HOJE QUERO FAZER QUALQUER COISA FORA DO QUOTIDIANO
Actualização às 19h...
Eu não disse que hoje não acabava o dia ser fazer uma tontice que me desse gozo...
Ele ganhou a corrida mas, como podem ver, também partiu um bocadinho à frente
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29 DE FEVEREIRO...
Publicado por Alex at quarta-feira, fevereiro 29, 2012 0 comments
PANINHOS QUENTES
Olhando assim de repente parece uma boa notícia, mas não é. Ou, pelo menos ainda não é.
Má não será, a menos que se destinasse apenas a acalmar os protestos diários; quero crer que não seja apenas isso (e cabe a nós, portugueses, fazer com que não seja apenas isso)
Pois, mas não chega, de todo que não chega. Tem sabor a "deitar água na fervura". Queiram, s.f.f., fazer mais um esforçozinho para raciocinarem em termos coerentes e pode ser que ainda vão a tempo de limpar de forma eficaz a borrada que está a ser feita.
De que estou a falar? Ora... da trampa do "Acordo", claro.
«Governo vai alterar Acordo Ortográfico»
«O secretário de Estado da Cultura admitiu ontem em entrevista à TVI-24 alterar até 2015 algumas regras do novo Acordo Ortográfico, que já está em vigor nos organismos do Estado desde Janeiro deste ano.
Manifestando o seu desacordo com algumas normas, Francisco José Viegas lembrou que "do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial. Portanto, podemos mudá-la. Até 2015 podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos que aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer".
Questionado sobre a polémica decisão de Vasco Graça Moura que ordenou aos serviços internos do Centro Cultural de Belém (CCB) que não apliquem o novo acordo, o responsável pela pasta da cultura começou por lembrar que o presidente do CCB "é uma das pessoas que mais reflectiu e se empenhou no combate contra o Acordo Ortográfico" para seguidamente lembrar aqueles que "não têm qualquer intimidade nem com a escrita, nem com a ortografia, terem vindo criticar e pedir sanções".
"Para mim é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de Janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da nossa língua, escrever como lhe apetecer", acrescentou o governante.
"Às vezes quando escrevo como escritor tenho dúvidas e vou fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa possibilidade, isto é, a competência que têm para escolher a sua ortografia. Não há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós", rematou Francisco José Viegas.»
In "Expresso" on line - 29Fev. (corrigido de acordês para português)__________________________

E a sacro-santa comunicação social, vai doutrinar-nos em que língua? Em pasquinês?
O Sr. Secretário de Estado da Cultura, e os outros Srs. todos com poder de decisão, sabem muitíssimo bem que uma percentagem esmagadora dos portugueses considera o "acordo" uma aberração. Não me venham com paninhos quentes dizendo que "cada um que escreva como lhe apetecer" como se declamassem uma ode à liberdade.
Resolvam lá os "incómodos" criados por acordeses falaciosos e apátridas e resolvam esta badalhoquice de vez, sem ternuras conciliadoras em plataformas de entendimento inexistentes. Digam o que se impõe alto e bom som, em bom português.
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Publicado por Alex. at quarta-feira, fevereiro 29, 2012 0 comments
A PRIMAVERA DE MOSCOVO?
Na passada quinta-feira, dia 23, bem a meio da semana, em dia de trabalho, Vladimir Putin foi botar faladura durante um grandioso comício de apoio à sua "candidatura" às eleições que se realizarão no próximo dia 4 de Março. E quando digo grandioso quero mesmo significar GRANDIOSO. Embora a dimensão de "grandioso" à escala russa, e particularmente em Moscovo, não possa ser comparável com a nossa lusitana "escala de grandiosidade" - a área metropolitana de Moscovo tem mais habitantes do que Portugal inteirinho, mais de 12 milhões de moscovitas - mesmo assim a coisa foi grandiosa pelos parâmetros russos. Chegaram apoiantes de dentro e de fora de Moscovo e, segundo dizia o jornalista da BBC, «uns porque quiseram ir outros porque os patrões os mandaram». Venenos... http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-17148845
Mas hoje, dia 26, hoje Moscovo acordou diferente. Não tão diferente que tenha acordado o mundo mas suficientemente diferente para dar um grande abanão na prolongada dormência moscovita.
Um cordão humano anti-Putin propôs-se realizar um circulo em torno do centro político de Moscovo, ao longo de 16Kms, encerrando o Kremlin. A primeira intenção seria apenas conseguir circundar o centro político em silêncio mas as reacções de apoio por parte daqueles que circulavam de automóvel vieram transformar esta manifestação silenciosa num acontecimento muito mais vivo, emocionante e significativo. Ao longo da manhã centenas de automóveis foram chegando e circulando ruidosamente pelas ruas ao longo das quais se estendia o cordão humano já denominado "White Ring".
Algumas coisas levam muito tempo a mudar mas lentidão não é o mesmo que inércia.
No segundo vídeo, já aqui abaixo, podemos ver soldados e polícia colocados a pequenos espaços ao longo do cordão humano; até aqui tudo normal, aliás estas forças parecem calmas e meramente presentes. Ao minuto 3:10 pode ver-se surgindo do lado direito um militar admiravelmente trombudo, de câmara de vídeo em punho, filmando os manifestantes; a expressão do homem diz tudo, dispensa comentários.
Putin sairá vencedor das próximas eleições, o mundo inteiro sabe disso. Com eleições ou sem elas Putin é eleito. Os próprios russos, mesmo aqueles que contestam Putin, não têm esperança alguma mas esta não é a parte mais grave. A parte mais grave é que a desesperança vai muito além das eleições, projecta-se em toda a vida política e social a cada dia, ano após ano. Os russos, de um modo geral não acreditam que Putin e o seu regime sejam algumas vez derrotados.
Aqueles que, bem ou mal, vivem em democracia sabem que não é assim.
Um dia este regime será derrotado, provavelmente não em eleições, mas nas ruas. As primaveras políticas começam assim, na rua.
Publicado por Alex at domingo, fevereiro 26, 2012 2 comments
CONFESSAMENTE INTELIGENTE
Costumo dizer que só há duas coisas mais perigosas do que a Inteligência: o Pânico, porque toma o controlo da mente, e a Estupidez, porque é imprevisível na sua enormidade.
Há poucas coisas que me seduzam mais num filme, ou num livro, do que os diálogos manifestamente inteligentes e, dentro destes, os perigosamente inteligentes deliciam-me.
De tanto ver o anúncio no AXN, canal da minha predilecção, lá fui espreitar a série que está sendo disponibilizada apenas on-line, achando que não iria ter pachorra para seguir a coisa em mini-episódios semanais. Enganei-me redondamente.
O diálogo entre um assassino profissional e um padre dentro de um confessionário; intercalado com "flash-backs" que nos contam outra história, que nos colocam progressivamente face às razões do assassino.
Mas que diálogo! O Bem e o Mal, a natureza do Mal e a natureza humana, a intervenção divina e/ou a falta desta nas decisões humanas e o livre-arbítrio, a honestidade e a fé, a honestidade e a justiça, a compaixão e a justiça, a justiça e o assassinato. Mais, muito mais.
As presenças assombrosas de Kiefer Sutherland e de John Hurt, perfeitas.
Nesta altura já se encontram on line 7 dos 10 episódios e o 8º é publicado amanhã, dia 22.
A ver e rever, por muitas e boas razões.
Fica o link:
http://www.axn.pt/shows/confession
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Publicado por Alex at terça-feira, fevereiro 21, 2012 2 comments
QUER QUEIRAS QUER NÃO QUEIRAS
Nos anos 60, numa Revista à Portuguesa, Raúl Solnado tinha uma rábula que se chamava "O Bombeiro Voluntário" e começava assim:
«O meu pai, que era um homem liberal e incapaz de impor a sua vontade, disse-me: Meu filho, quer queiras quer não queiras tens de ser bombeiro voluntário»Pois, mas isso foi nos anos 60, no tempo em que a malta comia e calava, quer quisesse quer não, no tempo em que os governos impunham as suas vontades às pessoas... Agora tudo mudou, vivemos em democracia.
Vem este relambório a propósito de uma sondagem que vi há pouco publicada no "auto hoje" e que apresenta uns esclarecedores indicadores;
vejam lá:

Ou seja,
- no país em que o "Tanto se me dá" se manifesta mais numeroso do que o "Concordo inteiramente";
- no país em que os que dizem sim pouco passam os 10% e mesmo assim quase metade destes "Concordam mas não muito";
- no país em que os que dizem não correspondem a sensivelmente 83%, dos quais mais de 64% classificam "a coisa" como sendo um Absurdo e um atentado";
Mesmo que esta sondagem não seja muito exacta, ainda que possa, ou não, corresponder a uma amostra "curta" parece-me óbvio que a disparidade entre quem aceita e quem não aceita esta "coisa horrorosa" é abissal. Não é novidade, sejam 83, 33%, ou ligeiramente mais, ou ligeiramente menos, a verdade é que a majoríssima parte dos portugueses não engole este "acordo" de maneira nenhuma.

A "coisa horrorosa" está-nos a ser imposta prepotentemente, em nome de interesses inconfessados, ao abrigo de argumentos falaciosos os quais só "come" quem tem mesmo muita vontade de os comer, por razões completamente alheias às que são expostas.
Por que não fazem um referendo?
Democratas... uma ova!
Fiquemos então com o Raul Solnado
e sejamos todos "bombeiros voluntários",
queiramos ou não.
Bom fim-de-semana.
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Publicado por Alex at sexta-feira, fevereiro 17, 2012 0 comments
PERSPECTIVAS DE QUEM FALA PORTUGUÊS
PARECEM TEXTOS MUITO LONGOS MAS SÃO DE LEITURA FÁCIL.
PARTICULARMENTE O PRIMEIRO, EDITORIAL DE HOJE (8Fev) NO "JORNAL DE ANGOLA", É A NÃO PERDER
JORNAL DE ANGOLA On Line
EDITORIAL
08 de Fevereiro, 2012
«Os ministros da CPLP estiveram reunidos em Lisboa, na nova sede da organização, e em cima da mesa esteve de novo a questão do Acordo Ortográfico que Angola e Moçambique ainda não ratificaram. Peritos dos Estados membros vão continuar a discussão do tema na próxima reunião de Luanda. A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.
Pedro Paixão Franco, José de Fontes Pereira, Silvério Ferreira e outros intelectuais angolenses da última metade do Século XIX também juraram amor eterno à Língua Portuguesa e trataram-na em conformidade com esse sentimento nos seus textos. Os intelectuais que se seguiram, sobretudo os que lançaram o grito “Vamos Descobrir Angola”, deram-lhe uma roupagem belíssima, um ritmo singular, uma dimensão única. Eles promoveram a cultura angolana como ninguém. E o veículo utilizado foi o português. Queremos continuar esse percurso e desejamos que os outros falantes da Língua Portuguesa respeitem as nossas especificidades. Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Sabemos que somos falantes de uma língua que tem o Latim como matriz. Mas mesmo na origem existiu a via erudita e a via popular. Do “português tabeliónico” aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. Intelectuais de todas as épocas cuidaram dela com o mesmo desvelo que se tratam as preciosidades.
Queremos a Língua Portuguesa que brota da gramática e da sua matriz latina. Os jornalistas da Imprensa conhecem melhor do que ninguém esta realidade: quem fala, não pensa na gramática nem quer saber de regras ou de matrizes. Quem fala quer ser compreendido. Por isso, quando fazemos uma entrevista, por razões éticas mas também técnicas, somos obrigados a fazer a conversão, o câmbio, da linguagem coloquial para a linguagem jornalística escrita. É certo que muitos se esquecem deste aspecto, mas fazem mal. Numa entrevista até é preciso levar aos destinatários particularidades da linguagem gestual do entrevistado.
Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português.
Neste aspecto, como em tudo na vida, os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos. Nunca descer ao seu nível. Porque é batota! Na verdade nunca estarão a esse nível e vão sempre aproveitar-se social e economicamente por saberem mais. O Prémio Nobel da Literatura, Dário Fo, tem um texto fabuloso sobre este tema e que representou com a sua trupe em fábricas, escolas, ruas e praças. O que ele defende é muito simples: o patrão é patrão porque sabe mais palavras do que o operário!
Os falantes da Língua Portuguesa que sabem menos, têm de ser ajudados a saber mais. E quando souberem o suficiente vão escrever correctamente em português. Falar é outra coisa. O português falado em Angola tem características específicas e varia de província para província. Tem uma beleza única e uma riqueza inestimável para os angolanos mas também para todos os falantes. Tal como o português que é falado no Alentejo, em Salvador da Baía ou em Inhambane tem características únicas. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. A escrita é “contaminada” pela linguagem coloquial, mas as regras gramaticais, não. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de um qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.»
BRASIL
Entrevista de Paulo Franchetti ao «Páginas Tantas» blog
(Páginas Tantas é uma iniciativa do Teatro Académico de Gil Vicente e do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Mais AQUI)
7 de Fevereiro de 2012
Paulo Franchetti é crítico literário, escritor e professor titular do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Director da editora da Unicamp
PT.« O que acha do acordo ortográfico? Acha mesmo que, como dizem os editores portugueses (e muitos intelectuais), o acordo foi uma gigantesca maquinação brasileira para permitir que os livros brasileiros entrem livremente no mercado português e no africano, acabando com a indústria portuguesa do livro?»
PF.
«O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado.
Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal.
O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de facto. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didácticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didácticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didáctico adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objectivos (ou falta de objectivos legítimos) do acordo.»
ENTRETANTO...
.........................EM PORTUGAL...
No blog VIDA BREVE
«As intervenções públicas sobre o Acordo não me estimularam. Tudo me parecia um Prós e Contras entre conservadores ultramontanos, mulheres de xaile e bigodaça de crucifixo à ilharga, por um lado, e uns vanguardistas muito neófitos que desprezavam os efeitos perversos das alterações que estas merdas sempre provocam. No fundo a coisa resumiu-se a ser contra ou a favor do 25 de Abril, ou seja, ao grau zero da competência retórica.»
.../...
«O Acordo Ortográfico é agora designado por Aborto Ortográfico. E isto angustia-me, por temer que os mesmos que desejam o incumprimento do Acordo procurem também repor a penalização da IVG. Num país varrido pela demagogia mais trambiqueira podemos esperar tudo e o seu contrário.»
Luis M. Jorge
E num comentário:
“E isto angustia-me, por temer que os mesmos que desejam o incumprimento do Acordo procurem também repor a penalização da IVG”
Só há pouco tempo me apercebi que, de facto, parece haver uma associação entre pró-acordo=esquerda e anti-acordo=direita. Estava genuinamente convencido que era apenas uma questão entre gente pouco alfabetizada (de direita e de esquerda) e outra (de esquerda e de direita) que até é capaz do esforço intelectual de ler legendas de filmes.
João Lisboa
08-02-12
Será a isto que vamos chegar no nosso país? Entrincheirar o "Pró-Acordo" e o "Contra-Acordo" à Esquerda e à Direita de uma sofismática fronteira que serve várias politiquices e negociatas mas não a questão fulcral que é A LÍNGUA PORTUGUESA?
Haja Deus...
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Publicado por Alex at quarta-feira, fevereiro 08, 2012 0 comments
CADA VEZ GOSTO MAIS DESTE GAJO
para não aplicarem o Acordo Ortográfico»
03.02.2012 - 08:30 Por Luís Miguel Queirós - in "Público"
«O recém-empossado presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), Vasco Graça Moura, fez distribuir ontem à tarde uma circular interna, na qual dá instruções aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico (AO) e para que os conversores - ferramenta informática que adapta os textos ao AO - sejam desinstalados de todos os computadores da instituição.
Numa directiva datada de Setembro de 2011, o anterior conselho de administração do CCB adoptara o acordo em toda a documentação produzida pela instituição. Uma decisão que o novo presidente agora revogou com o apoio da nova administração. A questão que agora se coloca é a de saber se esta medida é legal, já que o Governo de José Sócrates ordenou, em Janeiro de 2011, que o AO fosse adoptado por todos os serviços do Estado e entidades tuteladas pelo Governo.»
VÍDEO RTP:
Graça Moura contraria indicações do Governo e suspende aplicação do acordo ortográfico no CCB - Cultura - Notícias - RTP
SE A MEDIDA É LEGAL?
É, LEGALISSIMA.
Ou julgarão que Graça Moura anda a dormir na forma?
«A medida terá sido aprovada por unanimidade pela nova administração do CCB, à qual foi distribuído um texto do presidente da instituição, no qual este argumenta que o AO «não está nem pode estar em vigor», pois Angola e Moçambique ainda não ratificaram o acordo e, segundo a ordem jurídica portuguesa, «a vigência de uma convenção internacional depende, antes de mais da entrada em vigor na ordem jurídica internacional. »
«Opositor declarado do AO, num extenso documento Vasco Graça Moura justifica a sua decisão com a inconstitucionalidade da aplicação das novas regras. De acordo com o ex-eurodeputado do PSD, estas violam «os artigos da Constituição que protegem a língua portuguesa, não apenas como factor de identidade nacional mas como valor cultural em si mesmo».

Para quem tenha dúvidas, ou para os "acordeses" mais acérrimos, queiram atentar na informação jurídica do Arq. António Macedo, Cineasta, Escritor e Professor Universitário, segundo a SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES (SPA)
«Após uma uma conversa aprofundada com os juristas da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), que estão muito bem informados sobre estas matérias, apurei resumidamente o seguinte:
1 - A nova ortografia, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), foi promulgada pela Resolução da Assembleia da República (AR) n.º 26/91, de 23 de Agosto (com pequenas actualizações posteriores), e reiterada pela Resolução do Conselho de Ministros (CM) n.º 8/2011.
2 - A ortografia ainda em vigor, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1945 (AO45), foi promulgada pelo Decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, e ratificada em 1973, com pequenas alterações, pelo Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro.
3 - O Código do Direito de Autor e Direitos Conexos foi promulgado pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março (com pequenas actualizações posteriores).
4 - Na hierarquia legislativa, segundo me explicaram os juristas da SPA, um Decreto-Lei está acima duma Resolução da AR ou do CM. Um Decreto-Lei é vinculativo, ao passo que uma Resolução é uma mera recomendação.
5 - Por conseguinte, uma Resolução não tem força legal para revogar um Decreto-Lei, e por isso o AO45 continua em vigor.
6 - Em caso de conflito entre a nova ortografia e o Direito do Autor, o que prevalece é o Decreto-Lei do Direito de Autor.
7 - Em consequência, nenhum editor é obrigado a editar os seus livros ou as suas publicações segundo a nova ortografia, nem nenhum Autor é obrigado a escrever os seus textos segundo o AO90. Mais ainda: tentar impor a nova ortografia do AO90 é um acto ilegal, porque o que continua legalmente em vigor é o AO45.
8 - Ao abrigo do Código do Direito de Autor, os Autores têm o direito de preservar a sua própria opção ortográfica, conforme consta do
n.º 1 do Art. 56.º do Capítulo VI do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos:
"(...) o autor goza durante toda a vida do direito de reivindicar a paternidade da obra e de assegurar a genuinidade e integridade desta, opondo-se à sua destruição, a toda e qualquer mutilação, deformação ou outra modificação da mesma, e, de um modo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue (...)".
9 - Embora no Artigo 93.º do Código do Direito de Autor se preveja a possibilidade de actualizações ortográficas, há sempre a opção legítima, por parte do Autor, de escrever como entender, por uma opção ortográfica de carácter estético. O que aliás foi confirmado pelo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, em entrevista à SIC no dia 8 de Janeiro de 2012, onde ele confirmou que até 2015 há um período de adaptação em que é permitido o uso paralelo do AO45 e do AO90, mas que aos Escritores, dada a sua condição de artistas criadores, ser-lhes-á sempre permitido utilizar a grafia que entenderem, mesmo que em 2015 o novo AO90 venha a ser eventualmente consagrado por Decreto-Lei, e não apenas, como agora, por uma simples Resolução da AR.
Pata terminar, e entre parênteses, o novo AO90 é tão aberrante que é um verdadeiro crime, que está a ser imposto em vários meios de comunicação e em todos os departamentos governamentais, não obstante ser ilegal e antidemocrático -
- e antidemocrático porque as várias sondagens que têm sido feitas desde há vários anos sempre apontaram para uma média de rejeição, do AO90, de cerca de 67 por cento por parte da generalidade dos Portugueses.
Claro que um crime desta envergadura só pode estar a ser tão violentamente implementado porque tem atrás de si interesses muito pesados e muito poderosos, e apetece-nos perguntar como nos romances policiais: a quem aproveita o crime? Geralmente, em crimes desta envergadura, a resposta costuma ser: follow the money...»
Dei um modesto contributo para tentar explicar a minha posição sobre o assunto neste link:
http://ilcao.cedilha.net/?p=3854
António Macedo
Ficou claro?
Agora digo eu:
Pode-se brincar com um povo mas não com todas as pessoas que constituem esse povo.
LINK: BLOG "A BIBLIOTECA DE JACINTO"
«O Dr. Vasco Graça Moura acaba de dar voz à maioria silenciada dos portugueses.»
Post recomendado pelo Real Gana
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Publicado por Alex at sexta-feira, fevereiro 03, 2012 0 comments
PARA VETAR NÃO SE EXIGE AUTORIDADE... MORAL
O que se vem passando na Síria há dez meses já não nos espanta e talvez a poucos comova. É natural... É natural? A Síria fica longe, nem sequer faz exactamente parte do "nosso mundo". E todos temos ainda bem presente a loucura que ocorreu na Líbia - Bem... todos não sei, parece que Bashar al-Assad não terá esse pedaço de história recente nos circuitos dos seus estranhos neurónios; ou então não percebeu, a loucura e a maldade bloqueiam-lhe o entendimento.
Provavelmente al-Assad pensa que tem "as costas quentes". E tem. Espantosamente tem.
Durante a noite de ontem discutiu-se a situação da Síria no Conselho de Segurança da ONU. Conclusão: mais sanções. Pois.
Claro que a conclusão que se retira da impotência do C.S. ONU é outra.
Por muita vontade que o Ocidente tenha de ir às trombas a Bashar al-Assad, por muito que a Liga Árabe se faça ouvir pedindo uma «acção rápida e decisiva», a Rússia e a China mantêm as costas de al-Assad a salvo. Humanamente é incompreensível, ou seria, caso não viesse de onde vem. Mais uma conclusão a tirar...
Por falar em tirar conclusões, por falar na China (também na China)...
Nestes últimos dias tenho-me perguntado porque não há praticamente notícias sobre os sucessivos confrontos que têm vindo a ocorrer em vários locais do Tibete dos quais têm resultado várias mortes e inúmeras prisões.
O primeiro de que eu tive conhecimento ocorreu a 23 de Janeiro em Draggo ( Drango), nas imediações do mosteiro local em torno do qual um crescente número de pessoas vindas das localidades vizinhas se estavam reunindo clamando pela libertação do Tibete e pelo regresso do Dalai Lama.
Dois dias depois terá havido uma «escalada de violência» tendo ocorrido mais confrontos e mortes desta vez em Sertha; mais de 200 manifestantes pacíficos (muitos dos quais monges) foram presos arbitrariamente. Desta vez saíram notícias na BBC, New York Times e Financial Times assim como em alguns outros MCS de menor impacto.
A 27 de Janeiro, desta vez na cidade de Barma, Dzamthang, as forças paramilitares abriram fogo sobre manifestantes e executaram um homem que se dirigia para o meio de um conjunto de pessoas que tentavam evitar a prisão de um jovem
A comunicação social, de um modo geral tem estado alheada do que se está a passar quase (?) diariamente no Tibete.
Ontem, 31Jan. a BBC (what else?) noticiava, ainda que discretamente, que o governo chinês tinha ordenado um aumento de segurança e vigilância dos mosteiros e não só:
«Lhasa officials and functionaries at all levels, especially the police, must increase... efforts to rationally dispatch police forces and step up registration and inspection work along national roads, at key monasteries and among leading suspects.»Mas os "mimos" não ficam por aqui, o Dalai Lama e seus apoiantes são particularmente mimoseados:
«"We must strike hard at all the separatist, destructive and criminal activities of the Dalai clique and make efforts to realise our goal of not letting any incident, big or small, occur," he* said in a speech published on the Lhasa government website.*LIU QI
He* was referring to Tibet's exiled spiritual leader, the Dalai Lama.»
Porque não fala nisto a comunicação social? Aah, e o C.S. da ONU nem aborda... Para quê? Para ser vetado ao silêncio?
Que raio de mundo o nosso!




Sem comentários... Que haveria a dizer?
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Publicado por Alex. at quarta-feira, fevereiro 01, 2012 0 comments
JOSÉ VOLTA, ESTAMOS À TUA ESPERA (Petição)
Não é bem que me tenha dado uma saudade muito grande, ou mesmo pequena, mas gostava que José, que comandou os desígnios deste nosso país como se fosse dele, só dele, durante 6 anos, 3 meses e 9 dias, voltasse para responder, em local apropriado, sobre as suas decisões e consequências destas, sobre as suas declarações e inexactidões das mesmas, sobre as informações que foi dando à populaça acerca do estado da nação. Gostava, eu gostava.
José lá está por Paris, vivendo uma vida muito simpática; o seu apartamentozito de estudante fica no 16ème arrondissement, bairro discreto na "rive droite" do Sena na vizinhança do Bois de Boulogne (onde faz o seu celebre jogging matinal), pode passear pelo Trocadéro e é só atravessar a pontezinha que hei-lo chegado à Torre Eiffel. Não conheço o apartamento de José mas sei que nenhum dos bairros de Paris comporta tantas embaixadas quanto o 16ème...
Entre os seus saltos ao Institut d´Etudes Politiques, pelos restaurantes e cafés de Saint-Germain, e pelas livrarias (só livrarias?) do Quartier Latin, José bem podia arranjar uns dias para passar pelo Campus de Justiça de Lisboa, aliás também este situado em local bem aprazível e privilegiado da cidade que tantas recordações sem dúvida lhe traria daquela entourage tellement VIP que "ele" acolheu durante a cimeira da Nato. Talvez José gostasse... Sei lá... Matar saudades das câmaras de TV, do bulício dos repórteres, o protagonismo nos jornais...
Volta José, estamos à tua espera. Já somos muitos os que estamos à tua espera e olha que vamos ser mais. Volta José, volta.
Diz lá:
«Para julgar em tribunal o eng. José Sócrates
por gestão danosa dos dinheiros públicos»
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N9288
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Publicado por Alex at terça-feira, janeiro 31, 2012 0 comments
DESCULPEM QUALQUER COISINHA...
Depois do outro a chamar pelo primeiro-ministro "José Trocas-te" só mesmo uma despedida "em grande" para o secretário-geral da CGTP
Não é montagem, é mesmo assim e desculpem qualquer coisinha mas, desta vez, não fui eu
São coisas que acontecem, como, por exemplo, faltar a luz durante a assinatura do acordo de concertação social... Ninguém pode prever...
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Publicado por Alex at sexta-feira, janeiro 27, 2012 0 comments
"RATE THIS"
Já vi, e sempre com gosto, vários videos promocionais de Portugal; este é diferente, não é bem "promocional", ou talvez melhor dizendo, não é apenas promocional.
Estou cansada de ouvir portugueses a dizerem mal de Portugal e o vício não vem de agora, é de longa data: agora é muito "in" e progressista, no tempo "da outra senhora" era chique.
Eu gostei, muito. (Obrigada Rui N.)
Vós, "rate this"...
Não tenho nada a acrescentar.
Publicado por Alex. at segunda-feira, janeiro 16, 2012 2 comments
BRINCAR COM O FOGO
1
«Exportações aumentaram 15% e compramos menos ao estrangeiro»
«As exportações aumentaram 15,1% entre Setembro e Novembro, face ao período homólogo, enquanto as importações caíram 3,6%.
A balança comercial ficou beneficiada em mais de dois mil milhões de euros.
.../...
A taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 78,6%, o que representa uma melhoria de 12,8 pontos percentuais face à taxa observada no período homólogo do ano passado.»
2
«Adesão quase total.Só Leixões trabalha»
«A greve dos trabalhadores portuários, que começou à meia-noite e decorre até sábado, está a contar com uma adesão total, diz o presidente da Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários (Fesmarpor), Alexandre Delgado.
O porto de Leixões, acrescenta o responsável, é o único que não tem trabalhadores
filiados da Fesmarpor e, por isso, está a funcionar em pleno.
.../...
“Não consigo estimar os custos para o país. Obviamente que são elevados.
Qualquer greve sectorial tem sempre custos. Como também nunca foram capazes de nos explicar as mais-valias que geravam a partir dali, difi cilmente podemos deduzir os custos."(vice-presidente da Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários,
Vítor Dias)
.../...
A paralisação tem como objectivo contestar o processo de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário de Aveiro.»
«“Não há economia sem logística, que é a circulação sanguínea de todo o sistema.
Não há logística sem portos competitivos e não há portos a funcionar sem uma atitude global de disponibilidade da economia para funcionar. É preciso ver que cada dia de portos parados são os nossos produtos que não saem, são as nossas empresas que estão bloqueadas, são os nossos concorrentes ao nível internacional que ocupam esse espaço. Estamos a mexer no centro nervoso da nossa economia e vejo com muita preocupação estes dias de greve”, disse Pedro Reis, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.»
Pergunto-me se a "contestação ao processo de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário de Aveiro" tem em mente a criação de condições para vir a "contestar" processos de insolvência dos outros portos nacionais...
Não digo mais nada, perco sempre a vontade de dizer seja o que for quando vejo brincar com o fogo.
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Publicado por Alex. at segunda-feira, janeiro 09, 2012 0 comments
A MARIQUINHAS EM ATENAS
Ainda a propósito de o Fado ter passado a constar do Património da Humanidade...
O meu amigo André Maia tem estado a viver em Atenas onde tem feito um excelênte trabalho com a sua "André Maia Band", e não só.
Acabei agora de ver um dos seus últimos vídeos, gravado a 30 Dezembro último e colocado por ele no Facebook ( "You Tube" 31 de Dez.)
É por estas e por outras que há pouco mais de um mês eu dizia por aqui que o fado é um "cidadão do mundo"
Com um som de cordas tão diferente, tão grego, tão português, muito fado. Boa André! Aplausos para o artista, um beijo grande para o amigo.
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Publicado por Alex. at segunda-feira, janeiro 09, 2012 0 comments
A LEGISTA E O ROBALO
Como se me tivesse caído sob os olhos de propósito, acabo de dar de caras com uma bem humorada notícia, ou talvez melhor dizendo, um bem humorado comentário a uma sequência de notícias sobre o mesmo facto, facto esse, ao que parece, bastante subjectivo. Esta "sequência", que chegou para três dias dedicados a manhoso assaltozeco sem vítimas e malogrado nos seus intentos, bem podia servir de "ilustração" à deliciosa fábula que até aqui trouxe ontem, na sua forma rebuscada de transformar um acontecimento quotidiano sem ponta por onde se lhe pegue numa "notícia" de mediática divulgação nacional com contornos de caracterização política.
Eu não gramo o Vara (nunca me deu nenhum robalo) mas o desgraçado teve azar quando foi ao Centro de Saúde...
Passo a transcrever o artigo que bem poderia ter por título «A fábula da Legista e do Robalo»
(apraz-me particularmente o pormenor de se tratar de uma médica legista que tratava do Vara - sem comentários negros...)A título de curiosidade deixo também um link a um blog (sobre o qual não faço comentários porque não seria de bom tom) que publica uma "coisa" sobre esta notícia que demonstra inegável boa-fé e objectividade na escolha da foto para acompanhar os seus escritos.
Onde é que este blogista terá ido buscar a foto? Ora, boa-fé e objectividade é o que por aí não falta... Pois pasme-se, ao irrepreensível "Correio da Manhã".
«Há dias li que uma médica de Lisboa - um detalhe essencial - tinha assaltado uma ourivesaria de pistola de pressão de ar, embora tivesse usado gás-pimenta para aturdir a funcionária. Percorri a notícia até ao fim e ainda fiquei a saber que o assalto acontecera na Ourivesaria Antiquorum - "uma das mais caras de Lisboa" -, e no penúltimo parágrafo acrescentava-se, em três ou quatro palavritas sem mais explicações, que a dita médica sofria de problemas psiquiátricos. Em nome do rigor jornalístico, descrevia-se o método usado para o assalto, o desenrolar trepidante do mesmo e uma série de pormenores relevantes desta notícia de cariz geográfico.
No dia seguinte, outro jornal apresentava a notícia sob um ângulo também ele notável. A médica, afinal, não era uma médica qualquer, era - pasme-se - a médica de Armando Vara, o famoso socialista e ex-banqueiro amante de robalos. Lida a prosa, percebia-se que, em Fevereiro, Vara ultrapassara outros doentes num centro de saúde graças à ajuda desta médica que, esclarecia-se mais tarde, não era, na verdade, sua médica pessoal (é médica legista, trata de cadáveres). Apesar desta pequeníssima contradição, a notícia mais do que compensava o deslize ao contar que a assaltante tentara apoderar-se de três pulseiras e de duas argolas de ouro e que, num incrível volte-face clínico (médico que vira doente), padecia de um infeliz nódulo pulmonar. Detalhe valioso para compreender esta notícia de evidente cariz médico e político.
No dia seguinte, a história continuou o seu périplo de curvas largas e aterrou num telejornal. O repórter de serviço recuperara a informação avançada pelos dois jornais, mas omitira os problemas psiquiátricos para nos conduzir onde queria. O assalto não era um simples assalto desmiolado, era o reflexo da crise e a prova de que a pobreza atinge toda a gente - o jornalista dizia, com desprezo, "até as classes sociais ditas altas!" Neste ambiente de faroeste, contava a peça, são vários os casos de gente licenciada que se vê atraída para o mundo do crime. Números para defender a tese? Zero. Exemplos? O de um engenheiro que assaltara uma velhinha para comprar um pacote de leite.»
André Macedo - in "Dinheiro Vivo" - 04/01/2012.
Publicado por Alex. at sexta-feira, janeiro 06, 2012 0 comments
UMA FÁBULA REACCIONÁRIA
Recebi agora um e-mail da Xana com a célebre fábula de La Fontaine "A cigarra e a formiga". Como sabem, esta fábula originalmente em francês (La cigale ayant chanté Tout l'été, Se trouva fort dépourvue...), desta feita foi-me enviada nas versões alemã (traduzida) e portuguesa. A primeira é curta e clara, como convém a uma versão germânica, a segunda... Bem a segunda é bem à nossa moda, muito de acordo com o "políticamente correcto", com variados interveniêntes por pouco que sejam chamados ao caso e bastante mediática - como convém a tudo o que se queira ver levado a sério por mais escarninho que seja.
Vêde e julgai; eu cá ri-me perdidamente.
(Versões alemã e portuguesa)
(autor omisso)
Versão alemã
A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.
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A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.
A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.
A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom.
As associações anti-pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que dissertam sobre a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.
A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS, com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares, organizam manifestações diante da casa da formiga.

Fernando Rosas escreve um livro no qual demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.
Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti-discriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).
Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultâneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra.
A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.
A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.
A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga, a comer os bens que aquela teve de deixar para trás. Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista".
A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se cagando para a sua conservação. Em vez de fazer algumas obras queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (inter-partidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.
Enquanto a comissão prepara a primeira reunião, para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.
Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.
A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança.
Ana Gomes, talvez um pouco a despropósito, afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos e faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA aproveitando para insultar Paulo Portas.
Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.
A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...
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Publicado por Alex. at quinta-feira, janeiro 05, 2012 2 comments
DEPOIMENTO: ACORDO A 50%
Ouvi dizer que essa coisa do "Acordo ortográfico" entrou hoje em vigor. Que fixe, deve de haver por aí um grupito de malta muito contente. Não sei por que lhe chamam "Acordo" porque a maioria das pessoas que vive em Portugal não se têm manifestado nada de acordo com a coisa mas está bem, cá por mim podem até chamar-lhe assobio .Conforme tive já oportunidade de AQUI expôr com alguma clareza, perante muitas situações concretas estou-me completamente nas tintas para a lei - e se traço nessa atitude alguns limites não me advém tal sensatez da urbanidade mas antes da auto-defesa. Normalmente a minha rebeldia, chamemos-lhe assim para simplificar, não vai além de um interior desdém vagamente perceptível numa subtil elevação do canto direito da boca acompanhado por um silencioso "pois, está bem..." retido no pensamento. Há alguns "respeitos pela lei" que me fazem confusão de tão estúpidos que podem ser e esses, obviamente, ultrapassam-me o pensamento saltando para as palavras, ou para a acção. Paciência, sou assim, já não mudo, já passei a idade de ter hipótese de cura.
Quanto a esta coisa do tal "Acordo" nem tenho sequer a oportunidade de levar em consideração qualquer pensamento mais sério acerca do dito: faz-me cócegas no cérebro e desmancho-me a rir; já tentei e não consigo, o médico até já me disse para não forçar porque pode ser perigoso - já têm sido internadas pessoas com semelhantes ataques de hilaridade difíceis de suster.
(Não é que eu ache que a coisa tem graça, é demasiado perversa e consequente para isso mas felizmente não me dá para chorar)
Assim como há gente que "não joga com o baralho todo" - talvez seja o meu caso, não me recuso a admitir - também há gente que quer deixar de jogar com as letras todas, "é mais fácil" dizem nas suas fracas e pouco alicerçadas justificações que pouco mais argumentam para além do facilitismo e da "evolução" - como se alteração fosse sinónimo de evolução. Está bem, levem lá a bicicleta, a taça e as letras que tanto vos pesam de tão difíceis que são.
Aqueles que frequentam o Real Gana ou que por aqui dão um salto com um mínimo de assiduidade não terão a menor dúvida de que por aqui se escreverá sempre com as letras todas.
Mais: sejam os textos da minha autoria ou de outrem, retirados de jornais, revistas ou seja lá de onde venham, aparecerão por aqui sempre com as letras todas, escritos em português, não em acordês. Acordês Aqui Não. Evidentemente.
Porém...
Porém, e só para mostrar que não sou de pedra, que também tenho coração, resolvi fazer uma cedência e parece-me que sou uma querida, amorosa mesmo, ao fazê-lo: com aqueles que, por livre exercício da sua vontade ou no exercício das suas actividades profissionais, resolvam aderir à coisa passarei a expressar-me oralmente - e apenas oralmente - respeitando as novas regras da dita.
Sei que não vai ser fácil, será até ainda mais difícil do que fazê-lo por escrito (apesar dos que dizem que "é mais fácil") mas sei que acabarei por conseguir, é uma questão de treinar lendo os pasquins em voz alta tal qual lá estará escrito.
Vêem, queridos acordeses, como eu não sou do contra; até sou uma querida, ou não sou?
É uma espécie de acordo a 50%, aliás tal como vós, acordeses, o fazem: falam em português e escrevem em acordês - eu decidi-me pelos "outros" 50%, dirigir-me-ei a vós em acordês e escreverei em português - mas por favor não se riam, é que não será de mim que se estarão rindo...
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Publicado por Alex. at segunda-feira, janeiro 02, 2012 0 comments
2012
Retomando umas poucas palavras do último "post" de 2011:
Os nossos sonhos, desejos, esperanças, continuam a valer o que sempre valeram: uma projecção de Luz e alento nas nossas vidas.
A força, a integridade, o ânimo, o bom senso, a lucidez, a perseverança, a vontade, a motivação, a coragem, são caracteristicas que vêem agora o seu valor "acrescentado".
De tudo isto depende em grande parte a possibilidade de termos um "Bom Ano", pela parte que me toca é o que desejo a todos vós
(E não... não estou a publicar no Blog à meia-noite, deixei agendado, não se preocupem...)
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Publicado por Alex at domingo, janeiro 01, 2012 0 comments
UM ANO MUITO NOVO
Começa a ser ridícula a maneira tímida como muito boa gente deseja "Bom Ano"; fazem-no com um arzinho tímido não vá alguém pensar que se trata de uma ironia cínica, fazem-no quase a pedir desculpa, com um subtil sorrizinho sofredor. Chega a ser irritante para as mucosas.Lembra-me aquelas pessoas que durante muito tempo se sentem mal, sabem que alguma coisa não esta nada bem mas que têm medo de ir ao médico "não vá descobrir-se qualquer coisa". Um dia as coisas dão para o torto e vão ao médico numa situação de urgência. Lá se confirma que há alguma coisa que não está mesmo nada bem. Pronto.
Inicia-se um tratamento complicado, caro e prolongado; podia não ser tão dramático se o tratamento tivesse sido começado mais cedo mas nada está perdido - haja bom senso e persistência que a recuperação é possível. Ninguém disse que é fácil mas é possível.
Perante isto há duas atitudes: ou se segue o tratamento complicado, caro e prolongado ou se vocifera contra este porque não resolve o caso rapidamente e ainda por cima leva o paciente a sentir-se ainda pior, mais frágil, menos apto.
Pois é, há tratamentos assim mas não se podem suspender nem evitar; há que segui-los e, após determinado período, obteremos os resultados. E isso é bom, é um "Bom Ano".
Ninguém, em posse das suas faculdades mentais, pensa que 2012 irá ser um ano fácil, obviamente não vai. Porém um ano economicamente difícil não tem de ser "um ano mau". Será melhor para uns e pior para outros, como sempre. E será de uma enorme ingenuidade, ou má fé, partir do princípio de que será forçosamente melhor para quem "tem mais" e pior para quem "tem menos", as coisas não funcionam assim.
Salvaguardando as mais dramáticas e cinematográficas excepções, o "Ter" por si só não define a fronteira entre um bom e um mau ano. Há muito quem não tenha e se aguente na corda-bamba, há muito quem tenha e que sofra enormes descalabros. Não vale a pena ir por aí, é um beco sem saída racional.
2012 vai ser um ano complicado, para os portugueses, para os europeus, para o mundo; vai ser um ano de profundas mudanças estruturais e conceituais; vai ser um ano de "terapêutica" amarga. Pois vai, e então?
A situação que nos trouxe até aqui já não suportava mais encobrimento nem adiamento, foi exposta. Isto é mau? Não creio, trata-se de uma mudança paradigmática. É difícil, é complicado, é incerto mas não é mau - a continuidade acarretaria uma "morte certa".
Uma parte da humanidade terá um bom ano e outra parte terá um mau, sempre foi assim e este ano não será diferente. Desejar um "Bom Ano" não é um sacrilégio nem um irónico acto de cinismo, deixemos-nos de complexos parvos. Qualquer um de nós poderá ter um bom ou um mau ano, é a incógnita do futuro, é a vida. Como sempre há pressupostos que ajudam e outros que antes pelo contrário mas não há certezas, nem varinhas mágicas, nem bolas de cristal.
Os nossos sonhos, desejos, esperanças, continuam a valer o que sempre valeram: uma projecção de Luz e alento nas nossas vidas.
A força, a integridade, o ânimo, o bom senso, a lucidez, a perseverança, a vontade, a motivação, a coragem, são caracteristicas que vêem agora o seu valor "acrescentado".
De tudo isto depende em grande parte a possibilidade de termos um "Bom Ano", pela parte que me toca é o que desejo a todos vós.
2012 tem uma marca de "Recomeço", aproveitemo-lo bem, de peito aberto face à vida.
Publicado por Alex. at sábado, dezembro 31, 2011 1 comments
NOITE DE NATAL
SE AO MENOS ESTA NOITE, NEM QUE FOSSE SÓ ESTA NOITE, O MUNDO ESTIVESSE EM PAZ
SE TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO PUDESSEM DORMIR EM PAZ...
Não deixem de ver o vídeo original, que não tem permissão de divulgação privada, neste link
Christmas Eve/ Sarajevo [Timeless Version]
Publicado por Alex at sábado, dezembro 24, 2011 0 comments
NATAL 2011, UM NATAL COMO DEVE SER
A programação neuro-linguística é uma coisa lixada.
Pode ser muito útil, não duvido, mas quando é gerada uma penetração inconsciente através da repetição pode ser pérfida.
Estes últimos, vá lá, dois anos que vivemos em Portugal embruteceram as pessoas ainda mais do que o habitual.
A crise, a crise, a crise. "Estamos todos tramados, não há saída, é o fim". Ó raça... A mentalidade burguesa gera a pior mentalização em massa que pode ocorrer a um povo.
Este ano "decidiu-se" que não há Natal. A frase anda por aí à solta, nas bocas e, pior, nos corações.Porquê? Porque o dinheiro é curto, porque houve um corte nos subsídios de natal, porque a vida está difícil em muitos aspectos?
E daí? A mim parecem-me razões acrescidas para que tenhamos natal, um natal feito de momentos tão felizes quanto possível que quebrem a rotina e a vivência diárias.
Pela primeira vez na minha vida cheguei ao dia 23 de Dezembro sem ter feito Árvore de Natal. Ela tem estado ali, coitada, com meia dúzia de bolas pingonas com um ar triste como um grito surdo a pedir ajuda para brilhar e fazer sorrir.
O meu filho resolveu que este ano era ele quem enfeitava a árvore. Pois... aquilo dá uma grande trabalheira e, verdade seja dita, a forma pouco experiente como ele prende os enfeites não resiste à primeira abanadela que o cão faz com a sua espanejante cauda. E eu deixei-me ir, chego cansada, tenho muitas coisas "prioritárias" e outras tretas.
Ontem caí em mim. Olhei para aquele testemunho de substituição da vida pela sobrevivência que se erguia na minha frente sob a forma de uma árvore pingona e caí em mim. Que tristeza, como pude "deixar andar" até chegar aqui? Não está ninguém doente, não aconteceu nenhuma desgraça, temos tudo o que precisamos, e muito para além disso, não há guerra, não houve nenhum terramoto, os nossos amigos e família estão bem... POR QUE RAIO NÃO HÁ ÁRVORE DE NATAL?????????
Por que raio rodopia em torno de cabeças baixas um «Este ano não há Natal» como se o natal não dependesse de cada um de nós. O NATAL DEPENDE DE CADA UM DE NÓS. E não é uma frase feita, um chavão, é exactamente assim, das poucas coisas com projecção social que depende exactamente de cada um.
Levamos a vida inteira a dizer que o natal é a família, os amigos, a solidariedade, os encontros e reencontros e blá-blá-blá. Bonito! Ao primeiro corte no subsídio, às reais dificuldades - ou pelo menos fragilizadas facilidades - praguejamos que não há natal "este ano".
Ora bolas para tanto espírito natalício. Este ano, mais do que em muitos, há quem precise que seja e se viva, de facto, o natal, pelas razões mais diversas, pelos motivos mais diferentes.
Pois fiquem sabendo que eu faço tenções de ter um belíssimo natal, provavelmente até melhor do que muitos porque este natal me fez cair em mim de uma forma muito mais consciente. Com menos prendas, pois será e muito, mas muito, sinceramente estou-me completamente nas tintas. Sabem o que é que eu quero mesmo? Estar com aqueles que me são importantes, dar umas boas gargalhadas com muita vontade, beber um bom e reconfortante copo, partilhar uma ceia em volta de uma mesa onde não se senta o interesseirismo nem o "tem de ser".
Quero ver a excitação e a alegria estampada na cara do meu filho, que sabe que este ano as prendas serão menos mas que é um miúdo feliz porque tem família e amigos para partilharem o natal com ele e tem coisas boas para comer e uma casa quentinha onde estar. Ele sabe... e está tão contente por ser natal e por ir estar com as pessoas como em qualquer outro ano. «Hão-de vir dias mais ricos mãe, eu gosto sempre do natal...»
Como tenho a possibilidade de fazer o que mais quero posso ter um Feliz Natal, um a sério, que não é o dia da troca de embrulhos.Já fiz a minha Árvore, mesmo cansada, mesmo com dores nas costas a bramarem que o dia foi comprido e cheio; ainda não tem luzinhas nem neve e falta o meu filho colocar-lhe a estrela grande lá em cima mas já tem a companhia do Pai Natal e de uma rena bebé.
Sinto-me muito melhor, dei um chuto na parvoeira. Chega de tretas
O natal não é "quando um homem quiser" (que frase tão estúpida...) , é só uma vez por ano, é agora e vem de dentro.
FELIZ NATAL!
Publicado por Alex. at sábado, dezembro 24, 2011 0 comments
AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL FAVORITAS - 3
Esta música é como uma oração, como acender uma vela a cada criança que nasce
O Natal é isso, que haja uma Luz para cada criança
Que o vosso Natal se passe em paz, com alegria, gargalhadas, carinho e solidariedade.
Tudo o resto é o que vem por acréscimo e pouca ou nenhuma importância tem
FELIZ NATAL.
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Publicado por Alex at sexta-feira, dezembro 23, 2011 0 comments
AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL FAVORITAS - 2
TENHA LATA, TENHA MUITA LATA
(medo, muito medo, já toda a gente tem)
Estão aí os últimos dias de trabalho antes do natal e este ano não calham feriados para a generalidade do povo; pontes... nem vê-las, nem túneis, nem um viadutozito. É a loucura, um fim de semana de natal - Bahh, coisinha sensaborona.
Mas quando a vida nos dá limões há que fazer limonada, né?
Ok. , experimenta isto amanhã no emprego.
Põe o som bem alto; se não tiveres computador não te inibas porque ainda dá mais efeito: pede ao tipo da contabilidade uns minutos de Net porque precisas enviar um e-mail urgente para o banco. Melhor ainda se a Nicinha que faz os cafés tiver voltado a empinocar aquela arvorezinha de natal ridícula que gosta de pôr em cima da mesa, do balcão, da secretária, do raio-que-a-parta.
'Bora lá "rocar" em volta da christmas-tree, da secretária, do balcão, do tipo da contabilidade, do Manel-Sisudo e de quem mais aparecer para ver que raio é que te deu para te passar pela cabeça pores a música aos berros.
Se não conseguires soltar a franga a este ponto... ao menos ouve a música aí em casa, bate o pézinho e imagina... O quê? O que tu quiseres, a imaginação é tua. Pode ser a Nicinha a entornar os cafés em cima do Manel-Sisudo... e...
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Publicado por Alex at terça-feira, dezembro 20, 2011 0 comments
AS MINHAS CANÇÕES DE NATAL FAVORITAS - 1
(ou, "neste episódio", como reagir a um corte no subsídio de natal)
Os meninos podem ver em "fullscreen" e as meninas podem aprender a coreografia e divertir-se à brava.
Se os meninos conseguirem tirar os olhos do "fullscreen" também podem experimentar a coreografia.
Deixo aí abaixo uma versão menos exigente que talvez vos inspire e ajude a reduzir alguma timidez; e "Yes, you can try this at home" .
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Publicado por Alex at sexta-feira, dezembro 16, 2011 0 comments
INSTANTÂNEOS
Não sou particularmente adepta ou admiradora de "modas" mas esta coisa das "Flash Mob" é uma nova moda a que acho imensa graça; é alegre, surpreendente, imaginativo.
Há tempos coloquei aqui no RealGana duas das primeiras de que tive conhecimento que tenham ocorrido em Portugal (Esta, mesmo antes do Natal de 2009 e mais Esta , dias depois, na véspera da passagem d'ano) - foram no aeroporto de Lisboa e tiveram piada, a segunda mais do que a primeira porque foi feita numa altura em que o aeroporto estava bastante cheio e as pessoas descontrairam mais, aderiram mais mas se fosse num aeroporto de Londres, por exemplo, estou certa que saia mundo e meio a dançar. Por cá foi giro mas tímido por parte de quem observava: bater o pé ou cantarolar ainda vá mas mais do que isso já é demais para este nosso povo que se leva tão a sério.
Vem isto a propósito de um "Flash Mob" que ocorreu em Novembro passado na Gare do Oriente, em Lisboa. Dizem os organizadores em "rodapé" do vídeo publicado:
«Quando menos se esperava, 4 cantores líricos juntaram-se na Gare do Oriente e alto e bom som deram voz à DPOC. Uma acção que surpreendeu e marcou o dia mundial da DPOC, a 16 de Novembro. O momento, que durou alguns minutos, foi da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Fundação Portuguesa do Pulmão.»
Acabei há pouco de ver este "mini-espectáculo" e fiquei tristíssima: não é que seja, em si um espectáculo triste, nada disso, é até bem agradável, particularmente a "Senhora da limpeza" que canta no final, mas ao prestar atenção às pessoas que iam passando, independentemente de algumas até mostrarem um arzinho agradado, a cena é testemunho de uma profunda tristeza. Já não é só a timidez, a inibição dos sérios portuguesinhos, é muito pior do que isso: é um alheamento, uma alienação generalizada, um "estou-me nas tintas para tudo", a desistência. A reacção mais conseguida foi o sacar do telemóvel para filmar, para mostrar mais tarde que houve um momento assim, de resto, quanto a viver o momento... parece não haver "vida" para tanto.
Poucas coisas me chocam tanto quanto a desistência. Quando as pessoas se comportam como se estivessem num beco sem saída ou retorno e não querem ver a estrada a percorrer que se estende diante delas; o suicídio (recusa de viver) por omissão. Foi isso que vislumbrei neste vídeo. Será que sou eu que "ando a ver coisas"?
Aqui fica.
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Publicado por Alex at terça-feira, dezembro 13, 2011 0 comments
SEMANA DE LUTA CONTRA A MEIA-HORA
O Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que
“estabelece um aumento excepcional e temporário dos períodos normais de trabalho de 30 minutos ou de duas horas e 30 minutos por semana”.../...“aplicável durante a vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal”.

Vai daí e Carvalho da Silva sai de punho em riste "na defesa dos trabalhadores" e diz:
“a situação actual obriga a estar mobilizado e a fazer uma intervenção forte”.../... “dar sinais muito fortes, por exemplo,em relação ao alargamento do horário de trabalho”.Ridículo.
Carvalho da Silva sabe, como todos os portugueses, que se "isto não vai, racha".
Racha não, rachado está isto por todo o lado, abre pelas rachas e desintegra-se. Porém a desintegração total serve os interesses de quem não consegue impor-se pelo voto e pretende impor-se por onde conseguir, "revolucionariamente a bem do povo" e a vontade expressa do povo que se lixe.
A estratégia nada tem de novo, é velha-relha, caduca e ditatorial - porque as ditaduras funcionam de ambos os lados, à direita e à esquerda, umas "a bem da nação" outras "pela defesa da classe trabalhadora".
A CGTP classifica a aprovação desta proposta de lei como:
“uma posição de má fé do Governo”Má fé? Esta "semana de luta" que agora se inicia é o quê, um desígnio dos anjos?
Mais trabalho é fundamental, mais produção, acelerar, levantar um país (perguntem aos japoneses que eles explicam).
As pessoas estão a rebentar pelas costuras, é verdade. Não é apenas as horas que trabalham, ou não é isso de todo, antes se trata do aperto em que se vive, das contas para pagar, dos compromissos que se tornam monstros a enfrentar a cada dia, a cada fim de mês. É verdade.
E se Portugal não cumprir, não conseguir manter uma posição em que possa ser levado a sério? Melhora a vida de alguém? Muito pelo contrário, é catastrófico.
Apesar de haver quem advogue que as dívidas de Estado não são para pagar, só as crianças acreditam nisso... Mas esses não têm culpa, aprenderam assim nos cursinhos com cadeiras de economia da escola dominical. Não têm culpa disso e as culpas que possam ter na situação actual estão passadas e sem responsabilização; chegou a hora de ir fazendo umas conferênciazitas para crianças para reaparecer, ir limpando a imagem...
C'um caneco!

Esta meia-hora diária é de facto necessária? Creio que sim mas também creio que não chega - ajudará.
Seria evitável? Seria, há anos, se a coisa tivesse dado a volta de outra maneira mas agora não faz sentido abordar a situação com "se...".
Meia-hora é o tempo de tomar o café, dar uma olhadela pelo "facebook" ou discutir o jogo e/ou a novela de ontem à noite, de telefonar à Maria e ao Francisco, de ir lá fora fumar dois ou três cigarros, de responder ao e-mail da "La Redoute" e de pagar as cotas do clube no MB ou na Net.
E... e mais nada, a meia-hora já lá vai, já passou e nem chegou para a bica da tarde.
... Só se a má-fé do governo está em retirar à malta o gozo de fazer todas estas coisas durante o período laboral normal; de facto metade do gozo de discutir o fora-de-jogo do golo de ontem ou a gravidez da Marianinha da novela das 10h é tiranicamente cortado. Visto desta perspectiva só pode mesmo ser má-fé. Além disso o café nem sabe ao mesmo.
Quantas horas de trabalho vale "uma semana de luta", uma tarde de manif, um dia de greve?
Ridículo. Ridículo e de má-fé.
PS - A semana de luta, talvez por ter buscado mais um "tema" que ajudasse a compor um "tanto barulho para nada", inicia-se não pelo combate à "meia-hora" mas "por ocasião do 35.º aniversário das primeiras eleições autárquicas em Portugal após o 25 de Abril de 1974" com a entrega na A.R. de uma petição pela

"defesa do Poder Local Democrático, contra a redução de autarquias e de trabalhadores".
Ora aí está uma petição que ninguém me pediu para assinar (já sei que não é preciso, a malta é organizada...). Ainda bem, chateia-me sempre dizer que não a quem anda no voluntariado pela defesa dos indefesos. Nada de reduzir autarquias, é um erro: as empresas públicas já não estão em condições de continuar a garantir os "jobs" e as privadas não vão nisso - "a solidariedade social por um amanhã mais seguro" já não é o que era. Além disso um bom "cacique" lá na terra é sempre um pilar de sustentação da luta pela democracia e há que ter cuidado: o povo manipulado pelos interesses dos grandes capitalistas já não anda a votar como devia...
A luta dos trabalhadores continua; os "outros" que trabalhem.
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Publicado por Alex at segunda-feira, dezembro 12, 2011 1 comments
FRIA INJUSTIÇA
Há exactamente 31 anos, mais ou menos por esta hora (21h), caiu-me a alma aos pés.
Não é saudosismo, é um sentimento de injustiça;
Quem morre no auge da paixão, pelo seu país e por um amor que não quer esconder, morre injustiçado.
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Publicado por Alex at domingo, dezembro 04, 2011 1 comments