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O GENE POLITICAMENTE INCORRECTO

Ainda a propósito do artigo da Maria João Avillez...

Li muitíssimos elogios ao que Maria João Avillez escreveu ontem no "Observador", muitos deles no rodapé de comentários on-line; ficam AQUI para quem tiver curiosidade

Também li críticas de quem não gostou, coisa legitima. Porém... Na sua maior parte (mas MAIOR mesmo) as críticas não se ficam pela discordância, não chega.. .Buscam o insulto, amaldiçoam. Era de esperar, isto de se ser politicamente incorrecto tem o seu preço.
Quem contraria a (suposta) esquerda é fascista, egoísta, desumano; quem contraria a (suposta) direita é fixe, socialmente integrado, humanamente superior.

Apoiar o governo é um delito! Quem o faz sujeita-se... Aahhh os democratas!

Isto excita o meu gene revolucionário (sim, pasmem, também tenho) e reforça a minha capacidade de ser politicamente incorrecta, torna-se mesmo uma necessidade.

Não é, para mim, uma questão de esquerda ou direita, há muito tempo que perdi a noção do significado dessa classificação, não lhe encontro o sentido no mundo de hoje, chega a ser infantil pretender dividir o mundo político assim.
No mundo de hoje a maior parte das ditaduras são "de esquerda"; os países com maior estabilidade e superior qualidade de vida são monarquias; a direita não grassa, à parte uns grupelhos de skin-heads desajustados ou de uns KKK reencarnados.
Divida-se entre ser realista ou idealista - e o idealismo é bonito, inteligente mas também jovem e utópico. Divida-se entre ser socialmente eficaz ou a degradação a curto prazo. Divida-se entre a aceitação da opinião alheia, o respeito, e a imposição da opinião própria "porque é a melhor para todos". Divida-se até, no limite, entre democratas e autocratas mas esquerda e direita é ridículo: Putin é de esquerda? E Chavez (o próprio ou o reencarnado)? E a dinastia Castro? E Bashar al-Assad, é de direita? Sejamos lógicos e coerentes...

Assim, com o meu gene revolucionário em curso, trago mais um artigo muitíssimo incorrecto, para congratular ou insultar, publicado no "Público" em Dezembro de 2013.

Apesar de, desde há dezenas de anos, ser inabalavelmente amiga do autor deste artigo, temos grandes divergências ideológicas e políticas que, no entanto, nunca criaram qualquer mal-estar ou incapacidade de diálogo; temos também muitas convergências no que toca à apreciação dos factos, das conjunturas, das jogatanas politiqueiras.
Tem, este artigo, alguns meses mas vem hoje tão ou mais a propósito do que então: hoje, depois da oposição sistemática do Tribunal Constitucional - que se preocupa muito com o povo mas inviabiliza sempre que pode todos os cortes na Despesa orçamental. Hoje, depois de a Troika ter saído e de (afinal...) não ter havido segundo resgate e termos conseguido a tal saída limpa que ninguém acreditava ser possível.
Aqui vai.


«Senhor Primeiríssimo Primeiro Ministro»

João de Castro de Mendia
24 Dez. 2013

Todos sabíamos que a situação em Portugal estava como estava, só que estava como estava porque era exactamente assim que “eles” queriam que estivesse, para fazerem as enormidades que todos temos que pagar. Cada dossier que se abre revela-nos responsabilidades de dimensões bíblicas cuja gravidade deixou de parecer a que era porque não é excepção. Vulgarizou-se.

Sr. Primeiro Primeiro Ministro, desde 1974 que o Senhor é o primeiríssimo primeiro ministro que se nos apresenta a falar uma língua que se entende, a fazer coisas com sentido, a pedir genuinamente às pessoas que se deixem de pieguices porque é finalmente isso mesmo que entendemos. Pode não se concordar ou achar pouco o que faz, mas percebe-se o que diz, o que quer, o que não quer. As medidas que toma são do puro senso comum de alguém que tem um projecto. O seu olhar não é um esgar vítreo, vago, perverso e socialisticamente calculista. É diferente. É muito Melhor.

É sabido que os entes abençoados que escolheu para mandar nas finanças, na saúde, na educação, na justiça, na agricultura, e noutros, herdaram ministérios em tal estado calamitoso que, fazendo o que fazem, é de os elevar à condição de heróis por se terem entregado ao “serviço” e não fugido em direcção a chorudas remunerações. Obrigado Sr. Primeiro-Primeiro Ministro. Obrigado, mesmo, a todo o seu Ministério.
Ao Pinto de Sousa deixaram-no ir longe de mais. Pelo que, regredir, vai ser ciclópico.
A máquina do Estado e do partido soareiro passaram a ser afanosamente orientados para o embuste desenvolvendo um polvo de que todos dependemos, sem defesa, e sob uma censura científica como não há memória.
Com a “falperra” institucionalizada, tudo passou a ser legítimo. A mentira um direito adquirido que passou a ser tão “legal” como a verdade. Pior era difícil.
Quase todos os Portugueses lhe pedem que continue a ter a mesma coragem com que começou. A tratar este socialismo serôdio e criminoso, finalmente, como ele merece. Porque, a última coisa que esta gente quer é um Portugal próspero, organizado e sem aquilo de que se alimenta: a pobreza.
Os da constituição e do aparelhismo do Estado aí estão, alucinados e com uma pressa desbragada de o derrubar, ignorando que perderam as eleições exactamente por nos termos fartado de que o nosso País tenha sido organizado pelo “bando” de abutres, senis e insaciáveis, de sempre.
Senhor Primeiro Primeiro Ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, como sabe infinitamente melhor do que eu, a agenda destes terroristas, em desespero, consiste em recuperar o poder à custa seja do que for. Dizia-me alguém, que pouco haverá a fazer contra a falta de vergonha; mas há: coragem. E o Senhor tem-na de sobra.»

            

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