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INVERDADES? CHAMAM-SE MENTIRAS

José Matos Correia questiona António Costa no debate do Orçamento do Estado
22 Fev. 2016

Abstenho-me de fazer comentários
Quem rosnar rosnou,
quem perceber percebeu.

A gerigonça que se entenda

 

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O ÚLTIMO VÓMITO DE CAVACO

Faz hoje 3 anos, a 20 Fev. 2013, a propósito das alucinadas condecorações que o Cavaco distribui a bel-prazer, escrevia eu aqui:
 Não percebo muito bem que raio se passará no Palácio de Belém, se será do ar condicionado, se de algum vento estranho que venha do mar mas estou convencida de que anda por ali algum vírus ou bactéria de incubação longa que ataca os neurónios. (.../...)
De onde terá vindo a Cavaco esta ideia peregrina de condecorar com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo o estupor do Pinto Monteiro? 
Várias vezes me pronunciei aqui em desfavor do Cavaco, mais pelas suas - graves - omissões do que pelos seus feitos, que são poucos.
O Cavaco presenciou, caladinho, as coisas mais incríveis feitas pelo Sócrates. Só mesmo no finzinho da reinação de José é que Cavaco se quis amar em Homem e lá discursou uns blá-blás indignados. tarde e a más horas.

Durante a época mais difícil do governo de Passos Coelho Cavaco não conseguiu esconder despeitos e invejas e foi dando alfinetadas e puxões de tapete, subrepticiamente,  como sempre: a última coisa que Cavaco é capaz de ser é frontal; foi criando instabilidade e testando ao rubro a paciência e determinação do primeiro-ministro. Passos Coelho teve uma calma heroica.

Após as últimas legislativas borrou completamente a pintura... Não se notará muito no cômputo geral, a obra feita é uma boa borrada.
Dias antes de Portugal ser presenteado com o actual governo vim para aqui desabafar:
O que quer que seja Cavaco decida já vem tarde.
Cavaco sempre teve esta tendência irritante, pelo menos para mim, que gosto de gente que é clara nas suas atitudes e capaz de dar um bom murro na mesa, de esperar pelo fim do jogo para fazer os seus prognósticos... Cavaco aposta numa "salvaguarda da dignidade" do presidente da república que tem prolongado desnecessária e repetidamente situações dúbias, insustentáveis e prejudiciais para o país.Mas Cavaco, egocêntrico como sempre, permitiu que a equação fosse feita à margem da sua não assumida responsabilidade.
Venha o que vier, um governo de gestão ou um governo à esquerda, querido Aníbal, quando fores já vais tarde.
Na ausência da possibilidade de ser mantido um governo minoritário Cavaco tinha a obrigação de deixar absolutamente claro que exigia um entendimento entre os dois partidos mais votados; que diabo!

Ingenuamente pensei que as borradas de Cavaco tinham chegado ao fim. Enganei-me, redondamente.
«António de Albuquerque de Sousa Lara foi condecorado esta quinta-feira pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique, destinada a “quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro”.»
Que a Maria de Lurdes Rodrigues seja condecorada é indecoroso, como que a tapar os processos judiciais com o brilho da medalhita, mas o Sousa Lara???

O Sousa Lara é um pulheco, um gajo com tantas caras quantas as que precisar para se dar bem com gregos e troianos e quantos mais vierem que lhe possam vir a ser úteis ou com quem não queira criar antagonismos.
Na sua "biografia" disponível na Wikipedia consta que é Cavaleiro de Graça e Devoção da Ordem Soberana e Militar de Malta e Comendador da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, entre outras; É estranho que tenha sido esquecido que é, ou foi, maçon regular, em época que lhe foi favorável ser pessoa grata na famigerada "Casa do Sino".

Pessoalmente estou-me tão nas tintas para que o energúmeno seja cavaleiro de Ordens católicas ou maçon dos quatro costados, quanto para o veto e fez ao livro do do Saramago;  o que acho notável é que o tenha sido simultaneamente e se esqueça sempre da parte inconveniente. Isto é uma boa, embora pequena, amostra da dignidade e carácter do sujeito.

Não sei se o Lara tem amigos, tenho algumas dúvidas, sei que tem relações proveitosas, muitas; sei que é amabilíssimo pela frente e mordaz no momento seguinte, sei que se ri de quem considera ser-lhe inferior - o que, obviamente, é quase (?) toda a gente.  Pois que goze mais esta sua medalhita, vinda de onde vem creio que o gozo será efémero.

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MAS ALGUÉM LEVA ISTO A SÉRIO?

É obra conseguir condensar tanta pataquada, tanta "contrapartida" em tão pouco tempo; até a língua se lhe enrola no palavriado do marketing.

A minha favorita na categoria «Tens muita lata» é:

  • «Nós baixamos o IVA da restauração, mas em contrapartida aumentamos os impostos especiais sobre o consumo».
Na categoria « Se queres azul por que pintas de amarelo?» elejo esta:
  • Queremos que as nossas finanças públicas sejam  sólidas, com menos deficit e com menos dívida
 

 Caso vos apeteça jogar ao "Verdadeiro/Falso" queiram fazer uma visitinha ao blog "O Insurgente" que, numa sucinta dúzia de linhas sumariza a questão.

Eu vou até ali ao "Expresso" dar mais umas gargalhadas com um artigo entitulado:


cujo "teaser" começa assim:
«António Costa é claro: “Não queremos nem pretendemos excluir ninguém do diálogo político”. Ao Expresso, o PM diz que é preciso “respeitar o luto da direita”»

e acaba assim:
«“Pressões acrescidas”, não as sente. Continua a fazer puzzles, que lhe “dão tempo em vez de lho consumirem.”»

Desafia Passos para consensos políticos??? 
Mas este gajo não se enxerga?
Onde tinha o Costa metido os consensos políticos quando Passos encetou conversações para formar um governo com o partido vencedor das eleições com 36,86% em vez dos 18,44% em quem ele preferiu apoiar-se?
Xou....... Ninguém responde...

Costa, queres bolota? Trepa, trepa que tens jeito para isso, Piparote!



SE FOSSEM BONS VENDIAM-SE

Na China é de uma maneira, na Turquia é de outra, na Rússia coiso e tal...
Por cá a questão não se põe, vivemos em liberdade num país democrático.
A Internet espraia-se sem restrições pelos computadores portugueses em todo o território nacional. Óptimo! Importante. Fundamental.

Mas há uns tipos que não se destacam pelo sentido de humor, não têm estaleca para, ao serem gozados, rirem-se de si próprios e da tão rápida quanto imaginativa capacidade dos portugueses para inventarem graçolas a propósito de tudo e de nada.

O Costa, interjeitado pelas críticas ao Orçamento, teve um mau momento - mais um mau momento - em que aconselhou o bom povo a andar de transportes públicos, a deixar de fumar e a não recorrer ao crédito...
Obviamente que as reacções não se fizeram esperar mas a malta até aguentou a coisa com muito nível; em vez de o mandar ver se chove, de forma mais ou menos agressiva, dedicou ao infeliz catadupas de graçolas - algumas deliciosas - sob o tema "#conselhos do Costa".

O Twitter foi invadido por "twittadas" alusivas ao tema, seguiu-se o Facebook e nem os jornais deixaram ignorar a coisa. Em semana de carnaval foi um fartote de bons e variados conselhos dedicados à poupança.

Aaahhh mas o Costa não gosta de ser gozado. Está bem, ninguém gosta, mas uns aguentam as críticas, defendem-se, encaixam, passam adiante; outros não. O Costa é dos que não, nem um bocadinho. Para o Costa as críticas à sua pessoa são injustas, são de quem não percebe nada, são complots contra a sua pessoa. O Costa tem raivinhas encapotadas, não as mostra mas à "volta cá te espero"...

Por ridículo que pareça, por estranho que seja, por má imagem que dê, a verdade é que a conta do Twitter "#os conselhos do Costa" foi suspensa...
Foi sim!
«O gabinete do primeiro-ministro assegura ao Observador que não foi apresentada qualquer queixa formal junto do Twitter – nem sequer sabiam da conta ou da suspensão.»
Não sabiam?!?! Espantoso! Deviam ser os únicos...  para além de que o pessoal do Gabinete de Imprensa devia de levar uma boa achega, cambada de incompetentes.
Mas pronto, «não foi apresentada qualquer queixa formal».
Hum... Não deviam de dizer isto assim, há para aí gente que será bem capaz de pensar que claro que não foi uma queixa formal, foi um telefonemazito de pé-d'orelha que acabou com um convite " a ver se vamos almoçar um dia destes"...
Pois, não deviam de dizer isto assim.
Por outro lado, não devem ter com quem almoçar no Facebook, a página continua aberta: https://www.facebook.com/conselhosdocosta/?fref=ts

Claro que se pode evocar: "Falsificação de identidade é uma violação das regras do Twitter." Pode mas é ridículo e estrategicamente errado. Não só não havia qualquer perigo de alguém confundir a tal página com uma do Costa (aquela tinha imensa graça) como o Twitter está pejado de páginas "falsas" das mais variadas personalidades, políticas e não só, e ninguém parece ligar a isso.
Ri-dí-cu-lo!
«A conta“Pedro, o PM”, um retrato satírico do ex-primeiro-ministro, criado em 2012 e em tudo semelhante ao perfil fictício de António Costa, nunca esteve identificado como sendo falso. E chegou a somar 6.310 seguidores, sem nunca ter sido sancionada ou suspensa.»
Pois é... Costa, queres um conselho?
Está bem, agora não, estás traumatizado.


«Twitter. Suspensa conta que gozava com Costa»

355.713 PARTILHAS                           In Observador
«Era uma conta satírica e de paródia ao primeiro-ministro. Agora, o Twitter decidiu suspender o perfil fictício de Costa. Autores da página não foram notificados. PS garante que não denunciou a conta.»

O FIM DA AUSTERIDADE!!!

KÊ???

Aaahhh, finalmente percebi o que queriam dizer com "O fim da austeridade"


«As subvenções vitalícias atribuídas a políticos fora do activo vão disparar de 700 mil euros para quase 19 milhões de euros este ano. 
O valor consta da proposta de Orçamento do Estado para 2016, e resulta da decisão do Tribunal Constitucional, que obriga à reposição das verbas cortadas nos dois últimos anos

«Há cerca de um mês, o Tribunal Constitucional declarou a inconstitucionalidade das normas do Orçamento do Estado para 2015 que alteraram o regime das subvenções vitalícias a ex-titulares de cargos políticos, que as faziam depender do nível de rendimento.»
In RTP notícias - 7 Fev. 2016 (vídeo)

No entanto... Porém... Apesar de...Todavia,... Contudo,... Não obstante,.. 
A 29 de Março de 2013...
«José Cardoso da Costa* foi um dos constitucionalistas que defenderam o Orçamento, no âmbito do processo de fiscalização da constitucionalidade. Miguel Nogueira de Brito, Xavier de Basto e Vieira de Andrade também deram parecer favorável.» In Jornal de Negócios
* Catedrático jubilado de Coimbra, juiz do Tribunal Constitucional durante 20 anos e seu presidente entre 1989 e 2003

Não sei porquê mas está a querer parecer-me que o Tribunal Constitucional se dá melhor com este Executivo de "fim de austeridade" . Deve ser devido à intransigência na defesa dos interesses do povo português...
                                                                                           
Entretanto, coerentemente...

«As despesas dos gabinetes dos 60 membros que compõem o primeiro governo liderado por António Costa totalizam os 58,2 milhões de euros este ano, de acordo com os mapas informativos que acompanham a proposta de Orçamento do Estado (OE) de 2016. Este montante representa um aumento de 6,7 milhões de euros em relação ao valor orçamentado em 2015, o último ano do executivo de Passos Coelho, com 56 membros.»

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NÃO VOU LEVAR ISTO A SÉRIO - 6

O NOTICIÁRIO NACIONAL COMO É VISTO CÁ EM CASA




João Galamba apresenta Orçamento de Estado!
Monday, 1 February 2016

O SÉCULO REPUBLICANO

Contam-se pelos dedos de uma mão, e sobram dedos, as vezes que re-publiquei aqui um post. Este "veio hoje ter comigo" no "see your memories of this day" (ou coisa parecida) do Facebook. Porque hoje é hoje1 de Fevereiro, reli-o. Foi escrito em 2010 quando decorriam as comemorações do centenário da república; Hoje, uma semana após umas eleições presidenciais nas quais, pela primeira vez votei em branco, redobro as minhas palavras por sentir as razões redobradas.

CEM ANOS SEM REI

O que me lixa não é que se comemorem os 100 anos da república, cada um é para o que nasce e "chacun s'amuse à ça façon".
O que me lixa é que se comemore o centenário da república como se a instauração da dita correspondesse à realização da vontade democrática do povo português; como se estivessem a celebrar 100 anos de democracia, ou lá que raio de sucedâneo de democracia é esta coisa em que vivemos actualmente.
A nossa suposta democracia é uma jovem prestes a completar 36 anos que, talvez por acumular erros de juventude e devido à sua descuidada cultura e educação, para já não falar de uma capacidade financeira que a tem vindo a comprometer na sua ética e na sua independência, apresenta um aspecto desgastado, e pouco atraente.
Será por isso que agora tendem a confundi-la com uma centenária?

A república tem 100 anos e Portugal cumprirá este ano 867.
Quase tudo o que foi importante se passou nos primeiros 767

O que se fez destes últimos 100 anos em Portugal que faça deste país uma presença respeitável no mundo? Uma referência? Uma opinião ou um exemplo a ter em conta?

(aquele vergonhoso programa de televisão sobre "Os 100 maiores portugueses" foi uma boa amostra...)

E não me venham falar das conquistas do povo na sua Liberdade, que é curta nos anos e encurtada no respeito, nos seus Direitos, que expressos ou não na Constituição, são de menos em menos observados, cumpridos e, uma vez mais, respeitados.
Não me falem de igualdade e, menos ainda, de fraternidade; não me falem porque atiro-me para o chão a rir e a chorar ao mesmo tempo e terão de chamar uma ambulância e vestir-me um casaquinho branco daqueles com muitas persilhas e fivelas.

Já sei, já sei, "a monarquia peca à partida porque o rei não é eleito, o rei é filho do rei".

Tenha um republicano uma empresa e vá lá eleger um director-geral que reúna o consenso do seu eleitorado, que seja supra-partidarices, e que tenha a educação e a formação apropriadas às suas funções... Uma gaita!
A ingenuidade tem limites e, quando não tem, é o descalabro empresarial.
Quem tem uma empresa quer ver à sua frente alguém que saiba da poda, que conheça os bons e maus caminhos, que saiba ler relatórios e contas, que saiba aferir das várias necessidades, o resto é conversa. Depois que se elejam representantes, comissões, etc, etc. mas não pode ser o Senhor porteiro, que conhece toda a gente, é um gajo porreiríssimo e que conhece os cantos à casa que o bom senso fará eleger responsável pela empresa.
"Mas nada garante que o rei será um bom governante..."
O rei não é um governante numa monarquia moderna; O rei é a personificação do seu país, para isso é educado, é a estabilidade que permanece com tudo o que constitui uma Nação, não personifica nem se altera nas mutações normais e decorrentes da vida do Estado.

Obviamente que não falo contra o sistema democrático e eleitoral, longe de mim, defendo-o com unhas e dentes. Não é o sistema democrático que está em causa.

Não é possível um presidente da república ser consensual, ser apartidário, ser, de facto, o representante de toda uma nação. E não é presidente da república quem está, de facto, preparado para o ser, quem tem a educação e a formação para o ser; É quem é eleito, num acto político e, também, afectivo.

Vivemos de "Pai da nação em Pai da nação" como um povo orfão que vai mudando de pai adoptivo; um padrasto que serve vários interesses e, com muita sorte, até poderá defender os do povo que o elegeu durante o tempo que durar. E se o deixarem, caso não se trate de um regime presidencial.

Então e um rei, é sempre bom e consensual? Não, não é, mas também não é essa a sua função. Para governar e legislar existem governos e parlamentos. Os poderes Executivo, Legislativo e Judicial não se prendem de forma alguma com um regime republicano ou monárquico, são questões totalmente independentes, como questões independentes são as da Democracia ou da Autocracia.

O rei é educado fora do ambiente partidário; o rei não vota, o rei não se candidata, o rei não precisa de ser eleito nem de se subjugar a essas necessidades e interesses.
O rei é educado tendo como ideologia o seu país e o seu povo, a união da sua nação.

O rei não vai ser presidente de uma qualquer empresa pública, ou privada, não vai pedir nem aceitar um "job dos boys". O rei não vai ser primeiro-ministro, ou segundo ou terceiro, nem deputado, nem presidente da câmara ou da junta, ou do Sporting ou do Benfica.

O rei é a bandeira de um país mas com uma consciência e uma voz. O rei permanece como símbolo da nação e do povo quando as eleições modificam as legislaturas entre as esquerda e a direita, entre a boa ou má gestão do senhor A ou do senhor B.

Ah pois, então e os privilegiados? A nobreza... os marqueses, os condes, etc?

Privilegiados? Os marqueses, os condes, etc? Não me gozem!

Há alguém que seja privilegiado por ser conde ou duque, que se encontre acima da lei, acima dos direitos e deveres de cidadão, em qualquer uma das monarquias democráticas europeias?

(Aliás, deixemo-nos de redundâncias porque não existe qualquer monarquia europeia que não seja consolidadamente democrática; já das repúblicas não se poderá dizer o mesmo).

Privilegiados, sim existem, em todo lado, uns por conquista ou herança - legitimantente adquiridas - outros...
Outros de quem nem vale a pena falar, nós por cá vemo-los às dúzias, impunes e divertidos proclamando a sua inocência e inimputabilidade aos quatro ventos, democraticamente descarados, eleitos, nomeados.

Comemorem lá o centenário da república, é verdade faz 100 anos, mas não a venham identificar com as conquistas democráticas, não atirem areia aos olhinhos do Zé Povo que já anda cegueta há que tempos.
E já agora, não se esqueçam de que a república não nasceu de uma revolução de cravos ou rosas; nem rosas e cravos se lhe seguiram.