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NÃO É DOIDO, É ÓBVIO

Ainda há poucos dias deixei aqui um pequeno excerto de um artigo do economista Camilo Lourenço, hoje volto à carga. Não é meu hábito: as pessoas lêem jornais, ouvem rádio... Além disso não me tomo por arauto de ninguém.

Em fins de Agosto, falando de Camilo Lourenço, disse AQUI  que « muitas vezes concordo e outras quantas nem por isso  -  não das suas análises económicas, não tenho conhecimentos para tanto, mas das suas abordagens politico-sociais  -  e vejo escarrapachado exactamente aquilo que penso.»
Pois é, aconteceu outra vez, este tipo enche-me as medidas, logo a mim que não sou grande apreciadora de economistas.

Não vou sequer comentar o que ele escreveu desta feita, é perfeitamente desnecessário; ponho apenas algumas frases a negro para "juntar a minha à sua voz" .


Indignação com os impostos? Boa...! 
08 Outubro 2012
Camilo Lourenço

«Na conferência de imprensa em que apresentou as linhas básicas do Orçamento para 2013, Vítor Gaspar falou três vezes em "enorme aumento de impostos". Quem tivesse caído de pára-quedas em Portugal, e não conhecesse o ministro, ficaria a pensar que está doido. Afinal nenhum ministro gosta de ir ao bolso aos cidadãos com a violência com que Gaspar se prepara para fazer. E, quando o faz, disfarça isso muito bem no discurso. Ora Vítor Gaspar não só não fez... como fez questão de chamar a atenção para o assunto.

Como na referida conferência de imprensa não pude interrogar o ministro sobre o assunto, o que vou dizer a seguir é da minha exclusiva responsabilidade: Gaspar planeou tudo o que disse ao milímetro. Ele queria mesmo dizer aquilo. Porquê? Porque queria mandar uma mensagem clara para dentro e fora da coligação: ou cortamos despesa... ou aumentamos impostos. Porque os compromissos que assinámos com quem nos empresta dinheiro são para cumprir. Sobretudo agora, em que nos deram mais tempo sem dar mais dinheiro. Ou seja, se não convencermos quem o tem para nos emprestar, ficamos rotos. Mesmo antes de Setembro de 2013...

A reacção habitual, de dentro e fora da coligação, é dizer: então vamos ao corte de despesa. "Easier said than done": todos os esforços para fazer cortes profundos na despesa, nomeadamente na despesa corrente, caem em saco roto. Dentro e fora da coligação. Veja-se a indignação do Presidente da República e de António José Seguro (fora as outras luminárias, inclusive no PSD e CDS...) com o corte de subsídios no universo do Estado, a que o Tribunal Constitucional deu o devido seguimento... 

Moral da história: nenhum liberal, como Gaspar, tem prazer em aumentar impostos. Mas qualquer liberal sabe que não pode deixar o défice disparar. Nem que para isso tenha de ir buscar mais receita. Não gostam? Então mexam a sério na despesa. Acabou-se o tempo do "empurra com a barriga".»


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