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INDISCIPLINEMO-NOS!


Ontem, quando coloquei aqui o vídeo da troca de bandeiras na CML (diz o povo e com razão que para melhor muda-se sempre), não pensei que voltasse ao assunto; foi uma "pedrada no charco" português, charco de águas demasiado paradas e, agora em Agosto, muito rasas. Teve graça, foi atrevido, diria até corajoso, fez sorrir quem tem um sentido de humor capaz de não se deixar abafar pelas convicções políticas; deu um particular gozo aos monárquicos e pronto, acabou-se.
Pois, mas isso foi ontem, que nem sequer vi jornais televisivos ou em papel. A notícia chegou ao telemóvel de um amigo com quem almocei, ficamos na dúvida... Só já depois de jantar liguei a net e deu-me na aguçada curiosidade ir procurar... Fiquei (agradavelmente) surpreendida e "hilariada de festa".

(Com muita frequência utilizo a televisão como despertador, é-me menos traumatizante do que os trin-trin-trins dos despertadores e do que os pi-pi-pips do telemóvel; uso o ligar automático da TV de segunda a sexta-feira, tento não me esquecer de aumentar o volume do som para um nível capaz de me arrancar do bem bom, sintonizo invariavelmente a Euronews para este fim e a coisa lá vai funcionando, uns dias melhor do que outros... Aaaah, mas hoje funcionou, e de que maneira. Dei um salto da minha estimadíssima almofada e saiu-me um espantado "HÃÃ" boca fora...)

Hoje a minha alma ficou pasma quando ao acordar, vejo o vídeo do "31 da Armada" na Euronews - e nem sequer foi no "NoCommentTV", foi ali com notíciazinha e tudo. Que passe nas RTP's, nas SIC's e nas TVI'S era de esperar mas na "Euronews"?
Tirando-me dos meus cuidados acabo de procurar um res
caldo, já feito que para tanto não me chega a paciência nem o tempo. Encontrei-o num blog de "Relações Públicas e Comunicação, o PiaR; e lá diz assim :

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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009, 13h11

Impressionante (actualizado)

A acção de “guerrilha ideológica” perpetrada pelo 31 da Armada teve resultados impressionantes, demonstrando assim o poder das redes sociais e de uma acção de guerrilha com conta, peso e medida.

Vejamos:

  • no próprio dia os principais jornais tinham a acção como notícia de destaque nas edições online;
  • algumas notícias receberam centenas de comentários, mais de 470 no Público (e em outra mais de 300) e mais de 160 no Sol. No Correio da Manhã é a notícia mais comentada;
  • O Público chegou, numa quase acção de contra terrorismo, a descobrir o filme feito pelo 31 e a colocá-lo em destaque na homepage. Ontem nas notícias, hoje no banner superior.
  • o post do próprio 31 da Armada, com o Comunicado, passou a ser o mais comentado do blog com 198 comentários;
  • a TSF abriu noticiários com a acção;
  • os 3 canais televisivos fizeram reportagem. Na SIC e TVI entrevistando os responsáveis. A peça da RTP pecou por não perceber o conteúdo e âmbito da acção;
  • no Twitter foram centenas de tweets relativos ao assunto;
  • os vários vídeos no Sapo e Youtube somam milhares de visualizações. Só o video original já chegava às 129588 !!!!!! (ver adenda no final)
  • nas edições em papel dos principais jornais destacam-se o Público e DN com chamadas de capa e este último com uma página inteira, mais entrevista na última página e um artigo de opinião de Ferreira Fernandes;
  • o 31 da Armada atingiu um impressionante numero de quase 25 000 visitantes no dia. Hoje, ainda o dia vai a meio e está quase nas 14000;

adenda: afinal o video original conta (neste momento (13h00) com 13863 visualizações. A estas devem ser somadas outras tantas das "cópias" criadas entretanto, quer no Sapo como no Youtube. As tais cento e trinta mil são o total dos filmes do perfil 31tv no Sapovideo. Mesmo assim este dado não altera uma virgula ao conteúdo, nem à análise, deste post. Um case studie de comunicação integrada.

publicado por Rodrigo Saraiva às 13:11

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Aqui para nós que ninguém nos ouve, parece-me que o grosso da coluna não tem muito a ver com a "acção monárquica", com a "Restauração da monarquia". O que alicerça toda esta movimentação em torno de uma "troca de bandeiras pouco ortodoxa" é de facto a tal "pedrada no charco" português, é uma atitude controversa, algo revolucionária - ainda que brincando sem pretensões, obviamente - que sai do ramerrão quotidiano, do verdadeiro "Come e Cala-te", pretenciosamente dito democrático, em que vivemos no nosso país.

As pessoas estão ávidas de uma verdadeira alteração do status quo mas estão paralisadas pela ancestralidade e pelo peso do quotidiano. Com a atenção concentrada em questões práticas e alienadas pelo peso bruto e crescente das suas obrigações, da manutenção da sua existência. Há um sufocante espartilho económico, já se sabe, mas há sobretudo o espartilho demente das legislações a metro - que parecem fruto de um conjunto de bêbados que se reúne para beber ao despique, sendo a emanação de novas Normas e Despachos o prémio do maior bebedor da noite. As pessoas estão silenciosamente revoltadas com o abuso da sua boa-fé, com a credibilidade já menos do que duvidosa das Instituições públicas, sejam estas empresariais, autárquicas ou governativas. A mentira, a corrupção, a negociata e o roubo, a falta de vergonha e de honra (Honra? o que é isso?) estão generalizadas e impunes. O compadrio, absolutamente supra-partidário - não há que ter ilusões - auto e inter protege-se como uma máfia nacional. Actualmente ter carácter, em Portugal, é uma frustração, é de "ir aos arames".

Há demasiado tempo que, sob a capa democrática, a pretexto das "difíceis mas imprescindiveis medidas contra a crise", os portugueses são tratados como um rebanho de idiotas bem mandados que "falam, falam mas agacham-se".

Há muito tempo que estamos todos, ou quase todos, a precisar de acções que rasguem a falsa respeitabilidade das Instituições estatais - e não só mas aí é mais grave - que demonstrem que os portugueses estão vivos, têm sentido crítico e são capazes de "Acordar" - nem que seja preciso que uns quantos poucos indisciplinados, digo, saudável e criativamente indisciplinados, os (nos) acordem.

Cá por mim estou farta de dizer que isto só lá vai ao estalo, não forçosamente "com mão". Pode ser assim, com graça e sem ofensa, pode ser com ovos, sempre com tomates, nas urnas também ajuda mas não chega... e pode ser ao estalo, propriamente dito. É chato mas às vezes educa.

Curiosamente fez ontem dois anos e dois dias - sim, fui agora mesmo espreitar - que escrevi aqui no Real Gana exactamente sobre esta vivência do "Come e Cala-te" com que temos vindo a ser presenteados perante a nossa mansidão efectiva: refilamos mas acatamos.

Troquemos as bandeiras (e deixem-se de tretas os que se sentem ofendidos porque a rapaziada do "31" nem sequer tocou na imaculada bandeira da república portuguesa, ficou-se, dentro de alguma sensatez, pela bandeira municipal, o que aliás faz todo o sentido simbólico - para quem parece que não percebeu - porque naquele mesmíssimo edifício ficavam os Paços do Conselho) ofereçamos ovos às ministras, "Pinoquiemos" o 1º-ministro que bem o merece mas, a bem da dignidade e da nossa sanidade mental, INDISCIPLINEMO-NOS, já!



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