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DEMOCRATICAMENTE À FORÇA

Nos anos 60 apareceram uma serie de rábulas revisteiras gravadas em discos de 45rpm pelo Raúl Solnado. A maioria das pessoas com mais de 40 anos lembra-se disto com certeza. Algumas frases ficaram conhecidas e, durante muito tempo, foram citadas nas mais variadas situações por muitos portugueses, eram uma espécie de "piádas privadas" nacionais.
Desta rábula que deixo aqui abaixo ficaram muitas "frases feitas" como:

  • Mas a minha mãe foi a Évora...
  • Foi um senhor de castanho que passeia no corredor...
  • Pois, dizia a minha irmã Jorgina que gostava muito de dizer coisas...
  • Leve-me ao Estádio da Luz...
  • Lá em casa havia sopa, gravatas e tudo...
  • Parece um engenheiro hidráulico de olhos verdes...




Vem isto a propósito de uma outra outra rábula na qual surgia uma frase que ficou "p'rá história":

"Meu filho, quer queiras quer não queiras vais ser bombeiro voluntário"

E perguntam vocês:
Mas porque foi ela agora lembrar-se disto?

Ah...Foi por causa de umas declarações do Presidente do Governo Regional dos Açores. Pois! Nem mais.

«Para "proteger" a democracia
Carlos César defende voto obrigatório em Portugal
28.05.2009 - 11h11 Lusa
O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, defendeu hoje o voto obrigatório nas eleições em Portugal como forma de “proteger” a democracia e aumentar a responsabilidade dos políticos.

“Defendo o voto obrigatório porque, se a democracia não se proteger, quando precisarmos de autoridade democrática, ela será precária e, quando precisarmos de decidir, duvidaremos sempre da legitimidade das decisões”, afirmou Carlos César

Espera aí... Para defender a democracia torna-se o voto obrigatório?

Deixa-cá-ver-s'eu-percebi...

A abstenção irrita-me, de certa forma choca-me.
As pessoas abstêm-se mas querem ter opiniões, querem ter a liberdade de as expressar, querem "ter voto na matéria" mas acham que não "vale a pena" votar, que "são todos uma cambada e lá não me apanham", ou simplesmente não estão para isso.


Dar um direito nosso "de barato", prescindir do exercício da liberdade de escolha e de opinião com se esta pudesse ser tomada por certa é algo me me faz uma confusão tremenda.

Muitos dos "abstencionistas militantes" que conheço, senão todos, sentir-se-iam (intelectualmente) lesados e desrespeitados senão tivessem direito de voto. Pois...

Agora...

Daí a "quer queiras quer não queiras tens de exercer um direito democrático"...

Olha que gaita, e se alguém não quiser ser democrata? Tem de democraticamente votar em branco? Em tinto? Escrever impropérios no boletim de voto?
E os anarcas? Onde ficam os direitos dos anarcas, essa franja plena de sentido de humor da cena política nacional?

E esta obrigatoriedade "a bem da democracia", é para aumentar a responsabilidade dos políticos (que estupidez...) ou para um tipo não se sentir incomodado por ter sido eleito por meia dúzia de gatos?
Talvez passe secretamente pela tôla de Carlitos que a malta que se abstem o faz por estar desiludida com o poder e não vota porque também não quer mesmo votar pela oposição?

Ó Carlos César... vê se t'enxergas, meu..


(Se quiserem ler alguma coisa levada a sério sobre este fenómeno reflectido nas declarações do CêCê sugiro que visitem o
http://outrasmargens.blogspot.com/2009/06/obrigados-votar.html
Eu confesso que não tenho pachorra para atentar na coisa com um mínimo de seriedade. Já dei...)

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