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5 DE OUTUBRO, QUEM O QUER CHAMA-LHE SEU

Tenho para mim que Cavaco Silva depois de obter o que quer, seja lá o que ele queira...

(o puto de Boliqueime quis licenciar-se em Lisboa, quis doutorar-se em York, quis ser Professor Catedrático, quis publicar vários livros, quis ser ministro das finanças, quis ser presidente do partido, quis ser primeiro-ministro, quis ser presidente da república, quis ser reeleito - e quis ir lixando uns quantos pelo caminho que não se ficaram a rir)...
Estava eu a dizer o quê? Ah pois, que quando Aníbal obtém o que quer fica contente e sossega, acomoda-se e não é homem para grandes exigências estruturais. Não sei, digo eu...

Por exemplo: agora Aníbal é o presidente da república - reeleito, com maioria à primeira volta e numa conjuntura social e política nada fácil. É de ficar contente. E Aníbal contenta-se...
Ainda ontem, Aníbal contentou-se em presidir às comemorações dos 101 anos da república.

Presidir aos 868 anos de Portugal é outra coisa... Não é para quem se contente com os seus feitos pessoais, nem com uma pequena parte de um todo; nem para quem faça a festa de uns quantos quando a todos ninguém perguntou se queriam aquela festa - foi assim há 101 anos, foi sempre assim e continua sendo.


Isto do "5 de Outubro" faz-me lembrar os desgraçados dos miúdos que fazem anos no dia de natal... Mais embrulho, menos embrulho, ficam sempre a perder nas prendas.
Por cá decidiu-se, institucional e oficialmente, festejar os aniversários de uma república trapalhona que, ao longo da sua pouca maturidade já jurou fidelidade aos seus amantes mais diversos, dos mais diferentes quadrantes.
E Portugal? Quem festeja os seus aniversários? Uns quantos... à sua conta, não à conta do Estado português, sem bolos, espumantes nem palanques enfeitados, sem o "institucional" nem o "oficial", apenas a Instituição que existe porque existe de facto, mesmo a contra-gosto, mesmo que injustamente ridicularizada, mesmo que traída na memória, na história e no coração - só não votada ao esquecimento, porque votada, nunca foi.
5 de Outubro? Esqueçam lá a fundação de Portugal, 868 anos é uma velharia, vamos mas é festejar o aniversário da nossa "ama-de-leite" que é uma gaja porreira, e se não for despede-se com justa causa e manda-se vir outra. Enquanto houver vontade...

Mas hoje estou impossível, encalho nas palavras como quem come cerejas e perco o fio à meada. Eu estava a falar do Aníbal... E de cereja em cereja, de palavra em palavra, havia chegado a que Aníbal lá foi, outra vez, presidir às comemorações da república, como bem lhe compete.
Entre várias coisas que disse, algumas das quais com muita razão mas que de novidade nada têm - escusava de as anunciar com aquele ar de quem descobriu a pólvora - como que:
"acabaram os tempos de ilusões" e os "muitos anos na letargia do consumo fácil"
(bem que já podia ter dito isto nas comemorações do ano passado, ou mesmo do ano antes, ou antes... Será que disse? Se calhar até disse, sei lá...)

Mas o que eu gostei mesmo que Aníbal tivesse dito, a coroa de glória do discurso "república 2011" foi:

É preciso "reinventar o espírito republicano"

Não sei bem o que Aníbal tinha em mente quando disse isto; não sei bem qual a interpretação que os seus ouvintes, o povo português, terá feito mas pergunto-me se o que Aníbal quis dizer foi que é necessário repor o "espírito republicano" em prática, na rua, e...

Bem, 100 anos depois, mais ou menos integrados na Europa, mesmo que a forçar caminho com os ombros, já estamos um bocadinho mais civilizados... já não será necessário desatar aos tiros no Terreiro do Paço para pôr o "espírito republicano" em prática; bastará talvez chegar a Belém e dizer ao dono da casa que faça o favor de pegar na família e regressar à Travessa do Possolo que a chefia do Estado irá regressar ao Palácio da Ajuda - sem eleições, ou consultas, ou referendos, apenas será assim porque uns quantos assim o decidiram em nome do bem do povo, dentro do melhor espírito, e pratica, do republicanismo português.

Era isso Aníbal? Hum...

E faço o favor de não dizer mais nada sobre o tal discurso, de não citar mais nada porque, como as palavras são como as cerejas, ainda acabaria a ofuscar as boas razões subjacentes e a lembrar-me de um tipo que usava botas, e chapéu preto, que também defendia em voz esganiçada que os portugueses "cultivassem estilos de vida baseados na poupança e na contenção de gastos desmesurados" e que "revisitassem o seu país e aí encontrem paisagens esquecidas e um património histórico".

Só essa do "património histórico" é que não convém muito lembrar, não vá a malta, republicana e/ou monárquica, não interessa, a malta portuguesa, um destes dia lembrar-se de que era giro, cultural e histórico comemorar o 5 de Outubro... de 1143, o nascimento do nosso país.
Deixem-se lá disso, guardem o orgulho nacional para os jogos da Selecção, se for possível, para o resto "100 anos de república" chega.



2 comentários:

Laurus nobilis disse...

Não posso estar mais de acordo! E este painel…? Onde se situa?

Alex disse...

Olá Laurus nobilis.

Este painel, constitui as "costas" de um de dez bancos semelhantes que ladeiam a calçada de um jardim de Portimão (creio que se chama Jardim 1º de Dezembro mas não estou certa)

Este, relativo a 5/10/ 1143, é o primeiro e o último do conjunto de 10 é o relativo a 5/10/... pois, de 1910. Ele há coisas...

Um abraço.