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A SUBTIL METAMORFOSE

 A NATO implementou uma mudança decisiva relativamente à hierarquia e cadeia de comando responsável pela liderança das forças da NATO em crises e conflitos, apesar de discreta em termos de projecção nos media... A Reuters deu uma notícia parcial:

«Os Estados Unidos vão transferir dois dos principais postos de comando da NATO - em Nápoles, Itália, e Norfolk, Virgínia - para oficiais europeus. A medida está em linha com as exigências do presidente norte-americano para que as nações europeias assumam mais responsabilidade pela sua própria segurança. » 

No entanto a realidade não está em consonância com "exigências de Trump", no contexto militar o panorama é outro: Foram retirados aos EUA  o comando de todos os três Comandos de Força Conjunta de nível operacional, os quartéis-generais de quatro estrelas que lideram em crises e guerras. "Pela primeira vez desde a fundação da NATO, todos os principais comandos operacionais serão liderados por oficiais europeus".

Este "foram retirados" - contrariando a versão de Trump "os Estados Unidos vão transferir" -   é adoçado quanto baste para manter o compromisso dos EUA com a Aliança Atlântica mantendo o seu comando nos comandos de componentes de teatro de guerra.
Porém...
Deixa claro o término da dependência das forças aliadas europeias da concordância operativa dos EUA, ou seja,  nas operações tácticas do dia-a-dia, os europeus estão agora no comando, o que significa que responder a um ataque convencional, híbrido ou cibernético já não exige ligar para Washington, onde a decisão se tem vindo a resumir repetidamente a: qual a melhor resposta tendo em conta os interesses americanos (da administração americana) envolvidos

«A 6 de Fevereiro de 2026, os Aliados concordaram com uma nova distribuição de responsabilidades de oficiais superiores na Estrutura de Comando da NATO, na qual os Aliados europeus, incluindo os membros mais recentes da NATO, desempenharão um papel mais proeminente na liderança militar da Aliança.

O Reino Unido assumirá o comando do Comando Conjunto de Norfolk e a Itália fará o mesmo com o Comando Conjunto de Nápoles, ambos, até agora, liderados pelos Estados Unidos. A Alemanha e a Polónia partilharão o comando do Comando Conjunto de Brunssum em regime de rotatividade. Como resultado, todos os três Comandos Conjuntos, quartel-general operacional de quatro estrelas da Aliança, responsável por liderar as forças da NATO em crises e conflitos, será comandado por aliados europeus.

Os Estados Unidos liderarão todos os três comandos de componentes de teatro, assumindo a responsabilidade pelo Comando Marítimo Aliado e mantendo a liderança do Comando Terrestre Aliado e do Comando Aéreo Aliado.

O acordo faz parte de uma mudança para uma distribuição mais justa das responsabilidades dentro da NATO, com os Aliados europeus a assumirem papéis de liderança mais importantes no Comando da NATO. Estrutura, ao mesmo tempo que deixa claro o compromisso dos EUA com o comando e controlo da NATO, incluindo a manutenção do papel de Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR)»

Os efeitos desta alteração já se fazem sentir?

Se lermos nas entrelinhas, se observarmos com atenção focada...

Quando Trump partiu de Whashington para Davos, 2 horas depois do previsto, para estar presente ao Forum Económico Mundial, reivindicava a posse da Gronelândia " a bem ou a mal". Já na Suíça teve uma agradável reunião com o Secretário- Geral da NATO, tratado nos bastidores como "o domador" ou tal como Jens Stoltenberg antes dele, o "Trump-whisperer".  Depois Trump discursou e, no meio dos auto-elogios e mentiras, disse a única coisa que interessava: "Não vou invadir a Gonelândia". Foi iniciado um processo para o estabelecimento de um acordo com os EUA que garantisse a defesa da região ártica  e Alto Norte face ao crescente interesse chinês e russo na área. Dificilmente os EUA se poderiam opor a isto. 

Esta passada semana, três semanas após a concretização do acordo, o secretário-geral da NATO anunciou uma nova operação de vigilância, "Sentinela do Árctico", que irá reforçar significativamente a  defesa da região.
Segundo Rutte, o lançamento desta operação é a demonstração de que todos os 32 aliados partilham a "preocupação com a segurança do Árctico expressa pelo Presidente dos EUA e reconhecem a necessidade de fazer mais".  De facto muito mais é feito...  Como Mark Rutte fez questão de afirmar, a Sentinela do Árctico "decorrerá em múltiplos domínios directamente sob a autoridade do Comandante Supremo Aliado da Europa, para garantir que esta parte vital do território da NATO esteja segura e protegida". Que o leia quem souber ler.

Este fim de semana estará a decorrer a anual Conferência de Segurança de Munique, onde, em 2025 JD Vance fez um dos mais desastrosos, arrogantes e lamentáveis discursos de que há memória na história do mundo ("Cedam às forças que devem tomar o comando, não se oponham à manipulação dos povos, colaborem e manterão o vosso poder e o nosso apoio")

Este ano, no meio de 60 chefes de Estado e a líder da União Europeia, os EUA fazem-se representar pelo secretário de Estado Marco Rubio... Ilações?
A adivinhação não é o meu forte mas apostaria que este sábado os EUA se farão ouvir num recorrente "America First". 

Rutte fez-se ouvir à chegada a Munique: "A NATO precisa se tornar mais europeia para continuar a ser transatlântica."

Ecos dos primeiros discursos na Conferência de Segurança de Munique
salientados pela Comunidade de Inteligência  Europeia:

«O Chanceler Merz acredita claramente que a Europa precisa de se fortalecer, como afirmou no seu discurso de hoje, ao declarar que a velha ordem mundial “já não existe”, adoptando um tom muito mais duro contra os EUA, que, segundo ele, podem ter “desperdiçado” a sua pretensão à liderança global. O Presidente francês, Emmanuel Macron, fez coro com o ministro dos Negócios Estrangeiros Merz no seu próprio discurso, defendendo que a Europa se torne uma “potência geopolítica” “menos dependente” dos EUA e da China, mas que continue a ser “um bom aliado e parceiro dos EUA”.»






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