Há exactamente 31 anos, mais ou menos por esta hora (21h), caiu-me a alma aos pés.
Não é saudosismo, é um sentimento de injustiça;
Quem morre no auge da paixão, pelo seu país e por um amor que não quer esconder, morre injustiçado.
.
FRIA INJUSTIÇA
Publicado por Alex at domingo, dezembro 04, 2011 1 comments
CONTRASTES LUSOS
Os portugueses têm alguns defeitos gritantes. É verdade. Um dos que mais me choca é a tendência para puxarem a brasa à sua sardinha doa a quem doer, ao melhor estilo "E quem vier atrás de mim que feche a porta".
Há tempos circulou pelos e-mails nacionais o relato de um português que foi à Suécia visitar uma fábrica da Volvo. Um sueco foi busca-lo ao hotel e deu-lhe boleia pela manhã. Chegaram à fábrica cedo, antes da hora de entrada ao trabalho. O bom sueco estacionou o seu carro longe da entrada do edifício. O bom português perguntou se os lugares junto à entrada se destinavam à administração. Nada disso, respondeu o sueco, deixa-se os lugares perto da entrada para quem chega mais tarde e com mais pressa, nós temos tempo para andar com calma até ao edifício. Óbvio.
Óbvio para sueco... Para português é óbvio que quem chega cedo "tem direito" aos melhores lugares, ou "viessem mais cedo".
Contrastante com esta mentalidade profundamente enraizada no português há porém uma generosidade e uma capacidade de ser solidário que, mesmo nos dias que vão correndo, não deixa de ser uma caracteristica do povo português.
Este fim de semana último decorreu mais uma recolha de alimentos para o Banco Alimentar Contra A Fome.
Já todos sentimos que as contas de super-mercado subiram, subiram e não foi só um bocadinho, subiram mesmo, a cada vez que chegamos à caixa constatamos que subiram.
Seria de esperar que as contribuições de produtos alimentares descessem consideravelmente este ano; era esperado pela organização dos peditórios. Pois, mas não foi assim.
As pessoas, os portugueses, têm sentido que os alimentos custam mais euros; e se custam mais euros custam mais a todos, e chegam menos àqueles que não têm euros para os adquirir. Doi a todos e a uns doi mais do que a outros, sobretudo àqueles que estão "no fundo da cadeia alimentar", os que recebem o que lhes dão e ponto final.
«O Banco Alimentar contra a Fome angariou quase três mil toneladas de alimentos na campanha que decorreu, no fi m-de-semana, em supermercados de todo o país. O resultado foi semelhante ao do ano passado, o que superou as expectativas, dada a redução do poder de compra dos portugueses.
“O balanço é muito positivo. Foram recolhidas 2.950 toneladas de alimentos nos 19 bancos em actividade e houve uma adesão muito entusiástica entre os voluntários: houve muito mais pessoas que acorreram para ajudar. E muitas pessoas tinham comentários doEu gosto dos portugueses. Em questões de cidadania e urbanidade tiram-me do sério, tocam as raias do desrespeito com a maior das facilidades mas têm qualidades de um enorme humanismo e essas são de facto as fundamentais. Antes assim.
género ‘não posso dar tanto, mas não posso deixar de dar e colaborar convosco no armazém’, o que fez com que não houvesse um decréscimo tão substancial como eu previa”, disse à Renascença a presidente da Federação de Bancos Alimentares, Isabel Jonet.
Mais de duas mil instituições de solidariedade social vão receber os alimentos recolhidos para os entregar a mais de 300 mil pessoas com carências alimentares.
A contribuição dos portugueses pode ainda ser feita “até dia 4 de Dezembro, através de um vale nos supermercados ou online, onde têm ainda a possibilidade de doar um cesto de produtos básicos”»
In "Página 1", 28/11/11
Publicado por Alex at segunda-feira, novembro 28, 2011 3 comments
"ELE QUE VEIO DO NADA"
«O fado é Património Imaterial da Humanidade,
segundo decisão hoje tomada durante o VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
A candidatura portuguesa foi considerada como exemplar pelos peritos da UNESCO.
Esta candidatura foi apresentada ao Presidente da República a 28 de Junho de 2010e formalizada junto da Comissão Nacional da UNESCO. Em Agosto desse ano, deu entrada na sede da organização, em Paris.»
In "Sol", 27 /11/11
A UNESCO presenteou, e bem, a humanidade ao reconhecer o nosso Fado como cidadão do mundo.
.
Publicado por Alex at domingo, novembro 27, 2011 2 comments
A OUTRA FACE
Independentemente do que penso sobre as greves que têm vindo a ser agendadas durante este mês de Novembro, e que já AQUI expus dia 8 último por ocasião da greve dos transportes, face ao agradável mas oneroso dia que se viveu ontem em Lisboa (e Portugal não é Lisboa) vem-me à veia dizer o seguinte:
A GREVE É UM DIREITO DOS TRABALHADORES,
e enquanto tal deve ser respeitado.
Ok.
E QUEM NÃO QUER ADERIR A UMA GREVE, TEM O DIREITO DE TRABALHAR?
Tem.
Tem?
Alguns piquetes de greve tiveram ontem, 24/11, atitudes e actuações lamentáveis de um absoluto desrespeito pelos seus colegas que quiseram trabalhar.
Não comentando já a inconsciência (?) daqueles que propositadamente criaram desacatos, que poderiam ter acabado muito mal, na frente da manifestação frente à Assembleia da República.
Não comentando já os ataques de vandalismo que foram feitos contra três repartições de finanças em Lisboa. Com que intuito? Que raio de "moda" pretendem lançar? O que se segue, caixotes de lixo a arder e automóveis destruídos?
Se não fazes greve a bem fazes a mal?
Boa! Viva a democracia e o respeito pelos trabalhadores
Felizmente Portugal não é Lisboa.
E a raiva de Carvalho da Silva por a polícia ter retirado um a um os bloqueadores de piquete de greve à porta da carris? "Não compete à polícia decidir o que podem fazer os piquetes de greve", diz ele. Pois é, Carvalho da Silva, saíram autocarros conduzidos por quem quis trabalhar. Podes enfurecer-te mas és uma besta.
Apesar de tudo prefiro a besta Carvalho da Silva à ave trepadora que é João Proença; gajo, não convences... Claro que tens direito ao teu descanso mas não convences enquanto defensor dos direitos dos trabalhadores. Agarra-te Proença, agarra-te que isto anda mal de empregos e a claque dos "boys" já não é o que era.
.
Publicado por Alex at sexta-feira, novembro 25, 2011 6 comments
VIDA A SÉRIO, PESSOAS A SÉRIO
Fui passar o último fim de semana de Outubro até ao feriado de 1 de Novembro para o centro interior do país, ali mesmo ao pé de Pedrogão Grande.
Os fins de semana são sempre curtos e os que conseguimos prolongar mais curtos nos parecem: quando estava quase a tornar-se tangível a doce realidade que quase consegui reter soaram as trombetas do dia-a-dia e lá tive de me meter no carro para vir preguiçosamente direita a Lisboa.
As crianças fazem muitas vezes perguntas que envolvem o seu conceito - e nosso - de "Vida Real": se um qualquer actor é mesmo amigo de outro na "vida real" ou se um personagem como o Batman ou o Indiana Jones existiram mesmo na "vida real". Fico sempre um tanto perplexa perante perguntas que envolvem este conceito. No fundo, nós adultos, sabemos que há ali qualquer coisa que não corresponde ao conceito de realidade e, à medida que vamos amadurecendo, vamos deixando de utilizar a expressão.
O que tornou o meu fim de semana prolongado tão inesperadamente curto, foi o breve sabor a VIDA REAL que me proporcionou. Tal como quando estamos a dormir não tendo consciência de que o fazemos também só me apercebi da tangibilidade da Vida ali quando comecei a partir.
Por certo já aconteceu a todos; quando estamos muito cansados mal nos sentimos adormecer; horas depois somos acordados pelo despertador aos berros ficando completamente desorientados com a sensação de que dormimos apenas dez ou vinte minutos. Pois foi exactamente esta a sensação que tive ao cabo destes dias.
A realidade da vida não é o corre-corre do dia a dia, as tarefas que quotidianamente se repetem, as pessoas que encontramos porque "fazem parte do cenário", os caminhos entediantes que percorremos, as horas fixas para comer, dormir, tomar um café, amar, discutir, cozinhar, tomar banho e tantas, tantas outras coisas que demasiadas vezes são quase tudo. Sentir acaba por ter um significado imediato e, consequentemente, superficial.
Não há nada de errado nisto, sentir isto ou aquilo ao longo do dia é do que de mais humano existe mas acabamos por raramente nos sentir a nós, por dentro, bem a fundo, sem a interferência dos cenários e figurantes, sem ser em relação a isto ou aquilo, sem ser em relação a este ou àquele. Sentir a Vida.
Ocasionalmente lá temos oportunidade de viver a vida real; um bom fim de semana, umas férias diferentes, um dia especial...
Esses quatro dias foram assim.
O local e as pessoas que tive oportunidade de conhecer, com quem privei um bocadinho que me soube a pouco, não foram de forma alguma alheias a isso, muito pelo contrário, foram a sua essência. Ficaram no meu coração pela sua franqueza, generosidade incomum, disponibilidade. Que posso dizer? Seres humanos a sério, sem cenários nem cenas, sem complicações desnecessárias - simples e autênticos como a vida real.
Um pouco como um agradecimento, ou mais como um reconhecimento do privilégio de que tive a sorte de usufruir, e que deixei já com saudades para voltar, abaixo deixo um "mapa" para este tesouro, algumas das muitas imediações que estão ao alcance de uma saída tardia para almoçar e de um regresso a tempo de planear a noite.
Se vos consegui motivar a querer saber mais deixo-vos o link aos CASAIS DO TERMO para darem uma espreitadela
E se lá forem levem beijinhos meus a dois amigos que por lá fiz: a Senhora Dª Olinda e o Senhor Domingos Luís, não se irão arrepender.
.
Publicado por Alex at domingo, novembro 20, 2011 3 comments
DESABAFOS TUGA
Vai começar o jogo:
Finalmente alguma coisa mudou neste país: Ronaldo tem um penteado novo. Dou-lhe um "Like".
Tocou a música:
Os sacanas dos bósnios vieram a Portugal e dentro de um estádio português, rodeados de tugas assobiaram o hino português. Aah cambada! Talvez se lixem...
- 8 minutos:
- 24 minutos:
Eu grito GOOOOLOOOOOOO! O cão ladra que nem um louco. O piralho pula em cima do sofá.
Se não fosse o futebol como é que a malta desabafava?
Já me gamaram um "penalty"
Olha... não gamaram o "penalty" à Bósnia
2 - 1 ... Gruunnnffffffff.

(hoje vai ser um inferno conseguir meter o miúdo na cama)
'Bora lá então, agora a chutar para o outro lado
Bósnios sarrafeiros... se o Meireles não mostrasse a pernoca ao árbitro o sarrafeiro tinha-se safo do cartão amarelo
- PIMBA! Vai'bscar. 'Ganda Ronaldo, g'anda golaço!
Anda ali um jogador bósnio, nº11, a levantar o dedinho à cara dos adversários. Esta-me a dar mau feitio...
Já me gamaram outro "penalty"
- A Bósnia marcou um golo maricas; e os portugueses em campo a vê-la passar... Tse-tse.
Aquele rapaz bósnio nº11 estava a precisar de um tabefe à moda do Scolari
- 72 minutos
Onde é que fica a Bósnia?
- 78 minutos
É bem-feita para não usarem as patas dianteiras como se fossem patas traseiras
- 81 minutos
- 82 minutos
- 90 Minutos
Curiosamente agora os bósnios não assobiam o hino português
Terão perdido o piu?
Vou introduzir a criança na baliza, perdão, na cama.
Vêmo-nos na Polónia
.
Publicado por Alex at terça-feira, novembro 15, 2011 1 comments
TIMOR, 20 ANOS. Para a L. X.
A 12 de Novembro,
faz hoje 20 anos,
270 mortos, outros tantos feridos
e cerca de 270 desaparecidos.
São acontecimentos destes que fazem a vergonha da humanidade.
Foi um dia de vergonha, de dor, de luto, de injustiça cruel e, posteriormente, quando as imagens de um massacre chegaram às televisões do mundo, foram momentos de incredulidade e espanto.
Momentos...
Poucos anos depois a vida fez-me encontrar e relacionar-me diariamente, durante anos, com uma jovem timorense, familiar próxima de D. Ximenes Belo, a L. Ximenes. Tinha uma boa vida em Timor, em família, em conforto bem acima da média, na paz possível. Perdeu tudo isto porque a sua família se recusou a colaborar com os indonésios; os pormenores não são, agora, importantes, foi assim.
Eu tive oportunidade de a conhecer, e de com ela privar, porque a vida dela por lá, em Timor se tornou "complicada". Perigosa? Não sei, nunca mo disse. Veio viver para Portugal e por alguma razão assim foi. Era ainda uma menina, crescida no corpo, inocente na alma, sofrida já na vida.
Nos profundos e escuros olhos desta rapariga, só aparentemente frágil, nunca vi raiva, muito menos ódio. Vi tristeza e saudade, vi muita coisa calada e que talvez mais valera fosse esquecida. Vi quase sempre aqueles olhos a sorrir para as pessoas, educadíssima e prestável, solidária. Vi sempre doçura; nunca lhe ouvi uma palavra amarga embora me fosse evidente a amargura que lhe amassara o coração; Vi a herança de um povo que não alimenta em si a violência e a agressão. Vi a aceitação mansa da vida e um conhecimento íntimo de até onde a injustiça pode chegar. E vi esperança e uma imensa capacidade de amar.
Nunca se desaculturou: estudou por cá, licenciou-se, trabalhou, anos depois foi viver para Inglaterra, foi mãe ... ainda hoje na sua página do "facebook" encontramos o seu coração timorense - frequentemente escreve e comunica-se na sua língua natal.
Pode tirar-se a menina de Timor mas não Timor da menina.
Um abraço longo e apertado para ti, L.X., especialmente hoje.
.
Publicado por Alex at sábado, novembro 12, 2011 0 comments
Ó OTELO, APROVEITA ENQUANTO HÁ CHOURIÇOS
Um dos poucos argumentos que Sócrates apresentou com razão foi que o seu governo era legítimo: resultou de um acto eleitoral no qual o PS venceu as eleições, sem maioria parlamentar, o que se reflecte no apoio da Assembleia, mas venceu. Tudo o resto são considerações, análises opiniões mas o facto era inegável.
O presente governo tomou posse em Junho; sendo um governo de coligação é um governo maioritário, e legítimo. Tomou conta de um país com as cuecas rotas na mão, as quais nem se sabia bem até que ponto estavam rotas, desconhecia-se se ainda tinham um elástico que as mantivesse no sítio...
O presente governo pegou num país já com a troika "cá dentro", a tal "troika jamais" porque não havia «derrapagem orçamental» e estava «tudo controlado», os buracos tapadinhos com papel de embrulho para não se ver o fundo porque o fundo do buraco já nem dava para ver.
E quando se desembrulhou o buraco... embrulhados numa grande embrulhada estávamos nós todos.
A tal "troika jamais" já deveria ter entrado antes, já deveria ter havido um Basta! muito antes, já se deveria ter posto rédea na "besta" muitíssimo antes.
E agora? Agora estamos a viver dentro dos curtos limites que nos restaram. Estamos a viver muitíssimo limitados; pois é, pois estamos. Agora pagamos a factura de tanto crédito, de crédito mal parado; nunca parado por acção de gestão económica e financeira - parado apenas pelo embate num fundo de rede que antecedia a banca-rota.
Agora chegamos a isto e precisamos de um esforço hercúleo, vemo-nos em situações desesperantes e maioritariamente injustas. Preço elevado este que pagamos por um BASTA excessivamente tardio
Ou seja: deixamos que fossem ultrapassados todos os limites.
De repente aparece o herói do cavalo branco, o major que queria mandar os fascistas para o Campo Pequeno para serem fuzilados, e diz, como se alguém o tivesse mandatado para falar em nome do povo:
«Ultrapassados os limites deve ser feita uma operação militar e derrubado o governo»
Que grande democrata me saiu este general de aviário, sim senhor!
Bem... Ele também diz que não é para já... Talvez lá mais para Abril, digo eu, talvez dia 24... dois feriaditos seguidos até que vinha a calhar.
Ó Otelo... pergunto-me porque só agora te deste conta de que a coisa está preta, porque só agora te deu para botar faladura.
Ó Otelo... com tanto bom copo para beber na boa companhia de antigos camaradas de armas e desarmas... Deixa-te de merdas, as melhores revoluções fazem-se à mesa depois de um bom cozido à portuguesa; Ó Otelo... aproveita enquanto ainda há chouriços.
Eu fico-me por aqui; mais houve que dissesse e já não é de agora. O texto abaixo foi publicado no blog Arrastão e no Expresso on-line a 20 de Abril de 2011. Poderia chamar-se "Ó Otelo, vê se te enxergas"...
Não concordo com tudo o que diz, também não é preciso e talvez nem fosse tão salutar. Ah, mas concordo com tudo o que diz a propósito de Ótelo; é bom saber que não estou só.
Se soubéssemos o que sabemos hoje, Otelo!por Daniel Oliveira
Otelo Saraiva de Carvalho presenteou-nos com mais uma das suas frases de efeito: se soubesse o que sabe hoje não teria feito o 25 de Abril.
Três coisas rápidas:
A primeira: o 25 de Abril não foi uma prenda de Otelo aos portugueses. Foi obra de muitos outros militares. E foi obra dos portugueses. A democracia não nasceu num dia. Foi construída. E foi construida e defendida por nós. Se ele não tivesse comandado as forças revolucionárias outros o fariam no lugar dele.
A segunda: isto não acabou assim. No meio, erguemos um serviço nacional de saúde que, com todos os seus defeitos, até está entre os melhores do mundo; alfabetizámos, construísmo a escola pública, democratizamos o ensino superior; garantimos uma segurança social universal; acabámos com a censura; deixámos de ter presos políticos; abrimos Portugal ao Mundo; e, para o mal ou para o bem, defendemos sempre a nossa democracia, com liberdade e pluralismo. Se Otelo faz um balanço negativo, ele lá saberá o que esperava da revolução.
A terceira: não me parece que se a revolução não tivesse acontecido estariamos melhor neste momento. Que tenha de haver gente a explicar isto a Otelo Saraiva de Carvalho só demonstra que o que lhe sobrou em coragem sempre lhe faltou em inteligência política, como se foi notando pelo seu percurso tão repleto de asneiras.
A ser verdade este súbito sentimento de Otelo, talvez seja altura de abandonar a parcimónia com que nos dirigimos a ele e dizermos de uma vez por todas o que muitos de nós sentimos demasiadas vezes: se soubéssemos que Otelo seria o que foi depois da revolução também teríamos preferido que tivesse sido outro a comandar as operações no dia 25 de Abril de 1974. Não precisávamos de ir longe. Bastava procurar entre alguns dos militares que o acompanharam naquele dia. De Salgueiro Maia a Melo Antunes, nunca faltou quem provasse ter muito mais sabedoria com muito menos fanfarronice
Publicado no Expresso Online
.
Publicado por Alex at quinta-feira, novembro 10, 2011 0 comments
O DIREITO AO BOM SENSO
Diz Rodrigo Moita de Deus no seu blog 31 da Armada:
a greve dos transportes explicada
Gente com emprego recusa transportar gente que quer trabalhar.
Posto de forma simples, ainda que com o seu quê de provocatória, é exactamente assim.
Não trago qualquer novidade ao dizer que esta greve de transportes nada tem a ver com a tradicional forma de luta na defesa de interesses de determinada classe de trabalhadores; é uma greve política, chapadamente política e ponto.
Eficaz? Hum... tão eficaz não quanto a adesão por parte do sector grevista mas quanto o número de pessoas que consegue afectar. Obviamente que o sector dos transportes é um dos sectores chave - quanto mais pessoas deixarem de trabalhar porque não terem transporte, ou, pelo menos, chegarem substancialmente atrasadas, maior o êxito da greve. "Gente com emprego recusa transportar gente que quer trabalhar", pois é... Destabilização social e política, pura e simples.
Daqui por quatro dias, a 12 de Novembro, soma e segue a manif. da Função Pública, a 24 continua o baile com uma greve geral marcada pelas duas centrais sindicais. Um fervor revolucionário em crescendo, uma técnica mais antiga do que o ... Ai credo, ia-me saindo um impropério.De um modo geral é para o lado que durmo melhor; sou uma acérrima defensora do direito à manifestação, da liberdade de expressão e pelo direito à greve por motivos laborais. Porém a questão não é essa.
A questão é que o nosso país está de tanga, tanga rota e puídinha.
É bom, não, é fundamental, essencial, imprescindível, que consigamos manter o cumprimento dos nossos compromissos económicos dentro da U.E. e todos sabemos perfeitamente porquê, bater nessa tecla é repetitivo e não faz música.
Há dias, quando Papandreou se lembrou de querer um referendo na Grécia, fazendo tremer toda a economia da União Europeia, fê-lo em vésperas de entrar mais um "balão de oxigénio" sob a forma de euros naquela "caverna de Platão" mergulhada sob águas turvas. Tivesse esse "balão de oxigénio" sido suspenso e, este mesmo mês de Novembro, a Grécia asfixiaria sem hipótese de pagar salários e serviços, para já não falar de bens.
Voltando à vaca fria, gelada.

O problema não é a destabilização social, não são as greves puramente políticas, por essas já passamos várias vezes. O problema é que não nos podemos dar ao luxo de não trabalhar, de não produzir, de parar. Não podemos, mesmo.
Se a situação económica de Portugal tem saída?
Claro que sim, se não nos empenharmos em lixar o esquema a bem da contestação política, a bem do "exercício dos direitos dos trabalhadores". Os trabalhadores somos todos nós que trabalhamos, produzimos, pagamos impostos e, neste momento mais do que em tempos corriqueiros, o exercício dos nossos direitos fundamentais passa pelo direito a criarmos condições para voltarmos a ter uma vida com menos sacrifícios, uma vida melhor com um nível de qualidade mais elevado. Não é uma crença, não é uma fé política, não é sequer uma esperança exacerbada. Já passamos por maluqueiras semelhantes anteriormente e demos a volta; e é possível dar a volta, sem ser em sonhos, basta fazer contas, estabelecer metas, planificar e gerir. Pois, mas temos de produzir, de trabalhar, de meter na cabeça que o bem e o futuro de todos nós está em jogo agora; não é altura para fervores que sacrificam a causa comum na "luta" pela causa partidária. É absurdo!
Felizmente há quem entenda isto.
O Metro parou em Lisboa, no Porto não foi assim (se calhar são os trabalhadores do Metro do Porto que são fascistas reaccionários - ah, talvez não tanto, apenas se deixaram manipular)
Olhem lá:
“Claro que todos temos direitos mas, tanto quanto direitos, temos obrigações, deveres, lucidez e bom senso. E é por isso que não fazemos greve: por termos a obrigação de manter uma empresa racional e equilibrada e o dever de, todos os dias, garantir a mobilidade de milhares e milhares de pessoas”, lê-se num comunicado enviado aos jornalistas.A notícia está AQUI
.../...
“E partilhamos a opinião de que o sector muito teria a lucrar se adoptasse, o mais rapidamente possível, um modelo operacional semelhante ao do Metro do Porto. Sobretudo, o Estado e os contribuintes seriam poupados a pagar uma conta manifestamente desajustada ao benefício gerado”, frisam os subscritores do documento.
.
Publicado por Alex at terça-feira, novembro 08, 2011 2 comments
ACORDESES ORGANIZEM-SE!

Depois da barracada da Proposta de Lei do Orçamento Geral de Estado 2012, escrito em meio-português/meio-acordês...
(quem não tenha dado por isso que se dê ao trabalho de dar um saltinho AQUI ,o original para quem "tem facebook",
ou AQUI, para quem não tem)
barracada essa da qual não resisto a deixar uns elucidativos exemplos, tais como:
Protecção do meio ambiente e conservação da natureza – Pág. 189
proteção do meio ambiente e conservação da natureza – Pág. 189
duas ópticas de contabilização – Pág. 53
numa ótica de contabilidade nacional – Pág. 53
( Deve ser o plural que tem "direito" a P)
DESPESA EFECTIVA – Pág. 69
despesa efetiva – Pág.69
(Aqui não será o plural, devem ser as maiúsculas)
os contratos efetivamente celebrados – Pág. 134
começará a ser efectivamente paga nesse ano – Pág. 75
(Ok, quando são pagos ganham o direito ao C)
A coisa irrita-me por diversas razões, a primeira das quais é que tudo o que é escrito em acordês me irrita mas, sendo esta a primeira não é de todo a mais importante nem a mais grave; a mais grave prende-se com o seguinte:
Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, “determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (…), a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo”
Que raio passa pela cabeça de quem redige um documento oficial do Estado ao parir uma Proposta de Lei Orçamental escrita em língua nenhuma?
O Ministério das Finanças coloca-se ao nível de uma ridícula RTP que transmite em "direto" ou de uma série de pasquins que publicam artigos que têm de ser corrigidos depois de redigidos para se acordarem com regras que não estão em vigor.
ISTO NÃO É UM PROBLEMA DE ECONOMIA OU DE FINANÇAS; É UMA VERGONHA INDECISA, ERRANTE E ERRADA, UM DESCONSOLO.
UM DOCUMENTO OFICIAL ESCRITO EM SEMI- ACORDÊS, UM ACORDÊS MAL ASSUMIDO DE QUEM SABE QUE ACORDÊS NÃO PRESTA, NÃO ESTÁ EM VIGOR, É UMA TRAMPICE INVENTADA PARA AGRADAR A GREGOS E TROIANOS, MAS NÃO A PORTUGUESES
Mas dizia eu lá mais acima, depois desta barracada, tenho tomado atenção a semelhantes broncas em "sites" oficiais. A coisa seria hilariante se não fosse triste, muito triste.
Ainda há pouco passei pelo "site" da Autoridade Nacional de Protecção Civil (é, ainda se chama assim, em português mesmo) . E lá no dito está escrito:
2011-10-21
Primeiras chuvas: atue preventivamenteSob este título podem ler-se várias banalidades como:
«aos cidadãos competirá tomar atitudes proativas»e no final deste mesmo aviso:
Para o esclarecimento de dúvidas, contacte o seu Serviço Municipal de Proteção Civil.
Já no "site" do Ministério da Educação pode ler-se assim:
«O Programa Educação 2015 foi lançado para elevar as competências básicas dos alunos portugueses e os níveis de qualificação e para traçar uma estratégia de convergência com os padrões internacionais de qualidade educativa.
Centra-se em três objectivos de referência:
Elevar as competências básicas dos alunos portugueses;
Assegurar o cumprimento da escolaridade obrigatória de 12 anos;
Reforçar o papel das escolas.»
Curiosamente este "Programa Educação 2015", « a lançar a partir do ano lectivo 2010-2011» (sic), publicado por este Ministério, encontra-se totalmente (!) escrito em português;Este mesmo ministério que impõe que os estudantes, da primária incluídos, começassem já no princípio do presente ano lectivo a praticar e a aprender acordês.
Aliás, todo o "site" se encontra escrito em português; curioso não?
O mesmo é válido para o "site" do ministério dos Negócios Estrajeiros, o que tem relações privilegiadas com os Países de Língua Oficial Portuguesa
Não há dúvida que uma parte da nossa comunicação social está muito "à frente"; oxalá não caia...
Como diria "o outro", ó gente, ORGANIZEM-SE!
.
Publicado por Alex. at quarta-feira, outubro 26, 2011 2 comments
HOJE ACORDEI TRISTE, O PR NÃO QUER SABER DOS MEUS CONSELHOS
Ontem dediquei-me de alma e coração a tentar dar o meu melhor, a esmifrar a minha observadora mente em busca de bons conselhos para o Presidente da República... e afinal havia outra!
De que falo eu? Da foto, claro.
Ora atentai na foto que acompanha o "post" de ontem...
Já está?
Atentai agora na foto abaixo prantada que retrata a reunião de Conselho de Estado que ocorreu ontem.
Aníbal trocou de camisa!
Desapareceu o efeito convergente que culminava na imagem do PR como "ponto de fuga".
Nada de "pontos de fuga" para o PR... Da convergência muito se falou e comunicou...
Oxalá não se fique por aí, pela conversa pós C.E.
Aníbal trocou de gravata!
Foi-se o "ponto de exclamação", perturbou-se a verticalidade, à harmonia com os tons da mesa substitui-se uma diluição.
Ahhh, mas um novo dado salta à vista... O "ponto de exclamação" perdido assume-se agora como o vértice mais alto de uma triangulação visualmente obvia. Obvia sim. Qual? Ora... triangulai até António Seguro, de um lado e G'anda Noia, perdão, Marques Mendes, do outro. Por outras palavras: a soma dos quadrados dos catetos
E os floreados... baseiam-se em alicerce bem à vista, foi-se a camuflagem farfalhuda, há uma maior mistura de cores composta de forma mais simples.
Muito bem meninos, inspirem-se neste "arranjo" central - conversem, muito, à volta da mesa e "não para fora da mesa", é muito feio e gera muita intrigalhada.
Posto isto e em jeito de rescaldo apenas dois comentários:
1 - Passos Coelho conseguiu "riscar" neste C.E. Dúvidas?
Ora atentai na gravatinha. Gravatinha é muito importante (já dizia o meu pai)
2 - Passos Coelho não tem "agenda escondida"
(Todas as fotos: Presidência da República)
Publicado por Alex. at quarta-feira, outubro 26, 2011 0 comments
HOJE ACORDEI TORTA ATÉ DIZER CHEGA
«No dia em que o Conselho de Estado vai discutir a situação do país, Renascença pediu aos portugueses que deixassem conselhos ao Presidente da República.
Alguns dos conselhos - de personalidades das mais variadas áreas da sociedade e também de muitos internautas anónimos - passaram, ao longo do dia na Informação da Renascença.../...»
In "Página 1"- 25 Out.2011
Os meus conselhos a Aníbal:
Gosto do azul da camisa, condiz subtilmente com as tampas e o tom azulado das filas de garrafas de água;
Cria um efeito convergente que culmina na imagem do PR como "ponto de fuga".
Sem dúvida duas necessidades estéticas fundamentais - convergência e ponto de fuga...
Gosto do tom da gravata, estabelece uma discreta harmonia entre o todo e a parte;
a figura do PR aparece como um ponto de exclamação na sua verticalidade harmonizando-se com os tons na mesa, da "Távola", em torno da qual os diversos quadrantes se reúnem; harmoniza-se até com os floreados centrais. Verticalidade e harmonização, mesmo que com floreados - imprescindível.
Esperemos que esta verticalidade simbólica não seja perturbada por um qualquer trejeito excessivo que se transforme numa obliqua "barra" " e/ou..." entre o que é suposto ser paralelamente funcional , evitando assim convergências e divergências destabilizadoras e altamente perturbadoras do equilíbrio da imagem e dos alicerces da sustentabilidade institucional.
Poderia Aníbal ir mais longe? Poderia...
Poderia procurar um acordo aparente entre o seu clássico fato, trocando aquele sóbrio azul-escuro pelos tons verde-ecológico dos reposteiros, aliás os mesmos tons da folhagem que serve de camuflado à base dos floreados centrais.
Tal acordo, aparente, seria excessivo e retiraria individualismo à sua personalidade enquanto PR.
Melhor será que Aníbal se preocupe em manter a sobriedade, sem se preocupar em agradar, sem atitudes forçadas de um ecologismo político pouco a propósito e confrangedoras para quem toma as inadiáveis medidas que ele, Aníbal, nunca tomou enquanto primeiro-ministro ou enquanto ministro das Finanças.
Um "must" que lhe ficaria a matar:
Uns bonitos e potentes óculos graduados compostos por lentes bifocais e uma armação discreta, de preferência não metálica para não fazer soar,desnecessariamente, os alarmes.
.
Publicado por Alex. at terça-feira, outubro 25, 2011 0 comments
É PRECISO TER LATA
A Faculdade de Economía do Porto convidou Teixeira dos Santos para fazer a oração de sapiência para a abertura oficial do ano lectivo...
Esperem aí só um bocadinho que eu vou ali ao dicionário confirmar o significado de "Sapiência".
...
...
...
Não, não estava enganada mas confesso que me senti baralhada...
E o Teixeira dos Santos aceitou o convite?
Pois que aceitou...
Esperem aí só mais um bocadinho que eu vou pesquisar no arquivo das notícias para ver se isto foi mesmo o Teixeira dos Santos que eu estou a pensar.
...
...
...
Foi, foi mesmo o Teixera dos Santos, ex-ministro das Finanças.
Hum...
Bem, mas ele foi falar de quê? Creio que não terá sido de Economia... Nem de Finanças ... Nem da crise...
Ou foi algo do tipo: "O que não se deve nunca fazer em Finanças Públicas"? Vou reler.
...
...
...
Teiteira dixit:
«Temos que ter consciência de que o ajustamento a efectuar é grande e que os sacrifícios muito significativos; sacrifícios incontornáveis e inadiáveis, mas sacrifícios que devem ser exigidos»Incontornáveis e inadiáveis? Então mas afinal há "derrapagem económica"? Então mas com o deficit não "está tudo controlado"?
Devem ser exigidos sacrifícios? Mas isso não é nada popularucho... De certeza que se deve fazer?
“Não se podem ignorar a as exigências de relançamento a prazo, de um forte crescimento económico”Não se podem ignorar? Essa agora... Desde quando? Obviamente podem ignorar-se, como o Teixeirinha muito bem soube fazer; Como todos descobrimos, não devem ignorar-se
“O caso grego, pela sua dimensão e pela sua falta de transparência, reforçou o receio de insolvência”O caso grego? A falta de transparência? Ó Teixeira... tem vergonha!
E ainda teve lata que lhe sobrasse para dar lições acerca do que deve ser feito e como
Mas há pachorra?
Quanto à Faculdade de Economia do Porto... Não sei o que é que se ensina por lá mas, pelo que deixam transparecer, não deve ser grande coisa...
Foi lá que Teixeira dos Santos se licenciou e foi também esta faculdade que lhe deu a equivalência ao grau de Doutor em Economia.
Desgraçados daqueles que por lá andam queimando as pestanas: a menção à F.E.P. nos seus C.V. não será particularmente honrosa a avaliar pelos frutos que tem vindo a dar... E ainda os convidam para orações... de sapiência.
.
Publicado por Alex. at segunda-feira, outubro 24, 2011 2 comments
PARA O MEU AMIGO INCONDICIONAL
Sábado, 22 de Outubro
Abro o computador, ligo a net, dou uma trinca na tosta, espreito o e-mail e entra o meu filho:
- Mãe, tens o teu blog aberto?
- Não, porquê?
- Por acaso já passaste para o computador as fotografias que te pedi que tirasses ao Steiner no dia dos anos dele?
- Hum... ainda não
- Então ainda não estão no blog, né?
- No blog? Não, não estão
- Mãe, o Steiner fez dois anos há três dias e tu nem sequer puseste uma fotografia dele no blog... E o coitado até julga que tu és mãe dele, até dava a vida por nós...
(engulo em seco; faço um silêncio comprometedor)
- Está bem, vai buscar a minha máquina fotográfica e vamos os dois escolher umas fotos para fazermos um post de " Dia dos anos do Steiner"
- A sério? Agora?
- Agora, vai lá.
Então vamos a isto:
O dia 19 de Outubro começou (ainda) mais cedo do que o habitual; fomos soltar o Steiner durante uns bons dez minutos mas ANTES de o Luís ir para a escola. Claro que depois de deixarmos o Luís na escola teve direito ao seu habitual passeio matinal prolongado
- Ó mãe, ainda podemos pôr mais estas fotografias em que o Steiner estava tão contente?
- Podemos se não forem muitas...
- Então podiamos pôr esta com aquele cão amigo dele... E aquelas em que ele estava a posar para a fotografia feito parvo... e aquela com ele à espera que voltassemos para casa... e aquela...
- Pronto Luís, acho que já chega, vamos pôr essas e acabou-se, ok? Acho que o Steiner prefere que o levemos a passear agora.
- Está bem mas então põe essas, não são dos anos mas são recentes, também valem.

Quem abandona um cão é como se o matasse... todos os dias, torturando um coração que nunca esquece.
.
.
Publicado por Alex. at sábado, outubro 22, 2011 6 comments
E A SÍRIA? E O IRÃO?
Kadhafi foi ontem morto
O presidente Obama anunciou hoje que o exército dos Estados Unidos se retirará do Iraque até a fim do ano.
Há pouco estava à procura on line de uma reportagem formidável e surpreendente que apanhei ontem na Deutsche Welle TV, infelizmente não na totalidade, sobre as relações económicas, políticas e outras (sim outras, daí o surprendente...) que Kadhafi manteve com países europeus, em particular com a Grã-Bretenha, e com os EUA ao longo do seu "reinado", especialmente após o 11 de Setembro.
Bem, ainda não consegui encontrar esta reportagem mas, no meio da busca, encontrei um artigo bastante recente - 27 Set. 11 - que neste momento ganha um significado maior, seja qual for o sentido que apliquemos a "maior"
Partilho-o aqui deixando o "link", parece-me que vale francamente o tempo de o ler; heis a introdução:
«As the stalemate between Syrian President Bashar Assad and protestors continues, armed rebellion is becoming a distinct possibility.
But how likely is it that Syria will follow the same path as Libya?»
«The Syrian government under President Bashar Assad could be producing the means of its own undoing.
For months the Assad regime has been pursuing a military crackdown against a protest movement which they claim includes criminals and terrorists but which experts say is overwhelmingly peaceful.
"How can I imagine that in a country which has been ruled for more than 40 years by a fist of iron all of a sudden armed gangs have appeared?" Hilal Kashan, Chairman of the Department of Political Studies and Public Administration at the American University of Beirut, told Deutsche Welle.
"I don't rule out that on occasion people may be using violence. But that doesn't justify an overwhelming military campaign by the authorities. This is an excuse presented by the regime."
But the deadly force used against Syrian civilians, which has claimed hundreds and perhaps thousands of lives, has made some feel as though they have nothing to lose in their struggle against Assad.»
Porém...
Não foi apenas o que se vem passando na Síria, há já demasiado tempo, que me levantou as orelhas e, repito, em especial hoje, após a morte de um assassino do seu próprio povo, consequente libertação do contingente da NATO aplicado à Líbia, e do anúncio do fim da presença dos EUA no Iraque
Também se me avivou a atenção ao deparar com um outro artigo sobre uma questão que, no meio da loucura do dia-a-dia da política internacional, tem vindo a ser relegada para segundo plano.
Tendo em conta que aquilo que vemos e ouvimos nos noticiários não passa da "pontinha do iceberg" da política internacional que se permite chegar ao conhecimento público, tendo ainda em conta que uma elevada percentagem desta "pontinha de iceberg" é encapotada ou descaradamente mentira, vale a pena atentar neste artigo publicado há cerca de uma semana - 14 Out.2011 - sobre a posição de "falcões e pombas" relativamente à ameaça do Irão
«Hawks and doves divided over US response to Iran»
«Opinion is divided over what response the US should take over the alleged Iranian terror plot. Some want military action and a show of strength; others favor increased sanctions while the Middle East is in such turmoil.»
Um pequeno excerto:
«"Any response from the Saudis against Iran would be less destabilizing than it would be if the response against Iran was from Israel," Jed Babbin said. "Any response from Israel discernible to anyone outside of Iran's borders would trigger a fairly substantial war."
Should an attack by the US transpire, military experts believe a more clandestine retaliation would be more likely than an overt show of force.
"If there is to be a strike, the most likely would be covert," W. Thomas Smith Jr., a former US Marine and an expert on international terrorism and counterterrorism, told Deutsche Welle.
"And it would be less a punitive strike and more a utility strike by special operations forces with the primary objectives of eliminating the plot's operational leaders outside of the US, gathering key intelligence, and shutting down any connected developing sub-plots in the process."
Despite the clamor in some quarters for an attack, some analysts believe that the most likely response will not involve military action given the current volatility of the Middle East region and the US administration's policy of enagagement.»ARTIGO COMPLETO AQUI , DW-WORLD.DE
.
Publicado por Alex. at sexta-feira, outubro 21, 2011 0 comments
OK, COMPREENDE-SE
A Irlanda é uma república
A Itália é uma república
Portugal é uma república
A Grécia é uma república
...Ok, compreende-se...
Estes tipos da "Moody's" andam a baldar-se aos cursos de reciclagem pelo menos desde 1975; só não sei quem eles pensam que será D. Juan de Bourbon e Dona Sofia... Ou não lêem a "!Hola!"? Deve ser isso... depois admiram-se das lacunas culturais.
Agora a sério, só por um minuto:
Isto foi dito por mera ignorância ou "sem querer"?
A mim, que tenho uma mente retorcida, será difícil convencerem-me e explico porquê - não me parece natural a referência "República de Espanha", como me pareceria pouco natural se tivessem dito " Reino de Espanha"; a Espanha é conhecida e referida como "Espanha", e ponto. Hum... estranho, estranho...
In "El Confidencial" - Economía y Empesas - 19 de Out. 2011«Moody's se refiere a la "República de España" en su rebaja de rating»
«"Moody's Investors Service" ha anunciado hoy que va a considerar las implicaciones para la las transacciones de financiación estructurada españolas que se derivan de la rebaja en dos escalones del rating de la República de España", afirma la agencia de calificación en un comunicado complementario a la rebaja de calificación de nuestro país anunciada anoche.»

«Primero fue Fitch y luego Standar & Poor's las que rebajaron la calificación de la deuda del Reino de España. Anoche fue Moody's quien lo hizo, pero al país al que aplicó el recorte fue, en concreto, a la 'República de España'.
Así se recoge en el informe hecho público hoy por Moody's con información complementaria a la rebaja de ráting anunciada anoche, que dejó la nota española (sí, sí... la nota de la mismísima República española)
.../...
"Moody's Investors Service ha anunciado hoy que considerará las implicaciones para la las transacciones de financiación estructurada españolas que se derivan de la rebaja en dos escalones del rating de la República de España". Así reza el informe. De momento, en la documentación de la agencia no se incluye la tricolor como la bandera oficial ni se hace referencia al Himno de Riego.
.../...
En menos de dos semanas, la economía española ha visto cómo las tres grandes agencias de rating le asestaban sendos golpes en nuestros rátings... el último, con cambio de régimen incluido.»
In "Expansión.com" - Invest - 19 de Out. 2011
.
Publicado por Alex. at sexta-feira, outubro 21, 2011 0 comments
UM OSSO DURO DE ROER
Manhã de hoje, 20 de Outubro
Agência Reuters, Al Jazeera, CNN, BBC e Associated Press.
Muammar Kadhafi foi capturado, ferido em ambas as pernas e na cabeça; terá sido transportado de ambulância para "um lugar secreto", afirma o Conselho Nacional de Transição
Limitados a uma área de cerca de 700 metros quadrados, em Sirte, a 360Km de Tripoli, (sitiados desde há 3 dias - 17 Out.), os soldados leais ao regime bateram-se durante 90 minutos, com as forças revolucionárias até assumirem a derrota.
Pelas 13h (hora de Lisboa) a Agência Reuters avança a notícia de que Kadhafi está morto em consequência dos graves ferimentos que sofreu
BBC - 20 Out, 12h07 GMT
"He's captured. He's wounded in both legs," National Transitional Council (NTC) official Abdel Majid told Reuters news agency. "He's been taken away by ambulance."
AFP news agency quoted another NTC official, Mohamed Leith, as saying that Col Gaddafi had been captured in Sirte and was "seriously wounded" but still breathing.The BBC's Gabriel Gatehouse in Sirte:
"I have spoken to the man who says that he captured him... he said he found him hiding in a hole in the centre"
A soldier who says he captured Muammar Gaddafi told the BBC the colonel had shouted: "Don't shoot!"
foto Reuters - 20 Out."Queda de Sirte"
ACTUALIZAÇÃO: 14H30
Imagem retirada de um telemóvel e divulgada pela agência AFP mostra o que se presume ser Muammar Kadafi após sua captura em Sirte._______________________________
«Activists to "Facebook" deliberate, a picture of the alleged Gaddafi Dead»
A foto pode ser vista AQUI; não será publicada no "RealGana"
.
Publicado por Alex at quinta-feira, outubro 20, 2011 0 comments
5 DE OUTUBRO, QUEM O QUER CHAMA-LHE SEU
Tenho para mim que Cavaco Silva depois de obter o que quer, seja lá o que ele queira...
Estava eu a dizer o quê? Ah pois, que quando Aníbal obtém o que quer fica contente e sossega, acomoda-se e não é homem para grandes exigências estruturais. Não sei, digo eu...
Por exemplo: agora Aníbal é o presidente da república - reeleito, com maioria à primeira volta e numa conjuntura social e política nada fácil. É de ficar contente. E Aníbal contenta-se...Ainda ontem, Aníbal contentou-se em presidir às comemorações dos 101 anos da república.
Presidir aos 868 anos de Portugal é outra coisa... Não é para quem se contente com os seus feitos pessoais, nem com uma pequena parte de um todo; nem para quem faça a festa de uns quantos quando a todos ninguém perguntou se queriam aquela festa - foi assim há 101 anos, foi sempre assim e continua sendo.
Isto do "5 de Outubro" faz-me lembrar os desgraçados dos miúdos que fazem anos no dia de natal... Mais embrulho, menos embrulho, ficam sempre a perder nas prendas.
Por cá decidiu-se, institucional e oficialmente, festejar os aniversários de uma república trapalhona que, ao longo da sua pouca maturidade já jurou fidelidade aos seus amantes mais diversos, dos mais diferentes quadrantes.
E Portugal? Quem festeja os seus aniversários? Uns quantos... à sua conta, não à conta do Estado português, sem bolos, espumantes nem palanques enfeitados, sem o "institucional" nem o "oficial", apenas a Instituição que existe porque existe de facto, mesmo a contra-gosto, mesmo que injustamente ridicularizada, mesmo que traída na memória, na história e no coração - só não votada ao esquecimento, porque votada, nunca foi.
5 de Outubro? Esqueçam lá a fundação de Portugal, 868 anos é uma velharia, vamos mas é festejar o aniversário da nossa "ama-de-leite" que é uma gaja porreira, e se não for despede-se com justa causa e manda-se vir outra. Enquanto houver vontade...
Mas hoje estou impossível, encalho nas palavras como quem come cerejas e perco o fio à meada. Eu estava a falar do Aníbal... E de cereja em cereja, de palavra em palavra, havia chegado a que Aníbal lá foi, outra vez, presidir às comemorações da república, como bem lhe compete.
Entre várias coisas que disse, algumas das quais com muita razão mas que de novidade nada têm - escusava de as anunciar com aquele ar de quem descobriu a pólvora - como que:
"acabaram os tempos de ilusões" e os "muitos anos na letargia do consumo fácil"(bem que já podia ter dito isto nas comemorações do ano passado, ou mesmo do ano antes, ou antes... Será que disse? Se calhar até disse, sei lá...)
Mas o que eu gostei mesmo que Aníbal tivesse dito, a coroa de glória do discurso "república 2011" foi:
Bem, 100 anos depois, mais ou menos integrados na Europa, mesmo que a forçar caminho com os ombros, já estamos um bocadinho mais civilizados... já não será necessário desatar aos tiros no Terreiro do Paço para pôr o "espírito republicano" em prática; bastará talvez chegar a Belém e dizer ao dono da casa que faça o favor de pegar na família e regressar à Travessa do Possolo que a chefia do Estado irá regressar ao Palácio da Ajuda - sem eleições, ou consultas, ou referendos, apenas será assim porque uns quantos assim o decidiram em nome do bem do povo, dentro do melhor espírito, e pratica, do republicanismo português.
Era isso Aníbal? Hum...
E faço o favor de não dizer mais nada sobre o tal discurso, de não citar mais nada porque, como as palavras são como as cerejas, ainda acabaria a ofuscar as boas razões subjacentes e a lembrar-me de um tipo que usava botas, e chapéu preto, que também defendia em voz esganiçada que os portugueses "cultivassem estilos de vida baseados na poupança e na contenção de gastos desmesurados" e que "revisitassem o seu país e aí encontrem paisagens esquecidas e um património histórico".
Só essa do "património histórico" é que não convém muito lembrar, não vá a malta, republicana e/ou monárquica, não interessa, a malta portuguesa, um destes dia lembrar-se de que era giro, cultural e histórico comemorar o 5 de Outubro... de 1143, o nascimento do nosso país.
Deixem-se lá disso, guardem o orgulho nacional para os jogos da Selecção, se for possível, para o resto "100 anos de república" chega.

Publicado por Alex at quinta-feira, outubro 06, 2011 2 comments
CHATEIA? ABATA-SE!
Hoje passei a manhã em deslocações de automóvel de um lado para outro; comecei pouco depois das 8 da manhã e parei por volta da 1 da tarde; não ficou por aqui mas para o que pretendo este intervalo de tempo já chega.
Durante este período tive sempre o rádio ligado e saltitei bastante entre estações emissoras. Não sei quantos serviços noticiosos ouvi mas, se considerarmos que são emitidos a cada meia-hora, foram mais do que os suficientes.
Ouvi notícias que não percebi sequer por que foram "notícia", por exemplo:
"Uns quantos médicos vindos de Porto-Rico encontram-se em Portugal sem poderem exercer por falta de documentos comprovativos que permitam a sua inscrição na Ordem dos Médicos."
Sim? E daí? Querem uma manif. à porta do Consulado? Que o nosso Ministério da Saúde exija os documentos à Embaixada? Por que raio é isto tema de noticiário nacional, logo a seguir aos incêndios que lavram pelo nosso país?
Adiante.
Também fiquei a saber que hoje, 4 de Outubro, é Dia Mundial do Animal. Está bem, antes isso.
A este propósito, apenas numa estação emissora (já não sei qual), ouvi um testemunho do nosso "status" de civismo e sensibilidade que me deu a volta ao estômago.
Não fora o tal "Dia Mundial do Animal" e, provavelmente, ninguém falaria nisto, aliás não foi assim "de caras" que agora encontrei a notícia na net para a poder colocar aqui.
O caso é o seguinte:
sem justificação clínica"
sai caro, dá trabalho, chateia, larga pêlo, cresceu muito, cresceu pouco, não é bom guarda, morde no puto que morde nele, é uma chatice para se poder ir de férias, faz xi-xi no sofá novo, etc.
Solução:
manda-se abater.
( ou abate-se como de uns cachorros de que soube este Verão que estavam a ser enterrados vivos)
Sobre estas pessoas, perdão, sobre a gentalha que faz isto não quero sequer dizer seja o que for. Deixo um "link" à única notícia que encontrei (apesar de ter partido da agência Lusa, alguém por aí a ouviu ou leu?) e cada um que pense o que bem entender.
"Sabemos de muitas pessoas que nunca deveriam ter tido um animal e que, à menor dificuldade, se querem livrar dele, nem que seja através da eutanásia, o que é revoltante", disse à agência Lusa a presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA), a propósito do Dia Mundial do Animal"
.../...
Igual papel desempenham os veterinários, que se vêem a braços com estes "pedidos incompreensíveis". Ana Marques, médica veterinária e directora da Clínica -----, disse à Lusa que desde o Verão que tem recebido várias solicitações neste sentido, as quais recusa "veementemente".
"O meu papel é salvar vidas e não acabar com elas. Quando me propõem tal coisa, tento explicar - e ajudar - que há solução clínica para o caso do animal ou, se o dono não quer ficar com ele, que pode optar por dá-lo para adopção", referiu.
"Chegam-me os casos mais bizarros. Querem, mesmo por telefone, a garantia de que eu abato o animal, até sem o observar clinicamente. Quando me recuso, não hesitam em dizer que o vão fazer em outro lado"

Apenas me quero congratular por o homicídio (ainda) ser ilegal, e punível com prisão...
Com gentalha desta, de mandar abater o cão a mandar abater o avô, que só em medicamentos gasta mais do que recebe de pensão de reforma, vai um saltinho.
E os putos? Só dão é trabalho e despesa. O Zézinho fez-se um sacana malcriado que só arranja é problemas - na escola, em casa, no bairro... E a Marianinha? É uma desgraça, nasceu "mongolóide" e agora tem ataques de asma, melhor fora que Deus a levasse, ou o senhor doutor... Não há vida para isto...
Acham que estou a exagerar? Não, não estou. Se fosse possível, e não punível, entregar os empecilhos humanos para abate haveria muito quem o fizesse, a começar por aqueles que o fazem àqueles a quem a lei permite que seja feito.
E esta é a segunda questão:
Como é possível que a lei permita o abate de animais domésticos sem a justificação de um estado de deterioração clínica irreversível, concretamente a cães e gatos?
Em alguns países do nosso mundo este cenário jurídico não é muito diferente de um que permitisse a eutanásia da avó porque " agente não tem dinheiro para a sustentar nem ninguém para tratar dela quando vamos trabalhar; é melhor assim para todos, sobretudo para a avó".
A justificação:
Os canis municipais continuam a proceder ao abate de cães "abandonados", não há "pão para malucos"...
Sobre este "argumento" há muito que se lhe diga e nem só de retórica vive o homem... Quanto a custos, entre proteger e matar, a opção correcta é mais do que possível. Sugiro que dêem uma vista de olhos a esta esclarecedora informação: http://campanhaesterilizacaoanimal.wordpress.com/2010/12/21/quanto-custa-abater-um-animal-num-canil-municipal/
Quem "tiver estômago" pode ver imagens do tipo "campo de concentração" aqui; canil municipal de abate - Lisboa
NÃO ACONSELHÁVEL A CRIANÇAS
OU JOVENS COM UMA SENSIBILIDADE SAUDÁVEL
Que moral pode ter um Estado assassino de animais saudáveis e inocentes para legislar sobre a conduta dos "assassinos privados"?
Para além deste mundo sombrio e gélido há quem entregue horas de dedicação, trabalho, carinho e esforço para salvar, tratar e encontrar um lar a pobres inocentes que não têm culpa de que a humanidade (tão mal) domine a Terra.
Bem hajam!
http://www.uniaozoofila.org/index.php?option=com_content&view=category&id=5&Itemid=7
a minha favorita:


.
Publicado por Alex. at terça-feira, outubro 04, 2011 0 comments









