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O António Barreto é um homem que admiro desde que me lembro dele porque se destacava do rebanho do PS; nunca me pareceu enfeudado ao partido, independentemente de qual fosse o partido, e sempre o vi como uma Pessoa - inteligente, sério, humanista. Gosto dele.

Uma boa amiga enviou-me um artigo no qual ele faz um retrato do Socrates, e não só. Quanto a mim é uma "boa fotografia", a "preto no branco", simples e directa. Deixo-o aqui abaixo e cada qual que ajuize, concorde ou discorde, mas não sem antes retirar, lá do meio, aquela que eligi como:

FRASE DA SEMANA

O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista.


Sócrates, o ditador
por António Barreto

"A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam.
Entre estes, está o facto de o candidato à Autarquia se ter afastado do Governo e do Partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal.
A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido.
Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo.
Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda. Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá. O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa.
Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade .»

HÁ UM NOVO MEMBRO

NA FAMILIA

(mesmo muito novo)




O SEU NOME É JOYCE... JAMES JOYCE

A Sandra

A Sandra é a minha Amiga-Irmã, a minha Irmã-Amiga.
Nasceu na fronteira entre a Estremadura e o Ribatejo, numa terra de praias e campos, frutas e doces, águas termais e vinhos antigos. Talvez por isso é uma mulher acre e doce… Tenho a sorte (e não será só sorte…) de ter sempre sentido o seu lado doce. Doce frutado, muito longe do enjoativo, do lamechas, da pieguice.
Conheci-a quando, acabadinha de chegar à Capital, poucos dias depois de ter completado 18 anos, veio para fazer a sua licenciatura.
A primeira vez que a vi estava a refilar – e quase posso ouvir o coro de vozes de quantos a conhecem responder-me maliciosamente: “Tinha de ser”. A Sandra não se cala (nunca).
Despertou-me, em muitos aspectos.
Despertou-me a forma arreigada e convicta como falava. Despertou-me a sua sociabilidade e um imenso carácter que resplandecia.
Despertou-me também uma sincera vontade de a conhecer, profundamente.
Sugeri-lhe que deixasse a funcionária da secretaria em paz e que descêssemos ao bar para tomar um café. Prometi-lhe que resolveria o problema que tanto a injustiçava. Ela acreditou em mim e nunca mais deixou de o fazer.
Continuei a encontra-la diariamente na universidade e depois de alguns dias “tomei-a” como minha irmã mais nova.
Estávamos em 1989/90 – os dias eram cheios de correrias e de calmas ensolaradas, de conversas de chorar a rir e, por vezes, das outras. Falávamos de pensamentos e de sentimentos, de livros e de histórias, de acontecimentos e de absurdos. Não íamos às compras juntas mas passeávamos por sítios bonitos. E é claro que os dias corriam para a noite e as noites eram compridas, cheias de coisas boas e más; não se “soprava no balão” com a regularidade com que acontece agora – as ruas cheiravam a álcool, o “extasy” entrava nas “raves” pela porta da frente. “Curtir” tinha deixado de significar “divertir” e tinha passado a ser sinónimo de “ir p´rá cama” (ou para qualquer outro local mais a jeito). Por outro lado era ainda razoavelmente seguro andar por aí às tantas da manhã e a verdade é que nos era fácil divertirmo-nos sem chatices desde que soubéssemos onde pôr, e não pôr, os pés e estivéssemos atentas aos sinais de abandonar o local… ou a conversa de chácha.
A Sandra passou a ter duas casas em Lisboa, a dela e a minha.

Estivemos sempre ao lado uma da outra durante todos estes anos em tudo o que isso acarreta – conhecemos as alegrias e os momentos sombrios recíprocos com a profundidade que permite tocar o âmago da alma – sem mentiras, sem traições, sem preços, respeitando a intimidade, o silêncio, as fronteiras, as omissões e as distâncias. Os dez anos, que à partida existiam entre as nossas vidas, foram-se atenuando: ela, usando a sua excelente cabeça, a sua capacidade de observação e a sua sensível intuição, amadureceu saudavelmente sem os engulhos de uma “classificação etária”; eu, por atitude e por feitio, mantive a “cabeça aberta” à imparável evolução das mentalidades e das vivências.
Há uma coisa estranha relativamente a nós: aparentemente conhecemo-nos há mais tempo do que as nossas, jovens, idades permitem. Ainda que, cautelosamente, eu acredite que – a amizade é eterna… enquanto dura – tudo me leva a crer que manteremos esta abençoada relação durante mais tempo do que o destinado a esta vida. Assim seja.





E agora, se me dão licença, vou-me embora para jantar com a Sandra que completa hoje mais um aniversário e está, mais do que nunca, de parabéns… ela, mulher lutadora e corajosa, bem sabe por quê.

PARABÉNS JOÃO

Hoje o meu Amigo João M. faz anos, uns quantos… nem muitos, nem assim tão poucos. A verdade é que está com um excelente aspecto e, “como todos os diabos têm sorte”, conserva o mesmo ar traquina que tinha aos trinta e tal.
Ao constatar isto, constato, também, uma série de outras coisas, mais objectivas ou mais subjectivas que, se por um lado me deixam um pouco perplexa, por outro me confortam.
A perplexidade advém de me aperceber de que nos conhecemos há 30 anos… será possível? Pois é, fará em Novembro próximo 30 anos que nos conhecemos… e há 26 que somos amigos.
O lado reconfortante é que há 26 anos que somos amigos

E SOMOS AMIGOS!
Considerando o “mau feitio” de cada um de nós, não direi mais o dele, direi menos o meu; considerando que as nossas leituras deste mundo são diametralmente opostas; considerando que cada um de nós “tem obviamente” razão não cedendo um dedo mindinho; considerando ainda o perigo explosivo que reside na possibilidade de as nossas emoções serem despertadas pela negativa, devo dizer que o simples facto de “ainda” sermos Amigos é uma prova de que as improbabilidades acontecem.


Já ouvi dizer de tudo acerca do João, do melhor e do pior. Obviamente que ouvi mais do pior: por muito que me desgoste tenho de reconhecer, e não sem mágoa, que vivemos num país de invejosos, de mal nutridos, em sentidos vários mas particularmente em termos afectivos.
O João tem duas qualidades que chateiam, muito: primeiro tem Carácter e, segundo, diz, inconvenientemente, aquilo que pensa (e ainda por cima pensa). Convenhamos que a vida assim não é fácil…

Meu querido Amigo, venham mais 30 e Parabéns por teres chegado até aqui como chegaste, em todos os sentidos... e muito sentidos.

Beijinho meu.



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The Beatles - When I'm Sixty-Four