January 18 at 3:48 p.m. Oslo time (1448 GMT):
«Caro Sr. Presidente, caro Donald,
Sobre o contacto através do Atlântico - sobre a Gronelândia, Gaza, Ucrânia - e o seu anúncio de tarifas ontem.
O senhor conhece a nossa posição sobre estas questões. Mas acreditamos que todos devemos trabalhar para reduzir a tensão e atenuar a situação - tanta coisa está a acontecer à nossa volta que precisamos de estar unidos. Estamos a propor um telefonema com o Senhor ainda hoje - nós os dois juntos ou em separado - dê-nos uma indicação do que prefere!
Atenciosamente, Alex e Jonas»
President Trump to Prime Minister Store, January 18 at 4:15 p.m. Oslo time (1515 GMT):
«Caro Jonas:
Considerando que o seu país decidiu não me atribuir o Prémio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, já não me sinto obrigado a pensar apenas em paz, embora ela seja sempre predominante, mas agora consigo pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América. A Dinamarca não pode proteger aquela terra da Rússia ou da China, e porque é que afinal teriam um "direito de propriedade"? Não há documentos escritos, apenas que um barco atracou lá há centenas de anos, mas também tivemos barcos a atracar lá. Fiz mais pela NATO do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação e, agora, a NATO deveria fazer algo pelos Estados Unidos. O mundo não estará seguro a menos que tenhamos o controlo total e total da Gronelândia.
Obrigado! Presidente DJT»
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Quais são os problemas de segurança que não podem ser resolvidos mantendo o status quo?
Independentemente das razões que levam Trump a estar obcecado com a posse da Gronelândia não passarem, nem ao longe, pela segurança da ilha - há dois dias já me estendi largamente sobre os seus motivos aqui - vamos fazer de conta que a evocação é honesta e desmontemos a impostura do argumento.
Desde a década de 50 que existe preocupação militar sobre a segurança contra um ataque de míssil contra os Estados Unidos. Vejamos...
Olhando para o mapa do Círculo Polar Ártico até ao equador vemos que a menor distância entre a Rússia e os Estados Unidos, caso houvesse um ataque de míssil, é essencialmente sobre o Pólo Norte. É por onde um ataque viria. (No que toca à China é através do Oceano Pacífico)
Os Estados Unidos têm-se preocupado pensando nisso nos últimos 60 ou 70 anos.
POR AR - OS MÍSSEIS
Os Estados Unidos costumavam ter 17 instalações e bases de radar na Gronelândia, com 15.000 soldados. Agora têm apenas uma, a base espacial de Pituffik no norte da Gronelândia, com 150 soldados, era tudo o que achavam que precisavam até de alguns anos, até Trump entrar na Casa Branca
Além disso,
- Existem 47 instalações de radar no Canadá, bastante mais próximo do polo e da Gronelândia, 15 instalações de radar no Alasca,
- Há base de detecção em Fylingdales, no Yorkshire, Grã-Bretanha, e o maior dos radares em Pine Gap, na Austrália, um pouco fora do mapa mas altamente eficaz .
Isto compõe o "BEUSE" - sistema de alerta antecipado de mísseis balísticos, uma mistura de radares de curto e longo alcance. Poderia ser construído mais um na Gronelândia se os americanos achassem que precisavam desse tipo de base ali e é provável que, à medida que a tecnologia muda, acabem por a construir. Podem querer mais bases, podem ter tudo isto ao abrigo do acordo estabelecido com a Dinamarca em 1951
O MAR
Depois põe-se a questão da segurança marítima levantada pelos navios russos e chineses que circulam dentro do Circulo Polar Ártico; estão interessados na abertura da Passagem do Noroeste. A maior parte da "água" que se vê no mapa é gelo, não "mar" navegável. O o aquecimento global está a criar abertura da Passagem do Noroeste e os EUA só se aperceberam disso muito recentemente.
Há um outro pormenor que levanta sérios desafios militares, dentro do Círculo Polar Ártico, grande parte fica noite, ou muito escuro, durante 24h/24h ao longo de 6 meses e ensolarada por 24h/24h durante os outros seis meses; embora isso varie um pouco com a latitude tem de se contar com longos períodos de escuridão, longos períodos de luz constante e, hum, há interesse
POR TERRA
Por último, pode-se pôr a hipótese de uma invasão terrestre, só por uma questão de boa-vontade e para desanuviar as preocupações, tão seriamente levantadas por Scott Besson, o secretário do Tesouro actual, e por aquela encarnação demoníaca que dá pelo nome de Steven Miller, o homem que declarou que "Ninguém irá entrar em confronto com os EUA para defender a Gronelândia". Ambos expuseram o "facto" de estar a ser preparada "algum tipo de invasão da Rússia ou da China em direcção à Gronelândia".
Teriam de, basicamente, invadir através do Pólo Norte, sem mar navegável e sem terra viável. Qualquer pessoa que ache isso possível que olhe novamente para um mapa, a maior parte do que se vê azul... é branco
Se há um argumento de segurança, a NATO precisa de fazer algo como um todo. O desafio naval e o desafio dos mísseis balísticos é o mesmo de sempre, estará a agravar-se à medida que se vai derretendo a calote polar; pode-se melhorar as defesas, inclusivamente do Alasca e do Canadá, mas isso é clara e indiscutivelmente possível dentro do acordo atual. O acordo que Trump está prestes a deitar por terra.
O resto são negócios, interesses pessoais, loucuras megalómanas sustentadas por dinheiro em excesso.

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