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29 DE FEVEREIRO...

HOJE QUERO FAZER QUALQUER COISA FORA DO QUOTIDIANO



Actualização às 19h...

Eu não disse que hoje não acabava o dia ser fazer uma tontice que me desse gozo...
Ele ganhou a corrida mas, como podem ver, também partiu um bocadinho à frente





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PANINHOS QUENTES

Olhando assim de repente parece uma boa notícia, mas não é. Ou, pelo menos ainda não é.
Má não será, a menos que se destinasse apenas a acalmar os protestos diários; quero crer que não seja apenas isso (e cabe a nós, portugueses, fazer com que não seja apenas isso)
Pois, mas não chega, de todo que não chega. Tem sabor a "deitar água na fervura". Queiram, s.f.f., fazer mais um esforçozinho para raciocinarem em termos coerentes e pode ser que ainda vão a tempo de limpar de forma eficaz a borrada que está a ser feita.

De que estou a falar? Ora... da trampa do "Acordo", claro.

«Governo vai alterar Acordo Ortográfico»

«O secretário de Estado da Cultura admitiu ontem em entrevista à TVI-24 alterar até 2015 algumas regras do novo Acordo Ortográfico, que já está em vigor nos organismos do Estado desde Janeiro deste ano.

Manifestando o seu desacordo com algumas normas, Francisco José Viegas lembrou que "do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial. Portanto, podemos mudá-la. Até 2015 podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos que aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer".

Questionado sobre a polémica decisão de Vasco Graça Moura que ordenou aos serviços internos do Centro Cultural de Belém (CCB) que não apliquem o novo acordo, o responsável pela pasta da cultura começou por lembrar que o presidente do CCB "é uma das pessoas que mais reflectiu e se empenhou no combate contra o Acordo Ortográfico" para seguidamente lembrar aqueles que "não têm qualquer intimidade nem com a escrita, nem com a ortografia, terem vindo criticar e pedir sanções".

"Para mim é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de Janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da nossa língua, escrever como lhe apetecer", acrescentou o governante.

"Às vezes quando escrevo como escritor tenho dúvidas e vou fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa possibilidade, isto é, a competência que têm para escolher a sua ortografia. Não há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós", rematou Francisco José Viegas.»
In "Expresso" on line - 29Fev. (corrigido de acordês para português)

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Tenha paciência Sr. Secretário de Estado da Cultura mas essa saída não chega sequer a ser airosa. Correndo o risco de parecer desrespeitosa - longe de mim - para além de ineficaz e lesiva, parecem-me andrajosamente parva. Completamente parva! "Cada um escreve como lhe apetece"? Ó homem, que novidade! Claro que cada um escreve como lhe apetece. "Um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós"? Pois não, ninguém vai preso nem paga multas: Portanto está tudo bem? Uma gaita! E os miúdos na escolas? Vão ter negas a ortografia se não escreverem em "acordês"? Vão aprender a escrever como? Quais são as regras?
E a sacro-santa comunicação social, vai doutrinar-nos em que língua? Em pasquinês?

O Sr. Secretário de Estado da Cultura, e os outros Srs. todos com poder de decisão, sabem muitíssimo bem que uma percentagem esmagadora dos portugueses considera o "acordo" uma aberração. Não me venham com paninhos quentes dizendo que "cada um que escreva como lhe apetecer" como se declamassem uma ode à liberdade.
Resolvam lá os "incómodos" criados por acordeses falaciosos e apátridas e resolvam esta badalhoquice de vez, sem ternuras conciliadoras em plataformas de entendimento inexistentes. Digam o que se impõe alto e bom som, em bom português.


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A PRIMAVERA DE MOSCOVO?

Na passada quinta-feira, dia 23, bem a meio da semana, em dia de trabalho, Vladimir Putin foi botar faladura durante um grandioso comício de apoio à sua "candidatura" às eleições que se realizarão no próximo dia 4 de Março. E quando digo grandioso quero mesmo significar GRANDIOSO. Embora a dimensão de "grandioso" à escala russa, e particularmente em Moscovo, não possa ser comparável com a nossa lusitana "escala de grandiosidade" - a área metropolitana de Moscovo tem mais habitantes do que Portugal inteirinho, mais de 12 milhões de moscovitas - mesmo assim a coisa foi grandiosa pelos parâmetros russos. Chegaram apoiantes de dentro e de fora de Moscovo e, segundo dizia o jornalista da BBC, «uns porque quiseram ir outros porque os patrões os mandaram». Venenos... http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-17148845

Mas hoje, dia 26, hoje Moscovo acordou diferente. Não tão diferente que tenha acordado o mundo mas suficientemente diferente para dar um grande abanão na prolongada dormência moscovita.

Um cordão humano anti-Putin propôs-se realizar um circulo em torno do centro político de Moscovo, ao longo de 16Kms, encerrando o Kremlin. A primeira intenção seria apenas conseguir circundar o centro político em silêncio mas as reacções de apoio por parte daqueles que circulavam de automóvel vieram transformar esta manifestação silenciosa num acontecimento muito mais vivo, emocionante e significativo. Ao longo da manhã centenas de automóveis foram chegando e circulando ruidosamente pelas ruas ao longo das quais se estendia o cordão humano já denominado "White Ring".




Algumas coisas levam muito tempo a mudar mas lentidão não é o mesmo que inércia.
No segundo vídeo, já aqui abaixo, podemos ver soldados e polícia colocados a pequenos espaços ao longo do cordão humano; até aqui tudo normal, aliás estas forças parecem calmas e meramente presentes. Ao minuto 3:10 pode ver-se surgindo do lado direito um militar admiravelmente trombudo, de câmara de vídeo em punho, filmando os manifestantes; a expressão do homem diz tudo, dispensa comentários.



Putin sairá vencedor das próximas eleições, o mundo inteiro sabe disso. Com eleições ou sem elas Putin é eleito. Os próprios russos, mesmo aqueles que contestam Putin, não têm esperança alguma mas esta não é a parte mais grave. A parte mais grave é que a desesperança vai muito além das eleições, projecta-se em toda a vida política e social a cada dia, ano após ano. Os russos, de um modo geral não acreditam que Putin e o seu regime sejam algumas vez derrotados.

Aqueles que, bem ou mal, vivem em democracia sabem que não é assim.
Um dia este regime será derrotado, provavelmente não em eleições, mas nas ruas. As primaveras políticas começam assim, na rua.

CONFESSAMENTE INTELIGENTE

Costumo dizer que só há duas coisas mais perigosas do que a Inteligência: o Pânico, porque toma o controlo da mente, e a Estupidez, porque é imprevisível na sua enormidade.
Há poucas coisas que me seduzam mais num filme, ou num livro, do que os diálogos manifestamente inteligentes e, dentro destes, os perigosamente inteligentes deliciam-me.

De tanto ver o anúncio no AXN, canal da minha predilecção, lá fui espreitar a série que está sendo disponibilizada apenas on-line, achando que não iria ter pachorra para seguir a coisa em mini-episódios semanais. Enganei-me redondamente.

O diálogo entre um assassino profissional e um padre dentro de um confessionário; intercalado com "flash-backs" que nos contam outra história, que nos colocam progressivamente face às razões do assassino.
Mas que diálogo! O Bem e o Mal, a natureza do Mal e a natureza humana, a intervenção divina e/ou a falta desta nas decisões humanas e o livre-arbítrio, a honestidade e a fé, a honestidade e a justiça, a compaixão e a justiça, a justiça e o assassinato. Mais, muito mais.


As presenças assombrosas de Kiefer Sutherland e de John Hurt, perfeitas.

Nesta altura já se encontram on line 7 dos 10 episódios e o 8º é publicado amanhã, dia 22.
A ver e rever, por muitas e boas razões.

Fica o link:
http://www.axn.pt/shows/confession


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QUER QUEIRAS QUER NÃO QUEIRAS

Nos anos 60, numa Revista à Portuguesa, Raúl Solnado tinha uma rábula que se chamava "O Bombeiro Voluntário" e começava assim:

«O meu pai, que era um homem liberal e incapaz de impor a sua vontade, disse-me: Meu filho, quer queiras quer não queiras tens de ser bombeiro voluntário»
Pois, mas isso foi nos anos 60, no tempo em que a malta comia e calava, quer quisesse quer não, no tempo em que os governos impunham as suas vontades às pessoas... Agora tudo mudou, vivemos em democracia.

Vem este relambório a propósito de uma sondagem que vi há pouco publicada no "auto hoje" e que apresenta uns esclarecedores indicadores;
vejam lá:


Ou seja,
  • no país em que o "Tanto se me dá" se manifesta mais numeroso do que o "Concordo inteiramente";
  • no país em que os que dizem sim pouco passam os 10% e mesmo assim quase metade destes "Concordam mas não muito";
  • no país em que os que dizem não correspondem a sensivelmente 83%, dos quais mais de 64% classificam "a coisa" como sendo um Absurdo e um atentado";
está a ser implementado um "Acordo ortográfico" sobre o qual não há acordo, que não está legalmente em vigor, que ainda não se encontra ratificado e que é já dado a beber à população em geral e, mais grave, às crianças das escolas primárias. G'anda noia, como diria o outro.

Mesmo que esta sondagem não seja muito exacta, ainda que possa, ou não, corresponder a uma amostra "curta" parece-me óbvio que a disparidade entre quem aceita e quem não aceita esta "coisa horrorosa" é abissal. Não é novidade, sejam 83, 33%, ou ligeiramente mais, ou ligeiramente menos, a verdade é que a majoríssima parte dos portugueses não engole este "acordo" de maneira nenhuma.

A "coisa horrorosa" está-nos a ser imposta prepotentemente, em nome de interesses inconfessados, ao abrigo de argumentos falaciosos os quais só "come" quem tem mesmo muita vontade de os comer, por razões completamente alheias às que são expostas.

Por que não fazem um referendo?
Democratas... uma ova!



Fiquemos então com o Raul Solnado
e sejamos todos "bombeiros voluntários",
queiramos ou não.
Bom fim-de-semana.




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PERSPECTIVAS DE QUEM FALA PORTUGUÊS

PARECEM TEXTOS MUITO LONGOS MAS SÃO DE LEITURA FÁCIL.
PARTICULARMENTE O PRIMEIRO, EDITORIAL DE HOJE (8Fev) NO "JORNAL DE ANGOLA", É A NÃO PERDER


ANGOLA

JORNAL DE ANGOLA On Line

EDITORIAL

Património em risco

08 de Fevereiro, 2012
«Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda. A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.
Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito “Vamos Descobrir Angola”, deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única. Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico” aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual do entrevistado.
Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português.
Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer ao seu nível. Porque é batota! Na verdade nunca estarão a esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário!
Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.»


BRASIL

Entrevista de Paulo Franchetti ao «Páginas Tantas» blog

(Páginas Tantas é uma iniciativa do Teatro Académico de Gil Vicente e do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Mais AQUI)

7 de Fevereiro de 2012

Paulo Franchetti é crítico literário, escritor e professor titular do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Director da editora da Unicamp


PT.« O que acha do acordo ortográfico? Acha mesmo que, como dizem os editores portugueses (e muitos intelectuais), o acordo foi uma gigantesca maquinação brasileira para permitir que os livros brasileiros entrem livremente no mercado português e no africano, acabando com a indústria portuguesa do livro?»

PF.
«O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado
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Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal.
O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de facto. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didácticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didácticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didáctico adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objectivos (ou falta de objectivos legítimos) do acordo.»



ENTRETANTO...
.........................EM PORTUGAL...


No blog VIDA BREVE


«As intervenções públicas sobre o Acordo não me estimularam. Tudo me parecia um Prós e Contras entre conservadores ultramontanos, mulheres de xaile e bigodaça de crucifixo à ilharga, por um lado, e uns vanguardistas muito neófitos que desprezavam os efeitos perversos das alterações que estas merdas sempre provocam. No fundo a coisa resumiu-se a ser contra ou a favor do 25 de Abril, ou seja, ao grau zero da competência retórica.»
.../...
«O Acordo Ortográfico é agora designado por Aborto Ortográfico. E isto angustia-me, por temer que os mesmos que desejam o incumprimento do Acordo procurem também repor a penalização da IVG. Num país varrido pela demagogia mais trambiqueira podemos esperar tudo e o seu contrário.»
Luis M. Jorge



E num comentário:


“E isto angustia-me, por temer que os mesmos que desejam o incumprimento do Acordo procurem também repor a penalização da IVG”

Só há pouco tempo me apercebi que, de facto, parece haver uma associação entre pró-acordo=esquerda e anti-acordo=direita. Estava genuinamente convencido que era apenas uma questão entre gente pouco alfabetizada (de direita e de esquerda) e outra (de esquerda e de direita) que até é capaz do esforço intelectual de ler legendas de filmes.
João Lisboa
08-02-12

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Será a isto que vamos chegar no nosso país? Entrincheirar o "Pró-Acordo" e o "Contra-Acordo" à Esquerda e à Direita de uma sofismática fronteira que serve várias politiquices e negociatas mas não a questão fulcral que é A LÍNGUA PORTUGUESA?
Haja Deus...



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CADA VEZ GOSTO MAIS DESTE GAJO




«Graça Moura dá ordem aos serviços do CCB
para não aplicarem o Acordo Ortográfico»

03.02.2012 - 08:30 Por Luís Miguel Queirós - in "Público"


«O recém-empossado presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), Vasco Graça Moura, fez distribuir ontem à tarde uma circular interna, na qual dá instruções aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico (AO) e para que os conversores - ferramenta informática que adapta os textos ao AO - sejam desinstalados de todos os computadores da instituição.


Numa directiva datada de Setembro de 2011, o anterior conselho de administração do CCB adoptara o acordo em toda a documentação produzida pela instituição. Uma decisão que o novo presidente agora revogou com o apoio da nova administração. A questão que agora se coloca é a de saber se esta medida é legal, já que o Governo de José Sócrates ordenou, em Janeiro de 2011, que o AO fosse adoptado por todos os serviços do Estado e entidades tuteladas pelo Governo.»

VÍDEO RTP:
Graça Moura contraria indicações do Governo e suspende aplicação do acordo ortográfico no CCB - Cultura - Notícias - RTP


SE A MEDIDA É LEGAL?
É, LEGALISSIMA.
Ou julgarão que Graça Moura anda a dormir na forma?

E MAIS... (ACTUALIZAÇÃO)
in "SOL"
«A medida terá sido aprovada por unanimidade pela nova administração do CCB, à qual foi distribuído um texto do presidente da instituição, no qual este argumenta que o AO «não está nem pode estar em vigor», pois Angola e Moçambique ainda não ratificaram o acordo e, segundo a ordem jurídica portuguesa, «a vigência de uma convenção internacional depende, antes de mais da entrada em vigor na ordem jurídica internacional. »
«Opositor declarado do AO, num extenso documento Vasco Graça Moura justifica a sua decisão com a inconstitucionalidade da aplicação das novas regras. De acordo com o ex-eurodeputado do PSD, estas violam «os artigos da Constituição que protegem a língua portuguesa, não apenas como factor de identidade nacional mas como valor cultural em si mesmo».


Para quem tenha dúvidas, ou para os "acordeses" mais acérrimos, queiram atentar na informação jurídica do Arq. António Macedo, Cineasta, Escritor e Professor Universitário, segundo a SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES (SPA)

«Após uma uma conversa aprofundada com os juristas da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), que estão muito bem informados sobre estas matérias, apurei resumidamente o seguinte:

1 - A nova ortografia, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), foi promulgada pela Resolução da Assembleia da República (AR) n.º 26/91, de 23 de Agosto (com pequenas actualizações posteriores), e reiterada pela Resolução do Conselho de Ministros (CM) n.º 8/2011.

2 - A ortografia ainda em vigor, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1945 (AO45), foi promulgada pelo Decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, e ratificada em 1973, com pequenas alterações, pelo Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro.

3 - O Código do Direito de Autor e Direitos Conexos foi promulgado pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março (com pequenas actualizações posteriores).

4 - Na hierarquia legislativa, segundo me explicaram os juristas da SPA, um Decreto-Lei está acima duma Resolução da AR ou do CM. Um Decreto-Lei é vinculativo, ao passo que uma Resolução é uma mera recomendação.

5 - Por conseguinte, uma Resolução não tem força legal para revogar um Decreto-Lei, e por isso o AO45 continua em vigor.


6 - Em caso de conflito entre a nova ortografia e o Direito do Autor, o que prevalece é o Decreto-Lei do Direito de Autor.

7 - Em consequência, nenhum editor é obrigado a editar os seus livros ou as suas publicações segundo a nova ortografia, nem nenhum Autor é obrigado a escrever os seus textos segundo o AO90. Mais ainda: tentar impor a nova ortografia do AO90 é um acto ilegal, porque o que continua legalmente em vigor é o AO45.

8 - Ao abrigo do Código do Direito de Autor, os Autores têm o direito de preservar a sua própria opção ortográfica, conforme consta do

n.º 1 do Art. 56.º do Capítulo VI do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos:

"(...) o autor goza durante toda a vida do direito de reivindicar a paternidade da obra e de assegurar a genuinidade e integridade desta, opondo-se à sua destruição, a toda e qualquer mutilação, deformação ou outra modificação da mesma, e, de um modo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue (...)".

9 - Embora no Artigo 93.º do Código do Direito de Autor se preveja a possibilidade de actualizações ortográficas, há sempre a opção legítima, por parte do Autor, de escrever como entender, por uma opção ortográfica de carácter estético. O que aliás foi confirmado pelo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, em entrevista à SIC no dia 8 de Janeiro de 2012, onde ele confirmou que até 2015 há um período de adaptação em que é permitido o uso paralelo do AO45 e do AO90, mas que aos Escritores, dada a sua condição de artistas criadores, ser-lhes-á sempre permitido utilizar a grafia que entenderem, mesmo que em 2015 o novo AO90 venha a ser eventualmente consagrado por Decreto-Lei, e não apenas, como agora, por uma simples Resolução da AR.


Pata terminar, e entre parênteses, o novo AO90 é tão aberrante que é um verdadeiro crime, que está a ser imposto em vários meios de comunicação e em todos os departamentos governamentais, não obstante ser ilegal e antidemocrático -

- e antidemocrático porque as várias sondagens que têm sido feitas desde há vários anos sempre apontaram para uma média de rejeição, do AO90, de cerca de 67 por cento por parte da generalidade dos Portugueses.

Claro que um crime desta envergadura só pode estar a ser tão violentamente implementado porque tem atrás de si interesses muito pesados e muito poderosos, e apetece-nos perguntar como nos romances policiais: a quem aproveita o crime? Geralmente, em crimes desta envergadura, a resposta costuma ser: follow the money...»

Dei um modesto contributo para tentar explicar a minha posição sobre o assunto neste link:

http://ilcao.cedilha.net/?p=3854

António Macedo

Ficou claro?

Agora digo eu:
Pode-se brincar com um povo mas não com todas as pessoas que constituem esse povo.

LINK: BLOG "A BIBLIOTECA DE JACINTO"
«O Dr. Vasco Graça Moura acaba de dar voz à maioria silenciada dos portugueses.»
Post recomendado pelo Real Gana

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PARA VETAR NÃO SE EXIGE AUTORIDADE... MORAL

O que se vem passando na Síria há dez meses já não nos espanta e talvez a poucos comova. É natural... É natural? A Síria fica longe, nem sequer faz exactamente parte do "nosso mundo". E todos temos ainda bem presente a loucura que ocorreu na Líbia - Bem... todos não sei, parece que Bashar al-Assad não terá esse pedaço de história recente nos circuitos dos seus estranhos neurónios; ou então não percebeu, a loucura e a maldade bloqueiam-lhe o entendimento.
Provavelmente al-Assad pensa que tem "as costas quentes". E tem. Espantosamente tem.

Durante a noite de ontem discutiu-se a situação da Síria no Conselho de Segurança da ONU. Conclusão: mais sanções. Pois.
Claro que a conclusão que se retira da impotência do C.S. ONU é outra.
Por muita vontade que o Ocidente tenha de ir às trombas a Bashar al-Assad, por muito que a Liga Árabe se faça ouvir pedindo uma «acção rápida e decisiva», a Rússia e a China mantêm as costas de al-Assad a salvo. Humanamente é incompreensível, ou seria, caso não viesse de onde vem. Mais uma conclusão a tirar...


Conselho de Segurança da ONU ontem, 31Jan. ao princípio da tarde



Conselho de Segurança da ONU ontem, 31Jan. durante a noite



Por falar em tirar conclusões, por falar na China (também na China)...

Nestes últimos dias tenho-me perguntado porque não há praticamente notícias sobre os sucessivos confrontos que têm vindo a ocorrer em vários locais do Tibete dos quais têm resultado várias mortes e inúmeras prisões.

O primeiro de que eu tive conhecimento ocorreu a 23 de Janeiro em Draggo ( Drango), nas imediações do mosteiro local em torno do qual um crescente número de pessoas vindas das localidades vizinhas se estavam reunindo clamando pela libertação do Tibete e pelo regresso do Dalai Lama.

Dois dias depois terá havido uma «escalada de violência» tendo ocorrido mais confrontos e mortes desta vez em Sertha; mais de 200 manifestantes pacíficos (muitos dos quais monges) foram presos arbitrariamente. Desta vez saíram notícias na BBC, New York Times e Financial Times assim como em alguns outros MCS de menor impacto.

A 27 de Janeiro, desta vez na cidade de Barma, Dzamthang, as forças paramilitares abriram fogo sobre manifestantes e executaram um homem que se dirigia para o meio de um conjunto de pessoas que tentavam evitar a prisão de um jovem

A comunicação social, de um modo geral tem estado alheada do que se está a passar quase (?) diariamente no Tibete.
Ontem, 31Jan. a BBC (what else?) noticiava, ainda que discretamente, que o governo chinês tinha ordenado um aumento de segurança e vigilância dos mosteiros e não só:
«Lhasa officials and functionaries at all levels, especially the police, must increase... efforts to rationally dispatch police forces and step up registration and inspection work along national roads, at key monasteries and among leading suspects.»
Mas os "mimos" não ficam por aqui, o Dalai Lama e seus apoiantes são particularmente mimoseados:
«"We must strike hard at all the separatist, destructive and criminal activities of the Dalai clique and make efforts to realise our goal of not letting any incident, big or small, occur," he* said in a speech published on the Lhasa government website.

He* was referring to Tibet's exiled spiritual leader, the Dalai Lama.»
*LIU QI


Porque não fala nisto a comunicação social? Aah, e o C.S. da ONU nem aborda... Para quê? Para ser vetado ao silêncio?
Que raio de mundo o nosso!





Sem comentários... Que haveria a dizer?


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