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9/11

Sexta-feira passada vi um documentário; ontem, sábado, depois de me deitar vi um outro. Hoje, entre acordar e sair de casa fui vendo, sobretudo ouvindo, em directo na Euronews a reportagem das cerimónias do "11/9" que tinham lugar no "Ground Zero".
A dada altura tive de me questionar sobre o que me levava a ligar-me tão fortemente a estes acontecimentos; seria uma espécie de masoquismo dramático? Estas imagens, declarações, depoimentos, continuam a afectar-me muito profundamente, continuam a provocar em mim um jorrar de emoções nada agradáveis. Então por quê?

Obviamente o que se passou em Nova Iorque há dez anos não se passou apenas em Nova Iorque. Todos nós, pelo menos no mundo ocidental, sabemos intimamente que o que se passou ali nos atingiu e mais, sabemos que temos a sorte de não nos ter atingido "fisicamente".
Ingleses e espanhóis foram tocados mais de perto, não com a mesma dimensão mas sentiram o sabor e o cheiro do medo, da perda, da fragilidade da vida.
Qual de nós, que tenha meio-dedo de testa, não foi tocado pela sensação de impotência e temor?
Qual de nós não se lembra perfeitamente de onde estava e em que circunstâncias quando tomou conhecimento do que estava a ocorrer na América? A isto chama-se "Choque".

O que se passou nos E.U.A. a 11 de Setembro de 2011 foi uma sementeira de terror, perda, tristeza, instabilidade, vulnerabilidade e revolta que atingiu o mundo como um todo.

Nenhum de nós pode dar-se ao luxo de esquecer ou ignorar, todos fomos atacados porque todos passamos a estar conscientes do que nos pode acontecer de um momento para o outro, num qualquer dia que começa ameno e ensolarado e, de repente, se desfaz em trevas.

Num só dia o mundo foi mudado; cabe-nos a nós, todos nós que nos sentimos frágeis, incrédulos e estarrecidos nesse dia, cuidarmos em mudar o mundo todos os dias trazendo-lhe um pouco mais de Luz que, apenas por existir, derrote as trevas que aguardam.

Se considerarmos as mentes que idealizaram, programaram e levaram a cabo estes atentados terroristas dificilmente não nos sentiremos ameaçados a cada dia, a "sementeira" por elas plantada deu os seus frutos... Não podemos porém ser nós a (a)colhê-los, não podemos viver com medo, nem com ódio; deixemo-los estar sem esquecer de que existem; reguemo-los com esperança até que apodreçam mas não sejamos humanamente ingénuos: teremos de viver vigilantes e a cada nova ameaça ou tentativa teremos de cortar as raízes e queimar a terra.


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