixo não é brincadeira, é mesmo da querida Catarina)


Pela parte que me toca não me escandaliza que acabem os exames do 4º ano,
embora me pareça que serão mais benéficos do que malignos exactamente pela razão contrária à evocada pela querida Catarina: parece-me uma boa ideia que as que crianças de 9/10 anos sejam submetidas a exames
  • que não são no final do ano lectivo, 
  • que representam uma baixa percentagem na avaliação global,
  • que as preparam para os exames que enfrentarão dois anos lectivos mais tarde.
Já os exames de 6º, 9º e 12º me parecem imprescindíveis por várias razões, a primeira das quais porque são a única forma de garantir que os alunos de Braga têm os mesmos critérios de avaliação que os de Faro, que os alunos do ensino público são submetidos à mesma avaliação de os do ensino privado.

Para primeiro parto legislativo da nova maioria é notável, há que dar prioridade ao que é prioritário...

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NÃO VOU LEVAR ISTO A SÉRIO - 3

A 1ª sessão do Parlamento com o novo Governo:
a remissão do alívio...

- NÃO houve acordo entre a esquerda sobre a reversão dos processos de sub-concessão dos transportes públicos; não foi votado;
- NÃO houve acordo entre a esquerda sobre a extinção da sobretaxa do IRS; não foi votado;
- NÃO houve acordo entre a esquerda sobre a extinção da contribuição extraordinária de solidariedade (CES); não foi votado;
- NÃO houve acordo entre a esquerda sobre o fim dos cortes nos salários da função pública; não foi votado;

AAAAHHH, MAS

- SIM, houve acordo entre a esquerda para acabar com o exame do 4ºAno do ensino primário
e foi votado; 

Indubitavelmente uma grande vitória de esquerda


Devido à falta de acordo entre o PS e os restantes partidos da esquerda, todas as propostas de alívio da austeridade acabaram por não ser votadas nesta sexta-feira.


Das propostas sonantes que a esquerda levou ao Parlamento para serem votadas esta sexta-feira de manhã, nomeadamente sobre as primeiras medidas…
PUBLICO.PT

NÃO VOU LEVAR ISTO A SÉRIO - 2


Isto é que é ser educado: deixar uma residência nas melhores condições para que o novo ocupante se sinta confortável, verdadeiramente "chez soi".


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NÃO VOU LEVAR ISTO A SÉRIO


PALAVRAS PARA QUÊ?

Vês Mãezinha, eu não te disse que com mais votos ou com menos votos ia ser primeiro-ministro?




E já agora...
O mais sorridente dos futuros ministros, o simpatiquíssimo Mário Sen-tino,, em plena Declaração de Intenções na A.R. relativas ao programa financeiro com que obsequiará o país
(Convém ir conhecendo a linguagem política desta rapaziada para que não ocorram interpretações erróneas)


AUX ARMES CITOYENS

Já vencemos exércitos maiores, mais poderosos e organizados

 

«O Governo francês confirmou que foi dado início a um bombardeamento a uma das cidades mais importantes do Estado Islâmico.»

«Aviões franceses largaram hoje 20 bombas no reduto do auto-proclamado Estado Islâmico em Raqqa, no leste da Síria. Na mesma nota, citada pela France-Presse, o ministro da Defesa afirma que foram destruídos um centro de controlo e de comando, um centro de recrutamento jihadista, um campo de treino e um depósito de munições do Estado Islâmico. » 15Nov..2015

Não é Allepo nem Beirute


Fuga pelas trazeiras do teatro Bataclan - Paris, 13 Nov. 2014


Posted by Mediatakeout on Saturday, 14 November 2015
https://www.facebook.com/mediatakeout/videos/1147089655322980/

Fuga pelas trazeiras do teatro Bataclan - Paris, 13 Nov. 2014

A HUMANIDADE ESTÁ EM GUERRA





SINTRA - CASTELO DOS MOUROS

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YOU CAN RUN BUT YOU CAN'T HIDE

Eram três horas da manhã em Lisboa quando subitamente a emissão da CNN "saltou" para a repórter residente no Pentágono anunciada pela conhecida parangona "Breaking News"


Um drone norte-americano havia bombardeado um veículo pertencente ao ISIS no qual, entre outros, seguiria Mohammed Emwazi , cidadão britânico conhecido por "Jihadi John", o selvagem assassino que procedeu a numerosas decapitações filmadas e difundidas em vídeos do ISIS. Todos os ocupantes do veículo foram mortos.

Embora a sua identidade não pudesse, ainda, ser 100% confirmada, por não se encontrarem forças militares no terreno, os serviços secretos especializados norte-americanos vinham seguindo e localizando "Jihadi John" há meses e, mais especificamente, nas últimas 48 horas em Raqqa, na Syria, aguardando a oportunidade de colocar o alvo sobre ele sem a presença de indivíduos civis que pudessem ser atingidos colateralmente. Assim a probabilidade de ter sido de facto morta esta aberração humana situa-se na ordem de 99% de certeza.

«The Pentagon press secretary, Peter Cook, said: “US forces conducted an airstrike in Raqqa, Syria, on 12 November 2015 targeting Mohamed Emwazi, also known as Jihadi John. 
“Emwazi, a British citizen, participated in the videos showing the murders of US journalists Steven Sotloff and James Foley, American aid worker Abdul-Rahman [Peter] Kassig, British aid workers David Haines and Alan Henning, Japanese journalist Kenji Goto, and a number of other hostages. 
“We are assessing the results of tonight’s operation and will provide additional information as and where appropriate.”»
«David Cameron made a statement from Downing Street on Friday morning confirming the attack amid reports that US officials were “99% certain” that Emwazi had been killed in a drone strike.»   In The Guardian - 13 Nov. 2015

Paz à sua alma, costuma-se dizer... Pois, mas desta vez não.
Que a maldade lhe pese na alma se é que a tem: esta madrugada enquanto ouvia a notícia, fixei os meus olhos nos olhos dele, ali, no écran à minha frente, tentando entender, tentando espreitar por aquelas "janelas para a alma"; Nada, vazio, imperscrutável, desalmado.
Pois que se sinta morrer tantas vezes quantos os homens que matou e se multiplique por mil todo o terror que inspirou, às suas vítimas, às suas famílias, aos seus amigos.

Não se ficou mais perto de vencer esta guerra humana mas fez-se uma luz de Justiça.

Link: http://edition.cnn.com/2015/11/13/middleeast/jihadi-john-airstrike-target/index.html


ACTUALIZAÇÃO:

A retaliação não se fez esperar: 
Paris já está a arder
13Nov, 22h00

At least 18 killed in multiple shootings in ParisSeveral explosions outside football stadiumAttack at Germany-France soccer game, siege at theater, many killed

hostage situation ongoing



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OS VANGUARDISTAS CADUCOS

Não digo nada, sobre o dia de hoje nada há a dizer. Do Costa não falo, dá-me nauseas.
Mas vale a pena ouvir a intervenção do deputado  Carlos Abreu Amorim
na apresentação do programa do XX Governo constitucional
Verdades como punhos, até doi. E vai doer mais, a todos os portugueses, aos que sabem que vai doer e aos outros, os que aguardam o momento da montada da pileca do poder.





Como referiu Carlos Amorim, hoje, 9 de Novembro, completam-se 26 anos sobre a queda do muro de Berlim. Torna-se obvio que muita gente ainda não entendeu, nem vai entender, o que motivou a queda desse Muro da Vergonha, não tem a menor noção do que foi festejado, do riso às lágrimas, por aqueles que se viram "desemparedados".

Os marxistas, leninistas ou não, os socia/listas, europeístas ou não, cristalizararam num "Estado-social" que não resulta, não evolui, desvirtuado de valores humanos individuais que não progride nem deixa progredir, economicamente caduco e embutido de descrédito pessoal. Só conta o que o Estado decide, que decide por todos, porque "é assim que deve ser pela salvaguarda do bem comum". O adjectivo mais meigo que tenho para os descrever é Retrógrados; ilusionistas da vanguarda sócio-política.

Não me venham falar de Liberdade, só conhecem uma: a sua liberdade de Poder, tudo o resto, todos os outros, que se lixem.


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PEQUENOS DETALHES

Como saberão os mais assíduos, ou os mais atentos, não sou grande fan de Paulo Portas, já por aqui escrevi coisinhas pouco amáveis acerca das suas birras e motivações. Pouco amáveis, não propriamente insultuosas.

Creio que Paulo Portas reconheceu que não precisa ser irrevogavelmente superior a Pedro Passos Coelho; terá reconhecido no Primeiro-Ministro o Homem-de-Estado com uma calma e perseverança que ele, Paulo, emotivo e reactivo,  não teria (não teve).

Mas P.P. tem algumas qualidades, ou características, que não posso deixar de apreciar, algumas pessoais, outras políticas (se é que é possível separar assim tão singelamente umas de outras)

Ontem, dia 20/10, à saída de Belém a jornalista da RTP1 perguntou-lhe:

«... atendendo ao que disse António Costa aqui esta tarde que esse governo pode cair no momento em que apresentar o programa de governo... dizendo que o país não devia perder tempo porque há um acordo para um governo com apoio maioritário no parlamento, que foi o pedido que Cavaco Silva fez»
E P.P. respondeu em pouco mais de uma dúzia de palavras:
«É absolutamente extraordinário ver um líder político, à procura da sua sobrevivência, considerar o voto do povo um detalhe e considerar o parlamento de Portugal uma formalidade.
Boa tarde.»



Pela minha parte nada tenho a acrescentar.

 


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SE EU FOSSE PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Antes que o Cavaco fale venho para aqui desabafar; assim posso dizer tudo o que me passe pela cabeça sem estar condicionada por o que quer que seja Cavaco decida.

O que quer que seja Cavaco decida já vem tarde.

Cavaco sempre teve esta tendência irritante, pelo menos para mim, que gosto de gente que é clara nas suas atitudes e capaz de dar um bom murro na mesa, de esperar pelo fim do jogo para fazer os seus prognósticos... Cavaco aposta numa "salvaguarda da dignidade" do presidente da república que tem prolongado desnecessaria e repetidamente situações dúbias, insustentáveis e prejudiciais para o país. Foi assim no tempo do Zé Sócrates, foi assim com a primeira fase do  governo de coligação  - e Passos Coelho teve a calma e a presença de espírito suficientes para não atirar a toalha ao chão - e, uma vez mais, recolhe-se à contemplação do "processo democrático" num deixa andar asténico e calculista.
(Não sei se é a Maria-presidenta que lhe diz: "Filho, deixa-os andar, não te metas, salvaguarda a tua dignidadezinha". Pois, não sei, mas não me custaria acreditar)

Ainda sem o apuramento dos quatro deputados eleitos pelos emigrantes há duas formações partidárias com força representativa: a coligação PSD/CDS, com 36,84% - que provavelemente chegará aos 37% mesmo sem irmos à "picuinhice" de fazermos as contas aos 5 deputados do PSD eleitos pelos Açores e Madeira equivalentes a 1,50% - e o PS, de momento com 32,36%.

E falemos claro, o resto é conversa; O Bloco com 10% e o PC com 8%. Não foi na esquerda que os portugueses votaram.

Como disse acima, o que quer que seja Cavaco decida já vem tarde.

Cavaco tinha a obrigação de pôr os pontos nos ii's, de ser claro, de colocar a votação apurada em cima da mesa.

Se eu fosse presidente da república...

Que perca as peneiras quem quiser ser primeiro-ministro à conta de aritmética de circo; Não havendo uma maioria absoluta os partidos mais votados que se entendam e viabilizem um governo de acordo com a vontade expressa pelos portugueses, é isso que lhes devem, é isso que têm a absoluta obrigação de fazer. Não é com 10% de um lado e 8% do outro que essa vontade é respeitada, doa a quem doer.
Os portugueses não votaram contra a U.E,, não votaram contra a presença na NATO, não votaram contra o Euro, não votaram pela tomada do país pelo "poder popular" marxista-leninista. Aliás nunca o fizeram.

Mas Cavaco, egocentrico como sempre, permitiu que a equação fosse feita à margem da sua não assumida responsabilidade.

Venha o que vier, um governo de gestão ou um governo à esquerda, querido Aníbal, quando fores já vais tarde.

O Costa tem sido bem claro e contornante: por um lado quer sossegar a populaça e vai afirmando:
«estar preparado para formar um governo anti-austeridade, suportado por uma coligação alargada de esquerda. Esse governo compromete-se a manter Portugal no euro e a respeitar os compromissos internacionais do país.»
Ou seja, um governo totalmente fora das linhas programáticas dos 18% que não se importa de levar a reboque DESDE QUE seja ele o primeiro-ministro, ambição que aliás nem tem a pretenção de disfarçar:
«António Costa assume ao Financial Times que as negociações com o Partido Comunista e com o Bloco de Esquerda "estão mais avançadas" do que com a coligação PSD / CDS. "Não estamos a fazer bluff, estamos a agir de boa fé", sublinha. Por isso, "seria melhor ter um governo liderado pelo PS"
Então e a malta que  quer "manter Portugal no euro e  respeitar os compromissos internacionais do país", e que até votou na coligação vencedora?
Esses que se lixem, são coisas da "democracia", é a vida, o mundo é dos espertos.

Parabéns Costa, valeu a pena tanto dito por não dito, borrifares-te para quem te quis na CML e a traição aos teus companheiros. Não foste eleito mas tens lutado que nem um lobo para poderes ligar à tua mãe: "Mãezinha, estou a ligar-te do meu gabinete, o gabinete do primeiro-ministro. Vês mãezinha,  vinguei-me dos miúdos que me chamavam badocha na escola."

Estiveste bem Aníbal, mais uma vez estiveste bem. Vê lá não tropeces em algum degrau à saída.
Aqui para nós que ninguém nos ouve, olha que nunca me enganaste.

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MATEMÁTICA ELEITORAL

Obviamente não me passa pela cabeça perder nem dois minutos debruçando-me sobre os ajustes de percentagens de votos que desde há mais de uma semana se tornaram no sudoku político da  nossa criativa esquerda, antes aprender a fazer crochet.

Acho imensa graça à forma descontraída como os arreigados e honestérrimos esquerdófilos estão prontos a trair os seus programas eleitorais - os tais em que o povo votou e quererá ver implementados. Que se lixe a NATO, que se lixe a renegociação da dívida, que se lixe a UE. Viva o pacto de Varsóvia lusitano!

Também acho graça àquela parte do: "Ok, vocês ganharam as eleições mas foi uma retumbante derrota porque falharam a maioria absoluta - Malta, sem maioria, não valeu"


Talvez valha a pena analisar em quem é que o eleitorado NÃO VOTOU , o que é que os portugueses NÃO QUEREM, porque O QUE QUEREM está difícil de servir interesses político-pessoais;
vejamos então:

Resultados eleitorais legislativas 2015
  • 62% rejeitaram a coligação
  • 68% rejeitaram o PS
  • 90% rejeitaram o BE
  • 92% rejeitaram o PCP
Ora bem, em que ficamos?
'Bora fazer uma República Democrática Popular do
"Podem Votar à Vontade que depois os Líders Populares resolvem"?


Sondagem Aximage - 13 Outubro

UM "ATÉ LOGO" SEM PRAZO


O meu amigo partiu ontem
Sem despedidas, sem indícios
Apenas aquela atitude vaga de um "até logo" sem prazo,
descomprometido e presente, com que nos habituou a viver.

Partiu o meu braço direito de muitas curvas da vida, insignificantes ou marcantes, o meu companheiro de uma estrada longa, em bons e maus momentos. Foram mais de quarenta anos de viagem com uns irrelevantes interregnos que mal consigo lembrar.

Não dou comigo sentindo que perdi um amigo, parece-me que o sentimento é inaplicável
Sei que dias virão de pesadíssima ausência...


< 0 >

Perdoo-te a falta pela forma como soubeste virar a página, com dignidade e sem a dor corrosiva da luta inglória contra a única que não podemos vencer.

Chegou, assim repentino, o teu dia de partida, o teu bilhete de ida
Que a viagem seja tão amena e luminosa quanto soubeste merecer

Sei que ficarás bem

A última foto: Constância, Set. 2015

24 Abril 1960 - 6 Outubro 2015

DIZ-ME COMO PERDES DIR-TE-EI QUEM ÉS














Há coisas espantosas, não há?

O que ouvi até agora ( +  22h) sobre resultados eleitorais deixa-me feliz: todas as formações partidárias tiveram grandes vitórias. Isto sim, é uma noite feliz, quase um natal tropical.

Ainda  não ouvi o Tó-Costa, parece que estão a tentar estraír-lhe o sapo que se lhe instalou no gasganete no último dia de campanha e  que hoje se reproduziu inexplicavelmente

A grande derrota parece que foi mesmo a da coligação Portugal à Frente, nisso parecem estar de acordo os vencedores da noite.

Ó meus amigos... C'um caraças!

Espantoso é que uma coligação tenha governado durante quatro anos dobrando o cabo da tormentas, tomando as inevitáveis medidas mais difíceis que se impuseram desde o 25 de 1974 e, mesmo assim, consiga vencer as eleições.

Dêem-lhe as voltas que quiserem, que inventarem, que consigam encontrar entre as virgulas da democracia
Em caso de dúvida queiram consultar os mapas de resultados eleitorais desde 1975, são bastante esclarecedores sobre o que é uma vitória eleitoral.

O que faz perigar a liberdade e a democracia não é tanto quem tem vitórias mas antes a aceitação de quem se vê derrotado
E sei bem do que falo, levei com dois mandatos socráticos e não tive outro remédio senão aceitar a vontade expressa.

Boa noite e
bons sonhos




UMA EVIDÊNCIA DIFÍCIL PARA DEMASIADOS

«Muitos povos do mundo gostariam de escolher o seu destino através do direito de voto. Os Portugueses têm esse direito, vivem numa democracia estável e consolidada, semelhante às dos nossos parceiros da União Europeia.
Até por isso, todos devem estar conscientes de que o seu voto é uma afirmação de liberdade, um instrumento a que não devem renunciar.»
O Presidente da República,
3 Setembro, 2015


PAUSA NO SILÊNCIO, DECLARAÇÃO DE VOTO

Muitos amigos, ou meros frequentadores do RealGana, têm estranhado o meu silêncio durante a época de campanha eleitoral que estamos vivendo.
Compreendo...

Abri o RealGana em Julho de 2007 e, desde então, de forma mais activa ou mais discreta, não houve período eleitoral que passasse ao lado, tive sempre uma "farpa", um comentário, um elogio, resumindo, uma opinião ou constatação de facto a acompanhar as campanhas, as declarações públicas, os momentos que o nosso país atravessava.

Então o que é que me deu?
Ou como me escreveu ontem um antigo colega de liceu, "T'as donné la langue au chat?"

Bem... Tenho uma seria rejeição pela conversa mole, pela dissecação do óbvio, pelas tiradas geniais de Monsieur de La Palice.
Gastar palavras sobre a actual situação pré-eleitoral de Portugal só se me apresenta de três formas:

  • Ou se está a falar de uma situação decorrente do que toda a gente sabe, viveu, observou e é mais ou menos como dizer a alguém que acaba de chegar encharcado que lá fora está a chover
  • Ou se é um chamado "líder de opinião", uma figura de projecção nacional, e que não se aplica por aqui 
  • Ou se está a fazer campanha eleitoral. E eu não estou.
Mas calma...
Não estou porque há quem esteja, e ainda bem.
Já estive, há muitos anos e durante muitos anos; colei cartazes, fui a comícios e manifestações, trabalhei com enorme gosto e dedicação na rua e em sedes de campanha, gastei (o que é diferente de "perdi") inúmeras horas de sono, de lazer, de estudo e de trabalho, nunca ganhei - ou quis ganhar - um tostão com isso; chorei e ri, festejei e aceitei, senti-me parte de um todo que me era querido e também me senti, por duas vezes, "do outro lado", concordei e discordei. Vivi empenhada e alegremente as campanhas como a maioria dos eleitores não terão vivido e com genuína paixão pelo meu país.

Então e agora, passou-me a paixão?
Não vale a pena?
Não apoio ninguém?

Não é por aí. Apoio sim, como há muito tempo não apoiava.
Por vezes a minha opção de voto foi por um mal menor, por vezes foi porque "do mal o menos", por vezes foi em plena entrega, por vezes mudou.

Há quatro anos dei o meu voto a Passos Coelho, nunca o daria a Sócrates, nunca, nunca, nunca, e, na conjuntura, também não o daria a mais nenhum dos partidos concorrentes, nem à direita nem à esquerda. Não o dei contrariada mas também não o fiz com grande convicção.
Não é o caso presentemente.
Após quatro anos de governo do Pedro Passos Coelho, e não digo do PSD nem da coligação, digo Pedro Passos Coelho, apoio este primeiro-ministro como como há muito tempo não apoiava qualquer indivíduo ou partido.

Pedro Passos Coelho teve, desde o início e ao longo do seu mandato, uma enorme coragem, determinação, perseverança, cabeça-fria e seriedade como poucas vezes, muito poucas vezes, vi em governantes e opositores  da nossa supostamente madura democracia. Surpeendeu-me, enormemente.
Foi criticado, abalroado e traído dentro das suas muralhas; nunca vacilou, nunca desistiu, nunca se vitimizou. Seguiu em frente, cometeu erros, esteve perante adversidades evitáveis e inevitáveis verdadeiramente hercúleas, pegou num país considerado "lixo" pelas agências de rating, prestou contas a autoridades externas, pagou a tempo e horas quando os arautos da desgraça clamavam por um segundo resgate, torneou os maquiavélicos malabarismos políticos do Tribunal Constitucional que se comportou como o mais activo "partido da oposição".
Suportou as birras irrevogáveis e financeiramente onerosas do seu vice, aturou os remoques invejosos de um presidente da república ex-primeiro-ministro e ex-ministro das finanças que se sentiu ultrapassado pelo "puto Pedro", não obedeceu aos projectos pessoais daqueles que o quiseram no governo para o manobrar a bel-prazer;  pelo contrário, muitos foram indiciados e processados na justiça.

Foi duro? Foi, é, ainda está a ser.
E tinha de ser, estávamos "de tanga", a rasgar-se e literalmente sem tanga lavada para o dia seguinte. Nunca o omitiu nem disfarçou, nunca "dourou a pílula", anunciou-a amarga e difícil de engolir sem qualquer tentação eleitoralista. Não tenho memória de alguma vez ter ouvido numa apresentação de programa de governo uma expressão parecida com: «Teremos um brutal aumento de impostos».

Há cerca de dois anos achei que a próxima legislatura iria ser do PS, o umbiguismo nacional é imediatista, o dia de amanhã logo se vê, Deus dará.

Há cerca de um ano comecei a pôr a hipótese de as pessoas repararem que as perspectivas tinham mudado, que já não habitávamos um país de "lixo financeiro", que conquistamos a confiança dos mercados e do investimento, que o empreendedorismo português está de boa saúde e recomenda-se. Ouvi muitos "Nem penses nisso".

Hoje acredito, contra todas as probabilidades iniciais, que é possível continuar a sarar as feridas do nosso país e a reconquistar um lugar ao Sol após este longo Inverno do nosso descontentamento.

Eu voto no Pedro Passos Coelho, sem partidarismos nem enfeudamento;  com esperança, com convicção, com a aposta nas provas dadas.

Não vou fazer campanha por aqui, as provas estão lá fora, para quem as quer ver e para quem, doa a quem doer, não as vê porque não quer.

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QUEM VAI PARA O MAR AVIA-SE EM TERRA

https://www.recenseamento.mai.gov.pt/index.html
Clique acima e consulte

A IGNORÂNCIA É MÃE DO MEDO

Conheço bem, muito bem, os argumentos de quem se opõem ao fluxo de refugiados que entra diariamente na Europa
Compreendo bem, muito bem, o quanto a situação pode ser assustadora

Por muito assustadora que esta situação seja não se aproxíma, nem por um momento, das situações assustadoras e trágicas que estas pessoas viveram e estão vivendo

É preciso compreender, profundamente, esta situação no seu todo, não apenas o lado em que se forjam os nossos medos, o nosso bem-estar, as nossas necessidades.
Uns melhor, outros pior, todos nós europeus nascemos no lado "certo" do Mediterâneo e isto deveria tornar-nos mais humanos, mais generosos, mais capazes e prontos a estender a mão àqueles menos afortunados do que nós por nascimento.
A Europa, no seu todo, não apenas a União Europeia, tem cerca de 743 milhões de habitantes dos quais se estima que 564 milhões sejam cristãos... São 564 milhões de razões para não "se poder" fechar a porta a quem estende a mão. E além destes, a todos os outros que não são cristãos, deveria bastar o facto de sermos humanos,  não bichos alienados da própria espécie

Não se trata de omitir os riscos, trata-se de, tendo consciência destes, não sucombir ao medo e fazer o que está certo.
Quem seremos nós se nos vergarmos ao medo e optarmos por ignorar ?

Um video bem construído, com muita informação em poucos minutos, que merece atenção e reflexão



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NATIVIA? REALLY?

Tenho vindo a evitar o tema "Donald Trump", pacientemente, esperançadamente,  à espera de que daqui por uns meses ele desapareça do contexto.
Faz-me muita confusão a elevada percentagem de fans que o artista tem reunido; mesmo tendo a noção de que existem muitos "Archie Bunker" nos States não
deixa de me espantar que tantos americanos não se importem de vir a ter como seu representante no mundo aquele ordinarão loiro e desbocado, que não temam entregar àquele irado o botão vermelho da destruição maciça.
Não há dúvida de que o povão é doido por telenovelas, soaps e afins...

Mas enquando aguardo, pacientemente, que o pesadelo loiro desapareça, de quando em vez caiem-me aos pés uns episódios aos quais tenho resistido com sérias dificuldades, confesso.

Hoje fui apanhada por um que finalmente me venceu, não resisti em traze-lo até aqui, desculpada pelo facto de não envolver directamente o Donald mas uma figura também espantosa - e igualmente "cadidatada" pelo Partido Republicano como Vice de John McCain -  que, como não poderia deixar de ser,  dedica ao loiro o seu apoio, a sua voz e a sua sobejamente conhecida sabedoria: Ms Sarah Palin!

Esta inigualável criatura deu uma entrevista à FoxNews no dia 7 de Setembro corrente onde opinou da forma que abaixo transcrevo e não comento para não estragar - depois de tal concerto nenhuma nota soará melodiosa. Por aqui me fico.

«The former Alaskan governor was asked about her support of Donald Trump and his controversial views on immigration. 
"I love immigrants," she told Fox and Friends host Steve Doocey, "But like Donald Trump, I just think we have too darn many in this country.
"Mexican-Americans, Asian-Americans, Native-Americans - they're changing up the cultural mix in the United States away from what it used to be in the days of our Founding Fathers. 
"I think we should go to some of these groups and just ask politely - would you mind going home? Would you mind giving us our country back?" 
"Sarah you know I love you," Doocey interjected, "And I think that's a great idea with regards to Mexicans. But where are the Native Americans supposed to go? They don't really have a place to go back to do they?" 
"Well I think they should go back to Nativia or wherever they came from," Palin replied -- as the show's co-hosts sat in stunned silence. 
"The liberal media treats Native Americans like they're gods. As if they just have some sort of automatic right to be in this country. But I say if they can't learn to get off those horses and start speaking American - then they should be sent home too."»

A MORTE ANDA CEGA

Sem comentários desnecessários, 
só me ocorrem insultos

Putin demonstrou à saciedade o grau de envolvimento de Moscovo na guerra civil síria declarando que treino intensivo de tropas avultados equipamentos estão sendo fornecidos ao exército sírio pela Rússia, segundo as suas declarações à  a agência estatal de notícias RIA Novosti  durante o fórum económico em Vladivostok.

Também não afasta a possibilidade de envolvimento militar directo na região, em vez de insistir em que os rumores de tropas russas no terreno são "prematuros".
Estes rumores foram atiçados por vídeos divulgados pela televisão estatal síria nos quais se viam tropas gritando em russo e  veículos blindados russos.

Apoio de Putin para o presidente sírio, Bashar al-Assad também é bem conhecido. O primeiro-ministro da Rússia usou seu veto das Nações Unidas para bloquear a acção contra o regime, mesmo após as acusações de uso de usar armas químicas contra civis pelos médicos sírios e investigado por organizações internacionais.

Como para explicar a suas acções afirmou:

"Nós realmente queremos criar algum tipo de uma coligação internacional para lutar contra o terrorismo e o extremismo.
Para este fim, realizámos consultas com nossos parceiros americanos - Eu, pessoalmente, tenho falado sobre o assunto com o presidente Obama"

Ainda recentemente, em Maio deste ano, o presidente Obama disse na cimeira de Camp David que se evidência de usar armas químicas como o cloro for confirmada por os EUA, a Rússia ficará sob pressão.

RETIRADO DO ARTIGO PUBLICADO NO "INDEPENDENT.UK" - 5 Set2015

A GOTINHA DE ÁGUA


Por vezes a razão prende-se em análises conjecturais, demora-se na avaliação de diversos pontos de vista, rebusca-se na apreciação de soluções alternativas.
Por vezes não há tempo para a razão.
Por vezes é necessário um choque emocional que nos arranque das divagações racionais e nos leve a agir.
Por vezes é necessário um grito que ecoe no centro da nossa consciência e acorde em nós o que existe para além do cinismo, da política, da conveniência, do status quo; Um grito que resgate a nossa humanidade.

Aylan Kurdi, nascido há apenas 3 anos, é um desses gritos. Terrivelmente silencioso, terrivelmente profundo, encerrando a dor de muitos milhares de seres humanos.


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A Europa debate-se com um problema de dimensões astronómicas com consequências incalculáveis. A Europa, directamente, o mundo, moralmente. 
Não se trata "apenas" de problemas económicos, logisticos, laborais; São autenticas "provas de fogo" com vertentes de segurança gravíssimas mas, sobretudo, são verdadeiras avaliações da nossa capacidade de solidariedade humana, da nossa qualificação moral e ética.
É tempo de tomarmos consciência de quem somos e de assurmirmos a responsabilidade de o sermos
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"Germany and Austria threaten Cameron over refugee crisis"

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3219177/Germany-turns-Britain-migrant-crisis-aide-Angela-Merkel-says-no-sympathy-one-country-viewpoints.html

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«Falei esta manhã com o Presidente francês e a posição franco-alemã, que transmitirei às instituições europeias, é que estamos de acordo com a necessidade de quotas obrigatórias dentro da União Europeia para partilharmos a responsabilidade. É esse o princípio da solidariedade.»

«Para os refugiados que tentam chegar à Europa (…) as tragédias sucedem-se aos dramas. Milhares de vítimas morreram desde o início do ano. A União Europeia tem de agir de maneira decisiva e em conformidade com os seus valores. [...] Estes homens e estas mulheres, com as suas famílias, fogem da guerra e de perseguições. Precisam de protecção internacional. Ela é-lhes devida. As Convenções de Genebra, feitas após a guerra, vinculam todos os países. A Europa deve proteger aqueles para quem ela é a última esperança»
Angela Merkel, 3 Set. 2015

  • "O Presidente da Comissão Europeia apresenta plano na próxima semana. Paris e Berlim querem mecanismo "permanente e obrigatório" para acolher refugiados.
  • Governo húngaro mantém oposição."
  • "Cameron, que se tem mostrado em clara oposição ao acolhimento de migrantes no Reino Unido, afirmou ontem estar "profundamente emocionado como pai" e disposto a cumprir as suas "responsabilidades morais". David Cameron deu assim a entender que Londres poderia rever a posição, que ele próprio expressara na véspera, dizendo que "acolher mais pessoas não é a solução" para o problema."
  • "O chefe do governo húngaro, Viktor Orban, mantém que a crise dos migrantes é um "problema da Alemanha" e que não é dever do seu país acolher refugiados."
"Gostava que a minha fotografia ajudasse a mudar o curso das coisas."
Nilufer Demir, fotógrafa que captou a imagem da criança síria 


Assim seja.

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O NUCLEO E O IRÃO

Não que seja possível passar-me ao lado mas optei por não me referir aqui à saga que tem envolvido as negociações e sequente acordo que envolve a União Europeia, os E.U.A. , a China, a Rússia, a Alemanha, o Reino Unido, a França e a União Europeia  (5+1) , por um lado e o Irão pelo outro. Bem vistas as coisas envolve a todos nós.
A questão é muitíssimo complicada, o comum dos mortais, nos quais me incluo, não sabe da missa a metade e perante tão consciente ignorância optei por estar calada.

Porém...

Se deve de haver um limite às opiniões que podemos, ou devemos, emitir acerca daquilo de que pouco sabemos, deveremos também limitar o nosso silêncio - pelo menos o mental - sobre aquilo que nos é dado a observar, no presente e na evolução histórica e socio-política que se reflecte hoje no comum habitat da humanidade.

O Irão é o que é, uma teocracia islâmica fechada, poderosa e influente sob um diáfano controlo ocidental mantido à custa de sanções económicas que a têm vindo a atrasar mas não a travar. O Irão é um espinho doloroso que pode provocar uma infecção capaz de alastrar e criar chagas generalizadas.

Então pode o ocidente, mais a Rússia e a China (aqueles que eu denomino 4+2 ) negociar e estabelecer acordos com o Irão?
Pode, está demonstrado que pode.
Como disse Barack Obama e muito bem: "É com os nossos inimigos que precisamos negociar".
As negociações prolongaram-se durante anos, estas últimas durante vinte meses mas foram possíveis. O acordo foi alcançado apesar do natural descrédito que o acompanhou, apesar - e este é um enorme apesar - da oposição sistemática dos líders religiosos iranianos.

O acordo está em cima da mesa.
Quem o leu?
Não me refiro a nós, comuns mortais, que podemos emitir opiniões sem que isso acarrete consequencias ao mundo. Refiro-me a todos aqueles que trazem um voto no bolso, que têm um microfone na frente, que decidem e influenciam. Quem o leu?

Encontram-no AQUI, todas as 159 páginas e, francamente, não é tanto quanto parece. Num final de manhã ou de tarde numa esplanada amena é companhia bem interessante.

Li inúmeros artigos sobre esta questão, ouvi opiniões de todos os quadrantes. Alguns que apenas repetem as grandes tiradas de Monsieur de La Palice e dos seus primos da direita, da esquerda e do principado do Eu-É-Que-Tou-A-Ver-Tudo; outros especialistas sensatos, outros vassalos fieis.

Tantos canteiros saltados o que colhi é resumidamente o seguinte:

O incumprimento do acordo por parte do Irão acarreta o regresso imediato e automático à imposição das sanções económicas - leia-se proíbição de exportação do petróleo - e denúncia do acordo

Em aspecto algum este acordo condiciona qualquer acção ou impõe qualquer compromisso de não inerferência na política externa do Irão, concretamente no Médio-Oriente.

O controlo sobre os meios atómicos bélicos iranianos pode ser feito de duas formas: 
- Pelos especialistas inspectores designados no acordo a qualquer momento e em qualquer lugar do território iraniano.
- Por uma acção bélica que destrua as instalações nucleares vísiveis no território iraniano

Por quê optar por uma solução bélica desde já? Não estará esta sempre disponível? Que interesses se dissimulam sob a capa da desconfiança e da propaganda do medo?


Conciso, generalista e informativo li, por exemplo o artigo da BBC dos seus especialistas em Médio Oriente

O que mais me impressionou, pela clareza dos argumentos, pelo tom humano, pela verdadeira preocupação que nos deverá tocar a todos, polítiquices, por uma vez, postas à parte, foi o de Farred Zakaria, residente da CNN e "opinion writer" do Washington Post. Não será o mais impressionante dos comentadores, é um homem que se aproxima das pessoas comuns, das que têm filhos e netos que só têm este nosso mundo para e onde viver. Politiquices à parte.

Deixo-vos este artigo/carta em vídeo CNN e no link para o texto do Washington Post.


URGENTE!!! REFERENDO AO ACORDO ORTOGRÁFICO

O referendo, segundo a Constituição (artigo 115.º - 2), pode resultar de iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República sendo para tal necessárias 75.000 assinaturas.


Quem é contra o "Acordo Ortográfico" mas ainda não assinou esta iniciativa terá tantas "culpas no cartório" quantas as que carregam aqueles que o promulgaram.

A implementação do "Acordo" foi, a meu ver, abusiva, prepotente, mas o facto é que foi implantado. Ponto. 
Aqueles que não aceitam esta situação têm obrigação, cívica e moral, de se manifestarem utilizando para tal os meios legais à sua disposição. Não utilizar as regras ortográficas estipuladas no "Acordo" pode ser muito positivo mas não resolve nada. As crianças continuam ser ser ensinadas a ler e a escrever ao abrigo daquela aberração, todos continuaremos a ler, das legendas aos clássicos da literatura portuguesa, nesse "acordês" absurdo  e grave. Dentro de poucos anos todos os portugueses terão esquecido as raízes etimológicas da sua língua. 

Se é uma questão de "deixar para depois" ou de "haverá quem assine"  saiba-se que o prazo de entrega das 75 mil assinaturas necessárias  para que seja debatida a realização de um referendo durante a próxima legislatura da Assembleia da República termina em Novembro.
Neste momento, e apesar do escandaloso número de pessoas que se manifestam contra, apenas 10 mil portugueses assinaram. Que povo estranho e atarefado o nosso...

Ainda há tempo? E  por que não já? O que mais é necessário para tomar uma atitude que terá repercussões no futuro da nossa língua, na educação dos nossos filhos e, a meu ver, até na nossa dignidade enquanto portugueses.

Por tudo isto, pela vossa rica saúde. mexam-se,

Não custa nada.
Deixo o LINK - https://referendoao90.files.wordpress.com/2015/07/folha-de-assinaturas-vertical.pdf
para a impressão de uma página de recolha de assinaturas (obviamente não é necessário que seja integralmente preenchida)
Contém a morada de envio e, em alternativa, o e-mail de envio, bastando para tal fazer um "scanning" da folha assinada.
Contém também a lista dos mandatários da iniciativa e a legislação aplicável.

RTP Notícias

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O ESPANTOSO CÉREBRO MÁSCULO

Este pessoal  dos cartazes e das publicidades anda um bocado alucinado

Estou a referir-me à nova acção publicitária da BIC, as esferográficas e isqueiros que há tantos anos passam pelas nossas mãos.

Que raio lhes deu agora? O que andam eles a fumar?

Para homenagear as mulheres (!!!) lançaram a delícia que abaixo publico:

"Think like a man"

Notável! Quase me atreveria a jurar que esta brilhante ideia surgiu de um cérebro masculino, ou  de vários...

Não resisti à facilidade com que, numa troca brejeira, se teria evitado os habituais e ridículos pedidos de desculpa por tamanha parvoeira



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SILLY SEASON 2015

Uma vez mais tenho estado mergulhada num silêncio blogueiro. Pois.
Não é que não haja assunto por onde pegar e largar, rir e chorar, elogiar e insultar, dar graças e lamentar. Há, de sobra e, creio, que é na sobra que está o busilis... A fartura é tanta que acabo por deixar cair, como se me passasse pela cabeça pegar com as mãos na areia de uma praia: o mais sensato é deixar cair e pensar noutra coisa menos inútil.


Aqueles que por aqui passam com alguma regularidade por certo já se terão apercebido de que não serei a pessoa mais "certinha", mais "ajuízadinha" do mundo mas há um mínimo que é muitíssimo conveniente preservar;
Alguma sensatez, alguma noção do que é de facto importante, a capacidade de distinguir o que é prioritário do que é apenas contextual e passageiro, a capacidade de se ser consequente não comprometendo o amanhã em nome de um qualquer impulso ou interesse nos jogos imediatistas (pessoais, "lobbistas", políticos, etc.).

Não serei a pessoa mais "certinha", nem a mais esperta, nem a mais sábia mas fico estupefacta ao observar como, em nome do que "dá jeito", pior, do que "dá jeito agora", se comprometem as situações mais sérias, mesmo que por vezes seja evidente que se poderá estar face a um "ponto de não-retorno".

Não sou pessimista, muito pelo contrário, acho que o bom-senso acaba por prevalecer, que os tiranos acabam por cair, que as conveniencias pessoais, políticas e outras acabam por ser reduzidas à sua insignificância. Serei talvez aquilo que os "profetas da desgraça" chamam uma ingénua. Como queiram, estou-me nas tintas para os "profetas da desgraça".

De que falo? Isso é relativamente irrelevante. Claro que tenho em mente estes, aqueles e outros assuntos, pessoais, sociais e mundiais, a questão não é essa.
A questão é a forma inconsequente e insensata como vejo a vida, o mundo, rolar à minha volta. Perdoem-me a imodéstia mas é assim que vejo, por cá, por lá, por além, à minha volta, à volta do mundo.

É muita areia para a minha pequena camionete, vou antes fazer um bacalhau assado ou dar banho ao cão.

OXI - PAGUEM VOCÊS QUE NÓS NÃO TEMOS

(NEM VAMOS TER)


Parabéns Syriza, 60% é uma grande vitória
E agora, 
o que fazem com ela?

Greece was officially declared in default on Friday (3/07) by the European Financial Stability Facility (EFSF), which holds some 145 billion euros of Greek loans, after Athens failed to make an IMF repayment. 
Tsipras is demanding that the ECB, IMF and European Commission absolve Greece of 30 percent of the 240 billion euros Athens has received over the past five years. The Prime Minister also wants a 20-year grace period to repay the other 70 percent.
Tsipras exige que o BCE, FMI e Comissão Europeia absolvam a Grécia de 30 por cento dos 240 Biliões de euros que Atenas tem vindo a receber ao longo dos últimos cinco anos. O primeiro-ministro também quer um período de carência de 20 anos para pagar os outros 70 por cento.
 
Greek government spokesman Sakellaridis saidthe Bank of Greece was immediately asking the European Central Bank to inject emergency euro cash for Greece's depleted banks, which have been shuttered all week.(REUTERS 5 Jul.2015)
Portanto... 
60% dos gregos estão de acordo com o seu governo. Isso é bom, para 60% deles...

Tsipras quer, ou melhor, exige, um perdão de 30% da dívida da Grécia
Ou seja, dos 240 Biliões que já lá estão só pagaria 168 biliões
Mais, só os começaria a pagar daqui a 20 anos
Entretanto o BCE é suposto injectar de imediato o suficiente para fazer face à ruptura financeira bancária (que, dizem as más línguas, só conseguirá manter o gotejar de 60 euros diários por conta bancária nas caixas de "multibanco" até à próxima terça-feira, dia 7)

Em retorno
com o que é que se compromete o governo grego?
Bem... Isso não parece muito claro...
A pagar 70% do que já lá tem daqui por 20 anos... se então não fizerem um novo referendo a dizer que dão a dívida por expirada, por exemplo. ou outra coisa qualquer que se apresente como muito democrática a libertadora dos povos oprimidos e explorados.

Entretanto...
A Europa, leia-se, os europeus não gregos, são supostos continuar a sustentar o Estado grego e os seus mais de 11 milhões de habitantes durante o tempo que for necessário (e que não aparenta vias de resolução)

Vai daí...
A quem respeita o resultado da votação no referendo grego? 
Aos gregos e ao seu governo. Obviamente. Ponto.

Seria racional que os restantes Estados europeus, e não só, respeitassem a vontade expressa pelo povo grego e analisassem a forma como essa vontade poderá afectar as suas próprias vidas. Mas não, espantosamente não. A racionalidade vai dar uma volta enquanto as emoções ao rubro, exacerbadas pela vontade de ranger os dentes à União Europeia, toma conta de leituras, opiniões e manifestações acaloradas. A esquerda está em festa - sim, a esquerda festiva - festeja a "vitória da democracia", aposta na "bofetada" no poder económico da U.E., sem, uma vez mais, equacionar por um momento os custos para os seus próprios povos. Celebra a política numa festa que ignora os seus próprios problemas económicos. Inconsciência? Não exactamente. É um sentimento de vingança, como se os que conseguiram prosperar fossem responsáveis pelas falhas, erros e incapacidades alheias. É o repisar do tão estafado quanto idiota "Os ricos que paguem a crise".
Por muito que se queixem, no que toca à Grécia, os portugueses também são tidos como "ricos". 'Bora lá pagar mais, todos contentes, a bem da dignidade grega.
Só me faltava esta...

Complicado?
Não me parece
Seria uma questão de ser feito um referendo nos outros 18 Estados membros da Zona Euro perguntando se os seus habitantes estão dispostos a continuar a sustentar a Grécia nas suas decisões "unilateralmente democráticas"

A presidente da Lituânia, mais recente membro da Zona Euro, que tem vindo penosamente a “controlar os níveis da dívida do sector privado e do sector público”, seguindo os exemplos da Estónia e da Letónia que se mostram “muito encorajadores”- uma vez que os dois países têm dos défices públicos mais baixos da União Europeia. O Orçamento do Estado da Lituânia para o ano de 2016, o primeiro da vida no euro, aponta para um défice público de 1,2% do PIB, com a economia a crescer 3,4%. já se expressou muito claramente:
A presidente da Lituânia, Lituana Dalia Grybauskaite , posicionou-se segunda-feira entre os mais críticos do governo grego ao assegurar que o  Syriza tem a intenção de continuar a festa e os outros que paguem as contas.
"O governo grego ainda quer festejar, mas as contas têm de pagar os outros", escreveu Grybauskaite   na sua conta do 'Twitter'.
"Dizer que não há nenhuma dívida e temos de esquecer a dívida não é uma solução. Houve acordos que devem ser respeitados", observou ela à sua chegada à cimeira da zona euro
 elEconomista.es 
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Varoufakis e a sua "Sala de Guerra"


E o governo grego, não tem consciência da gravíssima situação em que está a colocar o seu povo?
Tem, claro que tem. Não sou eu que o digo, é Varoufakis que o demonstra a quem souber ler:
«Yanis Varoufakis afirmou, em declarações ao jornal The Telegragh, que a Grécia tem estado a precaver-se para o caso de haver um cerco económico. Além de ter armazenado comida, medicamentos e energia, também pôs de lado um fundo de emergência para cobrir as necessidades vitais do país em matéria de importação de alimentos. 
O governo Syriza está ainda a trabalhar com base no pressuposto de que as potências credoras da Europa regressarão à mesa das negociações se o povo grego não concordar com as suas exigências de austeridade no referendo do próximo domingo, comentou o ministro helénico das Finanças ao jornal britânico. "Felizmente, temos stocks de petróleo para seis meses e de medicamentos para quatro meses", acrescentou.
Varoufakis disse também que um comité especial, composto por cinco homens, em representação do Tesouro grego, do Banco da Grécia, dos sindicatos e dos bancos privados, está a trabalhar afincadamente, numa "sala de guerra" próxima do seu gabinete, para alocarem estas preciosas reservas como grandes prioridades.»
Negócios OnLine - 3 Jul.2015

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