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A OFERTA, A PROCURA E A "LIMPEZA"


DEPOIS DA "FESTA" QUE FOI 2008

PARECE-ME QUE ESTÁ NA ALTURA DE LIMPAR A CASA

Ora vejamos aqui no armário do produtos de limpeza o que há disponível:

De acordo com a lei,


* As eleições europeias são em Junho, marcadas pelo Presidente da República.

* As autárquicas devem realizar-se entre 22 de Setembro e 14 de Outubro e são marcadas pelo Governo

* As legislativas deverão ocorrer entre 22 de Setembro e 14 de Outubro e são marcadas pelo Presidente da República




Convenhamos que não será por falta de apetrechos de limpeza que nos poderemos queixar de incapacidade de higienização.

Verdade seja dita que outros problemas se levantam...

Em primeiro lugar teremos de encontrar um higienista profissional capaz de arrumar a casa e lidar com o orçamento doméstico, que é mauzéco mas não é o pior do mundo, nem por perto. Esta será uma das mais difíceis buscas. A Oferta é baixa e a Procura amorfa, anestesiada, alienada.

Portanto:
Em primeiro lugar há que dinamizar, estimular e motivar a Procura. Tarefa árdua, sem dúvida. A Procura tornou-se céptica ao longo dos anos mercê do descrédito em que a Oferta caiu. Tarefa árdua mas não impossível: dado o caos que reina no burgo, quem não poderá ser motivado a encontrar uma melhor Governanta? Ou colocado de outra forma: quando a motivação é tão baixa a probabilidade de baixar mais é quase nula (baixar como, pergunto-me eu?) Por outro lado, com os argumentos certos, e certos porque verdadeiros, motivar as pessoas para uma consciencialização dos seus direitos, ah... e obrigações... não será de todo um objectivo fantasioso ou sequer longínquo. Todas as pessoas querem viver melhor e a majoríssima parte delas quer saber o que se passa em sua casa e tomar parte activa na vida doméstica. Se o não faz é porque desistiu, porque sente que não vale a pena e “a pena” é demasiado pesada para compensação (prometida e) sempre adiada.


As pessoas sabem que um contratado que não cumpre as suas funções ou que não as desempenha eficazmente, no mínimo, satisfatoriamente, pode e deve levar uma “guia de marcha”.
Pior, quando aqueles em quem delegamos poderes para administrar a nossa casa e a manter habitável, numa reviravolta de subtilezas surdas e arrogâncias gritantes, viram este poderes contra os delegantes numa total falta de Respeito pela real soberania, em total Ignorância de direitos fundamentais sem outra razão que não a subjacente aos seus poderzinhos usurpados.

Pois as pessoas sabem... no entanto estas mesmas pessoas parecem ter perdido a noção de Quem-É-Dono-Da-Casa. Contrata-se pessoal para cuidar do dia a dia doméstico e delega-se. A delegação de poderes, ou de tarefas, não é uma transferência de propriedade, em sentido algum. E mais... não dispensa quem delega de velar a forma como são exercidos os poderes delegados; a responsabilidade de uma casa mal tratada é sempre, em última análise, dos donos da casa, não dos contratados, embora estes possam, e devam, ser responsabilizados pelo seu trabalho.

Quanto à Oferta... é de facto problemática. Não nos esqueçamos porém de que existe uma relação directa Oferta/Procura, não só quantitativa mas também qualitativa. Mudemos a mentalidade e comportamento da Procura que a Oferta mudará, melhor do que forçosamente, mudará naturalmente.
A Oferta é como uma criança: reage e comporta-se de acordo com a educação recebida e com aquilo que lhe é permitido. Nesta casa somos maioritariamente permissivos e nem é por opção ou confiança, é por omissão, como se aceitássemos que nas veias nos fosse injectada uma qualquer geleia indutora de sonolência subtraindo-nos o sangue que nos animava.

Não faço ideia se as regalias à disposição da Oferta torna o seu desempenho apetecível – a julgar pelo seu comportamento diria que sim, embora francamente me seja difícil entender porquê (casa onde não há pão...). Deve ser alguma coisa que decorre entre um altruísmo ingenuamente absurdo e um abocanhamento complexado de poder mesquinho.

Algures entre estes dois extremos deve haver um tipo de Oferta que é preciso procurar, é necessário que se revele e que, ao fazê-lo, seja credível e saiba conquistar uma oportunidade. E é imprescindível que esta lhe seja concedida.

Esta casa precisa ser limpa, arrumada, organizada, arejada. Não basta uma passagem por água e um desodorizante. Têm de ser definidas prioridades racionais e concretas, acordadas com as necessidades das pessoas e o desenvolvimento de meios de subsistência e de qualidade de vida; não especulativas e ajeitadas ao sabor de interesses empresariais e de megalomanias pessoais, movidas de acordo com um tabuleiro de xadrez oculto cujas regras são conjecturais e as peças jogadas na defesa de tudo menos da defesa do Rei, da Grei.



OS ESPIRITOS DO NATAL

Passou o Natal, vem aí um novo ano.
Uma das mais difíceis provas dietéticas do ano passou, almoços e jantares de colegas, de amigos de família. Reencontros, troca de prendas, quilómetros nas lojas. As “boas festas”, os e-mails, os telefonemas. O ai-esqueci-me.
Os programas especiais de natal a popularem a quase totalidade dos canais, os filmes encarnados pelo Espírito do Natal.


Pois uma destas noites natalícias estava metida na cama a saborear o meu irresistível edredão, saltitando de canal em canal, de “White Christmas” em “White Christmas”, demasiado preguiçosa, ou mesmo cansada, para me atrever pelo mundo dos livros, quando deparei com o filme, original, feito sobre o imprescindível livro de Dickens “A Christmas Carol” (Um Conto de Natal).
Este filme tem em mim o efeito que as filhós, as rabanadas, os sonhos e outras alarvidades natalícias têm nos gulosos da época, é-me deliciosamente irresistível.
Há muitos anos que o não via, e muito menos assim, na penumbra silenciosa da madrugada no meu quarto. Fui imbuída pela sua estrutura profunda, pela “moral da história” sublimada naqueles impagáveis Espíritos do Natal Passado, Presente e Futuro do desgraçado Mr. Ebenezer Scrooge.

Quando desliguei a TV e me virei para o outro lado acho que os fantasmas de Mr. Scrooge ficaram comigo. Oh, não me assombraram, nada disso, antes pelo contrário, mas é a única justificação que encontro para explicar as cataratas de pensamentos sobre “Moral natalícia” que me inundaram até adormecer sem dar por isso, e ,provavelmente, pelos sonhos noite dentro.




De manhã (ou mais ou menos manhã) acordei com duas perguntinhas a bailar em torno da cabeça, como quando ouvimos uma qualquer musiquinha parva que se instala no nosso cérebro em sarcástica desobediência a qualquer ordem de despejo. Duas perguntinhas que me acompanharam pelo duche, pelas voltas de carro, pelo silêncio do primeiro café, pelo dia todo. Duas perguntinhas não muito complicadas mas que me obrigaram a pensar, a fazer algum esforço de memória, a reconhecer (-me), a sorrir e a morder o lábio disfarçadamente.
Duas perguntinhas que quero que permaneçam comigo, não em baile mental constante, vade retro, mas discretamente guardadas na agenda, na memória do telemóvel, na lista de endereços de e-mail, na amplitude de visão que vai do coração à cabeça e, de vez em quando, até na carteira.

É provável que nesta altura já estejam a perguntar-se quais serão as “duas perguntinhas” mas não tenho a certeza de que as deva dizer. Não estou a fazer mistério nem a tentar irritar-vos; é que cada um tem as Suas perguntinhas geradas na moral de uma história e, além disso, estas são perigosamente peganhentas. Ficam avisados, se continuarem a ler daqui para baixo será à vossa inteira responsabilidade.

Bem, então aqui ficam as perguntas que me deixaram os fantasmas do Natal Presente, do Natal Passado e do Natal Futuro:


“ O que é que ofereceste, de facto, este Natal?”

“O que é que Te ofereceram, de facto, este Natal?”

Pois... e nos outros natais?
E ao longo do ano?
E pela vida inteira?

E o que é que gostavas de ter oferecido mas ficou na gaveta, na garganta, pelas intenções?
E o que recebeste sem reconhecimento? E o que te esqueceste de agradecer, de retribuir?
O que deixaste descuidadamente esquecido quando te levantaste e agarraste no casaco?

E o que ofereceste que vieste a reencontrar anos depois numa reviravolta da vida? E o que deste de ti que viste crescer, florir e dar fruto? E aquela prenda que deste ou recebeste e que fez de ti uma pessoa melhor?

E... e... e...

Então mas não eram só duas perguntinhas pouco complicadas? Ah, essas?

O que ofereceste, de facto?
O que recebeste, de facto?

Um 2009 feliz é o que vos desejo.



O original de Dickens para download, com gravuras, em inglês:
Os três Espiritos e Mr.Scrooge

E VOTAM...



EU NÃO COMENTO... QUEM QUISER QUE O FAÇA

MAU MARIA... ou A REDUNDÂNCIA PRESIDÊNCIAL IM-PECÁVEL

No passado dia 5 deste mês :


" Presidente da República inaugurou, esta segunda-feira, a tradicional Árvore de Natal em Belém, no meio de uma festa com prendas e muitas crianças, filhos de militares e agentes de segurança que estão no estrangeiro em missões de representação de Portugal."

Ok, é bonito, fica bem.

A festa é também noticiada na Página Oficial Da Presidência da República Portuguesa(http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=22879) onde se pode encontrar um vídeo que nos mostra o discurso do Presidente da República, ao lado de uma Primeira Dama muito ciente do seu papel (estamos no Natal e prometi a mim mesma tentar ser simpática ), durante a inauguração da árvore de Natal. Bem, é natural, é apropriado e é bom marketing.

O que na altura me chamou a atenção foi que logo aos primeiros 30 segundos de discurso o Primeiro Cavalheiro refere-se a si mesmo e à Primeira Dama dizendo: "eu e a minha mulher". Sim, por esta ordem. Bem... será imposto pelo protocolo de Estado que o P.R. não deva dizer, civilizadamente "a minha mulher e eu"? Pois não sei, provavelmente será ignorância minha... Ou será que é ignorância mas não minha? Seja lá como for não gostei e posso jurar que se eu fosse P.R. (credo!) nesta situação concreta, a receber o pessoal em minha casa, borrifava-me no protocolo e referiria a outra pessoa primeiro. Pois, já sei, mas isso sou eu, que não sou exemplo e já vai de mim andar a borrifar-me nos "protocois".


Até aqui foi só um aperitivo e não foi isto que me trouxe cá, ou já teria vindo antes. Isto é mais importante para a Primeira Dama do que para mim, ela lá sabe quem é que manda lá em casa e não deve estar para se chatear com detalhes.

Adiante.

O que me trouxe cá hoje foi um bocadinho da troca de galhardetes que ouvi há pouco, num noticiário tardio, quando saltitava de canal em canal. Refiro-me, claro está, aos discursos de José e de Aníbal por ocasião da apresentação dos tradicionais cumprimentos de Natal do primeiro-ministro e da Assembleia da República ao Presidente da República. Ao que foi dito não vou fazer comentários por duas razões: primeiro porque não vale a pena - nem vale o tempo de o escrever nem menos o tempo de o lerem; segundo porque estamos no Natal e prometi a mim mesma tentar ser simpática. Ah, mas não resisto a reflectir, e divulgar a algum incauto que tenha perdido tal pérola, sobre a forma como disse o Senhor Presidente da República, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva. Ele disse textualmente assim:

"Que eles (os cidadãos) se apercebam do facto que as Instituições políticas valorizam os valores que são próprios desta quadra natalícia e que trabalham em conjunto com um espírito construtivo para construir um Portugal mais justo e um Portugal mais próspero".

Bem dezido! Não acreditam? Sou eu que estou a inventar? Ai é? Então tomem lá: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=378560&tema=28

Não se tratava do Tio Aníbal a discursar para a famíla e amigos lá em casa pela consoada, que raio, era o Presidente da República, num acto oficial, a receber o Governo e o Presidente da Assembleia

Se eu fosse a Primeira Dama (credo! cruzes!) chumbava-o. Sim, porque a Drª Maria Cavaco Silva, que casou e vive com Aníbal há 45 anos, licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1977, passou a ser a regente de Língua Portuguesa na Universidade Católica, em Lisboa e, até hoje, mantém essa ligação, em aulas extraordinárias de Língua e Cultura Portuguesas.

Verdade se diga, não há omeletes sem ovos, mas, que diabo, o homem não é estúpido... Será que Maria não Vê? Será que não Ouve? Será que ninguém da competente equipa presidencial se apercebe desta e de muitas outras? Será que ninguém se atreve a falar nisso? Ou será que é para chatear a Maria de Lurdes Rodrigues e demonstrar a falha da avaliação de professores?

Agora não me posso ir embora sem deixar nem um palavrinha do que disse José, é Natal e...

O primeiro-ministro, José Sócrates, enalteceu esta sexta-feira o «comportamento absolutamente impecável» que o Presidente da República tem mantido na sua relação com o Governo, atitude que «tem ajudado muito» a acção do executivo, escreve a Lusa. ORA BOLAS, escrevo eu, se o Manel tivesse sido eleito não gozavas assim, ah pois não...


«Quero dizer-lhe senhor Presidente, em nome do Governo, que gostamos de trabalhar consigo (QUE BOM!) .../...quero que saiba o quanto apreciamos o comportamento absolutamente impecável da Presidência da República na cooperação institucional com o Governo», disse o chefe de Governo, ao apresentar no Palácio de Belém os cumprimentos de Boa Festas a Cavaco Silva.



E isto agora sou eu a pensar baixinho:
«comportamento absolutamente impecável»? O outro trata a Maria de "Eu e ela"; o outro "valoriza os valores" e quer ser "construtivo para construir"; quer dois portugais, um mais justo e um mais próspero, e é «absolutamente impecável»? Finalmente entendi porque José acredita que o país está no bom caminho e 2009 vai ser muito melhor.

Sim, eu sei que a questão de fundo não é esta, sei bem que é grave, muito mais grave.Mas é Natal e...

Para aliviar a mente deixo-vos com dois personagens completamente diferentes, que fazem traquinices no "País dos Brinquedos", suponho que os conheçam, o Sonso e o Mafarrico


(O Mafarrico é o que está à frente a dizer que é o Primeiro, o Sonso é o outro, óbvio)

Nota: Todas as Fotos foram retiradas da "Página Oficial da Presidência da República Portuguesa", à excepção da do Sonso e do Mafarrico que retirei do site do Noddy

a minha prenda para Alex

2009 cheio de movimento, aventura e alegria

PODER DE COMPRA EM 2009...HO, HO, HO

José Sócrates: "famílias podem esperar melhor rendimento em 2009"



"As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009". O optimismo foi manifestado hoje pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e tem como base as baixas que se esperam nas taxas de juro dos créditos à habitação, nos preços dos combustíveis e na inflação.

.../...

Ainda de acordo com José Sócrates, "as famílias portuguesas podem esperar em 2009 ter uma inflação mais baixa" e assim "ganharem poder de compra, como vão ganhar poder de compra os funcionários públicos, como não ganhavam há muitos anos".

3.12.2008 - 18h14 Lusa, PÚBLICO

E O PAI NATAL IA A PASSAR E FEZ:"HO,HO,HO"

E DEPOIS, SABEM O QUE ACONTECEU?

NÃO SABEM? POIS, É QUE SÓ SAIU NA IMPRENSA ESTRANGEIRA


FOI ASSIM:





SE BEBER, NÃO VOE



ESTE NATAL,

SE BEBER,

NÃO CONDUZA...


PODE ACABAR A VOAR

"O Inverno do nosso descontentamento"



Uma lindíssima Árvore de Natal a lembrar-nos a tristeza do país: em volta tudo é escuro. A ridícula iluminação que, de foco em foco, tenta iluminar umas esculturas em sebe, bem giras, que representam vários animais, projectam sombras permanentes à passagem de cada pessoa que cruza pelo meio. Há música... as pessoas tentam te-la presente mas não é fácil: do outro lado da rua já não se ouve... Pensei em Londres... que raio de comparação! Deixa-lá, dizia eu ao meu filho que ia aos saltos sem se aperceber do que nunca viu, vimos cá de dia para ver os bichos.

Macacos me mordam... Sei da miséria que vai por esse mundo fora, estou aqui sentada no bem quentinho e iluminado conforto da minha casa, depois de um jantar do qual, mais uma vez, sobrou comida para mais um... Mas tenham paciência, quando saio com o meu filho para ir ver a Árvore de Natal, não quero "confortar-me" com a miséria do mundo. Desculpem-me a franqueza mas o que eu quero mesmo é esquece-la. A do mundo e a nossa, aqui na ponta ocidental da Europa. Europa... My...
Eu tentei, palavra de honra que tentei, mas aquela escuridão em torno de um símbolo de Luz e festa embebeu-me a alma. Olho para a minha Árvore de Natal e lá me sinto melhor... Lá fora, como dizia "o outro", reina o "Inverno do nosso descontentamento" e, pelo menos durante uns dias, deixem-me tentar disfarçar. Ho Ho Ho, Hai, ai, ai...

PARECE MESMO UM CARNEIRINHO
MAS POSSO ASSEGURAR-VOS DE QUE É UM CÃO.

CHAMA-SE MICHEL E É O MAIS RECENTE MEMBRO DO NÚCLEO FAMILIAR

CONVERSAS ANTES DE DORMIR



De repente levantou a cabeça da almofada quando eu me preparava para deixar o quarto e, "vindo do nada", perguntou:


- MAMÃ, O QUE É QUE EU ERA ANTES DE SER UMA ALMA?

- ERAS UMA LUZ.

- E ANTES DE SER UMA LUZ?

- ERAS UMA IDEIA.

- E ANTES DE... ESPERA... DE QUEM?


LR , 4 Dez. 2008

NATAL E A CRISE...HO HO HO

Pois há a crise...
Mas também há Natal
HO HO HO
Levemos o Natal com alegria porque quando este acabar a crise ainda cá estará para a carpirmos se quisermos
BOM FIM DE SEMANA
HO HO HO



(NÃO SE ESQUEÇAM DE PARAR A MÚSICA DO FUNDO ALI DO LADO DIREITO ANTES DE COMEÇAREM A VER O VIDEO, JÁ TEMOS CONFUSÃO QUE CHEGUE NO PAÍS, HO HO, HO)

HOJE VOU ABRIR O NATAL
****************************

(quem gostar de decorar árvores que me apareça no fim de semana - com pré-
aviso, s.f.f.)

A GALINHA PATARECA

Mais de um terço da informação veiculada nos programas regulares de informação dos quatro canais de sinal aberto foi, no sábado (8 de Março de 2008), dedicada à manifestação dos professores em Lisboa.

No dia 8 de Março de 2008, RTP1, RTP2, SIC e TVI passaram 66 notícias sobre a manifestação dos professores em Lisboa, que ficou conhecida como Marcha da Indignação. Estes números contemplam apenas os serviços regulares de informação destes canais, excluindo por isso eventuais programas ou trabalhos específicos sobre este assunto.
Em número de notícias, a manifestação dos professores representou 30.7% do total de matérias abordadas nesse dia por estes canais.
A RTP1 foi o canal que mais notícias emitiu sobre este acontecimento, num total de 24 (36.4% das matérias relacionadas com esta manifestação).
COBERTURA NOTICIOSA, MARKTEST.COM




Raramente me dou ao trabalho de comentar neste blog, de boa frequência, os acontecimentos da política nacional. Primeiro porque raramente oiço noticiários, pelas razões que já AQUI expliquei e, em segundo lugar, chamem-me alienada, prefiro ficar longe da tragédia e acho que na merda não deve mexer-se - só para a retirar; se tal não for possível mais vale estar quieto, por higiene, olfacto, educação e bom gosto.

A comunicação social vale o que vale, o que quer dizer que não vale grande coisa mas nós cá vamos vivendo com ela e sentindo-lhe a falta quando ausente.

Os professores também valem o que valem, sendo que, a maioria de entre eles, não são, de facto, professores; são funcionários de escolas que têm por missão, incumprida, o ensino de conhecimentos, que não possuem, e a transmissão de Educação, que nunca receberam. Tarefa árdua!

No entanto... ainda há alguns Professores e, mesmo que não os houvesse, a tarefa do ministério é agir como se todos eles o fossem, logo terá de os respeitar como tal, ou não? (É melhor abanar a cabeça no sentido do sim ou o sarilho atingirá proporções desmesuradas...)

Isto a propósito da tal entrevista que aquela rapariga Maria de Lurdes deu no sábado passado à RTP1, perante o desespero do jornalista entrevistador, e que eu comecei a ouvir porque a minha mãe, que tinha saído de Lisboa e estava voltando pelas oito horas da noite, me telefonou pedindo para saber se o trânsito ainda estava cortado na baixa lisboeta. Depois fiquei colada de espanto ao caixote.

Não devo aqui expor os comentários e adjectivos que me foram saindo boca fora ao longo da tal entrevista, não pela Maria de Lurdes mas pelo respeito que eu me mereço. A minha alma estava parva! É verdade, por estranho que pareça, ainda sou capaz de autêntica incredulidade perante afirmações de um membro do executivo nacional. E o ar da "piquena"... Estava ofendida pelas politiquices, pelo incumprimento, pelos intuitos não confessos. O raio que a parta! Ah, sim, mas a ela não a intimidam. Reconheceu que cerca de cento e vinte mil professores na rua em manif intimidam qualquer um... Ah sim, mas não a ela.

Mas isto não é estar mesmo a pedi-las?

Transcrevo abaixo alguns poucos dos momentos altos da entrevista, e a escolha não é fácil, foram todos de grande elevação. Deixo também aos curiosos, que no sábado passado estavam em paz, como deve de ser pela hora do jantar, o link à RTP1 sob o qual se encontra a totalidade entrevista (até para não julgarem que sou eu, outra vez, a exagerar).


"Mª Lurdes: Esta é a desculpa "quero ser avaliado mas não quero este modelo";Mas não há outro disponível , só há este modelo (de avaliação) e não há outro.

RTP: Não há outro? Não é possível?

ML: Há o antigo. Este está há dois anos a ser trabalhado e é um modelo que foi aprovado por lei. Está na lei. E há uma memorando de entendimento com os sindicatos É difícil mas é o quadro de regras que temos (.../...)

Não pudemos deixar ao país a ideia de que quem está a ter atitude incorrecta é quem cumpre a lei., quem cumpre um entendimento, que a atitude incorrecta é não participar, não colaborar não fazer uma única proposta concreta, e depois manifestar na rua a força de expressão

RTP: Quer dizer que 100 mil professores estão errados?

ML: Não posso deixar ficar a ideia de que quem está a cumprir a lei está errado e que está certo quem procura boicotar a apelar ao não cumprimento da lei, criar um clima de guerrilha nas escolas, um clima de guerrilha político-partidária.
(.../...)

Hoje no final desta manifestação, para mim ficou claríssimo do que se estamos a falar. Estamos a falar de pressionar a ministra da Educação porque é ano de eleições, pois perante ameaças desse tipo, perante um chantagens desse tipo, a minha única reacção é de uma total tranquilidade e do sorriso triste (.../...)

Uma manifestação deste tipo intimida qualquer um, aos que intimida, que é seu objectivo. Na ausência de argumentos e de propostas concretas faz-se uma manifestação de rua, para mostrar a força dos argumentos que não existem. (.../...)

E que o que eu pergunto é o que aconteceu, em que é que o ministério falhou, em que é que o governo falhou, para que de um dia para o outro os sindicatos decidem que não querem memorando de entendimento nem querem participar na comissão paritária . Que aconteceu? Seria extremamente importante dizer aos portugueses isto: o governo está a cumprir. Há muitas escolas e muitos professores a cumprir. E não podemos deixar a ideia de que está a cumprir está errado, e quem e não está a cumprir tem razão. (.../...)

É que com as manifestações de hoje, dos dirigentes dos diferentes partidos da oposição, que cavalgam uma onda de insatisfação, não contribuindo com nenhuma proposta, eu só ouvi adjectivos, não houve nenhuma proposta concreta para melhorar o trabalho que estamos a fazer, tirando partido do facto de estarmos num em ano eleitoral, fazendo uma chantagem sobre a ministra da Educação e fazendo das escolas um campo de batalha, de política eleitoral, de política partidária, que na minha opinião considero ilegítima e procurarei com todas as minhas forças proteger as escolas disso."

MAS O QUE É ISTO? Uma ministra da EDUCAÇÃO? Uma galinha patareca?

Maria de Lurdes, filha... aqui fica uma cantiga para te animar, não desesperes!


E SE FOSSE...

CATÓLICOS E MUÇULMANOS
TÊM ENCONTRO HISTÓRICO
Ter, 04 Nov, 08h15


Católicos e muçulmanos vão reunir-se a partir de hoje no Vaticano para tentar lançar uma iniciativa inédita na relação entre as duas religiões e criar um mecanismo permanente de diálogo.

Por um lado, o Vaticano quer maiores garantias de que as minorias cristãs possam praticar sua fé em países muçulmanos sem serem ameaçadas. Por outro, os muçulmanos querem ser reconhecidos como uma religião não ligada à violência e apelam para que o Vaticano ajude a promover essa imagem.

O encontro que começa hoje é o primeiro desta magnitude realizado nas dependências da Santa Sé e envolve académicos e clérigos de ambas as religiões. Na quinta-feira, os especialistas terão reunião com o papa Bento XVI. Um dos resultados possíveis seria a criação de um plano de gestão de crise para evitar tensões entre as duas religiões.

Há um ano, um grupo de intelectuais muçulmanos - que ficou conhecido como Palavra Comum - enviou uma carta ao papa sugerindo o início do diálogo, na tentativa de estabelecer confiança entre os líderes religiosos. Não por acaso, a reunião de hoje recebeu o nome "Amor por Deus, Amor pelo vizinho". Um dos temas do encontro é "Dignidade Humana e Respeito Mútuo".

"Precisamos desenvolver um mecanismo de reacção a crises", afirmou Ibrahim Kalin, um académico turco que actua como porta-voz do grupo.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

UM "DIA MUNDIAL DE..." MUITO FIXE!



O "Dia Mundial de" qualquer coisa é, normalmente, um dia que se pretende dado à reflexão da treta, à jornada de luta pelos direitos de meia tijela, à tomada de consciência de problemas de 365 dias por ano.




Hoje é um "Dia Mundial" de que eu gosto particularmente; um dia mundial divertido, despretencioso, criativo, sonhador, emotivo, didáctico, memorável e absolutamente MUNDIAL.

Hoje é o DIA MUNDIAL DO DESENHO ANIMADO.


Deste gosto!
3 Hurras para os desenhos animados, sempre!




Para comemorar vou encostar-me para trás, pôr os pés em cima da secretária e fazer uma lista mental, colorida e animada, obviamente, dos meus favoritos.


Não me incomodem, estou a devotar meia-hora a uma questão mundial...






APAIXONANTE ESTA PAIXÃO

Não me vou estender sobre o assunto mas sempre me fez muita confusão a forma como grande maioria das pessoas que lida com cavalos, de perto, mesmo no seu dia a dia por gosto ou profissão, se relaciona com estes animais únicos. Ou melhor dizendo, a forma como não se relaciona. Tenho visto cavalos bem tratados do ponto de vista de alimentação, higiéne, cuidados veterinários, etc. mas raramente vejo um cavalo ser tratado como alguém que, além de ser inteligente, é um ser extra-ordinariamente sensivel. Sensivel à forma como nos aproximamos, como o consideramos, como nos sentimos - em relação a ele e em relação a nós mesmos. A maior parte das pessoas que vejo montarem, e muito melhor do que eu, montam dominando o cavalo. Claro que tem de haver controlo, ou será extremamente perigoso, mas sempre achei que os cavalos têm de ser conquistados, não dominados.
Os cavalos, como muitos outros animais, são telepátas: reagem ao medo mas também à alegria, reagem à agressividade mas também à fragilidade, reagem à autoridade mas muito melhor ao carinho.

Para o cavalo nós somos uns bichos que se querem pôr em cima deles, obriga-los a fazer o que nós queremos independentemente de como eles se sentem ou do que lhes apetece. Assustador, não?

Comecei por dizer que não me iria estender sobre o assunto e assim farei mas tenho de dizer que quem não fala e mima e tenta sentir como se sente o (seu) cavalo, não sabe o que perde. Nunca o conhecerá nem nunca terá o enorme prazer da verdadeira companhia daquele animal soberbo que está montando.

Se eu não soubesse isto, se apenas descofiasse, teria tirado todas as dúvidas neste mundo absolutamente mágico a que tive o privilégio de ter acesso durante um pouco mais de duas horas de maravilhamento

(Até dia 26/10 em Algés) www.cavalia.pt/





FWD

DEPOIS DE 08/08/08

"Passaram os Jogos Olímpicos de 2008"

Começa assim o último post publicado pelo meu amigo N.Phillips no seu blog

"A IMPERMANÊNCIA DAS COISAS"

com um link à entrevista que o Dalai Lama deu à Euronews e a transcrição da mesma.

Sei que sou suspeita mas vale os minutos de ver e ler

O AVIÃO, A SUA SOMBRA...
A COISA E A COISA DA COISA



Etats-Unis, Avions de l'étrange Les ombres colorées de ces avions ont de quoi surprendre.
La vitesse laisse dans le ciel des marques impérissables.

© Google Earth ™ mapping service/[Europa Technogies - The GeoInformation Group]

THE STING...

PAUL LEONARD NEWMAN

Cleveland, 26 de janeiro de 1925 - Westport, 26 de setembro de 2008






filmografia:


1954-The Silver Chalice

1956-Somebody Up There Likes Me
The Rack

1957-The Helen Morgan Story
Until They Sail

1958-The Long, Hot Summer
The Left Handed Gun
Billy the Kid
Cat on a Hot Tin Roof

Rally 'Round the Flag, Boys!

1959-The Young Philadelphians

1960-From the Terrace ; Exodus

1961-The Hustler ; Paris Blues

1962-Sweet Bird of Youth

1963-Hud ; The Prize

1964-What a Way to Go! ; The Outrage

1965-Lady L

1966-Harper

1967-Hombre ; Cool Hand Luke

1968-The Secret War of Harry Frigg

1969-Winning ;________________Butch Cassidy and the Sundance Kid

1970-WUSA

1971-Sometimes a Great Notion

1972-Pocket Money
The Life and Times of Judge Roy Bean

The Effect of Gamma Rays on Man-in-the-Moon Marigolds (director)

1973-The Mackintosh Man ; The Sting

1974-The Towering Inferno

1975-The Drowning Pool

1976-Buffalo Bill and the Indians
Silent Movie," (cameo)

1977-Slap Shot

1979-Quintet

1980-When Time Ran Out...

1981-Fort Apache the Bronx; Absence of Malice

1982-Come Along with Me ; The Verdict

1984-Harry & Son

1986-The Color of Money

1989-Fat Man and Little Boy; Blaze

1990-Mr. and Mrs. Bridge

1993-La Classe américaine

1994-The Hudsucker Proxy; Nobody's Fool

1998-TwilightMotion Picture

1999-Message in a Bottle

2000-Where the Money Is

2002-Road to Perdition

2003-Our Town

2005-Empire Falls
Magnificent Desolation: Walking on the Moon 3D -(Dave Scott voice)

2006-Cars - voice

2007-Dale - Narrator voice

THE NEW YORK TIMES

SLIDE SHOW

http://www.nytimes.com/slideshow/2008/09/27/movies/20080927_NEWMAN_SLIDESHOW_16.html

AUDIO SLIDE SHOW
http://www.nytimes.com/interactive/2008/09/27/movies/20080927_NEWMAN_AUDIOSS/index.html#

ANÚNCIO


Cede-se utilização de gabinete mobilado, com 16 m2, em escritório de advogados com boas instalações e óptimo ambiente.
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Inclui serviços de secretariado, limpeza, utilização de sala de reuniões, consumos de electricidade, água, Internet (ADSL) e fax. Únicos extras cobrados separadamente: telefone e fotocópias.


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Ouve lá, Oh Zé...

Ouve lá, oh Zé, o Kosovo existe ou é uma ficção animada?

O Governo português deverá anunciar, esta quinta-feira, uma tomada de posição sobre a independência unilateral do Kosovo, apurou a Renascença.
Portugal é um dos poucos da União Europeia (UE) que ainda não reconheceu a independência daquela região e poderá fazê-lo nas próximas horas.
O assunto vai ser discutido no próximo dia 8 deste mês nas Nações Unidas, que terão de pronunciar-se sobre um projecto de resolução apresentado pela Sérvia para que o Tribunal Internacional de Justiça tome posição sobre a legalidade da independência do Kosovo.
In Rádio Renascença on line



KOSOVO

A independência do Kosovo foi declarada a 17 de Fevereiro de 2008 com 109 votos a favor e 0 contra pelo seu Parlamento. Todos os 11 representantes da minoria sérvia boicotaram os protocolos.

Cartas para todos os países do mundo foram então enviadas pelo novo governo do Kosovo, solicitando o reconhecimento como Estado Soberano.

A 28 de Fevereiro de 2008, a Alemanha tornou-se o primeiro país a formalizar seu reconhecimento do Kosovo quando transformou seu escritório diplomático de Priština em Embaixada.
A 5 de Março de 2008, a República de Kosovo foi oficialmente reconhecida por 26 soberanos Estados-membros Soberanos, nas Nações Unidas, como, também, por outras entidades, incluindo outros Estados. 20 Estados-membros da ONU ou recusaram o reconhecimento.
Dos 192 estados-membros das Nações Unidas, 91 tomaram alguma atitude sobre a declaração de independência de Kosovo.

A ONU encarregou a Regra da União Europeia da Missão de Lei em Kosovo para assegurar a continuação de presença civil internacional em Kosovo.
Dos cinco membros com direito de vetar, três (os EUA, o Reino Unido e a França) reconheceram a declaração de independência. Entretanto, a República Popular da China expressou preocupação sobre as negociações, e a Rússia considerou a declaração como ilegal.
In Wikipédia



Link - Guerra / Conflito Kosovo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_Kosovo

"MES AMIS, MES AMOURS, MES EMMERDES"







No dia 17 de Junho deste ano, um “ancien eléve du Lycée Français Charles Lepierre de Lisbonne” estava ao telefone com uma “ancienne”, em amena cavaqueira de “olá, como vais” quando lhe passou pela cabeça, provavelmente inspirado por algum Espírito Luminoso, dizer-lhe assim: “Oh Cristina, tu é que eras menina para fazer isto assim, assim..." ou seja, um WebRing*.

A Cristina, mulher de armas, empreendedora, e luminosamente inteligente, foi à net cuscar ninhos de WebRings. Encontrou, arregaçou as mangas e nessa mesma tarde, lançou o site Anciens du Lycee Francais de Lisbonne.
Isto feito, enviou convites de adesão a cerca de quatro dezenas de antigos alunos. A progressão foi geométrica, os convidados começaram a convidar e o efeito “bola de neve”, como diz a Cristina, foi colossal.

Recebi o meu convite nos primeiros dias de Julho e quando cheguei ao site já fui encontrar muitos colegas e “amigos de calções”.

Sendo um tanto avessa a “grupos”, devagarinho comecei a sentir-me em casa… Passei a frequentar o site, as páginas pessoais dos colegas com os “olás” e os mais variados comentários vindos de todos os cantos, e ainda o divertidíssimo, e caótico, chat privado, numa base praticamente diária, o que francamente me espanta, é das tais que “se me dissessem não acreditaria”.

Considerando que Agosto é normalmente um mês fraco para o desenvolvimento de iniciativas, à excepção das turísticas e de lazer, claro está, a verdade é que nos primeiros dias de Setembro o número de antigos alunos inscritos e, na sua larga maioria, em participação/comunicação activa, atingia a bonita cifra de 2000.
Marcaram-se encontros, copos, almoços e jantares, formaram-se grupos temáticos, repescaram-se músicas e amigos. O site reúne hoje mais de 2770 fotos publicadas e está, crescendo, tendo já ultrapassado os 2500 membros.
É absolutamente espantoso! Um fenómeno, como alguém lhe chamou.

Na sexta-feira passada, 26 de Setembro, tivemos o nosso primeiro grande jantar, na antiga FIL de Lisboa, completamente cheia.
Do ambiente vivido pouco posso dizer porque não é verbalizável.

A partir de certa altura da vida, que creio se prenderá com a maturidade, mesmo para os sociáveis e extrovertidos, passa a ser mais complicado fazer Amigos.
No entanto (e esta é uma experiência difícil de concretizar em larga escala), aqueles que participaram da nossa intimidade, do nosso dia a dia em crianças e adolescentes, aqueles que riram e choraram connosco, aqueles com quem conversamos e nos zangamos e com quem fizemos as pazes, os que aprenderam e brincaram, namoraram e tiveram os seus rituais de passagem connosco, numa palavra, aqueles que cresceram connosco, permanecem em nós, na sua maior parte adormecidos num esquecimento aparentemente definitivo.
Ah, mas surpresa!!! Podem acordar de repente como se tivessem sempre estado presentes – a verdade é que estiveram, mas nós não sabíamos.

Foi esta a experiência partilhada por todos aqueles com quem falei durante o jantar ou que, mais tarde, deixaram as suas mensagem no site. A facilidade e naturalidade com que se reataram relações não me espantou; espanta-me sim o florescimento de total empatia, e até ternura da mais autêntica, entre pessoas que se conheceram no seu dia a dia pouco mais do que de vista, ou ainda, nunca se tendo conhecido devido a uma maior diferença de idades, que pode abranger várias décadas, de repente deram consigo partilhando a maior alegria de encontro, como se se tivessem Conhecido desde sempre.
Tal como a família, este conjunto de pessoas não se escolheu entre si, independentemente das relações de amizade “ça c’est toute une autre histoire”, com ou sem consciência disso existe entre elas um laço permanente e muitíssimo profundo.

Para isto terão contribuído pelo menos dois aspectos importantes:
- Primeiro o facto de o LFCL ser um estabelecimento de ensino privado, propriedade do Estado Francês, inteiramente misto (dentro e fora das salas de aula), leccionando programas académicos, e pedagógicos, próprios, que não estiveram sujeitos quer ao pré quer ao pós 25 de Abril; constituiu uma espécie de oásis pedagógico (para o melhor ou o pior, não é essa a questão) onde se podiam encontrar livros que eram proibidos, ou censurados, nas livrarias, onde se falava de tudo e mais alguma coisa, na condição de se Pensar no que e sobre o que se dizia. Isto, obviamente, produziu mentalidades muito especificas nas suas características e múltiplas na sua variedade, produtos de uma liberdade disciplinada (ah oui, la discipline!), de uma cultura diferente, gerando passoas que naturalmente se inter-reconheciam, e reconhecem, apesar do passar dos muitos ou poucos anos sobre o dia em que deixamos o Lycée.

- Em segundo lugar há que ter em consideração que o “Lycée” sempre aglomerou alunos de todas as idades, desde o jardim-de-infância até ao final dos estudos secundários. Estes alunos, em sua majoríssima parte, estiveram ali durante toda a sua vida académica pré universitária, correspondendo a uma média de 12 a 14 anos. São os anos mais importantes de qualquer pessoa em termos de formação da personalidade; são muitíssimas experiências e sentimentos. É a partilha natural, involuntária da vida, é a intimidade no seu estado mais puro e “descomplicado”.
Este contacto prolongado, que se pode considerar multi-geracional, não pode deixar de criar em nós um sentimento de pertença, com tudo o que isso acarreta psicologicamente, afectivamente.
Agora, os frutos estão aí, nascidos de uma árvore fértil plantada em terreno bem arado e arejado. São frutos doces de maduros; o acre que por vezes se desprende do verde já lá vai e algum que tenha ficado, na saudade dos que partiram primeiro, por exemplo, é amaciado pelas memórias partilhadas.
E o melhor, esta explosão associativa não passa pelo orgulho nem pelo saudosismo, não é a saudade do Lycée nem a cagança do Lycée.
É uma explosão emocional, é a felicidade do (re)encontro, essa de que tanto ouvimos falar e que raramente vivemos, sem dramas.



About Anciens du Lycee Francais de Lisbonne
Finalmente um site informal e nada "sério" para os Ex-Liceu Francês!!!

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