::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundo. Mostrar todas as mensagens

ALASKY? АЛЯСКА!

 A amiba mental diz, e reitera, que "vai à Rússia" na sexta-feira encontrar-se com Putin.

Não sei se nas cedências de territórios da Ucrânia que estarão na proposta de paz a apresentar por Putin e Trump o Alaska irá de bónus revertendo a compra à Rússia em 1867

Espantosamente o secretário da Defesa e a secretária da Justiça assistem mudos e quedos; se Trump diz é porque é assim. Parte significativa do mundo está ao sabor das decisões deste idiota ignorante


A cavalgadura já está a preparar a gloriosa saída da reunião, já atira para cima de Zelensy a responsabilidade da continuação da guerra deixando implícito que foi ele que a começou 
«Fiquei um pouco incomodado com o facto de Zelinsky dizer, "Tenho de obter aprovação constitucional". Quer dizer, ele tem aprovação para entrar em guerra e matar toda a gente, mas precisa de aprovação para fazer uma troca de terras  (???) , porque vai haver uma troca de terras. Sei que através da Rússia e através de conversas com toda a gente para o bem da Ucrânia. coisas boas, não coisas más.» (min.4:43 )

Outros momentos apoteóticos da conferência de imprensa, no vídeo abaixo: 

«E se não fosse a chuva e a lama Kyiv teria sido tomada em 4h..». (min. 8:10)

«Vou dizer-vos isto. Vi uma sondagem saída da Ucrânia, 88% das pessoas gostariam de ver um acordo feito. E se recuarmos três anos, toda a gente estava entusiasmada com a guerra. Sabe, toda a gente está entusiasmada com a guerra até a ter. É uma coisa incrível» (min.9:16)

Pergunta: «Vlodimir Zelinsky não é convidado para sexta-feira?»
Trump: «Ele não fez parte disto. Eu diria que ele poderia ir, mas ele já foi a muitas reuniões. Sabe, ele está lá há três anos e meio. Não aconteceu nada. E qual é a definição? Quero dizer, querem alguém presente que está a fazer isto há três anos e meio?» (min.10:06)

Sem comentários.


Convirá referir, só para que fique "registado em acta",  

1- O facto básico de que a guerra continuou durante a presidência de Trump, praticamente 8 meses passaram sobre o "Acabarei com esta guerra no primeiro dia da minha presidência ou até talvez antes". Trump poderia ter contribuído decisivamente para o final da guerra se tivesse vontade política, ou se não estivesse enfeudado a Putin
Tem vindo a comportar-se de forma inexplicável à luz do mais ténue bom-senso; apresentou pelo menos cinco propostas de cessar-fogo e prometeu aplicar sanções contra Putin se este rejeitasse as propostas de paz, de cessar-fogo 
Putin rejeitou-as uma e outra e outra vez e, até hoje, Trump nunca avançou com quaisquer sanções. As últimas ameaçadas foram adiadas e re-adiadas à mais evidente vantagem para Putin, uma recalendarização  de alfaiate

2- Trump afirma que haverá uma "troca de terras", e nem é de "troca que de facto fala pois nenhum território russo entra nesta equação. Factualmente o que preconiza é uma cedência de terras a troco de uma paz limitada ao tempo que Putin precisa para recomeçar. Putin quer a Ucrânia, toda a Ucrânia, cuja entidade e nação não reconhece. Há quem já o tenha feito com consequências desastrosas, há acordos que têm por destino ser rasgados


3- Ninguém, que esteja de facto interessado em conseguir o melhor acordo possível, põe na mesa um leque de cedências antes do início das negociações. Não é um "erro diplomático", é dar várias voltas de vantagem ao adversário antes da partida; ou, pondo mais claramente, não se trata de um adversário, trata-se de um jogo em equipa. Trump aderiu a este jogo desde a sua entrada na Casa Branca.

4- Trump apresenta agora uma paridade de responsabilidades na ocorrência desta guerra, princípio, meio e fim; digo "agora" porque não faz muito tempo defendia a versão de ter sido a Ucrânia a responsável (lá voltaremos por certo). A verdade é não se trata de um conflito entre dois países, trata-se de  um crime de invasão e agressão, um crime internacional grave; há um agressor e um agredido, um invasor e um invadido, contra todos os princípios de direito internacional, de integridade territorial. Existe uma obrigação legal e moral de assistência ao agredido por parte de qualquer país decente, o contrário disto vai contra todo o sistema de segurança global e do direito internacional

5- É possível mutilar a capacidade de manutenção da máquina de guerra russa negando-lhe as receitas do petróleo e do gás. Isto pode ser feito impondo sanções secundárias sérias aos países que continuam a comprar petróleo e gás russos. E fornecer à Ucrânia todo o armamento necessário tendo em vista ajudar e não apenas vender armas a aliados

6- O maior temor de Putin é a unidade ocidental. Trump acalmou os seus ataques à NATO após a última cimeira porque lhe caiu dos céus uma multiplicidade de negócios de venda de armamento muito acima do que lhe seria dado esperar. Esta unidade será o primeiríssimo alvo de Putin e Trump não é exactamente difícil de manipular

Retorna à superfície a política de apaziguamento e a cedência de parte da Checoslováquia anexada por Hitler no tratado final da Conferência de Munique em Setembro de 1938 numa tentativa ingénua de evitar a guerra. Seis meses depois, em Março de 39, Hitler ignorou o tratado e invadiu a Checoslováquia; Em Setembro de 39 invadiu a Polónia e começou a II Guerra Mundial.
É muito positivo que retorne à superfície, assim seja também emergente a lição que engloba



A BUÇALIDADE LETAL


CIENTISTAS RECEBERAM ORDENS PARA NÃO PUBLICAR SEM A APROVAÇÃO DO GOVERNO TRUMP

Médicos e cientistas estão a receber ordens para parar de publicar em edições médicas ou falar em público sem primeiro  "terem autorização" da administração Trump.

Esta decisão veio a público hoje, dia 11/06, dois dias após o Secretário da Saúde, Robert Kennedy Jr., ter removido todos os 17 membros do painel de especialistas que faz recomendações a adoptar ao CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) sobre política de vacinas. Os especialistas serão substituídos por "novos membros altamente credenciados" - outra coisa não seria de esperar da creditadissima adm. Trump - actualmente em análise. Dois dias depois 8 já estão nomeados

O ACIP tem sido composto por especialistas em vacinas e doenças infecciosas de centros médicos acadêmicos e outros profissionais de saúde pública que avaliam os dados sobre vacinas e doenças infecciosas em reuniões, até agora, públicas. Aguardemos as credenciais. Quanto aos debates serem públicos, se assim permanecerem  - uma vez que requer autorização prévia  da administração Trump - de uma coisa poderemos estar certos: não serão ouvidas vozes discordante, reinará a harmonia naquela reinação. 

Convém lembrar alguns dos passos, que a muitos terão passado mais ou menos desapercebidos, envolvendo decisões desta segunda administração Trump, e que têm consequências desastrosas para o futuro da saúde nos EUA e no mundo

Maio 25 - «Universidades de todo o país que têm programas de diversidade e inclusão e as que boicotam as empresas israelitas, estão a esforçar-se para cumprir a iniciativa anti-diversidade do presidente Donald Trump, num esforço para manter centenas de milhões de dólares em subsídios federais que financiam investigação médica essencial em áreas como o cancro e a saúde materna.

Desde Fevereiro, os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA cancelaram cerca de 780 bolsas de investigação que abordavam a equidade, as disparidades raciais, a saúde das minorias, as populações LGBTQIA+ e Covid-19. As bolsas canceladas abrangeram todo o país: aproximadamente 40% destinavam-se a organizações de Estados onde Trump ganhou em Novembro

Entre elas, cortes em pesquisas aparentemente alinhadas com os objectivos declarados da administração Trump e do Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., como estudos sobre diagnósticos de autismo, melhorias em doenças crónicas e a intersecção da exposição ambiental com a saúde.

«As bolsas do HHS são atribuídas apenas aos candidatos mais qualificados - menos de 15% dos candidatos de topo - e não obedecem a requisitos ideológicos ou quotas discriminatórias», disse um porta-voz do HHS em resposta a perguntas sobre as bolsas canceladas.»

O corte em massa de bolsas do NIH gerou preocupação até mesmo entre os líderes republicanos, que defendem que os EUA podem perder a inovação médica e liderança mundial devido aos cortes de financiamento, despedimentos em massa e as reformulações politizadas de agências.

«Não devemos perder de vista o que está realmente em causa aqui. Se os ensaios clínicos forem interrompidos, a investigação for interrompida e os laboratórios forem encerrados, os tratamentos e as curas eficazes para doenças como o Alzheimer, a diabetes tipo 1, os cancros infantis e a distrofia muscular de Duchenne, entre outras, serão adiados ou nem sequer descobertos.»

Senadora Susan Collins, rep. Maine, durante audição sobre os fundos no Senado


Março 25 -  Em 2023, o NIH lançou uma iniciativa de 168 milhões de dólares em 10 universidades para melhorar os cuidados de saúde materna.

Em Março, a agência cancelou o financiamento a várias de entre estas 

A Universidade de Columbia, um dos 10 centros de saúde materna do projecto de grande escala do NIH, foi uma das primeiras instituições a sofrer com o congelamento de fundos e uma batalha pública com a administração Trump.

Os amplos cancelamentos  também atingiram a Faculdade de Medicina Morehouse, parte de uma universidade historicamente negra em Atlanta, Geórgia, um Estado com algumas das piores taxas de mortalidade materna do país.

Restavam 1,6 milhões de dólares da verba de 2,9 milhões  quando o NIH cortou o financiamento. A presidente da Faculdade de Medicina de Morehouse, Valerie Montgomery Rice, posicionou-se firmemente contra os esforços anti-DEI ( Diversidade, Equidade, Inclusão) dizendo à rádio local  que "a diversidade, a equidade e a inclusão, no que diz respeito à saúde, não são termos políticos".

31 Janeiro 25 - «Os Estados Unidos têm sido líderes globais na investigação científica e na inovação. Da vacina contra a poliomielite à descodificação do primeiro cromossoma humano e à primeira cirurgia de bypass, a investigação americana originou uma lista aparentemente interminável de avanços na área da saúde que são considerados garantidos.
Quando a administração Trump emitiu um memorando suspendendo todas as subvenções e empréstimos federais o mundo académico norte-americano parou. "Isto tem um impacto imediato na vida das pessoas", diz J. Austin, professor de psiquiatria e genética médica na Universidade da Colúmbia Britânica. "E é assustador."»

«O congelamento do financiamento exige que as agências enviem as análises dos seus programas financiados ao Gabinete de Gestão e Orçamento até 10 de Fevereiro e surge após ordens separadas emitidas na semana passada às agências de saúde dos EUA — incluindo os Institutos Nacionais de Saúde, que lideram a investigação médica do país — para pausar todas as comunicações até 1 de Fevereiro e interromper todas as viagens por tempo indeterminado.»

A ciência é, por natureza, colaborativa. Muitos consórcios e alianças dentro de campos científicos atravessam fronteiras e barreiras linguísticas. Alguns laboratórios podem conseguir financiamento adicional de fontes alternativas, como a União Europeia. É improvável que uma retirada contínua do financiamento do NIH possa ser compensada por apoios estrangeiros. Os milhões de dólares atribuídos aos laboratórios de alto desempenho são utilizados para financiar estudantes de pós-graduação, técnicos de laboratório e analistas investigadores. Se o investigador principal de uma equipa de investigação não conseguir obter uma bolsa através do processo descrito muitas vezes o laboratório é encerrado e os membros auxiliares da equipa perdem os seus empregos. Não demorará muito para que o impacto chegue à população em geral. Com a perda de financiamento para investigação, surgem os encerramentos de hospitais e universidades e os avanços na medicina também serão prejudicados.

As condições estudadas com o financiamento do NIH não são apenas doenças raras que afetam 1% ou 2% da população. São problemas como o cancro, a diabetes, o Alzheimer — problemas que afectam a sua avó, os seus amigos, os seus filhos e tantas pessoas que um dia perderão a sua saúde perfeita. É graças a este sistema de investigação e aos cientistas que nele trabalham que os médicos sabem como salvar alguém de um ataque cardíaco, regular a diabetes, baixar o colesterol e reduzir o risco de AVC. É assim que o mundo sabe que fumar não é uma boa ideia. "Todo este conhecimento é gerado por cientistas financiados pelo NIH, e se lhe colocar uma chave tão grande e abrangente, vai perturbar absolutamente tudo", diz o professor de genética. “Se as pessoas querem que os Estados Unidos se tornem uma nação de segunda classe, é exactamente isto que precisam de fazer. Se o objectivo é, de facto, tornar a América grande, esta não é a forma de o fazer”, afirma o professor de Genética. “Não é algo racional, ponderado e eficaz de se fazer. Só vai destruir.”»

6 de Fevereiro de 2025, o "The New York Times" noticiou que  «os ensaios clínicos apoiados pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) foram abruptamente interrompidos após uma ordem executiva do Presidente Trump, congelando toda a ajuda externa. Esta ordem abrangente deixou milhares de participantes em ensaios clínicos isolados, muitos com medicamentos experimentais ou dispositivos médicos no corpo, sem acesso a cuidados de acompanhamento ou monitorização. A paralisação não só coloca em risco os doentes individuais, como também inviabiliza esforços de investigação críticos que poderiam ter levado a avanços nos tratamentos de doenças infeciosas, na saúde materno-infantil e no desenvolvimento de vacinas.»

Fevereiro 25 - The Guardian - «A ordem de paragem desmantelou décadas de esforços para desenvolver vacinas de última geração contra a malária, uma área na qual a USAID tem sido um importante apoiante financeiro e logístico. A malária ainda mata mais de 600.000 pessoas anualmente, afectando desproporcionalmente as crianças na África Sub-sariana. Os ensaios clínicos destinados a melhorar as vacinas e as taxas de protecção existentes foram agora atirados para o limbo, apagando anos de progresso.»

As consequências desta paralisação vão muito além da saúde pública. 

Os ensaios clínicos financiados pela USAID foram fundamentais no desenvolvimento inicial de muitos medicamentos e vacinas que, posteriormente, recebem investimento do sector privado. As empresas biofarmacêuticas estabelecem parcerias com a USAID para reduzir o risco de investimentos em tratamentos de mercados emergentes, particularmente para doenças como a malária, a tuberculose e o VIH/SIDA, que afectam principalmente os países de baixo rendimento. 

«Uma vítima significativa é o ensaio clínico CATALYST, que testava o cabotegravir, um medicamento injectável de ação prolongada para a prevenção do VIH, em cinco países. Sem injecções regulares, os participantes podem desenvolver estirpes de VIH resistentes aos medicamentos, comprometendo potencialmente a eficácia de um dos novos tratamentos preventivos mais promissores. O ensaio clínico foi uma iniciativa fundamental para expandir o alcance global dos medicamentos para a prevenção do VIH, e a sua suspensão representa riscos não só para os inscritos, mas também para o acesso futuro ao tratamento.»

Para além dos riscos imediatos para os participantes nos ensaios clínicos, o congelamento da ajuda externa interrompe os programas de saúde globais, a estabilidade económica e o progresso científico. Os serviços básicos de saúde, como vacinação, programas de saúde materno-infantil e prevenção de doenças infeciosas, estão a ser prejudicados. A interrupção repentina do financiamento coloca em risco tratamentos médicos essenciais levando ao aumento das taxas de mortalidade e a um aumento da carga sobre os sistemas de saúde já sobrecarregados. Os programas de prevenção da malária, as iniciativas de tratamento da tuberculose e as intervenções nutricionais infantis podem entrar em colapso, revertendo décadas de progressos no controlo de doenças e na saúde pública.

Poderia continuar até me doerem os dedos... O ponto está feito, não passa despercebido que ao dirigir-se a "cientistas", os únicos referidos de forma individualizada na "nova ordem proibitória" são os médicos... Por último deixo apenas um desabafo em oposição à falta de lucidez, à ignorância, à curteza de vistas vigente: 

Esta ruptura afecta a segurança sanitária global. A investigação sobre doenças infecciosas desempenha um papel crucial na preparação para pandemias e a interrupção dos estudos apoiados pela USAID enfraquece os sistemas de alerta precoce para ameaças emergentes à saúde. Sem investimento sustentado na saúde global, as novas doenças infeciosas podem permanecer sem detecção durante mais tempo aumentando o risco de surtos que se podem espalhar pelo mundo. A natureza interligada da medicina moderna significa que negligenciar os desafios globais da saúde representa, em última análise, riscos para a saúde pública em todo o mundo. Seria suposto a, aparentemente esquecida, epidemia de Covid ter sido um aviso, um alerta. Deparamo-nos com a maior e, provavelmente mais importante, comunidade científica do planeta a ser paralisada por um poder cego, corrupto, colossalmente estúpido e ignorante. Não pode ser ignorado.

OPERAÇÃO "TEIA DA ARANHA"

 

Hoje, 1 de Junho, Rússia sofreu um dos ataques mais poderosos às suas forças de aviação militar em todo o período da guerra. De acordo com fontes do serviço de segurança da Ucrânia, mais de 40 bombardeiros pesados russos - 34% dos bombardeiros de misseis estratégicos capazes de transportar  armas nucleares tácticas - foram atingidos durante uma operação especial denominada "Spider's Web".  Entre os aviões destruídos estavam dois bombardeiros estratégicos TU95MS,  dois bombardeiros estratégicos TU22M3 e aviões de detecção de radar de longo alcance A50 que servem de "olhos" à defesa aérea russa  e aos ataques com mísseis. O prejuízo de frota destruída, de acordo com estimativas preliminares, é superior a 2 biliões de dólares. 

Os ataques foram efectuados simultaneamente em quatro importantes aeródromos militares na região de Urkutsk, em Diaga Leavo, na região de Ryazan, em Ibanovo na Rússia central e na Oénia, uma região estratégica  no Ártico. 

Estes não são alvos aleatórios, são as principais bases para aviões de transporte nuclear, bem como aeródromos a partir dos quais são regularmente lançados de mísseis contra a Ucrânia. 

O carácter único desta operação reside nos pormenores:  os drones foram lançados directamente de camiões normais convertidos em plataformas de lançamento móveis. Drones FPVforam montados dentro dos contentores que estiveram estacionados em postos de abastecimento de combustível mesmo atrás das linhas inimigas; no momento escolhido o tecto dos contentores abriu-se e os drones decolaram para o alvo. Os drones SBU viajaram até 4.000 km atingindo alvos mesmo na Sibéria. Vídeos dos ataques aos alvos russos já foram colocados online.  Todos os aeródromos estratégicos da Federação Russa estão a arder, como se pode ver em inúmeras imagens de satélite e vídeos dos locais. Alguns dos aviões atingidos já estavam armados com mísseis de cruzeiro X101 preparados para novos ataques. 

O dia 1 de Junho leva a que esta operação seja especial pois tornou-se na correção simbólica de um erro histórico cometido há 29 anos: no dia 1 de Junho 1996 a Ucrânia entregou o seu armamento estratégico e  nuclear à Rússia.  Hoje quase tudo o que foi entregue está a arder até às cinzas

A operação preparada durante 1ano, 6 meses e 9 dias, foi supervisionada pessoalmente pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e directamente dirigida pelo chefe da SBU, o Tenente-General Vasyl Maliuk. Esta operação especial envolveu equipas móveis, abrigos móveis, casas de madeira para camuflagem, drones contrabandeados e uma inestimável precisão de ataque. De acordo com a SBU todos os  participantes na operação há muito que regressaram ao território de Ucrânia, pelo que se pode concluir que, por exemplo, camionistas ao serviço do exército, não faziam ideia do que se passava e não estavam envolvidos na finalidade das suas operações. Mas centenas de operacionais estiveram envolvidos; Após a decolagem de todos os drones foi activada a explosão de todos os camiões de transporte para cobrir quaisquer vestígios e pistas (Tecnologia e, sobretudo, ADN e impressões digitais) .

Também há informações sobre explosões perto da base de submarinos em Sea Morsque, onde componentes do arsenal nuclear russo podem estar armazenados mas até agora não existem pormenores disponíveis

«Telegram channels are reporting a powerful explosion in Severomorsk — the city hosts the largest base of Russian nuclear submarines»

 Massive UAV Attack on Russia:
Air raid alerts declared in Moscow, Voronezh, Tula, Belgorod, and other regions


A DECLARAÇÃO DE ZELENSKY:

«Hoje foi levada a cabo uma operação brilhante - em território inimigo -  visando apenas objectivos militares, especificamente o equipamento utilizado para atacar a Ucrânia. A Rússia sofreu perdas significativas, inteiramente justificadas e merecidas.

A preparação levou mais de um ano e meio. O planeamento, a organização e todos os pormenores foram perfeitamente executados. Pode dizer-se com confiança que esta foi uma operação absolutamente única.

O mais interessante, e agora pode ser afirmado publicamente, é que o “escritório” da nossa operação em território russo estava localizado exactamente ao lado da sede do FSB numa das suas regiões.

No total foram utilizados 117 drones na operação, com um número correspondente de operadores de drones envolvidos. 34% dos porta-mísseis estratégicos de cruzeiro estacionados em bases aéreas foram atingidos. O nosso pessoal operou em várias regiões da Rússia - em três fusos horários diferentes. E as pessoas que nos ajudaram foram retiradas do território russo antes da operação e estão agora em segurança.

É verdadeiramente gratificante quando algo que autorizei há um ano e seis meses se concretiza e priva os russos de mais de quarenta unidades de aviação estratégica. Vamos continuar este trabalho.

Mesmo antes de esta operação ter sido levada a cabo dispúnhamos de informações que indicavam que a Rússia estava a preparar outro ataque maciço. É muito importante que todo o nosso povo não ignore os alertas de ataques aéreos.

Ontem à noite havia quase 500 drones russos, drones de ataque. Todas as semanas, têm vindo a aumentar o número de unidades utilizadas por ataque. Agora, também prepararam mísseis Kalibr lançados de porta-aviões. Sabemos exactamente com quem estamos a lidar. Defender-nos-emos por todos os meios ao nosso alcance - da Ucrânia e do povo ucraniano.

Nem por um segundo quisemos esta guerra. Oferecemos aos russos um cessar-fogo. Desde 11 de Março a proposta dos EUA para um cessar-fogo total e incondicional tem estado em cima da mesa. Foram os russos que optaram por continuar a guerra - mesmo em condições que o mundo inteiro pede o fim desta matança.

É efectivamente necessária pressão, uma pressão sobre a Rússia que a faça voltar à realidade. Pressão através de sanções. Pressão por parte das nossas forças. Pressão através da diplomacia. Tudo isto tem de funcionar em conjunto.

Hoje, tive também uma reunião alargada com o Ministro da Defesa da Ucrânia, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Chefe do Gabinete Presidencial, os nossos chefes dos serviços de informações e as chefias militares. Debatemos o que esperamos exatamente da reunião de segunda-feira em Istambul.

Continuamos a propor um cessar-fogo total e incondicional, juntamente com todas as medidas racionais e dignas que possam conduzir a uma paz duradoura e fiável. A proposta ucraniana que apresentámos aos russos é lógica e realista.

Os russos, no entanto, não partilharam o seu “memorando” com ninguém - nós não o temos, a parte turca não o tem e o lado americano também não tem o documento russo. Apesar disso, vamos tentar fazer pelo menos alguns progressos no caminho para a paz».




UM PAÍS SEM REI NEM ROQUE


Para que um Estado possa ser considerado Democrático tem de ser alicerçado por vários pilares nos quais tem de assentar o seu funcionamento, institucional, político e social; eleições livres é um ponto de partida mas não basta, não são, de forma alguma, "um ponto de chegada". Representatividade legislativa e executiva da vontade expressa, liberdade de expressão e de imprensa, são alguns desses pilares fundamentais. Um outro absolutamente essencial é ser um Estado de Direito, no qual o poder judicial seja inequivocamente independente. Sem isto não há evocação de resultados eleitorais que resista à perversão do Estado Democrático. Tudo cai num abismo autocrático, prepotente, dogmático

--------- < 0 > ---------

28 DE MAIO - Três juízes federais do Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos invalidou a utilização da "Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional", de 1977, para impor taxas de importação.

Trump, obviamente, recorreu.

29 DE MAIO - Um tribunal de recurso decidiu que o presidente Trump pode continuar a cobrar tarifas enquanto contesta a ordem judicial que as bloqueou. A reversão permite que Trump continue a utilizar a "Emergência Internacional" como ferramenta económica, e como política de destabilização dos mercados mundiais

(A bem de quem...?)

A União Europeia está a preparar os termos de um acordo comercial com início de discussão a 9 de Julho. Precisam saber os termos basilares de tal acordo... Pois que esperem, esperem todos, do Canadá à China, do México à India, aguentem-se e logo se vê.
Instabilidade financeira mundial?  Pois, são coisas que acontecem enquanto o mundo fica na dependência da assinatura de um homem que trata as falências por "tu".    

Isto resolvia-se se evocassem o espírito de Elvis, o Rei do Rock - Rei e "Roque" mudando a música - de outra forma não estou a ver saída, talvez se ele for para Marte com o outro....

--------------------- < 0 > ---------------------

Esta remissão à insignificância da Letra da Lei é a nova dádiva ao mundo da segunda administração trump; durante a primeira administração, campanha incluída, foi a mentira descarada como discurso político e a desinformação propagandeada; colou-se às democracias ocidentais  como modus operandi viscoso e peganhento deixando nódoas com as quais hoje nos debatemos, mas havia ainda a tentativa de enquadrar a acção política, e executiva, numa moldura "legal". 
Uma perda de tempo e esforço, ao que parece... 
Agora faz-se "lei" com a ponta da caneta e a prática em campo desrespeitando  todo o tipo de leis vigentes, mesmo as constitucionais, desrespeitando a separação entre o poder executivo e o legislativo, todas as normas que regulamentam essa relação, desrespeitando a jurisprudência descaradamente como constará do Manual de Boas Práticas de qualquer ditador que se preze. 
Sem pretender fazer futurologia, esta será a nova prática que nos assombrará num futuro próximo.
Deixo um vídeo com um excerto da audição no Senado da Secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, não por ser especialmente importante - no que toca ao resto do mundo - mas por ser um excelente exemplo desta nódoa autocrática e irresponsável, inconcebível num Estado de Direito, cristalinamente exposta pelo senador  Chris Murphy. Melhor é difícil.

TODOS. MAS TODOS, TODOS, TODOS?

 


Uma nota neste dia em que a Igreja Católica Romana inicia um novo capítulo na sua relação com o mundo:
Porquê  a escolha do nome "Leão"?
Já li alguns disparates, desde "A escolha da referência ao rei dos animais..." a conjecturas bastante improváveis como a referência a Leão I devido ao seu proverbial encontro com Átila

A fazer sentido a evocação de Leão I não passará por certo por Átila. Leão I teve um papel decisivo nos debates do Concílio de Calcedónia, concílio ecumênico da Igreja Católica, a Igreja Católica Ortodoxa e a maioria dos protestantes, no qual foi debatido o seu "Tomo de Leão", uma carta enviada por Leão I a Flaviano, patriarca de Constantinopla. Esta carta debruçava-se sobre a definição de Cristo como sendo uma união de duas naturezas — humana e divina — unidas numa só pessoa, "sem confusão e nem divisão", as duas naturezas coexistiam em Jesus Cristo sem divisão. Esta é a posição expressa pelo novo Papa Leão XIV, tal como era a do Papa Francisco .
Mas está definição de cristandade gerou profundas discordâncias no seio do Concílio Ecumênico de Caledónia provocando o cisma das as Igrejas ortodoxas orientais: a Igreja Ortodoxa Copta, a Igreja Ortodoxa Síria, a Igreja Apostólica Armênia e a Igreja Ortodoxa da Etiópia, ameaçando um cisma entre o Oriente e o Ocidente.

Outros dois Papas me ocorrem, Leão X  e  Leão XIII. 
Assalta-me a dúvida: 

Por Leão XIII, que deu início, no sentido estrito, à Doutrina Social da Igreja, que tem por finalidade "Levar os homens a corresponderem, com o auxílio também da reflexão racional e das ciências humanas, à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena";

Ou por Leão X, o papa que se confrontou com do início da Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero, o último Papa de uma Europa Ocidental totalmente católica. Parece-me pouco provável para um "filho" de santo Agostinho que se anuncia reformista; reformista mas qb

 "Construir pontes" não é o mesmo que aceitar o que existe do outro lado da ponte; dialogar também não, o diálogo pode estabelecer compromissos, criar laços, mas também pode servir para convencer, ou mesmo impor civilizadamente. Alguém falou, citando este novo Papa, numa "unificação das práticas da Igreja". 
Depende do que se pretende "unificar".... por vezes as unificações geram cismas, se empreendidas como "unicidades". Quero pensar que um agostiniano não irá por aí. 

Leão XIV foi muito claro: «Queremos ser uma Igreja sinodal». Assim seja, desde que a prudência e a ponderação sejam observadas com sabedoria. O convite à participação de todos é benéfico à Igreja e a todos, sem inclusão e participação gera-se perda e desvio, mas pergunto-me se, neste momento, o convite é feito a todos os membros da Igreja ou a «Todos, todos, todos»?
«Todos, todos, todos» é o mais corajoso, e cristão, desafio que a Igreja pode encarar. Tal como o Papa Francisco, é preciso vencer a resistência à mudança, «sem medo», a permanência congelada num tempo passado afasta-se da vida, do mundo, das pessoas. Esse foi talvez o maior desacerto de Bento XVI. Uma Igreja sinodal é desejável mas tem de estar preparada e positivamente responsiva à divergência que a sinodalidade implica, leigos incluídos, de «Todos, todos, todos», sem isso é o pronúncio de afastamento.
Leão XIV falou de "todos" e a "todos", mas não de e a «Todos, todos, todos» ...

Ou talvez tenha falado e eu não ouvi como devia, com saudades tinha presente a voz, as palavras, a humildade e o esplendor de Francisco



.

ACORDO DE EXTORSÃO


A menos de 48h do encontro entre as delegações ucraniana e norte-americana em Jedha (A. S.) "transpira" que  a assinatura do Acordo de Exploração de Minérios Raros já não é suficiente para assegurar garantias de segurança por parte dos EUA, agora também querem que a Ucrânia ceda territórios.

Ursula van der Leyen, hoje, assinalando os  primeiros 100 dias do seu segundo mandato como presidente da Comissão Europeia:

«Vamos fazer avançar o plano riEUR com toda a força. A ideia subjacente é que devemos libertar todo o potencial face a ameaças concretas. O que mudou nestes 100 dias foi o novo sentido de urgência, porque algo fundamental mudou, tudo se tornou transacional, pelo que o ritmo da mudança acelerou e a acção que é necessária, tem de ser ousada e determinada»

________________________________

Poucas horas antes de declarações à imprensa na Sala Oval Trump publicou no Truth Social: 

«Com base no facto de que a Rússia estar absolutamente a “esmagar” a Ucrânia no campo de batalha neste momento, estou a considerar fortemente sanções bancárias em grande escala, sanções e tarifas sobre a Rússia até que um cessar-fogo e um ACORDO FINAL DE PAZ sejam alcançados. À Rússia e à Ucrânia, dirijam-se à mesa de negociações agora mesmo, antes que seja tarde demais. Obrigado!!!»

Juntando ambas, a ameaça de sanções à Rússia e as declarações na WH, duas conclusões se podem retirar:

1 - Alguém, talvez Keith Kellogg, o enviado especial norte-americano para a Ucrânia que esteve em Kyiv a 19/20 Fev, convenceu Trump a pôr a a hipótese de sanções bancárias como meio de pressionar Putin a iniciar conversações (o que me oferece uma expressão vagamente enjoada porque os EUA não têm relações bancárias nem comerciais com a Rússia) 

2- Umas horitas passadas, e à rédea solta com os jornalistas, Trump esteve-se nas tintas para sanções e bombardeamentos, não se coibiu de (continuar a) defender a Rússia com a facilidade de quem tem esse vírus correndo-lhe no sangue

A transcrição de três respostas à imprensa na Sala Oval - dia 7 Mar. (último vídeo abaixo)

 Min21:47 -  Jornalista: “O Presidente Putin está a bombardear a Ucrânia. Ainda acredita nele quando vos diz que quer a paz?”

Presidente Trump: “Sabe, eu acredito nele. Acredito nele. Acho que estamos a lidar muito bem com a Rússia mas, neste momento, eles estão a bombardear infernalmente a Ucrânia. Francamente estou a achar mais difícil lidar com a Ucrânia, e eles não têm as cartas. Eles não têm as cartas. Como sabem vamos reunir-nos na Arábia Saudita algures no início da próxima semana e vamos e estamos a falar sobre a possibilidade de chegar a um acordo final.. 

Acho que, em termos de resolução final, pode ser mais fácil lidar com a Rússia, o que é surpreendente porque eles têm todas as cartas. É verdade. E estão a bombardear infernalmente o país neste momento. E eu fiz uma declaração, uma declaração muito forte. Não posso fazer isso. Não podem fazer isso. Estamos a tentar ajudá-los. Mas a Ucrânia tem de se atirar à bola e fazer o seu trabalho”. 

Jornalista: “O senhor Presidente acha que Vladimir Putin está a aproveitar a pausa dos Estados Unidos na ajuda militar e nos serviços secretos à Ucrânia?

Presidente Trump: “Na verdade, acho que ele está a fazer o que qualquer outra pessoa faria. Penso que ele quer parar e resolver o problema. Penso que está a bater-lhes com mais força do que tem batido. E acho que qualquer pessoa nessa posição estaria a fazer o mesmo agora. Ele quer acabar com isto. E acho que a Ucrânia quer acabar mas não vejo.... É uma loucura. Estão a sofrer um castigo tremendo. Não percebo bem. 

Jornalista: “Porque acha que nenhum outro país europeu está a oferecer um acordo de paz? Parece que ninguém se juntou à mesa para a paz, excepto vocês?

Presidente Trump: “É uma pergunta muito boa mas por vezes as perguntas não têm resposta. Eles estão numa posição muito invulgar. Não sabem como acabar com a guerra. Eu acho que sei, sim, como acabar com a guerra. Apesar da Rússia-Rússia-Rússia. Sempre tive uma boa relação com o Putin. E sabe que ele quer acabar com a guerra. Quer acabar com ela. E acho que ele vai ser mais generoso do que tem de ser, e isso é muito bom. Isso significa muitas coisas boas”. 

________________________________

Em Julho de 1987 Trump, 41 anos, voa para Moscovo (URSS) a convite do embaixador soviético nos EUA, Yuri Dubinin.

Ao regressar de Moscovo, o falido Trump recebe subitamente empréstimos de 16 bancos e, sem negociação, compra o Hotel Plaza por 407,5 milhões de dólares - um preço recorde para um hotel.

Actualmente, três antigos agentes do KGB - Alnur Mussayev, antigo oficial do KGB e ex-chefe dos serviços secretos do Cazaquistão, o ex-agente do KGB Yuri residente actual nos EUA,  o ex-agente do KGB Sergei Zhyrno residente em França - . afirmam que Trump foi recrutado pela Rússia. Alegam que o KGB utilizou a lisonja e as oportunidades de negócio para apelar às ambições de Trump, com o objectivo de o recrutar como um trunfo.

Após o seu regresso aos EUA, o então apolítico Trump começou a criticar fortemente a NATO, publicando um anúncio de página inteira no The Washington Post em 2 de Setembro de 1987, que continha uma carta aberta escrita por si proclamando que os EUA estavam a desperdiçar dinheiro a proteger aliados que “não podem dar-se ao luxo de se defender”.

Nenhum destes antigos agentes do KGB forneceu provas directas mas o facto de três agentes, falando em momentos diferentes e a partir de locais diferentes, contarem a mesma história sugere uma forte  probabilidade

Já em 2014, 2 anos antes da primeira candidatura de Trump à presidência, o seu casino de Atlantic City faliu. Trump tinha uma dívida de 4 mil milhões de dólares após a falência. Nenhum banco norte-americano lhe quis tocar. Então  começou a entrar dinheiro estrangeiro através da Bayrock. A Bayrock era gerida por dois investidores: Tevfik Arif, um ex-funcionário soviético nascido no Cazaquistão, que recorria a fontes inesgotáveis de dinheiro da antiga república soviética, e Felix Sater, um homem de negócios nascido na Rússia que se tinha declarado culpado, na década de 1990, de um enorme esquema de fraude com acções envolvendo a máfia russa. A Bayrock - Bayrock Group LLC, localizada no 24º andar da Trump Tower - associou-se a Trump em 2005 e injectou dinheiro na organização Trump sob o pretexto legal de licenciar o seu nome e a gestão de propriedades.

Frequentemente ignorado é o facto de a máfia russa ser parte integrante dos serviços secretos russos. A Rússia é um Estado mafioso. Não se trata de uma metáfora, Putin é o chefe da máfia.

Em 1984, David Bogatin - um mafioso russo, condenado e aliado próximo de Semion Mogilevich - o cérebro por detrás da máfia russa - encontrou-se com Trump na "Trump Tower" logo após a sua abertura. Nessa reunião, Bogatin comprou cinco condomínios a Trump. Esses condomínios foram mais tarde apreendidos pelo governo, que alegou terem sido utilizados para lavar dinheiro para a máfia russa. (NY Times, 30 de Abril de 1992). Há décadas que os agentes de Mogilevich utilizam o património imobiliário de Trump para branquear dinheiro, ou seja, operacionais da máfia russa fazem parte da fortuna Trump há muitos anos, muitos deles são proprietários de condomínios nas "Trump Towers" e noutras propriedades, executando as suas operações a partir da joia da coroa de Trump.

Nada disto é novidade e, independentemente das provas, o comportamento de Trump é revelador: Tomou o partido da Rússia, juntamente com a Coreia do Norte na ONU, abandona a Ucrânia "suspendendo" apoio militar e informação vital, admite abandonar a NATO e fustiga os aliados ocidentais com guerras comerciais; e é-lhe "tão mais fácil negociar com a Rússia e com Putin"

_________________________________

Chefe propagandista do Kremlin, Alexey Zhuravlyov, Skabeyeva, na televisão estatal russa:
«Apoiamos tudo o que Trump está a fazer. Adoramos a forma como ele se está a comportar».(a partir do min:7:00


_________________________
Sala Oval 7 Março

 

POLÓNIA - O RISCO SOBRE A EUROPA NAS ENTRELINHAS

 Num discurso ao parlamento polaco centrado na situação de segurança internacional e na profunda preocupação com a guerra na Ucrânia, o primeiro-ministro  Donald Tusk informou estar em curso a preparação de um modelo de treino e formação militar para todos os homens da Polónia; baseado no modelo suíço, não será obrigatório mas suportado por incentivos fortemente apelativos, sublinhou que não se trata de um regresso ao serviço militar obrigatório, que terminou na Polónia em 2008.

«Até ao final do ano, queremos ter um modelo pronto para que todos os homens adultos da Polónia sejam treinados para a guerra e para que esta reserva seja adequada a possíveis ameaças. Todos os homens saudáveis deverão querer treinar-se para poderem defender a pátria em caso de necessidade. Vamos prepará-lo de forma a que não seja um fardo para as pessoas, as mulheres também poderão ser voluntárias se o desejarem. 
Os polacos não vão adoptar a filosofia de que somos completamente impotentes e indefesos por o Presidente Trump ter decidido ajustar a sua política. A Polónia não altera a sua opinião sobre a necessidade, a necessidade absolutamente fundamental de manter os laços, mais estreitos possíveis, com os Estados Unidos e com a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Estamos a assistir a uma profunda correcção da política dos EUA em relação à Ucrânia mas não podemos virar-lhe as costas só porque não gostamos dela. Temos de ser precisos e honestos na avaliação do seu significado, do que serve e do que não serve  os nossos interesses. Isto é, de um modo geral, indiscutível,  a Polónia não desiste da NATO.
O nosso défice tem sido a falta de vontade de agir, falta de confiança e, por vezes, até a cobardia. Mas a Rússia será indefesa contra a Europa unida. É impressionante, mas é verdade. Neste momento, 500 milhões de europeus imploram a 300 milhões de americanos que os protejam de 140 milhões de russos que, durante três anos, não conseguiram vencer 50 milhões de ucranianos  » D.Tusk, 7Mar25

O exército polaco tem actualmente cerca de 200 000 efectivos, o que o torna o terceiro maior da NATO, depois dos EUA e da Turquia, e o maior entre os membros da UE. Tusk referiu que a Ucrânia tem um exército de cerca de 800 000 homens, enquanto a Rússia tem 1,3 milhões de homens armados. Tusk pretende que o exército polaco atinja os 500 000 militarmente capazes de intervir em caso de necessidade.

Significativo é o facto de Jaroslaw Kaczyński,  líder do partido da oposição, o conservador Lei e Justiça, concordar com Tusk e  dizer : 

 «Para além do treino militar dos homens, será necessária uma mudança mental na sociedade. Teremos de regressar ao ethos cavalheiresco e ao facto de os homens também deverem ser soldados, ou seja, serem capazes de se exporem, mesmo à morte»

Não posso deixar de notar que, nestas coisas do "cavalheirismo", os líders conservadores tendem a confundir cavalheirismo com superioridade de aptidão... As forças armadas polacas contam com mais de 10 000 mulheres em serviço activo: em 2023 a 5ª divisão da  Força de Defesa Territorial, o ramo que englobava menos mulheres,  contava mais de 3.500 mulheres,  depois das Forças Terrestres, da Força Aérea, da Marinha e das Forças Especiais. Kaczyński que se entenda com as polacas, está bem entregue.

A Polónia está localizada no flanco oriental da NATO e já é o país que mais gasta, percentualmente, em defesa (4,7%). Tusk disse ao parlamento que a despesa deveria aumentar para 5% do PIB - o valor defendido por Trump. Esta sexta-feira o presidente polaco, Andrzej Duda disse que quer aproveitar o consenso que existe atualmente na cena política e irá submeter à apreciação parlamentar uma alteração à Constituição  que obrigaria o país a gastar anualmente pelo menos 4% do seu PIB na defesa. 

Paralelamente Tusk referiu que a Polónia não se pode limitar às armas convencionais e "está a falar seriamente" com a França sobre a possibilidade de ser protegida pelo "guarda-chuva" nuclear francês, após Macron ter aberto a possibilidade de outros países discutirem a forma como a dissuasão nuclear francesa pode proteger a Europa, rematando com o  exemplo da Ucrânia, que abdicou do seu arsenal nuclear e está agora a ser atacada pela Rússia..

 «Temos de estar conscientes de que a Polónia tem de procurar as capacidades mais modernas também no que se refere às armas nucleares e às armas não convencionais modernas. Esta é uma corrida pela segurança, não pela guerra» D.Tusk, 7Mar25

A CIMEIRA E O ARAUTO


A Europa uniu-se em torno de Zelensky, à excepção dos dois mais-que-suspeitos do costume, Aqui nada de novo. 

Começo pelo fim, pelo que disse Trump depois da reunião com Zelensky,  na sexta-feira, ao sair da Casa Branca para ir jogar golf no sábado em Mar-a-Lago; digo-o com palavras minhas, inacreditáveis, mas deixo a transcrição lá no fim porque só assim será credível:

Eu quero um acordo de paz, seja em que termos for, assinado por Zelensky ou por qualquer outro capaz de o assinar. Uma vez assinado a Ucrânia tem de parar de lutar, aconteça o que acontecer ou retiraremos o apoio.

< 0 >

A reunião de emergência centrou-se no apoio militar contínuo a Kiev e 
no aumento da pressão económica sobre a Rússia.


A cimeira que, na sexta-feira, Keir Starmer convocou para este domingo em Londres, contou com 17 países europeus, o Canadá, o secretário-geral da NATO e a representação da EU.
A França e o Reino Unido criaram um grupo de trabalho com a Ucrânia e um grupo restrito de outros países, para ser elaborado um plano para "acabar com os combates"; posteriormente será apresentado para discussão com os Estados Unidos. O primeiro-ministro britânico anunciou que “vários” aliados assinaram uma “coligação de vontades” (Coalition of the Willing - traduziria eu por "coligação dos predispostos" ) , juntamente com o Presidente Macron, comunicando estar preparados para enviar tropas para a linha da frente ucraniana no caso de um acordo de paz. (With boots on the ground and planes in the air) 

Starmer:  

«Duplicando o nosso apoio, trabalhando em estreita colaboração com os principais parceiros e garantindo que a Ucrânia tenha uma voz forte à mesa, acredito que podemos chegar a um acordo forte e duradouro que proporcione uma paz permanente na Ucrânia.. Juntamente com outros países, a Europa deve fazer o trabalho pesado mas, para apoiar a paz no nosso continente e ter êxito, este esforço deve ter um forte apoio dos EUA. Estamos a trabalhar com os EUA neste sentido. Isto será vital para proteger as infra-estruturas críticas agora e fortalecer a Ucrânia para garantir a paz quando esta chegar, porque temos de aprender com os erros do passado» (referindo-se ao acordo de cessar-fogo de Minsk, entre Putin e o então Presidente ucraniano Petro Poroshenko,  repetidamente violado por Putin)

Quando questionado sobre se Trump apoiaria a estrutura do plano, Starmer disse que tinha falado com Trump na véspera e que “não estaria a seguir este caminho se não achasse que tinha hipóteses”
Afirmou ainda que a coligação «vai intensificar o planeamento agora, com verdadeira urgência” e reiterou que o «Reino Unido (como a França) está preparado para apoiar esta acção com botas no chão e aviões no ar”.

No final da cimeira sobre a defesa e a segurança da Ucrânia, a presidente da  a Comissão Europeia, Ursula von der Leyen disse que irá apresentar durante uma cimeira da UE na próxima quinta-feira em Bruxelas. o plano “Rearmar a Europa” para reforçar a segurança do bloco.

“Todos nós compreendemos que, após um longo período de sub-investimento, é agora da maior importância aumentar o investimento na defesa durante um período prolongado. É para a segurança da União Europeia. Quanto ao futuro da Ucrânia as garantias de segurança são da maior importância. Temos de colocar a Ucrânia numa posição de força, para que tenha os meios para se fortificar e se proteger. É basicamente transformar a Ucrânia num porco-espinho de aço indigesto para potenciais invasores”.

O "plano" poderá, por exemplo, ajudar a desenvolver escudos aéreos avançados, para a Europa. Leia-se na entrelinhas...

Giorgia Meloni falou ontem, véspera da cimeira, com Trump, por telefone; o seu gabinete não revelou o conteúdo da chamada. Hoje, à margem da reunião de Londres, reuniu-se com Zelensky. O seu gabinete afirmou que a Itália manifestou o seu apoio, juntamente com os parceiros europeus e ocidentais e os Estados Unidos, «à construção de uma paz justa e duradoura, que garanta um futuro de soberania, segurança e liberdade para a Ucrânia».

M. Rutte, SG NATO: Foi uma boa reunião porque os líders presentes elevaram-se para nós certificarmos de que a Ucrânia terá o que necessita para permanecer na luta e as garantias imprescindíveis a um Acordo de Paz

ZELENSKY : Após receber várias garantias de segurança no caso de vir a existir um Acordo de Paz, disse que em caso algum está disposto a entregar território a Moscovo mas está pronto a assinar um acordo de exploração de minerios com Trump, num novo encontro num "formato construtivo".  Sobre o senador Graham e o speaker do Congresso, Johnson, terem falado na sua demissão, Zelensky disse que lhes poderia oferecer cidadania ucraniana e ouviria o que tivessem a dizer sobre o assunto mas o presidente da Ucrânia tem de ser escolhido pelos ucranianos 

A Hungria coloca-se ao lado de Trump, pois claro.

«Os homens fortes fazem a paz, os homens fracos fazem a guerra. Hoje o Presidente Trump defendeu corajosamente a paz. Mesmo que para muitos tenha sido difícil de digerir. Obrigado, Sr. Presidente!» - Orban, 28/02/25

A Eslováquia - que aprovou a resolução condenando a agressão russa não votando ao lado dos EUA, da Rússia e da Hungria - voltou a mostrar os dentes: Fico reiterou hoje que o seu país não fornecerá à Ucrânia qualquer apoio militar ou financeiro e exigiu que a cimeira de emergência da UE, na próxima quinta-feira em Bruxelas, aprove o apelo a um cessar-fogo imediato, «Algo que o Presidente Zelenskyy e a maioria dos Estados-Membros da UE se recusam a fazer», diz ele. Também quer que a cimeira peça à Ucrânia que reabra o trânsito de gás russo para a Europa e  avisou (ameaçou) que se a cimeira não respeitar os pedidos da Eslováquia, «O Conselho Europeu poderá não conseguir chegar a acordo sobre a sua posição relativamente à Ucrânia na quinta-feira».

Fico não fornecerá qualquer apoio militar ou financeiro à Ucrânia, a Eslováquia não pertence à NATO (nem está a caminho) mas E-XI-GE? "Fico"-me por aqui porque ando com muito mau feitio...

--------------------- < 0 > ---------------------

Depois da Cimeira... ( e depois do convite a Trump)
Zelensky foi a casa do rei tomar chá (com 25 minutos de atraso)

The Ukrainian president flew to the royal residence in Norfolk via helicopter after attending a security summit with Sir Keir Starmer and numerous world leaders in central London.
A military helicopter could be seen flying low before descending over at around 5.25pm.

--------------------- < 0 > ---------------------

Entretanto o que fez Trump?

A contribuição de 25 milhões de dólares da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional foi cancelada esta semana, um cancelamento entre milhares de ajudas externas canceladas antes da reunião entre Trump e Zelensky. O dinheiro era destinado ao Fundo de Apoio à Energia da Ucrânia para apoiar e reparar as infra-estruturas energéticas criticas, que têm enfrentado atacadas pela Rússia ao longo da guerra.

Mas continua a subsidiar Israel, mesmo que atire todos os acordos abaixo, proíba a entrada de ajuda essencial e aterroriza a Cisjordânia 

< 0 >

Trump transportou na sexta-feira de volta para a Florida várias caixas de documentos que o FBI tinha apreendido em Mar-a-Lago ao executar o mandado de busca em Agosto de 2022.
As caixas foram carregadas para o Air Force One antes da partida de Trump na Base Andrews, Maryland, na sexta-feira.

com as caixas, sem Melania, xôjinho outa-vez

O director de comunicação da Casa Branca anunciou: «O FBI devolveu ao Presidente os bens que lhe foram retirados durante as rusgas ilegais e ilegítimas. Estamos a tomar posse das caixas hoje e a carregá-las para Air Force One.»
A Casa Branca não respondeu a nenhum pedido de esclarecimento sobre o conteúdo das caixas.

Trump colocou um post no "Truth Social":

«O Departamento de Justiça acaba de devolver as caixas que o demente Jack Smith tanto alardeou. A justiça finalmente venceu,. Não fiz absolutamente nada de errado. Isto foi apenas um ataque a um adversário político que, obviamente, não funcionou bem. A justiça no nosso país vai agora ser restaurada» -28/02/25

Os documentos, classificados, regressam  ao resort turístico de Trump, onde voltarão a ser guardados numa qualquer casa de banho ou no esconso de manutenção da piscina, até Putin resolver se lhe interessa mais algum ou se já tem tudo o queria 

Ao deixar a Casa Branca na sexta-feira de partida para Mar-a-Lago foi questionado por uma multidão de jornalistas. Deixo a transcrição. Diz muito mais do que seria suposto ter dito, a verdade é que tanto faz.

«Tivemos uma reunião com o presidente Zelensky onde as coisas não correram lá muito bem do ponto de vista dele. acho que ele exagerou muito a sua mão. Estamos à procura de paz. Não estamos à procura de alguém que faça um acordo de apoio com uma potência forte e depois não aceite a paz por se sentir encorajado. Foi isso que eu vi acontecer. Estou à procura de paz. Não procuramos uma guerra de dez anos e fazer jogos. Queremos paz. Ele procura continuar e lutar, lutar, lutar. Estamos a tentar acabar com a morte. 2000 pessoas morreram esta semana. Soldados, mais do que isso, mas 2000 aproximadamente. Morreram pessoas esta semana. Jovens ucranianos e russos. E alguém diria: “Porque é que se preocupa com a Ucrânia e os soldados russos? Preocupo-me com eles. Preocupo-me com toda a gente. Ele vai ter de fazer as pazes. Ele está a negociar com um conjunto de cartas muito fraco. Se o apoiarmos ele lidará com um conjunto de cartas muito forte, então ele não fará a paz. Portanto é aí que estamos, é muito simples. Eu não estou a tentar entrar em nada prolongado. Quero uma ação imediata paz imediata. O Presidente Putin também vai querer fazer, é o que ele quer fazer, ele quer acabar com isto. E viram  o que eu vi hoje, isto é um homem que quer apanhar o nosso apoio  e continuar a lutar. Não vamos a fazer isso, não por este país. Ele tem de dizer "eu quero fazer as pazes". Ele não tem de ficar ali a falar de Putin, Putin isto, Putin, aquilo e tudo coisas negativas. Ele tem de dizer: “Quero fazer a paz, não quero mais travar uma guerra.  As pessoas estão a morrer. Ele
não tem as cartas. Só assim perceberá. Eu não confio nem desconfio de ninguém. Só quero fazer um acordo. E se o acordo acontecer, óptimo mas não se pode encorajar alguém que não o faz. Quero que qualquer pessoa que vá para fazer as pazes. Se ele for capaz de o fazer , o que pode ou não ser ele, mas eu quero novamente alguém que assine a paz.  Quando o apoiarmos, ele terá todas as cartas mas isso não significa que ele pode lutar. Ele tem de parar a luta, parar a morte.»

Claríssimo. Dito em metade de meia dúzia de linhas: Eu quero um acordo de paz, seja em que termos for, assinado por Zelensky ou por qualquer outro capaz de o assinar. Uma vez assinado, a Ucrânia tem de parar de lutar, aconteça o que acontecer ou retiraremos o apoio.*

Que mais poderia Putin desejar? Ahhh, talvez que os EUA deixem a NATO... Até à cimeira anual de Haia, de 24 a 26 de Junho, ainda há tempo para semear muitos ventos

*(Repito: O primeiro-ministro britânico anunciou que “vários” aliados assinaram uma “coligação de vontades”, juntamente com o Presidente Macron, comunicando estar preparados para enviar tropas para a linha da frente ucraniana no caso de um acordo de paz.)

Na próxima quinta-feira às conversações na prosseguem só em Bruxelas, Putin e Trump têm pressa, as delegações russa e americana jogarão em Istambul, e disseram que não vão falar da Ucrânia, só de relações diplomáticas e económicas. Pois, até talvez levem os berlindes. 







UNITED STATES OF АМЕРИКИ

 Antes de falar de Zelensky...
de trump, de vance e da reunião da Casa Vermelha Branca

Falemos de Nikolai Platonovich Patrushev

Nikolai Patrushev nasceu em Leningrado, actual São Petersburgo,1 ano e dois meses antes de Vladinir Putin; nasceram e cresceram na mesma cidade, talvez se tenham cruzado, talvez tenham jogado à bola. 

Em 1970 conheciam-se, ambos trabalhavam para o KGB em Leningrado. Patrushev acabou por se tornar chefe da unidade local de combate ao contrabando e à corrupção

Após o colapso da União Soviética, Patrushev continuou a trabalhar nos serviços de segurança

1992 - foi Ministro da Segurança da República da Carélia,
1994 -  foi para Moscovo como chefe da Direção de Segurança Interna do Serviço Federal de Contra-  Inteligência (FSK).
1995 - tornou-se chefe-adjunto do Departamento de Organização e Inspecção do FSB.
1998 - foi chefe da Direcção de Controlo do Estado-Maior Presidencial;
          - foi vice-chefe do Estado-Maior Presidencial;
          - foi nomeado diretor-adjunto o FSB e chefe da Direção de Segurança Económica.
1999 -  tornou-se primeiro diretor-adjunto do FSB.
          -  um decreto do Presidente Boris Yeltsin promoveu-o a director do FSB, substituindo o seu amigo Vladimir Putin, acabado de ser nomeado um dos três primeiros vice-primeiros-ministros e, nesse mesmo dia, foi nomeado primeiro-ministro interino do Governo da Federação Russa pelo Presidente Ieltsin que anunciou também que queria ver Putin como seu sucessor; ainda no mesmo dia, Putin aceitou candidatar-se à presidência, e o resto é história

Ora bem, posto isto é indiscutível que Nikolai Patrushev não é propriamente o "Chico da esquina" e o que diz não é exactamente "conversa fiada"

As eleições presidenciais nos EUA decorreram a 5 Nov. 24

Ora bem... E o que disse esta iminente figura uma semana depois, a 12 Nov ?  Disse assim:

«Nós russos, pusemos Trump no poder, ele deve-nos um retorno.
Para obter sucesso nas eleições, Donald Trump apoiou-se em determinadas forças para com as quais tem obrigações correspondentes. Como pessoa responsável, será obrigado a cumpri-las. Durante o período pré-eleitoral, fez muitas declarações para atrair os eleitores para o seu lado, que acabaram por votar contra as políticas externas e internas destrutivas levadas a cabo pela atual administração presidencial dos EUA. Mas a campanha eleitoral terminou e, em Janeiro de 2025, será a vez das acções concretas do presidente eleito. É sabido que as promessas eleitorais nos Estados Unidos podem muitas vezes divergir das acções subsequentes.» Nikolai Patrushev, 12 Nov. 2024 - https://www.kommersant.ru/

A título de mera curiosidade, o jornal russo que publicou a entrevista de Patrushev em Novembro, hoje, 28 Fev. tem a elucidativa manchete aí ao lado 

Não se me oferecem comentários

Posto isto...

Depois do que foi hoje dado ao mundo a apreciar por que raio iria a a minha humilde pessoa gastar o seu latim, e o seu "francês" - se bem me faço entender - a comentar, opinar, ignominiar, o que é mais do que evidente. Já me chegou esta tarde... Um sentimento de impotência, a raiva, a revolta batendo às portas do ódio... "Dá-me um whisky, estou a hiper-ventilar". E nas consequências não me apetece pensar, não posso fazer nada, não tenho decisões a tomar, felizmente.

O inquilino da Casa Branca queixou-se de "falta de respeito“... Como se soubesse o que é Respeito. 
Chateou-o a camisola militar do presidente da Ucrânia, preta, pelo seu povo. Aaai... 

Sobre Volodymyr Olexandrovytch Zelensky,
o grande Volodymyr, o corajoso Volodymyr, o carismático Volodymyr, depois do que foi hoje dado ao mundo a apreciar, não é preciso dizer seja o que for, ficou tudo dito;
trump: «Tens de estar agradecido, não tens as cartas»,  
Volodymyr Olexandrovytch Zelensky:
 « Eu não vim aqui jogar às cartas». 
Ponto.
——————
Apenas os primeiros, muitos outros se seguiram 

Primeiro-Ministro polaco Donald Tusk: “Caro Zelensky, caros amigos ucranianos, não estão sós”.

- Presidente da Lituânia Gitanas Nausea: “Ucrânia, nunca caminharás sozinha.”

- Primeiro-ministro da Dinamarca, Mette Frederiksen: “Caro Zelensky, a Dinamarca está orgulhosamente ao lado da Ucrânia e do povo ucraniano”.

- Presidente francês Emmanual Macron: "Há um agressor: a Rússia. Há um povo que está a ser agredido: os ucrânianos Fizemos bem em ajudar a Ucrânia e em sancionar a Rússia há três anos e em continuar a fazê-lo. Nós, os americanos, os europeus, os canadianos, os japoneses e muitos outros... Porque estão a lutar pela sua dignidade, pela sua independência, pelos seus filhos e pela segurança da Europa".

- Presidente da Moldávia, Maia Sandu: "A verdade é simples, a Rússia invadiu a Ucrânia. A Rússia é o agressor. A Ucrânia defende a sua liberdade - e a nossa. Estamos com a Ucrânia".

- Primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson: "A Suécia está com a Ucrânia. Não estão apenas a lutar pela vossa liberdade, mas também pela liberdade de toda a Europa. Slava Ukraini! "

- O próximo Chanceler alemão Friedrich Mer: "Caro Zelenskyy, estamos ao lado da Ucrânia nos bons e nos maus momentos. Não devemos confundir o agressor e a vítima nesta guerra terrível." 

- O primeiro-ministro da Croácia: "O Governo croata mantém-se firme na sua convicção de que a Ucrânia precisa dessa paz - uma paz que signifique soberania, integridade territorial e uma Europa segura."

- Primeiro-Ministro da Finlândia, Petteri Orpo: "A Finlândia e o povo finlandês apoiam firmemente a Ucrânia. Continuaremos a dar o nosso apoio inabalável e a trabalhar para uma paz justa e duradoura."

- Kristen Michal, Primeiro-Ministro da Estónia: "Estamos unidos a Zelenskyy e à Ucrânia na nossa luta pela liberdade. Sempre. Porque é correcto, não porque é fácil".

- Simon Harris, Vice-Primeiro-Ministro da Irlanda: "A Ucrânia não tem culpa desta guerra provocada pela invasão ilegal da Rússia. Estamos do lado da Ucrânia".

- Edgars Rinkevics, Presidente da Letónia: "A Ucrânia é uma vítima da agressão russa. Combate a guerra com a ajuda de muitos amigos e parceiros. Não devemos poupar esforços para alcançar uma paz justa e duradoura. A Letónia está ao lado da Ucrânia"

- Primeiro-Ministro dos Países Baixos Dick Schoof: "Os Países Baixos apoiam a Ucrânia com a mesma firmeza de sempre, agora mais do que nunca. Queremos uma paz duradoura e o fim da guerra de agressão iniciada pela Rússia. Para a Ucrânia e o seu povo, para a Europa."

- Luc Friedsen, Primeiro-Ministro do Luxemburgo: "O Luxemburgo está ao lado da Ucrânia. Estão a lutar pela vossa liberdade e por uma ordem internacional baseada em regras. O Ocidente está do lado do heroico Zelensky. Trump está do lado maligno" 



HOJE (24 FEV. 2025)


2025 ainda não entrou no último mês do seu primeiro trimestre e já podemos estar certos de que ficará na história como o ano mais conturbado do primeiro quarto do século, o que é uma marca perturbadora tendo em conta, pelo menos, a turbulência da última década
Hoje cumprem-se 3 anos sobre a "Operação Especial" que a Rússia accionou para tomar a Ucrânia "em 3 dias"; cidadãos russos foram presos, outros tiveram de fugir do seu país, outros ainda só Deus sabe, por chamarem "Guerra" a esta "Operação Especial"
Hoje foi votada, uma vez mais, nas Nações Unidas uma resolução condenando a agressão russa e exigindo a retirada imediata das forças de Putin do território ucraniano

Hoje, pela primeira vez nas UN, os EUA aliaram-se à Rússia, Coreia do Norte, Bielorrússia, Israel e Hungria, entre outros domínios russos, essencialmente em África, na África ocidental ocupada pelo Grupo Wagner, votando contra a condenação. Os Estados Unidos, a Rússia, a Coreia do Norte no mesmo saco? Nem a China foi tão longe, optando por se abster, tal como o Irão por razões diversas
Hoje é o dia da vergonha consumada, da contra-prova explicita, da confissão revelada no voto expresso.
Surpreendente? De forma alguma, há mais de 20 anos que Putin meteu Trump no bolso e agora tem toda uma equipe "confiável" na Administração e à beira dos ouvidos do presidente que fez eleger; quando precisa de um emissário "desinteressado" manda-lhe Órban para combinarem como lixar a Europa.  O Kremlin impera na Casa Branca com maior ou menor discrição 


Disse o ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês:
«The US President is repeating well-known Russian propaganda. This is very dangerous. The statements are very unfounded, very serious and very dangerous.»
«O Presidente dos EUA está a repetir a conhecida propaganda russa. Isto é muito perigoso. As declarações são muito infundadas, muito sérias e muito perigosas».

Trump é um papagaio amestrado.

Sem os EUA a Ucrânia está perdida?
Sem os EUA a Ucrânia e, consequentemente a Europa, está numa situação desconfortável, inconveniente... Mas vamos por partes:

Presentemente a Ucrânia 
- tem 110 brigadas em campo 
- destruiu a maior parte dos tanques russos
- produziu 1.5 milhões de drones em 2024, produzirá 4.5 milhões em 2025

No último mês Putin vendeu 100 toneladas de ouro russo. (!!!) Está a dar o tudo por tudo na economia e em recrutamento, há soldados russos na frente acabados de ter alta de hospitalização 

A Europa garantiu já à Ucrânia o apoio necessário para 2025

Hoje, a Presidente da Comissão Europeia, von der Leyen., ao chegar a Kyiv, anunciou: «A Europa está aqui para fortalecer a Ucrânia neste momento crítico. Posso anunciar que um novo pagamento de 3,5 mil milhões de euros para a Ucrânia chegará já em Março. e não no final deste ano. Paralelamente, temos de acelerar a entrega imediata de armas e munições e isto estará no centro do nosso trabalho nas próximas semanas» 
A sua comunicação, que começa por «Dear Volodymyr», disponível AQUI (tradução automática)

Hoje, na Roménia, aquele país que não aceitou umas eleições forjadas na Rússia e as descartou, levando JD Vance a fazer críticas e ameaças ridículas na Conferência de Segurança de Munique há 10 dias... Hoje, na Roménia, dizia eu,  junto ao mar negro, entre a Ucrânia e a Moldova, estão a decorrer exercícios da Força de Resposta Rápida da NATO numa conjunção de 9 países, com a ausência dos EUA, integra 10.000 participantes dos 3 ramos militares e 1500 veículos de combate, aeronaves incluídas;  

Hoje, arrancou o exercício de treino TAURUS 25 que visa a Preparação e Certificação para a Segurança Europeia das unidades que integram o Battlegroup da UE (EUBG), força multinacional de resposta rápida , preparada para actuar de forma autónoma ou na fase inicial de operações de maior envergadura. durante o segundo semestre de 2025 e o primeiro de 2026. Este exercício terminará em Maio próximo com o grande Exercício conjunto ORION 25 durante o qual será testada a integração total das forças do EUBG. A participação do Exército Português no EUBG representa um investimento estratégico na defesa europeia e um passo fundamental para a criação de uma Brigada Média a atribuir à NATO a partir de 2034.

Hoje em Washington Trump recebeu Macron. Não consigo decidir de que gostei mais: se de ver Macron, "para ser franco", desdizer e corrigir Trump  se das trombas de Trump himself, ensaiando boquinhas, e colocando sorrisinhos de fuga-prá-frente

 

Na próxima quinta-feira, dia 27, Trump terá provavelmente mais um dia animado durante a visita de Keir Starmer à Casa Branca...

E Merz, o chanceler recém-chegado?
Hoje Merz esteve num debate com os participantes nas eleições da Alemanha. E foi claro, muito claro, ao mostrar que não irá nas perigosíssimas "Políticas de Apaziguamento", como foi Neville Chamberlain a seu tempo, como foi Olaf Scholz, agora de partida.
Hoje Merz falou assim:
“Estamos sob uma pressão tão intensa de ambos os lados [EUA e Rússia] que minha prioridade absoluta será fortalecer a Europa o mais rapidamente possível, para que, passo a passo, possamos realmente alcançar a independência dos EUA. Nunca pensei ter de dizer uma coisa destas num programa de televisão mas depois das declarações de Donald Trump na semana passada, é claro que os americanos, pelo menos esta parte dos americanos, esta administração, são indiferentes ao destino da Europa. Estou muito curioso para ver como nos dirigimos para a cimeira da NATO no final de Junho. Se continuaremos a falar da NATO na sua forma actual ou se teremos de criar uma capacidade de defesa europeia independente muito mais rapidamente.»


 Hoje em Kiev, enquanto anfitrião da Cimeira Internacional sobre o apoio à Ucrânia Zelensky deixou um aviso:

«Eles (no Kremlin) nunca perdoarão o mundo por não ganharem esta guerra. 
E não a ganharão.» 

Creio que não será difícil entender o quanto isto é verdade e o que significa, em termos práticos, políticos, bélicos, futuros

---------- <0> ----------

Não foi hoje, poderia ter sido, pela actualidade, pela sapiência, pelo discernimento; e não, não é exagêro, é sempre assim que começa...
O Governador do Illinois, JB Pritzker, há dias fez a sua comunicação anual no State of the State para apresentação do Orçamento; e deixou uma reflexão, um alerta, um sinal de alarme para os dias que vivemos. Deixo-o aqui com a esperança de que "amanhã seja outro dia"



.