A última vez que por aqui passei, mesmo aí abaixo, dediquei a segunda parte das minhas congeminações a Orban e aos BRICS, falei de "Blocos"... Parecia que estava a adivinhar...
Referi as esclarecedoras declarações do inefável húngaro a 7 e 8 Nov. na Cimeira da Comunidade Política Europeia em Budapeste:
Dia 7:
Depois desta
conferência de imprensa, haverá um jantar informal com os 27 líderes europeus onde exploraremos esta questão e ainda temos mais um dia e estou confiante de que até amanhã à tarde estaremos muito mais perto de uma resposta comum do que estávamos hoje. Mantive apenas parcialmente a minha promessa, abrimos um pouco de champanhe, mas eu estava no Quirguistão quando Donald Trump ganhou, os costumes são diferentes e depois disso, aproveitámos o Vodka Supply e festejámos alegremente o resultado fantástico juntos.
Dia 8:
«A Europa sozinha não pode financiar esta guerra. Algumas pessoas continuam a querer enviar enormes quantias de dinheiro para esta guerra perdida, mas há um número crescente de pessoas que permanecem em silêncio, apesar de já terem falado alto.»
Dez dias depois surge o discurso de Viktor Orbán no EURASIA FORUM de Budapeste, a 21 de Nov., deixa bem explícitas as suas prioridades, em que clube é que joga, qual o Bloco em que aposta.
Sem comentários deixo alguns excertos, a totalidade enjoa-me
«O mundo ocidental foi desafiado a partir do Leste, o próximo período será o século da Eurásia”. Quinhentos anos de domínio civilizacional do Ocidente chegaram ao fim e a era da Eurásia está a começar,”,
“Durante vários séculos, o Ocidente habituou-se a pensar em si próprio como o mais belo, o mais inteligente, o mais avançado e o mais rico. De repente, ver e reconhecer que já não somos os mais belos, inteligentes, avançados e ricos é uma tarefa difícil” A ideia é que o mundo inteiro deve ser organizado de acordo com o modelo ocidental e que os povos selecionados para tal estarão dispostos a fazê-lo em troca de benefícios económicos e vantagens financeiras. Esta ideia falhou.
“Se é verdade que o próximo século pertence à Eurásia, temos de constatar que a Europa ainda não conseguiu encontrar o seu lugar neste contexto de pensamento, alguns líderes ocidentais não conseguem ver a importância da Eurásia, enquanto outros ‘vêem-na mas não gostam dela’. A elite europeia está preparada para proteger o status quo, o que pode levar à formação de blocos no comércio, na economia e na política. Se a Europa não conseguir libertar-se desta lógica de proteção do status quo e passar a privilegiar a conectividade em vez da formação de blocos, o processo de perda da Europa em relação às mudanças que estão a ocorrer atualmente irá persistir a longo prazo.
O domínio liberal progressista no mundo ocidental chegou ao fim, Os Estados da Ásia tornaram-se mais fortes e provaram a sua capacidade de se erguerem, existirem e perdurarem como centros de poder económico e político independentes. Como resultado, o centro da economia global deslocou-se para o Oriente, com as economias orientais a crescerem quatro vezes mais depressa do que as economias ocidentais. O valor acrescentado da indústria ocidental é de 40 por cento no mundo, enquanto o da indústria oriental representa 50 por cento. Esta é a nova realidade.»
Zelensky telefonou a Trump para congratular o presidente eleito pela sua vitória
Sobre esta conversa Zelensky disse: “Concordámos em manter um diálogo estreito e em fazer avançar a nossa cooperação. A liderança forte e inabalável dos EUA é vital para o mundo e para uma paz justa”.
E Trump, o que disse? Trump não disse. Trump balbuciou que foi tudo muito cordial e muito rápido. Não disse por que é que Elon Musk esteve presente à chamada e também falou com Zelensky, "Por acaso encontrava-se na sala..."
Ilações? Quem quiser que tire as suas, não é preciso um doutoramento em engenharia espacial, pode-se começar por um «Se queres lidar comigo tens de lidar com ele, que lida com o "outro". »
O serviço de Internet Starlink (de Musk) na Ucrânia, proporcionou uma vantagem significativa na linha da frente às forças ucranianas desde 2022, permitindo que as suas forças partilhassem em tempo real imagens de drones entre unidades e comunicassem em áreas onde o combate interrompia a rede móvel. Foi fundamental para as forças sitiadas na linha de frente e, na época, Musk conquistou os ucranianos porque sua SpaceX financiou o serviço de rede internet
E em 22 Musk começou a conversar com Putin...
Apesar de contratos de biliões com a NASA, com as forças armadas e com várias agências governamentais americanas, Musk queixou-se do custo da prestação do serviço. O acesso ao Starlink foi restringido em áreas como a Crimeia, ocupada pela Rússia. O Pentágono anunciou, em Junho de 2023, que iria pagar dezenas de milhões de dólares por mês para financiar o Starlink na Ucrânia
As perguntas sobre a influência de Musk na guerra começaram a vir a público quando os militares ucranianos relataram o aumento progressivo de russos que utilizavam esse serviço de internet via satélite.
Diz quem sabe mais disso do que eu que, em 2022, Musk ordenou, verbalmente, aos seus engenheiros que desligassem a rede por satélite Starlink sobre costa da Crimeia para impedir um ataque furtivo ucraniano à frota naval russa. Sobre a rede ter sido desligada nunca ninguém negou e, quando o facto foi comentado, Musk escreveu no seu X (Twitter) que o serviço Starlink fornecido pela SpaceX nunca esteve activo sobre a Crimeia. Porquê?
Na passada sexta-feira, 1 de Novembro, o administrador da NASA, Bill Nelson, apelou à urgência de uma investigação sobre uma notícia do Wall Street Journal (que não é exactamente um jornal de esquerda) segundo a qual Musk e Putin, têm estado em contacto regular desde finais de 2022. Estes contactos periódicos levantam sérias preocupações de segurança nacional uma vez que as relações da SpaceX com a NASA e com as forças armadas americanas terão concedido à Musk acesso a informações governamentais sensíveis e aos serviços secretos dos EUA.
Num dos casos, o WSJ citou um pedido de Putin a Musk para não activar o Starlink sobre Taiwan “como um favor a Xi Jinping”.
Musk recusou-se a comentar a investigação do WST
Estes contactos foram confirmados por vários funcionários, actuais e antigos, dos EUA, da Europa e da Rússia.
Trump está em vias de conceder a Musk acesso "top" ao sigilo de Estado sentado numa qualquer cadeira com acesso ao Executivo 24/7, que Musk bem pagou. Bom investimento, o ascendente sobre Trump (e Vance), a "amizade" de Putin, uns favores a Xi e, já agora, a Europa que deixe de pretender regulamentar o X, entre outras embirrações.
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Trump ganhou as eleições no dia 6; no dia 8 Viktor Orban finalmente declarou (digo finalmente porque o homem até tem andado inchado de contenção )
«A Europa sozinha não pode financiar esta guerra. Algumas pessoas continuam a querer enviar enormes quantias de dinheiro para esta guerra perdida, mas há um número crescente de pessoas que permanecem em silêncio, apesar de já terem falado alto». 8 Nov. - Cimeira da Comunidade Política Europeia em Budapeste
O Instituto Kiel para a Economia Mundial estima que os Estados-Membros e as instituições da UE (como o Banco Europeu de Investimento e a Comissão Europeia) gastaram um total de 161,11 mil milhões de euros (173,57 mil milhões de dólares) em apoio militar, humanitário e financeiro desde o início da guerra, em Fevereiro de 2022, até 31 de Agosto de 2024; os EUA terão contribuído com 108 mil milhões de dólares durante o mesmo período.
Como uma desgraça nunca vem só, no mesmo dia em que Orban aliviou o fígado, Robert Fico, primeiro-ministro eslovaco, também questionou a agenda de financiamento europeu.(Quando a Rússia invadiu a Checoslováquia Fico tinha 4 anos, aparentemente até hoje ninguém lhe contou como foi...)
«Quando há dinheiro para apoiar a matança sem sentido de eslavos na Ucrânia, temos de encontrar uma enorme quantidade de dinheiro na UE para combater a migração ilegal, que é uma ameaça existencial para a Europa enquanto tal»
E Putin, não é uma ameaça existencial para a Europa enquanto tal? Ó homem...
Só um pequeno à parte que me atravessou agora: até me arrepia pensar que poderia ser Le Pen e não Macron a estar no comando da França, só faltava essa...
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...E os BRICS?
O mundo de hoje não é feito de países(zinhos), de Estados ilusoriamente independentes, é feito de Blocos e só um bloco unido pode sobreviver a outro bloco.
A Cimeira dos BRICS, que "por acaso" este ano foi realizada na Rússia, é disto a prova evidente levada à saciedade. Os BRICS, nesta altura do campeonato, são tudo menos a versão oficial de um "grupo de países de mercado emergente em relação ao seu desenvolvimento econômico". Sim, o desenvolvimento da economia é fundamental, as guerras são caríssimas, mas a questão não é essa.
A questão é que o desenvolvimento e coordenação de um bloco, de alianças, mais assumidas na sua união geo-política ou mais disfarçadas na sua cooperação económica, tem de ser coesa e ter um fim comum. Nos BRICS não há dessas tretas das ideologias, de terem de estar todos à esquerda ou à direita. À esquerda ou à direita de quê? Se são ateus, católicos, hindus ou muçulmanos, sunitas ou xiitas, isso não interessa nada, o que interessa é saber com quem se pode contar e para quê, de resto cada um que sirva lá por casa aquilo que quer dar a engolir. A Rússia, a China, a India, o Irão e mais seis (como os UEI !). Agora convidaram mais 13 a aderir entre os quais a Turquia, que é membro da NATO e a Nigéria que é o banco de lavagem africano. Quando Putin fala de "Uma Nova Ordem Mundial" não fala uma fantasia
Os europeus (tal como os americanos) estão a deixar-se dividir por politiquices bem orquestradas que se focam nas suas diferenças apresentando os seus apoios contra a Rússia como fraquezas económicas e criando divisões acéfalas forjadas em desinformação (A culpa é dessa mania das "democracias")
Nós, europeus ocidentais, desde sensivelmente 1945 que vivemos lado a lado sem grandes sobressaltos. Em 61 começou a ser construído o "Muro de Berlin", a "Crise dos Mísseis" em 62 passou vagamente ao lado da maioria da população europeia, era uma coisa com os americanos; a "Guerra Fria" trouxe a assombração comunista com a invasão da Hungria em 56 e da Checoslováquia em 68 mas a URSS já "lá" estava desde 22, cresceu, aglomerava 15 países mas "estavam "do lado de lá", a Europa Oriental era uma Europa de segunda, na verdade ainda é. A dissolução da URSS em 91 alterou este "estado de espírito", a começar pela reunificação da Alemanha.
Putin tremeu no dia da derrocada do Muro em Novembro de 89. O agente KGB que trabalhava em Dresden com a Stasi viu o seu mundo desabar, o fim do império soviético. Nesse dia deve ter jurado vingança e sem dúvida compreendeu que a Rússia não poderia ficar só
Avançando...
Foi o rescaldo da II Guerra que levou o Ocidente a unir-se em várias frentes num processo relativamente rápido: a NATO e o Conselho da Europa em 49, os Tratados de Roma com a criação da Comunidade Económica Europeia em 57, o Parlamento Europeu em 58/62 e daí para a frente
Porém... Há sempre um "porém", há sempre as vagas "do contra" que olham para o seu umbigo, que vêem em seu redor mas não mais além, que recusam o compromisso de um Bloco salvaguardando uma "independência" totalmente ilusória, e perigosa, mas que suscita apoios pseudo-revolucionários em comícios feitos de inflamação, demagogia e planos de poder pessoal.
Não deixa de ser curioso que os Estados que mais problemas e obstáculos têm criado dentro da União Europeia, e concretamente à Ucrânia favorecendo a Rússia, são aqueles que sofreram as mais violentas invasões pela URSS: a Hungria e a Eslováquia (parte da ex-Checoslováquia).E a Áustria... A Áustria que nunca bateu o pé a Hitler. Julgarão que vão tratar com Putin de igual-para-igual ou sofrem da Síndrome de Estocolmo? Os populistas, como se designa agora a direita enraivecida, defendem uma utopia perigosa, uma independência falsa e um poder pessoal muito concreto.
Uma Europa dividida é uma presa fácil, um terreno fértil para a implantação das mais manipuladoras políticas e, até ver, os EUA não salvaguardarão a Europa de coisa alguma, acabou o colo.
É muito significativo que, menos de uma semana após a eleição de Trump, altas patentes militares dos EUA se tenham reunido no Pentágono para discutir como actuar perante eventuais ordens ilegais do futuro presidente. Por agora dizem focar-se na acção interna mas não é necessário ter luminárias na testa para compreender que a posição dos EUA na NATO será a primeira alínea da lista de preocupações
Os europeus, todos nós ocidentais do lado de cá do Atlântico-Norte, vamos ter de, muito rapidamente, mudar a forma como pensamos, como vivemos, como trabalhamos e produzimos, como lidamos com as nossas diferenças ideológicas e sociais. Repito: O mundo de hoje não é feito de países(zinhos), de Estados ilusoriamente independentes, é feito de Blocos e só um bloco unido sobrevive a outro mais coeso e produtivo. Os europeus têm de reconstruir a sua economia e a sua defesa visando uma maior autonomia. Urgentemente. O Estado não pode arcar com todo o investimento necessário, precisa baixar impostos e colaborar com a iniciativa privada, só assim poderá garantir educação, saúde, infraestruturas e defesa. É fundamental que os povos europeus entendam isto, profundamente. Presentemente a política europeia tem de se focar na explicação da importância vital da sua coesão não apenas nacional mas como força de oposição a um outro bloco mais do que ameaçador, crescentemente interferente. Os americanos não perceberam
A 1 de Julho de 2024 o Supremo Tribunal Federal dos EUA fez lei:
Um presidente, enquanto no exercício das suas funções, tem imunidade criminal
SUPREME COURT OF THE UNITED STATES
TRUMP v. UNITED STATES
CERTIORARI TO THE UNITED STATES COURT OF APPEALS FOR
THE DISTRICT OF COLUMBIA CIRCUIT
No. 23–939. Argued April 25, 2024—Decided July 1, 2024
Determining whether and under what circumstances such a prosecution
may proceed requires careful assessment of the scope of Presidential
power under the Constitution. The nature of that power requires that
a former President have some immunity from criminal prosecution for
official acts during his tenure in office. At least with respect to the
President’s exercise of his core constitutional powers, this immunity
must be absolute. As for his remaining official actions, he is entitled
to at least presumptive immunity.
Determinar se e em que circunstâncias tal acusação pode prosseguir requer uma avaliação cuidadosa do âmbito do mandato presidencial poder ao abrigo da Constituição. A natureza deste poder exige que um ex-presidente tem alguma imunidade de processo criminal por atos oficiais durante o seu mandato. Pelo menos no que diz respeito ao exercício pelo Presidente dos seus principais poderes constitucionais, esta imunidade deve ser absoluto. Quanto às suas restantes ações oficiais, tem direito pelo menos à imunidade presuntiva.
On July 1, 2024, the Court ruled in a 6–3 decision, that Trump had absolute immunity for acts he committed as president within his core constitutional purview, at least presumptive immunity for official acts within the outer perimeter of his official responsibility, and no immunity for unofficial acts.
A 1 de julho de 2024, o Tribunal decidiu, numa decisão de 6–3, que Trump tinha imunidade absoluta para actos que cometeu enquanto presidente dentro da sua competência constitucional central, pelo menos imunidade presuntiva para actos oficiais dentro do perímetro externo da sua responsabilidade oficial, e nenhuma imunidade para actos não oficiais.
Ser detentor do Poder do Presidente dos Estados Unidos,
Ser Comandante Chefe das Forças Armadas,
Ter acesso irrestrito a TODOS os documentos secretos, ultra-secretos e "inexistentes",
Ter contacto com TODOS os dirigentes mundiais à medida da sua vontade,
Ter o controlo de TODAS a agências de Segurança e Defesa, Pentágono incluído
Ter o controlo do Departamento de Justiça
Ter o poder de perdoar todo e qualquer condenado em crimes estatais,
Com uma Ordem Executiva poder fechar qualquer orgão de Imprensa/Media
... E ter milícias de seguidores como se de um culto se tratasse (na verdade de um culto se trata) dispostos a transgredir todas as leis, pegar em armas contra qualquer oponente, fazer cumprir pela força os desígnios do seu arbítrio
Não é de política que falo, a política fica lá para trás
Falo, em primeiro lugar, da Ucrânia, das aspirações de Putin - que vão muito além da Ucrânia
Falo da Nato, que cresceu mas enfrenta múltiplos desafios como há décadas não acontecia, numa conjuntura económica complicada; Falo da Europa, das Alianças centenárias e das que permitiram estabilidade após a II Guerra Mundial; Falo do aumento da instabilidade no Parlamento Europeu e da dificuldade em conseguir acções conjuntas em matérias fundamentais
Falo do Médio Oriente... Netanyahu tem vindo a adiar, desvairadamente, qualquer hipótese de cessar-fogo aguardando a vitória de Trump; e falo ainda do controlo - a cada dia menos provável - do investimento núclear do Irão, que Trump desfez porque Putin quis, vendendo-lhe a esperança de arrasar o Irão após perder as eleições, durante o período de transição quando um Estado de Guerra vinha mesmo a calhar (como agora a Netanyahu)
Falo da Coreia do Norte, da sua aliança com a Rússia e da Rússia com o Irão e de todos estes em relações de interesse com a China. Um dia a guerra contra a Ucrânia terminará, e depois? Voltemos à NATO...
E falo de Taiwan, essa fabrica de "chips" imprescindível ao Ocidente
Também falo de Elon Musk, o homem mais rico do mundo - que comprou o candidato a Vice de Trump e lhe atou umas guitas aos pulsos - com um poder incalculável feito de satélites em orbita, tecnologia de ponta e foguetões espaciais, alguns dos melhores técnicos dentro das áreas de Segurança, Vigilância e Defesa, que ambiciona colonizar Marte com uma disnastia imperial (só filhos já vai em 11...) e exércitos de autómatos, uns máquinas outros gente.
E, por último falo dos EUA... Porque o que se passa nos EUA não fica nos EUA, como há muito se sabe e na última década se tornou mais do que óbvio; não fica nos EUA a Economia, nem a Defesa, nem a perversão da Democracia, nem..., nem..., nem...
Falo de tudo isto, poderia falar de muito mais se valesse o esforço... Mas não falo de política, de partidos, de lados. A questão, a mais importante questão, não é essa por importante que fosse numa eleição "normal"
À medida que a campanha eleitoral se aproxima do fim e o futuro de Trump se mostra incerto, a loucura transparece no medo, feito raiva, ódio, numa descontrolada verborreia que vai deixando a nu as suas intenções mais inconfessáveis, as sua aspirações mais recônditas
Prender Kamala, e Biden, se ninguém fizer a fineza de lhes pregar um tiro, ou de os enforcar, como estava destinado a Mike Pence e a Nancy Pelosi.
E Liz Cheney? Tantos votos lhe poderia ter conseguido, a traidora... Mas não gostou do 6 de Janeiro, esse "dia de amor", como referiu há dias...
Liz Cheney, «Vamos pô-la face a um pelotão de fuzilamento»
“She’s a radical war hawk. Let’s put her with a rifle standing there with nine barrels shooting at her, OK?”(depois de, mais uma, enorme reacção de ricochete já veio dizer que não era isso, uma conversa esfarrapada, era mais ao lado)
E é preciso julgar em Tribunal Marcial o General Milley sob acusação de traição (que é punida com a morte).
No entanto Trump avisou, muito clara e afincadamente logo no seu discurso de Tomada de Posse, todos aqueles que pudessem ter estado distraídos durante a campanha eleitoral: "America First, it's going to be only America First"
É óbvio que um número elevadíssimo de americanos não sabia de onde vem a expressão "America First"; mais do que uma expressão é uma ideologia, uma política, uma forma de isolamento do resto do mundo, o "cada um por si, nós primeiro e os outros que se lixem".
É também óbvio que ainda hoje uma grande maioria desconhece a origem do "AFC - America First Committee" (1930/1940/1968), nunca lhes deu para tentar perceber por que é que um militar veterano de guerra, Dwight Eisenhower, se candidatou à presidência dos EUA, nem lhes interessa. A tantos, demasiados, dos que sabem também não lhes interessa, preferem assim uma abençoada ignorância. Nada disto lhes interessa, tudo permitem, tudo.
Imagine-se...
Com imunidade presidencial...
Já não é apenas um Bode Maligno, é o porteiro do Inferno
Dia 5 será dia de eleições
E dia 6? E dia 7?
Virão os resultados, antes disso Trump declarará vitória
Kamala ganhará o Voto Popular, aposto mais de metade das minhas fichas; o Colégio Eleitoral? Está sob o desígnios dos deuses nesta estranha forma de democracia
O Partido da Liberdade (quanta ironia!) venceu as eleições na Áustria com 28,8% dos votos
Este partido coloca-se na extrema-direita, que agora ascende ao poder pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, defende que sejam levantadas as sanções à Rússia, critica asperamente as ajudas do Ocidente à Ucrânia, afasta-se da Iniciativa Europeia Sky Shield, um projecto de defesa anti-míssil lançado pela Alemanha.
Em 2016, o então vice-chanceler e líder do Partido da Liberdade, Heinz-Christian Strache, assinou um “pacto de cooperação” formal com o partido de Putin, Rússia Unidos. Um ano depois a sua ministra dos Negócios Estrangeiros, Karin Kneissl, dançou com Putin no seu casamento. Em 2019 Strache demitiu-se na sequência da publicação de um vídeo gravado secretamente numa estância de luxo espanhola no qual discute um potencial suborno com uma mulher que se disse sobrinha de um oligarca russo e oferece favores ao suposto investidor russo.
Por essa altura peritos em segurança manifestaram o seu alarme relativo às ligações entre o FPÖ e o partido a Putin. Estes analistas temiam abertamente que a presença do FPÖ num governo da UE pudesse levar à divulgação de segredos ocidentais a Moscovo.
Por que é que isto é particularmente grave? Porque a divisão no Parlamento Europeu aumenta ao ser adicionado mais um governo de extrema-direita, unindo-se aos largos grupos da Hungria, da Eslováquia, da França, da Holanda e da Alemanha nas suas manifestas posições pró-Kremlin. Kickl, o líder do FPÖ já muitas vezes disse e repetiu que Viktor Orban (PM húngaro) é um modelo para ele e que o apoiará.
Cresce um bloco que deseja unir-se à Rússia, uma espécie de Pacto de Varsóvia político que tem por lema um nacionalismo ilusório, uma independência controlada. Putin não "manda", insinua, intromete-se, manipula e sorri dando apertos-de-mão pensando no dia em que "me beijarás o anel". Mas extremistas não vêem para além do seu umbigo, das suas paixões político-ideológicas, do desejo de serem fundadores de uma autocracia mítica, lendária... E utópica
O futuro da Ucrânia está no centro do alvo (e as eleições nos EUA ainda são uma incógnita...)
Sobre as bases da fundação do FPÖ, pode ler-se na Enciclopédia Britânica:
«O populista Partido da Liberdade da Áustria (Freiheitliche Partei Österreichs; FPÖ), por vezes referido como Partido Liberal, foi fundado em 1955 como sucessor da Liga dos Independentes. Inicialmente, a maior parte do seu apoio provinha dos antigos nacional-socialistas»
A verdade vai mais longe: O FPÖ foi fundado em 1956 por Anton Reinthaller, um nazi austríaco que tinha servido anteriormente como tenente-general nas SS. o partido foi então dirigido por antigos membros das SS e outros veteranos nazis. Sim, na Áustria que foi anexada pela Alemanha nazi tornando-se uma província do Reich, tornando-se parte do "sonho" do Grande Império Germânico
Kickl, líder do FPÖ, prometeu aos eleitores que, se lhe dessem a vitória, seria o seu Volkskanzler, o “chanceler do povo”, termo usado a seu tempo pelos nazis referindo-se a Hitler. A afinidade do FPÖ com a "estética" do Terceiro Reich foi recordada na passada sexta-feira durante o funeral de um antigo político do FPÖ quando as pessoas se despediram do seu camarada cantando o hino das SS. Vários dirigentes do FPÖ, antigos e actuais, estavam presentes na cerimónia.
A pergunta com que abro este post é meramente retórica, obviamente têm a memória curta, muito curta. Ou estão dormentes agarrados a um sonho que acaba mal
Há notícias que não encontram terreno fértil na "grande media"" porque só se tornam relevantes quando relacionadas com outras notícias, quando se somam vários factos; e isso requer mais tempo de antena, mais espaço na mancha de imprensa, mais atenção e a maior parte das pessoas não "está para isso" Para quem souber e quiser fazer contas, de somar, de multiplicar e, lateralmente, de dividir, deixo abaixo uns minutos de passatempo de domingo ou para o café de arranque de segunda-feira; esqueçam as subtracções, os tempos são de crescendo
Há um pequeno pormenor que tenho dificuldade em entender:
O Irão justifica as suas remessas de armamento para a Rússia como « um esforço legitimo de apoio aos seus aliados». Ok. Então por que não pode a Ucrânia usar armamento fornecido pelos seus aliados para, num esforço legitimo, combater os seus invasores dentro das fronteiras russas?
A 28 de Junho de 1914 em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, então governada pelo império Austro-Húngaro, foi assassinado por um grupo nacionalista o Arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do império.
Este assassinato desencadeou a I Guerra Mundial a 28 de Julho do mesmo ano
Hoje, 28 de Setembro de 2024, foi confirmado o assassinado em Beirute, no Líbano, de Hassan Nasrallah, desde 1992 líder da milícia terrorista Hezbollah , a soldo do Irão com permanência predominante no Líbano, Iraque e Síria, pelo exército israelita após ordem de Netanyahu a partir de um telefonema feito das Nações Unidas em Nova Iorque
(Tenho de expressar o meu aparte: arre que é preciso ser torcidinho! Queriam um cessar-fogo, não era? )
Aguarda-se a reacção do Irão. O ayatollah Khamenei foi levado para um bunker de segurança onde se reunirá com os seus comandantes
Não se trata do assassinato de um indivíduo, um líder terrorista responsável por horrores durante mais de trinta anos, esse seria o lado positivo se não acarretasse a morte de dezenas de civis e as previsíveis e perigosas consequências mas trata-se de uma declaração de guerra, a um Estado potencialmente nuclear Se for despoletada será uma guerra de anos, alterando o sempre instável equilíbrio geo-estratégico do Médio-Oriente,
Ontem publiquei aqui inacreditáveis palavras proferidas por um ex-presidente dos EUA, candidato a um novo mandato e nomeado pelo Partido Republicano que "foi-e-já-não-é".
Reitero a publicação, mais completa, para memória futura, e para servir de comparação com o que se passou hoje em Washington
Trump, 25 Set.24 - «A Ucrânia está obliterada, com vilas e cidades que desapareceram e que nunca poderão ser reconstruídas. Temos dado biliões de dólares a um homem que se recusa a fazer um acordo, Zelensky.Não havia nenhum acordo que ele pudesse ter feito que não fosse melhor do que a situação que temos neste momento. Temos um país que foi destruído e que não é possível reconstruir, Milhões e milhões (!?!?!) de pessoas morreram, a Ucrânia está a usar crianças e velhos, uma vez que as suas forças armadas estão a sofrer uma escassez de soldados.»
«Mas estamos presos nessa guerra a menos que eu seja presidente. Eu vou conseguir. Vou negociá-la. Eu saio. Temos de sair. Biden diz que não sairemos até ganharmos. O que é que acontece se eles (os russos) ganharem? É isso que eles fazem, lutam em guerras. Como alguém me disse no outro dia, eles venceram Hitler. Derrotaram Napoleão. É isso que eles fazem»
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27.Set.24 - Durante uma aparição ao lado de Zelensky, Kamala Harris sugeriu que o seu oponente republicano forçaria a Ucrânia a ceder território aos invasores russos, alinhando com as exigências do Presidente Vladimir Putin.
Harris - «Com toda a franqueza, partilho consigo, Sr. Presidente (Zelensky), que há algumas pessoas no meu país que forçariam a Ucrânia a ceder grandes partes do seu território soberano, que exigiriam que a Ucrânia aceitasse a neutralidade e que exigiriam que a Ucrânia renunciasse a relações de segurança com outras nações. Estas propostas são as mesmas de Putin e, sejamos claros, não são propostas de paz. Pelo contrário, são propostas de rendição, o que é perigoso e inaceitável.»
Poucos dias antes do início da invasão russa, em Fevereiro de 2022, a vice-presidente encontrou-se com Zelensky na Conferência de Segurança de Munique, onde os dois discutiram o reforço militar da Rússia em torno da Ucrânia e a possibilidade do início de uma guerra.
No seu discurso na Convenção Nacional Democrata no mês passado, Harris lembrou:
“Cinco dias antes de a Rússia atacar a Ucrânia, reuni-me com o Presidente Zelensky para o avisar do plano de invasão da Rússia. Ajudei a mobilizar uma resposta global - mais de 50 países - para nos defendermos da agressão de Putin. Como Presidente manter-me-ei firme ao lado da Ucrânia e dos nossos aliados da NATO”.
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Quando Zelensky deixou a Ucrânia em direcção a Nova Iorque tinha marcado na agenda algumas entrevistas, uma rápida passagem por Capitol Hill e três ocorrências: A Assembleia das Nacões Unidas, o encontro com Biden e Harris e um encontro com Trump, enquanto candidato presidencial.
Durante uma entrevista ao New York Times, Zelensky, respondendo às múltiplas declarações de Trump dizendo que acabaria com a guerra na Ucrânia em 24h, Zelensky disse: “A minha sensação é que Trump não sabe realmente como parar a guerra, mesmo que pense que sabe como o fazer”.
Numa entrevista ao The New Yorker, publicada no passado domingo, Zelensky considera o candidato a vice-presidente JD Vance “demasiado radical”. “A sua mensagem parece ser a de que a Ucrânia tem de fazer um sacrifício. Isto leva-nos de volta à questão do custo e de quem o suporta. A ideia de que o mundo deve acabar com esta guerra à custa da Ucrânia é inaceitável. Para nós, estes são sinais perigosos, vindos de um potencial vice-presidente”.
Após a entrevista Trump desmarcou o encontro. Na quarta-feira a birra ainda não lhe tinha passado, como fez questão de declarar (ou declamar?) : «O Presidente da Ucrânia está no nosso país. Ele está a fazer pequenas calúnias maldosas contra o vosso presidente favorito, eu»
Como as birras não são coisa que um candidato presidencial deva ter com conhecimento público, alguém o deve ter convencido a alterar essa desmarcação. Numa evidente atitude de "Se ele pedir muito..." Trump publicou esta quinta-feira na sua rede social, Truth Social, o que parecia ser uma comunicação privada entre o vice-embaixador ucraniano e um seu assessor pedindo para transmitir uma mensagem de Zelensky ao antigo presidente e pedindo para se encontrar com Trump, mas não indicou no post se se iria encontrar com o presidente ucraniano.
Haverá encontro? Não haverá? A trama adensa-se... 😬
Zelensky já deveria ter partido dos Estados Unidos, mas ficará mais um dia para facilitar o encontro, segundo fonte familiarizada com os seus planos. É tem razão, aposto as minhas fichas todas que o outro não perderá a oportunidade de mostrar como é encantador e conhece o Putin como ninguém.
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Entretanto Biden
Biden ordenou um aumento da assistência à Ucrânia, dando instruções ao Pentágono para atribuir todos os fundos restantes já aprovados pelo Congresso antes de deixar o cargo, na esperança de posicionar Kiev para a vitória, independentemente do vencedor das eleições presidenciais americanas de novembro.
Falando aos jornalistas ao lado de Zelensky pouco antes do encontro privado na Sala Oval, Biden disse: “Isto irá reforçar a posição da Ucrânia em futuras negociações. Os EUA e os aliados têm de apoiar a Ucrânia no seu caminho para a adesão à UE e à NATO e continuar a fazer reformas para combater a corrupção assegurando que o país é capaz de repelir quaisquer futuros ataques russos.
Prometeu a continuação do apoio dos EUA aos esforços de recuperação e reconstrução do país, em alguns casos “utilizando também activos russos”, confiscados no âmbito das sanções em vigor
Biden disse que estava a aprovar novas armas de longo alcance, mísseis Patriot e formação para pilotos de caça, e planeia reunir os líderes ocidentais no próximo mês na Alemanha para coordenar os seus esforços no sentido de ajudar a Ucrânia a alcançar a vitória. Publicamente não concedeu à Ucrânia autorização para disparar armas de longo alcance fornecidas pelo Ocidente para o território russo, uma linha que Biden não gostava de ultrapassar, mas à qual parece estar mais aberto, uma vez que tem estado sob crescente pressão para ceder.
Pergunto-me se esta alteração política e estratégica alguma vez será anunciada publicamente.
Durante a visita às Nações Unidas Biden declarou perante um enxame de jornalistas: «A minha administração está determinada a garantir que a Ucrânia tem o que precisa para prevalecer na luta pela sobrevivência. Amanhã, anunciarei uma série de acções para acelerar o apoio às forças armadas ucranianas - mas sabemos que a futura vitória da Ucrânia é mais do que aquilo que acontece no campo de batalha, é também aquilo que os ucranianos fazem para tirar o máximo partido de um futuro livre e independente, pelo qual tantos se sacrificaram”»
O Ponto de Não Retorno é uma expressão usada habitualmente em aeronáutica para designar um ponto, num trajecto, a partir do qual já não é possível voltar para trás, normalmente por falta de combustível; É usado metaforicamente para identificar uma situação ou comportamento em que foi atingido um ponto cujas consequências não podem já ser prevenidas ou evitadas
Ou seja...
Toda e qualquer tentativa de alterar um destino para o qual se converge só tem hipóteses de êxito se tomada antes de ser atingido o Ponto de Não Retorno.
Em linguagem muito simples: Se não desejarmos chegar após o anoitecer a um lugar que fica a 1h de caminho teremos se iniciar a caminhada pelo menos 1h antes do anoitecer
Neste momento começa a fazer-se tarde... A noite anuncia-se, a escuridão pressente-se
«O secretário de Estado, Antony Blinken, passou os últimos três dias - à margem da reunião anual de líderes mundiais da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque -- a procurar o apoio de outros países para o seu plano de paz regional.
Os EUA apresentaram uma proposta de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah para travar a escalada do conflito no norte de Israel e no sul do Líbano, informaram esta quarta-feira as autoridades norte-americanas.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, também referiu que estão a ser feitos "esforços sérios" para uma solução política com vista a alcançar uma trégua no confronto entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, acrescentando que "As próximas 24 horas serão decisivas para o sucesso ou fracasso destes esforços para alcançar uma solução política"»fonte - AgênciaLusa
As próximas 24 horas serão decisivas...
As "próximas 24horas" estão passando, esta quinta-feira, dia 26/09, e o que aconteceu? Sumariamente:
O chefe do exército israelita informou que as forças armadas estão a preparar-se para uma possível incursão terrestre no Líbano. As declarações foram feitas no momento em que as FDI anunciaram a convocação de duas brigadas de reserva “para missões operacionais no sector norte”.
Israel e o Hezbollah trocaram vagas de ataques enquanto o conflito se agrava. No Líbano, e em apenas 3 dias, cerca de 90.000 pessoas tiveram de abandonar as suas casas. As forças armadas israelitas prometeram acelerar as suas operações ofensivas contra o Hezbollah sem qualquer trégua.
Os EUA, o UK e vários países da UE encontram-se a trabalhar interruptamente para ser estabelecido um acordo diplomático visando uma trégua de 21 dias na fronteira israelo-libanesa que permita o avanço de sequentes negociações e a retoma de conversações sobre um acordo de cessar-fogo em troca de reféns em Gaza.
Mas...
Este desesperado esforço só terá sentido se houver vontade política, e pessoal, entre as partes em conflito. Se...
Enquanto o embaixador de Israel na ONU diz aos jornalistas que o seu país acolheria de bom grado um cessar-fogo e que prefere uma solução diplomática, o chefe do exército diz que os ataques israelitas no Líbano têm como objectivo preparar o terreno para a possível entrada de tropas e, dirigindo-se aos soldados, acrescentou : “As vossas botas... entrarão em território inimigo”.
"Território inimigo"? A grande maioria dos libaneses não engole o Irão nem com molho de tomate servido em salva de ouro, são eles as primeiras vítimas da sua política internacional.
O Hezbollah tem aguardado uma "justificação" para atacar Israel para além da guerrilha fronteiriça. Hoje, pela primeira vez, atacou Tel Aviv com um míssil
Israel tem provocado o Hezbollah para além dos limites do aceitável porque Netanyahu precisa, pessoalmente, prolongar um estado de guerra e a situação em Gaza já é tão miserável que dificilmente lhe poderá assegurar a continuidade bélica
Porém...
O Hezbollah não é o Hamas... O Hezbollah é o mais potente "exército" não pertencente a um Estado E... Não é filho mas é afilhado. Israel não tem capacidade para enfrentar o afilhado dilecto do Irão.
No sábado passado o Irão fez desfilar as suas últimas produções de armamento; nem é necessário ser "bom-entendedor" (vídeo)
Netanyahu está perfeitamente consciente de que arrastará os EUA, e não só, para uma guerra no Médio-Oriente se for desencadeada em larga escala. O Irão marca presença no Líbano, na Síria, no Iraque, no Yemen e, de alguma forma em Gaza. Obviamente que não será permitido ao Irão estender os seus tentáculos de Estado teocrático radical do Golfo Pérsico até ao Mediterrâneo sem a menor resistência pelo meio E depois há aquela questão entre Xiitas e Sunitas...
Começa a fazer-se tarde... A noite anuncia-se, a escuridão pressente-se.
Como se não bastasse... A cereja olha ávida para o topo do bolo
Faltam, hoje, 41 dias para que o potencial Ponto de Não Retorno se possa, ou não, transformar no Ponto de Aceleração em direcção ao abismo; Tendo em conta o discurso de Zelensky na Assembleia das Nações Unidas e a conversa que terá com Biden e Harris, para apresentar os seus planos de combate para vencer a Rússia, a sua visita a Trump, enquanto potencial futuro presidente dos EUA, foi desmarcada (talvez por Zelensky não levar os tais planos debaixo do braço vá-se lá entender por quê) ; mais... durante uma entrevista ao New York Times Zelensky disse: “A minha sensação é que Trump não sabe realmente como parar a guerra, mesmo que pense que sabe como o fazer”.
O camarada Trump não aguentou mais não ser explicito, a versão do debate com Kamala - o mini-video aqui - já não foi suficiente, vociferou todo o ódio que tem trazido contido a tanto custo; ele tem de provar a Putin que merece os esforços feitos e a sua confiança:
«A Ucrânia está obliterada, com vilas e cidades que desapareceram e que nunca poderão ser reproduzidas. Temos dado biliões de dólares a um homem que se recusa a fazer um acordo. Milhões e milhões (!?!?!) de pessoas morreram, a Ucrânia está a usar crianças e velhos, uma vez que as suas forças armadas estão a sofrer uma escassez de soldados.»
«Mas estamos presos nessa guerra a menos que eu seja presidente. Eu vou conseguir. Vou negociá-la. Eu saio. Temos de sair. Biden diz que não sairemos até ganharmos. O que é que acontece se eles (os russos) ganharem? É isso que eles fazem, lutam em guerras. Como alguém me disse no outro dia, eles venceram Hitler. Derrotaram Napoleão. É isso que eles fazem»
"But we're stuck in that war unless I'm president. I'll get it done. I'll get it negotiated. I'll get out. We got to get out. Biden says we will not leave until we win. What happens if they win? That's what they do, is they fight wars. As somebody told me the other day, they beat Hitler. They beat Napoleon. That's what they do."
Há outro Ponto, para além do de Não Retorno; enquanto este marca o momento em que um futuro se torna inevitável, há um outro que, se escolhido a tempo, revoga a inevitabilidade, altera o futuro; um que requer coragem, visão, compreensão, persistência e é frequentemente um ponto de salvação:
é o Ponto de Viragem. Se no Médio-Oriente o inevitável parece ascender a cada dia, na Ucrânia o inacreditável acontece há mais de dois anos e meio. É impensável que possamos assistir à vitória de um invasor diabólico graças a um homunculo de alma vendida
Quando alguém que preenche um lugar no lado luminoso da nossa vida parte, somos assaltados por sentimentos mas dificilmente apreendemos o legado da vida que deixou, esse requer um ponto de observação que só se encontra um pouco mais além no tempo, uma perspectiva desnevoada de emoções e imbuída de visão global
Hoje fui "apanhada" por um vídeo que relembra a vida da rainha Isabel II feito quando se cumpriu o primeiro ano sobre a sua morte e retransmitido agora, mais um ano passado. Que pessoa notável, um inegável exemplo do "Primus inter pares", e além deles.
Deixo-o aí abaixo juntamente com outro que aqui publiquei por ocasião do seu inesquecível Jubileu de Platina - 70 anos de reinado - em Junho de 22, três meses antes da sua morte.
CLICL PARA AUMENTAR (publicado no The Guardian - Set.22)
Hoje resolvi que sou prémio Nobel da Astrofísica. Sou sim. Há quem ache que não? Quero lá saber, eu digo que sou e acabou a conversa.
A negação deste facto é "ultrajantemente falsa e podem repetir essa mentira indefinidamente que isso não a tornará verdade".
Agora é assim, vive-se assim. A verdade é apenas uma versão de quem está contra o que um qualquer manhoso resolve inventar, cabalas negras contra as vitimas da má vontade do mundo; é assim com Putin, é assim com Trump, é assim com Netanyahu (sim, há mais mas estes 3 estão na berra e abusam de descaramento)
Quantos civis morreram em Rafah e no Corredor de Filadelfia? Duas dúzias, dito e repetido (11 segundos depois eram só 20 civis) Morreram apenas estes civis porque atenderam aos avisos do exército de Israel e deixaram os locais que foram bombardeados. Netanyahu dixit - 04/Set./24
(Vídeo abaixo, com tradução, para os incrédulos como eu)
Pergunta do repórter Jeremy Diamond da CNN Internacional:
«More than 40,000 Palestinians have now been killed in Gaza, a majority of whom are civilians, and these numbers are from the Palestine Ministry of Health but they are backed up by the United States, by international organizations. Humanitarian conditions in Gaza have degraded so much that diseases like polio and hepatitis-A are now spreading. We have seen countless children be orphaned. We have seen countless mothers lose their children. How much is too much, sir?»
Resposta de Netanyahu ,
não à pergunta feita sobre Gaza, sabe-se lá porquê, mas fixou-se em Rafah e no corredor de Filadelfia (após um notável discurso introdutório que se encontra na integra no vídeo)
«We're fighting this war in a just war with just means. In fact, with means that no other army has as over form, no other army has done, has taken the precautions that Israel has taken, sometimes at great risk, to make sure that we minimize the number of casualties.»
«How many civilians died? I asked the commander of the division that did the Rafah operation and the Philadelphia border. He said, Prime Minister, there are hardly any civilian deaths because everybody left.(+71.000 hab.) They heeded our warnings. But he said there were probably two dozen, two dozen! And most of them occurred when one of our bombs hit, Hamas ammunition depot that was planted inside a residential area.40 people died. About 20 were terrorists, but 20 were civilians. And he said, that's most of the deaths. That's the lowest ratio of noncombatants to combatants in the history of urban warfare. That's it.
You can say anything that doesn't make it true. You repeat a lie over and over and over again. It assumes the cachet of self-evident truth. But it's false. Israel is doing and the Israeli army is doing something that no other army has done in history. And we'll continue to do that. I'm not going to change my policies, humanitarian policies, vaccination policies, combat policies to minimize civilian casualties.»
Não se me oferecem comentários, confesso que isto está muito além da minha capacidade de entendimento, sou Nobel de Astrofísica, não de Psiquiatria. Só me pergunto... Mas este gajo não vê os noticiários do mundo inteiro? Aaahh pois, estão todos a mentir contra ele, já me esquecia.
Russia's Wagner Group troops have been active in Venezuela since 2019, when they were sent to support President Nicolas Maduro after a disputed election. Recent footage circulating on social media allegedly shows them flanking police forces amid ongoing post-election protests. / bne IntelliNews
RESULTADOS ELEITORAIS POR ESTADO, MESAS DE VOTO, NÚMERO DE ELEITORES, NÚMERO DE VOTANTES E PARTICIPAÇÃO - AQUI
Pasmei ao ouvir JD Vance, o invertebrado desossado reguila que quer ser vice do bode maligno, explicar por que é que o governo dos Estados Unidos conseguiu a libertação de prisioneiros pela Rússia numa declaração clara e sucinta :
"Os gajos maus no mundo inteiro (bad guys all over the world) reconhecem que donald trump está prestes a voltar à presidência e querem limpar a casa. Penso que é um bom teste da força de donald trump"
Estavam 6 pessoas em torno da mesa do programa, democratas e republicanos, quando o clip de Vance foi transmitido, a única que não estoirou em gargalhada foi a pivô do programa que fez "aquela cara" e sentiu que era melhor explicar-se: "Bem, a tarefa dele é apoiar o candidato e não posso deixar de o aplaudir nessa difícil tarefa"
Só não sei se o bode achou graça a essa dos "gajos maus"...
Gajo mau, o Putin? Hum... 😉
Estes tipos são uns pândegos, é como visitar um manicómio, por triste que seja não se consegue deixar de gargalhar perante o absurdo das tiradas que inventam
O governo dos Estados Unidos, em concertação com outros 6 países - governos, diplomatas, agentes de Inteligência, agências de segurança, negociadores - e a Turquia como interlocutor onde teve lugar a troca; primeiro conseguiu a colaboração europeia que envolveu os 7 países entre os quais os EUA, a Alemanha, a Eslovénia, a Polónia e a Noruega , depois o seu difícil acordo e, por fim, a negociação da libertação pela Rússia de 24 prisioneiros, e duas crianças, contra 8 russos presos no ocidente, tendo em conta que Putin previligia canais de Inteligência sobre os políticos e diplomáticos.
Há uma explicação sim mas não passa pelo manicómio nem pelos seus ilustres líders. Passa em primeiro lugar por um assassino FSB, preso na Alemanha, que Putin abriga no seu obscuro músculo cardíaco desde os seus tempos de KGB; Passa pela razão que levou Putin a fazer prisioneiros: ter moeda para as trocas que desejava; Passa pelo tumulto que a morte de Navalny provocou em Fevereiro passado e pela morte iminente de Vladimir-Kara-Murza que traria mais uma monumental convulsão; Passa pelas alianças internacionais e o respeito pela persistência e diplomacia de Biden; E passa por fragilidades que Vance nem sonha, que o bode nem quer ouvir falar
Quanto às críticas por se tratar de uma troca, Biden pôs o dedo na frida:
"Eu não acredito em que devemos deixar pessoas apodrecer na prisão porque outras podem vir a ser presas. Temos de fazer o possível por o evitar e, se acontecer, temos de os ir buscar".