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A PORTUGUESES COM FILHOS NA ESCOLA


A Drª Madalena Homem Cardoso, médica, no exercício do poder paternal para com a sua filha, e educanda, uma menina de 7 anos de idade, aluna do 2º ano do ensino primário, escreveu uma carta ao ministro da Educação, no dia 24 de Março do corrente ano, a qual veio a ser noticiada pelo jornal "Público" a 5 de Abril; Inicia-se nos seguintes termos:

«No exercício do poder paternal, cumpre-me dirigir-me a Vossa Excelência para, com a maior deferência, comunicar ao Ministério da Educação e Ciência, na pessoa do seu máximo responsável, que não posso de forma alguma autorizar que a minha filha e educanda Inês --------, com sete anos de idade, aluna nº-- do 2º ano (Turma -) na EB1-------- , seja ensinada de modo não conforme à ortografia actualmente em vigor (aquela que foi promulgada pelo Decreto-Lei nº35 228/1945 de 8 de Dezembro,e depois ratificada com alterações mínimas pelo Decreto-Lei nº32/1973 de 6 de Fevereiro, sendo que, até à data, nada na ordem jurídica portuguesa veio revogar estes Decretos-Lei

Em particular,no papel de encarregada de educação,não do posso anuir a que a aprendizagem da minha filha seja perturbada pelo auto-denominado "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa(1990)(que passarei a referir por "AO90", o qual
nâo é "acordo", pois conta com a oposição quase unânime dos especialistas em língua portuguesa e da esmagadora maioria dos falantes-escreventes de Português de Portugal,tendo resultado de uma anti-democrática e anti-patriótica sucessão de atropelos ao bom senso e à Lei, e o qual não é "ortográfico",pois contradiz em si
mesmo a própria noção normativa de "ortografia" ao consagrar facultatividades e excepções como regras .../...

Mais solicito que a observância pela ortografia em vigor se verifique no presente ano lectivo e seguintes .../...»
Segue esta carta, plena de fundamentos específicos e bem sustentados, encontrando-se disponível no seguinte link: http://static.publico.pt/docs/educacao/carta.pdf

O ministério da educação afirma que só recebeu dez cartas a protestar pela aplicação do acordês.
Acredito piamente. Os portugueses protestam, protestam mas não actuam, esperam sempre que alguém faça alguma coisa, que apareça feito.

Pois bem...

Aqui fica a sugestão (o repto...) lançado no "Causes" "Pela Língua Portuguesa contra o "Acordo":
E que tal escrever ao Ministro a dizer que apoia a Dra. Madalena Homem Cardoso?
Basta dizer que "Sou pai/mãe/encarregado de educação e apoio a posição da Dra. Madalena Homem Cardoso!
O mail é: gabinete.ministro@mec.gov.pt
Ou use o portal do governo ( http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-da-educacao-e-ciencia/contactos.aspx?rc=3729 ).

Pela parte que me toca já não contarão 10 cartas mas 11
E mais? Vá, mais! Vamos mexer-nos, sim?
É SÓ ENVIAR UM E-MAIL!

PS - E quem não tem filhos na escola bem pode alertar quem tem, não é?

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UM INOCENTE À ESPERA DE LIBERDADE




















ENCONTRA-SE NO HOSPITAL VETERINÁRIO DO RESTELO, EM LISBOA, UM SHARPEI MUITO PARECIDO COM O DA FOTO, COM UMA COR DE PELAGEM INVULGAR, PARA ADOPÇÃO.

VI-O ONTEM, NA SUA JAULA ONDE ESTEVE A RECUPERAR DE UMA CIRURGIA ÀS ORELHAS.
O DR. DIOGO MAGNO, QUE O OPEROU, PERGUNTOU-ME SE SABIA DE ALGUÉM QUE O QUEIRA ADOPTAR

É UM CÃO JOVEM, TEM ENTRE 1 E 2 ANOS, E DÁ DOR NA ALMA VÊ-LO PRESO ALI. ALGUÉM O QUER PARA CASA?

HOSPITAL VETERINÁRIO DO RESTELO

Lisboa - São Francisco Xavier
Rua Gregório Lopes Lote 1513 - Loja E
1400-195 Lisboa

Telefone: 213 032 119
Telemovel: 933 032 120

1º DE ABRIL





EU LICENCIEI-ME A
UM DOMINGO... DE PÁSCOA!

(toma e embrulha que sou melhor cá ti)



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GENTE GIRA

A primeira vez que ouvi o nome da tal menina Lyonce Viiktórya julguei que estavam no gozo. Parece impossível, coitadinha da criança, vem ao mundo e já estão a gozar a inocente. Afinal a coisa era pior do que parecia, afinal não era gozo...

Esta semana, já não sei quando, deparei com umas mensagens no Facebook que divulgavam o nascimeto da segunda filha de Luciana Abreu e Yannick Djalo e lá diziam que a nova bebé tinha um nome qualquer... que, desta vez, tive a certezinha que era gozo... Nem nunca mais me lembrei de semelhante assunto.

Fui agora ver o meu e-mail e lá estava... o link a um vídeo que esclarece, muitíssimo bem esclarecido, que a criança nasceu, tem o tal nome e não é gozo. Como se escreve? Bem isso já não sei... Talvez até ninguém saiba... Espero que o registo seja publicado em todos os noticiários e esclareça esta dúvida do povo lusitano.




A canção da mana mais velha...

COMO FAZER UMA SONDAGEM

COMO FAZER UMA SONDAGEM MUITO HONESTA
E SABER OS RESULTADOS À PARTIDA


Ao princípio da tarde, rondando as 15h, entrei num café e dirigi-me ao balcão; enquanto aguardava pela bica, a Água das Pedras e o pastel de nata, deitei uma olhadela à TV: a Sic Notícias - apresentava a peça abaixo exposta e chamou-me particularmente a atenção os rodapés inseridos sobre a imagem. «Está bem, pensei cá para comigo, cada um serve o que lhe apetece». Mas depois...
Mas depois, logo depois, seguia-se a introdução a uma "sondagem de opinião" nos seguintes termos:

28.03.2012 15:16 - Opinião Pública
«ALTERAÇÕES À LEI LABORAL»

«Trabalhar mais 7 dias por ano, receber menos pelo trabalho extraordinário, ter despedimentos facilitados e com indemnizações reduzidas, é isto que espera os portugueses nos próximos tempos. As alterações às leis laborais estão esta tarde em discussão na Assembleia da República, e serão votadas na sexta-feira.
No Opinião Pública desta tarde analisamos as alterações às leis laborais.

Como vê as mudanças proposta pelo Governo?
Qual o impacto que estas medidas terão na economia nacional?
Faz sentido a ideia de facilitar os despedimentos numa altura em que o desemprego atinge valores recorde?
E é a flexibilização do mercado de trabalho o melhor caminho para aumentar a competitividade das empresas nacionais?

Pode participar por telefone, a partir das 17h através dos números 21 416 11 47 ou 21 416 11 48. Pode também enviar um email para opiniaopublica@sic.pt ou deixar um comentário nesta página*. (* - versão on line)»

«Ora aí está uma coisinha limpinha, feita a meio da tarde num dia de trabalho... quem é que, de um modo geral estará a ver TV a esta hora?», continuei eu pensando para comigo, «Ora aí estão umas perguntinhas honestas nas quais nada poderá levar a pensar que possa haver a menor tentativa de influenciar as respostas...»

Obviamente não me passou sequer pela cabeça ver o tal programa "Opinião Pública" - já me vejo exposta a muita porcaria mesmo sem a procurar, quanto mais dar-lhe ouvidos.
Porém...
Porém, agora que estou face a um computador, deu-me para ir à procura da tal sondagem; às 17h42, on line, a coisa só mereceu um comentário. Ahh mas que comentário! Transcrevo-o na integra e tal e qual está escrito na página:

«boa tarde em primeiro lugar quero dar os parabens aos nossos governantes, porque neste país e tudo um paraízo , estam a por os portuguêses a pensar se amanha vão comer os se a noite vai ser longa, em 2ºlugar quero dizer aos governantes que andão a durmir nunca se viu em parte alguma governar os contribuintes so pensando no bolço deles e dos seus familiares e conhecidos isto vai dar para o torto e so não deu ainda porque o povo e sereno .. vivi muitos anos em bruxelas sou qualificado la e não a trabalho para mim tambem como sou anarquista não me ralo muito sei e quero viver sem ajudas do chamado estado de direito que e uma grande mentira isto esta pior que uma ditadura! querem que o povo trabalhe por trócos ja fazemos isso agora não vai dar mais ja metem policias com astroides a bater no povo estam com sorte porque esses policias deverião pençar se tivecem capacidades mentais para isso que se dão porrada num ser humano que ainda por sima e quem les paga o órdenado devem começar a pença - por luis ferreira a 28/03/2012 15:48»
Sem comentários...

Espero que os jornalistas (?) responsáveis tenham conseguido os seus nobres objectivos. Conseguiram pelo menos dar uma ideia do Público Alvo que se dispuseram a atingir. Claro que não vi, nem ouvi, a versão em directo na Sic N... Ahh pois não, ni hablar, olha só do que me livrei.

Não se trata de pessoalmente defender com unhas e dentes, ou não, a nova lei laboral, essa é outra questão; ainda que, pessoalmente, possa entender a necessidade de no momento presente introduzir alterações, das quais a existência de menos 4 feriados ou de mais 7 dias de trabalho não me chocar minimamente, muito pelo contrário. A questão que aqui e agora levanto é outra:
acho intolerável que um orgão de Comunicação Social, seja ele qual for e para mais um com a dimensão, implantação e responsabilidade que a SIC-N tem, se socorra de esquemas viciados e carecas para obter os resultados que pretende dentro de uma esquemática dirigista.


Parabéns Sic N, a isenção é a alma de um serviço noticioso de excelência.

A Sic-N? Então e os outros? Ah, sim, os outros também... mas hoje falei da Sic-N, porque veio a talho de foice, porque foi demasiado evidente. "Opinião Pública"? Opinião Pública "my ass"...



PS - Só a título de curiosidade, e já que falei da notícia que antecedeu a introdução à "sondagem" deixo também o link àquela que se seguiu de imediato:http://sicnoticias.sapo.pt/1445942
(Os trabalhadores da Peugeot-Citroen da fábrica de Mangualde cumpriram pela última vez o turno da noite)

Assim sim, o algodão não engana...

Nota final - As partes inseridas transcritas da página da Sic-N encontram-se escritas em "acordês"; nem me passa pela cabeça escreve-las aqui em português - peço desculpa - mas na hipótese, ainda que pouco plausível, de darem por isso, lá na Sic, não venha aquela rapaziada dizer que lhes ando a modificar os conteúdos... Livra!


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MAIS UMzinho

A população cá do principado não pára de aumentar
No mês passado o número de habitantes da Ala da Gaiola passou de dois para cinco - sem ovos pelo meio - foi assim uma espécie de milagre da multiplicação do periquitos

Ontem a nossa diversificada família aumentou de novo com a chegada de um novo membro
Vejam lá:

ALL THAT JAZZ
(JAZZ, per gli amici)


Sou um Beagle, tenho 3 meses e sou a rica prenda do 10º aniversário do LR


A nossa primeira noite foi... memorável


Quanto ao Grande Steiner, não se preocupem, já percebeu quem manda no circo
Bem... mais ou menos...


PS - Ontem à noite a população canina desta casa ascendeu aos 4, simultaneamente. Só dois são residentes mas uma coisa vos garanto: não foram esses 4 a fonte da maior confusão...


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DEZ ANOS

Faz hoje dez anos...
Por volta do meio dia e meia, foi a primeira vez que vi a tua cara, que senti a tua mão na minha cara.
Excedeste todas as minhas expectativas.
E desde então tem sido assim, continuas a exceder todas as minhas expectativas.
Espero que a tua vida seja assim, que exceda sempre todas as tuas expectativas
Tens sido a minha âncora e as minhas asas
Que vivas assim, com os pés na Terra, que voes alto, que sejas uma Boa Pessoa
O resto... que vá passando, tão bem quanto estes primeiros dez anos.
O mais... digo-te ao ouvido, são segredos nossos.





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1= 4, VIVA A GREVE!


A malta anda cansada, sem cheta, stressada, querem sacar-nos os feriados, destruírem-nos as pontes... Ahh mas a luta continua!

Ora então 'bora lá fazer mais uma greve geral. Providencialmente à quinta-feira... Não nos dão pontes faremos viadutos, escavaremos túneis se necessário for, mas a luta continua; a luta não pode parar. O país sim, até lhe faz bem: menos stress, menos poluição, menos uma data de coisas que nos chateiam todos os dias. E, a atentar nas "contas" feitas por ocasião da terça-feira de Carnaval, ainda se poupa uma data de massa em electricidade, segurança e mais já nem me lembro o quê, papel higiénico e água talvez... Isto de o povo trabalhar custa um dinheirão ao país! O melhor era fazer uma greve geral por semana, era um instantinho enquanto de baixava a Despesa e se arranjava o dinheirinho para aumentar os salários dos trabalhadores.
A bem da Nação o melhor é começar já hoje a apresentar sintomas pronunciados de gripe e cólicas intestinais... Nada que uma cebolita aproximada dos olhos a intervalos regulares e uma ocupação incómoda do wc ao longo do dia não resolva; depois é só ligar na sexta-feira a dizer que a coisa piorou drasticamente, quase sucumbimos a meio da noite.

Começou a Primavera, os dias estão lindos e amenos e, já que temos de levar com a seca, aproveitemos descontraidamente. Só é pena o "Continente" não se ter lembrado de organizar um piquenique geral animado pelo Tony Carrera na Av. da Liberdade...
Viva a greve geral, a bem da Nação empobrecida mas lutadora. Assim chegaremos lá!

GENOCÍDIO 2012

Na passada semana não houve cão nem gato da imprensa mundial que não falasse da detenção de George Clooney durante uma manifestação frente à embaixada sudanesa em Whashinton; das revistas cor-de-rosa às grandes cadeias noticiosas internacionais todos comentaram a prisão de Clooney.
É caso para dizer «Ainda bem que Clooney foi preso». Foi um enorme tiro que as autoridades sudanesas deram no seu no próprio pé. Abençoada faltinha de vista!
Espantosamente até à detenção de Clooney a imprensa têm estado vergonhosamente silenciosa no que toca à chacina que tem estado a acontecer no Sudão - talvez ande tudo muito "entretido" (perdoem-me a expressão) com o que se passa na Síria, politicamente mais visível.


Além de Clooney foram detidas mais uma dezena de outras pessoas incluindo o seu pai, Nick Clooney, Martin Luther King III, representantes do Congresso e líders de organizações de direitos humanos.
Não será de perder de vista que na véspera desta manif. Clooney teve um encontro com o presidente Barack Obama, na Casa Branca, para discutir este flagelo humano. Tendo em conta o sucedido na manhã seguinte durante a manif., confesso que me sinto muito curiosa relativamente à conversa "off the record" que terá tido lugar entre ambos...

Pronto, então tudo o que é bicho falou da detenção de Clooney...
E o que é que se passa no Sudão?
Não "valeria a pena" tomar consciência do que está ocorrendo no Sudão?
No Sudão está ocorrendo um genocídio, nada menos do que isso.
O Sudão vive um holocausto.
E agora, encolhemos os ombros e dizemos entre dentes "que chatice"?






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29 DE FEVEREIRO...

HOJE QUERO FAZER QUALQUER COISA FORA DO QUOTIDIANO



Actualização às 19h...

Eu não disse que hoje não acabava o dia ser fazer uma tontice que me desse gozo...
Ele ganhou a corrida mas, como podem ver, também partiu um bocadinho à frente





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PANINHOS QUENTES

Olhando assim de repente parece uma boa notícia, mas não é. Ou, pelo menos ainda não é.
Má não será, a menos que se destinasse apenas a acalmar os protestos diários; quero crer que não seja apenas isso (e cabe a nós, portugueses, fazer com que não seja apenas isso)
Pois, mas não chega, de todo que não chega. Tem sabor a "deitar água na fervura". Queiram, s.f.f., fazer mais um esforçozinho para raciocinarem em termos coerentes e pode ser que ainda vão a tempo de limpar de forma eficaz a borrada que está a ser feita.

De que estou a falar? Ora... da trampa do "Acordo", claro.

«Governo vai alterar Acordo Ortográfico»

«O secretário de Estado da Cultura admitiu ontem em entrevista à TVI-24 alterar até 2015 algumas regras do novo Acordo Ortográfico, que já está em vigor nos organismos do Estado desde Janeiro deste ano.

Manifestando o seu desacordo com algumas normas, Francisco José Viegas lembrou que "do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial. Portanto, podemos mudá-la. Até 2015 podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos que aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer".

Questionado sobre a polémica decisão de Vasco Graça Moura que ordenou aos serviços internos do Centro Cultural de Belém (CCB) que não apliquem o novo acordo, o responsável pela pasta da cultura começou por lembrar que o presidente do CCB "é uma das pessoas que mais reflectiu e se empenhou no combate contra o Acordo Ortográfico" para seguidamente lembrar aqueles que "não têm qualquer intimidade nem com a escrita, nem com a ortografia, terem vindo criticar e pedir sanções".

"Para mim é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de Janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da nossa língua, escrever como lhe apetecer", acrescentou o governante.

"Às vezes quando escrevo como escritor tenho dúvidas e vou fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa possibilidade, isto é, a competência que têm para escolher a sua ortografia. Não há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós", rematou Francisco José Viegas.»
In "Expresso" on line - 29Fev. (corrigido de acordês para português)

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Tenha paciência Sr. Secretário de Estado da Cultura mas essa saída não chega sequer a ser airosa. Correndo o risco de parecer desrespeitosa - longe de mim - para além de ineficaz e lesiva, parecem-me andrajosamente parva. Completamente parva! "Cada um escreve como lhe apetece"? Ó homem, que novidade! Claro que cada um escreve como lhe apetece. "Um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós"? Pois não, ninguém vai preso nem paga multas: Portanto está tudo bem? Uma gaita! E os miúdos na escolas? Vão ter negas a ortografia se não escreverem em "acordês"? Vão aprender a escrever como? Quais são as regras?
E a sacro-santa comunicação social, vai doutrinar-nos em que língua? Em pasquinês?

O Sr. Secretário de Estado da Cultura, e os outros Srs. todos com poder de decisão, sabem muitíssimo bem que uma percentagem esmagadora dos portugueses considera o "acordo" uma aberração. Não me venham com paninhos quentes dizendo que "cada um que escreva como lhe apetecer" como se declamassem uma ode à liberdade.
Resolvam lá os "incómodos" criados por acordeses falaciosos e apátridas e resolvam esta badalhoquice de vez, sem ternuras conciliadoras em plataformas de entendimento inexistentes. Digam o que se impõe alto e bom som, em bom português.


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A PRIMAVERA DE MOSCOVO?

Na passada quinta-feira, dia 23, bem a meio da semana, em dia de trabalho, Vladimir Putin foi botar faladura durante um grandioso comício de apoio à sua "candidatura" às eleições que se realizarão no próximo dia 4 de Março. E quando digo grandioso quero mesmo significar GRANDIOSO. Embora a dimensão de "grandioso" à escala russa, e particularmente em Moscovo, não possa ser comparável com a nossa lusitana "escala de grandiosidade" - a área metropolitana de Moscovo tem mais habitantes do que Portugal inteirinho, mais de 12 milhões de moscovitas - mesmo assim a coisa foi grandiosa pelos parâmetros russos. Chegaram apoiantes de dentro e de fora de Moscovo e, segundo dizia o jornalista da BBC, «uns porque quiseram ir outros porque os patrões os mandaram». Venenos... http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-17148845

Mas hoje, dia 26, hoje Moscovo acordou diferente. Não tão diferente que tenha acordado o mundo mas suficientemente diferente para dar um grande abanão na prolongada dormência moscovita.

Um cordão humano anti-Putin propôs-se realizar um circulo em torno do centro político de Moscovo, ao longo de 16Kms, encerrando o Kremlin. A primeira intenção seria apenas conseguir circundar o centro político em silêncio mas as reacções de apoio por parte daqueles que circulavam de automóvel vieram transformar esta manifestação silenciosa num acontecimento muito mais vivo, emocionante e significativo. Ao longo da manhã centenas de automóveis foram chegando e circulando ruidosamente pelas ruas ao longo das quais se estendia o cordão humano já denominado "White Ring".




Algumas coisas levam muito tempo a mudar mas lentidão não é o mesmo que inércia.
No segundo vídeo, já aqui abaixo, podemos ver soldados e polícia colocados a pequenos espaços ao longo do cordão humano; até aqui tudo normal, aliás estas forças parecem calmas e meramente presentes. Ao minuto 3:10 pode ver-se surgindo do lado direito um militar admiravelmente trombudo, de câmara de vídeo em punho, filmando os manifestantes; a expressão do homem diz tudo, dispensa comentários.



Putin sairá vencedor das próximas eleições, o mundo inteiro sabe disso. Com eleições ou sem elas Putin é eleito. Os próprios russos, mesmo aqueles que contestam Putin, não têm esperança alguma mas esta não é a parte mais grave. A parte mais grave é que a desesperança vai muito além das eleições, projecta-se em toda a vida política e social a cada dia, ano após ano. Os russos, de um modo geral não acreditam que Putin e o seu regime sejam algumas vez derrotados.

Aqueles que, bem ou mal, vivem em democracia sabem que não é assim.
Um dia este regime será derrotado, provavelmente não em eleições, mas nas ruas. As primaveras políticas começam assim, na rua.

CONFESSAMENTE INTELIGENTE

Costumo dizer que só há duas coisas mais perigosas do que a Inteligência: o Pânico, porque toma o controlo da mente, e a Estupidez, porque é imprevisível na sua enormidade.
Há poucas coisas que me seduzam mais num filme, ou num livro, do que os diálogos manifestamente inteligentes e, dentro destes, os perigosamente inteligentes deliciam-me.

De tanto ver o anúncio no AXN, canal da minha predilecção, lá fui espreitar a série que está sendo disponibilizada apenas on-line, achando que não iria ter pachorra para seguir a coisa em mini-episódios semanais. Enganei-me redondamente.

O diálogo entre um assassino profissional e um padre dentro de um confessionário; intercalado com "flash-backs" que nos contam outra história, que nos colocam progressivamente face às razões do assassino.
Mas que diálogo! O Bem e o Mal, a natureza do Mal e a natureza humana, a intervenção divina e/ou a falta desta nas decisões humanas e o livre-arbítrio, a honestidade e a fé, a honestidade e a justiça, a compaixão e a justiça, a justiça e o assassinato. Mais, muito mais.


As presenças assombrosas de Kiefer Sutherland e de John Hurt, perfeitas.

Nesta altura já se encontram on line 7 dos 10 episódios e o 8º é publicado amanhã, dia 22.
A ver e rever, por muitas e boas razões.

Fica o link:
http://www.axn.pt/shows/confession


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QUER QUEIRAS QUER NÃO QUEIRAS

Nos anos 60, numa Revista à Portuguesa, Raúl Solnado tinha uma rábula que se chamava "O Bombeiro Voluntário" e começava assim:

«O meu pai, que era um homem liberal e incapaz de impor a sua vontade, disse-me: Meu filho, quer queiras quer não queiras tens de ser bombeiro voluntário»
Pois, mas isso foi nos anos 60, no tempo em que a malta comia e calava, quer quisesse quer não, no tempo em que os governos impunham as suas vontades às pessoas... Agora tudo mudou, vivemos em democracia.

Vem este relambório a propósito de uma sondagem que vi há pouco publicada no "auto hoje" e que apresenta uns esclarecedores indicadores;
vejam lá:


Ou seja,
  • no país em que o "Tanto se me dá" se manifesta mais numeroso do que o "Concordo inteiramente";
  • no país em que os que dizem sim pouco passam os 10% e mesmo assim quase metade destes "Concordam mas não muito";
  • no país em que os que dizem não correspondem a sensivelmente 83%, dos quais mais de 64% classificam "a coisa" como sendo um Absurdo e um atentado";
está a ser implementado um "Acordo ortográfico" sobre o qual não há acordo, que não está legalmente em vigor, que ainda não se encontra ratificado e que é já dado a beber à população em geral e, mais grave, às crianças das escolas primárias. G'anda noia, como diria o outro.

Mesmo que esta sondagem não seja muito exacta, ainda que possa, ou não, corresponder a uma amostra "curta" parece-me óbvio que a disparidade entre quem aceita e quem não aceita esta "coisa horrorosa" é abissal. Não é novidade, sejam 83, 33%, ou ligeiramente mais, ou ligeiramente menos, a verdade é que a majoríssima parte dos portugueses não engole este "acordo" de maneira nenhuma.

A "coisa horrorosa" está-nos a ser imposta prepotentemente, em nome de interesses inconfessados, ao abrigo de argumentos falaciosos os quais só "come" quem tem mesmo muita vontade de os comer, por razões completamente alheias às que são expostas.

Por que não fazem um referendo?
Democratas... uma ova!



Fiquemos então com o Raul Solnado
e sejamos todos "bombeiros voluntários",
queiramos ou não.
Bom fim-de-semana.




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PERSPECTIVAS DE QUEM FALA PORTUGUÊS

PARECEM TEXTOS MUITO LONGOS MAS SÃO DE LEITURA FÁCIL.
PARTICULARMENTE O PRIMEIRO, EDITORIAL DE HOJE (8Fev) NO "JORNAL DE ANGOLA", É A NÃO PERDER


ANGOLA

JORNAL DE ANGOLA On Line

EDITORIAL

Património em risco

08 de Fevereiro, 2012
«Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda. A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.
Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito “Vamos Descobrir Angola”, deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única. Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico” aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual do entrevistado.
Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português.
Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer ao seu nível. Porque é batota! Na verdade nunca estarão a esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário!
Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.»


BRASIL

Entrevista de Paulo Franchetti ao «Páginas Tantas» blog

(Páginas Tantas é uma iniciativa do Teatro Académico de Gil Vicente e do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Mais AQUI)

7 de Fevereiro de 2012

Paulo Franchetti é crítico literário, escritor e professor titular do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Director da editora da Unicamp


PT.« O que acha do acordo ortográfico? Acha mesmo que, como dizem os editores portugueses (e muitos intelectuais), o acordo foi uma gigantesca maquinação brasileira para permitir que os livros brasileiros entrem livremente no mercado português e no africano, acabando com a indústria portuguesa do livro?»

PF.
«O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado
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Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal.
O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de facto. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didácticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didácticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didáctico adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objectivos (ou falta de objectivos legítimos) do acordo.»



ENTRETANTO...
.........................EM PORTUGAL...


No blog VIDA BREVE


«As intervenções públicas sobre o Acordo não me estimularam. Tudo me parecia um Prós e Contras entre conservadores ultramontanos, mulheres de xaile e bigodaça de crucifixo à ilharga, por um lado, e uns vanguardistas muito neófitos que desprezavam os efeitos perversos das alterações que estas merdas sempre provocam. No fundo a coisa resumiu-se a ser contra ou a favor do 25 de Abril, ou seja, ao grau zero da competência retórica.»
.../...
«O Acordo Ortográfico é agora designado por Aborto Ortográfico. E isto angustia-me, por temer que os mesmos que desejam o incumprimento do Acordo procurem também repor a penalização da IVG. Num país varrido pela demagogia mais trambiqueira podemos esperar tudo e o seu contrário.»
Luis M. Jorge



E num comentário:


“E isto angustia-me, por temer que os mesmos que desejam o incumprimento do Acordo procurem também repor a penalização da IVG”

Só há pouco tempo me apercebi que, de facto, parece haver uma associação entre pró-acordo=esquerda e anti-acordo=direita. Estava genuinamente convencido que era apenas uma questão entre gente pouco alfabetizada (de direita e de esquerda) e outra (de esquerda e de direita) que até é capaz do esforço intelectual de ler legendas de filmes.
João Lisboa
08-02-12

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Será a isto que vamos chegar no nosso país? Entrincheirar o "Pró-Acordo" e o "Contra-Acordo" à Esquerda e à Direita de uma sofismática fronteira que serve várias politiquices e negociatas mas não a questão fulcral que é A LÍNGUA PORTUGUESA?
Haja Deus...



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CADA VEZ GOSTO MAIS DESTE GAJO




«Graça Moura dá ordem aos serviços do CCB
para não aplicarem o Acordo Ortográfico»

03.02.2012 - 08:30 Por Luís Miguel Queirós - in "Público"


«O recém-empossado presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), Vasco Graça Moura, fez distribuir ontem à tarde uma circular interna, na qual dá instruções aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico (AO) e para que os conversores - ferramenta informática que adapta os textos ao AO - sejam desinstalados de todos os computadores da instituição.


Numa directiva datada de Setembro de 2011, o anterior conselho de administração do CCB adoptara o acordo em toda a documentação produzida pela instituição. Uma decisão que o novo presidente agora revogou com o apoio da nova administração. A questão que agora se coloca é a de saber se esta medida é legal, já que o Governo de José Sócrates ordenou, em Janeiro de 2011, que o AO fosse adoptado por todos os serviços do Estado e entidades tuteladas pelo Governo.»

VÍDEO RTP:
Graça Moura contraria indicações do Governo e suspende aplicação do acordo ortográfico no CCB - Cultura - Notícias - RTP


SE A MEDIDA É LEGAL?
É, LEGALISSIMA.
Ou julgarão que Graça Moura anda a dormir na forma?

E MAIS... (ACTUALIZAÇÃO)
in "SOL"
«A medida terá sido aprovada por unanimidade pela nova administração do CCB, à qual foi distribuído um texto do presidente da instituição, no qual este argumenta que o AO «não está nem pode estar em vigor», pois Angola e Moçambique ainda não ratificaram o acordo e, segundo a ordem jurídica portuguesa, «a vigência de uma convenção internacional depende, antes de mais da entrada em vigor na ordem jurídica internacional. »
«Opositor declarado do AO, num extenso documento Vasco Graça Moura justifica a sua decisão com a inconstitucionalidade da aplicação das novas regras. De acordo com o ex-eurodeputado do PSD, estas violam «os artigos da Constituição que protegem a língua portuguesa, não apenas como factor de identidade nacional mas como valor cultural em si mesmo».


Para quem tenha dúvidas, ou para os "acordeses" mais acérrimos, queiram atentar na informação jurídica do Arq. António Macedo, Cineasta, Escritor e Professor Universitário, segundo a SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES (SPA)

«Após uma uma conversa aprofundada com os juristas da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), que estão muito bem informados sobre estas matérias, apurei resumidamente o seguinte:

1 - A nova ortografia, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), foi promulgada pela Resolução da Assembleia da República (AR) n.º 26/91, de 23 de Agosto (com pequenas actualizações posteriores), e reiterada pela Resolução do Conselho de Ministros (CM) n.º 8/2011.

2 - A ortografia ainda em vigor, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1945 (AO45), foi promulgada pelo Decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, e ratificada em 1973, com pequenas alterações, pelo Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro.

3 - O Código do Direito de Autor e Direitos Conexos foi promulgado pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março (com pequenas actualizações posteriores).

4 - Na hierarquia legislativa, segundo me explicaram os juristas da SPA, um Decreto-Lei está acima duma Resolução da AR ou do CM. Um Decreto-Lei é vinculativo, ao passo que uma Resolução é uma mera recomendação.

5 - Por conseguinte, uma Resolução não tem força legal para revogar um Decreto-Lei, e por isso o AO45 continua em vigor.


6 - Em caso de conflito entre a nova ortografia e o Direito do Autor, o que prevalece é o Decreto-Lei do Direito de Autor.

7 - Em consequência, nenhum editor é obrigado a editar os seus livros ou as suas publicações segundo a nova ortografia, nem nenhum Autor é obrigado a escrever os seus textos segundo o AO90. Mais ainda: tentar impor a nova ortografia do AO90 é um acto ilegal, porque o que continua legalmente em vigor é o AO45.

8 - Ao abrigo do Código do Direito de Autor, os Autores têm o direito de preservar a sua própria opção ortográfica, conforme consta do

n.º 1 do Art. 56.º do Capítulo VI do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos:

"(...) o autor goza durante toda a vida do direito de reivindicar a paternidade da obra e de assegurar a genuinidade e integridade desta, opondo-se à sua destruição, a toda e qualquer mutilação, deformação ou outra modificação da mesma, e, de um modo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue (...)".

9 - Embora no Artigo 93.º do Código do Direito de Autor se preveja a possibilidade de actualizações ortográficas, há sempre a opção legítima, por parte do Autor, de escrever como entender, por uma opção ortográfica de carácter estético. O que aliás foi confirmado pelo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, em entrevista à SIC no dia 8 de Janeiro de 2012, onde ele confirmou que até 2015 há um período de adaptação em que é permitido o uso paralelo do AO45 e do AO90, mas que aos Escritores, dada a sua condição de artistas criadores, ser-lhes-á sempre permitido utilizar a grafia que entenderem, mesmo que em 2015 o novo AO90 venha a ser eventualmente consagrado por Decreto-Lei, e não apenas, como agora, por uma simples Resolução da AR.


Pata terminar, e entre parênteses, o novo AO90 é tão aberrante que é um verdadeiro crime, que está a ser imposto em vários meios de comunicação e em todos os departamentos governamentais, não obstante ser ilegal e antidemocrático -

- e antidemocrático porque as várias sondagens que têm sido feitas desde há vários anos sempre apontaram para uma média de rejeição, do AO90, de cerca de 67 por cento por parte da generalidade dos Portugueses.

Claro que um crime desta envergadura só pode estar a ser tão violentamente implementado porque tem atrás de si interesses muito pesados e muito poderosos, e apetece-nos perguntar como nos romances policiais: a quem aproveita o crime? Geralmente, em crimes desta envergadura, a resposta costuma ser: follow the money...»

Dei um modesto contributo para tentar explicar a minha posição sobre o assunto neste link:

http://ilcao.cedilha.net/?p=3854

António Macedo

Ficou claro?

Agora digo eu:
Pode-se brincar com um povo mas não com todas as pessoas que constituem esse povo.

LINK: BLOG "A BIBLIOTECA DE JACINTO"
«O Dr. Vasco Graça Moura acaba de dar voz à maioria silenciada dos portugueses.»
Post recomendado pelo Real Gana

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PARA VETAR NÃO SE EXIGE AUTORIDADE... MORAL

O que se vem passando na Síria há dez meses já não nos espanta e talvez a poucos comova. É natural... É natural? A Síria fica longe, nem sequer faz exactamente parte do "nosso mundo". E todos temos ainda bem presente a loucura que ocorreu na Líbia - Bem... todos não sei, parece que Bashar al-Assad não terá esse pedaço de história recente nos circuitos dos seus estranhos neurónios; ou então não percebeu, a loucura e a maldade bloqueiam-lhe o entendimento.
Provavelmente al-Assad pensa que tem "as costas quentes". E tem. Espantosamente tem.

Durante a noite de ontem discutiu-se a situação da Síria no Conselho de Segurança da ONU. Conclusão: mais sanções. Pois.
Claro que a conclusão que se retira da impotência do C.S. ONU é outra.
Por muita vontade que o Ocidente tenha de ir às trombas a Bashar al-Assad, por muito que a Liga Árabe se faça ouvir pedindo uma «acção rápida e decisiva», a Rússia e a China mantêm as costas de al-Assad a salvo. Humanamente é incompreensível, ou seria, caso não viesse de onde vem. Mais uma conclusão a tirar...


Conselho de Segurança da ONU ontem, 31Jan. ao princípio da tarde



Conselho de Segurança da ONU ontem, 31Jan. durante a noite



Por falar em tirar conclusões, por falar na China (também na China)...

Nestes últimos dias tenho-me perguntado porque não há praticamente notícias sobre os sucessivos confrontos que têm vindo a ocorrer em vários locais do Tibete dos quais têm resultado várias mortes e inúmeras prisões.

O primeiro de que eu tive conhecimento ocorreu a 23 de Janeiro em Draggo ( Drango), nas imediações do mosteiro local em torno do qual um crescente número de pessoas vindas das localidades vizinhas se estavam reunindo clamando pela libertação do Tibete e pelo regresso do Dalai Lama.

Dois dias depois terá havido uma «escalada de violência» tendo ocorrido mais confrontos e mortes desta vez em Sertha; mais de 200 manifestantes pacíficos (muitos dos quais monges) foram presos arbitrariamente. Desta vez saíram notícias na BBC, New York Times e Financial Times assim como em alguns outros MCS de menor impacto.

A 27 de Janeiro, desta vez na cidade de Barma, Dzamthang, as forças paramilitares abriram fogo sobre manifestantes e executaram um homem que se dirigia para o meio de um conjunto de pessoas que tentavam evitar a prisão de um jovem

A comunicação social, de um modo geral tem estado alheada do que se está a passar quase (?) diariamente no Tibete.
Ontem, 31Jan. a BBC (what else?) noticiava, ainda que discretamente, que o governo chinês tinha ordenado um aumento de segurança e vigilância dos mosteiros e não só:
«Lhasa officials and functionaries at all levels, especially the police, must increase... efforts to rationally dispatch police forces and step up registration and inspection work along national roads, at key monasteries and among leading suspects.»
Mas os "mimos" não ficam por aqui, o Dalai Lama e seus apoiantes são particularmente mimoseados:
«"We must strike hard at all the separatist, destructive and criminal activities of the Dalai clique and make efforts to realise our goal of not letting any incident, big or small, occur," he* said in a speech published on the Lhasa government website.

He* was referring to Tibet's exiled spiritual leader, the Dalai Lama.»
*LIU QI


Porque não fala nisto a comunicação social? Aah, e o C.S. da ONU nem aborda... Para quê? Para ser vetado ao silêncio?
Que raio de mundo o nosso!





Sem comentários... Que haveria a dizer?


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JOSÉ VOLTA, ESTAMOS À TUA ESPERA (Petição)

Não é bem que me tenha dado uma saudade muito grande, ou mesmo pequena, mas gostava que José, que comandou os desígnios deste nosso país como se fosse dele, só dele, durante 6 anos, 3 meses e 9 dias, voltasse para responder, em local apropriado, sobre as suas decisões e consequências destas, sobre as suas declarações e inexactidões das mesmas, sobre as informações que foi dando à populaça acerca do estado da nação. Gostava, eu gostava.



José lá está por Paris, vivendo uma vida muito simpática; o seu apartamentozito de estudante fica no 16ème arrondissement, bairro discreto na "rive droite" do Sena na vizinhança do Bois de Boulogne (onde faz o seu celebre jogging matinal), pode passear pelo Trocadéro e é só atravessar a pontezinha que hei-lo chegado à Torre Eiffel. Não conheço o apartamento de José mas sei que nenhum dos bairros de Paris comporta tantas embaixadas quanto o 16ème...

Entre os seus saltos ao Institut d´Etudes Politiques, pelos restaurantes e cafés de Saint-Germain, e pelas livrarias (só livrarias?) do Quartier Latin, José bem podia arranjar uns dias para passar pelo Campus de Justiça de Lisboa, aliás também este situado em local bem aprazível e privilegiado da cidade que tantas recordações sem dúvida lhe traria daquela entourage tellement VIP que "ele" acolheu durante a cimeira da Nato. Talvez José gostasse... Sei lá... Matar saudades das câmaras de TV, do bulício dos repórteres, o protagonismo nos jornais...


Volta José, estamos à tua espera. Já somos muitos os que estamos à tua espera e olha que vamos ser mais. Volta José, volta.

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E tu, também gostarias que José voltasse?
Diz lá:
PETIÇÃO PÚBLICA

«Para julgar em tribunal o eng. José Sócrates
por gestão danosa dos dinheiros públicos»


http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N9288


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DESCULPEM QUALQUER COISINHA...

Depois do outro a chamar pelo primeiro-ministro "José Trocas-te" só mesmo uma despedida "em grande" para o secretário-geral da CGTP

Não é montagem, é mesmo assim e desculpem qualquer coisinha mas, desta vez, não fui eu



São coisas que acontecem, como, por exemplo, faltar a luz durante a assinatura do acordo de concertação social... Ninguém pode prever...

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"RATE THIS"

Já vi, e sempre com gosto, vários videos promocionais de Portugal; este é diferente, não é bem "promocional", ou talvez melhor dizendo, não é apenas promocional.
Estou cansada de ouvir portugueses a dizerem mal de Portugal e o vício não vem de agora, é de longa data: agora é muito "in" e progressista, no tempo "da outra senhora" era chique.

Eu gostei, muito. (Obrigada Rui N.)
Vós, "rate this"...
Não tenho nada a acrescentar.

BRINCAR COM O FOGO

Duas notícias lado a lado neste dia 9 de Janeiro:

1
«Exportações aumentaram 15% e compramos menos ao estrangeiro»

«As exportações aumentaram 15,1% entre Setembro e Novembro, face ao período homólogo, enquanto as importações caíram 3,6%.
A balança comercial ficou beneficiada em mais de dois mil milhões de euros.
.../...
A taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 78,6%, o que representa uma melhoria de 12,8 pontos percentuais face à taxa observada no período homólogo do ano passado.»

2
«Adesão quase total. Só Leixões trabalha»

«A greve dos trabalhadores portuários, que começou à meia-noite e decorre até sábado, está a contar com uma adesão total, diz o presidente da Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários (Fesmarpor), Alexandre Delgado.
O porto de Leixões, acrescenta o responsável, é o único que não tem trabalhadores
filiados da Fesmarpor e, por isso, está a funcionar em pleno.
.../...
“Não consigo estimar os custos para o país. Obviamente que são elevados.
Qualquer greve sectorial tem sempre custos. Como também nunca foram capazes de nos explicar as mais-valias que geravam a partir dali, difi cilmente podemos deduzir os custos."(vice-presidente da Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários,
Vítor Dias)
.../...
A paralisação tem como objectivo contestar o processo de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário de Aveiro.»

«“Não há economia sem logística, que é a circulação sanguínea de todo o sistema.
Não há logística sem portos competitivos e não há portos a funcionar sem uma atitude global de disponibilidade da economia para funcionar. É preciso ver que cada dia de portos parados são os nossos produtos que não saem, são as nossas empresas que estão bloqueadas, são os nossos concorrentes ao nível internacional que ocupam esse espaço. Estamos a mexer no centro nervoso da nossa economia e vejo com muita preocupação estes dias de greve”, disse Pedro Reis, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.»

Pergunto-me se a "contestação ao processo de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário de Aveiro" tem em mente a criação de condições para vir a "contestar" processos de insolvência dos outros portos nacionais...

Não digo mais nada, perco sempre a vontade de dizer seja o que for quando vejo brincar com o fogo.


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A MARIQUINHAS EM ATENAS

Ainda a propósito de o Fado ter passado a constar do Património da Humanidade...

O meu amigo André Maia tem estado a viver em Atenas onde tem feito um excelênte trabalho com a sua "André Maia Band", e não só.

Acabei agora de ver um dos seus últimos vídeos, gravado a 30 Dezembro último e colocado por ele no Facebook ( "You Tube" 31 de Dez.)

É por estas e por outras que há pouco mais de um mês eu dizia por aqui que o fado é um "cidadão do mundo"

Com um som de cordas tão diferente, tão grego, tão português, muito fado. Boa André! Aplausos para o artista, um beijo grande para o amigo.




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A LEGISTA E O ROBALO

Como se me tivesse caído sob os olhos de propósito, acabo de dar de caras com uma bem humorada notícia, ou talvez melhor dizendo, um bem humorado comentário a uma sequência de notícias sobre o mesmo facto, facto esse, ao que parece, bastante subjectivo. Esta "sequência", que chegou para três dias dedicados a manhoso assaltozeco sem vítimas e malogrado nos seus intentos, bem podia servir de "ilustração" à deliciosa fábula que até aqui trouxe ontem, na sua forma rebuscada de transformar um acontecimento quotidiano sem ponta por onde se lhe pegue numa "notícia" de mediática divulgação nacional com contornos de caracterização política.
Eu não gramo o Vara (nunca me deu nenhum robalo) mas o desgraçado teve azar quando foi ao Centro de Saúde...
Passo a transcrever o artigo que bem poderia ter por título «A fábula da Legista e do Robalo»
(apraz-me particularmente o pormenor de se tratar de uma médica legista que tratava do Vara - sem comentários negros...)

A título de curiosidade deixo também um link a um blog (sobre o qual não faço comentários porque não seria de bom tom) que publica uma "coisa" sobre esta notícia que demonstra inegável boa-fé e objectividade na escolha da foto para acompanhar os seus escritos.
Onde é que este blogista terá ido buscar a foto? Ora, boa-fé e objectividade é o que por aí não falta... Pois pasme-se, ao irrepreensível "Correio da Manhã".


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«O pingo doce da notícia»

«Há dias li que uma médica de Lisboa - um detalhe essencial - tinha assaltado uma ourivesaria de pistola de pressão de ar, embora tivesse usado gás-pimenta para aturdir a funcionária. Percorri a notícia até ao fim e ainda fiquei a saber que o assalto acontecera na Ourivesaria Antiquorum - "uma das mais caras de Lisboa" -, e no penúltimo parágrafo acrescentava-se, em três ou quatro palavritas sem mais explicações, que a dita médica sofria de problemas psiquiátricos. Em nome do rigor jornalístico, descrevia-se o método usado para o assalto, o desenrolar trepidante do mesmo e uma série de pormenores relevantes desta notícia de cariz geográfico.

No dia seguinte, outro jornal apresentava a notícia sob um ângulo também ele notável. A médica, afinal, não era uma médica qualquer, era - pasme-se - a médica de Armando Vara, o famoso socialista e ex-banqueiro amante de robalos. Lida a prosa, percebia-se que, em Fevereiro, Vara ultrapassara outros doentes num centro de saúde graças à ajuda desta médica que, esclarecia-se mais tarde, não era, na verdade, sua médica pessoal (é médica legista, trata de cadáveres). Apesar desta pequeníssima contradição, a notícia mais do que compensava o deslize ao contar que a assaltante tentara apoderar-se de três pulseiras e de duas argolas de ouro e que, num incrível volte-face clínico (médico que vira doente), padecia de um infeliz nódulo pulmonar. Detalhe valioso para compreender esta notícia de evidente cariz médico e político.

No dia seguinte, a história continuou o seu périplo de curvas largas e aterrou num telejornal. O repórter de serviço recuperara a informação avançada pelos dois jornais, mas omitira os problemas psiquiátricos para nos conduzir onde queria. O assalto não era um simples assalto desmiolado, era o reflexo da crise e a prova de que a pobreza atinge toda a gente - o jornalista dizia, com desprezo, "até as classes sociais ditas altas!" Neste ambiente de faroeste, contava a peça, são vários os casos de gente licenciada que se vê atraída para o mundo do crime. Números para defender a tese? Zero. Exemplos? O de um engenheiro que assaltara uma velhinha para comprar um pacote de leite.»

André Macedo - in "Dinheiro Vivo" - 04/01/2012


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UMA FÁBULA REACCIONÁRIA

Recebi agora um e-mail da Xana com a célebre fábula de La Fontaine "A cigarra e a formiga". Como sabem, esta fábula originalmente em francês (La cigale ayant chanté Tout l'été, Se trouva fort dépourvue...), desta feita foi-me enviada nas versões alemã (traduzida) e portuguesa. A primeira é curta e clara, como convém a uma versão germânica, a segunda... Bem a segunda é bem à nossa moda, muito de acordo com o "políticamente correcto", com variados interveniêntes por pouco que sejam chamados ao caso e bastante mediática - como convém a tudo o que se queira ver levado a sério por mais escarninho que seja.
Vêde e julgai; eu cá ri-me perdidamente.

A CIGARRA E A FORMIGA
(Versões alemã e portuguesa)
(autor omisso)

Versão alemã

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.

Fim
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Versão portuguesa

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.

A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.

A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom.
As associações anti-pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que dissertam sobre a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.

A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS, com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares, organizam manifestações diante da casa da formiga.

Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.

Fernando Rosas escreve um livro no qual demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.
Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti-discriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).

Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultâneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra.
A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.

A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga, a comer os bens que aquela teve de deixar para trás. Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista".

A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se cagando para a sua conservação. Em vez de fazer algumas obras queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (inter-partidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.
Enquanto a comissão prepara a primeira reunião, para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.

Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança.

Ana Gomes, talvez um pouco a despropósito, afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos e faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA aproveitando para insultar Paulo Portas.

Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...

FIM?


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DEPOIMENTO: ACORDO A 50%

Ouvi dizer que essa coisa do "Acordo ortográfico" entrou hoje em vigor. Que fixe, deve de haver por aí um grupito de malta muito contente. Não sei por que lhe chamam "Acordo" porque a maioria das pessoas que vive em Portugal não se têm manifestado nada de acordo com a coisa mas está bem, cá por mim podem até chamar-lhe assobio .

Conforme tive já oportunidade de AQUI expôr com alguma clareza, perante muitas situações concretas estou-me completamente nas tintas para a lei - e se traço nessa atitude alguns limites não me advém tal sensatez da urbanidade mas antes da auto-defesa. Normalmente a minha rebeldia, chamemos-lhe assim para simplificar, não vai além de um interior desdém vagamente perceptível numa subtil elevação do canto direito da boca acompanhado por um silencioso "pois, está bem..." retido no pensamento. Há alguns "respeitos pela lei" que me fazem confusão de tão estúpidos que podem ser e esses, obviamente, ultrapassam-me o pensamento saltando para as palavras, ou para a acção. Paciência, sou assim, já não mudo, já passei a idade de ter hipótese de cura.
Quanto a esta coisa do tal "Acordo" nem tenho sequer a oportunidade de levar em consideração qualquer pensamento mais sério acerca do dito: faz-me cócegas no cérebro e desmancho-me a rir; já tentei e não consigo, o médico até já me disse para não forçar porque pode ser perigoso - já têm sido internadas pessoas com semelhantes ataques de hilaridade difíceis de suster.
(Não é que eu ache que a coisa tem graça, é demasiado perversa e consequente para isso mas felizmente não me dá para chorar)

Assim como há gente que "não joga com o baralho todo" - talvez seja o meu caso, não me recuso a admitir - também há gente que quer deixar de jogar com as letras todas, "é mais fácil" dizem nas suas fracas e pouco alicerçadas justificações que pouco mais argumentam para além do facilitismo e da "evolução" - como se alteração fosse sinónimo de evolução. Está bem, levem lá a bicicleta, a taça e as letras que tanto vos pesam de tão difíceis que são.

Aqueles que frequentam o Real Gana ou que por aqui dão um salto com um mínimo de assiduidade não terão a menor dúvida de que por aqui se escreverá sempre com as letras todas.
Mais: sejam os textos da minha autoria ou de outrem, retirados de jornais, revistas ou seja lá de onde venham, aparecerão por aqui sempre com as letras todas, escritos em português, não em acordês. Acordês Aqui Não. Evidentemente.

Porém...
Porém, e só para mostrar que não sou de pedra, que também tenho coração, resolvi fazer uma cedência e parece-me que sou uma querida, amorosa mesmo, ao fazê-lo: com aqueles que, por livre exercício da sua vontade ou no exercício das suas actividades profissionais, resolvam aderir à coisa passarei a expressar-me oralmente - e apenas oralmente - respeitando as novas regras da dita.
Sei que não vai ser fácil, será até ainda mais difícil do que fazê-lo por escrito (apesar dos que dizem que "é mais fácil") mas sei que acabarei por conseguir, é uma questão de treinar lendo os pasquins em voz alta tal qual lá estará escrito.
Vêem, queridos acordeses, como eu não sou do contra; até sou uma querida, ou não sou?
É uma espécie de acordo a 50%, aliás tal como vós, acordeses, o fazem: falam em português e escrevem em acordês - eu decidi-me pelos "outros" 50%, dirigir-me-ei a vós em acordês e escreverei em português - mas por favor não se riam, é que não será de mim que se estarão rindo...


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2012

Retomando umas poucas palavras do último "post" de 2011:

Os nossos sonhos, desejos, esperanças, continuam a valer o que sempre valeram: uma projecção de Luz e alento nas nossas vidas.
A força, a integridade, o ânimo, o bom senso, a lucidez, a perseverança, a vontade, a motivação, a coragem, são caracteristicas que vêem agora o seu valor "acrescentado".
De tudo isto depende em grande parte a possibilidade de termos um "Bom Ano", pela parte que me toca é o que desejo a todos vós

(E não... não estou a publicar no Blog à meia-noite, deixei agendado, não se preocupem...)





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