O Irão é um Estado terrorista; É uma teocracia radical(íssima) islâmica, uma das duas maiores autocracias do mundo - a par com a Coreia do Norte - de onde, um aiatolá bom é um aiatolá morto.
Esta não é uma visão cristã, ou budista, ou hinduísta; esta não é uma visão democrática, ou de esquerda ou de direita; esta é uma visão humana de acordo com os Direitos Humanos fundamentais, de acordo com o Direito Internacional. Em caso de dúvida pergunte-se ao povo iraniano.
Partir daqui para: "Se o regime dos aiatolás é mau, então Trump deve ser bom porque o quer derrubar", não só é um grande passo como é um passo em falso; tanto quanto "Hitler era mau, logo Estaline devia ser bom" (a ordem dos personagens é arbitrária). Porém... Ó céus! Porém há uma quantidade crítica de gente que "pensa" assim, a preto e branco sem conseguir ir além da mais básica dicotomia. Para esses talvez seja bom deixá-los a pensar sobre uma outra dicotomia básica, se conseguirem: "O inimigo do meu inimigo nem sempre é meu amigo."
O ataque dos EUA ao Irão partiu de dois pressupostos:
- Trump atacou o Irão porque este está muito perto de possuir armamento nuclear
- Trump atacou o Irão para levar à deposição do regime oferecendo uma oportunidade de democracia ao povo iraniano
Serão pressupostos reais?
Que fique muito claro desde já que nada do que aqui trago envolve qualquer defesa do Irão - O regime do Irão é indefensável. Ponto.
Posto que "O inimigo do meu inimigo nem sempre é meu amigo": conceitualmente o presidente dos EUA deve ser responsável e fiável no que concerne às suas alianças e política internacional que envolve a estabilidade do mundo. É a total negação deste conceito que envolve o que aqui trago, nada mais.
Vamos por partes, comecemos pelo princípio
20 Julho 2015 - Assinatura do Acordo JCPOA
1- O Joint Comprehensive Plan of Action - JCPOA - vulgarmente designado por Acordo Nuclear com o Irão – é um acordo multilateral entre o Irão e o grupo P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha juntamente com a União Europeia). O seu objectivo fundamental foi impedir que o Irão adquirisse armas nucleares, aumentando exponencialmente a capacidade da comunidade global na monitorização do programa nuclear iraniano em troca de alívio nas sanções económicas.O Irão aceitou a monitorização exaustiva pela Agência Internacional de Energia Atómica da redução das suas capacidades nucleares e, dos dez relatórios publicados pela Agência até Maio de 2018, nenhum dá conta de que o Irão estivesse a quebrar o acordo.- O acordo impede o Irão de produzir materiais físseis necessários à criação de armas nucleares
- Contém o regime de inspecções mais intrusivo e rigoroso alguma vez negociado.
- Um acordo falhado irá encorajar, e "dar razão", aos líders mais radicais do Irão.
- Tem amplo apoio da maioria dos americanos e iranianos, dos aliados dos EUA, de cientistas de topo, líders militares, líders religiosos e especialistas em segurança nacional (incluindo israelitas).
- Baseia-se em princípios multilaterais negociados, fundamentados na supervisão e controlo, não em confiança depositada.
- Torna os EUA e Israel mais seguros ao reduzir o risco de um Irão com armas nucleares.
- O acordo mostrou-se superior a todas as alternativas e a sua implementação impedirá outra guerra devastadora no Médio Oriente.
Uma das principais promessas eleitorais de Trump foi reverter quase tudo o que caracterizou a presidência de Obama. A intransigência em relação a um acordo nuclear, que efectivamente fez aquilo que propunha - incapacitar o Irão de produzir armas nucleares - foi motivada por esse desejo, largamente expresso e concretizado, de afastar por completo tudo que Obama fez, ainda que 63% dos norte-americanos se mostrassem favoráveis ao acordo JCPOA
Mas Trump prometeu “desmantelar o acordo”, que classificou “o pior de sempre” para os Estados Unidos e o “melhor de sempre” para o Irão; quis desmantela-lo porque não foi ele que o fez E porque Netanyhu assim o ditou. As consequências foram desastrosas, são desastrosas. Mas a 3 de Março, com a guerra explodindo, gabava-se do que fez há 8 anos, culpando Obama... e Biden
“O papel de polémico não é suficiente para um líder. Um líder deve demonstrar perspicácia estratégica que incorpore o respeito pelas nações que estiveram ao nosso lado quando as dificuldades se aproximavam. Ao regressarmos a uma postura estratégica que inclua os interesses do maior número possível de nações com as quais possamos formar uma causa comum, poderemos lidar melhor com este mundo imperfeito que partilhamos. Sem isso, ocuparemos uma posição cada vez mais solitária, que nos coloca em risco crescente no mundo.”
22 de Junho de 2025
A Força Aérea e a Marinha dos Estados Unidos atacaram três instalações nucleares no Irão, sob o nome de código Operation Midnight Hammer, a Guerra dos Doze Dias
A 26 de Junho 2025 o secretário da Defesa, Hegseth, declarava em conferência de imprensa no Pentágono:
"O presidente Donald J. Trump comandou a operação militar mais complexa e secreta da história e foi um sucesso estrondoso, resultando num acordo de cessar-fogo e no fim da guerra de 12 dias [entre o Irão e Israel]. Graças à acção militar decisiva, o presidente Trump criou as condições para o fim da guerra: dizimou — escolham a palavra — obliterou, destruiu, as capacidades nucleares do Irão."
24 de Fevereiro 2026
Durante o seu discurso no State of the Union, há uma semana, Trump afirmou que o Irão representa uma ameaça directa aos EUA, que está «a trabalhar para construir mísseis que em breve chegarão aos Estados Unidos da América».
Enquanto decorriam as conversações com vista a um acordo com o Irão, o enviado para o Médio Oriente, Steve Witkoff, promotor imobiliário e amigo de longa data de Trump, declarou - durante uma entrevista (com a nora de Trump, Lara Trump) - que "o Irão está provavelmente a uma semana de ter material para o fabrico de bombas de nível industrial"
(O que são "bombas de nível industrial"? Será por oposição a "nível caseiro"?)
Estas afirmações não estão alicerçadas por documento algum, nem da Casa Branca nem do Pentágono; Os relatórios dos serviços de informação norte-americanos de há menos de ano, posteriores à Operação Midnight Hammer, referem que o Irão demorará 10 anos a desenvolver um míssil balístico intercontinental capaz de atingir os Estados Unidos. Uma avaliação pública da agência de inteligência de defesa dos EUA refere que o Irão poderia utilizar os seus veículos de lançamento espacial para "desenvolver um míssil balístico intercontinental militarmente viável até 2035, caso Teerão venha a decidir desenvolver essa capacidade".
Ou seja, a ameaça directa ao território americano, como descrita no documento, é inverosímil e descartável se comparada com as ameaças presentemente apresentadas pela Rússia, pela China ou por outros Estados hostis como a Coreia do Norte. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse a Trump que uma nova guerra com o Irão poderia esgotar, ainda mais, os stocks de mísseis interceptores dos EUA, que poderiam ser necessários para neutralizar outras ameaças futuras, incluindo as da China.
As autoridades israelitas estimaram recentemente que o Irão possui 1.500 mísseis balísticos e 200 lançadores após a guerra com Israel, mas este número provavelmente aumentou uma vez que o Irão tem vindo a reabastecer os seus stocks.
Sim, e estão a postos contra o Médio Oriente, não contra os EUA. Sejamos claros, não evitemos a realidade subjacente às possíveis consequências deste ataque
Por várias razões Trump não se quis estender sobre o assunto durante o State of the Union, muito menos submete-lo à autorização, legalmente exigida, do Congresso, ou sequer dar conhecimento à Comissão de Segurança
GENEBRA, 26 de Fevereiro, quinta-feira passada
"Os Estados Unidos e o Irão avançaram, durante horas de negociações, sobre o programa nuclear de Teerão esta quinta-feira numa reunião promovida pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA); saíram sem acordo mas com "progressos significativos na negociação" segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi que não adiantou pormenores. Uma nova ronda de conversações ficou agendada para segunda-feira, 2 de Março, em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atómica e será esta agência a organizar os encontros “para chegar a um quadro e a um modelo", como a mais habilitada autoridade em energia atómica para avaliar e explicar questões técnicas fundamentais.
"Fizemos progressos muito positivos e abordámos com grande seriedade os elementos de um acordo, tanto no domínio nuclear como no das sanções“, declarou Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, à televisão estatal no final da ronda de negociações.
| Link video: https://www.youtube.com/live/jTPwhQ3gqpc?si=hzy8wDnONxoDrfMS |
Sem comentários
2- Levar à deposição do regime oferecendo uma oportunidade de democracia ao povo iraniano
Haverá alguém, com dois dedos de testa e que não viva isolado numa caverna dos Himalaias, que acredite que Trump está preocupado com o facto de o povo iraniano viver sob um regime radicalmente autocrático sob o qual os Direitos Humanos são uma abstração escrita na Carta das Nações Unidas?
Não cola, não dá, não é minimamente credível. Trump tem absoluto desdém pela liberdade e direitos civis do povo, de qualquer povo; do seu, do iraniano, do ucraniano, de todos.
Por que não a Coreia do Norte, terra de uma opressão desmedida e que representa uma ameaça aos EUA bem mais tangível?E porque não a Rússia, onde as eleições são uma miragem, as liberdades meros desejos, que ataca e ameaça o Ocidente democrático, volta não volta evocando o seu arsenal nuclear?
Porque não são uma autocracia islâmica? O facto não parece incomodar Trump quando estão em causa os seus grandes amigos, e parceiros de negócios, da Arábia Saudita; nem tão pouco as suas excelentes e pessoalmente proveitosas relações com os Emirados Árabes Unidos
Facto - Existe um acordo de cessar-fogo, assinado trilateramente após o ataque ao Irão em Junho passado, com vista à elaboração de um acordo nuclear; As conversações com o Irão estavam a decorrer com problemas mas com propostas sobre a mesa, a analisar, a discutir, aberto a propostas. Na sexta-feira 27/02, horas antes do início dos ataques, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, mediador das negociações, afirmou que estavam a ser feitos "progressos substanciais" e que um acordo estava "ao nosso alcance, que o Irão concordou em nunca, nunca ter... material nuclear capaz de produzir uma bomba".
Um acordo que Trump não quer e Netanyahu muito menos, nunca quis. A 30 de Março de 2018, Netanyahu apresentou "provas conclusivas" - nunca publicadas, nunca demonstradas ou partilhadas com outros governos - de que o Irão nunca respeitara o acordo e estava a dois passos de contruir uma arma nuclear; 7 dias depois Trump abandonava o JCPOA
Facto - Trump acha que, quando as coisas correm mal, atacar o Irão é sempre uma boa ideia - Alguns exemplos em selecção não exaustiva| Ele lá sabe.. |
Junho 2019 - Primeiras grandes sondagens de apoio nas primárias aos candidatos presidenciais
Sexta-feira, 21 Junho 2019 - «O presidente Donald Trump aprovou ataques militares contra vários alvos iranianos por Irão por ter abatido um drone espião norte-americano, segundo três responsáveis norte-americanos, que falaram sob anonimato, decisões sensíveis de segurança nacional que esperavam ainda que a operação fosse realizada até às 19h00 ET mas Trump recuou abruptamente na noite de quinta-feira. O Departamento de Defesa não respondeu a pedidos de comentários Um alto funcionário do governo disse: "Não comentamos o planeamento militar pré-operacional". Não ficou claro por que razão os ataques foram cancelados.»
25 de Junho
«O presidente Donald Trump ameaçou o Irão com "aniquilação" na terça-feira, afirmando que "Um ataque contra qualquer coisa americana será respondido com uma força esmagadora. Em algumas áreas, esmagadora significará aniquilação. Chega de John Kerry e Obama!", tweetou o presidente. Mais tarde, falando na Sala Oval, Trump disse acreditar que o Irão ainda leva as suas ameaças a sério, depois de dias antes ter cancelado um ataque militar planeado e declarar aos jornalistas que não precisa de uma "estratégia de saída" para a situação cada vez mais tensa.»
Setembro 2019
3 Setembro 2019 - Biden lidera as sondagens e discursa: «Há três anos, com este presidente, não enfrentávamos nada do que enfrentamos hoje. O próximo presidente terá de ser capaz de reunificar o mundo. Não é uma brincadeira. Literalmente, não figurativamente, reunificar o mundo, reunir os nossos aliados... Mais quatro anos deste presidente e não haverá NATO.»
Terça-feira, 17 Setembro 2019 - «O presidente Trump insinuou publicamente preocupações nos últimos dias, dizendo na tarde de segunda-feira: "Quero a guerra? Não quero a guerra com ninguém. Sou alguém que prefere evitar a guerra mas estamos mais preparados do que qualquer outro país". Nos últimos 10 dias, cerca de uma dezena de consultores externos manifestaram-se junto dele sobre o Irão, incluindo o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que tentou mediar o conflito entre os EUA e Teerão; Ric Grenell, embaixador dos EUA na Alemanha; o senador Rand Paul e o congressista Mark Meadows, ambos republicanos, entre outras figuras de peso. Muitas destas vozes — mas não todas — exortaram Trump a demonstrar moderação.
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3 de Março 2026 - A justificação para esta guerra, em dia de audição perante o Congresso, mudou (outra vez)
Marco Rubio - «Sabíamos que iria haver um ataque israelita, sabíamos que isso iria precipitar um ataque às forças americanas e sabíamos que se não tomássemos uma atitude preventiva contra eles sofreríamos baixas mais elevadas»
Em 6 dias de guerra há mais de 6 explicações diferentes para justificar o ataque dos EUA ao Irão; esta é, talvez, a mais notável
| Trump iniciou uma multi-guerra porque teve um feeling?!?! |
Outras, nas suas várias versões:
Armas Nucleares - há mais de uma década que se tem trabalhado no sentido de acordar com o Irão o não enriquecimento de urânio que permita o fabrico de armas nucleares; foi assinado um acordo, nunca existiram indicações de que não fosse respeitado. Trump, alinhado com Netanyahu, em 2018 abandonou o acordo dizendo que conceberia um "bem melhor e seguro". Em Março de 2026 Trump ataca o Irão a meio das negociações de um novo acordo recusando-se a aguardar a sua conclusão
Ameaça directa à América - não existem no Irão mísseis balísticos capazes de atingir os EUA, nem sequer a maior parte da Europa. O director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica escreveu no seu relatório no final do Verão de 2025, após a inspecção na sequencia dos bombardeamentos às infraestruturas nucleares iranianas « Os técnicos inspectores não viram nada que indicasse a eminência de uma arma nuclear ou mesmo desenvolvimentos nesse sentido». Os relatórios dos serviços de informação norte-americanos de há menos de ano referem que o Irão demorará 10 anos a desenvolver um míssil balístico
Mudança de regime - É totalmente descabido conceber uma mudança do regime iraniano sem uma guerra de invasão terrestre. O aiatolá tinha 89 anos, a sua sucessão está cuidadosamente preparada há anos, o exército e armamento do Irão não são derrotáveis com bombardeiros convencionais. (não se trata de uma mera opinião pessoal). Esta não é guerra que se vença em "4 ou 5 semanas" se se pretender uma mudança de regime, Teerão não é Berlim, não basta "derrubar o muro". Está infelizmente, dolorosamente, demonstrado que o povo iraniano não consegue derrubar a monstruosa guarda revolucionária. Mais... Os Estados do Médio Oriente têm armamento suficiente para resistir a ataques prolongados do Irão? Não, não têm. Os EUA ver-se-ão obrigados a fornecer armamento. Essa equação ainda não foi apresentada; estará equacionada? Trump diz que os EUA têm munições suficientes para uma "guerra que dure para sempre"; curiosamente não foi o que o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse a Trump; Nem o que Trump disse a Zelensky. Armas para o Médio- Oriente parece que há, para vender para a Ucrânia... Misseis Patriot, mesmo a conta-gotas, não é coisa que se produza à fartazana.
Naturalmente também não explicaram por que é Netanyahu quem decide a política americana de ataque ao Irão. Para além de não ser novidade o imprescindível apoio do lobby judeu aos candidatos políticos americanos, há por aí gente mal intencionada - só pode - que se refere a este descalabro apelidando-o de "Guerra Epstein" (o que sabe a Mossad? Que provas tem na sua posse?)... E dava imenso jeito mandar os ranhosos dos palestinianos de Gaza e do West Bank para o Irão, o "americaníssimo" Palahvi recebe-los-ia de braços abertos, caso consiga sentar-se na cadeira ocupada por um Líder-Supremo. O pormenor de muitos iranianos não lhe perdoarem que só tenha usado a voz a favor do seu povo desde que Trump o reactivou, não passa disso, de um pormenor, insignificante perante a soberana vontade popular sob a mira de um exército de 1 milhão de homens.E depois há a Rússia...
A situação no Estreito de Ormuz parece ser a mais complexa. O tráfego de petroleiros parou. As companhias comerciais de navegação cancelaram os serviços no Golfo Pérsico, as companhias de seguros fizeram o mesmo. Ninguém se atreve a cruzar o domínio dos Houthis armados pelo Irão. Enquanto Israel e os Estados Unidos não garantirem a segurança de navegação no estreito o mundo enfrenta um grave choque petrolífero, no abastecimento e no mercado de acções, sem considerar a possibilidade de novos ataques às infraestruturas petrolíferas de países do Golfo.
A guerra no Golfo aumentará os preços globais do petróleo. A verdade silenciosa é que Israel fornece armas, tecnologia e cobertura moral a Moscovo
A Rússia perde o fornecimento de armas vindas do Irão mas..., altamente dependente das exportações de petróleo, não verá com maus olhos tão retumbante crise petrolífera; o conflito pode acabar enriquecendo o Kremlin.
O primeiro indicador da probabilidade desta oportunidade dourada para a Rússia:
O Irão solicitou à Rússia a activação dos sistemas S-400 e dos sistemas de guerra eletrônica Krasukha/Leer-3 em bases russas na Síria (Khmeimim e Tartus) para "cegar" os aviões israelitas. A Rússia não só recusou o pedido como chegou a desligar transponders e sistemas de radar activos nas suas bases durante o voo de mísseis israelitas "a fim de evitar envolvimento acidental e qualquer pretexto acusatório de ter entrado no conflito"
Uma questão "sem importância":
Após o aviso aos estrangeiros - americanos e não só - que se encontram em 16 países do Médio Oriente para abandonarem rapidamente esses territórios, esqueceram-se de explicar como devem fazê-lo... com os espaços aéreos fechados e uma lista crescente de companhias aéreas a cancelar o trânsito na região: Quatar Airways, British Airways, Emirates, Turkish Airways, Air France, Lufthansa, Air India, Virgin Atlantic, Cathay Pacific... Isto poderá não parecer muito dramático, desde que nenhum de nós, ou dos nossos, esteja paralisado num aeroporto com mísseis a silvar acima das cabeças. Pois é, existem razões, múltiplas, para que as guerras sejam declaradas com autorização da exclusiva competência do Congresso, uma delas chama-se Plano de Evacuação. Nesta guerra combatida no meio de barris de petróleo, sem dúvida, houve um bem delineado plano de entrada, quanto a saídas... civis, militares, geo-políticas, regionais e mundiais, economia petrolífera... Logo se vê, entre mortos e feridos alguém há de escapar e, quanto ao Congresso, já foi ultrapassado, outra vez.
O mercado da bolsa está em turbulência e os preços do petróleo sobem, dentro do governo americano os conselheiros lutam para explicar porque é que o país entrou em guerra, alternando as razões consoante os dias — e exactamente o que virá a seguir. E a seguir a quê? 4 ou 5 semanas de guerra? Uma guerra prolongada? Até dizimarem as tropas iranianas? Até uma mudança de regime? Até Trump perceber que o sarilho é maior do que consegue digerir?
E a pergunta sacramental: No meio de uma crise económica interna, com a investigação Epstein a latejar, a situação em Gaza sem ver resolução para o misero estado em que se encontra, os aliados da NATO a fazerem um esforço supra-nacional para manterem o apoio à Ucrânia, por que é que Trump decidiu AGORA lançar uma guerra imprevisível contra o Irão?
E já que falei de NATO - assunto que, estranhamente, não é da predilecção do presidente dos Estados Unidos - uma última pergunta e depois calo-me: O que levou Trump durante o seu discurso no forum de Davos, mundialmente transmitido, a enfatizar as suas dúvidas de que a NATO defendesse os EUA se sofressem um ataque? Foi de tal forma enfático que, no meio de uma premeditadíssima troca de galhardetes, o secretário-geral da NATO lhe deu o justo troco (2º video)
