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COITADINHOS DOS TERRORISTAS

Cresci a ouvir falar de guerras, eu e quase toda a gente no mundo; a guerra colonial, a guerra do Vietname, o Cambodja, Beirute, o Biafra, a guerra dos 6 dias, o Yom Kipur e sei lá mais quantas. Cresci a ouvir falar de guerras, a vê-las na televisão, tive sorte, houve quem as vivesse e quem não tivesse tido tempo para crescer.

Desde que existe humanidade que andamos em confrontos... Não é por acaso que as primeiras imagens do inimitável e sempre novo "2001 Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, se inicia, na alvorada da humanidade, com luta e a descoberta da primeira "arma": um fémur. Um fémur utilizado para agredir e decidir o clã vencedor.

Mas as guerras eram guerras... Guerras, a Primeira e a Segunda, a ameaça nuclear da Terceira, as guerras quentes e frias, o Muro, os gulags, a fome... Em nome de tudo e mais alguma coisa, em nome de Deus - seja lá qual Deus for - em nome da justiça, da liberdade, da vingança, da honra... No fundo só existem duas grandes causas: sobrevivência por um lado,  território, poder e riqueza por outro, o resto é retórica, dialéctica, argumentação.

Actualmente as guerras decresceram, são guerrilhas, mas estou em crer que a violência é crescente. Actualmente os confrontos são geograficamente limitados - como o sudeste da Ucrânia, a Faixa de Gaza ou algumas zonas específicas em África - mas os ataques letais e violentos podem bater a qualquer porta em inúmeros lugares do mundo. Vivemos sob a ameaça do Terror, o terrorismo é o modus vivendi e o modus operandi na actual Ordem Mundial.

Não preciso forçar a memória, as últimas 24 horas chegam para ilustrar o que estou a dizer:

Ontem um tarado islamita qualquer, que se estivesse mais vigiado estaria certamente preso, tomou conta de um inócuo café na baixa de Sydney, fez dezenas de reféns e acabou morto, ele e mais duas pessoas - um jovem gerente de loja e uma jovem que tinha ido tomar o pequeno-almoço.


Hoje, ainda mal tinha amanhecido por cá já se noticiava que o Movimento dos Talibãs do Paquistão ocupara uma escola em Peshawar com cerca de 500 pessoas, alunos e professores, e mataram mais de 140, na sua maioria crianças.
"Muitos foram executados no principal auditório da escola, mas os sobreviventes dizem que os atacantes foram de sala em sala e abriram fogo contra alunos e professores.O porta-voz do grupo, Muhammad Umar Khorasani, numa declaração às agências noticiosas internacionais,  disse que os seis combatentes taliban tinham “ordens específicas para não fazerem mal a menores”."
Pois... por não quererem fazer mal a menores é que atacaram uma escola...

Sobre terrorismo nem vale a pena ir além destas últimas 24 horas, a lista é interminável, a escolha entre os ataques muitíssimo difícil e não acrescentaria nada de novo, todos sabemos, independentemente dos nossos ideais, credos e éticas.

Uma coisa porém valerá a pena lembrar: sem a actual hiper-vigilância contra-terrorista a lista seria inimaginavelmente mais extensa; felizmente vivemos na ignorância de quantos ataques terroristas são travados pelo mundo.
Aqueles que se sentem incomodados pelas câmaras de vigilância, pelas escutas telefónicas, pela grelha sobreposta a e-mails, pelo escrutínio de visionalisação de sites na Net e pelo Projecto Echelon da NSA, deveriam ganhar uma consciência mágica que lhes permitisse tomar conhecimento de quanta violência e sofrimento já foram evitados, de quantas vidas já foram poupadas devido à vigilância e acção contra-terrorista. Como saber se algum, ou alguns, daqueles que amamos, para já não falar de quantos nos são anónimos, poderiam neste momento já não estar connosco devido a uma viagem de avião em férias, a um pequeno-almoço na pastelaria errada, à visita a um museu imperdível ou a qualquer outro momento inocente e quotidiano?

Pela parte que me toca não me sinto nada incomodada, muito pelo contrário, quanto mais eficaz e global for a vigilância contra-terrorista mais segura me sinto. Venha a CIA, o MI6, a Mossad e outros que tais, é um preço que aceito de bom grado e se for preciso aplicar práticas "chocantes", como o afogamento simulado e outras formas violentas para obter informação, pois que se apliquem. Eu só tenho a agradecer que exista quem suje as mãos por mim - para eu poder bradar aos céus contra a tortura na segurança do meu cantinho.

E...

Não me venham, de ânimo leve dizer que "nós" não somos terroristas, que temos de ser diferentes, temos de velar pelas boas práticas sem ceder à violência.

Sim, "nós" somos diferentes, "nós" não obrigamos ninguém a professar a nossa religião sob ameaça de morte, "nós" não armadilhamos crianças que explodem em nome do que nem sabem, "nós" não cortamos cabeças para exibir em vídeos, "nós" não violamos e escravizamos mulheres e meninas, "nós" não encostamos a um qualquer muro de via pública aqueles que nos incomodam para os fuzilar sem julgamento, apelo ou agravo, "nós" não vaticinamos a ocupação do mundo por uma machista, sub-medieval e violentíssima "Lei de Sharia" em teocracias de leis voláteis.

"Dar a outra face" não significa, nunca significou, pormo-nos a jeito para levar outra bofetada, significa não nos deixarmos vencer ao levar a primeira, significa não nos acobardarmos perante a violência alheia.

Há pessoas indignadas pelos relatórios da CIA? Está bem, felizmente têm a liberdade - sobretudo emocional - de se sentirem indignadas.
(Tivessem sofrido na pele e no coração as consequências do terrorismo e pergunto-me se teriam a mesma reacção...
Independentemente de ter presente de que os princípios éticos não devem ser abalados pela vivência pessoal a verdade é que uma coisa é a teoria e outra é matarem-nos um filho.)
A mim indigna-me a progressão do terrorismo em todas as suas facetas, sobretudo quando se torna uma prática quotidiana.
"Nós" temos o direito e o dever de prevenir, antecipar e punir os ataques terroristas de que sejamos alvo, doa a quem doer

E não me importo mesmo nada que lhes doa.

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PONTOS NOS I's - HOJE NÃO ME APETECE BRINCAR

"A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado" (JMF)
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Ao longo destes últimos dias, desde a detenção de Sócrates, não ouvi uma única voz - de jornalista, político ou comum mortal entrevistado na rua - cair em descrédito e dizer: "Não pode ser, Sócrates é um homem sério".
Retiremos conclusões...

Ouvi sim uma espécie de zarolhos - daqueles que só vêm para um lado - insurgirem-se com a forma "mediática" como Sócrates foi detido, como se fosse possível detê-lo de forma não mediática; seria sempre uma questão de minutos, mais dez menos dez. 

Adiante... Sócrates é um garboso rapaz, banhou-se na multidão, assumiu o poder (e de que maneira...), vestiu-se de Armani, pavoneou-se e, quando deixou para trás o país na bancarrota, foi filosofar para Paris, pagar almoços como um árabe e deleitar-se no bem-bom. Ou seja esteve-se completamente "dans les encres" (que é como quem diz "nas tintas") para o povinho e fê-lo com altivez e ar de gozo. Gastou, comprou, pôs e dispôs como se fosse um herdeiro rico, como se não tivesse contas a dar. E, espantosamente, ninguém lhas pediu, ou conseguiu pedir. 

Pois, mas tem contas a dar: ele foi primeiro-ministro, um cargo público ao serviço dos portugueses e pago por estes para o exercer no seu melhor interesse, seu, dos portugueses, como deverá ser óbvio.
E na hora de o deter, vamos ter todos muito respeitinho pelo cidadão, pela privacidade, pela presunção de inocência? Para o descaramento com que nos gozou muita sorte teve o cidadão.

Deixemo-nos de tretas, aqueles, poucos mas barulhentos, que vieram à boca de cena preocupados com a forma da detenção de Sócrates, por "questões de princípio", ética de justiça, protecção da sociedade civil, só lhes deu para se preocuparem com ética e justiça agora, nestes últimos dias? Presunção de inocência? Mas somos todos parvos? Onde tinha essa gente metido os seus princípios e as sua noções de ética quando se silenciou perante a arrogante e bem gozada impunidade de um tipo que tinha, e tem, uma indiscutível e enorme responsabilidade perante todos os portugueses?
Não me venham pregar moral com a conivência no bolso, o único pecado na detenção de Sócrates é ter tardado tanto.


E tendo eu pensado isto encontrei o artigo de hoje do JMF.
Não digo mais nada.

É talvez altura de nos curarmos 
de vez do socratismo
José Manuel Fernandes - in "Observador" - 25 Nov. 2014

Uma parte do país – e um contingente notável de comentadores – parecem continuar em estado de negação. Durante anos não quiseram ver, não quiseram ouvir, não quiseram admitir que havia no comportamento de José Sócrates ministro e de José Sócrates primeiro-ministro demasiados “casos”. Em vez disso só viram cabalas, só falaram em perseguições, só trataram eles mesmo de ostracizar ou mesmo perseguir os que se obstinavam em querer respostas, os que insistiam em não ignorar o óbvio, isto é, que Sócrates não tinha forma de justificar os gastos associados ao seu estilo de vida.

Agora, que finalmente a Justiça se moveu, eles continuam firmes na sua devoção – e nas suas cadeiras nos estúdios de televisão. Não lhes interessa conhecer o que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro, apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça. Antes, anos a fio, quando não havia segredo de justiça para invocar, desvalorizaram sempre todas as investigações jornalísticas que tinham por centro José Sócrates.

Isto é doentio e revela até que ponto o país ainda não se libertou da carapaça que caiu sobre ele nos anos em que o ex-primeiro-ministro punha e dispunha. Nessa altura também muitos, quase todos, se recusavam a ver, ouvir ou ler, até a tomar conhecimento. Não me esqueço, não me posso esquecer que quando o Público, de que eu era director, revelou pela primeira vez a história da licenciatura, seguiu-se uma semana de pesado silêncio que só foi quebrada quando o Expresso, então dirigido por Henrique Monteiro, resistiu às pressões do próprio Sócrates e repegou na história e denunciou as pressões. Não me esqueço que tivemos uma Entidade Reguladora da Comunicação Social que fez um inquérito e concluiu que o silêncio de toda a comunicação num caso de evidente interesse público não resultara de qualquer pressão – a mesma ERC que depois condenaria a TVI por estar a investigar o caso Freeport. Como não me esqueço de como uma comissão parlamentar chegou mais tarde à mesma conclusão, tal como não me esqueço de como vi gestores de grandes empresas deporem com medo do que diziam.

Muitos dos que agora rasgam as vestes porque o antigo primeiro-ministro foi detido no aeroporto foram os mesmos que nunca quiseram admitir que havia um problema com Sócrates, com os seus casos, com o seu comportamento, com o seu autoritarismo. E também com o seu estilo de vida.

Há momentos que chegam a ser patéticos. Como é possível, por exemplo, que um homem supostamente inteligente, como Pinto Monteiro, queira que nós acreditemos que foi convidado por José Sócrates para um almoço, de um dia para o outro, numa altura em que o cerco se apertava, e que, naquele que terá sido o seu primeiro almoço a sós, só falaram de livros e viagens, como se fossem dois velhos amigos? Como é possível que continue a defender a decisão absurda sobre a destruição das escutas? Ou a achar que nada mais podia ter sido feito na investigação do caso Freeport?

Mas há também um lado doentio e provinciano na forma como se tem comentado este caso. Uma das raras pessoas que detectou essa anormalidade foi Nuno Garoupa, professor catedrático de Direito nos Estados Unidos e que, por ter respirado ares mais arejados, não teve dúvidas, notando que “nós é que vivemos num mundo mediático”, não é a Justiça que cria o circo, como se repetiu ad nauseam nas televisões. Mais: “A opinião pública pode e deve fazer um julgamento político, independentemente do julgamento legal e judicial. A política e a justiça não são a mesma coisa.” Ou seja, deixem-se da hipocrisia do “inocente até prova em contrário”, pois isso é verdade nos tribunais mas não é verdade quando temos de julgar politicamente alguém como José Sócrates. O julgamento político, como ele sublinha, não está sujeito aos mesmos critérios do julgamento penal.

A clareza do debate político exige pois que saibamos fazer distinções. A distinção que António Costa fez logo na madrugada de sábado, quando disse que “os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a acção política do PS”, é justa e mantém toda a sua pertinência. Se o PS tem conseguido manter a frieza – quase todo o PS, pois são raras e muito pontuais as excepções –, é importante para esse mesmo PS ir mais longe. E tocar um ponto nevrálgico: aquilo que nós, cá fora, sabíamos sobre as excentricidades e as práticas de José Sócrates dão-nos apenas uma pequena amostra do que se sabia em muitos círculos do PS. Sabia, mas não se comentava, mal se sussurrava.

Vou mais longe: nos partidos estas coisas são conhecidas. Pelo menos no PSD e no CDS, para além do PS. Ninguém ficou surpreendido quando a Justiça caiu sobre Duarte Lima – todos os seus companheiros de bancada conheciam as suas excentricidades. Pior: muitos ainda hoje comentam como a Justiça ainda não apanhou alguns antigos secretários-gerais, aqueles que tratavam das contas e apareceram ricos de um dia para o outro. Pior ainda: nos bastidores dos partidos as histórias de autarcas, em particular de alguns dinossauros, são infindáveis. E há longínquas férias na neve de dirigentes partidários que incomodam os seus correligionários sem que nada aconteça para além de um comentário fugaz.

Vamos ser claros, deixando a hipocrisia do respeitinho de lado. A dúvida que havia sobre José Sócrates era sobre se seria algum dia apanhado. A percepção que corroía a confiança nas instituições não era sobre se os seus direitos humanos poderiam vir a ser negados (a sugestiva preocupação de Alberto João Jardim), mas sim sobre se algum dia um aparelho judicial que, anos a fio, pareceu amestrado seria capaz de apanhar alguns dos fios das muitas meadas tecidas pelo antigo primeiro-ministro.

Escrevi-o muitas vezes e vou repeti-lo: José Sócrates foi a pior coisa que aconteceu na democracia portuguesa nos últimos 40 anos, e não o digo por causa da bancarrota. Digo-o por causa da forma como exerceu o poder, esperando fazê-lo de forma absoluta, sem contestação, sem obstáculos, sem críticos. Não os tolerava no PS, no Governo, nos jornais, nos bancos, nas grandes empresas do regime.
Não sou a primeira pessoa a descrever assim José Sócrates. Nem essa descrição é recente. Recordo apenas um texto de António Barreto, de Janeiro de 2008 (há quase sete anos, bem antes da bancarrota), onde se escrevia que “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”. Lembram-se? Eu não o esqueci.

O que distingue o socratismo não é uma visão da forma de ser socialista, é uma visão schmittiana de exercício do poder. Compreendo que o seu estilo de líder forte possa ter fascinado quem cavalgou a onda, mas é bom que hoje olhem para o elixir que provaram e que os inebriou, e percebam que era um veneno. Ou seja: acordem para a realidade. Depois do que se passou nos últimos dias, do que já sabemos sobre os contornos do processo e das acusações, do que imaginamos mas ainda não sabemos, a pergunta que muitos têm de intimamente fazer é “como foi possível?”, “como é que acreditei?”. Porque se não forem por esse caminho o seu único refúgio acabará por ser uma qualquer teoria da conspiração como a imaginada pelo insubstituível MRPP.

Ao contrário do que se repetiu à exaustão, o carácter não é um detalhe em política. E se ninguém deve apagar rostos em fotografias, à la Stalin, também é preciso de olhar de frente para o que, no passado, recomenda que se exorcizem fantasmas, demónios, maus hábitos e práticas não recomendáveis.

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O JUIZ

O Exmo. Senhor Juiz Carlos Alexandre
num momento de pausa


NÃO AGUENTO ISTO SÓBRIA

Eu bem digo que não posso ouvir os noticiários nacionais...
Nem dez minutos passados das 20h estava a olhar, estupefacta, para a bastonária da Ordem do Advogados, Elina Fraga -  amigalhaça daquele finíssimo rapaz Marinho e Pinto -  cheia de dúvidas sobre a legalidade da detenção do outro durante três dias.

"Temos visto nos últimos tempos com preocupação a permanente detenção de pessoas para interrogatório. A detenção só pode ser feita de acordo com aquilo que está estipulado no Código de Processo Penal (CPP) e, portanto, havendo perigo de fuga, flagrante delito, perigo de continuação da actividade criminosa ou havendo o perigo de alguma intranquilidade na comunidade"
Queria que lhe tivessem mandado uma cartinha a pedir "S.F.F. passe por cá"... C'um caraças! A mulher estava a ombrear com a Edite Estrela na inflamação que pôs na defesa do homem! Do homem-macho!
A senhora que se seguiu
Escusando-se sempre a comentar o caso concreto da detenção do ex-primeiro ministro José Sócrates, Elina Fraga advertiu ainda que esta é uma das duas dimensões que a estão "a atormentar enquanto bastonária da Ordem dos Advogados" e que "merecem preocupação de toda a sociedade".

A outra é, segundo Elina Fraga, "estar-se a estimular a justiça na praça pública, com pessoas a serem detidas sem que haja o gozo da presunção de inocência, à frente de câmaras de televisão, com fugas de informação que constituem violações do segredo de justiça, o que é crime em Portugal". (in Jornal de Negócios/Agência Lusa)
O gozo da presunção de inocência???  Ela achará que o "gozo" foi pouco?
Terá a senhora bastonária, mulher de leis, visto com igual preocupação a prolongadíssima impunidade de José?

Às 20h11 aparece o Pinto Monteiro... O Pinto Monteiro! Dêem-me um whisky por favor que eu não aguento isto sóbria! 


"Fiquei surpreendido quando José Sócrates me convidou para almoçar na terça-feira passada (no Ritz), eu nunca tinha almoçado com ele, nem nunca tinha falado com ele a sós... Falamos das viagens dele, disse que tinha um livro para me oferecer... Almoço absolutamente inocente".
"O Processo Freeport foi uma fraude, volto a afirma-lo, é um processo inventado, fez-se tudo o que era possível, análises a contas bancárias, e não foi encontrado nada: Eu nunca na vida tive o processo no meu gabinete" diz o Procurador que mandou queimar as gravações telefónicas. Porreiro pá!

Só a expressão "absolutamente inocente" empregue num contexto que envolve estes dois, ou qualquer um deles per si, me eleva os cantos da boca, não sei se sorria se rosne.

Como é possível eu conseguir jantar depois disto? Bahhh, que enjôo!

Mudo de canal, aparece-me a Constança Cunha e Sá a opinar a bem da justiça. Esta quer que a escrivã venha explicar, junto dos jornalistas,  por que é que a comunicação das medidas de coação aplicadas aos arguidos está tão demorada; os noticiários da noite estão quase a terminar...
Ai tia, não aguento mais, são muitas medidas de coação sobre a minha cabeça; acho que vou levar o copo para a cama e ver o Fox Crime.

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SOMOS (do ex- ) PRIMEIRO ?

Nem de propósito, se fosse combinado não me saía tão bem.

Não é para "voltar à carga", até porque o contexto é outro, mas dizia eu há 3 dias, aí mais abaixo:

.../... A RTP, televisão pública, em particular: desde que puseram lá "aquele comentador" domingueiro, que em vez de ir botar faladura perante um tribunal tem antena nacional para opinar ao desbarato .../...
Hoje um cidadão, numa emissão de TV privada de audiência baixa queixava-se assim: (aguardar uns segundos pelo vídeo)



Falavam de traumas de infância... pois, pode ser.

Também há dois dias (21 Nov.) José Manuel Fernandes dedicou umas linhas à RTP num artigo com o título "Esse despautério sem fim que é a RTP"
 e a dada altura diz assim:
"Infelizmente este episódio também mostra o erro deste Governo, e engano de Miguel Poiares Maduro em particular, quando achou que os problemas da RTP se resolviam afastando-a das interferências do governo por via de um Conselho Geral Independente. Está à vista de todos como, na terra de ninguém que assim se criou, a RTP faz gato-sapato de todos e segue em frente. A empresa tornou-se numa espécie de república autónoma, em completa autogestão, ao serviço exclusivo da oligarquia que a domina. Não responde a nada nem a ninguém, apesar de ser alimentada pelas nossas taxas. Pagamos e, supostamente, calamos: é essa a sua noção de relação com aqueles que são, em última análise, os seus accionistas. Com a perversidade de dar cirurgicamente palco a muitos figurões do regime (o principal dos quais com direito a tempo de antena semanal ao domingo; "
Soma e segue


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Esclarecimento...

Após uns quantos anos a dedicar neste blog tanta junção de letrinhas a "meu José", perguntaram-me vários curiosos se perante a sua detenção não tenho nada a dizer...

Não, não tenho. Aguardo a evolução do inquérito.
Sobre "meu José" tenho a opinião formada há muitos anos, da qual, neste blog, dei largo testemunho, nada me ocorre a acrescentar.
Tenho alguma fé na justiça ao ver o Senhor Juiz Carlos Alexandre encabeçar este processo; de resto só me ocorre um dito antigo expresso na sabedoria popular:

"Quem cabritos vende e cabras não tem, tem de dizer donde vem."


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OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES

... MAS AS OCASIÕES NEM SEMPRE SÃO PARA OS AMIGOS


“Os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a acção política do PS, que é essencial preservar, envolvendo o partido na apreciação de um processo que, como é próprio de um Estado de direito, só à Justiça cabe conduzir com plena independência, que respeitamos”
"O PS deve “concentrar-se na sua acção de mobilizar Portugal na afirmação da alternativa ao Governo e à sua política”.
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CHAMADAS PRIVADAS, PÚBLICAS BARRACAS

Francamente não é por nenhuma forma de snobismo mas há muito tempo que desisti de ver a RTP; a RTP e os canais portugueses de um modo geral: não vejo novelas, não me passa pela cabeça ver reality shows suburbanos nem aquelas coisas que nos impingem às carradas, os noticiários dão-me coceira.  A RTP, televisão pública, em particular: desde que puseram lá "aquele comentador" domingueiro, que em vez de ir botar faladura perante um tribunal tem antena nacional para opinar ao desbarato, só uso a RTP para ver um ou outro jogo de futebol, um filme de longe em longe e já sobra.

Não vejo a RTP mas talvez faça mal... ele há coisas na RTP que não serão fáceis de encontrar por aí nas BBC's ou nas CNN's, talvez no AXN-Black em noite de Halloween, ou na Sky-Movies em programação de homenagem aos Monty Pyton.

Ontem jogou a Selecção, ontem vi a RTP... Ah, mas não vi o suficiente! Estivesse eu estado atenta às notícias sobre a Selecção e teria presenciado em directo (na RTP é em direto) um momento de televisão raro, de criatividade inigualável, de grande rigor e brio profissional de um enviado especial.

Se eu fosse mulher dele ligava-lhe durante os directos, dizia-lhe para pôr em "alta-voz",  pedia-lhe um pacote de arroz carolino e um Ájax limpa-vidros, com tanta gente a ver alguém havia de o lembrar...


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PONHAM-LHE O NEURÓNIO NA ENGORDA

Veio parar-me sob o nariz um escrito da famosíssima Margarída Rebelo Pinto e a coisa fede...


Veio parar-me sob o nariz, sob os olhos e subiu-me ao cérebro; deu-me naúseas.
A madame escritora redigiu para o semanário Sol, que publicou em 2010 (há contextos em que compreendo a censura) uma espécie de colectânea das suas opiniões que titulou: “As Gordinhas e as Outras”.  Este textozinho, curto mas mauzinho - e não me refiro à qualidade literária mas ao veneno viscoso que encerra - parece que reapareceu pelas redes sociais em 2012 onde terá sido largamente comentado. Eu não o vi... Mas não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, hoje lá me tocou a vez.

Nunca fui "gordinha", com mais ou menos peso fui sempre mais para o lado do osso, pessoalmente era suposto não me sentir tão arrepiada com a leitura. Pois, mas sinto. Sinto e sinto as raivinhas de dentes que a madame Margarida rosna cerrada nas entrelinhas do seu texto, a que ela chama "crónica", deixando inadvertidamente escapar algumas fustrações e inseguranças. O problema dela não são "as gordinhas" propriamente ditas, são os "direitos" que madame Margarida acha que elas têm e que "as outras" não têm. (Não estou a inventar, deixo o texto aí abaixo). Começa a famosíssima autora por dizer:
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas
A descrição acima, mais à esquerda ou mais à direita poderia assentar-me bem, nas épocas idas em que eu tinha bicho-formigueiro e não parava em casa. Nunca fui uma perfeita maria-rapaz mas estive sempre longe do que se chama uma menina e, essa parte da amigalhaça companheirona, serve-me desde que aplicada à saudável convivência com pessoas que conheço bem, de há anos e que são para mim amigalhaços companheirões, eles e elas. Será que o sindicato das "gordinhas" me processa se souber disto? Será que me multa por uso indevido de características?

Não entendo o drama desta mulher... 

Ou talvez entenda...
Diz ela:
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras (.../...)Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. (.../...)Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. (.../...) Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Coitada de madame Margarida, o que ela sofre... Sofre para ser gira (?), sofre porque é gira (?), e sofre porque queria ter os direitos que por ser gira (?) não tem.

Coitada de madame Margarida, não percebe nada sobre o que é uma mulher gira.
Uma mulher gira pode ser gorda ou magra, feia ou bonita, nova ou nem por isso, uma das poucas coisas que se lhe exige, para ser de facto gira, é que seja exactamente como é; que não seja uma construção que  dá trabalho e requer diplomacia, que não seja uma "mise en cène" programada e ajustada. Há momentos, companhias e circunstâncias que devem ser levadas em consideração, está bem, mas isto não é sinónimo de uma "adaptação da personalidade" a um fim, neste caso a importantíssima e omnipresente finalidade de "ser gira!!!"

E só mais uma coisinha: Ser gira não é uma coisa que se programe para "que gozem de um estatuto especial entre os homens"... como a sensatez da maturidade vem, quase sempre, demonstrar. Há pessoas que conquistam um estatuto especial entre as outras pessoas, pela sua maneira de ser, pelas suas qualidades, pelo seu carácter; o resto são fogos factuos, ilusões e parvoíces.


Margarida, que idiota!

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"As gordinhas e as outras"


“Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’
A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.
A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.
À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena.
Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.
Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.
Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»
Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas.” 
Crónica de Margarida Rebelo Pinto

QUANDO A INCONSCIÊNCIA NÃO TEM LIMITES

Não comento, 
limito-me a traduzir e transcrever um artigo publicado dia 11 Nov. na CNN on line.

E pergunto-me... se, em vez de Obama, a Sala Oval fosse, neste momento, ocupada por Bush (qualquer um deles, sénior ou júnior), o que estaríamos vivendo no nosso mundo, em particular na Europa?

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Russian provocations on the rise: Is it a new Cold War?

updated 13:42 PM GMT, Tues Nov 11, 2014
By Richard Allen Greene and Inez Torre, CNN
  • A maior caça a um submarino em águas suecas desde o fim da Guerra Fria. 
  • Uma quase colisão entre um avião militar russo e uma aeronave de passageiros sueca transportando 132 pessoas. 
  • O sequestro de um funcionário da Estónia a partir do território deste membro da OTAN, apenas alguns dias após o presidente dos EUA, Barack Obama ter visitado a nação báltica. 

Qualquer um destes três incidentes poderia ter originado um confronto militar entre a Rússia e o Ocidente,  sugere um novo relatório - e todos eles ocorreram nos últimos nove meses. 
Os incidentes são descritos em "Dangerous brinkmanship ", uma análise que lista mais de 40 "estreitos encontros militares  entre a Rússia e o Ocidente", que ocorreram nos oito meses entre Março e Outubro deste ano. 
O relatório, da Rede de Liderança Europeia, classifica a pesquisa submarina,  a companhia aérea em grave risco de colisão e o rapto na Estónia, como "incidentes de alto risco." Categoriza ainda 11 outros eventos como "graves" e sugere que poderiam ter dado origem a uma grave escalada. 
A maioria envolve aviões russos ameaçando a NATO ou seus aliados. Incluem o que parece ter sido um ataque simulado na ilha dinamarquesa de Bornholm, assim como aeronaves russas que rasaram um navio de guerra da Marinha dos EUA, uma fragata canadiana, e vários outros incidentes entre aviões russos e suecos.

(clicar para aumentar)

"Os acontecimentos dramáticos são uma expressão da "política de Putin para reivindicar um lugar apropriado (da Rússia) no sistema internacional";
o presidente russo, quer forçar o Ocidente "a aceitar uma alteração fundamental da ordem internacional", disse o especialista russo Igor Sutyagin. 

"Putin está tentando intimidar o Ocidente por forma a conseguir um regresso a um relacionamento amigável com a Rússia", disse Sutyagin, um pesquisador sénior do Royal United Services Institute, o  "think tank" com sede em Londres que se foca em defesa e segurança.

 "Putin disse abertamente que a Rússia é um urso e um urso nunca pede permissão a ninguém para agir como quiser", disse Sutyagin. 

O Ministério da Defesa russo, a Força Aérea russa, e o porta-voz de Putin recusaram todos as várias solicitações da CNN para responderem ao relatório da Rede de Liderança Europeia. 

Autoridades russas minimizaram ou omitiram muitos dos incidentes individuais no momento em que estes foram relatados publicamente. 

Mas a própria OTAN disse, no final de Outubro, já tinha realizado três vezes mais interceptações de aviões russos no espaço aéreo europeu, em 2014, que em todo o ano de 2013. 

Segundo a OTAN, houve quatro interceptações de grupos de aeronaves russas apenas nos últimos dias de Outubro.

A Rede de Liderança Europeia relaciona o aumento da actividade da Rússia desde o conflito com a Ucrânia e da anexação da Criméia. 

Isto levou a NATO a "aumentar a sua presença militar ao longo de seu flanco oriental", incluindo mais policiamento aéreo, mais voos de reconhecimento, mais navios no Mar Báltico e no Mar Negro, mais exercícios militares na região, segundo o relatório - o que tem vindo a colocar os dois lados num maior contacto do que anteriormente."
Fonte:"Dangerous Brinkmanship," a European Leadership Network policy brief .

"O relatório especula que a Rússia está a testar e observar a OTAN e os seus sistemas de defesa nacional, e buscando propaganda de vitórias pelo uso da força, ou a ameaça do seu uso, contra os seus vizinhos. 
A resposta do Ocidente terá repercussões muito além da Rússia, advertiu Sutyagin. 

"Não é uma questão de 26 aviões de combate voando em algum lugar", disse ele. "Há muitas outras pessoas no mundo que gostariam imenso de seguir o exemplo de Putin. "Isso é uma chamada de alerta muito importante para a sociedade norte-americana, para as sociedades europeias: é necessário defender os nossos ideais, a nossa prosperidade, a nossa riqueza", disse. 

A análise "Dangerous Brinkmanship," (Provocação perigosa) é baseada em relatos da imprensa e declarações do Pentágono e da NATO. 
A CNN cobriu muitos dos incidentes citados no relatório, e é citada como fonte de pelo menos um deles."

SEREI UMA SOCIOPATA ONÍRICA?

Estou um bocadinho preocupada...

Quando os russos invadiram a Crimeia comecei a ter uns sonhos estranhos. Depois tanques russos entraram na Ucrânia (ou passou a ser do domínio público que entravam)  por um lado enquanto eram enviados camiões de "ajuda humanitária" por outro, a frequência e estranheza destes sonhos começou a aumentar e não há meio de me passar.
Desde que a NATO interceptou, no espaço de uma semana, mais de cem bombardeiros russos em territórios da sua responsabilidade militar a coisa agravou-se exponencialmente, comecei mesmo a considerar a séria hipótese de deixar de ver, antes de ir dormir, a meia-horita de noticiário internacional.
Mas hoje tornou-se assustador, as imagens dos meus sonhos perseguem-me mesmo estando acordada, ao mais singelo fechar de olhos lá está ele, tão mudo e quedo quanto lívido, já não sei o que fazer...



E como se não bastasse  hoje deram-me um "bolinho da sorte" juntamente com o café a seguir ao almoço e dizia assim:




SOS em VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Esta conversa telefónica está a circular por aí, não sei se é real ou uma acção de marketing anti-violência doméstica, o que, para o caso, é completamente indiferente.
Apenas uma ressalva: os agressores também navegam pela net... também podem aperceber-se de que uma "encomenda de pizza" no calor de uma discussão ou coisa pior não virá muito a propósito...
Quem viva situações de violência doméstica deve ter nos rascunhos das mensagens de télémóvel uma mensagem codificada, e previamente combinada com alguém confiável, para enviar numa situação de emergência para que essa pessoa possa ligar à polícia.
                                   _______________________________________
"Parecia uma brincadeira, mas a única solução que esta mulher, vítima de violência doméstica arranjou foi ligar para a polícia e pedir uma pizza.
Ela ligou para o 911, serviço de emergência nos Estados Unidos, e pediu uma pizza. Felizmente do outro lado encontrou alguém que se preocupou e conseguiu entender o problema ..."

“- 911, qual é a emergência?
 - Rua Maine, 123
- Ok, o que está acontecendo aí?
 - Eu gostaria de pedir uma pizza 
- A senhora ligou para o serviço de emergência
 - Sim, eu sei. Quero uma pizza grande, meia pepperoni, meia cogumelos com pimentão
 - Mmmm, desculpe, sabe que ligou para o 911, certo?
 - Sim, sabe quanto tempo vai demorar?
 - Ok, está tudo bem aí? A senhora está em emergência?
 - Sim, estou
 - E não pode falar porque tem alguém ao seu lado?
- Correcto, sabe quanto tempo vai demorar?
 - Tenho um policia há cerca de dois quilômetros da sua casa. Há alguma arma na casa?
 - Não, até logo, obrigada”.

QUANDO A CHINA DESPERTAR

O MUNDO TREMERÁ  

O SEU GOVERNO TREMERÁ 


UM MESMO TÍTULO
UM OUTRO SENTIDO
A AMEAÇA INVERSA





TIANANMEN - JUNHO 1989










HONG KONG . SETEMBRO 2014


Creio que a maioria das pessoas adultas ao ver imagens dos protestos em Hong Kong se lembrará do final trágico em Tiananmen. Se lembrará e temerá...
Hoje, como há 25 anos, torna-se óbvio que os protestos não irão parar, ninguém irá para casa por o protesto ser declarado ilegal; poucos abandonarão o local quando chegarem as tropas.
Angustiante é que hoje, como há 25 anos, a esmagadora maioria dos manifestantes são jovens - Poucos de entre eles seriam nascidos a 4 de Junho de 1989
ANGUSTIA é a palavra que me ocorre

HK - 28 Setembro . emoção e tensão crescente...


COISA QUE NÃO FEZ

Uma verdade inconveniente
 para quem já batia palmas de contentamento


E pergunto agora:

Fonte anónima acusa criminalmente um cidadão, que até é primeiro ministro... Não há investigação?

É legal fazer denuncias anónimas. Também é legal lesar e denegrir o bom nome de um cidadão, que até é primeiro ministro?

Porque não exigiu a Assembleia da República o esclarecimento público das acusações, não anónimas, processos e escutas de que foi alvo o anterior primeiro ministro? Eu continuo expectante.

Tendo existido de facto, como tudo leva a crer que sim, uma passagem de informações das Finanças a jornalistas, sobre declarações de rendimentos de um cidadão, que até é primeiro ministro, por que nenhum deputado se insurgiu exigindo o esclarecimento dessa violação de privacidade por parte do Estado?

Já estão todos esclarecidos ou querem com mais molho?

ASSIM SIM

Apresento -vos o Inspector Meireles, um exemplo de brio profissional, respeito e simpatia.
E o discurso final? Dignidade é a palavra-chave.

TOMA A RITALINA E FICA QUIETO

O número de crianças em idade escolar medicadas com Ritalina é assustador e não pára de aumentar; quando digo assustador não quero apenas significar que é elevado, é assustador mesmo, chovem receitas de Ritalina nas farmácias e daí para as goelas das crianças e é impossível deixar de pensar que isto terá consequências preocupantes a breve trecho.
Mesmo considerando apenas metade das prescrições, serão de facto necessárias?
Assumindo a minha incapacidade técnica para apreciar a questão atrevo-me a dizer que não, um rotundo não.

Quando o meu filho tinha uns 8 anos uma coordenadora do ensino primário veio-me com a conversa do Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperactividade ... Sim, o meu filho é "cabeça no ar", tem uma imaginação super-produtiva, tem uma aptidão criativa acima da media; tem outras aptidões normalíssimas e até uma ou outra que deixam a desejar (como a aptidão numérica, para mal dos seus ínfimos pecados). Hiperactivo nunca foi e quanto ao deficit de atenção... depende em absoluto daquilo para que esta é requerida: se o "chateia" ele divaga. Isto pode dificultar-lhe a vida em alguns aspectos importantes mas não estou de todo convencida de que, globalmente, seja negativo, antes pelo contrário.

A minha resposta a esta conversa do "Será que..." foi imediata e, até, um tanto abrupta:
"Se ele não tem Deficit de Atenção, o caso está arrumado e se tem arruma-se da mesma maneira porque não vou droga-lo com Ritalina aos 8 anos, nem aos 10 nem aos 14 lá porque ele não se concentra na conversa da professora e faz perguntas que alguém considera descabidas; Além do mais há outras formas inócuas e saudáveis de treinar a concentração". Fim de papo.



Dois ou três anos mais tarde uma das psicólogas de serviço na escola, mulher sensata e interessada, que conversava informalmente com o meu filho com frequência, fez-lhe os testes rotineiros e chegou à mesma conclusão que eu: o Luís só não concentra a sua atenção naquilo que não lhe interessa ou que não o motiva, se há algum deficit é de paciência.

MAS...

O que teria acontecido se eu me tivesse assustado com a converseta da tão diligente coordenadora? Se me tivesse passado pela cabeça que a minha obrigação de boa mãe era ajudar a criança a conseguir embrenhar-se no que lhe punham na frente?  E se o tivesse levado a um doutor que achasse que o Luís só tinha a ganhar se se deixasse de devaneios inúteis e até prejudiciais à sua carreira lectiva?

Quantos pais, assustados, cansados, pouco informados ou simplesmente impacientes estão "medicando" os seus rebentos na pura convicção de que é absolutamente necessário?
"Quando ele pára de tomar fica logo mais nervoso, irritadiço, não consegue estudar..."
Pois é, quando se retira uma droga que criou dependência acontece isso...

Como lidar com esta questão?  INFORMAÇÃO, magotes de informação proveniente de diversas fontes, fundamentadas, identificadas e independêntes.
E assumir a responsabilidade de ter uma criança, não um bichinho bem amestrado.

MAIS...

Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro

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Com efeito comparável ao da cocaína, droga é receitada a crianças questionadoras e livres. Professora afirma: “podemos abortar projectos de mundo diferentes”
Por Roberto Amado, no DCM
É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.
O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.
A situação é tão grave que inspirou a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a fazer uma declaração bombástica: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao  Portal Unicamp. “Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil  anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”, diz ela.
O fato, no entanto, é que o uso da ritalina reflecte muito mais um problema cultural e social do que médico. A vida contemporânea, que envolve pais e mães num turbilhão de exigências profissionais, sociais e financeiras, não deixa espaço para a livre manifestação das crianças. Elas viram um problema até que cresçam. É preciso colocá-las na escola logo no primeiro ano de vida, preencher seus horários com “actividades”, diminuir ao máximo o tempo ocioso, e compensar de alguma forma a lacuna provocada pela ausência de espaços sociais e públicos. Já não há mais a rua para a criança conviver e exercer sua “criancice.
E se nada disso funcionar, a solução é enfiar ritalina goela abaixo. “Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la a lidar com essa criança. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma percentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada”, diz a médica.
Mas os problemas não param por aí. A ritalina foi retirada do mercado recentemente, num movimento de especulação comum, normalmente atribuído ao interesse por aumentar o preço da medicação. E como é uma droga química que provoca dependência, as consequências foram dramáticas. “As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento”, diz a médica. “Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insónia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA)”.
ALÉM DISTO...

Leon Eisenberg, o psiquiatra que "descobriu" o transtorno do défice de atenção com hiperatividade (TDAH) sete meses antes de sua morte, quando já tinha 87, disse que "o TDAH é um exemplo de doença fictícia.
"O objetivo de Leon Eisenberg e dos seus colaboradores foi conseguir enraizar a crença de que o TDAH tem causas genéticas, que é uma doença com que se nasce. Ele próprio mencionou, junto com as palavras em que disse que era uma doença inventada, que a ideia de que uma criança tem TDAH (ou seja, a ideia de que uma criança é muito agitada e problemática) desde o nascimento foi sobrevalorizada. No entanto, ao chegar a aclarar esta  situação na população e nos pais, o sentimento de culpa desaparece, os pais sentem-se aliviados porque a criança nasce dessa maneira e o tratamento é menos questionável. Em 1993, foram vendidos nas farmácias alemãs 34 kg de metilfenidato. Em 2011, vendeu 1,760 kg.
O conhecido psiquiatra, que veio a assumir a gestão de serviços psiquiátricos no prestigiado Massachusetts General Hospital, em Boston, onde foi reconhecido como um dos mais famosos praticantes de neurologia e psiquiatria do mundo, decidiu confessar a verdade meses antes de sua morte, por motivos de cancro da próstata, acrescentando que um psiquiatra infantil deve tentar determinar as razões psico-sociais que podem originar os problemas de comportamento. Ver se há problemas com os pais, se há discussões familiares, se os pais estão juntos ou separados, se há problemas com a escola, se a criança tem dificuldade para se adaptar, porque lhe custa a adaptar, etc. Para tudo isso, ele acrescentou que, logicamente, isso leva tempo, trabalho e, acompanhado de um suspiro, concluiu: "receitar uma pílula para o TDAH é muito mais rápido" 

DE REGRESSO



à civilização






à confusão, à pressa, ao stress, ao individualismo militante.

Decididamente, vá-se lá saber porquê, não sou um animal urbano.
Uns poucos dias fora desta existência desatinada é o suficiente para me encontrar com quem sou; não é que não saiba, é que fico atulhada sob um sem número de ninharias e afazeres - que são para já, agora, eram para ontem, sai da frente, não tenho tempo, nem há pachorra - coisas e horas que embaciam a vida e a alma.

Deixo para trás a terra, as árvores, os animais, as estrelas à noite e um céu que só se corta pelo horizonte. E o silêncio... aquele silêncio que é quebrado por sons mas que não tem embrenhado em si um ruído de fundo permanente que julgamos não ouvir.


Ainda mal cheguei já tenho saudades das pessoas que têm tempo para dizer "Boa tarde" àqueles com quem se cruzam, tão naturalmente como respiram, como seres humanos.

Um dia... continuo à espera, um dia...








ALGUNS SÃO BONS DEPOIS DE MORTOS

Morreu o Emídio Rangel, paz à sua alma.
Desde a sua morte tenho lido sobre o grande jornalista que foi... Talvez tenha sido, não segui o seu trabalho mas, na hora da verdade, não é por aí que avalio um ser humano, Napoleão foi um grande militar...
Li também que foi um homem de grande estatura...
Foi um homem que soube aproveitar oportunidades, sem dúvida. Também soube desfazê-las; não que isso tivesse grande importância, foi exímio em agarrar outras de imediato.
Parece que exercia um certo fascínio junto das mulheres, olhos claros e ar de macho; muito macho - quem bate naquilo que é seu ninguém tem nada com isso - e há mulheres muito difíceis de aturar...

Que fale dele quem o conheceu (e que ainda esteja vivo para poder falar)
Eu não o conheci, estive uma vez durante cerca de hora e meia no mesmo restaurante que ele; eu almoçava com a minha mãe e ele, na mesa ao lado, com a sua mulher, Margarida. Não consegui descobrir-lhe o charme, muito pelo contrário. Nunca percebi o que levaria aquela mulher independente e capaz a permanecer ali sentada a ouvir tanto desaforo ordinário. De facto algum encanto ele deveria ter.
_______________________

Repouse em Paz


22/08/2014 In "Sol"

"Hesitei muito antes de fazer esta crónica, porque Emídio Rangel não me era uma personagem simpática. Essa 'antipatia' não resultou de nenhum preconceito ou parti-pris, pois de início tinha boa impressão dele. Mas a vida afastou-nos irremediavelmente.
Decidi, no entanto, escrever após a sua morte, porque nos cruzámos em momentos decisivos da comunicação social em Portugal e acompanhei factos cujo conhecimento público terá algum interesse.

Uma das primeiras vezes que me falaram de Rangel foi em 1988, quando a TSF estava para ser lançada. Teresa de Sousa, minha jornalista no Expresso, descreveu-me com entusiasmo esse projecto (em que viria a colaborar), porque tinha em grande conta o seu impulsionador: Emídio Rangel.
De facto, a TSF revolucionaria a informação radiofónica em Portugal, confirmando a previsão de Teresa de Sousa e a capacidade de Rangel para lançar projectos. 
Julgo que a segunda pessoa que me falou de Rangel foi Margarida Marante. Ela trabalhava na altura num escritório de advogados nas Amoreiras, e a sede da TSF era na mesma torre. Referiu-se a Rangel com grande admiração, realçando o seu trabalho na rádio de uma forma tão entusiástica que me pareceu haver ali algum fascínio. Que, de facto, haveria de confirmar-se anos depois.
Mas eu nunca tinha estado com Rangel pessoalmente. Um acontecimento fortuito propiciou, entretanto, esse encontro. Um dia, num jantar do Prémio Pessoa, no Hotel de Seteais, Francisco Pinto Balsemão veio falar-me, preocupado, de uma notícia difamatória que iria sair a seu respeito no extinto semanário Tal & Qual. Como ele estava hospedado no hotel em regime de 'clausura', pediu-me para tentar evitar a publicação. 
Não conhecendo ninguém no Tal & Qual, lembrei-me de telefonar a Emídio Rangel, que sabia ser amigo de pessoas de lá. Liguei-lhe, convidei-o para almoçar no Pabe, contei-lhe o que se passava, ele concordou que a notícia envolvendo Balsemão era da esfera pessoal e não tinha interesse público, dispondo-se a interceder. E, de facto, a notícia não saiu. 
Contei depois a Balsemão o sucedido, realçando que ele ficara a dever um favor a Rangel. E daí a umas semanas Balsemão convidou-o, efectivamente, para uma conversa que teve lugar no seu gabinete do Expresso, na Duque de Palmela, em que também participei. Balsemão fez-lhe várias perguntas sobre a TSF - e não sei se terá nascido aí o seu interesse pela estação. Balsemão falava, há muito, da importância de ter uma rádio no seu grupo. E o certo é que, não muito tempo mais tarde, formalizaria a intenção de adquirir a TSF. O negócio, porém, gorar-se-ia, visto que - segundo me explicou - a estação estava afogada em dívidas e era economicamente inviável. 
Em 1992, nas vésperas do nascimento da SIC, Balsemão convidou-me para um almoço no English Bar, no Estoril, cujo tema não antecipou. Depois de estarmos sentados à mesa, disse-me que já tinha um director de programas para o futuro canal de TV - a Maria Elisa - e perguntou-me se eu tinha alguma ideia sobre quem poderia ser o director de informação. Respondi espontaneamente: “O José Eduardo Moniz”. E adiantei: “Contrata um bom nome e rouba o director ao seu principal adversário, a RTP”. Mas Balsemão levantou objecções. Disse que Moniz não encaixava no tipo de informação que estava a pensar para a SIC (mais próxima do modelo brasileiro) e a conversa ficou por aí. Combinámos novo almoço no mesmo local para a semana seguinte, em que ambos traríamos propostas. Não sei exactamente a data deste almoço, só posso adiantar que se tratava de uma quarta-feira, pois era esse o dia da semana em que Balsemão ficava em casa a trabalhar, na Quinta da Marinha, pelo que lhe dava jeito almoçar na zona de Cascais.
Encontrámo-nos, de facto, uma semana depois, e mal nos sentámos à mesa Balsemão perguntou-me: “Então, já tem um nome?”. “Já - respondi -, o Joaquim Vieira”. Este era na altura meu director-adjunto no Expresso, o que levou Balsemão a retorquir, com um sorriso maroto: “Ora, isso é porque você se quer ver livre dele no Expresso!”. Expliquei que não, que era um excelente jornalista, já com experiência na TV, que podia fazer um bom tandem com Maria Elisa. 
Balsemão torceu o nariz, fez uma pausa e perguntou: “O que acha do Emídio Rangel?”. Levantei os olhos para ele e respondi de imediato: “Não pense em mais ninguém. É a pessoa ideal. Um bulldozer, com experiência em lançar projectos novos, como se viu na TSF”. O nome de Rangel ficou, assim, logo ali firme. Pouco depois seria convidado, aceitaria, a seguir entraria em choque com Maria Elisa, esta seria sacrificada - e Rangel tornar-se-ia o senhor todo-poderoso da estação. 
Como se sabe, o arranque da SIC foi arrasador, ganhando sucessivamente terreno à RTP até a ultrapassar, poucos anos mais tarde. Rangel vencia Eduardo Moniz, o nome que eu tinha proposto a Balsemão! 
A partir daí, a minha relação com Emídio Rangel começou a degradar-se. O crítico de TV do Expresso, Jorge Leitão Ramos, fazia críticas a programas da SIC que irritavam Rangel - que se ia queixar a Balsemão. Este transmitia-me as queixas - que eu justificava, naturalmente, com a liberdade do crítico para criticar. 
Cada vez mais irritado, Rangel decidiu 'responder' com uma crónica inserida no programa A Noite da Má-Língua, cujo genérico incluía o Expresso a ser atirado para uma sanita. Era uma vingançazinha infantil. 
Margarida Marante fez então, generosamente, várias tentativas para nos aproximar. Houve um almoço a três na Doca de Alcântara, onde Rangel reiterou as suas queixas. Entretanto, Marante tinha-se separado de Henrique Granadeiro para viver com Rangel, e eu ia tomando conhecimento de factos envolvendo os três. Soube que um dia Granadeiro procurou Rangel na SIC para lhe dizer, cara a cara, que se algo de mal acontecesse a Margarida teria de se haver com ele. Foi Marante quem me contou este episódio. 
A história das relações entre o Expresso e a SIC, no tempo em que eu e Emídio Rangel estivemos à frente das respectivas direcções, nunca deixou de ser atritiva. No entanto, foi com surpresa que, numas férias de Verão, recebi a notícia de que Balsemão tinha entrado em colisão com ele e queria despedi-lo. Balsemão considerava-o muito gastador e as relações pessoais entre ambos também se tinham degradado. Ainda assim, Rangel saiu da SIC com uma indemnização milionária de 200 mil contos (1 milhão de euros)
Mas não ficou desempregado. José Sócrates, então ministro de Guterres, com quem Rangel tinha uma relação próxima - até porque Marante e a namorada de Sócrates, Fernanda Câncio, eram amigas -, ofereceu-lhe o lugar de director-geral da RTP, onde Rangel intentou grandes mudanças (que não teriam, porém, sequência, pois o Governo caiu logo a seguir). 
A partir daí, a deselegância de Emídio Rangel manifestou-se em várias ocasiões. Uma vez em que fui entrevistado no programa Grande Entrevista de Judite Sousa, Rangel escreveu um lamentável artigo no Correio da Manhã onde, entre outras coisas, dizia que eu usava “um casaco cor de m…”. E após a ruptura do casamento com Margarida Marante, vim a saber por ela de agressões físicas. Depois foi o cancro de Rangel e os tristíssimos episódios do consumo de drogas que Margarida Marante trouxe a público - percebendo-se que a relação entre os dois fora brutalmente destrutiva para ambos. Após a morte de Margarida, Rangel chegou a dizer que não lamentava o seu desaparecimento, pelo mal que ela lhe fizera. 
Depois de José Sócrates chegar a primeiro-ministro, Emídio Rangel foi convidado para um programa de debate na RTP, onde se assumiu como seu indefectível. Atacou os adversários de Sócrates e defendeu-o com unhas e dentes. Algumas intervenções suas eram penosas de ver pela indigência dos argumentos. Mas é provável que estivesse diminuído pela doença que o atingira (e que parecia, na altura, ter ultrapassado). Não podia ser o mesmo homem que fundara a TSF e a SIC. Recentemente, o mal voltou - e desta vez foi fatal. Apesar da inimizade que me votava, desejo sinceramente que repouse em paz. Que encontre a paz que lhe faltou em vida"
jas@sol.pt