No início de 2026, após a invasão da Venezuela para prender Maduro, o governo dos EUA começou a gerir o envio e a venda de 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, Segundo a própria administração, estes 50 milhões de barris são apenas o primeiro lote e os envios vão continuar indefinidamente. Para Trump isto é justíssimo porque a Venezuela tem estado a "roubar" activos petrolíferos americanos no solo venezuelano.
Os EUA estão a flexibilizar as sanções selectivamente, permitindo o transporte e a venda deste crude nos mercados globais . Os lucros destas vendas são controlados pelo governo dos EUA para garantir que beneficiam "tanto os EUA como a Venezuela".
A Chevron foi autorizada a exportar até 150.000 barris de petróleo venezuelano por dia e controla o envio de petróleo venezuelano para os EUA
A receita das vendas de petróleo foi depositada em contas controladas pelos EUA, sendo o dinheiro "libertado de volta para a Venezuela a critério dos EUA".
As centenas de milhões de dólares que os Estados Unidos estão a arrecadar com a venda de petróleo venezuelano estiveram bloqueados numa conta bancária no Qatar desde, sensivelmente, a primeira semana de Janeiro
Há 15 dias Trump emitiu uma ordem executiva na qual afirmou que quaisquer tentativas de penhorar, bloquear ou impor outras medidas judiciais reivindicando estes fundos estão bloqueadas; justificou o bloqueio do dinheiro, gerido por si, no Qatar como uma "forma de impedir que aqueles que têm direitos sobre as receitas do petróleo venezuelano tenham acesso ao dinheiro que os EUA estão a gerar com estas vendas". E explicita a mesma ordem que, "se os fundos não forem libertados de tais entraves legais, isso interferirá substancialmente com os nossos esforços cruciais para garantir a estabilidade económica e política na Venezuela".
Os facto de os fundos terem sido enviados para o Qatar em vez de mantidos em bancos americanos ou enviados diretamente para a Venezuela, permitiu uma "duvidosa" transparência por parte dos EUA na movimentação do dinheiro, e da rentabilização gerada.
A menos que haja algum plano, que venha a público e seja aprovado pelo Congresso, regulamentando a estrutura governamental para esta quantidade de dinheiro, quem terá o controlo, os vários controlos anti-corrupção e de combate ao branqueamento de capitais que serão implementados, isto afigura-se como uma espécie de "fundo secreto" particularmente gerido ao abrigo de cláusulas, e taxas de juro, desconhecidas. Afigura-se...
A verdade é que não há qualquer base legal para um presidente criar uma conta offshore controlada por si para que possa vender bens apreendidos pelos militares norte-americanos.
Vários congressistas e senadores manifestaram a sua preocupação sobre a forma como a conta era gerida e se o acordo será juridicamente sustentável. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer e o senador Adam Schiff delinearam um projecto-lei (que foi apresentado na quinta-feira, 19Fev) solicitando que o Gabinete de Responsabilidade Governamental (GAO) realize uma auditoria independente à conta do Qatar.
Face a "contrariedades legais" e reveses nas aplicações de lei inconstitucionais inesperadamente barradas pelo Supremo Tribunal Federal, na passada terça-feira, 17 Fev., e após a receita ter ultrapassado o primeiro bilião de dólares, a administração Trump suspendeu o envio de dinheiro das vendas do petróleo venezuelano para o Qatar enquanto anunciava que os EUA têm já acordos de curto prazo para a venda de mais 5 billiões em petróleo bruto nos próximos meses.
E os venezuelanos a verem-no passar...
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O presidente dos Estados Unidos está a roubar o povo americano.
O Presidente Trump anunciou na quinta-feira, 19 Fev., durante a reunião inaugural do "Conselho da Paz" - criado por si e do qual é dirigente vitalício - uma contribuição de 10 mil milhões de dólares do governo dos EUA para a reconstrução de Gaza, descrevendo a organização como o principal órgão mundial para a paz e a harmonia internacionais.
O "Conselho da Paz", a recém-criada organização internacional inclui uma lista de nomes importantes das nações autocratas do mundo como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Egipto, Turquia, Israel, Argentina, Hungria, Bulgária. Cada um dos presentes pagou (os contribuintes nacionais pagaram) mil milhões de dólares por um lugar permanente à mesa de Trump, ladeado por Witkoff e Kushner, os "pacificadores" entre a Ucrânia e a Rússia
Nomeou-se presidente e, de acordo com o documento que escreveu e apresentou, isso significa que é ele quem dita as regras de toda a organização, tem autoridade plena e exclusiva e designará o seu sucessor. Portanto, se Donald Trump deixar de ser presidente dos Estados Unidos - o que parece não lhe passar pela cabeça - permanecerá presidente do Conselho da Paz, vitaliciamente.
Trump criou uma organização, escolheu quem faz parte dela, escolheu o Conselho, nomeou-se presidente e agora a transfere 10 biliões de dólares dos contribuintes americanos para uma conta que só ele controla, sem qualquer supervisão.
Colocando os factos listados como se ocorressem num país de gente minimamente normal, o presidente americano em exercício desvia 10 mil milhões de fundos públicos para um Conselho privado, viola a Constituição, as leis orçamentais federais e todas as salvaguardas anti-corrupção básicas em vigor nos EUA
Não é preciso ter conhecimento das leis básicas americanas, de qualquer Estado civilizado, para se ter a clara noção de que isto é profunda e perturbadoramente errado, impróprio e juridicamente inaceitável, independentemente de ser o antónimo da apregoada "America first" pela qual os trumpinhos matam e esfolam
O primeiro plano do Conselho da Paz, apresentado pelo genro do presidente, Jared Kushner, em Davos este ano, (porquê ele ???) é uma reconstrução de luxo de 25 biliões de dólares em Gaza para investidores globais. É um plano imobiliário para ricos e famosos a ser construído sobre os escombros de Gaza.
Para lá da corrupção, tráfico de influencias e dos mais nojentos negócios envolvidos, este plano imobiliário a ser construído em terras empapadas em sangue e sofrimento inimaginável é a coisa mais chocante e imoral concebível desde os campos de morte de Hitler. Porque não construir uma Disneyland em Auschwitz?
Numa perspectiva meramente americana - só relevante porque Trump é o presidente dos EUA - como é que o povo americano verá 10 biliões de dólares do seu dinheiro, pelo qual trabalhou e pagou impostos, ser utilizado para a construção de quilómetros e quilómetros de resorts de luxo no Médio Oriente onde nunca porão por os pés? Isto em simultaneidade a perda os seus planos de saúde e educação, retirada de direitos de assistência aos veteranos, os custos de a alimentação e habitação altíssimos, os bens importados, que são muitos, multiplicando os preços graças às "maravilhosas" taxas de importação
Podem ignorar que o Conselho da Paz está repleto de criminosos de guerra e ditadores, podem ignorar que o presidente se está a apropriar de dinheiro do povo americano sem sequer passar pelo promenor da aprovação do Congresso, podem ignorar que o genro do presidente está encarregue do primeiro projecto, podem ignorar que este projecto não é a reconstrução de Gaza nem sequer a reabilitação de condições mínimas de vida para o povo palestiniano - hospitais, escolas, habitação, infraestruturas de água, eletricidade, esgotos - longe disso, muito pelo contrário, os que restam que vão morrer longe, Trump quer uma cidade dourada onde manda ele, onde se fará ainda mais rico, onde os senhores dos negócios escuros, tenebrosos, acorram a beijar-lhe o anel e a combinar mais lucrativas maldades
Isto é a definição de absurdo. De malvadez e imoralidade absurdas
Alguns, demasiados, americanos podem ignorar tudo isto mas por certo não conseguirão fazê-lo quando se aperceberem de que o "Conselho da Paz", criado de acordo com o plano de Trump para Gaza, está para lavar e durar, muitos milhões de dólares americanos voarão dos cofres do Estado para "a paz mundial", para além ou em vez de Gaza, dependendo das oportunidades. A Ucrânia, entre outros, está na lista.
O plano de Trump para Gaza levou a um frágil cessar-fogo em Outubro visando o Prémio Nobel da Paz a ser anunciado em Novembro; deveria supervisionar a governação temporária de Gaza. Qual governação? Como é patente, o cessar-fogo tem sido violado repetidamente sem que Trump levante qualquer engulho a Netanyahu – desde o cessar-fogo morreram sob ataque mais de 600 pessoas, outros morrerão por falta de meios e assistência.
Posteriormente, Trump já afirmou que o Conselho será alargado para lidar com conflitos globais.
E conflitos globais é o que não falta. E se faltarem inventam-se
Trump teve o descaramento de convidar o Papa Leão XIV para integrar o Conselho da Paz... Até mandou Vance levar-lhe o convite por boca...
«Uma das preocupações do Vaticano é que, a nível internacional, seja sobretudo a ONU a gerir estas situações. Os esforços para lidar com situações de crise devem ser geridos pelas Nações Unidas, este é um dos pontos em que temos vindo a insistir.»
A Casa Branca classificou a decisão do Vaticano como “profundamente lamentável”.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, retrucou com o habitual nariz empinado e ar vagamente enjoado: «Não creio que a paz deva ser partidária, política ou controversa. E, claro, o governo quer que todos os que foram convidados a integrar o Conselho da Paz o façam. Esta é uma organização legítima com dezenas de países membros de todo o mundo e consideramos que esta é uma decisão lamentável.». Não creio que a paz... Qual paz?
Se, para esta gente que tem estado em crescendo, não "vale tudo", por favor expliquem-me o que é que "não vale"

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