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WELL DONE JOE!

 Há muito quem tome Joe Biden por parvo; será?

Achar que os outros são parvos é uma forma fácil de nos sentirmos espertos, fácil mas pouco acurada. Há muito quem o seja, não falta por aí é gente meia-parva, completamente parva e parva só às vezes mas o que caracteriza a parvoeira não é aquilo que vemos em Biden e que leva, de forma algo leviana ou meramente pré-concebida, a inseri-lo nesse largo grupo.

Biden tem uma maneira de falar um tanto arrastada que por vezes o faz parecer lento, hesitante...  Joe teve um problema sério de gaguez quando era novinho, que controlou com perseverança e coragem, mas a coisa está lá. Também tem as emoções à flor da pele e frequentemente  diz o que lhe vai na cabeça num disparo de rajada; como todos sabemos, palavras impensadas nem sempre ajudam. Além disto já não é um menino mas ser idoso nunca foi sinónimo de "estar parvo", como tanta gente toma por certo. A verdade é que ninguém nasce ensinado e a aprendizagem, geradora de sabedoria, não tem limite de idade, creio que bem pelo contrário.

E era aqui que queria chegar para daqui partir.

Biden pode parecer parvo mas é sabido, muito sabido. E sensato. E nunca desiste.

E experiente, muito experiente.

Estreou-se com 29 anos no Senado, uma casa composta quase por definição por cabelos brancos ou mensalmente pintados e por lá trabalhou de 1966 até 2009, quando se tornou vice-presidente dos EUA (2009/2017). Esteve 8 anos no Comité  Judicial do Senado. Esteve 12 anos no Comité de Política Externa do Senado - um painel legislativo e conselheiro permanente  estabelecido pelo Congresso e pelo Senado e o único com poderes para delinear e deliberar tratados e outras formas de lei;  em ambos os casos presidiu ou foi líder de grupo, consoante o partido democrático estivesse em maioria ou minoria. Tem uma experiência diplomática incomparável e lidou com alguns dos mais difíceis líders e conflitos mundiais.

Tomá-lo por parvo será muitas vezes um dos maiores favores que lhe serão feitos e meio caminho andado para levar a sua avante. Se se concorda ou não com o que ele  pretende é outra questão mas não o subestimemos, Joe é um tipo esperto e perseverante tocando as raias da teimosia com um ar ingénuo.


No meu post de há 5 dias, «Nancy e os "chips", que fique claro» versava sobre as razões que levaram Nancy Pelosi a Tawain; obviamente não vou voltar ao assunto, está mesmo aí abaixo e bem claro. Há 5 dias dizia eu da vital importância dos "chips", dos semicondutores. Quando digo vital estou a ser literal: no mundo de hoje, e de amanhã, é uma questão de vida ou morte

Pois bem, Nanci deixou Taiwan, e as visitas à TSMC, na passada quarta-feira dia 3;  
Esta terça-feira, 9, Biden assinou o “CHIPS and Science Act”.
A lei que dedica quase 53 mil milhões de dólares ao investimento, produção e desenvolvimento de pesquisa de semicondutores e 200 mil milhões de dólares averbados nos próximos 10 anos. Mais... Passou a ser proibida a exportação para a China de material e equipamentos para o fabrico de chips de 14 nm, dificultando drasticamente a vida à principal fábrica de chips chinesa, a SMIC, assim como às fábricas em solo chinês da TSMC, o "monstro" dos semicondutores nascido e radicado em Taiwan"
Entretanto para 2025 está programada uma total reviravolta do tipo de chips a invadirem o mercado: passarão a ser de 2nm, com uma potência avassaladora, produzidos pela TSMC e, tudo indica, pela Samsung, ambas actualmente a investir fortemente em solo norte-americano

Os chineses não gostaram... Segundo o porta-voz dos Negócios Estrageiros a China considera a nova lei :
«Uma ameaça ao comércio e um ataque aos negócios chineses». 
« Vai interromper o comércio internacional e distorcer as cadeias globais de fornecimento de semicondutores» 
E... «A China opõe-se firmemente»



Mr President, 
I drink to that

Well done Joe !

NANCY E OS CHIPS, QUE FIQUE CLARO

 Ah e tal, a Nancy Pelosi pode ter uma posição muito digna na defesa dos direitos humanos contra a China, no apoio da democracia independente em Taiwan, mas não precisava de ter ido provocar o governo chinês teimando numa visita à próspera e liberal ilha que tanto lhes provoca o apetite. 

Muito menos numa altura destas... Que teimosia!
Sim numa altura em que o poder militar ocidental está a braços com a defesa da Ucrânia, dos países bálticos, das vizinhanças ameaçadas e das ameaças que não estão nas vizinhanças. 
Hoje em dia já nada é longe.
E a crise económica. E energética. E a recuperação pós-pandémica. E...

Não venho aqui defender a Nancy, nem ela precisa. Aliás a verdade é que não é senhora de fazer grandes démarches em sua defesa, quando não engole o discurso rasga-o publicamente e vai tranquilamente à sua vida, como é sabido.

Venho aqui porque já me enjoa o discurso de "colocou em risco um equilíbrio instável" ou, como é afirmado num lamentável artigo no "Expresso", "Taiwan, China, Estados Unidos – e o risco crescente de uma guerra mundial depois da visita de Pelosi". Tenham medo, tenham muito medo!!!

Não basta olhar para a cenografia, é preciso pensar, conjugar factos e relaciona-los em profundidade; a cenografia é conversa necessária e jogo de bastidores com as peças que devem vir a público. 
Faz hoje, dia 5, exactamente três semanas que, no Fórum de Segurança de Aspen, EUA , William Burns, o director da CIA, disse que a tentativa de tomada de Taiwan pela China não é uma questão de "se" mas de "quando e como". 

Richard Moore, director do MI6, disse a quem quis ouvir nesse mesmo Fórum que a China é a preocupação nº 1 dos serviços
secretos britânicos e acrescentou que é fundamental, para travar um conflito armado em Taiwan entre o Ocidente e a China, que as democracias liberais explicitem sem margem para dúvidas as consequências de tal acção: «É importante que o Presidente Xi, quando faz cálculos sobre o que poderá ou não fazer em relação a Taiwan, olhe para o que pode correr mal se ordenar uma invasão mal calculada. É importante que o lembremos desses riscos».

Deixemos claro que quando decorreu o Fórum de Segurança em Aspen ninguém tinha ainda falado na visita de Nancy Pelosi a Taiwan; deixemos claro que, obviamente, há três semanas essa visita estava já programada e a ser tratada de todos os pontos de vista e mais alguns. 
Deixemos claro que a situação de tensão do ocidente com a China não foi, in any way, shape or form, para usar uma expressão idiomática esclarecedora, despoletada pela visita da presidente do Congresso norte-americano. Quando perguntaram ao presidente dos EUA sobre os riscos da viagem de Nancy ele driblou a resposta dizendo que os militares "não acham uma boa ideia". Reconheceu riscos, não rejeitou a situação e, não se envolvendo, não mexeu uma palha para tentar travar a viagem, que obviamente era fundamental - por mais que os media tenham tentado plantar uma intrigalhada. Deixemos claro.

Deixemos claro também que quando do sua recente viagem ao Japão Biden não se escusou a afirmar que: «Em caso de agressão chinesa os EUA estão dispostos a defender militarmente Taiwan»

Não é preciso ter acesso às informações da CIA ou do MI6 para se ter a noção de que qualquer relação empresarial - meramente comercial ou de produção - com chineses é uma relação com o governo da China, sem tirar nem pôr. A grande invasão chinesa é económica e tecnológica, os chineses não são russos... E também ainda não deixaram cair a Rússia mesmo que não a tragam ao colo...
 
Então e o que foi Nancy Pelosi fazer a Taiwan?

Foi afirmar o apoio dos EUA? Foi
Foi marcar uma posição de defrontação com a China? Foi
(Defrontar é antónimo de recuar, que fique claro)
Foi a bem das democracias e dos Direitos Humanos? Também foi. 
Xi não lhe acha graça como não achou quando ela se manifestou contra a repressão e pelos direitos humanos na China após Tiananmen

E pronto? 
Não, nem perto.

E visto de mais perto?

TSMC - Taiwan Semiconductor Manufacturing Company

A TSMC detém o domínio global do fabrico e exportação de semicondutores, simplificando, chips.
Os chips são actualmente a espinha dorsal E O CÉREBRO da sociedade; todos os computadores, todos os aparelhos electrónicos têm um, toda a inteligência artificial depende deles, ou seja, da economia, aos militares, da saúde à comunicação, etc., etc., etc., está tudo "chipado".
Se há coisa que a guerra da Rússia com a Ucrânia pôs em evidência é que uma das maiores consequências dos embargos à Rússia foi a repercussão da falta de acesso a chips na degradação do armamento; os russos estão a usar chips de máquinas de lavar roupa e loiça em material bélico de artilharia e não só.

Não quero, nem vale a pena, alargar-me sobre o assunto, há uns excelente artigo sobre Taiwan, Chips e Geopolítica para o qual deixo AQUI o link; embora tenha sido escrito no final de 2020 é do melhor que se publicou sobre o assunto. 
A TSMC é a fornecedora exclusiva para IPhone, computadores Mac e vá-se lá imaginar mais o quê... Está a construir uma fábrica  no Arizona - um investimento de 12 biliões de dólares - projectada para estar a produzir em pleno em 2024. A Samsung, sul-coreana, está a criar uma "cidade-fábrica" no Texas - um investimento de 17 biliões de dólares - para estar a funcionar em 2026 

Sim a Nancy visitou a TSMC em Taiwan. 
Sim a Nancy foi à Coreia do Sul; 
Sim a coreana Samsung usa semicondutores da TSMC .

Deixemos a Nancy em paz, ela está a fazer-nos um enorme favor (a menos que tenhamos os olhos em bico ou desejemos ter)

Ficou claro?

EM POUCAS PALAVRAS, ESTAMOS EM GUERRA

O novo chefe do Estado-Maior do Exército britânico que assumiu funções na semana passada, o General Sir Patrick Sanders, no dia 16 último difundiu uma mensagem através da intranet do ministério da Defesa britânico num tom pouco usual, mas não surpreendente, nas comunicações que chegam a público;
Se tivermos em conta que em Março do ano passado o governo (ou lá o que é aquilo) britânico anunciou o seu plano para diminuir o número de efectivos nas Forças Armadas do Reino Unido - que pretende que seja de 72 500 em 2025 - torna-se (ainda mais) evidente um "conflito de interesses" entre governo e militares; Uns precisam dar a volta à economia, que vem coxeando em "modo post-brexit" e nesta altura se move com crescente dificuldade; os outros têm por dever e missão a defesa militar do Reino Unido, dos seus aliados e, não esquecer, do garbo das tropas britânicas e estão-se positivamente nas tintas para o pessoal do "Pub No10" de Downing Street. 

Para abreviar  vejamos um apanhado da mensagem de Sir Patrick Sander :

«Russia's invasion of Ukraine underlines our core purpose - to protect the UK and to be ready to fight and win wars on land - and reinforces the requirement to deter Russian aggression with the threat of force.

The Army and allies must now be "capable of...defeating Russia.

The world has changed since the 24th February and there is now a burning imperative to forge an Army capable of fighting alongside our allies and defeating Russia in battle.

The goal is to accelerate the mobilisation and modernisation of the Army to reinforce Nato and deny Russia the chance to occupy any more of Europe… we are the generation that must prepare the Army to fight in Europe once again.»

 

Vá-se lá saber porquê, estas declarações coincidem com as declarações do Secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, publicadas hoje na Alemanha:

«Temos de estar preparados para que isto dure anos, não devemos enfraquecer o nosso apoio à Ucrânia, mesmo que os custos sejam elevados, não só em termos de apoio militar, mas também devido ao aumento dos preços da energia e dos alimentos. Estes custos não são nada em comparação com o que os ucranianos pagam todos os dias na linha da frente»

Os próximos passos para a abordagem de nova política e estratégia quando se considera uma acção conjunta a longo-prazo, serão provavelmente anunciados após a  já próxima cimeira da NATO que decorrerá durante os 3 últimos dias deste Junho

Para bom entendedor bastam poucas palavras

FAIRY TAILS DO EXIST

(but  you  have  to  look  with  your  heart)


LONG LIVE THE QUEEN

And long live Queen

Absolutely A-ma-zing, As-to-ni-shing!!!

Buckingham Palace, June 4, Platinum Jubilee 2022

More: https://www.bbc.com/news/av/entertainment-arts-61693728

A MAQUINETA MARAVILHOSA

 Este é um tipo de post pouco habitual por estas paragens mas decidi escrevê-lo porque hoje pensei: "Se eu soubesse disto há mais tempo...)

Há uns poucos meses, durante este Inverno, entupiu-se o ralo de escoamento do terracinho. Complicado... Água com uns poucos centímetros de alagamento, o céu a dizer "espera aí um bocadinho que já vai chover outra vez" e dois cães, às vezes três, que não se inibem de cumprir as suas vontades.

Atirei-me à net e fui buscando desentupidores rápidos, rápidos era a chave da questão. Após dois ou três telefonemas lá arranjei um "profissional" que viria em pouco tempo começando por 30 euros de deslocação e depois logo se vê o orçamento. Expliquei que a coisa não me parecia complicada de resolver, apenas complicada se não fosse resolvida mas o "profissional", obviamente patrão, não se comoveu e insistiu que só vendo faria um orçamento. Pois é sabido que a necessidade faz a sujeição.

Já chuviscava outra vez e anunciava-se uma noite de chuva forte... Está bem, se em menos de uma hora está cá, venha de lá

Uma hora e pouco depois ligou-me um sujeito dizendo que tinha chegado; apareceu-me um peso-pesado com um saco de ginásio numa das mãos e uma maquineta leve na outra. Foi analisar o imbróglio, abriu a água da mangueira, fechou-a e disse com ar de cirurgião vascular: "Ora são duzentos-e-não-sei-quantos-euros" (muitos, na prática eram 300)

Kêêê?!?!, esganicei eu incrédula. Pois minha senhora, é o valor de tabela, dizia ele sem me olhar nos olhos. Tive um difícil momento de introspecção: 30 euros da deslocação + uma noite de chuva + um terraço a virar esgoto... Está bem, isso é um abuso mas eu preciso do serviço e o seu patrão conta com isso. Avance lá...

Fiquei ali especada a observar a cirurgia vascular. O peso-pesado adaptou uma borracha ao ralo, ligou a maquineta que tinha na mão, fez 4 ou 5 disparos de gatilho e em menos de três minutos resolveu o berbicacho. Eu estava atónita!
Peço desculpa mas eu quero corrigir-me, isso não é um abuso, é um roubo. O senhor não terá culpa mas o seu patrão é um mestre do assalto ao enrascado;  a mim ninguém me ensinou a sacar 300 euros em menos de três minutos. Pois... mas é o preço da tabela, dizia o peso-pesado quase a meter-se pelo cano abaixo.

Vou lá dentro buscar o dinheiro, passe-me uma factura se faz favor... Hhaaa, com factura tem de acrescentar o valor do iva... Ia-me dando uma coisa! Números redondos 370euros. Devo ter mudado drasticamente de cara porque o peso-pesado deu dois passos para trás

Já à saída da porta, aparentemente encolhido sob a carga da minha assertiva respinguice em que a palavra roubo fazia de pontuação,  o  peso-pesado pedia desculpa, dizia que não podia fazer nada, se a senhora ligasse directamente para mim... Para aquele telemóvel de onde lhe liguei quando cheguei... Percebe o que quero dizer?... Percebo, percebo mesmo muito bem.

 Mais um gajo honesto cheio de vontade de ajudar o próximo...

Mas esta história tem um final feliz.

Ao contrário da minha experiência anterior, que envolvia um profissional com uma guia metálica comprida que utilizava num processo mais desagradável e moroso, aquela maquineta e uma acurada observação motivaram-me a tornar-me técnica  de desentupimentos.
Ainda possuída pela fúria, mal pus o peso-pesado porta-fora, atirei-me ao computador e fui em busca do milagroso utensílio; no essencial trata-se de uma pistola de ar comprimido adaptada à função que tem. Achei e comprei. E guardei para um dia de obstrução

Hoje, quando fui mangueirar o terraço comecei a sentir as botas molhadas... Outra vez!!!
Muito pêlo de cão, muito pó amarelo do Sahara, terra das ventanias e até alpista das lavagens da gaiola dos periquitos.
Empunhei a maquineta, menos sofisticada, sem bateria, e vai disto. Ma-ra-vi-lha! Quatro disparos depois, em melhor tempo do que o "profissional" peso-pesado com ar de cirurgião vascular, a água corria ralo abaixo num gratificante glu-glu. Uma verdadeira sniper da canalização.  

Abençoados 10 euros !!! (sim 10 euros, com iva)

Aos meus amigos com dramas de entupimentos recomendo vivamente por duas razões:
- Primeiro porque é fácil e eficaz
- Segundo porque não lhes vá calhar um gatuno em hora de aflição

Ah se eu soubesse há mais tempo...

EH BIEN... ÇA ARRIVE


 Tenho dito, e basta

O resto virá a lume a seu tempo

O INSULTO

 Zelensky falou hoje ao parlamento português na sequência da sua incansável comunicação e denúncia ao mundo do holocausto que se vive no seu país 

Disse o espectável, o desgraçadamente espectável; o que mais poderia dizer? 

Como transmitir o inimaginável mesmo a quem testemunha, dia após dia, os horrores de uma chacina? Como falar de um inferno em que se está imerso e, pior, quando se tem a responsabilidade esmagadora de conduzir todo um povo na travessia desse inferno?

O PCP fez saber que não estaria presente na Assembleia que representa os portugueses porque, no seu cego, comandado e obliterado entender, Volodymyr Zelensky "personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi, incluindo as de caráter paramilitar"

Nauseante. Repugnante. Sórdido. Miséria moral. Vácuo ético.

Como se não bastasse, sobrasse e entulhasse, hoje, após o dicsurso de Zelensky, veio a público escarrar que a referência de Zeliensky  ao 25 de Abril "é um insulto à Revolução dos Cravos"

Um insulto?

É um insulto sim.

É um insulto do PCP...

... a milhões de ucranianos aos quais fugiu o chão sob os pés, é um insulto àqueles que perante a sua impotência perdem filhos - crianças - pais, maridos e mulheres, irmãos, amigos, testemunham o seu sofrimento sem socorro, perdem casa, trabalho de uma vida inteira, subsistência; passam fome, frio, dores e agonia e um sem número de horrores que nem nos passam pela cabeça. 
É um insulto aos que foram mortos sem sequer estarem em combate, aos que são torturados, violados, sujeitos a condições de sobrevivência a que mal se pode chamar vida, aguardando uma provável morte abaixo do nível do chão e da luz sem palavras para confortar as suas crianças e os seus idosos
É um insulto aos que oferecem o peito e a vida para defender o seu chão, a sua forma de vida, a sua independência, a sua liberdade. 
É um insulto a um homem inteiro que não se vendeu pelo negro preço do poder como um degenerado bielorrusso, que faz frente a uma super-potência cleptocrática e se recusa a procurar o abrigo de uma segurança estrangeira. 
É um insulto ao povo russo que é mantido numa ignorância dos factos por meio de propaganda e desinformação acuradamente dirigida. 
É um insulto aos que pagaram com a vida a exposição da corrupção, aos que estão privados de liberdade e dignidade por insistirem em exercer uma liberdade de imprensa que lhes é sonegada. 
E é um insulto aos milhões de pessoas que pelo mundo recebem refugiados, alteram drasticamente as suas vidas para acudir, exercem a sua humanidade sem preço estendendo a mão  a quem se encontra em desespero

É um insulto ao Sofrimento, à Resistência, à Humanidade.

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Por muitas discussões políticas e ideológicas que possa ter, algumas momentaneamente acesas, considero-me um ser tolerante no que reporta a esses temas; converso com pessoas de todos os quadrantes políticos, da extrema-direita à extrema-esquerda. Nunca deixei de falar com alguém devido à sua filiação partidária ou ideologia.
Mas... 

Há facetas nas pessoas com as quais não sou tolerante nem pretendo ser. A realidade é clara, exposta, inegável, indiscutível

Dizia eu no post que aqui deixei dia 28 de Fevereiro último, 4 dias após o início da guerra na Ucrânia:
Quando digo - indiscutivelmente - digo-o de forma radical, recusando todas as tentativas de explicação ou justificação que opiniões contrárias tentem oferecer. O meu profundo respeito pela opinião alheia não chega para tanto.  Esta não é uma questão de opinião, nenhum crime de guerra praticado pela imposição de poder e da vontade egocêntrica o é.
Que alguém seja filiado, simpatizante ou votante no PCP é algo que não me afecta e, politicamente, pensarei deles mais ou menos o que eles pensam de mim. Adiante. 
No entanto...
Afecta-me, e muito, que alguém aceite estes insultos, este seguidismo cego e profanado, independentemente da sua opção partidária. Ou é idiota, incapaz de pensamento crítico, do mais básico raciocínio sustentado pela constatação dos factos, ou é partidário de um "ValeTudo" subjugado à vontade férrea e desumana em nome de seja-o-que-for por mais inadmissível que seja. 
Para esses, os idiotas e os outros que me recuso a adjectivar ficou, desde ontem, dia do " xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi", o meu corte de relacionamento consumado. Não há conversa possível, não os respeito como Pessoas. 
Será para eles um alívio e para mim uma limpeza de alma, porque a tenho




CHEGÁMOS A ISTO

 QUE VERGONHA DO CARAÇAS!


LINK: O ex-prefeito de Lisboa que passou informações a Putin é o novo ministro das Finanças de Portugal (abc.es)

«As acusações de ter agido no estilo do Estado soviético seguiram-se no território português de norte a sul, embora a cadeia de consequências não tenha sido nada devido à máquina socialista para cobrir a cadeia de efeitos. Medina se protegeu em um breve: "Foi um erro que não deveria ter acontecido." A única explicação adicional que ele deu se concentrou em ter negado que ele escondeu uma suposta "cumplicidade" com o regime opaco de Putin.»

Medina teve outros deslizes, além de Israel, Tibete e Venezuela.

«Para completar, ele repetiu as mesmas "fofocas" com Israel, ao denunciar manifestantes palestinos na capital portuguesa. E ele teve o mesmo comportamento quando o chamado Grupo de Apoio ao Tibete foi às ruas, razão pela qual Medina deu informações sobre os protagonistas ao governo chinês, ao qual deu luz verde durante vários episódios comerciais.

Da mesma forma, Fernando Medina teve outro desses "deslizes" com a Venezuela porque informou os representantes de Maduro sobre atividades "anti-bolivarianas" na forma de comícios criados por opositores que denunciaram a repressão de Caracas. Como é possível que um governo democrático da União Europeia se envolva em um labirinto tão diplomático? Foi o sintoma de que a OTAN dificilmente pode confiar em Portugal ou é muito exagerado levantar uma questão deste calibre? As perguntas saltaram no nível da rua.»

Perdoai o paganismo da expressão mas estou-me nas tintas para toda e qualquer apreciação que possa ser feita sobre a revista espanhola ABC, o que me toca é que tudo isto... É verdade 

E...

Quando lemos, escrito pelos nossos vizinhos ibéricos que bem se roem por o comando ibérico da NATO ser em Portugal: 

«Como é possível que um governo democrático da União Europeia se envolva em um labirinto tão diplomático? Foi o sintoma de que a OTAN dificilmente pode confiar em Portugal ou é muito exagerado levantar uma questão deste calibre?» 

O que podemos fazer? Engolir em seco, suponho. É chato mas é verdade. Pior, É uma das faces de uma enorme verdade que levanta a dúvida sobre se seremos (leia-se Portugal) de confiança; feita em surdina mas feita. 

Em qualquer contexto seria uma vergonha que a questão surgisse, seria grave, seria preocupante mas no contexto actual é inadmissível que, num governo constituído após a (renovada) constatação do desrespeito pelos mais primários princípios políticos, bélicos e humanos por parte da Rússia como é que o actual governo se põe "a jeito" desta forma? (E de outras). Não é por ingenuidade por certo, essa é adjectivação que não lhe assenta

Já a Reuters (www.reuters.com) diz assim:

«The well-spoken economist had succeeded Costa as mayor of the capital city in April 2015, staying in office until last September, when he lost the municipal election.

The final year of his tenure was marred by what he described as a "bureaucratic error" that had led to the city hall sharing data of people staging protests outside several embassies, including Russia's, Cuba's and Israel's, with the targetted embassies.»

E a  Associated Press News? Ahh, um mimo!

LINK:Portugal’s new Socialist government gets off to bumpy start | AP News

«Fernando Medina, a former mayor of the capital, Lisbon, is the new finance minister. He has little experience in national public finances but is one of Costa’s close political allies and potentially a future party leader.

Medina lost his job in last year’s municipal elections after admitting that Lisbon City Council had shared the personal details of Lisbon-based dissidents and protesters with foreign embassies, including those of Russia and Israel.»

Não digo mais nada, só me ocorrem termos nada urbanos


DITOS QUE FICAM NA HISTÓRIA


"For God's sake, this man cannot remain in power"

Pres. Biden - 26/03/2022 - Varsóvia


Por fim alguém disse o que mais de meio mundo pensa
E não disse tudo...


OS DESIGNIOS DA BESTA


Para que fique registado.

Os momentos que, de alguma forma, marcam a história devem ser registados e guardados em memória; nem sempre é fácil identifica-los mas quando se revelam como uma renovação de marcos já bem conhecidos, o reconhecimento é quase intuitivo
De repente senti-me em 1937/39... A maior diferença é que a imagem não é a preto e branco

E tanto quanto as palavras atingiu-me o olhar: raiado, baço, tenebroso. Há anos que digo que este ser não tem alma, a besta desalmada, se a teve vendeu-a.
Para além da "limpeza", que é tudo menos "natural", que vem dizimando a heroica Ucrânia, a besta prepara uma "limpeza" doméstica: quer devorar todos o que se lhe opõem, todos os que pensam e veem de forma diferente. Que assim seja, aguardo espectante o processo auto-fágico

Em verdade a única esperança, algo ténue, de se evitar um "conflito alargado" (chamemos-lhe assim para desdramatizar) é acrescente probabilidade de um processo auto-fágico; o maior dos perigos, e também esse crescente, é encurralar a besta.
Este ser não tem a capacidade de se reconhecer derrotado; o "outro" deu um tiro na cabeça mas o outro não tinha armas atómicas nem a possibilidade de resolver uma situação limite com um "Se eu for ao fundo vão todos comigo"
_____________________

Excerto da comunicação do presidente da federação Russa ao seu governo,
transmitido em directo para todo o país a 16 de Março 2022

(A transcrição da totalidade do discurso em inglês AQUI)
«“Qualquer povo, e especialmente o povo russo, sempre será capaz de distinguir os verdadeiros patriotas da escória e dos traidores e cuspi-los como um mosquito que acidentalmente voou para as suas bocas”

“Estou convencido de que essa auto-limpeza natural e necessária da sociedade só fortalecerá nosso país, a nossa solidariedade, coesão e prontidão para enfrentar qualquer desafio.

“Se o Ocidente pensa que a Rússia vai recuar, não entende a Rússia”» 

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 A quem tenha tempo e interesse recomendo vivamente a atenta visualização de 34 minutos de conversa com o ex-chefe do MI6, Sir John Sawers, sobre a situação na Ucrânia gravada há duas semanas na "Oxford Union  Society". 

Uma analise e opinião de quem teve (e tem) uma janela privilegiada sobre o Kremlin


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UMA INEVITABILIDADE INCONVENIENTE

 A  notícia vinda da Rússia que me ofereceu um leve sorriso:

Putin mandou a Segurança Interna do FSB invadir o 5º Serviço FSB - responsável pela Inteligência estrangeira e a operar na Ucrânia (5 Service SOiMS) - e outras duas dezenas de serviços similares, porque terão fornecido ao Kremlin informações erradas sobre a aceitação de uma invasão russa a fim de "não contrariar" as convicções políticas, e egocêntricas, do presidente. 
(Logo, se os "libertadores" embateram numa cortina de ferro ucraniana,  mesmo nas regiões já ocupadas de Dombas e Crimeia a culpa é do 5º Serviço SOiMS, obviamente. )
Reposta a moralidade (ou mesmo a "muralidade")  no Serviço de Inteligência estrangeira, o seu chefe de serviços e o seu vice foram colocados em prisão domiciliária 

Terá sido boa ideia? 

A mim agrada-me bastante mas, certeiro ou de raspão, não sei se Putin não terá dado mais um tirito no pé; convém lembrar que o desmembramento do KGB, e o sequente nascimento do FSB (Federal Security Service), se deveu a uma tentativa de golpe de Estado, em Agosto de 1991, contra Mikhail Gorbachev por parte de várias unidades do KGB

Mas... em Agosto de 91 Gorbachev estava, em alguns aspectos de comprovada importância, na mó de cima e Putin está actualmente, em todos os aspectos de comprovável importância, na mó de baixo

É suposto Putin ter bem presente que não é boa ideia, nem mesmo para o czar de todas as Rússias, ter o FSB, ou mesmo o SVR (Russian Foreign Intelligence Service) por inimigo: em 1998 o presidente Yeltsin nomeou Putin, então um veterano do KGB, director do FSB; aliás foi ele o responsável pela integração das operações de Contra-Inteligência estrageira nos serviços do FSB

Diz quem sabe, concretamente oficiais das Inteligências operativas no estrangeiro (CIA, MI6 e outros bisbilhoteiros), que não serão os oligarcas descontentes nem os milhares que se manifestam corajosamente nas ruas que detêm o poder de depor Putin mas sim os Serviços Secretos: são imprescindíveis, andam imprescindivelmente armados e têm um imprescindível acesso
A questão é se querem... Com mais uns empurrõezitos talvez se motivem

Ora digam lá se não seria uma boa ideia...

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MOMENTO DE VERDADE - U.VON DER LEYEN

Porque é importante que fique registado, palavra por palavra, porque todas foram pesadas, medidas e carregadas de significado e importância; é um pouco longo para "leitura de blog" mas nenhuma palavra está a mais e todas são necessárias para fazer frente a uma situação que já passou a fase de "Perigo Eminente". 

Para ler, reter, pensar e COMPREENDER

1 March 2022 Brussels

Speech by President von der Leyen at the European Parliament Plenary on the Russian aggression against Ukraine

Madam President of the European Parliament,

Mr President of the Council,

High Representative,

Mr President of the Ukraine, dear Volodymyr,

Mr Speaker of the Ukrainian Parliament,

My Honourable Members,

War has returned to Europe. Almost thirty years after the Balkan Wars, and over half a century after Soviet troops marched into Prague and Budapest, civil defence sirens again went off in the heart of a European capital. Thousands of people fleeing from bombs, camped in underground stations – holding hands, crying silently, trying to cheer each other up. Cars lined up towards Ukrainian Western borders, and when many of them ran out of fuel, people picked up their children and their backpacks and marched for tens of kilometres towards our Union. They sought refuge inside our borders, because their country was not safe any longer. Because inside Ukraine, a gruesome death count has begun. Men, women, children are dying, once again, because a foreign leader, President Putin, decided that their country, Ukraine, has no right to exist. And we will never ever let that happen and never ever accept that.

Honourable Members,

This is a moment of truth for Europe. Let me quote the editorial of one Ukrainian newspaper, the Kyiv Independent, published just hours before the invasion began: ‘This is not just about Ukraine. It is a clash of two worlds, two polar sets of values.' They are so right. This is a clash between the rule of law and the rule of the gun; between democracies and autocracies; between a rules-based order and a world of naked aggression. How we respond today to what Russia is doing will determine the future of the international system. The destiny of Ukraine is at stake, but our own fate also lies in the balance. We must show the power that lies in our democracies; we must show the power of people that choose their independent paths, freely and democratically. This is our show of force.

Today, a Union of almost half a billion people has mobilised for Ukraine. The people of Europe are demonstrating in front of Russian embassies all across our Union. Many of them have opened their homes to Ukrainians – fleeing from Putin's bombs. And let me thank especially Poland, Romania, Slovakia and Hungary for welcoming these women, men and children. Europe will be there for them, not only in the first days, but also in the weeks and months to come. That must be our promise altogether. And this is why we are proposing to activate the temporary protection mechanism to provide them with a secure status and access to schools, medical care and work. They deserve it. We need to do that now. We know this is only the beginning. More Ukrainians will need our protection and solidarity. We are and we will be there for them.

Our Union is showing a unity of purpose that makes me proud. At the speed of light, the European Union has adopted three waves of heavy sanctions against Russia's financial system, its high-tech industries and its corrupt elite. This is the largest sanctions package in our Union's history. We do not take these measures lightly, but we feel we had to act. These sanctions will take a heavy toll on the Russian economy and on the Kremlin. We are disconnecting key Russian banks from the SWIFT network. We also banned the transactions of Russia's central bank, the single most important financial institution in Russia. This paralyses billions in foreign reserves, turning off the tap on Russia's and Putin's war. We have to end this financing of his war.

Second, we target important sectors of the Russian economy. We are making it impossible for Russia to upgrade its oil refineries; to repair and modernise its air fleet; and to access many important technologies it needs to build a prosperous future. We have closed our skies to Russian aircraft, including the private jets of oligarchs. And make no mistake: We will freeze their other assets as well – be it yachts or fancy cars or luxury properties. We will freeze that altogether.

Thirdly, in another unprecedented step, we are suspending the licences of the Kremlin's propaganda machine. The state-owned Russia Today and Sputnik, and all of their subsidiaries, will no longer be able to spread their lies to justify Putin's war and to divide our Union. These are unprecedented actions by the European Union and our partners in response to an unprecedented aggression by Russia.

Each one of these steps has been closely coordinated with our partners and allies, the United States, the United Kingdom, Canada and Norway, but also, for example, Japan, South Korea and Australia. All of these days, you see that more than 30 countries – representing well over half of the world's economy – have also announced sanctions and export controls on Russia. If Putin was seeking to divide the European Union, to weaken NATO, and to break the international community, he has achieved exactly the opposite. We are more united than ever and we will stand up in this war, that is for sure that we will overcome and we will prevail. We are united and we stay united.

Honourable Members,

I am well aware that these sanctions will come at a cost for our economy, too. I know this, and I want to speak honestly to the people of Europe. We have endured two years of pandemic. And we all wished that we could focus on our economic and social recovery. But I believe that the people of Europe understand very well that we must stand up against this cruel aggression. Yes, protecting our liberty comes at a price. But this is a defining moment. And this is the cost we are willing to pay. Because freedom is priceless, Honourable Members. This is our principle: Freedom is priceless.

Our investments today will make us more independent tomorrow. I am thinking, first and foremost, about our energy security. We simply cannot rely so much on a supplier that explicitly threatens us. This is why we reached out to other global suppliers. And they responded. Norway is stepping up. In January, we had a record supply of LNG gas. We are building new LNG terminals and working on interconnectors. But in the long run, it is our switch to renewables and hydrogen that will make us truly independent. We have to accelerate the green transition. Because every kilowatt-hour of electricity Europe generates from solar, wind, hydropower or biomass reduces our dependency on Russian gas and other energy sources. This is a strategic investment. And my Honourable Members, this is a strategic investment, because on top, less dependency on Russian gas and other fossil fuel sources also means less money for the Kremlin's war chest. This is also a truth.

We are resolute, Europe can rise up to the challenge. The same is true on defence. European security and defence has evolved more in the last six days than in the last two decades. Most Member States have promised deliveries of military equipment to Ukraine. Germany announced that it will meet the 2% goal of NATO as soon as possible. And our Union, for the first time ever, is using the European budget to purchase and deliver military equipment to a country that is under attack. EUR 500 million from the European Peace Facility, to support Ukraine's defence. As a first batch, we will now also match this by at least EUR 500 million from the EU budget to deal with the humanitarian consequences of this tragic war, both in the country and for the refugees.

Honourable Members,

This is a watershed moment for our Union. We cannot take our security and the protection of people for granted. We have to stand up for it. We have to invest in it. We have to carry our fair share of the responsibility.

This crisis is changing Europe. But Russia has also reached a crossroads. The actions of the Kremlin are severely damaging the long-term interests of Russia and its people. More and more Russians understand this as well. They are marching for peace and freedom. And how does the Kremlin respond to this? By arresting thousands of them. But ultimately, the longing for peace and freedom cannot be silenced. There is another Russia besides Putin's tanks. And we extend our hand of friendship to this other Russia. Be assured, they have our support.

Honourable Members,

In these days, independent Ukraine is facing its darkest hour. At the same time, the Ukrainian people are holding up the torch of freedom for all of us. They are showing immense courage. They are defending their lives. But they are also fighting for universal values and they are willing to die for them. President Zelenskyy and the Ukrainian people are a true inspiration. When we last spoke, he told me again about his people's dream to join our Union. Today, the European Union and Ukraine are already closer than ever before. There is still a long path ahead. We have to end this war. And we should talk about the next steps. But I am sure: Nobody in this hemicycle can doubt that a people that stands up so bravely for our European values belongs in our European family.

And therefore, Honourable Members, I say: Long live Europe. And long live a free and independent Ukraine.

My z vamy. Slava Ukraini.

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TRADUÇÂO

A guerra regressou à Europa. Quase trinta anos após as Guerras dos Balcãs, e mais de meio século após a marcha das tropas soviéticas para Praga e Budapeste, as sirenes de defesa civil explodiram novamente no coração de uma capital europeia. Milhares de pessoas fugiram das bombas, acampadas em estações subterrâneas - de mãos dadas, a chorar silenciosamente, a tentar animar-se mutuamente. Carros alinhados em direcção às fronteiras ocidentais ucranianas, e quando muitos deles ficaram sem combustível, as pessoas pegaram nos seus filhos e nas suas mochilas e marcharam durante dezenas de quilómetros em direcção à nossa União. Procuraram refúgio dentro das nossas fronteiras, porque o seu país já não estava seguro. Porque dentro da Ucrânia, começou uma horrível contagem de mortos. Homens, mulheres e crianças estão a morrer, mais uma vez, porque um líder estrangeiro, o Presidente Putin, decidiu que o seu país, a Ucrânia, não tem o direito de existir. E nós nunca deixaremos que isso aconteça e nunca aceitaremos isso.

Distintos Deputados,

Este é um momento de verdade para a Europa. Permitam-me citar o editorial de um jornal ucraniano, o Kyiv Independent, publicado poucas horas antes do início da invasão: "Isto não se trata apenas da Ucrânia. É um choque de dois mundos, dois conjuntos polares de valores". Eles têm toda a razão. Este é um choque entre o Estado de direito e o domínio da arma; entre democracias e autocracias; entre uma ordem baseada em regras e um mundo de agressão nua. A forma como respondermos hoje ao que a Rússia está a fazer irá determinar o futuro do sistema internacional. O destino da Ucrânia está em jogo, mas o nosso próprio destino também está no equilíbrio. Devemos mostrar o poder que está nas nossas democracias; devemos mostrar o poder das pessoas que escolhem os seus caminhos independentes, livre e democraticamente. Esta é a nossa demonstração de força.

Hoje, uma União de quase meio bilião de pessoas mobilizou-se para a Ucrânia. Os povos da Europa estão a manifestar-se em frente das embaixadas russas em toda a nossa União. Muitos deles abriram as suas casas aos ucranianos - fugindo das bombas de Putin. E deixem-me agradecer especialmente à Polónia, Roménia, Eslováquia e Hungria por acolherem estas mulheres, homens e crianças. A Europa estará lá para eles, não só nos primeiros dias, mas também nas semanas e meses vindouros. Essa deve ser a nossa promessa no seu conjunto. E é por isso que propomos activar o mecanismo de protecção temporária para lhes proporcionar um estatuto de segurança e acesso a escolas, cuidados médicos e trabalho. Eles merecem-no. Temos de o fazer agora. Sabemos que isto é apenas o começo. Mais ucranianos precisarão da nossa protecção e solidariedade. Nós estamos e estaremos lá para eles.

A nossa União está a mostrar uma unidade de propósitos que me deixa orgulhoso. À velocidade da luz, a União Europeia adoptou três vagas de pesadas sanções contra o sistema financeiro russo, as suas indústrias de alta tecnologia e a sua elite corrupta. Este é o maior pacote de sanções da história da nossa União. Não tomamos estas medidas de ânimo leve, mas sentimos que tínhamos de agir. Estas sanções terão um pesado custo para a economia russa e para o Kremlin. Estamos a desligar os principais bancos russos da rede SWIFT. Também proibimos as transacções do banco central da Rússia, a instituição financeira mais importante da Rússia. Isto paralisa milhares de milhões em reservas estrangeiras, fechando a torneira na guerra da Rússia e de Putin. Temos de pôr fim a este financiamento da sua guerra.

Em segundo lugar, temos como alvo sectores importantes da economia russa. Estamos a tornar impossível à Rússia modernizar as suas refinarias de petróleo; reparar e modernizar a sua frota aérea; e aceder a muitas tecnologias importantes de que necessita para construir um futuro próspero. Fechámos os nossos céus às aeronaves russas, incluindo os jactos privados dos oligarcas. E não se enganem: Congelaremos também os seus outros bens - sejam iates ou carros de luxo ou propriedades de luxo. Congelaremos isso por completo.

Em terceiro lugar, noutra etapa sem precedentes, suspendemos as licenças da máquina de propaganda do Kremlin. A Rússia estatal de hoje e a Sputnik, e todas as suas subsidiárias, já não poderão espalhar as suas mentiras para justificar a guerra de Putin e para dividir a nossa União. Estas são acções sem precedentes da União Europeia e dos nossos parceiros, em resposta a uma agressão sem precedentes por parte da Rússia.

Cada uma destas medidas foi estreitamente coordenada com os nossos parceiros e aliados, os Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá e a Noruega, mas também, por exemplo, o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália. Todos estes dias, constata-se que mais de 30 países - representando bem mais de metade da economia mundial - anunciaram também sanções e controlos de exportação sobre a Rússia. Se Putin procurava dividir a União Europeia, enfraquecer a NATO, e quebrar a comunidade internacional, conseguiu exactamente o oposto. Estamos mais unidos do que nunca e vamos erguer-nos nesta guerra, ou seja, com certeza que vamos ultrapassar e prevalecer. Estamos unidos e mantemo-nos unidos.

Distintos Deputados,

Estou bem ciente de que estas sanções também terão um custo para a nossa economia. Sei isto, e quero falar honestamente ao povo da Europa. Suportámos dois anos de pandemia. E todos desejámos poder concentrar-nos na nossa recuperação económica e social. Mas creio que os povos da Europa compreendem muito bem que temos de nos erguer contra esta agressão cruel. Sim, a protecção da nossa liberdade tem um preço. Mas este é um momento decisivo. E este é o custo que estamos dispostos a pagar. Porque a liberdade não tem preço, Distintos Deputados. Este é o nosso princípio: A liberdade não tem preço.

Os nossos investimentos de hoje vão tornar-nos mais independentes amanhã. Estou a pensar, antes de mais, na nossa segurança energética. Não podemos simplesmente depender tanto de um fornecedor que nos ameace explicitamente. É por isso que contactamos outros fornecedores globais. E eles responderam. A Noruega está a intensificar-se. Em Janeiro, tivemos um fornecimento recorde de gás LNG. Estamos a construir novos terminais de GNL e a trabalhar em interconectores. Mas a longo prazo, é a nossa mudança para as energias renováveis e o hidrogénio que nos tornará verdadeiramente independentes. Temos de acelerar a transição verde. Porque cada quilowatt-hora de electricidade que a Europa produz a partir da energia solar, eólica, hídrica ou biomassa reduz a nossa dependência do gás russo e de outras fontes de energia. Este é um investimento estratégico. E os meus Distintos Membros, este é um investimento estratégico, porque por cima, uma menor dependência do gás russo e de outras fontes de combustível fóssil significa também menos dinheiro para a arca de guerra do Kremlin. Esta é também uma verdade.

Estamos decididos, a Europa pode estar à altura do desafio. O mesmo se aplica à defesa. A segurança e a defesa europeias evoluíram mais nos últimos seis dias do que nas últimas duas décadas. A maioria dos Estados-Membros prometeram entregas de equipamento militar à Ucrânia. A Alemanha anunciou que irá cumprir o objectivo de 2% da OTAN o mais rapidamente possível. E a nossa União, pela primeira vez, está a utilizar o orçamento europeu para comprar e entregar equipamento militar a um país que está a ser atacado. 500 milhões de euros do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, para apoiar a defesa da Ucrânia. Como primeiro lote, vamos agora igualar este montante em pelo menos 500 milhões de euros do orçamento da UE para lidar com as consequências humanitárias desta guerra trágica, tanto no país como para os refugiados.

Distintos Deputados,

Este é um momento de viragem para a nossa União. Não podemos tomar a nossa segurança e a protecção das pessoas como garantidas. Temos de nos erguer em defesa dela. Temos de investir nele. Temos de assumir a nossa justa quota-parte de responsabilidade.

Esta crise está a mudar a Europa. Mas a Rússia também chegou a uma encruzilhada. As acções do Kremlin estão a prejudicar gravemente os interesses a longo prazo da Rússia e do seu povo. Cada vez mais russos compreendem isto também. Estão a marchar pela paz e liberdade. E como é que o Kremlin reage a isto? Prendendo milhares deles. Mas, em última análise, o desejo de paz e de liberdade não pode ser silenciado. Há outra Rússia para além dos tanques de Putin. E estendemos a nossa mão de amizade a esta outra Rússia. Estejam certos de que eles têm o nosso apoio.

Distintos Deputados,

Nestes dias, a Ucrânia independente está a enfrentar a sua hora mais escura. Ao mesmo tempo, o povo ucraniano está a erguer a tocha da liberdade para todos nós. Estão a demonstrar uma coragem imensa. Eles estão a defender as suas vidas. Mas estão também a lutar por valores universais e estão dispostos a morrer por eles. O Presidente Zelenskyy e o povo ucraniano são uma verdadeira inspiração. Quando falámos pela última vez, ele contou-me novamente sobre o sonho do seu povo de se juntar à nossa União. Hoje, a União Europeia e a Ucrânia já estão mais próximas do que nunca. Há ainda um longo caminho pela frente. Temos de pôr fim a esta guerra. E devemos falar sobre os próximos passos. Mas tenho a certeza: ninguém neste hemiciclo pode duvidar que um povo que se ergue tão corajosamente pelos nossos valores europeus pertença à nossa família europeia.

E por isso, Senhores Deputados, digo eu: Viva a Europa. E viva uma Ucrânia livre e independente.

My z vamy. Slava Ukraini.





QUERIDOS PACIFÍSTAS,

 O pacifismo é bonito. Dizer bonito é pouco. O pacifismo é louvável, encerra uma pureza de intensão desejável no coração da humanidade. Pois... Mas os corações não são todos iguais, alguns só abrigam o amor ao poder, ao ego, à vontade própria e, para esses, a salvaguarda da humanidade é um estrago colateral

O pacifismo é um bem de luxo ao qual não nos podemos dar, o mundo não nos concede meios para isso, está provado ad nauseam

Infelizmente, ou talvez não, a compreensão, o reconhecimento deste facto por parte dos corações humanos, os verdadeiramente humanos, requer uma perda de inocência e uma maturidade de equilíbrio entre as boas intensões e a frieza de análise que nos permite fazer face ao perigo. Isto tem o seu lado doloroso: mais tarde ou mais cedo constatamos que o que rasga a cortina da inocência  concede nitidez e amplitude de visão, os destroços do sonho pacifista fertilizam a capacidade de apreensão da realidade.

Domingo 27 Fev. ,  o recém-chegado a chanceler Olaf Scholz fez um notável  e sensato discurso no parlamento alemão que reflectiu objectivamente a absoluta necessidade de adaptarmos os nossos mais louváveis ideais às fraccionais alterações que o mundo nos impõe. (Até a Suissa, campeã da "neutralidade" se chegou à frente!!!)

Por mais compreensível que seja que um país que desencadeou as mais letais e desumanas acções do séc. XX tenha por princípio o não fornecimento de armas no caso de conflitos externos, há situações em que os princípios são engolidos pela gritante injustiça, pelas indefensáveis e irracionais consequências. A invasão da Ucrânia e todo o plano expansionista que lhe é subjacente é, indiscutivelmente, o melhor dos exemplos de tal situação.

E... Quando digo - indiscutivelmente - digo-o de forma radical, recusando todas as tentativas de explicação ou justificação que opiniões contrárias tentem oferecer. O meu profundo respeito pela opinião alheia não chega para tanto.  Esta não é uma questão de opinião, nenhum crime de guerra praticado pela imposição de poder e da vontade egocêntrica o é.

Quer isto dizer que todas as guerras são injustificadas? Helás!!! Seria sublime poder dizer que sim, que são injustificadas, melhor, que são evitáveis... Seriam, talvez, se os homens fossem capazes de se sentar frente a frente procurando, de facto, pôr o bem da humanidade acima dos seus interesses e divergências mas séculos de vigência dos homens sobre a Terra demonstram incontestavelmente o contrário; e conjecturando,  o futuro não apresenta grandes probabilidades de modificação. Está-nos na massa do sangue, mais tarde ou mais cedo, alguém cede à tirania e a conversa não passa disso mesmo, conversa...

Queridos pacifistas, 

Vocês não são o mal da Terra, vocês são o sonho, as flores no cabelo, as pombas que oferecem ramos de oliveira e a ingenuidade não corrompida; E acreditam ser os defensores da Liberdade e da Dignidade Humana. Como disse no começo, é louvável. 

Mas... ( o terrível "mas")

Como se propõem lutar pela Liberdade e pela Dignidade? Como se propõem vencer tiranos e terroristas? Não há flores, nem poemas, nem canções capazes de transmutar o que se alimenta de ódio e perversão. Sem exércitos, espiões, pressões económicas e coragem para desempenhar um papel agressivo, não há Liberdade nem Dignidade que subsistam perante o Mal do mundo

Por vezes há que lutar contra a guerra e por vezes há que lutar na guerra; por vezes a mera hesitação pode ser fatal. 

E frequentemente a única forma de "lutar contra a guerra" é combatê-la


Perdoem-me mas é a mais dura Verdade.



"KEEP CALM AND F*** THEM ALL"

 

"KEEP CALM AND CARRY ON", frase frequente e erradamente atribuída a W. Churchill, foi impressa num cartaz por ordem do governo britânico em 1939 para ser distribuído no caso de a Alemanha vir a invadir a Grã-Bretanha: Como tal não aconteceu o cartaz acabou por cair no esquecimento e só veio a ser "descoberto" em 2000.

Veio a tornar-se viral a frase icónica da fleuma britânica na II Guerra

Vem isto a servir de introdução a uma situação trágica e selvagem que ocorreu ontem, dia 24, no Mar Negro na pequena ilha de Zmiinyi, com 48Kms, ao largo da costa ucraniana e que estava ocupada por 13 soldados ucranianos - aparentemente uma força ameaçadora para a Rússia...

A pequena ilha foi bombardeada e todos os 13 soldados pereceram. Porquê? Porque recusaram entregar-se, e responderam, verbalmente, em conformidade.


Deixo a transcrição e um vídeo com o áudio da rapidíssima troca de palavras ocorrida antes do bombardeamento.
Esta será provavelmente a frase icónica desta guerra absurda e violenta; por mim já a adoptei






Zelensky afirmou: Morreram heroicamente e vão ser condecorados postumamente com o título de "Herói da Ucrânia".»

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Não resisto a deixar também uma fotografia tirada ontem numa das manifestações anti-guerra que tiveram lugar na Rússia. Desconheço o fotografo o local e a pessoa fotografada mas a sua expressão e a situação tocaram-me profundamente, é emocionalmente devastadora. 
Sem mais...