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BOA SCOLARI!


Nunca me passou pela cabeça escrever duas palavras seguidas sobre qualquer coisa relacionada com futebol mas não é de futebol que se trata quando se assiste ao espectáculo que os meios de comunicação social puseram ontem na rua a propósito de um tabefe bem pregado: um nojo!
A crucificação pública de Scolari foi feita de vómitos de inveja, de frustrações de quem sente a falta de muito mais do que de “um golpe de asa”. Os animais falantes que passaram ontem pelos ouvidos dos portugueses nunca souberam, nem saberão, o que é voar; rastejam presos ao solo pelo peso dos cornos enfurecidos pelo êxito alheio. Que corja de cabrões!

Esclareço antes de continuar: não me anima a alma qualquer paixão pelo Luís Felipe Scolari. Nunca sonhei com ele, nem a dormir nem acordada. Acho que é um tipo com tudo no sítio, que não se dobra às pressões dos “fute-boys”, que sabe o que quer e como quer. Acresce que é um tipo simpático, que tem vindo a conservar uma certa humildade ao longo da sua merecida ascensão no coração dos portugueses. Para agravar a cena, é competente, eficaz e os jogadores gostam dele, respeitam-no. É muito, é demais para a inveja nacional.
É imperdoável.

Tenho consciência de que aquilo que eu penso sobre o tabefe que o Scolari deu no fedelho não interessa por aí além mas se não desabafo… estoiro!

Pois eu acho que ele fez muito bem!

Isto de se viver num país onde é passível de um processo crime dar-se uma galheta em alguém confunde-me. Que não se ande por aí ao estalo, está certo. Que não se possa, impunemente, deixar alguém estendido ou a caminho da enfermaria, concordo. Que os bofetões cabem no código de processo civil, compreendo.
Mas em verdade, em verdade vos digo – há por aí muita situação que, resolvida “ao estalo”, só se perderiam as que caíssem no chão.

A turba fala do Scolari… então e o jogador que vociferava sabe-se lá o quê e que deu um estalo no braço de um treinador com idade para ser pai dele? Levou um tabefe… pois foi, e muito bem pregado. Foi de Homem… e há poucos.

No meio do cinzentismo da falta de dinheiro e, sobretudo, da falta do reconhecimento dos direitos das pessoas, Portugal alegrou-se. Esteve em festa, vestiu as janelas e os carros com bandeiras nacionais e, o mais importante, sentiu-se saudavelmente orgulhoso, finalmente.
Protagonizando este período de alegria estava:

a) o Primeiro ministro
b) o Presidente
c) a Assembleia da República
d) outra(s) figura(s) que tenha assumido a responsabilidade do bem estar dos portugueses

? ? ? ?

Pois!
Viva a Selecção e Viva o Scolari.
Os bichos rastejantes recolheram-se sob as pedras e esperaram;

Ontem sairam e grunhiram. P.Q.P.

1 comentário:

Emiele disse...

Olha menina, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Para ser franca achei um tanto histérica a reacção dos media, parecia que Portugal tinha parado por causa daquele terrível incidente. Eu oiço muito pouco os telejornais mas durante aqueles dias, já não podia, era perseguida sempre que abria a TV por aquela história. Também não gostei nada que o treinador adversário repisasse o tema do Scolari «não saber perder» como se fosse por isso que a cena se passou, e aliás empatou-se, não se perdeu. Esta é a parte do 'tanto-ao-mar'.
Direi que nem tanto à terra, porque o homem naquela história mostrou realmente um descontrolo que foi errado. Mesmo que tivesse levado a tal palmada no braço, (e isso ficou por ver) tivesse ele mostrado outra dignidade nem que fosse segurando firmemente essa 'mão agressora', e a história seria contada ao contrário, passaria a ser «um treinador agredido em pleno campo por um jogador adeversário», estás a ver a diferença?...