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Rei ou Presidente?
10 de Março de 2008

República ou Monarquia?
Paulo Teixeira Pinto, presidente da Causa Real, enfrenta António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano.
Ética republicana ou ideais monárquicos? O que divide hoje os dois regimes? As experiências europeias…Fundamentos e valores políticos…Paulo Teixeira Pinto, Gonçalo Ribeiro Telles, António Reis, Medeiros Ferreira e um conjunto alargado de personalidades monárquicas e republicanas


Não é meu intuito escrever um “artigo de opinião” sobre o que ontem à noite foi dito no “Prós e Contras” que teve por mote “Rei ou Presidente?”.
Primeiro porque opiniões há muitas e não me apetece armar-me em palerma com tiques de doutrinária do povo que me lê (Huauu! Esta foi fixe). Parto do terráqueo princípio de que cada um saberá muito bem o que pensar das coisas. Quanto a discuti-las, isso sim, mas não é aqui nem assim. Para se conversar é necessário, pelo menos, um interlocutor, mais ainda quando se discutem ideias oponíveis. Pretendo apenas deixar um brevíssimo comentário ao que, contas feitas, me ficou do programa.

Ficou mais mas não me parece particularmente proveitoso fazer o rol do que penso sobre que disseram os vários intervenientes, quem quis ouviu ou pode ainda ouvir.
“De passagem” posso dizer que o monárquico Luís Coimbra me surpreendeu, pela positiva. Há largos anos que não o ouvia tão racional.
Também o republicano António Costa Pinto esteve francamente bem; não concordo com tudo o que disse mas foi inteligente, mostrou-se sensível a muito disparate que por aí esteve pelo centenário do regicídio, lógico.
Elegi como “Bronco da Noite” o Daniel Oliveira, não por ser republicano, e deixa-o lá estar, mas por ser bronco; ele acha fútil o parlamento discutir uma coisa que se passou há 100 anos... E porquê? “Porque no parlamento só se discute política. No parlamento só se fazem propostas de pesar, sobre qualquer coisa, por causa da política presente, ninguém no parlamento faz propostas de pesar sobre outra coisa que não seja a política do momento. Isto é assim, pode ser bom, pode ser mau mas é assim” . Aí está um bom argumento! Isto tendo começado a sua elucidativa intervenção dizendo que Portugal teve de olhar para os 48 anos de ditadura, foi obrigado a isso, teve de construir a partir d’aí” (SIC) Daí, segundo Daniel, a futilidade...Hum !
Gostei francamente de ouvir o António Sousa Cardoso dizer, a propósito da derrota eleitoral sofrida pelo Partido Republicano com 7% dos votos: “Há uma coisa que eu garanto aqui, é que os monárquicos portugueses não restaurarão a monarquia através de uma revolução violenta como os republicanos o fizeram nessa altura”.

O debate foi um bom princípio, mas só, e válido enquanto princípio; Venha o que falta!

Não me pareceu que os republicanos apresentassem um só argumento de peso, sustentável num debate sério e fundamentado no conhecimento da historia, alicerçado em factos irrefutáveis – as economias mais prósperas, as sociedades menos problemáticas, os regimes democráticos mais estáveis e o encontro real, na prática, de direitos, liberdades e garantias consignados em qualquer código Humanista, encontram-se em Países que se desenvolveram sob uma vigência monárquica.
E mais...
Se for dada oportunidade a um povo de constatar e compreender o que se encontra a montante das qualidades de um Monarca, de uma Pessoa como, por exemplo, e por ser um excelente e próximo exemplo, o Senhor D. Duarte, e a jusante da sua praxis, serão vencidas as doutrinas falsamente libertadoras que se desenvolveram, também elas, num passado já longínquo, pretendendo acusar o regime monárquico de ser a causa de toda a miséria, atraso e desgraça. Inflamaram a inveja dos que pouco ou nada possuíam tapando-lhes as mentes com riquezas e privilégios fidalgos. Instigaram com belíssimas promessas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade...
Vejamos onde estamos hoje. A Liberdade e a Igualdade vão sobrevivendo, por vezes a muito custo, muitas vezes vividas; a Fraternidade... bem uns são mais irmãos do que outros e a maioria não sabe quem é o pai.
Quanto à Humildade, que supostamente será condição de “um governo pelo povo e para o povo”, que terá de ser o terreno fértil de onde poderão florescer as três graciosas conquistas populares e democráticas, essa nem sequer ficou no tinteiro esperando ser, algum dia, escrita por punho verdadeiro em documento sério, essa, dizia , evaporou-se.

Melhor do que eu o poderei fazer, exprimiu-o Paulo Teixeira Pinto nas suas palavras de encerramento:
“Não conheço ninguém na classe política em Portugal que tenha um atributo, para não dizer uma virtude, tão rara que é uma palavra em desuso, que é a da humildade, não conheço ninguém que a tenha dom tão elevado como o Senhor D. Duarte, e digo isto não para o elogiar mas para lembrar que a humildade vem da característica do que é Húmus, do que fertiliza. É desse exemplo de humildade que eu acredito que no futuro haverá possibilidade de voltarmos a discutir isto numa base diferente.”

Relativamente ao argumento final expresso por António Reis – e que me pareceu o seu argumento definitivo – de que a ausência de um Órgão de Topo eleito, o Presidente, seria como a ausência de "um fecho de abóbada de qualquer regime democrático (...) existindo assim um deficit democrático por não legitimarem (os Estados Monárquicos) democraticamente o mais alto cargo público de uma sociedade que é o de Chefe de Estado" (SIC)
Pergunto-me se não passará pela cabeça de António Reis que o "edifício democrático" não precisa de "abobada" alguma que o converta num edifício do qual será ausente a Luz natural, que tanto se busca, que o encerrará aos sons do mundo que o rodeia. Quanto a mim nem "portas" deveria ter, muito menos "tecto" – É bom que os habitantes deste edifício, homens e mulheres que constituem o universo social, político e inteligente, saibam, sem disfarces, quando "está de chuva"... Talvez o Grão-Mestre passe demasiado tempo "entre colunas".

O que é imprescindível ao edifício democrático é um “cimento” que mantenha unidas as diversas “pedras” que o constituem, os diversos “materiais” empregues e as diversas “teorias” subjacentes à sua construção e manutenção. Um “cimento” alheio à(s) politica(s) e à saudável rotatividade democrática, nascido em comunhão com o seu povo. Se os nobres pertencem ao Rei, o Rei pertence ao povo e esta é uma pertença de Alma, de Destino, não é, nem pode ser, eleitoral.

Como momento alto, não posso deixar de referir ainda outras palavras “de toque” de Paulo Teixeira Pinto:
“É muito difícil, para não dizer impossível, usar algum argumento contra um Preconceito. Nós estamos no território dos preconceitos muito mais do que no território dos argumentos”

Esta parece-me a grande questão: “monarquia, o quê, voltar para trás?” Se for vencido o preconceito, batalha árdua e ofensiva de interesses inconfessos, os argumentos serão facilmente compreendidos por um povo fartinho de ver uma classe política que vive na “reinação” dos seus “incensuráveis” privilégios. E a coisa não é de agora...

O programa, na integra, está disponível na RTP dividido em 3 partes/ videos

1ª parte - http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=20236

2ª parte - http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=20236

3ª parte - http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=20236

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