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QUER QUEIRAS QUER NÃO QUEIRAS

Nos anos 60, numa Revista à Portuguesa, Raúl Solnado tinha uma rábula que se chamava "O Bombeiro Voluntário" e começava assim:

«O meu pai, que era um homem liberal e incapaz de impor a sua vontade, disse-me: Meu filho, quer queiras quer não queiras tens de ser bombeiro voluntário»
Pois, mas isso foi nos anos 60, no tempo em que a malta comia e calava, quer quisesse quer não, no tempo em que os governos impunham as suas vontades às pessoas... Agora tudo mudou, vivemos em democracia.

Vem este relambório a propósito de uma sondagem que vi há pouco publicada no "auto hoje" e que apresenta uns esclarecedores indicadores;
vejam lá:


Ou seja,
  • no país em que o "Tanto se me dá" se manifesta mais numeroso do que o "Concordo inteiramente";
  • no país em que os que dizem sim pouco passam os 10% e mesmo assim quase metade destes "Concordam mas não muito";
  • no país em que os que dizem não correspondem a sensivelmente 83%, dos quais mais de 64% classificam "a coisa" como sendo um Absurdo e um atentado";
está a ser implementado um "Acordo ortográfico" sobre o qual não há acordo, que não está legalmente em vigor, que ainda não se encontra ratificado e que é já dado a beber à população em geral e, mais grave, às crianças das escolas primárias. G'anda noia, como diria o outro.

Mesmo que esta sondagem não seja muito exacta, ainda que possa, ou não, corresponder a uma amostra "curta" parece-me óbvio que a disparidade entre quem aceita e quem não aceita esta "coisa horrorosa" é abissal. Não é novidade, sejam 83, 33%, ou ligeiramente mais, ou ligeiramente menos, a verdade é que a majoríssima parte dos portugueses não engole este "acordo" de maneira nenhuma.

A "coisa horrorosa" está-nos a ser imposta prepotentemente, em nome de interesses inconfessados, ao abrigo de argumentos falaciosos os quais só "come" quem tem mesmo muita vontade de os comer, por razões completamente alheias às que são expostas.

Por que não fazem um referendo?
Democratas... uma ova!



Fiquemos então com o Raul Solnado
e sejamos todos "bombeiros voluntários",
queiramos ou não.
Bom fim-de-semana.




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