DESCULPEM QUALQUER COISINHA...

Depois do outro a chamar pelo primeiro-ministro "José Trocas-te" só mesmo uma despedida "em grande" para o secretário-geral da CGTP

Não é montagem, é mesmo assim e desculpem qualquer coisinha mas, desta vez, não fui eu



São coisas que acontecem, como, por exemplo, faltar a luz durante a assinatura do acordo de concertação social... Ninguém pode prever...

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"RATE THIS"

Já vi, e sempre com gosto, vários videos promocionais de Portugal; este é diferente, não é bem "promocional", ou talvez melhor dizendo, não é apenas promocional.
Estou cansada de ouvir portugueses a dizerem mal de Portugal e o vício não vem de agora, é de longa data: agora é muito "in" e progressista, no tempo "da outra senhora" era chique.

Eu gostei, muito. (Obrigada Rui N.)
Vós, "rate this"...
Não tenho nada a acrescentar.

BRINCAR COM O FOGO

Duas notícias lado a lado neste dia 9 de Janeiro:

1
«Exportações aumentaram 15% e compramos menos ao estrangeiro»

«As exportações aumentaram 15,1% entre Setembro e Novembro, face ao período homólogo, enquanto as importações caíram 3,6%.
A balança comercial ficou beneficiada em mais de dois mil milhões de euros.
.../...
A taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 78,6%, o que representa uma melhoria de 12,8 pontos percentuais face à taxa observada no período homólogo do ano passado.»

2
«Adesão quase total. Só Leixões trabalha»

«A greve dos trabalhadores portuários, que começou à meia-noite e decorre até sábado, está a contar com uma adesão total, diz o presidente da Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários (Fesmarpor), Alexandre Delgado.
O porto de Leixões, acrescenta o responsável, é o único que não tem trabalhadores
filiados da Fesmarpor e, por isso, está a funcionar em pleno.
.../...
“Não consigo estimar os custos para o país. Obviamente que são elevados.
Qualquer greve sectorial tem sempre custos. Como também nunca foram capazes de nos explicar as mais-valias que geravam a partir dali, difi cilmente podemos deduzir os custos."(vice-presidente da Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários,
Vítor Dias)
.../...
A paralisação tem como objectivo contestar o processo de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário de Aveiro.»

«“Não há economia sem logística, que é a circulação sanguínea de todo o sistema.
Não há logística sem portos competitivos e não há portos a funcionar sem uma atitude global de disponibilidade da economia para funcionar. É preciso ver que cada dia de portos parados são os nossos produtos que não saem, são as nossas empresas que estão bloqueadas, são os nossos concorrentes ao nível internacional que ocupam esse espaço. Estamos a mexer no centro nervoso da nossa economia e vejo com muita preocupação estes dias de greve”, disse Pedro Reis, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.»

Pergunto-me se a "contestação ao processo de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário de Aveiro" tem em mente a criação de condições para vir a "contestar" processos de insolvência dos outros portos nacionais...

Não digo mais nada, perco sempre a vontade de dizer seja o que for quando vejo brincar com o fogo.


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A MARIQUINHAS EM ATENAS

Ainda a propósito de o Fado ter passado a constar do Património da Humanidade...

O meu amigo André Maia tem estado a viver em Atenas onde tem feito um excelênte trabalho com a sua "André Maia Band", e não só.

Acabei agora de ver um dos seus últimos vídeos, gravado a 30 Dezembro último e colocado por ele no Facebook ( "You Tube" 31 de Dez.)

É por estas e por outras que há pouco mais de um mês eu dizia por aqui que o fado é um "cidadão do mundo"

Com um som de cordas tão diferente, tão grego, tão português, muito fado. Boa André! Aplausos para o artista, um beijo grande para o amigo.




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A LEGISTA E O ROBALO

Como se me tivesse caído sob os olhos de propósito, acabo de dar de caras com uma bem humorada notícia, ou talvez melhor dizendo, um bem humorado comentário a uma sequência de notícias sobre o mesmo facto, facto esse, ao que parece, bastante subjectivo. Esta "sequência", que chegou para três dias dedicados a manhoso assaltozeco sem vítimas e malogrado nos seus intentos, bem podia servir de "ilustração" à deliciosa fábula que até aqui trouxe ontem, na sua forma rebuscada de transformar um acontecimento quotidiano sem ponta por onde se lhe pegue numa "notícia" de mediática divulgação nacional com contornos de caracterização política.
Eu não gramo o Vara (nunca me deu nenhum robalo) mas o desgraçado teve azar quando foi ao Centro de Saúde...
Passo a transcrever o artigo que bem poderia ter por título «A fábula da Legista e do Robalo»
(apraz-me particularmente o pormenor de se tratar de uma médica legista que tratava do Vara - sem comentários negros...)

A título de curiosidade deixo também um link a um blog (sobre o qual não faço comentários porque não seria de bom tom) que publica uma "coisa" sobre esta notícia que demonstra inegável boa-fé e objectividade na escolha da foto para acompanhar os seus escritos.
Onde é que este blogista terá ido buscar a foto? Ora, boa-fé e objectividade é o que por aí não falta... Pois pasme-se, ao irrepreensível "Correio da Manhã".


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«O pingo doce da notícia»

«Há dias li que uma médica de Lisboa - um detalhe essencial - tinha assaltado uma ourivesaria de pistola de pressão de ar, embora tivesse usado gás-pimenta para aturdir a funcionária. Percorri a notícia até ao fim e ainda fiquei a saber que o assalto acontecera na Ourivesaria Antiquorum - "uma das mais caras de Lisboa" -, e no penúltimo parágrafo acrescentava-se, em três ou quatro palavritas sem mais explicações, que a dita médica sofria de problemas psiquiátricos. Em nome do rigor jornalístico, descrevia-se o método usado para o assalto, o desenrolar trepidante do mesmo e uma série de pormenores relevantes desta notícia de cariz geográfico.

No dia seguinte, outro jornal apresentava a notícia sob um ângulo também ele notável. A médica, afinal, não era uma médica qualquer, era - pasme-se - a médica de Armando Vara, o famoso socialista e ex-banqueiro amante de robalos. Lida a prosa, percebia-se que, em Fevereiro, Vara ultrapassara outros doentes num centro de saúde graças à ajuda desta médica que, esclarecia-se mais tarde, não era, na verdade, sua médica pessoal (é médica legista, trata de cadáveres). Apesar desta pequeníssima contradição, a notícia mais do que compensava o deslize ao contar que a assaltante tentara apoderar-se de três pulseiras e de duas argolas de ouro e que, num incrível volte-face clínico (médico que vira doente), padecia de um infeliz nódulo pulmonar. Detalhe valioso para compreender esta notícia de evidente cariz médico e político.

No dia seguinte, a história continuou o seu périplo de curvas largas e aterrou num telejornal. O repórter de serviço recuperara a informação avançada pelos dois jornais, mas omitira os problemas psiquiátricos para nos conduzir onde queria. O assalto não era um simples assalto desmiolado, era o reflexo da crise e a prova de que a pobreza atinge toda a gente - o jornalista dizia, com desprezo, "até as classes sociais ditas altas!" Neste ambiente de faroeste, contava a peça, são vários os casos de gente licenciada que se vê atraída para o mundo do crime. Números para defender a tese? Zero. Exemplos? O de um engenheiro que assaltara uma velhinha para comprar um pacote de leite.»

André Macedo - in "Dinheiro Vivo" - 04/01/2012


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UMA FÁBULA REACCIONÁRIA

Recebi agora um e-mail da Xana com a célebre fábula de La Fontaine "A cigarra e a formiga". Como sabem, esta fábula originalmente em francês (La cigale ayant chanté Tout l'été, Se trouva fort dépourvue...), desta feita foi-me enviada nas versões alemã (traduzida) e portuguesa. A primeira é curta e clara, como convém a uma versão germânica, a segunda... Bem a segunda é bem à nossa moda, muito de acordo com o "políticamente correcto", com variados interveniêntes por pouco que sejam chamados ao caso e bastante mediática - como convém a tudo o que se queira ver levado a sério por mais escarninho que seja.
Vêde e julgai; eu cá ri-me perdidamente.

A CIGARRA E A FORMIGA
(Versões alemã e portuguesa)
(autor omisso)

Versão alemã

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.

Fim
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Versão portuguesa

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.

A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.

A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom.
As associações anti-pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que dissertam sobre a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.

A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS, com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares, organizam manifestações diante da casa da formiga.

Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.

Fernando Rosas escreve um livro no qual demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.
Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti-discriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).

Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultâneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra.
A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.

A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga, a comer os bens que aquela teve de deixar para trás. Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista".

A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se cagando para a sua conservação. Em vez de fazer algumas obras queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (inter-partidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.
Enquanto a comissão prepara a primeira reunião, para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.

Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança.

Ana Gomes, talvez um pouco a despropósito, afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos e faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA aproveitando para insultar Paulo Portas.

Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...

FIM?


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DEPOIMENTO: ACORDO A 50%

Ouvi dizer que essa coisa do "Acordo ortográfico" entrou hoje em vigor. Que fixe, deve de haver por aí um grupito de malta muito contente. Não sei por que lhe chamam "Acordo" porque a maioria das pessoas que vive em Portugal não se têm manifestado nada de acordo com a coisa mas está bem, cá por mim podem até chamar-lhe assobio .

Conforme tive já oportunidade de AQUI expôr com alguma clareza, perante muitas situações concretas estou-me completamente nas tintas para a lei - e se traço nessa atitude alguns limites não me advém tal sensatez da urbanidade mas antes da auto-defesa. Normalmente a minha rebeldia, chamemos-lhe assim para simplificar, não vai além de um interior desdém vagamente perceptível numa subtil elevação do canto direito da boca acompanhado por um silencioso "pois, está bem..." retido no pensamento. Há alguns "respeitos pela lei" que me fazem confusão de tão estúpidos que podem ser e esses, obviamente, ultrapassam-me o pensamento saltando para as palavras, ou para a acção. Paciência, sou assim, já não mudo, já passei a idade de ter hipótese de cura.
Quanto a esta coisa do tal "Acordo" nem tenho sequer a oportunidade de levar em consideração qualquer pensamento mais sério acerca do dito: faz-me cócegas no cérebro e desmancho-me a rir; já tentei e não consigo, o médico até já me disse para não forçar porque pode ser perigoso - já têm sido internadas pessoas com semelhantes ataques de hilaridade difíceis de suster.
(Não é que eu ache que a coisa tem graça, é demasiado perversa e consequente para isso mas felizmente não me dá para chorar)

Assim como há gente que "não joga com o baralho todo" - talvez seja o meu caso, não me recuso a admitir - também há gente que quer deixar de jogar com as letras todas, "é mais fácil" dizem nas suas fracas e pouco alicerçadas justificações que pouco mais argumentam para além do facilitismo e da "evolução" - como se alteração fosse sinónimo de evolução. Está bem, levem lá a bicicleta, a taça e as letras que tanto vos pesam de tão difíceis que são.

Aqueles que frequentam o Real Gana ou que por aqui dão um salto com um mínimo de assiduidade não terão a menor dúvida de que por aqui se escreverá sempre com as letras todas.
Mais: sejam os textos da minha autoria ou de outrem, retirados de jornais, revistas ou seja lá de onde venham, aparecerão por aqui sempre com as letras todas, escritos em português, não em acordês. Acordês Aqui Não. Evidentemente.

Porém...
Porém, e só para mostrar que não sou de pedra, que também tenho coração, resolvi fazer uma cedência e parece-me que sou uma querida, amorosa mesmo, ao fazê-lo: com aqueles que, por livre exercício da sua vontade ou no exercício das suas actividades profissionais, resolvam aderir à coisa passarei a expressar-me oralmente - e apenas oralmente - respeitando as novas regras da dita.
Sei que não vai ser fácil, será até ainda mais difícil do que fazê-lo por escrito (apesar dos que dizem que "é mais fácil") mas sei que acabarei por conseguir, é uma questão de treinar lendo os pasquins em voz alta tal qual lá estará escrito.
Vêem, queridos acordeses, como eu não sou do contra; até sou uma querida, ou não sou?
É uma espécie de acordo a 50%, aliás tal como vós, acordeses, o fazem: falam em português e escrevem em acordês - eu decidi-me pelos "outros" 50%, dirigir-me-ei a vós em acordês e escreverei em português - mas por favor não se riam, é que não será de mim que se estarão rindo...


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2012

Retomando umas poucas palavras do último "post" de 2011:

Os nossos sonhos, desejos, esperanças, continuam a valer o que sempre valeram: uma projecção de Luz e alento nas nossas vidas.
A força, a integridade, o ânimo, o bom senso, a lucidez, a perseverança, a vontade, a motivação, a coragem, são caracteristicas que vêem agora o seu valor "acrescentado".
De tudo isto depende em grande parte a possibilidade de termos um "Bom Ano", pela parte que me toca é o que desejo a todos vós

(E não... não estou a publicar no Blog à meia-noite, deixei agendado, não se preocupem...)





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UM ANO MUITO NOVO

Começa a ser ridícula a maneira tímida como muito boa gente deseja "Bom Ano"; fazem-no com um arzinho tímido não vá alguém pensar que se trata de uma ironia cínica, fazem-no quase a pedir desculpa, com um subtil sorrizinho sofredor. Chega a ser irritante para as mucosas.

Lembra-me aquelas pessoas que durante muito tempo se sentem mal, sabem que alguma coisa não esta nada bem mas que têm medo de ir ao médico "não vá descobrir-se qualquer coisa". Um dia as coisas dão para o torto e vão ao médico numa situação de urgência. Lá se confirma que há alguma coisa que não está mesmo nada bem. Pronto.
Inicia-se um tratamento complicado, caro e prolongado; podia não ser tão dramático se o tratamento tivesse sido começado mais cedo mas nada está perdido - haja bom senso e persistência que a recuperação é possível. Ninguém disse que é fácil mas é possível.
Perante isto há duas atitudes: ou se segue o tratamento complicado, caro e prolongado ou se vocifera contra este porque não resolve o caso rapidamente e ainda por cima leva o paciente a sentir-se ainda pior, mais frágil, menos apto.
Pois é, há tratamentos assim mas não se podem suspender nem evitar; há que segui-los e, após determinado período, obteremos os resultados. E isso é bom, é um "Bom Ano".

Ninguém, em posse das suas faculdades mentais, pensa que 2012 irá ser um ano fácil, obviamente não vai. Porém um ano economicamente difícil não tem de ser "um ano mau". Será melhor para uns e pior para outros, como sempre. E será de uma enorme ingenuidade, ou má fé, partir do princípio de que será forçosamente melhor para quem "tem mais" e pior para quem "tem menos", as coisas não funcionam assim.
Salvaguardando as mais dramáticas e cinematográficas excepções, o "Ter" por si só não define a fronteira entre um bom e um mau ano. Há muito quem não tenha e se aguente na corda-bamba, há muito quem tenha e que sofra enormes descalabros. Não vale a pena ir por aí, é um beco sem saída racional.

2012 vai ser um ano complicado, para os portugueses, para os europeus, para o mundo; vai ser um ano de profundas mudanças estruturais e conceituais; vai ser um ano de "terapêutica" amarga. Pois vai, e então?
A situação que nos trouxe até aqui já não suportava mais encobrimento nem adiamento, foi exposta. Isto é mau? Não creio, trata-se de uma mudança paradigmática. É difícil, é complicado, é incerto mas não é mau - a continuidade acarretaria uma "morte certa".

Uma parte da humanidade terá um bom ano e outra parte terá um mau, sempre foi assim e este ano não será diferente. Desejar um "Bom Ano" não é um sacrilégio nem um irónico acto de cinismo, deixemos-nos de complexos parvos. Qualquer um de nós poderá ter um bom ou um mau ano, é a incógnita do futuro, é a vida. Como sempre há pressupostos que ajudam e outros que antes pelo contrário mas não há certezas, nem varinhas mágicas, nem bolas de cristal.


Os nossos sonhos, desejos, esperanças, continuam a valer o que sempre valeram: uma projecção de Luz e alento nas nossas vidas.
A força, a integridade, o ânimo, o bom senso, a lucidez, a perseverança, a vontade, a motivação, a coragem, são caracteristicas que vêem agora o seu valor "acrescentado".
De tudo isto depende em grande parte a possibilidade de termos um "Bom Ano", pela parte que me toca é o que desejo a todos vós.

2012 tem uma marca de "Recomeço", aproveitemo-lo bem, de peito aberto face à vida.

NOITE DE NATAL

SE AO MENOS ESTA NOITE, NEM QUE FOSSE SÓ ESTA NOITE, O MUNDO ESTIVESSE EM PAZ
SE TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO PUDESSEM DORMIR EM PAZ...



Não deixem de ver o vídeo original, que não tem permissão de divulgação privada, neste link

Christmas Eve/ Sarajevo [Timeless Version]

NATAL 2011, UM NATAL COMO DEVE SER

A programação neuro-linguística é uma coisa lixada.
Pode ser muito útil, não duvido, mas quando é gerada uma penetração inconsciente através da repetição pode ser pérfida.

Estes últimos, vá lá, dois anos que vivemos em Portugal embruteceram as pessoas ainda mais do que o habitual.
A crise, a crise, a crise. "Estamos todos tramados, não há saída, é o fim". Ó raça... A mentalidade burguesa gera a pior mentalização em massa que pode ocorrer a um povo.

Este ano "decidiu-se" que não há Natal. A frase anda por aí à solta, nas bocas e, pior, nos corações.

Porquê? Porque o dinheiro é curto, porque houve um corte nos subsídios de natal, porque a vida está difícil em muitos aspectos?
E daí? A mim parecem-me razões acrescidas para que tenhamos natal, um natal feito de momentos tão felizes quanto possível que quebrem a rotina e a vivência diárias.

Pela primeira vez na minha vida cheguei ao dia 23 de Dezembro sem ter feito Árvore de Natal. Ela tem estado ali, coitada, com meia dúzia de bolas pingonas com um ar triste como um grito surdo a pedir ajuda para brilhar e fazer sorrir.
O meu filho resolveu que este ano era ele quem enfeitava a árvore. Pois... aquilo dá uma grande trabalheira e, verdade seja dita, a forma pouco experiente como ele prende os enfeites não resiste à primeira abanadela que o cão faz com a sua espanejante cauda. E eu deixei-me ir, chego cansada, tenho muitas coisas "prioritárias" e outras tretas.
Ontem caí em mim. Olhei para aquele testemunho de substituição da vida pela sobrevivência que se erguia na minha frente sob a forma de uma árvore pingona e caí em mim. Que tristeza, como pude "deixar andar" até chegar aqui? Não está ninguém doente, não aconteceu nenhuma desgraça, temos tudo o que precisamos, e muito para além disso, não há guerra, não houve nenhum terramoto, os nossos amigos e família estão bem... POR QUE RAIO NÃO HÁ ÁRVORE DE NATAL?????????

Por que raio rodopia em torno de cabeças baixas um «Este ano não há Natal» como se o natal não dependesse de cada um de nós. O NATAL DEPENDE DE CADA UM DE NÓS. E não é uma frase feita, um chavão, é exactamente assim, das poucas coisas com projecção social que depende exactamente de cada um.
Levamos a vida inteira a dizer que o natal é a família, os amigos, a solidariedade, os encontros e reencontros e blá-blá-blá. Bonito! Ao primeiro corte no subsídio, às reais dificuldades - ou pelo menos fragilizadas facilidades - praguejamos que não há natal "este ano".
Ora bolas para tanto espírito natalício. Este ano, mais do que em muitos, há quem precise que seja e se viva, de facto, o natal, pelas razões mais diversas, pelos motivos mais diferentes.

Pois fiquem sabendo que eu faço tenções de ter um belíssimo natal, provavelmente até melhor do que muitos porque este natal me fez cair em mim de uma forma muito mais consciente. Com menos prendas, pois será e muito, mas muito, sinceramente estou-me completamente nas tintas. Sabem o que é que eu quero mesmo? Estar com aqueles que me são importantes, dar umas boas gargalhadas com muita vontade, beber um bom e reconfortante copo, partilhar uma ceia em volta de uma mesa onde não se senta o interesseirismo nem o "tem de ser".
Quero ver a excitação e a alegria estampada na cara do meu filho, que sabe que este ano as prendas serão menos mas que é um miúdo feliz porque tem família e amigos para partilharem o natal com ele e tem coisas boas para comer e uma casa quentinha onde estar. Ele sabe... e está tão contente por ser natal e por ir estar com as pessoas como em qualquer outro ano. «Hão-de vir dias mais ricos mãe, eu gosto sempre do natal...»
Como tenho a possibilidade de fazer o que mais quero posso ter um Feliz Natal, um a sério, que não é o dia da troca de embrulhos.

Já fiz a minha Árvore, mesmo cansada, mesmo com dores nas costas a bramarem que o dia foi comprido e cheio; ainda não tem luzinhas nem neve e falta o meu filho colocar-lhe a estrela grande lá em cima mas já tem a companhia do Pai Natal e de uma rena bebé.
Sinto-me muito melhor, dei um chuto na parvoeira. Chega de tretas
O natal não é "quando um homem quiser" (que frase tão estúpida...) , é só uma vez por ano, é agora e vem de dentro.

FELIZ NATAL!

AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL FAVORITAS - 3

Esta música é como uma oração, como acender uma vela a cada criança que nasce
O Natal é isso, que haja uma Luz para cada criança



Que o vosso Natal se passe em paz, com alegria, gargalhadas, carinho e solidariedade.
Tudo o resto é o que vem por acréscimo e pouca ou nenhuma importância tem
FELIZ NATAL.



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AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL FAVORITAS - 2

TENHA LATA, TENHA MUITA LATA
(medo, muito medo, já toda a gente tem)


Estão aí os últimos dias de trabalho antes do natal e este ano não calham feriados para a generalidade do povo; pontes... nem vê-las, nem túneis, nem um viadutozito. É a loucura, um fim de semana de natal - Bahh, coisinha sensaborona.
Mas quando a vida nos dá limões há que fazer limonada, né?

Ok. , experimenta isto amanhã no emprego.
Põe o som bem alto; se não tiveres computador não te inibas porque ainda dá mais efeito: pede ao tipo da contabilidade uns minutos de Net porque precisas enviar um e-mail urgente para o banco. Melhor ainda se a Nicinha que faz os cafés tiver voltado a empinocar aquela arvorezinha de natal ridícula que gosta de pôr em cima da mesa, do balcão, da secretária, do raio-que-a-parta.
'Bora lá "rocar" em volta da christmas-tree, da secretária, do balcão, do tipo da contabilidade, do Manel-Sisudo e de quem mais aparecer para ver que raio é que te deu para te passar pela cabeça pores a música aos berros.
Se não conseguires soltar a franga a este ponto... ao menos ouve a música aí em casa, bate o pézinho e imagina... O quê? O que tu quiseres, a imaginação é tua. Pode ser a Nicinha a entornar os cafés em cima do Manel-Sisudo... e...





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AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL FAVORITAS - 1

(ou, "neste episódio", como reagir a um corte no subsídio de natal)



Os meninos podem ver em "fullscreen" e as meninas podem aprender a coreografia e divertir-se à brava.
Se os meninos conseguirem tirar os olhos do "fullscreen" também podem experimentar a coreografia.
Deixo aí abaixo uma versão menos exigente que talvez vos inspire e ajude a reduzir alguma timidez; e "Yes, you can try this at home" .





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INSTANTÂNEOS

Não sou particularmente adepta ou admiradora de "modas" mas esta coisa das "Flash Mob" é uma nova moda a que acho imensa graça; é alegre, surpreendente, imaginativo.

Há tempos coloquei aqui no RealGana duas das primeiras de que tive conhecimento que tenham ocorrido em Portugal (Esta, mesmo antes do Natal de 2009 e mais Esta , dias depois, na véspera da passagem d'ano) - foram no aeroporto de Lisboa e tiveram piada, a segunda mais do que a primeira porque foi feita numa altura em que o aeroporto estava bastante cheio e as pessoas descontrairam mais, aderiram mais mas se fosse num aeroporto de Londres, por exemplo, estou certa que saia mundo e meio a dançar. Por cá foi giro mas tímido por parte de quem observava: bater o pé ou cantarolar ainda vá mas mais do que isso já é demais para este nosso povo que se leva tão a sério.

Vem isto a propósito de um "Flash Mob" que ocorreu em Novembro passado na Gare do Oriente, em Lisboa. Dizem os organizadores em "rodapé" do vídeo publicado:

«Quando menos se esperava, 4 cantores líricos juntaram-se na Gare do Oriente e alto e bom som deram voz à DPOC. Uma acção que surpreendeu e marcou o dia mundial da DPOC, a 16 de Novembro. O momento, que durou alguns minutos, foi da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Fundação Portuguesa do Pulmão.»

Acabei há pouco de ver este "mini-espectáculo" e fiquei tristíssima: não é que seja, em si um espectáculo triste, nada disso, é até bem agradável, particularmente a "Senhora da limpeza" que canta no final, mas ao prestar atenção às pessoas que iam passando, independentemente de algumas até mostrarem um arzinho agradado, a cena é testemunho de uma profunda tristeza. Já não é só a timidez, a inibição dos sérios portuguesinhos, é muito pior do que isso: é um alheamento, uma alienação generalizada, um "estou-me nas tintas para tudo", a desistência. A reacção mais conseguida foi o sacar do telemóvel para filmar, para mostrar mais tarde que houve um momento assim, de resto, quanto a viver o momento... parece não haver "vida" para tanto.

Poucas coisas me chocam tanto quanto a desistência. Quando as pessoas se comportam como se estivessem num beco sem saída ou retorno e não querem ver a estrada a percorrer que se estende diante delas; o suicídio (recusa de viver) por omissão. Foi isso que vislumbrei neste vídeo. Será que sou eu que "ando a ver coisas"?

Aqui fica.




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SEMANA DE LUTA CONTRA A MEIA-HORA

O Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que

“estabelece um aumento excepcional e temporário dos períodos normais de trabalho de 30 minutos ou de duas horas e 30 minutos por semana”.../...“aplicável durante a vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal”.

Vai daí e Carvalho da Silva sai de punho em riste "na defesa dos trabalhadores" e diz:
“a situação actual obriga a estar mobilizado e a fazer uma intervenção forte”.../... “dar sinais muito fortes, por exemplo,em relação ao alargamento do horário de trabalho”.
Ridículo.

Carvalho da Silva sabe, como todos os portugueses, que se "isto não vai, racha".
Racha não, rachado está isto por todo o lado, abre pelas rachas e desintegra-se. Porém a desintegração total serve os interesses de quem não consegue impor-se pelo voto e pretende impor-se por onde conseguir, "revolucionariamente a bem do povo" e a vontade expressa do povo que se lixe.
A estratégia nada tem de novo, é velha-relha, caduca e ditatorial - porque as ditaduras funcionam de ambos os lados, à direita e à esquerda, umas "a bem da nação" outras "pela defesa da classe trabalhadora".
A CGTP classifica a aprovação desta proposta de lei como:
“uma posição de má fé do Governo”
Má fé? Esta "semana de luta" que agora se inicia é o quê, um desígnio dos anjos?

Mais trabalho é fundamental, mais produção, acelerar, levantar um país (perguntem aos japoneses que eles explicam).
As pessoas estão a rebentar pelas costuras, é verdade. Não é apenas as horas que trabalham, ou não é isso de todo, antes se trata do aperto em que se vive, das contas para pagar, dos compromissos que se tornam monstros a enfrentar a cada dia, a cada fim de mês. É verdade.
E se Portugal não cumprir, não conseguir manter uma posição em que possa ser levado a sério? Melhora a vida de alguém? Muito pelo contrário, é catastrófico.
Apesar de haver quem advogue que as dívidas de Estado não são para pagar, só as crianças acreditam nisso... Mas esses não têm culpa, aprenderam assim nos cursinhos com cadeiras de economia da escola dominical. Não têm culpa disso e as culpas que possam ter na situação actual estão passadas e sem responsabilização; chegou a hora de ir fazendo umas conferênciazitas para crianças para reaparecer, ir limpando a imagem...
C'um caneco!

Só uma ressalva:
Esta meia-hora diária é de facto necessária? Creio que sim mas também creio que não chega - ajudará.
Seria evitável? Seria, há anos, se a coisa tivesse dado a volta de outra maneira mas agora não faz sentido abordar a situação com "se...".
Meia-hora é o tempo de tomar o café, dar uma olhadela pelo "facebook" ou discutir o jogo e/ou a novela de ontem à noite, de telefonar à Maria e ao Francisco, de ir lá fora fumar dois ou três cigarros, de responder ao e-mail da "La Redoute" e de pagar as cotas do clube no MB ou na Net.
E... e mais nada, a meia-hora já lá vai, já passou e nem chegou para a bica da tarde.
... Só se a má-fé do governo está em retirar à malta o gozo de fazer todas estas coisas durante o período laboral normal; de facto metade do gozo de discutir o fora-de-jogo do golo de ontem ou a gravidez da Marianinha da novela das 10h é tiranicamente cortado. Visto desta perspectiva só pode mesmo ser má-fé. Além disso o café nem sabe ao mesmo.

Quantas horas de trabalho vale "uma semana de luta", uma tarde de manif, um dia de greve?
Ridículo. Ridículo e de má-fé.


PS - A semana de luta, talvez por ter buscado mais um "tema" que ajudasse a compor um "tanto barulho para nada", inicia-se não pelo combate à "meia-hora" mas "por ocasião do 35.º aniversário das primeiras eleições autárquicas em Portugal após o 25 de Abril de 1974" com a entrega na A.R. de uma petição pela

"defesa do Poder Local Democrático, contra a redução de autarquias e de trabalhadores".

Ora aí está uma petição que ninguém me pediu para assinar (já sei que não é preciso, a malta é organizada...). Ainda bem, chateia-me sempre dizer que não a quem anda no voluntariado pela defesa dos indefesos. Nada de reduzir autarquias, é um erro: as empresas públicas já não estão em condições de continuar a garantir os "jobs" e as privadas não vão nisso - "a solidariedade social por um amanhã mais seguro" já não é o que era. Além disso um bom "cacique" lá na terra é sempre um pilar de sustentação da luta pela democracia e há que ter cuidado: o povo manipulado pelos interesses dos grandes capitalistas já não anda a votar como devia...

A luta dos trabalhadores continua; os "outros" que trabalhem.



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FRIA INJUSTIÇA

Há exactamente 31 anos, mais ou menos por esta hora (21h), caiu-me a alma aos pés.
Não é saudosismo, é um sentimento de injustiça;
Quem morre no auge da paixão, pelo seu país e por um amor que não quer esconder, morre injustiçado.




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CONTRASTES LUSOS

Os portugueses têm alguns defeitos gritantes. É verdade. Um dos que mais me choca é a tendência para puxarem a brasa à sua sardinha doa a quem doer, ao melhor estilo "E quem vier atrás de mim que feche a porta".

Há tempos circulou pelos e-mails nacionais o relato de um português que foi à Suécia visitar uma fábrica da Volvo. Um sueco foi busca-lo ao hotel e deu-lhe boleia pela manhã. Chegaram à fábrica cedo, antes da hora de entrada ao trabalho. O bom sueco estacionou o seu carro longe da entrada do edifício. O bom português perguntou se os lugares junto à entrada se destinavam à administração. Nada disso, respondeu o sueco, deixa-se os lugares perto da entrada para quem chega mais tarde e com mais pressa, nós temos tempo para andar com calma até ao edifício. Óbvio.
Óbvio para sueco... Para português é óbvio que quem chega cedo "tem direito" aos melhores lugares, ou "viessem mais cedo".

Contrastante com esta mentalidade profundamente enraizada no português há porém uma generosidade e uma capacidade de ser solidário que, mesmo nos dias que vão correndo, não deixa de ser uma caracteristica do povo português.

Este fim de semana último decorreu mais uma recolha de alimentos para o Banco Alimentar Contra A Fome.
Já todos sentimos que as contas de super-mercado subiram, subiram e não foi só um bocadinho, subiram mesmo, a cada vez que chegamos à caixa constatamos que subiram.
Seria de esperar que as contribuições de produtos alimentares descessem consideravelmente este ano; era esperado pela organização dos peditórios. Pois, mas não foi assim.
As pessoas, os portugueses, têm sentido que os alimentos custam mais euros; e se custam mais euros custam mais a todos, e chegam menos àqueles que não têm euros para os adquirir. Doi a todos e a uns doi mais do que a outros, sobretudo àqueles que estão "no fundo da cadeia alimentar", os que recebem o que lhes dão e ponto final.

«O Banco Alimentar contra a Fome angariou quase três mil toneladas de alimentos na campanha que decorreu, no fi m-de-semana, em supermercados de todo o país. O resultado foi semelhante ao do ano passado, o que superou as expectativas, dada a redução do poder de compra dos portugueses.
“O balanço é muito positivo. Foram recolhidas 2.950 toneladas de alimentos nos 19 bancos em actividade e houve uma adesão muito entusiástica entre os voluntários: houve muito mais pessoas que acorreram para ajudar. E muitas pessoas tinham comentários do
género ‘não posso dar tanto, mas não posso deixar de dar e colaborar convosco no armazém’, o que fez com que não houvesse um decréscimo tão substancial como eu previa”, disse à Renascença a presidente da Federação de Bancos Alimentares, Isabel Jonet.

Mais de duas mil instituições de solidariedade social vão receber os alimentos recolhidos para os entregar a mais de 300 mil pessoas com carências alimentares.
A contribuição dos portugueses pode ainda ser feita “até dia 4 de Dezembro, através de um vale nos supermercados ou online, onde têm ainda a possibilidade de doar um cesto de produtos básicos”»
In "Página 1", 28/11/11


Eu gosto dos portugueses. Em questões de cidadania e urbanidade tiram-me do sério, tocam as raias do desrespeito com a maior das facilidades mas têm qualidades de um enorme humanismo e essas são de facto as fundamentais. Antes assim.

"ELE QUE VEIO DO NADA"

«O fado é Património Imaterial da Humanidade,

segundo decisão hoje tomada durante o VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A candidatura portuguesa foi considerada como exemplar pelos peritos da UNESCO.
Esta candidatura foi apresentada ao Presidente da República a 28 de Junho de 2010e formalizada junto da Comissão Nacional da UNESCO. Em Agosto desse ano, deu entrada na sede da organização, em Paris.»
In "Sol", 27 /11/11



A UNESCO presenteou, e bem, a humanidade ao reconhecer o nosso Fado como cidadão do mundo.



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A OUTRA FACE

Independentemente do que penso sobre as greves que têm vindo a ser agendadas durante este mês de Novembro, e que já AQUI expus dia 8 último por ocasião da greve dos transportes, face ao agradável mas oneroso dia que se viveu ontem em Lisboa (e Portugal não é Lisboa) vem-me à veia dizer o seguinte:

A GREVE É UM DIREITO DOS TRABALHADORES,
e enquanto tal deve ser respeitado.
Ok.

E QUEM NÃO QUER ADERIR A UMA GREVE, TEM O DIREITO DE TRABALHAR?
Tem.
Tem?
Alguns piquetes de greve tiveram ontem, 24/11, atitudes e actuações lamentáveis de um absoluto desrespeito pelos seus colegas que quiseram trabalhar.

Não comentando já a inconsciência (?) daqueles que propositadamente criaram desacatos, que poderiam ter acabado muito mal, na frente da manifestação frente à Assembleia da República.

Não comentando já os ataques de vandalismo que foram feitos contra três repartições de finanças em Lisboa. Com que intuito? Que raio de "moda" pretendem lançar? O que se segue, caixotes de lixo a arder e automóveis destruídos?

Se não fazes greve a bem fazes a mal?
Boa! Viva a democracia e o respeito pelos trabalhadores

Felizmente Portugal não é Lisboa.

E a raiva de Carvalho da Silva por a polícia ter retirado um a um os bloqueadores de piquete de greve à porta da carris? "Não compete à polícia decidir o que podem fazer os piquetes de greve", diz ele. Pois é, Carvalho da Silva, saíram autocarros conduzidos por quem quis trabalhar. Podes enfurecer-te mas és uma besta.
Apesar de tudo prefiro a besta Carvalho da Silva à ave trepadora que é João Proença; gajo, não convences... Claro que tens direito ao teu descanso mas não convences enquanto defensor dos direitos dos trabalhadores. Agarra-te Proença, agarra-te que isto anda mal de empregos e a claque dos "boys" já não é o que era.

foto semanário "Sol"


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VIDA A SÉRIO, PESSOAS A SÉRIO

Fui passar o último fim de semana de Outubro até ao feriado de 1 de Novembro para o centro interior do país, ali mesmo ao pé de Pedrogão Grande.

Os fins de semana são sempre curtos e os que conseguimos prolongar mais curtos nos parecem: quando estava quase a tornar-se tangível a doce realidade que quase consegui reter soaram as trombetas do dia-a-dia e lá tive de me meter no carro para vir preguiçosamente direita a Lisboa.

As crianças fazem muitas vezes perguntas que envolvem o seu conceito - e nosso - de "Vida Real": se um qualquer actor é mesmo amigo de outro na "vida real" ou se um personagem como o Batman ou o Indiana Jones existiram mesmo na "vida real". Fico sempre um tanto perplexa perante perguntas que envolvem este conceito. No fundo, nós adultos, sabemos que há ali qualquer coisa que não corresponde ao conceito de realidade e, à medida que vamos amadurecendo, vamos deixando de utilizar a expressão.

O que tornou o meu fim de semana prolongado tão inesperadamente curto, foi o breve sabor a VIDA REAL que me proporcionou. Tal como quando estamos a dormir não tendo consciência de que o fazemos também só me apercebi da tangibilidade da Vida ali quando comecei a partir.
Por certo já aconteceu a todos; quando estamos muito cansados mal nos sentimos adormecer; horas depois somos acordados pelo despertador aos berros ficando completamente desorientados com a sensação de que dormimos apenas dez ou vinte minutos. Pois foi exactamente esta a sensação que tive ao cabo destes dias.

A realidade da vida não é o corre-corre do dia a dia, as tarefas que quotidianamente se repetem, as pessoas que encontramos porque "fazem parte do cenário", os caminhos entediantes que percorremos, as horas fixas para comer, dormir, tomar um café, amar, discutir, cozinhar, tomar banho e tantas, tantas outras coisas que demasiadas vezes são quase tudo. Sentir acaba por ter um significado imediato e, consequentemente, superficial.
Não há nada de errado nisto, sentir isto ou aquilo ao longo do dia é do que de mais humano existe mas acabamos por raramente nos sentir a nós, por dentro, bem a fundo, sem a interferência dos cenários e figurantes, sem ser em relação a isto ou aquilo, sem ser em relação a este ou àquele. Sentir a Vida.

Ocasionalmente lá temos oportunidade de viver a vida real; um bom fim de semana, umas férias diferentes, um dia especial...

Esses quatro dias foram assim.

O local e as pessoas que tive oportunidade de conhecer, com quem privei um bocadinho que me soube a pouco, não foram de forma alguma alheias a isso, muito pelo contrário, foram a sua essência. Ficaram no meu coração pela sua franqueza, generosidade incomum, disponibilidade. Que posso dizer? Seres humanos a sério, sem cenários nem cenas, sem complicações desnecessárias - simples e autênticos como a vida real.

Um pouco como um agradecimento, ou mais como um reconhecimento do privilégio de que tive a sorte de usufruir, e que deixei já com saudades para voltar, abaixo deixo um "mapa" para este tesouro, algumas das muitas imediações que estão ao alcance de uma saída tardia para almoçar e de um regresso a tempo de planear a noite.



Se vos consegui motivar a querer saber mais deixo-vos o link aos CASAIS DO TERMO para darem uma espreitadela
E se lá forem levem beijinhos meus a dois amigos que por lá fiz: a Senhora Dª Olinda e o Senhor Domingos Luís, não se irão arrepender.


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DESABAFOS TUGA

Vai começar o jogo:
Finalmente alguma coisa mudou neste país: Ronaldo tem um penteado novo. Dou-lhe um "Like".

Tocou a música:
Os sacanas dos bósnios vieram a Portugal e dentro de um estádio português, rodeados de tugas assobiaram o hino português. Aah cambada! Talvez se lixem...

  • 8 minutos:
Golo do Ronaldo. Quieta! Qui-é-ta! Só passaram 8 minutos...

  • 24 minutos:
Nani marcou!
Eu grito GOOOOLOOOOOOO! O cão ladra que nem um louco. O piralho pula em cima do sofá.
Se não fosse o futebol como é que a malta desabafava?

Já me gamaram um "penalty"

Olha... não gamaram o "penalty" à Bósnia
2 - 1 ... Gruunnnffffffff.






Intervalo
(hoje vai ser um inferno conseguir meter o miúdo na cama)








'Bora lá então, agora a chutar para o outro lado

Bósnios sarrafeiros... se o Meireles não mostrasse a pernoca ao árbitro o sarrafeiro tinha-se safo do cartão amarelo

  • PIMBA! Vai'bscar. 'Ganda Ronaldo, g'anda golaço!
(Felizmente não tenho vizinhos chatos...)

Anda ali um jogador bósnio, nº11, a levantar o dedinho à cara dos adversários. Esta-me a dar mau feitio...

Já me gamaram outro "penalty"

  • A Bósnia marcou um golo maricas; e os portugueses em campo a vê-la passar... Tse-tse.
Aquele rapaz bósnio nº11 estava a precisar de um tabefe à moda do Scolari

  • 72 minutos
Gôôôláá´´aço! do Postiga.
Onde é que fica a Bósnia?

  • 78 minutos
É GOOOOOOOLLLLL0O 5 - 1
É bem-feita para não usarem as patas dianteiras como se fossem patas traseiras

  • 81 minutos
MEIA-DÚZIA!!!!!!!!!!!!!!! LOINDISSIMO!

  • 82 minutos
Hay qu'ia fondo o 7º... Era bonito, eu gostava... mas está bem!

(o cão endoidou de vez... não percebo por quê...)

  • 90 Minutos
Acabou.
Curiosamente agora os bósnios não assobiam o hino português
Terão perdido o piu?


Foi bom, jogaram bem e lá deram uma alegria à malta que bem vem a calhar.
Vou introduzir a criança na baliza, perdão, na cama.

Vêmo-nos na Polónia

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Só mais uma manifestação da minha alegria

Os golos de hoje foram de.
Cristiano Ronaldo (2),
Hélder Postiga (2),
Nani (1),
Veloso (1)
A FÁBRICA?...




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TIMOR, 20 ANOS. Para a L. X.

A 12 de Novembro,
faz hoje 20 anos,
270 mortos, outros tantos feridos
e cerca de 270 desaparecidos.

São acontecimentos destes que fazem a vergonha da humanidade.

Foi um dia de vergonha, de dor, de luto, de injustiça cruel e, posteriormente, quando as imagens de um massacre chegaram às televisões do mundo, foram momentos de incredulidade e espanto.
Momentos...

Poucos anos depois a vida fez-me encontrar e relacionar-me diariamente, durante anos, com uma jovem timorense, familiar próxima de D. Ximenes Belo, a L. Ximenes. Tinha uma boa vida em Timor, em família, em conforto bem acima da média, na paz possível. Perdeu tudo isto porque a sua família se recusou a colaborar com os indonésios; os pormenores não são, agora, importantes, foi assim.
Eu tive oportunidade de a conhecer, e de com ela privar, porque a vida dela por lá, em Timor se tornou "complicada". Perigosa? Não sei, nunca mo disse. Veio viver para Portugal e por alguma razão assim foi. Era ainda uma menina, crescida no corpo, inocente na alma, sofrida já na vida.

Nos profundos e escuros olhos desta rapariga, só aparentemente frágil, nunca vi raiva, muito menos ódio. Vi tristeza e saudade, vi muita coisa calada e que talvez mais valera fosse esquecida. Vi quase sempre aqueles olhos a sorrir para as pessoas, educadíssima e prestável, solidária. Vi sempre doçura; nunca lhe ouvi uma palavra amarga embora me fosse evidente a amargura que lhe amassara o coração; Vi a herança de um povo que não alimenta em si a violência e a agressão. Vi a aceitação mansa da vida e um conhecimento íntimo de até onde a injustiça pode chegar. E vi esperança e uma imensa capacidade de amar.

Nunca se desaculturou: estudou por cá, licenciou-se, trabalhou, anos depois foi viver para Inglaterra, foi mãe ... ainda hoje na sua página do "facebook" encontramos o seu coração timorense - frequentemente escreve e comunica-se na sua língua natal.
Pode tirar-se a menina de Timor mas não Timor da menina.


Um abraço longo e apertado para ti, L.X., especialmente hoje.








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Ó OTELO, APROVEITA ENQUANTO HÁ CHOURIÇOS

Um dos poucos argumentos que Sócrates apresentou com razão foi que o seu governo era legítimo: resultou de um acto eleitoral no qual o PS venceu as eleições, sem maioria parlamentar, o que se reflecte no apoio da Assembleia, mas venceu. Tudo o resto são considerações, análises opiniões mas o facto era inegável.

O presente governo tomou posse em Junho; sendo um governo de coligação é um governo maioritário, e legítimo. Tomou conta de um país com as cuecas rotas na mão, as quais nem se sabia bem até que ponto estavam rotas, desconhecia-se se ainda tinham um elástico que as mantivesse no sítio...

O presente governo pegou num país já com a troika "cá dentro", a tal "troika jamais" porque não havia «derrapagem orçamental» e estava «tudo controlado», os buracos tapadinhos com papel de embrulho para não se ver o fundo porque o fundo do buraco já nem dava para ver.
E quando se desembrulhou o buraco... embrulhados numa grande embrulhada estávamos nós todos.

A tal "troika jamais" já deveria ter entrado antes, já deveria ter havido um Basta! muito antes, já se deveria ter posto rédea na "besta" muitíssimo antes.

E agora? Agora estamos a viver dentro dos curtos limites que nos restaram. Estamos a viver muitíssimo limitados; pois é, pois estamos. Agora pagamos a factura de tanto crédito, de crédito mal parado; nunca parado por acção de gestão económica e financeira - parado apenas pelo embate num fundo de rede que antecedia a banca-rota.

Agora chegamos a isto e precisamos de um esforço hercúleo, vemo-nos em situações desesperantes e maioritariamente injustas. Preço elevado este que pagamos por um BASTA excessivamente tardio

Ou seja: deixamos que fossem ultrapassados todos os limites.


De repente aparece o herói do cavalo branco, o major que queria mandar os fascistas para o Campo Pequeno para serem fuzilados, e diz, como se alguém o tivesse mandatado para falar em nome do povo:

«Ultrapassados os limites deve ser feita uma operação militar e derrubado o governo»

Que grande democrata me saiu este general de aviário, sim senhor!

Bem... Ele também diz que não é para já... Talvez lá mais para Abril, digo eu, talvez dia 24... dois feriaditos seguidos até que vinha a calhar.

Ó Otelo... pergunto-me porque só agora te deste conta de que a coisa está preta, porque só agora te deu para botar faladura.
Ó Otelo... com tanto bom copo para beber na boa companhia de antigos camaradas de armas e desarmas... Deixa-te de merdas, as melhores revoluções fazem-se à mesa depois de um bom cozido à portuguesa; Ó Otelo... aproveita enquanto ainda há chouriços.




Eu fico-me por aqui; mais houve que dissesse e já não é de agora. O texto abaixo foi publicado no blog Arrastão e no Expresso on-line a 20 de Abril de 2011. Poderia chamar-se "Ó Otelo, vê se te enxergas"...
Não concordo com tudo o que diz, também não é preciso e talvez nem fosse tão salutar. Ah, mas concordo com tudo o que diz a propósito de Ótelo; é bom saber que não estou só.


Se soubéssemos o que sabemos hoje, Otelo!
por Daniel Oliveira

Otelo Saraiva de Carvalho presenteou-nos com mais uma das suas frases de efeito: se soubesse o que sabe hoje não teria feito o 25 de Abril.


Três coisas rápidas:

A primeira: o 25 de Abril não foi uma prenda de Otelo aos portugueses. Foi obra de muitos outros militares. E foi obra dos portugueses. A democracia não nasceu num dia. Foi construída. E foi construida e defendida por nós. Se ele não tivesse comandado as forças revolucionárias outros o fariam no lugar dele.

A segunda: isto não acabou assim. No meio, erguemos um serviço nacional de saúde que, com todos os seus defeitos, até está entre os melhores do mundo; alfabetizámos, construísmo a escola pública, democratizamos o ensino superior; garantimos uma segurança social universal; acabámos com a censura; deixámos de ter presos políticos; abrimos Portugal ao Mundo; e, para o mal ou para o bem, defendemos sempre a nossa democracia, com liberdade e pluralismo. Se Otelo faz um balanço negativo, ele lá saberá o que esperava da revolução.

A terceira: não me parece que se a revolução não tivesse acontecido estariamos melhor neste momento. Que tenha de haver gente a explicar isto a Otelo Saraiva de Carvalho só demonstra que o que lhe sobrou em coragem sempre lhe faltou em inteligência política, como se foi notando pelo seu percurso tão repleto de asneiras.

A ser verdade este súbito sentimento de Otelo, talvez seja altura de abandonar a parcimónia com que nos dirigimos a ele e dizermos de uma vez por todas o que muitos de nós sentimos demasiadas vezes: se soubéssemos que Otelo seria o que foi depois da revolução também teríamos preferido que tivesse sido outro a comandar as operações no dia 25 de Abril de 1974. Não precisávamos de ir longe. Bastava procurar entre alguns dos militares que o acompanharam naquele dia. De Salgueiro Maia a Melo Antunes, nunca faltou quem provasse ter muito mais sabedoria com muito menos fanfarronice

Publicado no Expresso Online



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O DIREITO AO BOM SENSO

Diz Rodrigo Moita de Deus no seu blog 31 da Armada:

a greve dos transportes explicada

Gente com emprego recusa transportar gente que quer trabalhar.

Posto de forma simples, ainda que com o seu quê de provocatória, é exactamente assim.

Não trago qualquer novidade ao dizer que esta greve de transportes nada tem a ver com a tradicional forma de luta na defesa de interesses de determinada classe de trabalhadores; é uma greve política, chapadamente política e ponto.
Eficaz? Hum... tão eficaz não quanto a adesão por parte do sector grevista mas quanto o número de pessoas que consegue afectar. Obviamente que o sector dos transportes é um dos sectores chave - quanto mais pessoas deixarem de trabalhar porque não terem transporte, ou, pelo menos, chegarem substancialmente atrasadas, maior o êxito da greve. "Gente com emprego recusa transportar gente que quer trabalhar", pois é... Destabilização social e política, pura e simples.

Daqui por quatro dias, a 12 de Novembro, soma e segue a manif. da Função Pública, a 24 continua o baile com uma greve geral marcada pelas duas centrais sindicais. Um fervor revolucionário em crescendo, uma técnica mais antiga do que o ... Ai credo, ia-me saindo um impropério.

De um modo geral é para o lado que durmo melhor; sou uma acérrima defensora do direito à manifestação, da liberdade de expressão e pelo direito à greve por motivos laborais. Porém a questão não é essa.

A questão é que o nosso país está de tanga, tanga rota e puídinha.
É bom, não, é fundamental, essencial, imprescindível, que consigamos manter o cumprimento dos nossos compromissos económicos dentro da U.E. e todos sabemos perfeitamente porquê, bater nessa tecla é repetitivo e não faz música.

Há dias, quando
Papandreou se lembrou de querer um referendo na Grécia, fazendo tremer toda a economia da União Europeia, fê-lo em vésperas de entrar mais um "balão de oxigénio" sob a forma de euros naquela "caverna de Platão" mergulhada sob águas turvas. Tivesse esse "balão de oxigénio" sido suspenso e, este mesmo mês de Novembro, a Grécia asfixiaria sem hipótese de pagar salários e serviços, para já não falar de bens.

Voltando à vaca fria, gelada.
O problema não é a destabilização social, não são as greves puramente políticas, por essas já passamos várias vezes. O problema é que não nos podemos dar ao luxo de não trabalhar, de não produzir, de parar. Não podemos, mesmo.

Se a situação económica de Portugal tem saída?
Claro que sim, se não nos empenharmos em lixar o esquema a bem da contestação política, a bem do "exercício dos direitos dos trabalhadores". Os trabalhadores somos todos nós que trabalhamos, produzimos, pagamos impostos e, neste momento mais do que em tempos corriqueiros, o exercício dos nossos direitos fundamentais passa pelo direito a criarmos condições para voltarmos a ter uma vida com menos sacrifícios, uma vida melhor com um nível de qualidade mais elevado. Não é uma crença, não é uma fé política, não é sequer uma esperança exacerbada. Já passamos por maluqueiras semelhantes anteriormente e demos a volta; e é possível dar a volta, sem ser em sonhos, basta fazer contas, estabelecer metas, planificar e gerir. Pois, mas temos de produzir, de trabalhar, de meter na cabeça que o bem e o futuro de todos nós está em jogo agora; não é altura para fervores que sacrificam a causa comum na "luta" pela causa partidária. É absurdo!

Felizmente há quem entenda isto.
O Metro parou em Lisboa, no Porto não foi assim (se calhar são os trabalhadores do Metro do Porto que são fascistas reaccionários - ah, talvez não tanto, apenas se deixaram manipular)

Olhem lá:
“Claro que todos temos direitos mas, tanto quanto direitos, temos obrigações, deveres, lucidez e bom senso. E é por isso que não fazemos greve: por termos a obrigação de manter uma empresa racional e equilibrada e o dever de, todos os dias, garantir a mobilidade de milhares e milhares de pessoas”, lê-se num comunicado enviado aos jornalistas.
.../...
“E partilhamos a opinião de que o sector muito teria a lucrar se adoptasse, o mais rapidamente possível, um modelo operacional semelhante ao do Metro do Porto. Sobretudo, o Estado e os contribuintes seriam poupados a pagar uma conta manifestamente desajustada ao benefício gerado”, frisam os subscritores do documento.
A notícia está AQUI


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ACORDESES ORGANIZEM-SE!


Depois da barracada da Proposta de Lei do Orçamento Geral de Estado 2012, escrito em meio-português/meio-acordês...

(quem não tenha dado por isso que se dê ao trabalho de dar um saltinho AQUI ,o original para quem "tem facebook",
ou AQUI, para quem não tem)

barracada essa da qual não resisto a deixar uns elucidativos exemplos, tais como:

Protecção do meio ambiente e conservação da natureza – Pág. 189
proteção do meio ambiente e conservação da natureza – Pág. 189

duas ópticas de contabilização – Pág. 53
numa ótica de contabilidade nacional – Pág. 53
( Deve ser o plural que tem "direito" a P)

DESPESA EFECTIVA – Pág. 69
despesa efetiva – Pág.69
(Aqui não será o plural, devem ser as maiúsculas)

os contratos efetivamente celebrados – Pág. 134
começará a ser efectivamente paga nesse ano – Pág. 75
(Ok, quando são pagos ganham o direito ao C)
(Creio que já dará para entender... há mais e muito bem comentado, vão lá ver)

A coisa irrita-me por diversas razões, a primeira das quais é que tudo o que é escrito em acordês me irrita mas, sendo esta a primeira não é de todo a mais importante nem a mais grave; a mais grave prende-se com o seguinte:
Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (…), a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo”

Que raio passa pela cabeça de quem redige um documento oficial do Estado ao parir uma Proposta de Lei Orçamental escrita em língua nenhuma?

O Ministério das Finanças coloca-se ao nível de uma ridícula RTP que transmite em "direto" ou de uma série de pasquins que publicam artigos que têm de ser corrigidos depois de redigidos para se acordarem com regras que não estão em vigor.

ISTO NÃO É UM PROBLEMA DE ECONOMIA OU DE FINANÇAS; É UMA VERGONHA INDECISA, ERRANTE E ERRADA, UM DESCONSOLO.
UM DOCUMENTO OFICIAL ESCRITO EM SEMI- ACORDÊS, UM ACORDÊS MAL ASSUMIDO DE QUEM SABE QUE ACORDÊS NÃO PRESTA, NÃO
ESTÁ EM VIGOR, É UMA TRAMPICE INVENTADA PARA AGRADAR A GREGOS E TROIANOS, MAS NÃO A PORTUGUESES

Mas dizia eu lá mais acima, depois desta barracada, tenho tomado atenção a semelhantes broncas em "sites" oficiais. A coisa seria hilariante se não fosse triste, muito triste.
Ainda há pouco passei pelo "site" da Autoridade Nacional de Protecção Civil (é, ainda se chama assim, em português mesmo) . E lá no dito está escrito:
2011-10-21
Primeiras chuvas: atue preventivamente

Sob este título podem ler-se várias banalidades como:
«aos cidadãos competirá tomar atitudes proativas»
e no final deste mesmo aviso:
Para o esclarecimento de dúvidas, contacte o seu Serviço Municipal de Proteção Civil.


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Já no "site" do Ministério da Educação pode ler-se assim:
«O Programa Educação 2015 foi lançado para elevar as competências básicas dos alunos portugueses e os níveis de qualificação e para traçar uma estratégia de convergência com os padrões internacionais de qualidade educativa.

Centra-se em três objectivos de referência:

Elevar as competências básicas dos alunos portugueses;
Assegurar o cumprimento da escolaridade obrigatória de 12 anos;
Reforçar o papel das escolas.»

Curiosamente este "Programa Educação 2015", « a lançar a partir do ano lectivo 2010-2011» (sic), publicado por este Ministério, encontra-se totalmente (!) escrito em português;
Este mesmo ministério que impõe que os estudantes, da primária incluídos, começassem já no princípio do presente ano lectivo a praticar e a aprender acordês.

Aliás, todo o "site" se encontra escrito em português; curioso não?

O mesmo é válido para o "site" do ministério dos Negócios Estrajeiros, o que tem relações privilegiadas com os Países de Língua Oficial Portuguesa

Não há dúvida que uma parte da nossa comunicação social está muito "à frente"; oxalá não caia...

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Quem é que se entende no meio desta salgalhada?
Como diria "o outro", ó gente, ORGANIZEM-SE!


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HOJE ACORDEI TRISTE, O PR NÃO QUER SABER DOS MEUS CONSELHOS

Ontem dediquei-me de alma e coração a tentar dar o meu melhor, a esmifrar a minha observadora mente em busca de bons conselhos para o Presidente da República... e afinal havia outra!

De que falo eu? Da foto, claro.

Ora atentai na foto que acompanha o "post" de ontem...
Já está?

Atentai agora na foto abaixo prantada que retrata a reunião de Conselho de Estado que ocorreu ontem.



Aníbal trocou de camisa!
Desapareceu o efeito convergente que culminava na imagem do PR como "ponto de fuga".
Nada de "pontos de fuga" para o PR... Da convergência muito se falou e comunicou...
Oxalá não se fique por aí, pela conversa pós C.E.

Aníbal trocou de gravata!
Foi-se o "ponto de exclamação", perturbou-se a verticalidade, à harmonia com os tons da mesa substitui-se uma diluição.
Ahhh, mas um novo dado salta à vista... O "ponto de exclamação" perdido assume-se agora como o vértice mais alto de uma triangulação visualmente obvia. Obvia sim. Qual? Ora... triangulai até António Seguro, de um lado e G'anda Noia, perdão, Marques Mendes, do outro. Por outras palavras: a soma dos quadrados dos catetos

E os floreados... baseiam-se em alicerce bem à vista, foi-se a camuflagem farfalhuda, há uma maior mistura de cores composta de forma mais simples.
Muito bem meninos, inspirem-se neste "arranjo" central - conversem, muito, à volta da mesa e "não para fora da mesa", é muito feio e gera muita intrigalhada.

Posto isto e em jeito de rescaldo apenas dois comentários:



1 - Passos Coelho conseguiu "riscar" neste C.E. Dúvidas?
Ora atentai na gravatinha. Gravatinha é muito importante (já dizia o meu pai)





2 - Passos Coelho não tem "agenda escondida"





(Todas as fotos: Presidência da República)

HOJE ACORDEI TORTA ATÉ DIZER CHEGA

«No dia em que o Conselho de Estado vai discutir a situação do país, Renascença pediu aos portugueses que deixassem conselhos ao Presidente da República.
Alguns dos conselhos - de personalidades das mais variadas áreas da sociedade e também de muitos internautas anónimos - passaram, ao longo do dia na Informação da Renascença.../...»
In "Página 1"- 25 Out.2011


Os meus conselhos a Aníbal:

Gosto do azul da camisa, condiz subtilmente com as tampas e o tom azulado das filas de garrafas de água;
Cria um efeito convergente que culmina na imagem do PR como "ponto de fuga".
Sem dúvida duas necessidades estéticas fundamentais - convergência e ponto de fuga...

Gosto do tom da gravata, estabelece uma discreta harmonia entre o todo e a parte;
a figura do PR aparece como um ponto de exclamação na sua verticalidade harmonizando-se com os tons na mesa, da "Távola", em torno da qual os diversos quadrantes se reúnem; harmoniza-se até com os floreados centrais. Verticalidade e harmonização, mesmo que com floreados - imprescindível.

Esperemos que esta verticalidade simbólica não seja perturbada por um qualquer trejeito excessivo que se transforme numa obliqua "barra" " e/ou..." entre o que é suposto ser paralelamente funcional , evitando assim convergências e divergências destabilizadoras e altamente perturbadoras do equilíbrio da imagem e dos alicerces da sustentabilidade institucional.

Poderia Aníbal ir mais longe? Poderia...
Poderia procurar um acordo aparente entre o seu clássico fato, trocando aquele sóbrio azul-escuro pelos tons verde-ecológico dos reposteiros, aliás os mesmos tons da folhagem que serve de camuflado à base dos floreados centrais.
Tal acordo, aparente, seria excessivo e retiraria individualismo à sua personalidade enquanto PR.
Melhor será que Aníbal se preocupe em manter a sobriedade, sem se preocupar em agradar, sem atitudes forçadas de um ecologismo político pouco a propósito e confrangedoras para quem toma as inadiáveis medidas que ele, Aníbal, nunca tomou enquanto primeiro-ministro ou enquanto ministro das Finanças.

Um "must" que lhe ficaria a matar:
Uns bonitos e potentes óculos graduados compostos por lentes bifocais e uma armação discreta, de preferência não metálica para não fazer soar,desnecessariamente, os alarmes.


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É PRECISO TER LATA

A Faculdade de Economía do Porto convidou Teixeira dos Santos para fazer a oração de sapiência para a abertura oficial do ano lectivo...

Esperem aí só um bocadinho que eu vou ali ao dicionário confirmar o significado de "Sapiência".
...
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Não, não estava enganada mas confesso que me senti baralhada...

E o Teixeira dos Santos aceitou o convite?
Pois que aceitou...
Esperem aí só mais um bocadinho que eu vou pesquisar no arquivo das notícias para ver se isto foi mesmo o Teixeira dos Santos que eu estou a pensar.
...
...
...
Foi, foi mesmo o Teixera dos Santos, ex-ministro das Finanças.
Hum...

Bem, mas ele foi falar de quê? Creio que não terá sido de Economia... Nem de Finanças ... Nem da crise...
Ou foi algo do tipo: "O que não se deve nunca fazer em Finanças Públicas"? Vou reler.
...
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Teiteira dixit:

«Temos que ter consciência de que o ajustamento a efectuar é grande e que os sacrifícios muito significativos; sacrifícios incontornáveis e inadiáveis, mas sacrifícios que devem ser exigidos»
Incontornáveis e inadiáveis? Então mas afinal há "derrapagem económica"? Então mas com o deficit não "está tudo controlado"?
Devem ser exigidos sacrifícios? Mas isso não é nada popularucho... De certeza que se deve fazer?
“Não se podem ignorar a as exigências de relançamento a prazo, de um forte crescimento económico”
Não se podem ignorar? Essa agora... Desde quando? Obviamente podem ignorar-se, como o Teixeirinha muito bem soube fazer; Como todos descobrimos, não devem ignorar-se
“O caso grego, pela sua dimensão e pela sua falta de transparência, reforçou o receio de insolvência”
O caso grego? A falta de transparência? Ó Teixeira... tem vergonha!
E ainda teve lata que lhe sobrasse para dar lições acerca do que deve ser feito e como
Mas há pachorra?


Quanto à Faculdade de Economia do Porto... Não sei o que é que se ensina por lá mas, pelo que deixam transparecer, não deve ser grande coisa...
Foi lá que Teixeira dos Santos se licenciou e foi também esta faculdade que lhe deu a equivalência ao grau de Doutor em Economia.
Desgraçados daqueles que por lá andam queimando as pestanas: a menção à F.E.P. nos seus C.V. não será particularmente honrosa a avaliar pelos frutos que tem vindo a dar... E ainda os convidam para orações... de sapiência.



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PARA O MEU AMIGO INCONDICIONAL

Sábado, 22 de Outubro

Abro o computador, ligo a net, dou uma trinca na tosta, espreito o e-mail e entra o meu filho:

- Mãe, tens o teu blog aberto?
- Não, porquê?
- Por acaso já passaste para o computador as fotografias que te pedi que tirasses ao Steiner no dia dos anos dele?
- Hum... ainda não
- Então ainda não estão no blog, né?
- No blog? Não, não estão
- Mãe, o Steiner fez dois anos há três dias e tu nem sequer puseste uma fotografia dele no blog... E o coitado até julga que tu és mãe dele, até dava a vida por nós...
(engulo em seco; faço um silêncio comprometedor)
- Está bem, vai buscar a minha máquina fotográfica e vamos os dois escolher umas fotos para fazermos um post de " Dia dos anos do Steiner"
- A sério? Agora?
- Agora, vai lá.

Então vamos a isto:

O dia 19 de Outubro começou (ainda) mais cedo do que o habitual; fomos soltar o Steiner durante uns bons dez minutos mas ANTES de o Luís ir para a escola. Claro que depois de deixarmos o Luís na escola teve direito ao seu habitual passeio matinal prolongado



À tarde, quando voltamos para casa, trouxemos uma "pequena" prenda muito roível e gostosa...



E para acabar este dia do segundo aniversário do Steiner
foi a "mimalhada total".



- Ó mãe, ainda podemos pôr mais estas fotografias em que o Steiner estava tão contente?
- Podemos se não forem muitas...
- Então podiamos pôr esta com aquele cão amigo dele... E aquelas em que ele estava a posar para a fotografia feito parvo... e aquela com ele à espera que voltassemos para casa... e aquela...
- Pronto Luís, acho que já chega, vamos pôr essas e acabou-se, ok? Acho que o Steiner prefere que o levemos a passear agora.
- Está bem mas então põe essas, não são dos anos mas são recentes, também valem.












































PARABÉNS STEINER

Quando o dono sai e o cão fica só é como se a vida ficasse em estado de suspensão, nada mais existe para além da espera
Quem abandona um cão é como se o matasse... todos os dias, torturando um coração que nunca esquece.


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