Ainda não há 10 anos - cumprem-se a 9 de Novembro próximo - Trump foi eleito, pela primeira vez, presidente dos EUA; para muitos, nos EUA e no resto do mundo, foi o anúncio de uma época de obscurantismo, inimaginável.
Há 10 anos a maioria das não admitiria ver os EUA apoiarem, de forma mais evidente ou mais sub-reptícia, a invasão criminosa e injustificável da Ucrânia pela Rússia
Há 10 anos pareceria absurdo admitir que a Rússia estava a apoiar e a subsidiar os partidos de extrema-direita europeus.
Há 10 anos era impensável presenciar uma violenta tentativa de golpe de Estado palaciano, como o de 6 de Janeiro de 2021, preparado pelo presidente dos EUA e os seus acólitos, tentando permanecer no poder após perder as eleições de 2020
Há 10 anos ninguém acreditaria que um homem, ignorante, mentiroso, corrupto e doentiamente egocêntrico - sujeito a dois "impeachments" no Congresso e salvo ambas a vezes por um senado invertebrado - pudesse ser reeleito, por mais 1,05% - 4 anos depois.
Há 10 anos... O absurdo, perde-se no número de ocorrências impensáveis, de factos "impossíveis".
Há 10 anos ser-me-ia inacreditável se me mostrassem uma projecção do futuro em que me visse a dar razão ao Irão sob um injustificado ataque americano
Hoje, dia 7 de Abril de 2026, não sei o que se irá passar dentro de horas sob os céus do Irão; duvido que o próprio Trump tenha, horas antes, muitas certezas
Dentro de horas... Mas antes destas horas passarem há algo que já não se pode apagar: a declaração de intensões de Trump
"Uma civilização inteira morrerá esta noite,
para nunca mais ressurgir"
Não consigo classificar, adjectivar, esta declaração, aconteça o que acontecer. No que concerne à intenção declarada, a única coisa que distingue Trump de Hitler é a pratica do poder que detém, esperemos.
Há dois dias, na sua mensagem pascal, horas depois de o Presidente dos EUA ter publicado que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, o Papa Leão XIV classificou as ameaças contra o povo do Irão como «verdadeiramente inaceitáveis». Ao sair de Castel Gandolfo declarou:
«Certamente há questões de direito internacional aqui mas há muito mais. É uma questão moral, pelo bem do povo inteiramente. Procurar sempre a paz e não a violência, rejeitar a guerra, especialmente uma guerra que muitas pessoas disseram ser uma guerra injusta que continua a escalar e que não está a resolver nada.”
“É também um sinal do ódio, da divisão, da destruição de que o ser humano é capaz, e todos queremos trabalhar pela paz»
Anteriormente havia dito à CNN que esperava que Trump estivesse à procura de uma saída para acabar com a guerra com o Irão e apelou aos líderes do mundo para regressarem à mesa para o diálogo.
Colou-se-me uma pergunta no pensamento que não consigo rejeitar: Quem julga Trump que é para se outorgar o direito de aniquilar uma civilização inteira? Não está em causa se o faz ou não, está em causa o que declarou que fará
No Irão vivem mais de 89 milhões de pessoas, filhos de uma civilização milenar; os povos seguem os seus cursos e não há regimes eternos, sejam quais forem. O que está dentro da cabeça de Trump? Na cabeça, porque na alma está um buraco negro de onde não há Luz que escape
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Sobre a mesa da Sala Oval está uma proposta iraniana que consiste em 10 cláusulas, incluindo o fim dos conflitos na região, um protocolo para passagem segura pelo Estreito de Ormuz, a suspensão das sanções e a reconstrução.
Detalhes sobre as 10 cláusulas não foram publicados.
Falando aos jornalistas sobre o plano do Irão, Trump disse: "Eles fizeram uma ... proposta significativa. Não é suficiente, mas deram um passo muito significativo. Veremos o que acontece.".
Claro, nada é suficiente, como o Acordo Nuclear com o Irão não foi. Suficiente só será o que lhe garanta a promessa de Netanyahu de lhe entregar a "Gaza Dourada" e a segurança desse resort privado.
Já depois destas declarações publicou na sua rede social Truth Social, Trump ameaças, expressas em profanidades, de atacar a infra-estrutura civil do Irão, incluindo pontes e centrais eléctricas se o Estreito de Ormuz não for totalmente reaberto. Crimes de guerra sobre os quais Trump já disse não lhe oferecerem preocupações; também não preocupam Putin nem Netanyahu.
«Terça-feira será o Dia da Central Eléctrica e o Dia da Ponte, tudo num só, no Irão. Não haverá nada igual!! Abram a F*** do Estreito, seus bastardos tarados, ou viverão no Inferno – VÃO VER! Louvado seja Allah»
O que passaria na cabeça dos nacionalistas cristãos, base de sustentação de Vance e Trump, se Obama alguma vez tivesse dito "Louvado seja Allah" ? Pois... mas no domingo de Páscoa, Obama, e a sua família não estavam em congregação com os nacionalistas auto-denominados cristãos, estavam na Igreja de St. John em Washington D.C. a um quarteirão da Casa Branca, paróquia histórica frequentemente visitada por Obama e por vários presidentes anteriores.
Obviamente não estou a inferir que Trump seja adorador de Allah, Trump é uma besta com fé em si mesmo que, segundo as suas palavras, segue a sua própria moral e só. Não menos óbvio é que, se tiver tempo, rezará a todos os deuses à hora da sua morte, aterrorizado pela ideia do que o possa esperar do lado de lá, onde dinheiro, poder e influência não lhe podem valer.
Olhando a "bola de cristal"... Trump vai atacar o Irão? Vai, mas não como diz que atacará, há-de provocar explosões "cinematográficas" que mostrem como ele é poderoso e irrascível, nada mais
Um semi-acordo aparecerá mesmo a tempo... Não sei, digo eu...
Dentro de poucas hora saberemos.
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